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Full text of "Diccionario geographico da provincia de S. Paulo: precedido de um estudo sobre a estructura da ..."

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> 































^ICCTONARIO ■ 

EOGRAPHICO 

b 

província de S. PAULO 



XJ DE UM ESTUDO SOBRE A ESTRUCrURA DA I.INGUA TUPI 
MDO, EM APPENDICE, UMA MEMORIA SOBRE O NOME AMERICA 



(HÍRA POSTHUMA 



pr. }oio Menles k ftlmeíáa 




PREFACIO 



Resolvemos eiJilur o Dierlanaria Ocoi/raphico da Provinda de S. Paulo, 
do finado doutor Joio Mendes <le Almeida, deslinaila á aviventaçSo da no- 
iciatura geographica tupi, isto é, á interpretação dos nomes dados pelos in- 
loas ás localidades que depois constituíram a ProTÍncia, hoje Estado de 
Paulo. 

Ninguém ha que, tendo estudo da lingua tupi e dos costumes dos in- 
'nas americanos, deiíe de contemplar, uas denomÍnaçí>es tupis das localidades, 
sua admirarei significarão descriptiva. 

Para o indígena, a denominaçilo dos locares nâo era dada com o pouco 
«eiTiipulo com que o fazemos: para elles, a instituição do nome era um caso de 
Dutta ponderação e conselho. O dr. Joilo Mendes tirou disso a mais solemne 
nntrjprova, procurando utna origem oliservavel e rerifíi-avel, quer na geographia 
la localidade, quer nos elementos e na estructura grammatical do vocábulo tupi. 
EUc cogitou de todas as difliculdades possíveis e teve o máximo escrúpulo em 
i2o desvial-as. 

Na maior parte desses nomes indigenas, sem necessidade de conside- 
■al-us eivados de corrupção uu de corruptela, revela-so, á primeira attenção e 
'uc^fio, o conceito da mente que os instituiu; em outros, é evidente a corruptela 
em outros, a corrupi^So. 

No exame das corruptelas, o dr. JoSo Mendes ponderou que os elemen- 
I das palavras silo formados de elementos mais simples, que consistem no 
w, no niido e na rcsonancia: elle ponderou que as vozes mais fáceis de 
imítiir sao. em primeiro logar, as ro:íes lirres, representadas somente pelas vo- 
tes, qaer puras quer nasaladas; elle ponderou que lodos os sons laringeos, 
iQdificado!> por estreitiimenlo parcial ou total do tubo vocal. Isto é, quer sejam 
íxe» Foiísfrirían, ijuer sejam roips explodidas, s5o de mais diffieil emissão. Elle 
iSo deixou de Bttender ás graphias primitivamente adoptadas peios nossos bis- 
iriadores, pelos nossos chronístas. peias autoridades, nos actos officiaes, pelos 
ibelUães, nos instrumentos públicos, e pelos particulares, nos mais antigos 
iStmitientns privados; mas, applicando as leis naturaes aos Tactos e ás cir- 
uiDEtaociai), recorreu também, pura a reconstrucçSo "ita forma primitiva do voca- 
hitlo, Áa leis da phonologia, maximt? naquelles casos em que a grnpliía latina 
nSo tinha caracteres para representar exactamente a pronuncia tupi, 

Na verificação das corrupções, o dr. Jo5o Menies, eN\\.ft^ÔLCí i^x ^lAs^iíir 
ndo valor á torça corruptora dos vocábulos, iámais tesiaVoM çaia. í) «\,'^x!\'5q.^ | 



IV PREFACIO 



OU para a phantasia. Elle teve em vista as regras do methodo experimental, 
entre as quaes ha uma que previne o observador contra o espirito de systema; 
mas, isto não quer dizer que deixe de ser observada a raxão da existência e a 
forma primitiva dos nomes porluguozes. Quasi todos os nomes portuguezes, 
dados não officiaimente aos logares, observada a sua raxào de existência e a sua 
forma primitiva^ foram nomes tupis hoje alterados por eorrupçfto, em conse- 
quência ou da dificuldade da pronuncia da palavra tupi, ou da semelhança com 
a palavra portugueza no som^ no riiidoy ou na resona7icia. Esta tendência do 
europêo é reconhecida por todos os viajantes e exploradores, assim como pelos 
missionários; e, ainda ultimamente, o dr. Theodoro iSampaio, um dos notáveis 
talentos do nosso meio scientifico, na sua Memoria sobre o tupi fia geographia 
nacional, cap. IV, n. 131, assignalou perfeitamente esta tendência européa, re- 
ferindo corrupções como estas: Nharidui em Jean Dory e Jandovitis; Para- 
cauri em Pêro Cavarim e Pêro Cabarigo; Sernamtyba em Simão de Tyba e 
João de Tyba. E' muito natural, pois, que avultem, na nomenclatura geogra- 
phica de S. Paulo, corrupções semelhantes; e, por isso, o dr. João Mendes as- 
signalou, por exemplo, os nomes Affonso, Malhias Peres, Rápidos de Santo 
IgnaciOj etc, como corrupções de Akõcè, Mboiiyoyérè, Orapaundihattahocè, etc, 
e não prestou-se a conjecturar a existência de individues de que ninguém dá 
noticia, ou a realisação de factos indeterminados. Prevenir-se contra o espirito de 
systema não quer dizer que deva ser repellido o espirito do systetna, para que se 
torne predominante o espirito dos outros systemas. Uns são dominados pelo sys^ 
tema das lendas e narrativas mais on menos phantasticas, outros pelo systema 
das explicações xoologicas, ouíms pelo systema das eívplicações botânicas, outros, 
erigindo em systema a falta de systema, acreditam nas mais disparatadas expli- 
cações, chegando mesmo a aSiimar que as denominações de Jogares eram sim- 
ples flatus voeis sem significação alguma. 

Sobre todos estes systemas, o systema geographico leva immensa vanta- 
gem, por ter encontrado a sua piova plena na observação e na verificação. O 
systeina geographico é o que se acha de accordo com os costumes indígenas, 
attestados pelos viajantes que se demoraram e viveram entre elles; o systema 
geographico é o único que acha confirmação na estructura da língua tupi, por 
mais rigorosa que seja a applicação das regras grammaticaes dessa Ungua; e, 
quando, por excepção, o systema geographico nào acha confirmação nos elemen- 
tos componentes do vocábulo tupi, nem por isso a excepção deixa de demons- 
trar o génio da raça, ou a sabedoria do indígena. Nestes casos excepcionaes, o 
vocábulo significa, ou a existência de moléstias endémicas, ou a indicação 
de perigos permanentes, ou a abundância de productos proveitosos, ou factos 
frequentes. Além disso, muitos viajantes, exploradores e missionários, attestam 
que os indígenas sohiam dar nomes com som idêntico, ou quasi idêntico, a le- 
gares vários na mesma região, significando, porém, differentemente: muito sábios 
na formação dos nomes locaes, pois estes deveriam designar os caracteres phy- 
sicos da cousa nomeada, e não eram definitivamente acceitos senão após delibe- 
ração em assembléas nocturnas, faziam os indígenas admiravelmente aquelle jogo 
linguistico, quando tinham de dar nomes a rios, lagoas, montes e outros logares 
na mesma região. O padre Ivo d'Evreux, na sua obra Viagem ao norte do 
Braxil nos ânuos de 1613 a 1614, assignala perfeitameule este costume dos in- 
dígenas. 

Nem ha que extranhar, nesse ponto, a superioridade intellectual do indí- 
gena. O mesmo padre Ivo d'Evreux, no seu testemunho insuspeito, aflBrma 
que os indígenas do Brazil sont bcaucoap plns aisés à civiliser que le commwi 
de nos paysans de France. E o padre Manoel da Nóbrega, em mais de uma 



las cartas escriptas de 1549 a 15fíO, nttesta n cairia passo, mesmo em outros 
issumptos, a potencialidade intetlectual e moral do indígena. 

E, pois, que razfio, de ortlent eirpeihumidl, dá o direito de considerar a 
raça indígena brazileira como inferior, em poiewia iiitelleehtal, ás raças euro- 
}éãs? Nenhuma. A craiitologia e a eraniomeiria, essas preoccupações de certos 
tabios de gabinete^ eivados de muitos preconceitos, nao resistiram ás primeiras 
iriticas e eahiram, arrastando em sua queda, níLn só aa cubagens de Mortom 
9 outros, como as consequências que desses dados arbitrários a vaidade dvilisada 
)nu ainda mais arbitrariamente deduzir. Se o vieíkodo linguistico, mesmo se- 
lando os últimos dados da sciencia européa, é o único capaz de servir de cri- 
tério para a determinaçilo dos caracteres moraes das raças, a verdade é que, 
segundo attestam os próprios europêos mais autorisados (isto é, os europêos 
}oe fizeram observação própria), a lingua tupi pôde competir com as mais fa- 
mosas e mais perfeitas. 

E, mais, que razílo de ordem physiologica, que razflo de ordem psyco- 
logiea, nos autorisariam a negar ao indígena a capacidade para a synthese? 
Porque seria o sen espirito, uiaximè na contemplação da natureza, despido dessa 
operação da mente, communi a todos os liomeD:>? Que razíLo mesmo ha para 
attribuir ao indigena um espiriío absoUdamenle inculto? Nenhuma. Ao con- 
trario, a historia, e mesmo a observação actual, posto que relativamente, nos 
moBtram os indígenas do Brazil com as suas classes superiores, com os seus 
homeoB de religião, com os seus homens políticos, com os seus sábios, assim 
como noB mostram, entre os civilisados, mesmo entre aquelles que ainda hoje 
entram no paiz, muita gente inculta. Não admira que haja quem pretenda que 
o indígena brazileiro seja destituído até da possibilidade de conceber idéas geraes, 
oa antes, idías universaes; pois, os antigos philosophos nominalistas e os mo- 
dernos soisislas ab&olutamenie recusam, não só aos homens selvagens, como a 
toda a mente humana, íi concepção do universal. Mas, admira que haja quem 
affirme que uenhuma lingua barbara possúe palavras para exprimir idéas univer- 
saes,— i&to í, o cODoeito do um coiiuiium a muitos: as palavras abá, chomein>, 
cunha, «mulher», mbae, «cousa*, seriam sufHcicntes para responder a isso, se 
tivéssemos de defender somente os nossos indígenas. Seria longa a série de 
argumentos com que a verdadeira escola anthropulogica demonstra que toda a 
biente humana concebe idéas universaes e que o conhecimento preciso e com- 
parativo dos iudividuos é facto rudimentar da natureza humana. Se assim é 
Quanto á gencraUsaçÕo, como negar ao indigena a capacidade para a synthese? 

' Aliás, mesmo entre os polygenistas, muitos reconheceram essa auperio- 

laãe na estructara das línguas indígenas da America. Um delles, o notável 
OMANBS, na sua obra sobre a Ecolução mental do homem, consagrando cinco 
upitulos á philologia comparada, comquanto se incline á hjpotbese, não só po- 
tícB, eomo polytypioa, das línguas americanas, assignala (pag. 247 da tra- 
l ^auceza ae H. de Varignt), entre as línguas agglutinantes, <o grupo 
fiiheiico, qne é o dos selvagens desde a Groelandia até a Patagonia*, e 
'<i: cA fnçíLo característica destas línguas consiste na composição inde- 
palavras por syncope e ellipse. . . A polysynlhese consiste na fusão 
IGÇSO, taes das palavras componentes perdendo suas ultimas, taes 
'lua primeiras syllabas>. Outro sábio, inglez como o anterior, citado 
nas Leis da Imitação, como um cunsummado pbílologo, e pelo 
uxn (pag. 250 da referida obra), aOirma no seu livro lutroduAt-ÍAix 
M0 e/ kmpage, a vantagem das fórynas precisos e nitos Tiaa Xwisjji»-'». 
JH^ e Acoresceuts, quanto ás Unguaa ags\tt\«v?LTi\je,%, o çaiíjàítA"- «-^^ 



VI PREFACIO 



«línguas agglutinantes, por sua vez, têm sobre as línguas flexionaes a importante 
«vantagem da composição e decomposição das partes constituintes e da distincção 
<Ldas relações grammaticaes . . . Na realidade, quando examinamos de perto o 
«principio sobre que repousa a flexão, vemos que elle corresponde a uma facul- 
«dade lógica inferior á que produz a agglutinaçâo». São observações que, re- 
lativamente ao ponto que nos interessa, têm extraordinário valor; pois, se a prin- 
cipal objecção feita ao systema de interpretações do dr. João Mendes,— é a pre- 
tendida incapacidade do indígena para a synthese, são de grande valor as lições 
de sábios europêos, insuspeitos quer por sua filiação doutrinaria, quer por sua 
filiação ethnica, quando aOSrmam, até como feição característica das linguas in- 
dígenas da America, exactamente a polysynthese. 

Negar ao indigena a abstracção^ a analyse^ a reflexão, que nada mais 
são do que espécies de attenção^ seria negar-lhe até a linguagem, que nada 
mais é do que um processo de abstracção, de analyse e de reflexão. Nenhum 
viajante, nenhum observador, deixa de reconhecer que os indígenas abstraem e 
dão nome ás suas abstracções; nenhum viajante, nenhum observador, deixa de 
reconhecer que os indígenas reflectem e comparam; nenhum viajante, nenhum 
observador, deixa de reconhecer que os indígenas analysam, synteiisam, geiíera- 
lisam. E os exploradores, os missionários, e, em geral, os viajantes que se de- 
moraram e viveram entre os indígenas, narram, até como predicado especial da 
raça, a habilidade com que elles encerram, em um tenno complexo, muitas idéas 
simples 8 mesmo muitas idéas compostas. 

Na maior parte desses nomes indígenas, como já dissemos, revela-se, á 
primeira attenção e traducção, o conceito da mente que os instituiu ; em outros, 
comquanto a interpretação seja mais difficil, não ha necessidade de recorrer a 
conjecturas para verificar-se a confirmação do systema e génio da raça: basta 
applicar, com rigorosa observação e experiência, a lógica da hypothese; e, então, 
veremos que o indigena, nesse assumpto, não era fútil como o civilisado e que, 
para o indigena braxileiro, o nome era também o «monogramma da razão da 
cousa». Se, pois, em alguns casos, o dr. João Mendes recorre a probabilidades, 
estas são hypotlieses fundadas, e não meras conjecturas; e, quando recorre a 
analogias, funda-se na marcha ordinária dos acontecimentos humanos, concluindo 
sempre de factos conhecidos e verificáveis, 

«A hypothese, diz Claude Bernard, é o ponto de partida necessário 
de todo o raciocínio experimental. Os próprios mathematicos formam hypotheses, 
experimentam, induzem». Temos á vista um livro do notável Ernest Naville, 
intitulado— La logique de Vhypothèse, onde, depois de referir-se ao citado Claude 
Bernard, a Bacon e a outros, diz: «A hypothese é a semente de toda a ver- 
dade; recusar systematicamente, ou em absoluto, a hypothese, é o mesmo que 
recusar toda e qualquer semente por existirem sementes infecundas». 

O mesmo autor mostra como, principalmente na investigação' das causas 
e dos fins dos factos, assim como das classes e leis que os regulam, encontra- 
mos, sempre e por toda a parte, a hypothese. Depois de estabelecer os princí- 
pios directores da hypothese, em physica, biologia, psycologia e nas scíencias em 
geral, passa o citado autor a determinar a diflFerença entre a hypothese e a con- 
jectura, A hypothese deve ter base de observação e meios de verificação. Por 
base de observação devemos tomar, não somente os factos, mas as leis que re- 
sumem um grande numero de phenomenos. Os 7neios de verificação variam, 
não só com as épocas, como também com as condições, por isso que ha hypo- 
theses que póàem ser verificadas pelo exercício dos sentidos activados pela 
attenção, e hypoiheses que reclamara apparélliOE e m%\.i\xm^Xk\fò^ à.^ ^t^^vsÃ.^* ^ 



tuUaneiflwlc das deseoherlas, assim como aa indimi^/Ses da Mstoría, muito au- 
ra, quer como hnse de olixervaçm, quer como meios de rcrificação. E mesmo 
I variantes nos resultados dos examen (por exemplo, as interpretações diver- 
'bb) sâo outros tantos meios de verlfkação. As cnnjecluras púdem, como as 
, ser Terdadeiras ou falsas, mas não reponsam nesses referidus elemen- 
I de probabilidade; e, quando chegam a ter uma base e um meio de rerifi- 
fSo, convertem-se em hyputheses. 

Ora, na interpretação dos nomes lupis. o dr, João Mendes tomou para 
( df. obserração: 1." o facto narrado por muitds historiadores, entre os quaes 
iK8 Stadkn e Ivo d'Evre0x, relativa mente ás denominaçOes que os iudige- 
: davam ás crianças e ân?, extra ti geiros, aos lugares, ás cousas mais notáveis, 
colhendo para isso os nomes, uHo indifferentemente, mas deliberados em con- 
Iho; tí." o fscto da dcnomiDa^-fio dos auímaes corresponder ou ao som do seu 
[rito ou canto, ou á conformnçíLo pbysica, ou ao característico de algum de seus 
lobros ou urganis, ou ao seu modo de viver; 3." o facto da denominação dos 
^taes corresponder ou á sua figura ou aos seus effeitos, assim como o facto 
\ denominação das cousas, em Reral, corresponder aos seus caracteres inlrin- 
4." o facto da denominaçfiu de iijuitos logares corresponder exactamente 
1 característicos geographicos, ou a outros caracteristicos locaes e perfeita- 
3iite conhecidos; õ.° o facto de furmarem os tupis tribus errantes, que, para 
leígnalar os logares eiu que paravam, tinham de deuominal-os, não por carac- 
iristJcos pruvisorios, mas \>or caracteres pennauentes que os guiassem em noras 
IgGDs; 6." a naturalissima inducçili) de qua, em taes circumstancias, a deno- 
~ i tinha de ser dada pelas classes directoras e em conselho de homens 

Os meios de rerifíeação, de que dispbz o dr, JoSo Mendes, foram : 1." 
•stado acurado da lingua tupi: 'i." o exame dos caracteristicos dos logares, 
ir directamente, quer por informações de amigos o pessoas sérias das locali- 
ides; 3," a iittençào aos elenienios componentes do vocábulo e á sua estruc- 
tnra grammatical; 4." a comparação das interpretações divergentes, apreciadas 
perante us factos, perante a lógica, e perante a grammatica. O dr. João Mendes 
conhecia perfeitamente as grammaticas dos padres Anchieta, Montoya, Fi- 
gueira, etc.; conhecia i)erfeitamente o voc:ibulario; fez estudos espeeiaes sobre 
a plioDologia e orthologia das palavras iodigeoas; conhecia perfeitamente todos 
OB inethodos de philología e de histuria para a reconstrucçSo da forma primitiva 
dos vocábulos; ouvia todos os indígenas que appareciam nesta capital, mandan- 
do-os chamar, agradando-os, principalmente no interesse de ínquiríl-os e escu- 
tal-os; escrevia a seus amigos e conhecidos, residentes nas respectivas localida- 
des, pedindo-lhes informações, e delles recebia respostas minuciosas; lia os Diários 
€ Hemorias dos mais illustres viajantes e exploradores das regiões paulistas, as 
chronícas e biograpbias mais antigas, as informações dos missionários, as obras 
sobre geographia e historia de S. Paulo, os boletins da CommissSo Geographtca 
e Geológica, assim como todas as pubiicaçOes officiaes e nâo ofliciaes que pu- 
dessem trazer interesse d geographia de S. Paulo; conferia a graphia dos nomes, 
quer nos documentos ofliciaes, quer nas escripiuras publicas e instrumentos par- 
ticulares, etc. Além disso, o dr. João Mendes tinha leitura assídua, não só de 
obras sobre grammatica geral ou Iheoria da linguagem, não só de obras sobre 
» philosopbia da historia, sobre a pliílologta, sobre a «chorographia» e a «nomen- 
claiura>, como de grammalicas particulares das línguas grega e latina; conhecia 
IS obras dos mais notáveis indianistas estrangeiros e nacionaes. Em sumnia.., 
Mtava liabilitado para pôr em pratica processos e regraa sftç,\iía.íi i& ^eív^^aj^ 
J^W observações sobre a Unguã e os costumes dos VTiá\ge\i&%. 



Vra FBRFACIO 

Nem se diga qoe, entre os contemporanoof;. o dr. JoSo Mendes está iso- 
lado nesse culto qae, sob o ponto de vista da nomenclatura geographica, con- 
sagra á superioridade da língua tupi. Sem fallarmos em Varhhaobn, Gonçal- 
ves DE Magalhães, Baptista Caetano, Couto de Magalhães, Barbosa 
Rodrigues e outros, assignalaremos o cónego Ultssbs de Pennafort, que, 
ainda ultimamente, na Revista do hisiituio do Ceará^ publicada sob a direcção 
do Bakao de Studart, dizia: <A língua tupi é muito mais escrupulosa no em- 
prego de suas palavras do que muitas das actuaes línguas cultas da Europa». 
E, nesta capital, o já citado dr. Theodoro Sampaio, na sua excellente Memo- 
ria sobre o Tupi na geographia nacional^ assim se manifesta: 

cAs denominações tupis das localidades ou dos indivíduos, como todos 
08 epithetos de procedência barbara, são de uma realidade descriptiva admirável, 
exprimem sempre as feições características do objecto denominado como producto 
que são de impressões nítidas, reaes, vivas, como soem experimentar os povos 
infantes, incultos no máximo convívio com a natureza». 

Emfim, aqui está o trabalho do dr. João Mendes, trabalho cujo incen- 
tivo foi o seu apaixonado patriotismo, estimulado pela convicção nascida do sea 
estudo da nossa historia, da nossa geographia, dos costumes e da língua dos 
nossos indígenas. 

S. Paulo, 9 de Abril de 1902. 



I 



INTRODUCÇÃO 



Pensando, como Yillemain, que a língua de um povo é a forma ap- 
parente e yisivel do seu espirito, deliberei-me a conhecer a língua i7ipi, ainda 
fallada na região brazilica quando esta parte da America foi descoberta em lõOO. 

. Obtive diversas edições da Arte de grammdiica da lingua brasílica, do 
padre Luiz Figueira, da Companhia de Jesus; grammatica essa que, segundo a 
phrase empregada na provisão de licença para ser impressa, «íicou obra muy 
cproveitosa e curiosa,. . . não obstante a arte do padre Joseph Anchieta, que, 
cpor ser o primeiro parto, ficou muy diminuta e confusa, como todos experimen- 
ctamos». Mas, não bastava essa grammatica; faltava o diccionario. Tratei, por- 
tanto, de adquirir as obras do padre António Ruiz de Montoya, também da 
Companhia de Jesus: a Arte, o Bocabulario, o Tesoro e o Catecismo de la lengua 
guarani, ou, como o finado Visconde de Porto Seguro, em 1876, accrescen- 
tou, em phrase hespanhola, ao titulo de cada uma das três primeiras obras — 
«mas bien tupii^. 

Logrei mais tarde encontrar outras grammaticas, entre as quaes a do 
padre Joseph Anchieta. 

Estudando essa lingua, verifiquei que os nomes dados pelos indígenas 
da America ás pessoas e ás cousas, correspondiam exactamente á forma ou a 
outras qualidades dos indivíduos e dos objectos nomeados. Applicando o mesmo 
processo aos nomes de legares, reconheci que, exactamente nessa nomenclatura, 
o indígena foi mais engenhoso. Desde então formei o plano deste Dicciojiario 
Oeographico da provinda de S. Paulo, reservando para mais tarde o da pro- 
víncia do Maranhão, onde nasci. 

Innumeras vezes tive de recorrer a amigos e moradores dos legares, 
para darem-me informações; e, combinando a ^chorographia», resultante das in- 
formações, com a «nomenclatura» resultante do vocábulo indígena, quasi sempre 
verifiquei a conformidade. 

Trabalho, assim, ha mais de dez annos, nesta obra de avíventação da 
nomenclatura geographica tupi na província de S. Paulo. Não quero saber se o 
resultado pecuniário compensará o sacríficio de tanto tempo e de tamanho es- 
forço em labor tão pouco commum; não cogito disso nesta obra. Já alguns, 
em 1886, estranharam que eu, em vez de publicar obras de Direito, «que pro- 
duziriam dinheiro», preferisse fazer imprimir livros e memorias sobre os nossos 
indígenas, sobre a nossa historia e sobre genealogia. Julgar-me-hei bem remu- 
nerado, si puder merecer a approvação dos que compiebi^Tiàfem o n^^\ ^<^ %^^- 
rico prestado, Dão tanto ás Jetíras, mas sobretudo & PsAim. 



X INTRODUCÇlO 



A lingua tupi é bella e sonora; e nada das dos conquistadores da Ame- 
rica tem ella a invejar. Na composição de palavras e nomes pôde ser reconhe- 
cido o finíssimo engenho dos sábios da raça. As formas grammatícaes, cora os 
tropos e figuras, manifestam a sua eximia perfeição. Não deve ser confundida 
com os dialectos mais ou menos grosseiros das sub-naçôes. A lingua tupi 'foi e 
é sempre a lingua geral. 

E que melhor attestado pôde ella ter do que o juizo do padre A. R 
DE MoNTOYA? Escroveu elle no seu prefacio: «. . .lengua tan copiosa, y ele- 
«gante, que con razon puede competir con Ias de fama. Tan propia en sus si- 
«gnificados, que le podemos aplicar el v. dei Gen. 2 — Omne quod vocarit Adam 
^animce virentis^ ipstim esi nomen ejtis. Tan propia es, que, desnudas Ias cosas 
«en si, las dá vestidas de su naturaleza. Tan universal, que domina ambos mares, 
«el dei Sur por todo el Brasil, y cifiiendo todo el Peru, con los dos mas gran- 
«diosos rios que conoce el Orbe, que son el de la Plata, cuya boca en Buenos 
«Ayres es de ochenta léguas, y el gran Maraflon, a él inferior en nada, que pasa 
«bien vecino á la ciudad de Cuzco, ofreciendo sus immensas aguas ai mar dei 
«Norte». 

Deste elogio á lingua fallada par todo cl Brasil, bem se vê que a fen- 
giLa guarani, á que o padre Montoya fez referencia nas suas obras, é a mesma 
lingua tupi. 

O nome tupi, dado á lingua fallada pelos povos da America, é o mesmo 
nome da primitiva geração, da qual procederam tantas e innumeraveis nações, 
embora tomando outros nomes e característicos, espalhados no grande continente. 
A palavra tupi é assim desarticulada: tu-pi, «principio do pae», isto é, «prin- 
cipio da geração, antepassados», para exprimir a primitiva raça. De tvb, «pae», 
pi, «princípio, ponta», perdendo inb o b, por seguir-se palavra cuja lettra inicial 
é consoante. Assim também tupi, com referencia á lingua, significa que é a 
primeira, segundo a phrase portugueza, a lingua mài; e, por isso, na locução 
brazilica, nheyihengatu : de nhenhen, «lingua, linguagem, palavras», catu, «bom, 
melhor», para exprimir superioridade, mudado o c Qm g, por causa do som nasal 
de nhc7ihen. Nem a palavra nhenhen, nem a palavra nhenhengatu, são deno- 
minações de outras línguas, como alguns o têm pretendido sem maior exame^ 

Mas, segundo o já citado Visconde de Porto Seguro, o nome tupi 
é i4pi, «os antepassados», pronunciado gutturalmente o primeiro i: de t, rela- 
tivo, ipi, «passado, maiores no tempo». Quer uma, quer outra explicação da 
palavra tupi, o resultado é idêntico: a primazia da lingua geral deu origem a 
vários dialectos, como o guarani, e outros. E assim como aos dialectos gregos, 
o dorico e o eólico, é attribuida a origem da lingua latina, não é de admirar 
que também dialectos da lingua tupi hajam formado línguas tão diversas, ora 
falladas por alguns povos indígenas da America. 

A verdade é que, nas duas Américas, ha nomes e vestígios que de- 
monstram que a lingua tupi foi a primitiva e dominante em todo o continente, 
do norte ao sul. E dei a prova disto na Memoria sobre o nome <s^AmericaT^j 
que também será impressa neste livro. 

S. Paulo, 1889. 



Estpuctura da língua tupi 



alphflbeto da lingua tupi é com- 
alo das seguintes lettras : a, b, c, ç, 

E, O, n, I, J, K. M, N. O, P, Q, K, T, 

■X, T, e O Hl. NHo ha f, l, s, v, z: 
m pôde ser dobrado o r, nem podem 
tat eoDJUDctas qualquer das leltrns mu- 
s com a lettra liquida r. 
O padre Montoya nao adrnitte o k, 
1 danda porque o /., em hespanhol, 
i i empregado nas palavras estranhas 
essa lingua, que o têm; mas, o padre 
nz Figueira justifica a sua necessi- 
de, para que a escriptura corresponda 
m propnedade á pronunciarão de mui- 
s díci,'õe8, especialmente quando o u 
ijeclo ao q tiver de ser liqiiescente. 
Ãs lettras TOgaes sao seis: a, e, i, o, 
iy. Mas, só empregaremos o y, á lalta 
h outra, quando o som do i deva ser 
QttDral, pronunciado como entre u e i, 
^odo a li^iia do já citado padre Luiz 

iQUEISA. 

_0s diphtougos sao doze: íií, ei, oi, ul, 
I, ao, au, cu, ín, ou, nu, yu. 
Àlím da pronunciaçKo natural, ha a 
sal, a gntlural, a nasal-guttural. Sem- 
s que na palavra ou nome ha uma 
fllaba nasal, a seguinte torna-se tam- 
il nasal: e, muitas vezes, nasalisain- 

1 egualmente, iiao só a consequente. 
Wa também as antecedentes, Nestes 
i»s, o c é mudado em «y, o í em nd 
p em mb. Quando ha duis ii, no fim 

R palavra, é sempre guttural o primeiro. 
Hio b» lettra ou palavra que corres- 
onda propriamente aos artigos o e a, 
OrtDguezes ; mas, os relativos fazem de 
tft» modo aa mesmas funcçOes ; çub-a, 
tííitar», i-xuh-a, «a visita». 
^ nae pessoas e nas cousas aníma- 
> sio declarados os géneros. No pa- 
''"^-JupãJavraa eapeúaets para cada 



nm gráo, considerado o sexo de um e 
o de outro. Fora disso, sendo indispen- 
síive! designar o sexo, é accrescido aiiÁ. 
(■homem», para o masculino, cunkã, «mu- 
lher» para o feminino. O padre Moktota 
escreveu abá e não auâ. 

O singular e o plural resultam das 
declinat;5es dos pronomes e dos artigos 
que antecedem aos verbos. Nos substan- 
tivos, sendo de todo indispensável, é 
accrescentado ao nome a palavra ctã, 
-^muitosi, correspondente assim ao s no 
plural portuguez : a})gaua-elá thomenat, 
cunhò-etâ «mulheres». 

O substantivo é declinado com o ac- 
crescimo de posposições; menos no nomi- 
nativo, aecusativo e vocativo. O genitivo, 
em geral, é formado com dons substan- 
tivos conjunctos, servindo de tal o pri- 
meiro: iboli-apytâ. «ramalhete de flores*, 
iboli, «flor» apyià, «manejo, mont3o> ; mas 
ha outra espécie de genitivo, em que 
é tal o segundo substantivo, tratando^se 
da forma, modo, medida, ou da matéria 
de que é composta a pessoa on a coosa : 
em seguida ao segundo substantivo ac- 
crescenta-se a posposiçiío recé ou ri, e 
mais o verbal guãra: por exemplo, og-ibi- 
rá-pé-recé-gú4ra, «casa de taboas», og, 
«casa» ibirá, tpáu», pê, «chato», recé- 
gúára, tdei ; — talàendi-iraiti-ri-giuíra, 
«vela de cera», talámidi, «vela», iraiii, 
«cera»,ri-5«'ír(i, «de*. O dativo éíormado 
com as duas jiosposiçòes ie (breve), ou çu-pé, 
segundo o padre Luiz Figueira, ou 
simplesmente upé, segundo o padre Mon- 
toya ; mas, é usada também, não geral- 
mente, a posposição f com o som gut- 
tural: ç-oea-i, soando i-oca-u, «para mi- 
nha casa». O ■Ati*™síi.\v;a v^í.& %çí ■mAs,- 
posto ou çosposVo ílO NeT^iii tóCvíii'. "^w 
exemplo, xe-ci-oçauçill), dM. aqamyíi.VM^^ 



INTRODtTCÇJtO 



«amo minha inSe>, xf, pronome pessoal, 
Idvado ao genitivo pelo aecrest-inio de ci, 
*niae»,«<«MfHÍ;, ceu amo>: o i>aiire Mos- 
TOYA escreveu ahaiub, ao passo que o 
padre Luiz Figueira. nSo admitlindo o h 
senSo era poucos casos, escreveu a^aucúb. 

Também se forma o accusativo com 
as posposições piri, rupi, bo (breve), 
com verbos de movimento, para ir á 
procura de uma pessoa, ou ir a algum 
logar, on por algum logar. 

O ablativo é formado com análogas 
pospusições e longos seriam os enempíos. 

O adjectivo é, em geral, posposto ao 
substantivo. Este é algumas vezes sub- 
entendido. 

O comparativo se faz de dois modos. 
O primeiro, accrescentaudo ao primeiro 
nome comparado, ou ao verbo, a par- 
tícula bé, e ao segundo nome compa- 
rado, a posposi^o çui. O segundo ac- 
crescentando catú-pirc immediatamente 
ao agente. O padre Montoya usa ^7»! 
em vez de fitt. 

O superlativo se faz de ijuatro modos. 
O primeiro, usando dos advérbios aná- 
logos, como etf, eiéi, matctf. etc. : e, ac- 
crescenlando gui ou çiti, lia comparação 
no superlativo; e é digno de nota que o 
adverbio pôde ser antepo.«to ou pos- 
posto. O segujido, accrescentaudo a pos- 
posição açovf, (ocè, aocè. ofè. O terceiro, 
repetindo o nome, ou o verbo. O quarto, 
separando a ultima syllaba, e demorando 
ou alongando a sua pronnncia: poranga, 
«formoso», po-ran-ga, »mui formoso». 

O augmeiítntivo é feito com <■(*, uçu. 
on nri/çii, ou mesmo tiuiiçu, O dimi- 
nutivo é feito cotn mirim, em contra- 
posição a c«, açú, aruçú, turiiçá. NSo 
se tratando de contrapor, é feito pelo 
accrescimo de i, com pronuncia nasal: 
aba-l, ou 7ia-t, cliomemsinlio*, cimhÕ-1 
«mulbersinba». 

Os pronomes classificam-se em pcs- 
goaea, possessivos, àemonslratiros : e são 
também declinados, Xe. teu», ort. 
n&o J Dciaiaáft * pessoa com quem se 
, peê, 
I dativo, no 
«iural 

L do 



ablativo. O pronome tiâe. preceilemlo 
syllaba ou nome de wm nasal, perde o d. 

Os pronomes possessivos corresponileni 
aos pronomes portuguezes mm U-u, sfH, 
etc.; e adiante será melhor explicado. 

Os pronomes demonstralivoí^ corres- 
pondem aos pronomes portuguezes eUt, 
es/í, esse, aquflle, etç., que sflo declini- 
dos com os nomes respectivos, ou a que 
se juntam. 

Dou o exemplo de alguns pronomeí 
demonstrativos, ou relativos: 

Xe-aé, *en mesmo», tide-af, «tu mes- 

n», ei-aé, *elle mesmo», ore-aé, . »n6! 
mesmos», iaride-af, «nós e vós mesmos», 
pê-aé, «vós mesmos», ei-aè, «elies mes- 
mos>. Xe-aé-aikf; «entro em pessoa». Ai- 
pf, «alli mesmo». Aè-memé, «Iodos elles 
mesmos». 



Xc-çaê, 



, aé-aé, «elle meí 



nde-çaéy 



■unha. 



Ali, «este, esta, estes, estas*. Aã- 
esta mnlber». Também significa «aqui» : 
aú-í, «aqui está». 

Atig. «estes, estas»: s6 no piorai. Ang- 
ahá, lestes homens». Na-iang-niguíA, 
«n.lo são estes». 

O), icó, «este, esta, estes, estas». Cé- 
baf, «isto», ou lilteralmente, «essa cousa». 
Cá-tueúra, «este gafanhoto». Este pro- 
nome serve a muitas composições, para 
vários sentidos, como pôde ser lido no 
Tesoro de la lengtta guarani, do padre 
MosTOYA. Icó-i-abá, t eis o homem» . 

Eboeoi, ebocolbae, segundo o padre 
MoNTOYA, eljoqnéi, eboqiiéia segundo O 
padre Luiz FiauEtRA. «esse, essa, isso». 

Aipo. aipobne, «esse, essa, isso». 

Akh-, aquéia, «esse. essa. isso». 

í", giíi, cbiií, ebiiiiiga, segundo o 
padre Luiz Fioceira, nhugiã, engiã, 
fíiigitibae, rtugui, segundo o padre MoN- 
TOYA, «esses, essas». 

Ciiibar, pélxte, nedí. aeiihae, niievt, 
taquellc. aquella, aquillo, aquellcs, aqael- 
las». 

Todos estes pronomes servem s am- 
bos os números, a qualquer pessoa, e 
género. 

Os números canlinaes sâo: iipé, «am», 
mocól, ■duiii», intioçaps «it«&», trundit 



quatro>, ambd. *cÍnco>, alliísivo á milo 
Be tem cinco dedos. 
Os nnmeros ordinses sSo: iipi, •\m- 
, imocóia, *seRiindoí, imorapira, 
ro». iruiiilibar, <i|uarto: e maia 
nhom. 

O distributivo é formado Uo ilitas 
ineints. Ã príinoii'», repetindo as duas 
i sjllabas: ilpr.-ipe, «de um em 
, mocói-mocõi, *do dons cm dous», 
«boçttpi-çapi, «de três em trps>, inin- 
&-rvnd{, *do quatro em quatro». A 
ígUDda, accrescentando a euda um da- 
nll« números a partícula «'-■ iepc-ci, 
ie am em um*. 

O parLitivo é também formado de 
tus tiiodos. O primeiro, intercalando a 
UposiçAo gni ou çui entre us dous nu- 
Kros: niocói !/HÍ pctcj, segundo o pndre 
loSTOYA. OU )?iocói çui ii^íí, segundo o 
idre Luiz Figceira, lum dos dous: 
i segundo, antepondo ou pospondo ao 
palavra ainò: — nuii>-)iiocói, 
líous dos outroSs, mocói-amò. 
s outros dons». 

Os relativos e os recíprocos silo de 
n alto valor na lingna tupi. 
Os relativos são: í, ou ;, segundo o 
ime principia por consoante ou por 
ígal, ç, h e t. O indígena do norte 
D Brazil quasi nao usa do h, como re- 
Itíru: lisa muito do ç, nos casos em 
indígena do sul emprega o A, 
Us, Q h só é empregado pelo indígena 
io Eul como relativo, nos nomes qui 
tomeçain por /, r, ou que recebem r. 
Ds ([lie já tem h o conservam. O i, 
^rvcedendo A ou p, faz mudar estes em 
; cuti, «morder», ixim, «nioidel-o». 
Os recíprocos sflo íV, ío.- entram sem- 
e enire o agente e o verbo. 
^^ O jirimeiro, ic, denominado pelo padre 
HoirroTA «reciproco eui si mesmo», 
jonio a verbos activos, serve tanto para 
angular, como para plural, e exprime a 
>e^ da pessoa sobre si mesma: j-e-a- 
fe-)«ní, «eu me mulo a mim mesmo*; 

* 4 verbo que tiver, de sua natureza, 

• ^tlabu 10, ou nko, a perde, se tiver 
ío lornar-ee reciproco, para ser subaLi- 
'«iila por ie ou iihe, segundo for nalu- 

J%wi B^i^ o 8wg da paiavra: aiorá, 



desatar», n-ífi-ríf, «eu me desato>, oííAo- 
'ú, dnsliniar», a-Jihe-pú. «eu me las- 
timo*. E esta partícula ie soe ser em- 
pregada lambem para pnssimr o verbo: 
çoô-QÚ, «coMie carne>, i;o6-o-ic-n, «wme- 
se carne*. 

O segundo, io. denominado pelo paitre 
MoNTOYA írecijiroco mutuo», junto a 
verbos activos, serve somente para plu- 
ral, exprimindo a comniunicação de uns 
com outros: ped-ia-jucá, «vós outros 
vos mntaes uns aos outro*. Unido a 
advérbios, sígníficn a mesma communi- 
cação. Sóe lambem preceder posposições 
de dativo e de ablativo, quando a pri- 
meira, segunda ou terceira pessoa do 
verbo quer referil-o a si mesma. Ante- 
cedendo a posposiçilo rc^ê, esta perde o 
r. E' empregado algumas veaes para 
adjectivar o substantivo; io-auá, «liu- 
niano». Unido & palavra, cujo som é 
nasal, deve ser »ho. 

Como recíprocos sâo também indica- 
dos o, e gii, segundo o padre Momtoya, 
ou f, segundo o padre Ldiz Fiodeira. 
Sao, porém, adjectivos possessivos: o-ci, 
isua mãe*, gu-<Sf/ri, ou ç-ôga, «sua 
casa» ; com a declaração que, para o 
indígena do sul, se o nomo da pessoa 
ou da cousa possuída começa por al- 
guma consoante e mais a letra n, ali>m 
de perder aquella, como paru o indisena 
do norte, o yu fica simple^nienle g: lulia, 
«pae*. gú-ba, ou ç-ubn, «seu pue*: nílo 
é, porém, arbitrário oa inditiereiite o uso 
de o e de gii ou c, porque ba nomes 
que admittem sõmenie u recíproco o, 
como— Titpã, «Deos», e outros que po- 
dem ser conhecidos nas grannn atiças. 
Estes mesmos o, e gii ou ç, anieceilendo 
as p;ilavras, accrescida a estas a parli- 
cula bo ou mo (breves), segundo é na- 
tural, ou nasal, o som ila respectiva pa- 
lavra, servem para exprimir o modo de 
estar das pessoas ou das cousas: o-pu- 
fú-bo, «ao comprido», o-(í/»é-ò«, «de laiio», 
Q-vcã-uio. «de cabeia*, o-pt-mo, «de ilhar- 
ga», yn-acape-ba, ou ç-arapé'bo, «do 
barriga». 

K outras a|)plÍcai;Ões, que seria longo 
especiticar; cumçiituAvi, Y^ifero, iavtat 
notado une o o, igwae^^ttto 



«Wílflo», o-ibin, lao 

~ <dtutedrile>; 

pospesiçfto íe- 

feeée o I, nadaBdo-o en 

g, MB v fifÓMo. e» s«gniBieatD ao re- 

■ a. pda rrgn KlitiTa i3 ftaUrns 

I ]Kir r, OB k, OB I. 00 r, ' 

«•■fiçlo do padre LtJiz Figceira. ' 

iat^eições: e, en 

t >io ala as mesiBas para o booieai 

I a nnlber. 
_ I í Eãoente quaoto a inteijei^Ses 
^^ esn diflereota : lambem existe 
> a «atoas parles da ora^So. 
I eoBJuefíSes sSo: ropflaliinx, àis- 
tíras. eoilerííras, illaíiraa. Algumas 
ato tanbeoi anptrgadas como adrerfaios. 
Ob adrcrtuoe sS» innameros; e, como 
jk m disseoios. podem ser antepostos ou 
pa apoal Ba. Ha adrerbios intrrrogatiTítf. 
de leilpo e de lo^r: e ailverbkts m- 
jKMU*i««. correspondentes a aqoelles: e 
adminv^ é a soa esieosa variedade. 
Ba oatnw advérbios, absolutos, assim. 
dassifieados pelo padre Luiz Fiockiea: 
— iltlerroffatirof, af^rmotiros, Mr^ltt-ot, 
demonutraliros, infilatirvA. prokihttiros, 
permimnu, /oMm/iros,- e diiros niio 



-1 



Siag. 
A, Err, < 



Pior. 

lâ. Oro. iV, 



A majtos adrerbios sfto accresceitta- 
das posposiçAes: cot-rupi. «por acjai per- 
thiboi: ibnlí-roH, <pftni eirna». Os in- 
terrogativos sâo em geral Gnalisados coxa 
a particola p^ (breve>. 

O verljo é a inais comptíeadH e dif- 
Scil parte da oraçAo na linfcun tttpi. O 
padre Luiz Figueiba clissitii-a os ver- 
bos ent aetiras e não artiros, entre os 
qoaes os nrulrw e oa absolutos, f mnis 
oS /Kisniw. Htm do3 irrrgntarr» : e O 
padre Mdxtota maiitcm de certo modo 
a mesma cUíisificiiçiío. í^e^^dn eâie, 
sSo aciÍTOs os que entre n ftota f o 
verbo tém o relativo i. ou o relativo 
h; s2a neutros os que n3o IJm próprio 
srcnsaiivo de pessoa padvnie, «enio 
eámente o caso da po»pO!tÍ^Ío; i>Sn ab- 
solutos os qop nãu tíin raso aleum. 

Os artiíjo.*, seguudti o {ladre Lrix Vi- 
arEiRA. e as notof, segundo o padre 
"' »01Á, sflo: 



.,.í Siog. I Plur. 

" \A-i.Ent-i, O-i. \ Iã-i,Oro-Í, Pe-i,0 

Uas. o i da segnnda fila supra i 
mesmo rdatíTO a qne allndia o padr^ 
MoSTOTi par» distjognir os verboí 
Tcs: nio o tendo assim espltcado ' 
padre Lnz Figceira. 

Os pronomes pessoaes sfio: 
Xe, Sde. I. .En. Tu, Elle». 
loHÓi, Oré^Pe, I. .Sós, Nós, Vós, Elles.., 
Os pronomes pessoaes tomani-se eaj 
pronomes possfxsiros, guando precedenl 
a sabstantiros : rc^mnija, eminhn ca-T 
be^>. Também como poxsfasiro!^, P'^! 
cedem a iaSnitivos de verbos d5o actt-f 
TOS, sf-çó, «meo ir» ou «minha idâ>. 
Tanbem oonio po^te^uo.* precedem il 
inãtiitiTos de verbos activos, comunlol 
que logo en seguida ao pronome spjtl 
collocado o accnsativo do verbo, xr-| 
Ttipâ-rauç^òa. «o meu amar a Deost. 

E' digno de nota que, para a 
mcira pessoa do piora), ha sempre d 
formnUs: a primeira iâ. ionde, serrri 
para exprimir que e^tão incluídas ■ 
pessoa 00 as pessoas com quem fallatD 
iã-jnrd, iBÓi matamos>. isto é, nót 
íw." n í4'^^nD(la om, ore, serve para 1 
pnmtr que esl^o íncluidas a pessoa ] 
as p«ísoas, a quem nos dirigimos.- 
ftieé. on ort-ineà, «n-is matamos», 
é. HM, sem rií. 

Cumpre sSo oonfondír este oro 
o outro ora. accnsativo do singalarfl 
segunda pessoa, correspondente ao ^ 
an-u^Uvu do plural: xe-oro-iiirá, 
te mato>, ore-opo-jued, tnos outros \ 
I mstanii:«>. 

Costuma-se tanit>em addJr aos pra 
mes pessoaes a partícula do partid 
passivo Umi; t, nestt? caso, muda « 
r, fazendo rrmi, nieoos nas 
pessoas, que é crmi: xe-rtmi-mboé, * 
I discípulo*, cemi-mboraeei, «seu 
on isuus «^anticvs*. Nos oasos qn 
pedvm. coEtama-se preccdtf xb de i 
relativo: ixt, <d« mim». 



INTRODDCÇlO 



Os verbos irregulares, on s9o própria- 
mente tses por nSo se formarem como os 
ontros, on s&o simplesmente defectívos, 
por dSo se asarem senfio em alguns tem- 
pos, nameros, on pessoas. 

Já ficou dito que o recíproco ie, nke, 
mettido entre o artigo ou nola e o 
verbo activo, torna-o passivo : ai-iiapii 
teu anojo* , ai-ie-tiapii, «eu me arrojo», 
oa (Soa arrojado. Mas, se antes de ie 
fõr mettida a sjUaba tno, volta a ser 
activo, DO sentido de fazer em outrem 
o que o verbo exprime. 

Os verbos neutros s9o de três espé- 
cies : os que são conjugados com os ar- 
tigos ou notfís a, ere, o, etc, mas, como 
já acima disse, nilo têm accusativo pa- 
ciente; os que se fazem com os prono- 1 
mes pessoaee xe, nde, i, etc; finalmente, I 
os que se formam de nomes substan- j 
tivos, como, por exemplo, xe-abaré, I 
<sou padre>. E estes verbos, se come- : 
çam pelas lettras í, h, ou ç, as mudam 
em r, se forem precedidos de artigos ou : 
notas, pronomes, relativos e recíprocos : ' 
iaci, (doençai, xe-raci, «estou doente*. 

De qualquer verbo neutro comeí^ado 
por a, se pôde formar dous verbos acti- 
vos: o primeiro, mettendo a syllaba mo 
logo depois do arí/^c; o segundo, mettendo 
ro, também logo depois do artigo: mbo 
ou tio, se o som do verbo fõr nasal. A 
. acção de mo e mbo se refere ao paciente, 
I e a de ro e no, a outro ou a outros 
[ agentes. 

; Já acima foi dito o effeito do reci- 
i proco ie e nhe nos verbos tornados acti- 
I vos pelas syllabas mo e mbo: voltam a 
I ser neutros. 

\ Os verbos absolutos se fazem tam- 
bém dos activos, mettendo, entre o ar- 
tigo ou nota e o verbo, a dicção poro, 
ou mboró, no caso de som nasal, para 
exprimir que o agente tem em si o 
exercício do que o verbo exprime. Esta 
dicçSo é signal de habito, extensão, ex- 
cesso, superlativo, exereicio com mais de 
om; e retém o caso do verbo; a-poró- 
çauçub, «tenho o costume de amar, muito 
e muitos; poró-auçupára, «amador ha- 
bituaU; poró-ieioqui-^^ra, «dançarinos 



A particuta ucá on uair, segando es- 
creveu o padre Luiz Figueira, posta 
no fim do verbo, produz o mesmo effeito 
de THo, porém por terceira pessoa: am&n- 
garú, tfazer comer» ; acaru-ucá, *faço-o 
fazer comer» ou *faço que lhe dêem 
comida». Káo se ajunta, porém, esta par- 
tícula a verbos de pronome xe, nde, etc., 
nem a neutros. Junta a verbo activo, 
assignala constrangimento na execução 
do que o verbo exprime. 

A conjugação dos verbos é affirma- 
tiva e negativa. 

Na conjugação affirmativa, o presente 
do modo indicativo consiste em tomar 
nú o verbo, preeedendo-o do artigo ou 
dos pronomes já referidos. Os outros 
tempos são manifestados pelas partícu- 
las additadas ao tempo presente do in- 
dicativo: aêreme, para o pretérito imper- 
feito, nman, ou iman, para o pretérito 
perfeito, uynan-aéreme, para o mais que 
perfeito, e ne, para o futuro; temoma, para 
o presente e o imperfeito do optativo, 
meivia, para o pretérito perfeito e mais 
que perfeito, morna, para o futuro; mo, 
para o imperfeito do permissivo, umã- 
! mo, ou imã-mo, para o pretérito per- 
feito, umn-mhcémo ou imã-mbiiémo para 

mais que perfeito. 

O modo conjunctivo, ou subjunctivo, 
perde o artigo, ou o pronome, e é assim 
formado: se o verbo acaba em vogal 
singela, accrescenta á terceira pessoa do 
presente do indicativo a palavra reme; 
a vogal tem til, é neme: no verbo 
acabado em diphtongo, tenha til ou não, 
o accrescimo é me; se acaba em b, c, 
n, ng, r, o accrescimo é eme; se acaba 
em m, accrescenta e. 

O modo infinitivo se forma também, 
sem artigo, ou pronome; se o verbo 
acaba em vogal singela, tenha til ou não, 
assim mesmo fica no infinitivo; mas, se 
acaba em diphtongo, com til ou sem elle, 
ou em consoante, recebe a lettra a para 
terminação: acát, cái-a. Mais claro: 

— O infinitivo é o verbo sem artigos ou 
notas: a-mbnê, «eu ensino», mboé, «en- 
sinara; mas, admitte pronomes relativos 
e recíprocos, e, não tendo caso, exçúnie, 
também a acfjto à<i 'jw'C)a cía %%x^ 



XVI IXTRODUCÇlO 



transformado assim em snbFtantivo: ái - ^^ gâabo : aiçoó, çó-^uabo f^conriàBnio 
fptipõ. ea açoiio>, uupã^ «açoitar^. nupU. \ banquete», aipocoú^ poco-guãbo^ €0ol 
«aí-roítes. i-ntfpif, <o açoite ^^, nde-tmpâ,^ áo de repente: ff?tâbo é tnmbeni, por 
ren aí;'j!t<^>. nho-ntipõ. <açoite reeipro-*s6. gernndio de ú, «comer>; em ver' 
ro '. hht-fotpú, «açoite de si mesmo >: em ■ acabadas nas vogaes, í, ti, feridas de 
verV^^s acabado» em difihtonso, com til, soante, a addiçAo é ábo: ptpi-ábo capei 
on -em elle. oa em consoante, deve ser : tando>,/M'Âu-d6o,€revolTendo>; em vei 
a'í«i:cíonado om a: a-cetiói, :ea chamo», {acabados em í, f#, com til, a addiçio 
'renO.-^i. « chamar >: em verbos começados |di7io: çopail^mo. «atando os extremi 
['Or r. o infinitivo deve ser formado com \ çu-ámoj cagrnpando», no sentido de 
re. pr*":e*]endo o verbo: a-raçó, «eu levo», . nir partidários, precedendo porém o 
re-raé^ó. -íevar». | ciproco ío, tanto no primeiro exem 

O geruntJio é formado do presente do co™^ «o segundo, para exprimir pi 
indicativo e sem o pronome pessoal, artigo ^ communicaçào de uns com oatros; 
00 vfjín. e sem a svUaba fo, nho, nos ^erbos acabados em ô, 5, J, a addi 
verbos que as tiverem: nos verbos acti- ^ w<>* monà-mo, «misturando», cê-m^ 
vos. que tiverem depois do pronome *sahindo», ee-ri<wJ-f/io, «augmentandot; 
a- >ynabas ra. re. ri, ro, ru. o mesmo c™ todos os verbos acabados em dipk 
pronome p* ssoal é substituido pela syl- tongos, com til ou sem til, ou em con- 
laba <f; nus verbos nâo activos, porém, ; soantes, a addiçào é a: acái, «queimar», 
ha pronome^ e»peciges para o gerúndio í*<Í'-«- *^queimaudo», /mí, «rebojar», Mi-d] 
e são: ! *rebojando», çapeg^ «chamuscar», fap^l 



SiD".— 6'í//, E, O. 1^' chamuscando», finalmente çauçuil 

Eu' Tu Elle,» I «amar», faM^i/p-a, «amando», porque 4 



Plur.— /ái. Oro. Pe. O, 

-Xós, Xós, Vós, Elles.- 

Todavia, nos referidos verbos nào acti- 
vos cujos pronomes sSo Xe, Xde, etc, 
o gerúndio conserva esses mesmos pru- 



b é mudado em p; em verbos acabadoii 
de sua natureza, em r, este é perdido o 
nada é accrescentado : kér^ cdormiri« 
guikv. «dormindo», ajar, ccolhêr», tàt 
«colhendo». 

Regras a seguir, relativamente á cod- 



nomes, menos na terceira pessoa do sin-jjugação dos gerúndios: — o gerúndio doi 
guiar e <io plural, cujo pronome era vez ' verbos nSio activos é conjugado com gidi 
de 7, deverá ser (K e accrescenta dmoje. o, /á, oro, pe, o: assim, por exemploJ 
se acaba em consoante, ou ramo, se acaba j o gerúndio do verbo apág^ ou apác^ «aco^ 



em voíial arruda: e, se ha no verbo a 



dar»: gui-páca, «acordando eu», e-/MÍc«|i 



lettra r depois do pronome, muda-a, na «acordando tu». o*;)/í«i, «acordando elle»« 
terceira pessoa, em g: assim, em rotçd,^ id-páta ou oro-páca^ «acordando nós»i 
«ter frio», xc-roiçà, «tenho frio», o ^Q'\pc-páca, «acordando vós», o-/;/i£v/, caoor* 
rundio é xe-roiçâ-ng-ámo, iiíZ-roiV^-w^- ' dando elles» : — os verbos de pronome xá 
ámo. o-goiçâ-ftg-dfno, o-goiçií-Pig-áfno, podem usar destoe mesmo pronome na 
A formaçHo do gerúndio 6 compie- P^^» unilio. Nos verbos activos o gerundi€ 
tada por enciiiicas ou parlioulas breves, ! "•^^\*'* precedido de artigo ou vaia, mal 
segundo as regras seguintes: em verbos!"^ conipetente relativo. 
acabados na^^ vogaes <i, t\ o, precedidas i O padre Moxtoya, em sua Arte de h 
de consoante, a enelitiea ê ho, excep- I latt/ita guaraui. tratando do gerúndio ( 
tuados os verbos acabados em mo e wk ' do supino, confundiu-os; e attribuiu ao 
cuja addiçAo deve ser mo, embora re- supino a terminação em ábo. Também c 
peiitla no primeiro: /í/(<í-/>f>, «matando», |»adre Luiz Figueira mostrou-se inde- 
fimô-mn, -molhando», mami-mo, < mor- ciso, quanto á formação do supino, viste 
rendo : em verbos acabados nas vogaes que nunca deu regra alguma para issa 
o, //, nào feridas do consoante, qualquer ; como deu para a formação do gerúndio 
vogaes V mudada no dissyllabo i Dessa confusão do padre Montoya re- 



T^íTRODTlCrlíO 



ip quo elle especificou variíii» verbos 
idoa em vogal, roriiiiin(li>-lhes o líii- 
siinplesmenlP com u addição de ho, 
im s de âl'o, por exompln, i-jareó-bo, 
cfaurar», siipino de ujnceò, «cliorar», 

Kíre MONTOYA dá a esso veilifi outro 
o, em áho, i-járr-ipi-âbo, inamfes- 
Çeriindio, «choraiidoi. S5o, em 
idênticas algumas terminações 
jíntndio e do supino; nilo se se^-ue. 
n, desse fuuto em alíifims uísos que 
I dons lenipos dos vei bus devam ser 
podidos. 

supino é formndo da terceira pes- 
do presente do indicativo, mndnilo 
a tiola em al^ium relativo. 
o sccresciiiio das enciitieas ou par- 
is breves, bo, m, pa, ta, para os 
M de som mitural, e tua, mo. »a, 
para 08 de Mim nasal, conforme 
ieglltiit*;s regras. Para os de som iia- 
~: dos acabados em a, uns fazem 
10 Com bo. outros Rom po, como 
•xeoiplo. o-'/unliâ, «elle pint^>, t-t/H«- 
io, <a pint9r>, orã, «eile desatai, 
i^pa, •» desatar»; os acabados em b, 
lem com pa, como, o-/tib, lelle está 
ldo>, lupa, cnm o relativo I, «a deitar- 
es acabados em e, o fatiem com bo, 
Affé, celle clia-iiusca>, çadcré-bo, ser- 
tado de relativo o mesmo c, «a cha- 
un9car>; os ac^ibados em g, o fazem 
Km ca, o-pig, fclie acorda», t-jiãg-ca, 
■1 8cordar>; os acabados em i (agudo), 
K fazem c^m bo, o-teci, <e]le assa* ser- 
tindu de relativo o c, ccri-bo «a assi\r>; 
tt acabados em i (grave) precedido de 
It^l o fa/em com In, o-picui, «elle re- 
TiUie>, í-picúi-ía, «a revolver»: dos aca- 
Wdos em / (guttural), uua o fazem com 
k, oatrus com pa, outros com ca, o-gueif, 
>elle desce», gueií-bo, ou gueii-pa, *a 
í(si*rj, oi-kití, «elle limpa», i-kUi-ca, 
D limpar»; os acabados cm o, o fazem 
CDU) iw, o-parercfú, telle segue até al- 
cni^r» ; os acjibados em r, o fazem com 
K ptrdcDdo o r, a-ihir, «cile renova», 
Mtó-io, <a renovar»; dos acabados em 
K, am o fazem com lo, outros com ihi, 
>iibu^ «elle espulga», i-/.-t-/jM-^, «a es- 
nill3r>, (f-fiíi, «elle visita», í-Jtí-^iti, «a 
úittn. Para os de som uasal : dos acaba- 
pft floi ã, OQA o Uma com too, «utj-ue 



com liflíi, outros com na, o-cenopiiâ, «elle 
ameaça*, cenapnã-iiio, servindo de rela- 
li\o o ç, *a ameaçar», o-çapinã, «elle 
atiça», çapina-nga, í^erviníto de relativo 
o C; «a atiçar», o-pnraiã, »clle espessa», 
i-paraltl-na, «a espessar»; dos acabados 
eiH é, nns o fazem com mo, outros com 
ii;in, outros com na, o-balic, «elle chega», 
i-bahé-vio, (a chegar», o-nhanhê-, «elle 
fulla>, i-uheiíkê-nga. «a fallar», o-gvfê, 
«elle vomitai, i-guéé-na, «a vomitar»; 
os acabados em i (com til), com lux, 
a-pcpi. «elle raspa», i-pejA-na, «a ras- 
par»; 03 acabados em i (grave), prece- 
dido de vogal, o fazem com na, o-iiha-fói, 
«elle toca», i-nhn-túi-im, «a tocar»; dos 
acabados em y (guttural nasalisado), uns 
o fazem com ma. outros com mo, o-nbaly, 
«eile pnlerr;i». i-nhoty-via, «a enterrar», 
o-iiiopy. «elle bambalea», u-viopy-mo, 
ta bunibalear»; dos acabados em Õ (com 
til), uns o f;izein com mo, outros com 
'/(/". o-rai/rõ, *elle despresa», o-poçanô, 
«elle medica», i-poçanõ-iiga, «a medi- 
c-ar»; dos acabados em » (era nome com 
som nasal), uns o fazem com tno, outros 
com na, outros coin uya, o-nkenhàju, 
«elle emiQudeoe», i-nhenbê-git-mo, «a 
eiiiraudecer», o-mou, «elle enuegrece», 
i-mou-ua, *a ennegrecer», o-monn, «elle 
apodrece», i-mouu-nga, «a apodrecer», 
ç-apê-vya ou o-apê, «elle entorta», (/'-n/íc- 
nyii, t& entortar». 

Nesta língua, o gerúndio e o supino. 
ftíra das únicas fóniias acima exenipli- 
ticadas e atrelados ás fúrmas grega e 
latma, devem ser feitos com o iniiuítivu 
e posposições adaptadas ao pensamento 
a exprimir: i-xuú-é, «depois de mor- 
del-o». Subordinar, porém, a lingua lupi 
a regras das linguas grega e latma, nas 
diversas partes da oraçáo, 6 destruir 
toda a sua originalidade: nSo ha pa- 
rentesco algum da língua tupi com essas 
duas línguas. O gerúndio e o supino na 
língua tupi sAo somente us (jue foram 
acima exemplificados com as partículas 
breves ou enciitieas para terminações. . 
Ni>o ba muros. 

~0s participios si\o formados secundo 
;is seguintes rugras. 

Com liru, em relcrcncia aa a-^.íwV.-e. io 
verbo; e,couíur>ivc *Vvtiài àtivi^'^''''^'^'*- 



1 



f 



TOYA, este participio se fórma do supino. 
O verbo, de som natural, cujo Bupino 
tem a enulitica bo, perde-a, para sutisti- 
tuil-a por âra, se acaba em a, eupprí- 
mido este a por apócopc, uu para subs- 
tituil-a por çára, se acaba em outra 
vogal: i-quati-ára, «escriptor> ou «pin- 
tor», i-kibú-çúra, «espulgador» ou «ca- 
tador de pulgas*. Mas, d verbo de som 
natural, cujo supirio tem qualquer das 
outras encliticas, accrescenta a eiiclitica 
ra: i-pág-çára, ídespertador»,í-cii-pá-ra, 
«visitador*, i-picúi-lá-ra, «revolredor». 
Os verbos de som nasal gultiiral, e os 
de som puramente nasal, cujos supinos 
têm as enclilicas, mo, ma, mudam-u'as 
em 7nb e accrescentam ára: i-cenopiiã- 
tnb-ára, omeaçador*. i-nhoty-mb-ára, 
*enterrador». Os verbos, cujos aupinns 
têm a enclitíca na a niadam em nga, 
ou em ndn, e accrescentam ra: i-pepi- 
ndára, «raspador». Os verbos cujos su- 
pinos têm a eaclítica nga, accrescentam 
ra: i-poçanõ-mja-rá, «curandeiro». 

Com ába, para exprimir tempo, logar, 
instrumeuto, intuito, modo, causa, ám, 
costume, companhia de outrem; comtanto 
([ue seja seguida das respectivas posposi- 
(jõea ou dos necessários advérbios, quando 
o verbo não contém era si mesmo a 
expressão. Este participio é formado da 
terceira pessoa do presente do llidica- 
tivo, e só pôde nascer de verbos acti- 
vos e neutros. (*) 

Os verbos acabados em íí, e, i, o, u, 
com til ou sem til, e em li e em ffo 
(diphtODgo), o participio é caba, excepto 
qaanto aos que têm a ultima sjllaba em 
ça, que apenas a completam:— pc/íí-^ííj, 
dg verbo repi, ivingar», ç»bã-i,-ál>a, do 
verbo çubã, «chupar», /íoíõc '-á/w, do ver- 
bo hohãçá, «benzer». Os acabados em ^, 
£, ó, ti, podem accrescentar apenas ába; 
mas, na pronuncia, deve ser bem saliente 
o accento da terminante: mong4-ália, do 
verbo mongi', «fazer dormir». Os ; 
bados em o e em lí, precedidos de vi 
ou puros, mudam o o e o » em gu, para 
fazerem guába: ace-guába, do verbo an .: 
«chorar». Os ncabadue cm h, e nos diph' 



tongos cora til, ài. U, âi, íii, o partíe 
é dáfin: amà-n-dàba, do verbo flíSi 
«circul.ir», çãt-dábn, do verbo çãi, 
parzir*. Os acabadas em dii>htoog08 i 
pies, ái, éi, ít, oí, !Íí. o pnrlidpl 
taba: akn-lába, do verbo crHi, «tir 
Os acabados em b, o mudam em p ] 
fazerem o participio em páòa: cen 
pába, do verbo eendúh, «ouvir». Os j 
bados em c, accrescentam ába: ciíc-i 
do verbo çuc, »lavar-se*. Os acabs 
em ng accrescentam ába, nkang-ába 
verbo nhang, «encestar». Os acabi 
em wí, accrescentam A, e o completam 
ába, am-b-dba, do verbo atn, «estar 
pé». Os acabados em r, o mudam 
ipletam com ába: bi-çába 
verbo bir, «levantar». 

Com bac, formado também da terc 

ssoa do presente do indieativo, co 
pronome pessoal, significa «o que» 
o qual»: Q-tinãá-lxif,, «o qite sabe». < 
13 pronomes xe, uile, i, iande, ore, t 
pospostos a adjectivos, e estes preced 
dos respectivos relativos nos casos 
devera ser, substituo o verbo «s 
que, caracteristicamente, nilo existe 
língua tupi: i-poriaú-bae-xe, «eu 
pobre», i-íaciixi-bae-i, «elle é faafarr 
ou, demonstrativamente, ilnctixi-cui 
«aquellc ã fanfarrão», segundo o pi 
MoNTOYA, OU cò-bae, segnudo o pi 
Luiz Figueira. 

Para a formai;3o dos tempos dos 
bos, esto bae, posposto ao verbo. 
seguido das terminações respectiviis n 
para o pretérito, rania, para o futuro 
feitOj ranguêra para o futuro imperl 
etc: o-pií-bae-cuéra, «o que van 
o-pei-bae-raina, «o que havia tie var 
o-p€Í'bae-ranguêra, «o que havia de 
varrido». 

Este vnéra, como se diz no sul 
Brasil, ou loira, como se falia no n 
solíre, por elegância, em muitas c 
8 ajiócopu da ultima sytlaba. Nos 
bos e nomes iicabados em & e e 
I» preterilu é wra ou oèra; nos acab 
era g e ein p, é itira ou oèra; nos 
bados (.'ui III, 6 bitêra on borrn; 
aciibiilos eiM r (■ íin; lios acabaduf 
lettru uu bjiluba wut nuiu luunl} â 



ira on ngofrn: nos acabados em áma, 
\mO, é também ngw'ra ou -nijo/Jm, 
IPiiadtis as eDcliticas ma e vio: dos 
ista nccrescentar ra; 
acabados em cr, basta accrescentar 
entín-rlra, «sobras»; laper-a, «po- 
lo qne existiu* ; arê-ra, lO que ca- 
e logo uasceu». Nos acabados em 
iam mudar o b tm p. Em geral, 
batras termioações, é cufra ou co(-ra, 

i gwra. 

kmi, ou vo^ra, sóe ser empregado 
D tempo presente para restringir a 
^S do rerbo a certos individues, ou a 
minados objectos; orecriêra oroçó,fSÔ 
■oatros vamos»; cunumi ou curu- 
méra onhemoçarãi, «só brincam os 
DOS*; cunhãngité ioç6, <só as mu- 
srflo»; aó i"-cmyn^, «pedaço do rou- 
aó-rúi-gnêra, «andrajos», do verbo 
«caJr>. l^imbem emra oa eoéra.gwTa 
jéra, ê usado como absoluto no pre- 
í: tatã-ngufra^ «o forle>! anhang- 
1, «o diabo velho»; vwroling-uêra, «o 

I outro participio em hám e, no dia- 
í guarani tem seus quatro tempos 
, bor-h^a, boriíma, borã-iigitêra, ou 
higoéra: sem a necessidade do h, 
\ o verbo ou o nome o tem terminal. 
; este participio é liroilado a expri- 

que a peí>soa ou a cousa coutam, 
ibito, a continuação, o effeito ou o 
illado, a extensflo, o excesso, o su- 
âlÍTO: írob-óra, «amargoso»; çabeipó- 

«bebailo por liabilin; giiacem- 
■grita continuo» ; qmrâ-bór-a, «en- 
Inrsdo» ; xe-co-bór-a, «minha roça vai 
ahi á fóra>, exprimindo a sua ex- 
; iaci-bór-a, «gravemente doente»; 
\-b6-búr-a, «muitíssimo calor», repe- 
( participio. 

1 padre Luiz Figueira, e antes delle 
adre J. Atíciiieta, buscaram o exem- 
ilesie participio em can/iembdra, «o 
»>, do terbo cartiig, «fugir». E ad- 
> este exemplo para tornar certo que 
l imlavra nada fcni de africano, só 
|iu) 08 negros a corromperam em 

inbola. 
Lntea de trabir dos participios passi- 
é necessário dizer que os verbos 
^ toraam pasí>hvs, auOíoeden- 



dc-03 com os respectivos relativos, ac- 
crescentando-os com a palavra pira no 
presente do indicativo, piréra no preté- 
rito, pirania no futuro, pirangyira, no 
futuro imperfeita, e termínando-as com 
o pronome xe. ndê, i, iande, ore, peí; i; 
substituído o i das terceiras pessoas do 
plural por cúibae, se, em vez de «elle» 
ou de «elies», forem «aquelle» ou «aquel- 
les», i-cnrá-pira-xe, <eu sou empulha- 
doi, i-mrá-pira-nde, «tu és enapulhado», 
i-ntrá-pira-i, celle é empulhado», ou 
i'í-urá-pira-ctiib(ie, ou lóhae, «aquelle ó 
enipulhado>, i-cvrá-pira-iaude, «uós o 
vós somos empulhados», í-raró-jJíVít-orf, 
tnós só somos empulhados», t-atrá-pira- 
peê, «vós outros sois euipulhados», ou 
i-curâ-pirn-v-uibae ou eóbae, «aquelles 
çflo empulbadoB». Se o verbo tiver som 
nasal, o p é mudado em mb, fazendo 
nibira; ma?, é preciso attender que, nos 
verbos acaba<los em ã, è, Õ, pôde, ser 
intercalada ou n3o a partícula ngi, im- 
mediatamente antes de mbira: amcc, 
«dar», i-mcè-ngi-mbira, ou apenas i-viéi- 
iiibira, «dado»; nos acabados em », pôde 
ser intercalada ou não a partícula in: 
aniol, «pôr», i-rnól-ngi-nibira, ou apenas 
i-tndi-mbira, «o posto». Nos verbos aca- 
bados em consoante, esta deve ser com- 
pletada com um i, 8 depois pira: çau' 
çub-i-pira, «o amado». Também serve 
pira para formar os adjectivos attribu- 
tivos que oa lingna portugueza acabam 
em í'c/ (breve) : çau-çiib-i-pirama, «amá- 
vel», e, sendo precedido do relativo i, 
significará «o amável». 

Ãcceitei como mais clara a explicação 
do padre Montoya, embora, por outros 
termos, dê a do padre Luiz Figueira 
o mesmo resultado. E tanto vale dizer 
piréra e piranguéra, como piroéra e 
piramboéra, cúibae, OU cóbae: sSo modos 
de fallar do íudigena do sul, quanto aos 
primeiros, e do indígena do norte, quanto 
aos segundos. 

Ura dos participios passivos é pira, 
que jii ficou explicado. O outro ê temi, 
que sempre antecede ao verbo activo, 
som os pronomes pcssoaes; muda o / 
em ?', se na composição fòr precedido 
de alguma pala.^ia qvl aome, CiU vcts&i&n 
, de prououies poasessvNos', yu o v^xi.*»» 



o fòr de gu, reciproco ou eom voz de 
reUiivn: íemi-rarò, *o guaniu»; xtí-reiti7- 
rapiâ, «meu escravo», gu-emi-rapiâ. «seu 
escravo». Nestes exemplos ha a observar 
tanibem a mudança do c do padre Luiz 
Figueira, ou do h, do padre Montoya, 
dos verbos çarõ ou horõ e ^plâ ou 
hapiã, em r, pela regra geral da mu- 
dança dos respectivos relativos em r, 
sempre que sio antecedidos de outra 
palavra. Cumpre deixar notado que 
aqnelle r/u, embora reciproco, íunceiona 
como relativo sempre que o verbo se 
reflecte no agente ou no paciente, di- 
recta ou obliquamente. 

Este temi, segundo o padre Mon- 
TOYA, muda o íw em mb ficando sem til 
sempre que encontra vogal; mas. sendo 
lemi, segundo o padre Ldiz Figueira, 
nada muda. Por exemplo: no primeiro 
caso, tembi-ú, (comidai, ou «comes- 
tivol», i-retnbi-ú, *a comida»; no se- 
gundo caso, tenrí-ú, 4ix)mida>. Tam- 
bém, por elegância, querendo exprimir 
a cousa sobre que cáe a acção do verbo, 
é uso fazer a apheresis da primeira syl- 
laba de lemi, antepondo mi ao ioãnitivo; 
mi-viboé, »o que se ensina*, vii-ú, «o 
que se comei, mi-é, co que se diz*. 

(Jonio se vé, este participio pôde for- 
mar, sem apheresis, os seguintes prono- 
nieti possessivos: xe-remi, ndc-remi, cerni, 
iandc-remi, ore-remi, pe-retni. cernia 
Diae não i^e ajuntam senSo com os infi- 
nitivos dos verbos activos sem accnsa- 
tivo, ou Hpiu CUBO, e isso para signiiicar 
a consa sobro que cáe a acção dos mes- 
mos verl)Os, segundo já foi dilo; re- 
Tetni-ocd, «o que i-u busco», ou traduzido 
litteraimunlu, «o quo i5 buscado jior mim 
X6-remi-guiU'fn4ra, «o que foi vencido 
por mim>; xe-rcmbi-mhò-guarini-çâra, 
<o que foi feito guerreiro por tnim*. 

Tambt!m 6 usado enmo posses^vo, ua 
fornia dita, aniu|><)£io uu posposto, o 
niesmo pronome xc, mk, i, mude. on'. 
pê, i, como pensml: ndé-Tr-tvvii-abá, ou 
xe-renii-att(l-mlf, «tu ós meu homtim». 

Segundo o padre Moktoya, nflo (• 
possivd confundir com ml, tescondu». 
o sobredito caso da aplii^rpaia de tcinf 
jiorquc a apheresis deixuni mi», coU' 




—Em geral, os noiíirs. que conji 
cum pronomes se faioiíi verbot 
virtualmente nos mesmos |)ronai 
idéa de «ser» ou de «ter», e esi 
nomes podem ser antepostos ou 
tos: xe-abá, ou ahá-xe, *sou hoi 
xe-raci, ou laci-xe, «tenho doenc» 

Attcndam-se as seguintes regri 

a) So caso xe, de pronome 
se íôr seguido de qualquer nome RÍ 
tivo, a significação é <Ío verbo 
miú, *bomi xe-itiilú. «soo bom»; p«rf 
«sujo», mlr-fioj-i, «és sujo»; purajigi 
«formosura», i-porang, «é furninso». 
razão porque o a final de po/aiiga 
supprtmído, é que, com os proai>n 
de xe, o verbo, que tem o ucceotu agu 
na penúltima syllaba, perde a ullii 
em todos os tempos, excepto no iufi 
nitivo. 

b) No caso de xe, pronome píssCS' 
sivo, se fòr seguido de qualquer ijotiisi 
substantivo de cousa possuivei. a signH 
ficaçSo é do verbo «ter»: et, «mieiJ 
xe-ri, «tenho mãe»; lúli-a, «pae», «(A^ 
rúh, «tens pae> ; ipi, «untepassados*i 
t-ipi, «tem antepassados». ' 

— J^gora, reata explicar a conjugaçU 
negativa. 

São vários nesta lingua os modos dl 
negar. O commum é nrl, ou menino si 
um 71, ou só um d, no principio ât 
verbo, e um i no fim: N-açii-í uu D-açi-l 
ou }\d-açó-i, «nflo vou». E, se o verbi 
começa por consoante, o a, por aceres- 
cimo á aquella partícula de negaçSo, i 
de rigor. No presente do indicativo iii| 
é admissível outra negação. 

A outra forma de negar é ry. «^ 
fazendo cymc, jiara o modo conjuactiv^ 
e fyma o infinitivo, os particípios, d 
supinos fi os gerúndios; xof, segundo ( 
padre Ldiz Figueira, ce, segundo t 
jmdre Montoya, antes do ttf, para I 
futuro imperfeito; nnif, conforme o pH 
meiro, fm^ ou imé, conforme o scgiindl 
|>ura o imperativo; imié, cnnfnrmo o ptt 
meiro, antes do «r. porá o futuro fll 
modo mandaiivo; xof-teiiiomà, conform 
o primeiro, eytamõ. conforme o segunda 
para i> presente do modo optativo; xoÀ 
*t~!>iimitni, cunfornio o primeiro, n/maml 
NO, pura o pri-lviito e 



íeito do optativo. Assim, tomarei ao 

verho neutro ndi/iò, «saltar». 
presente lío mwli» imlicntivo é o 

linte: a-mlipó, ere-cuUpó, a-cinipii. 

lUpó, oro-culipó, pv.-ciiii i>ú. o-cutipó: 

presente do indicativo, a-cniipó, «eu 

Itõ», tta-attipO-t, «eu não salto>; no 

iro imperfeito, a-cutipó-ne. «eu sal- 

•wt-ctilipó-i-xoé-ne, »eu n5o sal- 

no modo imperativo, v-cnhpó, 

LÍIA ta>, e-ctilip6-tii)ié. (fifia salta* ou 

10 Ealtes tu> ; no futuro ou mudo man- 

ito, íere-cutipó-ne, «nilo saltarás tu»; 

iò presente do modo optativo, a-cuiípd- 

Umoiiiã, (nxalá saltasse, ou saltara eu», 

na-cuf/pó-i-xoi--lcinomã, «oxalá nâo sal- 

ou nilo sailára eu>; no pretérito 

e mais que perfeito do oiitativo, a-cultpó- 

ã, *<íKn\A tivera eu saltado*, 

oxalá sailíii'a>, vn-riitipô-i-xoé-inei- 

iS, «oxalá niio tivera ou não tivesse 

saliado*; no pretérito e no mais que 

'feilo do modo permissivo, a-culipti- 

iSffio ou a-cuUpó-uniõ-mbeÉmo, «eu 

B&ltado>. ti(la-ri/tÍpó-i-xt>^mo ou 

■euUpú-i- .rnÉ-vibecmo, »eu não sal- 

on não tivera Faltado»; do futuro 

do mesmo modo permissivo, taailipó-nr, 

(Ultarei en>, tacuHpô-nmé-iip, mão 

«liarei eu»; no modo conjunctívo, cii- 

UyC-rrme, cqiinndo, porque, como. se, 

eti iiilio», cutipú-fiiiuie, «quando, porque. 

tunio.se, eu não salto>; no mudo infiuiti- 

iQ,et4lipó, *sullar», cuiipó-i^Jfinn, «não sal- 

■tir>; no pariídpio cm ára. presente cuU- 

isattador», ctiHpú-çarpyma, *n2o 

lltAdor*: no pretérito, eií/í/ío-í-í/êra, «o 

le foi saltador», culipó-ei/ma-mcra ou 

ipi-euêreyma. «o qm> mio foi saltador»; 

fatvtn^culipò-rama, «o que ha de sal- 

ciitipó-rameT/ma, «o que uão ha de 

lltar»; no futuro miito de prHerito, (■«- 

■çeraHijfitia, lO que havia de ter 

iltaJo», ciitipó-i.niauíjiifrr^y, «o que nSo 

Ii3via de ter salfado>; no participio em 

'"if. presente, o-cufipó-lmn, m que salta», 

t,-^"tn,ú-FffniÍMic, «o que nilo síilta»; no 

' '"". o-nilipó-lme-ertêrn, «o que sal- 

-riilipò-lifiefíiiérei/, ío ijiie nâo 

1 : nri futuro, o-nil/ptí-bne-rntua, 
■■' iii)e h.i de ssltafí, o-rutijxi-ejilinr- 
fíiiiM, <o (|uc não ha de sultíin: no 

:o moUi de prelorilo, a-cuU^ú-baQ- 



rcçXo XXI 

raiignéra, «o que havia do ter sal- 
tado», n-miipó-bac-rtmgueiry, *o quo 
nio havia de ter saltado»; no partici- 
pio em temi, presente, xs-remi-cuiipó, 
"» ((lia eu salto», xe-reiai-eulipó-ey, *o 
que eu nflo salto»; no pioterito, xe-remt' 
ciitipó-cuò-n, *o que eu saltei», xe-rc- 
nu-culipó-ciíêrc^ ou xe-remi-cutipó-ey- 
ciúrn, «o que não saltei», xe~remi- 
ctilipó-ravin, «O que saltarei», xe-remi~ 
dilipõ-rameymn ou xe-remi-cutipó-eyra- 
nin, «o que não saltarei»; no futuro 
mixto do pretérito, xe-remi-cittipó-rmi- 
guéra, «o que eu havia de ter saltado», 
xt-renn-mlipó-ranpuerey ou xe-rem'- 
culipó-ey-rangiiê, «o que eu não havia 
de ter saltado»; no participio em âba. 
presente, i-rutipó-çálm, flogar d'onde, 
tempo em que, motivo por que. modo 
como salto», a negaçfio é i-cnti}'ó-çn- 
hvynin; no pretérito. i-cuUpó-(,-ijg>if'n, 
tlogar d'onde. etc, saltei», a nega(;&o é 
i-int(ipú-çag»ereyHia; no futuro, 't-cutipfi- 
çafíuáma, tlogar d'onde. ele, hei de sal- 
tar», a negaçílo é i-cntipó-çagiiameyiim : 
no futuro mixlo de pretérito, t-cnlipó- 
çabanguêra, «logar d'onde, ele, eu hnviíi 
de ter saltado», a negação é i-culipó- 
çabangtt^ny ; a negação, no supino. é 
i-culipó-bej/ftia, «não saltado»; a negaç3o 
no gerúndio é gui-cuiipó-eyma, «não 
saltando eu». 

Também o substantivo é negado pela 
partícula additada ey: ahá, »homem», 
abá-ey. «não homem», isto í, «não pes- 
soa, não gente, ninguém», com referen- 
cia ao plebeu. E isio prova que o tupi 
tinha lambem a sua aristocracia. 

Cumpre notar que duas negações fazem 
uma atíirmação: na-nttipó-eyma, «não 
deixo de saltar», porque ha a negação 
inicial e a negação termmal. Também 
três negações equivalem uma attirma- 
ç:io: porque a ultima não tem outro 
valor que o de repetição; »a-cutipó-ey- 
eyinn. Outrosim, uma negação cora a 
particula tei, precedendo uc do futuro, 
muda-a em affinnaçiio; ndere-ciUip6-i- 
zoè-in-ne, «não deixes de saltar». 

Ha outro modo de negação: é iia-nia, 
isto é. na-ritai, ou na-rúgna-í, mettendo, 
entre essas duas palavras, o çronoBve, (^ 
verbo, ou o Qome; ¥&&% & %b'(&eG&ft vsa^ 



Intn iNTBo 

para exprimir o verbo <ser>: ua-xe- 
nia-i-cutipó, <DiIo sou ea quem saUou>; 
nd a-cutipó-.uffuat, *DSo salto»; na-xc- 
abá-rúa-l, «nSo sou homem>. 

Ha também os advérbios propriamen- 
te negativos. Os advérbios prohibitiTos 
encerram Tirtualmente negação: adni, 
inc, etc 

— Sào muito engenhosas alemãs dicçOes 
que, embora só por si nada signifiquem, 
justas porém a verbos e a outras partes 
(la oraç3o, dSo-lhes energia, ou melhor 
expressão, on mesmo sentido differenle. 

Assim, ã; ã, com til, posta no fim 
da palavra, dá energia: o-ciitifió-ã, «eia, 
saltai. Aib, esta dÍc^;iío, posta no fim da 
palavra, significa que a acçílo do verbo, ou 
a expressão do noine, tornou-se luá: ai- 
CQ-aib, (passo niaU, co-rite'i-aib, «depres- 
sa e já>, o-nhenheiíg-iiib, »elle falia mal», 
isto é, «blasphema», nu «injuria», ou «diz 
palavras sujas>. Aúb. posta lambem no 
fim da palavra, serve, em verhn neutro 
ou absoluto, para exprimir defeito, ou 
má vontade na acQilo: ie-eiri-aúb, tnflo 
deslisa-se bem>, o-gimtá-aúh, «anda diffi 
cultosaniente>, o-iimqm-aúl', «dansa sem 
vontade*; em verbo activo, serve para 
eiprímir desejo, ou saudade: ai-pirã-aúb 
«desejo belliscar>, ocerág-núb. «saudoso 
dever». O verl>o, repetido, exprime, maior 
fiiri;a na acção; a dicçilo núh. rcpptida, 
exprime excesso de defeito ou de má 
vontade, no primeiro caso, ou excesso de 
desejo ou de saudade, no seguudo: a 
negação do verbo é feita antes da dic- 
ção aúb. 

Cá e (/III/!/ exprimem propósito firme 
de agir. mas só o bomerii diz cá, ao 
passo que a mulher diz qvi/g; deve sem- 
pre ser precedida da partícula ne, ou 
pe: açó-cá ou a^v-fie-cá ou açó-pe-cá, 
para o homem, açó-quyg, ou açó-ne-qiit/g, 
on açiS-pe-quyg, para a mulher, «vou 
decididamente». 

Pá: quando não é interrogativo, como 
adiante se verá, exprime determinação de- 
cisiva, no plural; e então signiticã «eia. 
pois. iÍKpe^hanhubS-pá, «eia, pois, abra- 
çae já». 

Çoãra, Soara, Ndoâra: precedendo di- 
versas dicçOes sSo a mesma cousa e ser- 
vem de terminal do vorbo ou do nume para 



lucgjlõ 

exprimirem frequência on costnme: 
çoára, ■chorador»,í2-xoríro, «sempre 
iOi.çiibã-ndoáya, «rh[ij>ador>: estadi 
çoára não deve ser confundida cn 
participio dos verbos acabadoii em r 

Çoér. Xoér, Ndoír, com à (breve) te 
nal. estão no mesmo caso dag anUrii 
exprimem t;imbem frequência o» costn 
o-alá'Ço^ra,'nni\<:jo>.0'iftittheii!f-i-xo 
palreiroi, o-nhauhubã-ndoéra, <i 
çador». 

E': simplesmenle esta lettni í, u 
nando algum verbo, significa n acçS 
dependente de outra pessoa ou duõ 
cousa: aip<'jú~p, «eu mesmo bs«oj 
posposto a gerúndio, significa «dep 
giiiainVfO-^. «depoisque eu comai 
bem significa, terminando verbri, 
e também «ás vezes»; e sorve 
para exprimir destreza, ensino, apr 
zagem, aptidão, hitbilidade, a^^nido, 
nestes casos sóe ser seguida de 
xc-i'-caíú, «sou destro», 7ia-xc-í-r 
«não sou destro». 

/.■ esta leltra i, com til on stsxa 
posposta ao nome, exprimi:' diuuno 
leçá-i. lolhinhos»; também ii"sposI 
veiho, exprime perseverança na o( 
no principio do verbo neutro, ú o iiii 
que «se»: í-w«?, «mira-ae»: 7, cui 
por si só, ê verbo c significa ■ 
pôr»; com til, posposta a vcrito, 
fica fazer ao acuso, ou sem impul 
cousa: xe-atd-l, «cnmitiho ao acan) 

lá: exprime satisfação pelo mal di 
trem; pospusia ao verbo, exprime COS 
ou habito: ai-lii/iiirú-iá, «eostumo 
ver»; e se é accrescida com a syllab 
formando iabi, significa superlatifa 
acção do verbo: ai-tii/nirú-iabi, «cosi 
sorver muito». 

leÓ: posposta ao verbo, esta ili 
demonstra o que se faz: aiaupi-i 
que levanto a cabeça», 

lepé: no plural iepdep^: é pospo 
verbo activo, somente nos modos 
tèm pronome pessoal, para fuzor 
a primeira pessoa com a segnnda, s 
este uuminaiivo, e aqueile accusq 
tiHe-JX-çniii-i''pf, «tu me queimas*, 
çapi-umf-iejti', «nà" me queimes»: 
bem signilica «debalde»: açaftetin 
«Guntiuuet debalde»; lumbiui setire 



INTRODtJCçXo 



IXIIl 



dilfiouldade em ter eacapado tie 
peri^: ceUa-ícfiê, *escapei arra- 



ido>. 

lang: posposta a verbo, Pí^ta diccilo 
1 oouBa fictícia, e lambem acção 

Wla; açtinçá-ttwitn//. «iiiijo (|ue uiml- 

\ apinUmboãLá-mtMiiiff, *in'aquei de- 

• ou sem resultado». 

r«l; posposUt a verbo, exprime a con- 

nçfto domciimo verbo: a(jncê-niã, csim, 

Bitei>. 

^bé: significa (acaso>, isto é, <sem 
isidade alí;i]niai : çapcg-nUtU tcha- 

qmi por aijiso». 

wftf.* sigiiilioa isúmeiite*: açaarõ- 
«espeio KÓmfnle»: a-i-nhótc, tes- 

MÓ»; »ão a mesma cou^a nh6 % nho- 

k? fíingá? Pel Pia? Pimig? Pt? 

\if Hn饗síiu as inicrrofiaiivas mais 

iflBiis desta liiiniia;.íY?-/já? «Sou ou?»; 

tttKÓ-pangu-ne? 'Hei de morrer?» ; rre- 
«Vaes?»; o-çó-pia-ne ou n-rú- 

ng-ne? <Tem esta deirV.; dp-rei-jti- 
^fó-bo? t Ainda nSo foste?»; Tc-pi/w- 
Ilei de ir euV'; o-amoytbà-mi-? 

ifesV*. Pá pôde preceder nos pronomes 

t giti: abâ-fía-có. ou ahá-pdróbae? 
éeste?»: abá-pá-gm? cQuem são 
i?». Fatiijâ é tamliem admirativa, 
ncedido das duas partículas te-catú, em- 
i»rB aílirmalivas: ndc-kír-ána-iemiú-pa- 
vg&? «Oh! como és dorminhoco!». Pe, 
precedida de abá, srgnilica iquem»; ahã- 
p»? «Quem?»; existindo na oraçSo adver- 
bio, sempre se pile immedialatncnte após 
eite. Pi antecede, do ordinário, immedia- 
Isoenie, aos pronomes jc, có, robae, cui, 
mg. quando sSo estes empregados na 
Wmposiçâo lia phrase; ambo{-pi-xc-ney 
'Uei de ensinar?»; abã-picó, ou abá- 
fufóliae? fQuem é este?»; ahâ-pi-eirí 
uo abií-piirni? «Quem é oquelle?» ; 
nH-friímg? *Quem sÚo estes?». O pro- 
uoine .fí pôde ser poíposio á particula 
ifllírrogatira : ahd-piíi-xe? «Quem sou 
eu?» Pipo só é empregada quando a 
inierrogaçfio contam *por ventura». Raé, 
']i>. é mtoirogiitiva, para o presente, o 
pretérito, h o futuro do modo indicativo, 
r pia o preiericu perfeito e mais que 
fioifciío do modo peniitssivo. em phrn- 
iBiM6\K&:o-^-raií «Jáfuj?»; niss, em 



phrascs longas, deve ser precedida de 
outra interrogativa pnra o verho, ficando 
ella sempre no lim, apfjs o caso; ere-jiim 
iim<l-mo'paiigá-ifig>iá rã-raé? *Já terias 
morto o tigre?>. 7W é interrogativa, 
exprimindo a phrase elli|itica de duvida 
(havia de»: ain-pa^, thiivia ea de estar 
deitado?»: é muito usado precedido do 
âmo, «por venlura». Com a particula cera, 
segundo o jmdre I.UIZ FlciUEiRA.on hera, 
segundo o padre Montoya. é exprimida 
duvida na perguntai: Âbd-rcni? <Homera, 
ou mulher?* Não dizem, porém, Cioihã- 
terá? sinão quando ha duvida se a mu- 
lher é realmente tal. Com aquclla mesmu 
particula, sem adverbio propriamente in- 
terrogativo, FÓcm perguntar e responder: 
nrncac-cerú ? «Quando ?» aracaé-eerá, 
anilo sei quando»; aba-cerá? «Quem?» 
nba-fcrá, «não sei qnern»: só o tom 
faz distinguir a pergunta e a resposta. 
Com a particula U. antes de pá, pangii, 
pe, pia, se exprime a palavra <puis*: 
abá-IÍ'-iie-ofó? «pois quem foi?» 

Jíiifi/íi' exprime pressa,adiaatar-8e a ou- 
trem, e também advertência: Taçó-?ie-ra- 
nhé, «irei já»; abaè-ranhé, «chego pri- 
meiro»; xe-ranhéf^&M adiante»; mãeté-ra- 
nhé, «attenção!» ou «olhaebem». Junta a 
verbo negado exprime «ainda não>. 

Rúng, Kúvga, Rung-cme, juntas a 
nomes e.vprimem ordenar, ou principiar; 
é, porém, preciso iniciar os nomes com 
a partícula ai, collocal-os immcdiatameute 
a ella, e, no tim, fixar qualquer daquelias 
dicções, como forem pedidas: ai-có-rung 
.rerúfja, «ordeno a roça de meu pae>. As- 
sim tornadas um verbo activo aquellas 
palavras cú-rung, faz có-runga, no in- 
finitivo, e có-ning-eme, no conjunctivo. 
De ipi, «principio», precedido da sobre- 
dita particula ni e seguido de rwig, é 
formado o verbo a ai-ipi-rttng, «princi- 
piar, começar». Também exprime accres- 
oentamento á cousa. O padre Montoya 
1 escreveu ri; mas é o mesmo ruiig do 
padre Luiz Figueira. 

Ab é tamliem uma dicçSo que, por si 
mesma, nada signilica; mas, precedida de 
fi, collocando immediatamente o nome e 
terminado jiur áb, forma verbos: a-ibirá 
ab, «cório madeira»; o-ir-íbi-ab^ «a.hça 
a terra», lío ijcalviu ia iWw iiaMwa\- 



' mciile. 



niTBODITOçXO 



tuciile, verbo iientro, é qoe áb é em- ' oro-itir, *eu le jnoju-, i*/«í-íÍ(c, *l 

pic^ailu lia fiirnia sobredita: o-fál>-botira. ' u'roju>. 

«a flor nbre>. l f) Os vsrth-s que. depois do I 

Toflas estas dicções serrem para compor oa ní>ta, li-ai ío, on hUo, te, ou ( 
Tfirbos e nomes, alteraodo-lbes m^ma o ' i>u A, perdem, cutn os accu3;iUvo8 
priuiãro wdiííÍo, oq simplesmeDie im- opó. estas |iarticolas. sepindo a )i^ 
prímindo-liies mais energia ou meni^s padre Luiz Figueira, aíuiia que o 
for^. MoxroTA attirme ser isso facnlt 

Cumpre, porém, nio perder de vista a-io-rá, *def«iar>, jt-vra-rá, uu sh 
eerlas rfgris: mente ot-a-rá. «co te ilesato>, a-w 

a) Os verbos acUros. que. depois dol «'^^t»»*"-*- rr^ro-pú. ou Simples 
iitigD OU Dota. tem algumas das srlla- j "'^P*^ íf *« •«""<" ' «í""r«*' * 
bas m. n, ro. ru. eiigem. nas ter^xas '>^r"'t?''' *^° " """, . , _ 
pessoas, a svitaha m,e depois do racíiBo ff ^ ""^ que -Irpois ,Í0 arU 
utàgo oa notz: ançó. -levar.. «-j,«r. ""'»• »™*í«" por h/^i. perdem, 
««. «elle teva>; e. se pela iutroducvio ' ""'"^^^*^ *^'' *.*''"• * ***■ ""^ 
ae pw> 05 qmzenDOs tomar absoluto?.! 'í""^«'«>«"*- ff»-»'^- ««« »"«" 
«qaelU syll^ba oue seri cvlKicaila loco'^*^^'- , , 

depois de /»TO e este após o artiuo:! 9' Os verb«s que. depois .o 
a-poro-g„e-nHC. «cOEtumo levar.. E "» n^»'»- «"eçam por w. penlci 
usam sineopar as duas primeiras l.-ttoii '<» ««nsativos oro e ojo. o i/ 
MC degancn: a-poro-^nnõ. X..s verbos I '™''"'*' "^-^f^'- *«" ^ «"•>"»■ 
eoB poro, pMe ser mudado o ari.iro ou 'l"*' '"l'""^ '■ «■'"*° relauvo, nao_ 
■mU do pronome ^, espnmindo eni3.. l*rnisnecer a» trao^içio da pn 
.«»tinii.çíodoacto:j*-poro^<í-jrr«/«-;['«soa i fegund». Os verbos, o 

«^ cvenho eoniiiiuar a ro^a de meuh" »*" ^-^ »<*"^*^- '*«*«'" ^"^ 9 

_jj,_ .acuvos pela mlercalnção de imo oh 

,." - , , loiínfiinue fôr oalorat ou nasal o 

b) Qaando a primeira pes.,a é no- j„ ^^^o seRuodo já fi«>u eiplioM 

Buuativo, e a segunda e accií-^iivo, nau , respectivo. 

w põe artigo ou nota no verU.. v serre 

de accosativo da segunda pessoa a pa- 

bvra oro no singular, e opó no plural; 

xe-^iro-pamçmb. <eu te atiK». st-opó- 

pnçtib, <ea tos amo. Neste modo de 

cMOfiAr, vèse bem qne nto é asado 

máé, e âm oro, nem ptê, e sim Ofé; 

excqib) nos modos oonjanctivo e opta- 
tivo, oom as respectivas lerminaçAes. 

Por ellipse, costomara sopprimir. 



quando não ha necessidade df naior 
daieza, os pronomes pessoaes. enim 
dendo-se qoe us accusMiivos oro e opó 
enpp&em ié.- ai-piliiurfi. (saeudir*. oro- 
pitibiri. «eo 16 si\AAa*,opó-pttiUró, *nús 
le sacadimos». 

d) Os verbos que. depois do artigo 
00 Doia 0, admiltem t, relativo, faicndo 
dl. perdem com os acrusativos on e 
opD. lanio um como o oatro: i»-quah3, 
labarrar», oro^mibã. «eu te ab)rco>. 
Kto perdem, porém, o i os lerbo» que 



o ttei eono ptoprio: o-il/r, (amjar>,|pur accuutito « primeira, o ve(bo| 




h) Os verlws qne comi-çam p« 
r, rie|«is di>s proaoiueí, recctieni' 
os aeciisativos oro e o^', a paf 
S*!*: e^ta mesma re^a sq esteiul 
terr*'iias pessoas de ambos os 
omi. •esvasiar>, xe-oro-ffue-noè. ^ 
esvasio», o^tt-nóí, -elle esvasía*t 
a terreira pessoa relaun, é ee-ifoÍ| 

esvasiai 
i) Os verbos qne «iiueçam pa 

ou ro, rccelK-m com o« pronoi 
partícula rr: a-nho-pl. «raspar», i 
Hko-fí. <ett raspo* : a-robtã, «CM 
p«iu>r>, Te~rr-rôLia. »cu creio, ( 
peilo». 

j) Se a Icrccin prssna 6 nofl 
e a primeira on a secunda é an 
o verbo deve ser p:ocedido do t^ 
respectivo, sppi rr. seja vde: Zflt| 
jre-;iirrrf, -í^eliHea me mata*, Z4l 

1 ntlt-fura. iZebrileii te uial». lU 
-e^n-la pessca é nomisativo. f 



igíi. e accreã<^iilu ii/ic: ude-ic-jmá- 
• ta ine matus>. 

Se a lerctiira pcsson ó nominativo, 
I por actiisativo outra terceira pes- 
precedendo esta o verbo, leva esii' 
tigo, nos tempos que o têm: IWro 
ára-o-jiicá, «Pedro mata onça*. 
iBposta, porém, esta plirase, de modo 
I jaguára preceda a Pedro, o verbo 
n perder o artigo, e Cí-te será siibs- 
kido por i relativo: jaguára Pedro 
Veá-ti; porque sempre o relativo re- 
! O tioine que fica mais longe. 

Se ao verbo activo e neutro, em 
do ur)ií;i> ou nola, sSo diidos pro- 
es e retiiiivo, a terceira pessoa do 
ente rio modo indirativo deve ser 
lada mediante as seguintes regras: 
irbo acabado em conEoante recebe o 
imo de i, como apor, *5allar>, 
-i, ailir, <arrojar», ce-ilik-i, ajur, 
, t-ur-i; o verbo acabado em vogal 
iln, com til. o» sem til, recebe o 
ITfóCinio de &, como a-ikÉ, «entrar*, 
ílas-ú, a-{iipinliã, «alican, i-xa 

o terbo acíibado em diphtongo 
toai til. ou sem lil, não recebe accres- 
Õmo algum, como a-vetjxni, ítirar>, cequit 
negaçào dessa terceira pessoa, desap- 
fBTPce o aeciescimo, para ser posposta 
I dicçSo eyni. E cumpre não perder 
vÍÊta que á terceira pessox relativa, 
tinto pôde servir de nominativo a ter- 
Wira pessoa como também a primeira; 
Préra (-((í-ií, «Fedro se foi», xe-çô-ú, 
«eu me vou». O padre SIontoya manda 
accreíceutur ío verbo cora som nasal 
Dni n e depois um i; mas a padre Luiz 
FlGOElitA nSo adm:llia esse accrescínio 
tiaes verbos, como já acima ficou nota- 
io: accresce EÓmente o ii. Se a terceira 
pe&soa é precedida de adverbio, ou de 
fcrnodio, deve ter, além do relati' 

ipetente, a sobredita posposiçao: cho- 
ifu^i-Pifdro-ipúr-i. ceia, lá salta Pedro». 
jaít-giKÍió Pedro l-iir-i, «cliurando Pedro 
Como se vê, tanto o artigo ou 
loia, se o verbo é de artigo, como o 
pronome, se é de pronome, desap 

excepto o pronome /, quando o 
lome «ao está [.ireseutc, porque, uessc 
seiva de lelutivu au veibu. 



içXo ^____ XXV 

m) Todos os verbos, quer acidu?iii em 

gal, quer em consoante, quer em di- 
pbtongo, têm accento agudo na ultima 
sj-UabiL nos tempos do modo imlúuitivo. 
Nos mais modos, ou tempos, em que 
receliem incremetitoii, não mudam o ac- 
cento da sol)redÍta syllnba, e as dos 
'ncrcmentos se pronunciam breves e cor- 
ridas. 

n) Os verbos, que começam por ç ou /*, 

11, recebem a parlicula n- logo depois 
do artigo ou nota, ou pronome, nos casos 
que a pedem. 

o) Todos os verbos activos e ni5o us 
ontros, que começam por ç, ou h. eciu- 
forme já ficou explicado, conservam o 
tal <■ ou li, se o tal ç oa h deverem 
ficar como relativos: fora disso, ou sflo 
eitmlnados, ou s&o mudados em r. Nos 
verbos nunca o p ou A é mudado em r. 

p) Advirta-se que sempre que a lellra 
i, relativo, se antepQe á ç ou h. eslas 
se mudam em x. mas só na mcsinii pa- 
lavra simples, ou composta: cuú, •mor- 
der», i-3:uú, «mordel-o»; açó, *eu vou», 
fo, »ir», i'x6f «o seu ir», islo é, «a (U;i 
ida», por estar o ioOnitivo sem caso; 
çub-a, «visitar», i-xub-a, <visÍta!-o»; e 
isto se entende, n3o g6 com verbos, mas 
com quaesquer nomes, mesmo pospusi- 
ções: (■«!, <de, por causa de, fora de. 
sem>, precedido do i, relativo, faz i-xui, 
<delle, por causa delle, fora delle, sem 
elle», visto que o i, como relativo, tam- 
bém significa «elle»; e, comquanto o 
padre MoNTOYA escrevesse essa poapo- 
siçíio como gni, ensinou afina! que, com 
o sobredito relativo, recebe chu, formando 
chugni, o que equivale ao x, como é 
pronunciado no norte do Brazii; çocé, 
tem cima», i-xocf; «em cima delle»; e, 
se bem que o padre Moktoya escreveu, 
além de çocè, açocé, ahocè, ocê, deve se 
entender que a mudança em x é so- 
mente quanto a çocè, por ficar immedia- 
titmente antecedido do i o f. Exemplos 
de nomes: d, <niãe>, i-xi, <sua miie» 
ou cmâe delle», pam-a, «corda», i-xám-a, 
isua corda». 

<l) De duas pessoas, antecedendo o 
verbo activo, a segunda ou a \\í\ttn;v\\'í,- 
í lamenle aules àd\e k d atfcvwokV.W-a-, o-.ò 



lA^M 



t 



Pfidr9 japuíra fuié-bo. ff<n Ptàro a é fé pon o ffÍBCÍio: a-fó-paiar, 
ni&i&j OD^». FD iri. 

r/ A<?erca d<H ifnspc»^ i^rsente e fo- <3ry O m£iútÍTo de qisalqoer i 
luro. quer dí^ idc4o iaij^erstÍTo. çoer do sea oèscl oq nio «gnificando por 
iiioao {[«enoisâra. é •-^se2f?al nio peixier de aocJwu p6de ícrrir de caiso a 
Õ€r TÍ5ta que ai; ar&çd d<j» modí» isdíca- adiro: md-mfc4ar^i itr-fdL «não 
tiTo dere piTKjeder a lenn /.- se esiia letiia iiu 3da>. 

faifiODUar «oosoanxe. toxaa estio a If-ura E {«trás nais regras, qne. por 
o. forniasdo ia: i-a-jum. Se o verbv íõr das. podem ser lidas oas gramma 
'te pruDome pesâiíial. assim me»zDo se --Ha perucas preposições; mas, as 
íará: êa-jct-pãcí Todaiia. no presente do ^<osiç(>es sâc* monas: e iaiem o no 
jmjrtTSÚT^ s6em deiur sem / as se- jmiel da> piejKisçOes em oatras liu 
ÇTíiídas pesoas dos dons anmcros. i EjÍ is printsiiaes: ioeá, eaii^ mo, f 

V Toias os Terbos ae£iv'>s, que. de- rv/^. ári. artba. opfrí^ iabá&, Uh 
^•oi* dtf artágo. tém alruma das srlla- ianondu érunamu, oa fVimiOy fut, 
los. ftt. re. ro. ru, meuem nas lerceins rví>^ ri, ari, P^p^^ f*|*» ^^fP*? P^ 
:*»<^Kia£ a sjUaba o«^, como já fiôcm mf^«r. prVf. rrnf, ^ réL Ae, té, yu/i, 
cii<9: mas. yt aqoelias terceiras pessoas, M, fiffJNta ra^pe^ iatíetteri, i, i, t. 
i^ dererem tomar relativas. pu( é mu- Ç<»ck\ nsado também ofoe^ e oc 
'jado em ».- oroítí. <k-Tar>,<>-^«f-nBc<í-i.- prime «estar sobre»: xe-çôeêy « 
zn^-^ na reiaxiTa, é ce-racií-i on {¥-raft>-«, TD:m> : i-tíá-ro»^ csofare a pedra». 
^io2bo {i padre Litiz Figueiul escre- çundo o padie Moxtota* com o a 
i^«L o^iDo de 1^:^^. signinca csobiepujai 

íf £m geraL na terceira pessoa do rminencia» : Ttipõ ri q^taraci çoeé 
i2)'ikatãio dos verbos de pronomes, é in-u <a Màe de Deos está sobre 
eibprt-^do c* i: xe-macndúar^ <ea me cciSQ eminenm». 
Jemtffo». nde-maendftíir, <m Xe lembras^. CoU sifnnnca <para» com refere] 
i-maenduar, <eiie se lembrai: excepto deslocsçâu: tM-^Ci&tu «para o oén». 
ijO£ Terbcis que dejois do pronome x^, hem se ^.jonta a advérbios: ró^a. 
tiverem nmnediatamente a Irttra r. p^r- hlfò-upotí^ <para ci», amd-ngaii, 
CL^. neste caso. ore modado em r, na li>. oêpf--<x*7i. cpara ahi». 
terceira pessoa, xe-rojfàr^ cen ando per- ; Afr/ signiiica «como», para exj 
dido». fuií-ruyâr, ctu andas perdiJo. rda^áo creada com outro individno: 
f^jyâr, «elle acda p»erii:do>. Todavia, hi tút^a-nw atcó-n^^ <ie:ei de ser com 
quatro verbirs. qne têm r immediata- deile>. ou. menos liueralmente, «s 
xneote de}»jis do pronome xr, e nio o Ihe-hei de pae>. 
mndam em c^ mas tomam o t da regra - /V. com veibos de movimento, 
treral: x^-rok cson amargo: jr-n>, «eu fica (para>, regendo acensativo co 
res'Jvo>. xí-rarú, <eston inchado»: -rr-ferenda á deslc*caçio; açó-tâ-pe^ 
rcny^Ttg. ctenbo frio: os quaes fónnam para a aldeia». Com verbos de q 
assim as reft-ndas terceiras pessoas: c^o. faz ablativo. e significa «em 
i-roêf. i-rí. f-rwrií. t-ro?V^t7j7. i nvpf-oiAí. «estoti em minha casa». 

w/ Os verl»os compostos de nomes, tes dons exemplos, vê-se qoe os ; 
cajá i»rimeira letira é i', este / permanece regidos pela posposíçio perdem a i 
Li tertieira pessoa, mesmo que na pri- syliaba: fâ^ de tãiHL ro^ de dco. 
neira e segunda pessoa seja mudado l>em serve de dativo de pessoa: 
eni r. imineòiato ao artigo. Assim do rôf^ar >;rfr náhn-pc^ «leva isto a teu 
nome /tíf/o, cpae», se fi»nna o verbo Também significa «com»: jne-ji^pe, 
xf-níè, ctenbo pae>, »3t<f^níft, «t-riis pae>. minha mâo». S<ie ajantar-se a ad 
('U)k terceira j-essoa é túb, «eJle tem de logar: h'-pf^ «d^aqni». 
]>ae>. I />(•. sem accento agndo, expri 

r/ Dou? verbas podem c^^mpor nro modo de estar: o-ptirw-io, «ao 
^oiod; maa^ neste caso, o arugo uu nota ^pndo/; chi-o-hoj de gatinbaa». Ta 



tiSoa «por», em ablativo, com movi- 
U>: mn-bf». «pelo niattif; nlni-iiibo, 
II ciiiiifirt». Com accciito aginio. /;ó, 
e |iura i>X[iriiiiir continente, effcito: 
'/xj. ceofurmo*. isco é, <o que cun- 
■loença»; roi-bá, tresfriado», isto é, 
WXa áo rrio>. 

Çupé rege riativo He pessoa, ou (ie 
a que vem riaintio, ou proveito: 
rçrf ttfle nitfj (iipf, iieva a teu pip». 
(tbMii rege ahlalivo, signifícando <ci>m» : 
iktétig nde ni/ia çufjè. «fallei com teu 
p». O padre Montota escreveu vpò. 
^ri, aribo, «eiu cima, Robro: xe-arí. 
\iiTB mim»; oe-rírilio, *em cima da 
o-ithári, <uns sohre os uutros>; 
fpme, <por cima, ou pela superfície». 
yH, OQ ibiri, exprime a pogíção de 
B><M ou de cousas, juntas ou empa- 
llibllis: xe-ibirí, oti ze-tipyri, «junto 
miin* ou «á minlia iiliarna», xr- 
ikroâni, «o que costuma estor a meu 
í»; io-iin-rr-pú, dizem da posição das 
È oiâOB para rezar; io-ibiri-xoára, 
rneos». 

'çhóiii significa «perante ou em pre- 
gai: muda o í em r, sempre que 
r-lbe atraz o nome relatado, ou o 
home pessoal, como tal ou como pos- 
rivo: xe-rnbúkè, «perante mim» ou 
1 minlia prescnçai. Tem t; como rela- 
\tgcuui.oiec\^T(itM:^çobdkèaigmi^in'i. 
lou eui pé perante e11e> : iju-obáké 
He-rced, «tem-n'o juuto a si», ou 
Bi-n'o comsigo». 

Thwnf/e EÍgnitica «adeantc»; o tam- 

mtida o í em r. e tem ç como re- 

i?0 e ff eomo reciproco, pelo mesmo 

núto da posposíçSo anterior: xe-íe- 

idi, «adiante de mim» ; çc-nontU. 

IJuDIe dellei ; gne-nomlé, «dianteiro». 

bwnt/^ é empregada muitas vezes como 

^pCHUvão, fazendo assJtri excepção á 

p% geral: íenomU-xoára. ou te»o>id<^- 

Uàrú, «o dianteiro» ; Imtond^-xoára-xí', 

a o dianteiro». lanandé ó o 

que íeiíotidé. 

JntnatHo, irinno, sifjnilicam «rom» : 

vwjwwo, ou r^-iruiHii, «comniifiui; 

Wre drreracó oiruiiaiiio, «Pedro te 

comsigo > . 
Gui, agia, çtii, sflo as mesmas pos- 



aqueilas, segundo o padre Hontoya, 
esta segundo o padre Ldiz Fiuueika. 
Regem o ablativo, signilicaniio «de>, 
«fora», «sem»: x£roga-çui-aiú. «venho 
de minha casa» : i-gui cagug-ramo-aiapó, 
•de agua Cuco vinbo»: xeroga-çui aicá, 
•ando fora de minha oasa>: irtapira-çui, 
«rio sem fim». Também rege accusa- 
tivo, significando <por causa» : Tapa 
rnuçu-çuí, «por causa do amor de Deus». 
Serve também para comparacSo. expri- 
mindo a superioridade de alguém, ou 
de alguma cousa: aiquaá niiecrgui, «com- 
preheitiio melhor do que tu*. Também 
ae ajunta a aiherbios: apoé-çtd, «de 
longe»: ké-çui, •d'aqui». 

Paliê significa «todos*, no plural; e 
pôde ser prepotição: pabê-oroçó, «todos 
vamos»; locó-pabê, <venham todos». Tam- 
bém exprime companhia com outro: t-iaç6 
xe-pabê, «vamos, tu commigo». 

Een', }i, ari, são a mesma cousa; e 
regem accusativo e ablativo: signilicam, 
no primeiro caso, «por, por causa de, 
contra, defronte*, e no segundo caso, 

• com, era companhia de. por (a favor 
de), em, de>: ?i<lci ecé-i-apò, «por ti o 
faço»: Tiip'J-rccé, «por causa, ou por 
amor de Deus»; o-puã-xe-ri, «levan- 
tou-se contra mim>: xe-roga-rí, «defronte 
de minha casa>; leilé-ume-i-ecé, «n&o 
entres com elle»; ecoá-ume aiba-reee, 

• nâo vaes em má companhia»; amongetá 
Tiipã xe-ie-coíiacd-egmc, ou, mais fri- 
siintemenie. anwtigetá Tupà xe-ruplara, 
«rogo a Deus por meus inimigos»; emol 
nde-ie-robiaçália-Tupã-recé. «põe tua con- 
fiança em Deus*; enhemo(!arai-ume-xe- 
rccé, «não zombes de mim*. Também 
exprime «mutuo»; o-io-ecê o-io-ançub, 
«amam-se reciprocamente*. Tsmbem ex- 
prime «proveito» : xe-recé-mbaí-an-õ-le- 
rerecQ. «guarda alguma cousa para mim», 
traduzido da ultima palavra para traz. 
Também exprime vontade: nda-xe recé- 
cntú guiÓbo, «não tenho vontade de ir». 
Também exprime «em frente*: xe-recê-i, 
«em frente de mim». Eiprime, outro- 
sim, «pertencer» : xe-rpc4-guára, «o que 
me pertence». Tanto recí, como ri, ari, 
sILo usados á vontade; e assim se de- 
clinam: xe-recí, nde^ecé, i-ecí, ore-raci-, 
iaiide-iecéf fè- decé, i-«cii x«-ri, i^dA^v 



■^■r 



Jncvill ISTRODCCçXo^ 

i-ecê: guetf, rei^iproco. Em um dos: Ite, sem nccmto Bírniift. nnido 
exemplos acima, eiri \ez de antoniTcíá non)e.3Í^'iiitica :parit>: tc-Zt, 'poni 
Tupã, asam n-Tapã-moHgciá, pel» figura »oi.*-i«. €para nós», incluidi a ^ 
tmfsis. com quem se fnlla; nrf-be, 

Pup^. on /inw', como o eitrcTen o.outrosi, eicluiiido aquelln (icssui». 
padre Mostota. é posposiçlio de abla- Rr^ regend» alilitivo siEtiifica< ' 
tiro, sigatlicaDdo <eoiii> e <em>; nus. ' t-/>t{«t/r-/>r. •iJcsde s meia iioítci 
I no primeiro eaão, 8U|>|>õ^-se io^irumrnto: U, «desdu hoiilem> : ang-bè, 
\ t^upd xe-mira ibirà papf, «Etívei com agora»; xe-irur^á-jK-fié-, «desde O' 
T«ra men filho»; jY-ri>'ii-^»/>i', <em minba em que eslau assentado» ; 
casa». > desde o logar ei» qne estou em pc: 

Çupi, rupi, são a mesma cousa: a ' ropilá-bf. «desde a popa da canda 
prímdra é empregada oyxao prr)xt.*ic3o,- bem significa (junlameule». pos| 
a segunda oomo porposição: signifieandâ| rupi,» tm. a nr/i. formando a phn 
«segundo ou conforme», e «por &ia$3>. tamenie com>: re-mpi-iié^ «junl 
regendo accusativo; si^lficam * por>, ccmniiK"»: tr'nt-f}ii(r'o-anga-rKr-i 
«com», «em», re^odo ablaúvo». Assim: "h, m^n {irmanece a alma no 
F fupt-catA, «conforme a rerdado; w/r- i-iuH-bt aiii'-inii<m-afreme, «já 
l rrrãqua rupi, «por cansa de tua faii<a>: lintiii entrado juniameiíie com ellei 
OH rupí ogitalá. «anda pelo cam;»o*: bem serve psra exprimir totalidade:' 
Tupà rupi ptcoá, «ide-vos com Dens' :'r*"P'-W. «todos tres>: xc-po-hé, 
raá-rupi guiara, to que está no mon'c». rnSo inteira»; oré-be-lé, «para lodos ni 
Efite rupi não se ajunta somente a nomes: vutros', inclnsivè a pessoa com quem I 
bem compõe advérbios : iárí-nipi. ' {illa. Com ramo. ou com gemaã 
: «por dma>: t-gu*ra-rupi. <por liaiio>: significa 'depois que». <lo^nque>,<i 
lOM-m^', «por aqui pertinhof. E com quanto»: re-çó-ramo-!*'; «emquantO 
icftfijfina advérbios: /K>-ru^i*,«á mSoi; von», on 'logo que eu vá>. ou «depo 
pnrú-rupi, «ao largo». 'de minha id»i. Precedido de (vi, 

Poeé serve para exprimir o acosta- gundo o padre Lcrz FiorEiRA, ou 
nesto de dnas i>n mais pessoas, espe-l^rit. seinindo o padre Montota. i 
râdmente na mesma cama ou rede:if«i, ou gui. o rege: re-iiiã-çui-bi 
xf-pací-fcirii, «dorme rommigo>: oro-io- \a»-piâ-gui-iir', «de todo meu coraçíoi 



fmrr-bo, «nós encostados, uns aos outi 

O padre Uostota escreveu p<At, on < 

Egmebé, oa e^nAobi ou ymbobf, signi- 
(ira «antes*: jnr-fyr»f£i^, «antes de mim»; 
rU^rn egmbohí. «antes disso*. 

Piri rege sãmente dauro, accusativo 
e ablativo de pessoa: jamais de logar: 
e. nessea casos, &íf;nifica «d», tpara>. 
«eoBi>: açó-xfruha-piri, «vou a meu 
|tir>; ommã i-piri, «morro para elle»; 
úHv-nd^piUi, «entro comiigo*. 

SM, é, ré, significam «depois*: jv- 
wan6-rir€, «depois que eu moriit*; jr- 
fó-ré, <dep<tHS que eu vi» ; xe-rir/, «de- 
pois de min)>. Rtr/, qaando ligada a 
adverbio, lhe é anteposta, rirf-amõ, «de^sa 
vaneira», on «em conclusilo*; rir/-f. 




niú <lo<lo de meu coração». CúSttimii 
empregal-o lambein couio adverbio, 
adiante direi. 

Kdi, iidtbí, on aniii. andibé sigiH 
cam «juntaniente»: abaí-f-ndi-açô. 
com padre»: o-n-çoÓ-pií-á-ndibé, «íl 
come carne jiiniamentc com peixe: 

líniiio rege ablativo, significando «em^ 
xf-r-úra-i-amo. <em minha casa». O" 
D acctescimo de é, significa «depoif* 
xr-matiõ-ratMO-é, oa xe-tnanÕ-rambO 
«depois que en morra». Com o aeetal 
cimo de t, significa <a ponto*, isto ' 
«próximo a>: Íqiiaa-can/iy-ramO-4, «I 
ponto de perder o juizo*. Também uga 
fica, <|>or cansa*, «para», «por»: oqa 
ramo-u «por causa da chuva»; M-ramo- 
<if«', «para comer vou» : TtipH-x^rúbamc 



depois qne»; riré-eU. «depois que de nnro. «tenho a Peus por pae». Co 

todos»: nW-fce, ou rtrv-mè, on «■»«?, fotmc se vê ne^te nltimo exemplo, nw 

!» qne>. [yenlcu o r^ i^t ter de ser unido a oi 



iNTRonucçXo 



XXIX 



palavra acabada em consoante: retém, 
porém, o r, sempre que a palavra acaba 
em TOgal. Também serve para exprimir 
«modo»: nhenengdramo, «modo de fal- 
lar». 

Itánfjc serve para exprimir pressa em 
competência: xe-rmige^ «eu primeiro». 
E' também usado tange, 

Takmiéri, significa «depois» : xe-ra- 
ktcH('rt, «depois de mim». Adverbial- 
mente, significa, «por detrás» : xe-rora- 
takicuérl, «por detrás de minha casa». 

A posposiçâo i, com til, exprime di- 
minutivo: porang, «formoso», jjorang-tj 
«bonitinho». 

A posposiçâo í, com accento agudo, ex- 
prime perseverança, pontuahdade, resolu- 
ção, identidade: ajenire-ij «peço e insto» ; 
íeijé açoAy «vou hoje mesmo» ; ajur-í, 
«venho sem falta»; xe-ró-pe-íj «em mi- 
nha mesma casa». 

A posiíosiçâo í, com accento circum- 
flexo, significa «em». No nome, que 
acaba em vogal aguda, iaz accrescimo: 
ciiá, cuá'i^ «na cintura». No nome que 
acaba em vogal breve, substituo a esta: 



tempos, como o-júr-i-i^r, «elle virá deci- 
didamente ou sem faltai», o-iké-i-ne^ «elle 
entrará todo», posposta sempre ao í a 
particula final caracteristica do tempo 
do verbo. Também o í, com accento 
agudo, posposto ao nome, ao pronome, 
á posposiçâo, aos advérbios, serve para 
exprimir a mesma pessoa, a mesma cousa, 
o mesmo logar : xe-ae-i, «eu mesmo» ; i-xa- 
ma4, «sua mesma corda* ; xe-reçé-recé-i, 
«diante de meus mesmos olhos» ; coeeé-í^ 
«mesmo hontem, ou hontem mesmo». 

Os advérbios são innumeros; e, como 
já foi dito, podem ser antepostos ou pos- 
postos ao nome, ou ao verbo, a que 
servem: icd- Jesus ou Jesus-icó^ «eis 
Jesus» : curiiei-0'úrj ou o-úr-cureièt, «elle 
vem depressa». 

Os principaes advérbios interrogativos 
de tempo são: arimhaé-pe, «quando?», 
e mbaéreme-pe, «então?». O padre Luiz 
Figueira os escreveu: erimbaêpé-e, ebãê- 
remepé; e o padre Montoya os escre- 
veu: arímbíié e haérarno, que, com pe, 
tornam-se interrogativos. Certamente foi 
erro typographico na grammatica do 



ayura ou ajura, ajur-i, «no pescoço» ; api- 1 padre Luiz Figueira a particula interro- 
gara, apí/er-í, «no meio ou no centro» ; ay//- gativa pé, agudo, devendo serpe, breve. 



ra, apir-ij «na ponta». No nome, que acaba 
mesmo em {, assim fica: acdy «ás cos- 
tas». Em alguns casos, é seguida da 
posposiçâo pe: cuá-í-pe, acet-jfc. O i, 
com accento circumflexo, serve para fe- 
char a negação 7i(la e na; mas, se o 
nome já é acabado em i, assim fica. 
Concorrendo a posposiçâo com í agudo, 
pôde ser eliminado, se convier á com- 
posição, ou podem subsistir os í-í, nessa 
mesma ordem, ou í-/, na ordem inversa, 
comtauto que guardem os respectivos 
accí^ntos. 

Acerca do í, como simples dicção, com 
til ou sem elle, já foram expostas as 
reí/ras de seu uso na composição. 

Mas, o í, com accento agudo no fim 
tlu verbo, além de exprimir perseverança, 
como já foi dito, exprime também reso- 
lução, ou pontualidade, ou totalidade para 
a acção do verbo, como a-júr-í, «elle 
vem decididamente ou sem falta», o-ikéA^ 
«elle entra todo» ; de sorte que este i 
torna-se parte do mesmo verbo, e o 
acompanha na conjugação em todos os 



Os principaes advérbios interrogativos 
de logar são compostos de ú?y parti- 
cula interrogativa, de mamo, adverbio 
de logar, e c, particula interrogativa, 
ou simplesmente de maino e pe. Assim 
úmà)H0'pe, ou só úmà-pe, mamo-pe, «aon- 
de», «para onde?» Com posijosições, são 
formados os seguintes: fnamoçni-pe, ou 
úma-çíii-pe, «donde?»; fuamo-rupi-pe, ou 
úina-mpí-pe, «por onde» ; mamo-v-pe ou 
únia-é-pe, *em outro logar?» Ha também 
marã-ngoli'pe, «para onde?» Se o nome 
acaba em vogal com til, é prcferivel 
usar a particula interrogativa panga: 
nhu'pangn, «para o campo?» Mas, usa-se 
mesmo da particula interrogativa pe: 
marã'pe, «o que?»; não devendo ser 
confundida com a posposiçâo pe, porque 
esta, quando o nome acaba em vogal 
com til, deve ser mudada em 7ne. Mara, 
por si só, é interrogativa: «que?» Assim 
também o é por si só, 7nbaé: «que?»: 
mbaé-abá, «que homem?» Assim também 
o é por si só, má: «que?» «como?», 



INTRODUCÇXO 



u, que significa «pois»: uma, «pois como?». 
E assim outros. 

Agora, alguns advérbios de tempo: oí, 
segundo o padre Montoya, ou coí, se- 
gundo o padre Luiz Figueira, «hoje, 
agora» ; coêramo, segundo o padre Mon- 
TOTA, ou coême, segundo o padre Luiz 
Figueira, «pela manhã, ao amanhecer» ; 
ieí, «já hoje»; ieijé, «hoje mesmo»; ieibé, 
«hoje bem cedo»; aribo, «de dia»; arfbo, 
«cada dia, durante o dia»; açajê, «meio 
dia»: caarurmno, segundo o padre Mon- 
TOYA, carucume, segundo o padre Luiz 
Figueira, «á tarde» ; cori, corijé, corijé- 
cori, segundo o padre Luiz Figuei a, 
curí, curte, curíé-rié^ segundo o padre 
MoNTOYA, «hoje mesmo, porém depois, 
logo»; pyiunume, «de noite»; pyçajé, 
segundo o padre Luiz Figueira, pyhagê, 
segundo o padre Monto ya, «meia noite, 
alta noite»; pycarebo, «cada noite, toda 
a noite»; adbé, «logo depois»; çtiéibi, 
«logo então»; naneme,<íA estas horas»; 
coecé, segundo o padre Luiz Figueira, 
coehê, segundo o padre Monto ya, «hon- 
tem»; coecé-coecé, «ante-hontera»; acó- 
coecé-eoecê, «traz ante-hontem», coec^- 
nheim, e acoéme, segundo o padre Luiz 
Figueira, «antigamente» ; carambohé, 
arimhaé, imã, segundo o padre Montoya, 
«antigamente»; uynain segundo o padre 
Luiz Figueira, que é aquelle imã do 
padre Montoya, «já»; oirà, oirandé, 
«amanhã»; aunhenhé, laujè taujebé, se- 
gundo o padre Luiz Figueira, nhevhcé, 
pajé, poijé, segundo o padre Montoya, 
«logo mais tarde, ulteriormente» ; avreme, 
aéremeé, segundo o padre Luiz Figueira, 
haéramo, segundo o padre Montoya, 
«então»; iepl, iepi-nhé, «sempre, cada 
dia»; memé, «sempre, todas as vezes, da 
mesma maneira»; aáni, «nunca»; ange- 
ramanhé ou ang-é-rama-é, «para sempre», 
ou, traduzido litteralmente, «alma que 
afinal se foi»; co-ára porombitcú, «sem- 
pre perpetuamente», ou traduzido litte- 
ralmente, «durante mundo existir». £ 
outros. 

Alguns advérbios de logar: qné, quiv, 
«aqui»; quépe, «algures»; ticiú, «lá»; 
aépe, «ahi» ; aê-aépe^ «ahi mesmo»; 
aqueipe, segundo o padre Luiz Figueira, 
acoípe, segundo o padre Montoya, «alli^ ; 



amõ, «longe, mais lá»; pé, «lá», «logar 
que se alcança com a vista», pépe, «longe, 
mais lá»; cúpe, segundo o padre Mon- 
toya, cóbo, segundo o padre Luiz Fi- 
gueira, «lá longe, em qualquer parte» 
(logar que não se alcança com a vista); 
coy. segundo o padre Montoya, cof, 
segundo o padre Luiz Figueira, «aqui 
pertinho» ; apoé, «á parte, distante, longe» ; 
napoéiy «nâo longe»; bipe, «algures»; 
cajá', segundo o padre Luiz Figueira, 
hajé, segundo o padre Montoya, «do 
travéz, fora de propósito». E outro?. 

Ha, além desses, os advérbios deno- 
minados particulares: pá, segundo o padre 
Luiz Figueira, e antes delle o padre 
Ivo d'Evreux, ia, segundo o padre 
Montoya, «sim», affirmativo usado só 
pelo homem»; hehe, «sim , affirmativo 
usado só pela mulher; aiê, «sim», ex- 
primindo assentimento; eriei, «sim», ex- 
primindo outorga; eré, «sim», usado só 
pela miiiher que outorga^ aán, aãni, 
«mão»; .r/í, «uJo», exprimindo desdém; 
«depressa», cori-cori-aúb ou cori-aú-aúb, 
«muito depressa»; coritet, «depressa», 
mcitativo; iepé, «posto que, não obstante», 
ipó, «por ventura, na verdade»; có, «eis»; 
na, na'tiga, n?ã, «certamente»; menguai, 
«quiçá»; tcí ou eí, «debalde», ié, «ei> 
que, senão quando». Ne é adverbio affir- 
mativo; mas deve ser posposto imnie- 
diatumente ao nome ou ao pronome, 
porque, sendo posposto ao verbo, é sem- 
pre partícula do futuro, ou casual, signi- 
fícaiido «para que», e mudando cm tc^ 
mais usualmente. £ outros muitos. 

Ua advérbios que significam phrases: 
cnet, dirigindo-se a uma única pessoa, 
peenei, dirigindo-se a duas ou mais pes- 
soas, «ora sus animo!»; cteiimé, «guarte 
não faças!»; que, «olha que, attcnçãol»; 
lebthéy «deixa»; anjê, «basta*; fiankó, 
«basta»; way/rfé, «mas antes assim»; na- 
çaubi, «não sem causa»; iâ, iâmurú^ 
«ainda bem», exprimindo satisfação pelo 
mal acontecido a outrem, aeboé, «mui 
a propósito»; amê, «assim é», expri- 
mindo assentimento irónico; íiétno, «com- 
tudo isso»; aandé^ «mas não é assim». 
E outros muitos, que' podem resultar da 
composição de partículas varias. Ha, 
por exemplo, uma certa phrase, for- 



, com advérbios, e muito usada em 
)ia para reprehensão a meninos: 
teque-ac. «oUiae, estáe quietost. Este 
escripto ahê pelo padre Montoya, 
tiSca «fulano». 

-As inWrjeiçOes sSo diversas: «1/ ex- 

le ddr; md.' exprime lastima por 

ter feito alguma cousa, nu nSo ter 

edido algum facto, e é sempre pos- 

, logiterúraí-má! «ah! se o trou- 

l»; xe-ral-má! tshl meu tilhol*: 

!Wpa-ffl(Í.' <ah! Deus meul*; ki! ex- 

ke decepção ou desgosto; coá! ex- 

I comniUeraçãu; thó! exprime es- 

i; A/,' exprime anguíitia; apague! 

prime alegria e bom liumor. E outras 

Dtas. Mas, convém uotâr que algumas 

Isrjeiçõeã a&\j podem ser usadas indís- 

ntatnente por homeai e por mulbt^r, 

ido cada sexo piiiavras propiias para 

npress&o doa sentimentos. 

— S2o também diversas :is conjuncções: 

; xe-aé-nde, cpu e tu»; abé, «tam- 

G*; nn seDlído copuJntivo é posposta: 

íaírf,<eu também»; flíi/,wle8tamiineiraí, 

aeniido demonstrativo, é anteposta: 

ii-eré, ídize dusta maneira»; no, «tam- 

cmi, no sentido de outra vez; cotenipó, 

1», no sentido disjunclivo; aeibé, dogo, 

. maneira»; iâ, iabf, iabenhi; 

tíun/u', *do mesmo modo»; pipibi-, 

14, fda mesma maneira»; rnmrT, 

\, beramftel, segiimlo o padre Luiz 

WEIRA, hfivramo, aémmo, segiitido o 

e MONTOYA, *por egual, semelliante». 

ímtido collectivo; aymeti^aymdémn!; 

ido assim como é», no sentido illa- 

I, rã, aroirè, teipô, arombyij, ou sim- 

Kmentc rombi, segundo o padre Mon- 

caSnal, finalmente». E outras. 

-Ke«tB língua, ha ainda outras regras 

I o&o devem ser esquecidas. 

í A repetição de svltabas nos nomes 

|03 verbos ou para maior força, em 

o superlativo, ou em griiu succussivo, 

pira maior gra(;a e elegância na 

ise, oa para exprimir a acção por 

í de uma vez, ou cm partes diversas, 

Annito usada: aixuban-jnubán-guitecóba, 

"Milo sempre a chupar»; ajerurê-riirê, 

muitas ve;:es, ou peço instun- 

ItoPnte». Se o nome ou verbo tem 

gietitB uma on duas B_ylJalias, a fej'e- 



tiç9o é inteira: çu, «altos e baixos»; 
fú-çú, ísnccessivos altos o baixos»; ápó, 
«saltar»: apó-apó, «saltar mais de umu 
vez ou aos saltos». Os iioniea e verbos 
acabados em dípbtongo, prrdeni a ultima 
Icitra, e a readquirem na repetição: acá%, 
«queimar-se» ; acá-acaí, «queimo-me mui- 
to». Os nomes e verbos acabados em 
íí^. ou somente em (/, ou em c, ou em 
qualquer consoante com excepção de vi 
6 II, estão sujeitoj ã mesma regra da- 
quclles dipbtongos: moi/g, «vis^o», mo- 
tnoiíg, 'i-muilo visgo»; awíOKf/oj,«quebriir»; 
anio-mondog, «quebrarem varias partes»; 
mçoc, * pilar» ; fliftí- [-ói; «pilar lorte » ; 
açunçúb, «amar»; açniiçú-f,^b, «ainur 
sempre». £ quando ha necessidade do 
accrescentar ao verbo alguma partícula, 
se o mesmo verbo tem Av ser repelido, 
o accrescimo será feito na repetição: ailá, 
«nadar»; uitâ-í, «nadar com perseve- 
rança»; ailá-ailá-l, «nadar com muita 
Ijerseverança». Tauibeio iiórle ser repe- 
tida a partícula aoorcsccntada u<> verb'( 
em vez deste: nhà, «cnrrer»; vUà-aáb, 
«correr mal»; nhã-núh-itúb^ «correr pes- 
sinianietito». E' usiida também a repe- 
tição em advérbios. 

b) Todus os verbos, quer acabem em 
consoante, quer em vogal, têm sempre 
no medo indrc^tivo o accento agúilo na 
ultima sylluba. Nos mais modos u tempos, 
e mesmo no mudo indicativo, rerubendo 
incrementos, guardam invaiiavelmente o 
accento agudo naquella syllaba, pronun- 
cíando-se breves e corridas as syllnbas 
accrcscidas, «de tal maneira (escrevcu-u 
o padre Luiz FigueihaI que n-lo se faz 
accento em nenburau delias: jucá, jucá- 
bo. jiird-remr*. Bem enlendnlo qne nos 
dijihtongos o accento é nu primeira lettra 
dellos. 

As figuras de palavras são usadas na 
linguagem tupi, cumo o sSo nas ilcmais 
línguas. Alguns exemplos disso são no- 
tados neíte Dicc.ionnriu Ovnijruphim. E 
assim itimbcui são usados os tropos; v, 
a propósito diz o padre Montoya: «.Toda 
esta lengtia está Ucna de figuras j- me- 
Uíforas, que los muy versados en cila se 
vem miicbas veucs atajados ^oc liti fiftT. 
faeilmeute ea \a VvadRdou ó \ac\í&Q\^*- 



XXXTT 



INTRODUCÇXO 



Occorre ponderar que mesmo as par- 
tículas ou dicções, que, no dizer de al- 
guns dos grammaticos desta Imgua, são 
simplesmente expletivas, ou exornativas, 
nada significando, e apenas servindo para 
compor com energia, graça, ou elegân- 
cia, palavras e ph rases, exprimem, ao con- 
trario, cada uma, determinada noção. 

A língua tupi nnda precisa pedir ás 
outras línguas, mortas ou vivas. Conca- 
tenando syllabas, partículas ou dicções, 
e agglutínando palavras, o indígena bra- 
zileiro forma nomes, verbos, advérbios, 
ou qualquer parte da oração, para ex- 
primir com jiistesa admirável qualquer 
certo e determinado pensamento, ou para 
assignalar individuo, animal, vegetal, ou 
mineral, ou para descrever logares; e a 
nomenclatura, especialmente, resulta da 
apparencia, ou do característico, ou do 
modo de ser do individuo, objecto, ou 
logar nomeado, com a maior exactidão. 
Somente a nomenclatura mineral n<^o 
é perfeitamente característica; é sempre 
ttó, com algum adjectivo da côr: o ferro, 
itã'úna, ou de simplesmente ifrí-fi. «pe- 
dra preta» ; a prata, itá-U-nga^ ou simples- 
mente itá't% «pedra branca»; iiá-júb-a 
ou simplesmente iiá-jú, «pedra amarclla» ; 
a esmeralda, iíá-obi, «pedra verde»: e 
assim o mais. O padre Moxtoya, porém, 
dá outra nomenclatura mineral: qimre- 
poH, palavra composta de quar-i-polí, 
«sujidade ou escoria do buraco»; e a 
essa palavra addita o adjectivo respectivo 
da côr. Evidentemente qvnr-i-poii é pa- 
lavra creada após a descoberta da Ame- 
rica, vendo o indígena a abertura de 
minas para a extracção do metal, e a 
apparencia deste ao sahir da mina; e, 
por isso, elle próprio traduziu «excre- 
mento de minas». Em seu Tesoro de 
la lengtia guarani^ nas palavras qnare- 
poli e lepotí, pôde ser apreciada essa 
nomenclatura mineral, mui diversa da 
usada ainda hoje pelo indígena brazílíco 
nas províncias do norte. 

Relativamente a nomes de pessoas, 
além da conhecida informação de Hans 
Staden sobre os nomes dados aos re- 
cemnascidos, ha um trecho da obra do 
padre Ivo d'Kvreux, — *S'////e les choscs 
mánorablcs adicutica au Mavagnoii es 



années 1613 et 1614, I, capitulo iC^obra 
esta traduzida pelo dr. César Augosto 
Marques, e impressa na cidade de São 
Luiz do Maranhão, em 1874, na qual, 
alludindo á difficuldade que os indígenas 
sentiam em conhecer os francezes por 
seus nomes, escrevera elle: «Convém no- 
tar que se não escolherdes um nome pelo 
qual sereis conhecido em toda a parte, 
elles (os indígenas) vos darão ura, esco- 
lhido entre as cousas naturaes, existentes 
no seu paiz, e o mais apropriado á sua 
physíonomia, génio, ou maneira de viver, 
que por ventura descobrirem em vossa 
pessoa . . . e ordinariamente o fazem reu- 
nidos ern assembléa e mais ou menof; 
assim: «Que nome se lhe ha de darV 
Nào sei, é preciso considerar». Expõe 
cada um a sua opinião, indicando o nome 
que lhe parece mais apropriado: o nome 
acceito pela assembléa, é imposto, com as- 
sentimento do denominado, se é pessoa 
qualificada, ou, queira ou não queira, 
se é pessoa do povo». Um francez do 
apparencia entumecida, ficou nomeado 
ctiiufú, conhecido sapo grande; outro, 
por fallar incessantemente, ficou pirirír 
kiti, isto é, piriquito. 

EsbC costume do indígena no Jlaranhão 
era o costume geral do indígena no Bra- 
zil inteiro. Por exemplo, o fnide fran- 
ciscano ficou distinguido dos outros mis- 
sionários pelo appeilido de iucúru, isio 
é, abarê-lucúra, «padre gafanhoto», em 
allusão ao capucho ponteagudo, que ás 
costas lhe cae sobre o habito, dando-lhe 
apparencia daquelle orthoptéro. 

Das aves, umas receberam do som de 
seu canto ou de seu grito o nome: por 
exemplo, anum^ aracuav, arataca, arara^ 
areré^ colíavyú, lie, pinríqinli, etc. Outras, 
o receberam de sua conformação phy- 
sica, ou do característico de algum de 
seus membros ou orgams: por exemplo, 
gaiuavíbi, urubu, japu, çabiag, etc, o 
primeiro conhecido por «beija-flôr», guâ- 
i-n-ambix, significando «costado pinta- 
dinho»; o segundo, jurúb-ú, «boca negra»; 
o terceiro, j-flf2)//í, «bico curvo»; isto é, 
«conirostro»; o quarto, conhecido por 
«sabiá», çxibiág, «fedorento», sem em- 
bargo de seu bellissimo canto. Outras 
o receberam de seu modo de viver, ou 



Bens costumes: por exemplo, jabiru. 
ibeculo por jahnrú, to que se pôe 
>, alludimlo, quer ás suas pernas 
I, (|tier ao seu pouso em airores altis- 
a; afíéaçáce, corrompiílu em ngua- 
iSea, allusivo a criarem-sp sobre os 
ipée. açdce, «sobre», tamheiíi conhe- 
só por piíissóett. tpé quebradn-, em 
Ao a parecer ter quebrada uma da^ 
IBS, qnando fora do rio uu laRO, tir- 
do-se só sobre a oulia; taiúiú, -lo- 
I» allusivo a viver em brejos e 
■s, eic. 

os quadrúpedes, poucos receberam 
loxa de seu grito ou assovio, o n<Ji 
exemplo; aiij. conhecido pelo d( 
preguiça». Muitos receberam de sua 
formação physiuai ou do característico 
algum dos seus membros ou orfjams 
exemplo, çncn-tjpáta, «veado de cor- 
túrcí(los>.ileno[timado t;alheirci; lima- 
i-'4, conliecidu por «tamanduá», em 
ts8o a ler curtas as peruas e viradas 
as iilantaH as unhais dos pês, isto 
tgmõ, <pernas>, lú-a, iiitiuitívo df rilú. 
iGurtar, ser curto*, mudado o / em 
por ser nasal o sum da palavra an- 
», á, «torcer», sendo que, segunilo 
iBTItlS. em seu filoss. liiif/. ftnw., 
de lamniiditá procede de laix 
íhrmíiat, iiiinnif, larmadillia», só |)or 
\w cmp animal iilimenta-se de furMJÍ_ 
uma, em um verdadeiro' tnviitW-o cíiiu 
lllt acreditando nisso; táí-l/fu, ci.nlie- 
»to iwr cjiilehí, de lái «dente», li/ii. «ire- 
mor», (tremor de dentes», também cu- 
«phecido por «queixadai, porque o tremor 
.(urece ser dos queixos, quando furiosos; 
fttfl/í, significando «focinho molle-, etc, 
Oulrns o receberam do seu modo de 
*ÍTer. ou de seus costumes: por exeni- 
(lo, irn-uára, conhecido por irárn, si- 
piiãfjinilo. (papa mel>, ira, <mel>, nára. 
*euiuedor:; mpu-iKÍni, conlieciílo por 
n^rarn, signiHcundo «comedor de herva 
linda on capim», ffu-aiifjo. conhecido 
K ijiinnlut. lilgiiihcaiidu «no alto», em 
illDsaij a viver nm galhos ninis elevador 
ilis alti.isimas arvores: culín, do verbo 
i^li, •espreitar>, em allusão a ser muito 
'igiianic; /wím, do verbo o/iáf/í: «des- 
pertai!, vm hIIusAo a sentir e ci.'vir o 
BÚninid riiJi/o, ato- ^^^^^ 



Doa insectos, o indígena se preoccupou 
mais do mal qii^ causam ao homem e 
ás cousas: ^u,.'eonhecido por igrilln», 
é nlliisiiu ao crivo que esse insecto sõe 
fazer em piinnos rle 13 e algudâo: o pa- 
dre Ivo d'Evredx escreveu ciijút e o 
padre Montova, com referencia ao v«rbo, 
«crivar», escreveu rvçii: qiiyinliú,, co- 
nhecido por «gorgulho», allusivo ao pico 
e furo que este insecto faz nos grSos de 
cereaes. 

Quanto aos peixes, é ainda o mesmo 
syslema de denominações: jii lá-canjúha, 
■> peixe de cabe(;a aniarella* ; pirá-Já, 
'peixe amarpjlo», conhecido por «dou- 
radnt; pirií-Ufjf, «peixe voador; j-nmd- 
niiiiy corrompido em jnmanta, «circu- 
lar», allusivo a ser redonda a «arraia», 
também conhi'CÍdu por jnbnlnra. ou. como 
o escreveu o padre Montoya, jnbebi, 
isto í. jiii-ibi. «bariiga raihada>, em 
ailusiio a ter n bocca na barriga; pUã- 
piiâ, conhecido por baleia, ailusivu a 
jorrar apua mui alto, em grandes espa- 
danas, de ;)*(. «rebentar», */, para expri- 
mir energia nu acçSo, sendo verdadeiro 
dislate a lradue(,';lo em «peixe redondo» 
ou peixe-ilha», porque só npini, e nSo 
l>tiã, significa «redondo». 

Quanto aos vegetaes, é ainda o mesmo 
systema de denominaçftes: caá-pu. co- 
nhecido pi>r rapiín, «herva mtuilinha»; 
iuá'caá-ti, piununeiado aiiá-cnii-.xi, e co- 
nhecido por «abacaxi», «fructa folha pon- 
tcaguda»; t-ajú. conhecido por «cajii», 
ijiescoçudo», em alliisão á forma de sua 
castanha, pendente da fructa vi-ajúir- 
â-mi-ib-a, conhei i ia por ma\i,a?imduha, 
«arvore que faz fartar muito» (de pa- 
j:ãíi; «estar farto» mu hdo o p em »/o, 
partícula activa, ã para expiímir energia 
na acçilo. Nd, partícula nasal ih ^arvore», 
com n (breve) (íari complemento dessa 
palavra acabada em umsoante) em allu- 
são, nQo tanto aos fructos mas sobretudo 
ao appetitoso leite que verte do trouco, 
quando ferido pur algum corte, e que é 
chupado na mesma arvoro até satisfazer 
o liíinseuute, — leite tão forte qne serve 
para colla, como substituto da i;últfl- 
percba; etc. 

Quanto 4 nbHittwVAWi iVií, V^jví^^fta, q 
ndigena era i\e vetíeu-^M \a.\, w^& ^Aa 



^r 



T^ 



se limitava a assignalar no nome os 
princlpaes característicos do logar no- 
meado: — o indígena, tendo de denomi- 
nar uma serra, am ribeirão, uma la^õa, 
em uma mesma região,— não raras vcses 
procunira palarras qne fnrmasspin nomes 
com snoi idêntico cm qiiasi idêntico, signi- 
ficando a serra, o ribeirão e a lagoa; 
— isto é, usara dar denominayííea com 
som idêntico ou quasi idêntico a lognres 
víirios na ineãina regiílo. mas eignilicandu 
diversumenie: fino jogo de espirito que 
aitesta nelle a especial tendência para 
& arte, ou antes, para a sciencia da no- 
menclatura. Infelizmente, os explicaduros 
das denominações, nAo comprehendendo 
o Renio da lingiin c fumJudoa. menos 



— Ouarooi, •mili' i1« dl*- oi 
im. Orlgrn da Idi r «H. 
I. OuorsoiííAu. -firiíiliuindo 






irlgiium, u • 



flm estudo que tivessem feito do que na 
reputação de sábios, que adquiriram, e 
a que alguns, aliás, tinham incontestá- 
vel direito,— deixaram attrii>uir aos indí- 
genas dinlates de toda a espécie, como se 
fossem povos destituídos das operações 
da mente. Para tacs explicadores, a let- 
tra I ou y no fim da palavra era «riu, 
aguiit. Inha, labuudancia, muito»; e. 
sempre que deiiaravain com a palavra 
itá, si^uilicana necessariamente <pedra>. 
Os pobres indígenas, em summa, pelas fS- 
plicaçSes de Martids e de outros sábios 
que por aqui andaram, nunca passaram 
de uns parvos no modo de nouiear os 
logares. Veremos, neste DlrrionnHo, a 
grande superioridade do indígena (*). 



d'iiKnip), conbnido Dl iv^âo uUMOnlm |Hít HylKI M 
iMra, psitifli-jn diqiiflllc ir«iii« nrbo i-iíí, V" f >"*- 
— '-it: tUliulYO • merfuHur e uhlr depoli A tuna d'jijfiH. 
itni twiFTeni ydfli; ou, eoing (ioN(ittVBs Diii, em 
KiKDAitlarK da línfaa gtriú, wi ngUUi «muoDlcs. MtMÍra- 
Dnm^ iloi Indlgviiu, d Fii4n ou u^dn i umii espul* 
nioanliiilar. chciganiln m*«aia a nlilr du ajiui» loe m 
^H de mancebo gcnUl jar 



BitaLtmUs ilc dm» ou de bÁir mponor, ihshv, rte due a 
^Abtrni •on^a- d ceirupCKo- d« "^i Mnelm iwikm do ludl- 
nuto de a*, «btipr, liUlwr*. «t, pMpoal^ pani etprl- 
mlr ide dm»,— qiH>r aamo «nnmdor pan devsnr, Yagtutra, 
ie Yé, ««Itirc, R|iunu'>, «ani, pirilrip<a d* ú, •eomn, 
dvtmw*. Tanlieiíi o oinlciplo ío «rt» aií # fajtiam, 
«Miida s nnoiB que Yá-fian. A ilniuiminuTla •«!;»■ é 
UoilHila Wp); bpUi>IbiiUi, ill|;uni laiIcoEniilii» poitugUB- 
Ma, fenda-ae i-m dlfavuModvs para eipTienr n nrlgeu da 
palafia, pi-rdrniin-M ein i<niilPi>UinH, Conn^HCio consl- 
ilvni •anta- wino camiiiflD do iljnce'! Cai.du Aitr^jt, 
nln uellanilo eiia arí»Jn, coniidna a iMlaftu ■oii(a> comu 
dt! (ormacAi ioillniui— tmM.' 

A Yã-yvtTn vii Va^rúarq, de eAiiede leEilliiia, é nc * 
Y/ltudra ov rafi)arii-tf/. curraniiilik eru jajfuanl<|i. 

ptAnt Luit FiouKJNt, era lua Jr<i ifc j/nim 
A lipipai Imuilllro, nrreniu úfuara; Inaa. •• pailru Kos- 
TOTji. em aeu TVjéro d» Ja Jiuua warvu. relEnoda-ae A 
palarn /ojiila, ><i*0'. Incluiu ahi dfranoi nnlina», aDln 
M qiiMi a unga. o tígn, a lobo, oiorillio, eoiitnial Solin 
lodog, o cachorro, nlo tendo do Bratll, nem da Aniurica. 
nBu podia H-r mniira; rm ipenAi yi)ii-]NfH, por tau» do 

iniirdcilor, i-oim uu grniTo IVi-íiiurci ,■_ do ifí, .m;amir,^j)o- 






Yd a inlBi 



indo iiiai ilonuiiiliuivi» t^'!*! w 



Miada, Mvaniu, alpl- 
nia> •!»*, tumft as fdrniaa de mnlher bella para lediuli 
nanceboa e anaital-M ao fundo d'agiia. 

Da owjn ha duaa «pedei prlndpaeat a vV-cJoA, nona 
CBmimpido pclot pottugvciFi cm •oó(>>. ou y-oeè-oó, eop- 
rompida peloa fnnninf em locdlol- ; • a tnã-to^-rH, ear- 
iDtnpIda em «H^u-arã, conio d «eceien n padni MohtoTjI, 
ou vm ntUfu-rwio, (nino o lAo) eKrlpi» outna, m na 
nKa venladolra, aeinelhoate- . CuendoinJusUtlcmnl 
ipamwr viaJo e nln wl-ui, ad porque fut p » 
oii niLiiu, Hiiindo eUea eacnrcm. t » deDomiiui(É« gma- 

ric» dnie animnl. A pala»™ rt, lio «e— '"- -" '- 

(em aqui que fHHr, tJ nome jrifi-fvl-r 
cõii-miiH DU i/HÍ-(0^nHifl«, fl)(un ~"' 






eiprlnilndo 



iMe I 






^ < apAcope de gtiÍ- 
ito uBxU eu wpl. 



Inlorpolada a pnlaini ^, •carne-, pata eiprlmlr ■ iaUraa 
relavía do fortio eom o inao, tormundo uma Ml wlaTa. 
NcRi pdde barei TttmvDeia alguma li oAr do pello <u> rorfo 
ou i »iiirUiaBca cem Mie: (ú-a-çú é lormide de fM-Ettr, 
•alloi e lialiDa. saLl^ndui, i^ni a iotemUfle de d^ vf^fl 
\mfii. (I reado goihdra d ptl-ii-(ii-ufvfra .' aendo qae i>f <r» 
« partlvlpio de d, •torcer, ser lona,, com nterand» M , 

TanlD a od-iKr, comu a piii<-;iij-rd. lem Tariía rapedw, 
qne 10 dlaUngiiem ppli cdr; pflã, ■•onncllia-, ^Um, 
•parda tiolacni-. imit-mn, •masohuda,, pi»6ú-iia, imwna- 
elado pintna por lauaa dó A aaplndo, -preUf. faiiif, «ao»- 
n'lla< e dlTenai OUMa cArei praduildas em gereTOW hf- 

brida*- 

Al^m deita* Hpccfea. ha a mAom 
lamlMin (onlieclda por ráifo^uifra-li 
fBavatiriea, •* nne te anaala nua an 
pnrUelpln du 






alfni das híbrida*. 



iialar'. AlIiulTO m. 



rempida •» 
lo taçéma, 



DICCIONARIO GEOGRAPHICO 



província de S. TAUI-O 




Aboboral. — MoiTo elevado, no muni- 
cio lie Xiririca. á luargem direita do 
Ttibeirn de Iguape, na distancia de 
lilometros, mais ou menos. 
ARIuente do rio Ribeira de Iguapfi, 
margem direita: no munidpio de 
;iríca. 

tíioboral, corruptela de Ahóg-bôra-áh. 

tW'io naturalmente». De al>ôg. apô- 

e de nbóhóg, <t;retar-se». bórn, par- 

ll de partici|)io para exprimir 

lificar a peculi<irÍ<]H<ie. dh. pnrtieula 

; segundo o padre Luiz Figueira, 

sua Arte de griíiiimativu dn Hiigim 

nlicti, nada exprimindo por si 

tignifica entretanto a ac(;Íio natural ou 

>rtilii>.Í4l lie abril', conforme fór pospiista 

anlepoíila. Se fòr po-sposta, cunio 

BMte uome, o verbo torna-se neutro 

c, atisim pospusln, «se accommoila ú: 

cousas que naturalmente abrem, como i 

Atr. á manha, ao ovo, á osíra, elo. Se 

m anteposta, o verbo torna-se activo 

♦. tmm aiileposta, só se emprepa «para 

Kgnificar o abrir das cousas, a qiie nSo 

í natural, como fender o pão, abri; 

'ími ou a vasilha, ou gretar a carne do 

tnínial ou couro com algum inchaço, 

«tv. 

Este é um nome bem construído; 
f«ine, além do emprego exacto e cor- 
'Mio du partícula ái>, para exprimir a 
'Mo natural de abrir, coui referencia 
w verbo aliobôrj. este soffreu a apócope 
P"a fomiur o participio com bóm, a 
lin de exprimir peculiaridade, muita 
«iniinuaçilo do factv. castumt', íieguado 



a liçSo do já citado padre Ldiz Figuei- 
ra, evitando de tal modo a repetição, 
mais uuia vez, da syllaba W. Esta apó- 
cope é muito usada na lingua tupi, 
quando o verbo é composto de duas 
sjllabas eguacs, e o verbal, com que 
tem de fazer participio, começa por syl- 
laba egiial áquellas; e exemplo é o par- 
ticipio passivo do verbo pipi, «apitar», 
que é pipira, Ísto é. pi, apócope de pipi, 
e pira, partícula de participio passivo, 
se bem que o padre Luiz Figueira, 
em vez da api^ope, diz que essa forma 
de participio é feita pelo accrescimo só 
de ijrn. 

Úf, indígenas usavam dar denomina- 
ções com som idêntico a logares vá- 
rios na mesma região, ma» significando 
diversamente; fino jogo de espirito que 
attesta nelles a sciencia da nomencla- 
tura. 

O nome do morro é allusivo a ser 
cavernoso, além de fendas nas encostas, 
por effeito de revolução interior. 

O nome do ribeirão é alluí^ivo a gre- 
tas no leito, pela natureza do terreno, 
sobre qup corre:— sobislos argillosos, en- 
volvidos em grandes massas de granito. 
As aguas passam por baixo de rochedos, 
formando cavidades, mais on menos ex- 
tensas, 

O ribeirSo nSo é navegável; e, á foz, 
tem a largura de dez metros, mnís ou 
menos. Nasce naquelle morro. 

A altitude do morro é, mais ou me- 
nos, oitoceatos uieVtos, íç\\r* 4q ■&\s^ 
lio mar. 



ACU 



Acá. — Logar no munícipio de Bata- 
laos. 

Ard, Hirriijitela de l-àf/úd, «ponta de 
rio». De »' •apiia, rio», ífr/ilrf, «esquina, 
poiítat. O I tem o som de n fechado. 

Allusivo a formarem nesse lojíar. u 
corrom» (jiie tambníi Iihz, e o ribeinlo 
(\niufii-un, um unj^iilo ngiulo. 

Acannbury.— Aiiliiomt! du rio Tietê, 
ptftu mareiem direitn: no mtinicipio de 
Ararnqiinra. 

Aninihtin/, corruptela de Icamnmbú- 
ri, <successivaiiit'nte bollioso». De i, 
• ii)tHA*, cniu a pruniinria do n fechado, 
ramamfiii. «bolha. emimlB». ri. «succes- 
siviDirnle*. 

Allu«ÍTo n formarem boUuis as aguas. 
PI» lodo o sru curso. 

Acangueruçú.— Corrfilei™ no rio 
Tn»u^; a imtntnra. U-go xbaixo de Porto- 
Fob». 

.iMNypirrNril nl» i AtaHy-hfm-nçá, 
(«vnn pmK«l«>. E\ am, cDainc^fto 
J» .1f«iM - 4 - iifH^ • Mfil wi Aqti''/!- 
n y ifr'-«»nl, «muito «npiMJo e vHoi>. 
|N>iiito ilv part« t*r*l, qn« «ki «stá s^ 
mMitf p«ra 4istm)ni)-« An fwn^n 
HMwr, rouhwiil* |>or Amm f tr^mnrim. 
mkH atwisvv IV õvitA. <c«ftvr>. qa«. 
(•«r M htfuar msn, si(^i6m «oocrer 




Também o acará da tradiicçSo do n 
Arnrahi/ pôde ser nSo o peixe mas 
ave: àcárà, ou, precedido do ij» 
euphonfa. giiòcárá, conhecida ave liri 
Estas aves habitam as margens di»s 

Amtiihy, corruptela de ,4^m<í-(Í. 
«persaverantemente corrente». De a 
<c<irrer>. levado ao participio pela 
ticula áro, significando «corredor», í. 
posição para exprimir perseverança 
facto. Por contracção, Aqúá-'rfí 

Allusivo a serem muito correntes, 
todos os tempos, esses ribeirOes. 

AcarahÚ.— Ribeirão, no fiiunici|>i 
Ubalui':i: desagua no Oceano. Cin 
que recebe as aguas nas fraldas 
morro Jurêa, e desagua na lagoa 
iiitnm: do município de Iguape. Al 
o ditem Gtiamhú. 

Aenmhá. corruptela de Ãquà-ái 
por conlnicçio .■í«fM'-dr'-oú. «pouco 
rentet. De áíjuâ, «correr*, levtdi 
iwrlidpiu com a panicala dm 
oindu «corredor, corrente», mi. dl 
pant si^ififar defeito, ou má voi 
na aoçio, segoodo i li^iu do padre 
FiGUKiBA. CM SOM Arte de gramm 
lAi Hmgta hmsHicm. 

AIImsíto » Bio tereni drclire 
ciaite p«rm o e« w > »eato das aj 
sMdo pw isso pwMO McreolM. 

AcÚ.— N«ae da p asM gcw da f^ 

|òa da S4 fva a é» Saata S|dú( 
' ' da S. Plnhk. A ponb 



O mumt «Mto é JU^\: da o. 
(nt, iBca afptfcar leeaja earpoRi 



4» &v VtoaaM. « «n «wtnK. Eift» 

tÀi^pm» l^walMw. * d» «aitNik, Jlni„ «MM 

»aM •xik f« <ira* **— to «> ira «fWM* ■* 

O faÍM «MMidd* CfWf» »»> t ai*fc.<— 

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m • JkA (Vida » 




*n«adt4»4 
Bw n ■ ■B > a. * *aà, «Am 
«da «irtaiiiK 4b fi 



AGU 



3 



AGU 



assim que elle, no próprio Bocahitlarío, 
mais adiante, acccntuando com i, diz: 
yarin xe-r-oga, «está enxuta minha casa» ; 
aãèmbo anã guitêna^ «ostou me enxu- 
gando». 

Affonso.— Affluente do rio Pamlnj- 
iingaj pela margem direita: no municí- 
pio de Redempçâo. 

Ninguém acreditará que o ribeiro ti- 
rasse de algum individuo Affonso esse 
nome; e, aliás, poderiam habitar mais 
de um Affonso nessa região. 

Affonso^ corrupção de Ahõcè^ «empi- 
nado». Com eifeito, ahòcè significa «so- 
brepujar»; e esta palavra é sempre appli- 
cada a ribeirões taes. 

Allusivo a ter forte declive o seu 
leito. 

Agua- Branca. — Afifluente do rio 

TieU' pela margem esquerda: no muni- 
cípio de S. Paulo. 

Affluente do rio Sorocaba^ pela mar- 
gem esquerda: no município de Soro- 
caba. 

Aftluente do rio Sarapuhy^ pela mar- 
gem esquerda: entre os municipios de 
Tatuhy e de Campo Largo de Sorocaba. 

Afifluente do ribeirão Onça, pela mar- 
gem direita: no município de Ribeirão 
Preto. 

Affluente do ribeirão Logeado, no mu- 
nicípio do Rio Novo. E' um córrego 
que corta a cidade; mas ahi está cana- 
lisado. 

E, sem duvida, ha outros ribeirões e 
córregos, na província, com este nome. 

Agua-Branca, corruptela de Aguàá- 
mbarã-nga, «alagadiços doentios». De 
aguâá, « enseada, alagadiço », mbarô, 
«doença», com o suffixo nga (breve) 
para formar supino. 

A corruptela provêm de ser pronun- 
ciado, quasi Imperceptivelmente, o a de 
mba. 

Allusivo a que, alagando-se com as 
chuvas, suas várzeas, após as vasantes, 
produzem maleitas. 

Agua-Chóca.— Affluente do rio Tieif!, 
pela margem esquerda: no município de 
S. Paulo. 



Affluente do rio Capirary (de cima), 
pela margem direita: no município de 
Monte-mór. 

Agna-Chóca^ corruptela de Igiiâd-çóg- 
ca, «enseadas quebradas». De i-guâd, 
«enseada de rio», dlstincta das do mar, 
çóg, «quebrar-se», com o suffixo ca (breve) 
para formar supino. O t, «agua, rio», 
é pronunciado como a fechado. 

Allusivo a extravasarem-se suas aguas, 
no tempo das chuvas, formando alaga- 
diços. 

Os portuguezes, vendo aguas estagna- 
das, entenderam que o indígena dizia 
Agua-chóca. 

Agua-Comprída.— Affluente do rio 
Parahyba, pela margem direita: no mu- 
nicípio de Bananal. 

Affluente do rio Sapucahy, pela mar- 
gem esquerda: no município de Santo 
António da Alegria. 

Affluente do ribeirão Jacarehy, pela 
margem direita: no município de Bra- 
gança. 

Affluente do rio Jwidinhy-mirím, pela 
margem esquerda: no município de Jun- 
dlahy. 

Agua- Comprida^ corrupção de Aguâd- 
cot-bib-a, «enseadas pegadas umas ás 
outras». De aguâá, «enseada, alagadiço», 
co% para exprimir cousas pegadas, bib, 
«approximar-se», com o accresclmo de 
a (breve), por acabar em consoante. 

Allusivo a terem, nas margens, suc- 
cessivas enseadas, ou a serem formados 
por successivos alagadiços. 

Agua do Padre.— Salto notabills-, 

slmo, no rio Paranapanema; no muni- 
cípio de Tijuco Preto. 

Agua do Padre, corrupção de Aqúá- 
ndi'pát, «esquina e muitas cascatas». 
De aqúá^ «esquina», ndi^ «muitos», pá% 
«dependurar», que, não regendo o caso, 
exprime a acção geral, e portanto signi- 
fica «dependuramento». 

Allusivo a mudar ahi bruscamente de 
direcção o rio, formando esquina; e a 
despenharem -se lindamente as aguas por 
vários canaes estreitos, em cascatas. O 
canal vwm \«lT%cí fe q ^"s^ ^%Q^^^\'í^..,^sw- 



AGU ; 

deaado a rocha. A qu^da é Ao qimsi 
fjuatro metros. 

A corruyyflo pnjieiu de que os iinJi- 
genas Iratiini jior pdi o padre mi sn- 

ceniotp. 

Agua FrÍa.~Affliiente do rio lira- 

fiórn, pnla inaryem csquenlii: no inutii- 
uipio <la Piedade. 

Artluente do Rio-Venie, pela margem 
direita: no município de S. José do Kiu 
Panio. São corregns. 

Agua fria. corrupção de 0-iqué-ali-aí, 
contrahido em 0-qu' -ati-ai, lambas as 
barrancas a prunio>. De a, reciproco, 
para siguificiír as duas margens, iqn?, 
«lado, costados, atí-ai, «a pique, erecto, 
a prumo». 

Aliiisivo a currereiíi entre barrancas 
altas e a prumo. 

Agua Grande.— Aífluente do rio Rl- 
lieira de Iguape, peia margem direita: 
no municipio de Ãpialij. 

Sua nascente, jioréui. é na província 
(Io Paraná. 

Agtia-Qrande, corrupijão de Aijiiã- 
átjuh-ni, «velocíssimo'. De áquá, »cor- 
rer», repetido para exprimir o superlativo 
da acção, ni, partícula de afirmação. 
Por coniracçfio, Aqu-áqiiâ-ni. 

Os indigenas usam dizer Ckenqúà- 
aqúâ-m-gnikoho; «fui voando>; dando 
assim ás pnlavras ãquã-áquá-m a ex- 
pressão da maior velocidade. 

A repetição de nomes ou verbos, como 
áijúã-âi/úã, é uma das bellezas da lic- 
gua tupi; além de ser empregada, mul- 
tas vezes, para maior graça e elegância 
da phrase ou da palavra, o é tiimbem 
para indicar o superlativo, ou para as- 
signalar a frequência do facto, successi- 
vameiíle ou em muitos logares, ou para 
exprimir no nome ou no verbo a maior 
energia da acfào. 

A regra é repetir somente as duas 
sjllabas da primeira palavra, como neste 
nome: — áqúâ-átiúâ. Se a primeira pa- 
lavra tem apenas uma ou duas syllabas. 
é repetida inteira; como por exemplo: 
apó-apó, «aos saltos», ou <de salto eiu 
saiu». 



t AGU V 

Aguapé.— Affluente do rio Mopy- 

(jiinNsii , pela margem esquerda: nn mu- 
nicípio de Jaboticabal, 

Ai)iin-jii\ corruptela de l-gnSá-fpf, 
'muitas enseadas*. De i-g»iâá^ ■ enseada 
de rio», ipé, «muitos», 

Allusivo a formar, em ambas as mar- 
gens, na vfirzea que consiitúe o sen 
valle, muitos alagadiços. 

Como se vê, não se trata, neste nome 
(a nâo ser por jogo linguistico), da nym- 
plieácea, cujo nome vulgar é agiiapi-, 
corruptela de i/-giiá-]>f. <redonda-chata'>. 
por alIusSo á fóruia das fullias; de t/, 
relativo, gnâ, «redondo», pé, .chato». 

No Amazonas, é pronunciado wtpi, 
«Sobre a agua sobrenadam, condensa- 
dos e unidos, us impes de mil formas. 
Entre estes destaca-se um de folhas re- 
dondas, verdc-avermelliadas, no meio das 
quaes surdem alvas flores, golpeadas de 
escarlate, de feitio de estrellas, cujas 
flnus hastes carmesins vèem-se mergu- 
lhar atravás da agua cristallina cjjm ondu- 
lações airosas de serpente.» (José Ve- 
ríssimo, .^ivnas <Ui rida ainaxoiiica). 

José de Alencar, no seu bello ro- 
mance Ubirajara, escreveu erradamente 
igajiê, «A tlôr de ignpé é mais formiiaft 
quando abrt; e se tinge de vermelho aos 
beijos do sol, do que fechada em botão 
B coberta dp folhas verdes.» 

Aguapehy.— AHlueute do rio Ha- 
nharn, pela margem direita: no muni- 
cipio de Ilanhaen. 

AtUuente do rio Una da aMêa, pela 
margem direita: no município de Iguapek 

AftJuente do rio Paraná, pela mar- 
gem esquerda: entre os rios Tietê e Pa- 
raiiapancma. Tem muitos saltos; e um 
de mais de 60 metros de altura. Este 
rio traz indevidamente boje também o 
nome Rio do Peixe. Nasce na serra 
Aqtiilos; e é formado por duus galhos, 
um da contra^ertente do rio Paratia- 
pavcma e outro lia do rio Tietê. 

Alguns têm escripto Aguapekú; por- 
que, quando ha ii. o primeiro i tem 
sotn guttural; sobretudo no fim da pa» 
lavra. 



AGU 



5 



ALA 



Agvapehy, corruptela de Aquá-pií 
'xsuccessivas esquinas», pii «amiudadas, 
successivas, umas atraz das outras*. 

Allusivo a serem excessivamente si- 
nuosos. 

Agua- Preta.— Corre{?o que reune-se 
ao Ayva-Branea, e desagua, com este, 
no rio Tieté^ pela margem esquerda: no 
municipio de S. Paulo. 

Affluente do rio Jactipiraugn, pela 
margem esquerda: entre os municipios 
de Iguape e de Xiririca. 

Agna-Pretay corrupção de Y-giiâá-pa- 
e/rf, «inteiramente alagado». De y^ re- 
lativo, gnoá^ «alagar, alagadiço, enseada», 
com o suffixo pa (breve) para formar 
supino, drf, adverbio, signitícando <^ in- 
teriormente, totalmente, de todo o ponto», 
exprimindo também superlativo. Por con- 
tracção, Y-guàá-p* etA. 

Allusivo a fazerem successivas ensea- 
das, alagando as margens. 

Agua-Pura.— Affluente do rio Ita- 
nhaen, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Itanhaen. 

Agua-Pura, corruptela de Iguaá-piíèrè, 
«enseadas derramadas». De i-guâá, «en- 
seada do rio», pronunciado o i como a 
fechado, piíèrè, «derramar», pronunciado 
o primeiro i como t/, segundo a lição 
dos grammaticos. 

Allusivo ao transbordamento de suas 
aguas, formando alagadiços. 

O ribeirão Agua-Pura nasce na serra 
Mougaguá; e suas aguas descem, der- 
ramando-se. 

Agua-Santa. —Affluente do rio Pi- 
racicaba, pela margem direita: no mu- 
nicipio de Piracicaba. 

Agua-Santa, corrupção de I-guád-çái- 
ia^ «enseadas esparzidas». De iguàá, 
«enseada de rio», çái, «esparzir, esten- 
der», com o suffixo ia (breve) para 
formar supino. 

Allusivo a estenderem -se em alaga- 
diços as enseadas. 

Agudo. — Corredeira, no rio Mogy- 
guassú, abaixo da fóz do Rfo Pardo. E' 



a segunda corredeira abaixo da cachoeira 
Sm Dartholomeu, 

Agudo, corrupção de 0-cui-bo, «ás 
quedas», ou «de queda em queda». De 
o, reciproco, cuí, «cahir», bo (breve), 
para exprimir o modo de estar. 

Allusivo aos successivos desnivelamen- 
tos do leito do rio, nesse trecho. 

Com este mesmo nome, e o mesmo 
significado, ha um ribeirão no munici- 
pio de Batataes. Nasce na serra Matto- 
Orosso. 

Agudo, Agudos.— Morro, próximo 
ao BoUicavarú, 

Morro entre Itatiba e Campinas. 

Morro no municipio de Cajurú. 

Serra, á margem direita do rio Mogy- 
Guassú, no municipio de Santa Cruz 
das Palmeiras. 

Morros, próximos a Iporanga, no mu- 
nicipio de Apiahy. São os denominados 
Agudos Orarules. 

Grande serra entre os rios Tieíé e 
Paranapaue/ua: desde o municipio de 
Lençóes até o de Campos Novos de 
Paranapanema. 

Montanha, mais conhecida por Agudos 
do Atenado, á margem esquerda do Rio 
Oraude, nas divisas do municipio da 
Franca com a província de Minas-Ge- 
raes. 

Todos estes morros e serras têm as* 
encostas Íngremes ou a pique, formando "'. 
extensos e alcantilados paredões. Nada 
tem, portanto, de Agudos, que não é 
senão corruptela de Uá-nue, «cortado, 
talhado»: de há, «cortar, talhar, tron- 
char», cúè, partícula de pretérito; allu- 
sivo aos sobreditos paredões a. pique. 

Demais, nestes morros Agudos, o cimo 
é área extensíssima de chapadas; o que 
contrasta com o nome Agudos, 

AlagÔa.~Rio pequeno que, originado 
de pequenas cachoeiras, nos contrafortes 
da serra marítima, fórma-se de todas 
essas aguas na várzea, e, desde logo, 
abre-se em lagoa, para depois estreitar-se 
até três metros, e assim desaguar no 
oceano, na praia Ytd-cuá: municipio de 
Ubatuba. 



t* 



* •. 



ALA 



ALA 



Alagõa parece, portanto, a trailiiccflo 
<Ío nome tupi; e nada mais. 

O rio, com pffeitii. é somente a pró- 
pria Inferia. 

Com o nume Lnyhn. c nus nieí^riias 
rimilivões jiliysiiyis dt-sle rio. lia uittro 
no município de Garaguntuliiba. 

O nomt? tupi é desconhecido. 

Alambary.~E' o nome dos segiiin- 
les rnrsus d'»gn3: 

Alíliictite do lUo Plínio, pela margem 
direita, u qual por «na vez é aífliicnto 
do rio 1'nmiiapaiieh'a, tamliem pela 
margem direita: entre os municipios de 
Uotiicaiú e dã Santa liarbara do Kiu 
Pardo. 

Atlliiente do rio Piraeicabti, pela mar- 
gem esQuerda: municipio de Piracicaba. 

Aftluente do rio Ttet^, pela margem 
esiiuerda; municipio de Botucatú. 

Affliiente do rio Pambijlm, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Mogy 
das Cruzes. E" mais euniiecido pur Latu- 
bnnj, e até já IÍ, em uui titulo, Laiuhe- 
rehy. 

Ãftluenle do rio rnrakyha, pela mar- 
gem direita: no municipio de Bananal. 

Afllnrtite do rio Soroiaba, pt-ia mar- 
gem esquerda: entre os munícipius de 
Tatuliy e de Iiapetiniiiga. A' margem 
direita de^te nliimu Akiiiihiii-y, está a 
povoat.íflo deste nome, pertencente ao 
municipio d(> Ilapetininga. 

Âlaiiiimry nada tem c>im o pequenino 
peixe prateado, que traz o nome lam- 
bari, Ronu\i\,é\is, Ae hila-iiibmá-ei, «brilha 
com ta) iinitaçSo que engana*. De hãa 
<imÍta<;ào. semelhança», b?rá, «resplan- 
decer, brilhar», precedido de m por causa 
do som nasal de hàa, segundo a regra 
em taes casos, ei, • buíra, engano, á tôa, 
sem causa real>. Por contracção, hita- 
mbeZ-i. 

Alniiibary, corruptela de Aniá-mb- 
araá-i, » perseverantemente muito jiesli- 
lento». De araâ, < enfermidades de fe- 
bres», mh-araá, repeiiçSo para exprimir 
superlativo, í, posposição de perseverança. 
Por contracção, Araá-i)'b-ar'-i. 

Allusivo a serem maleítosas em qual- 
goer tempo. 



Alambary.^-Morro no municípi 
Iporanga, famoso pehi gruta com 
ou mais compartimentos, um úa^ quãõ^ 
extj-nso, cum stalagmites e stalactiles. 
lísia gruta 6 atravessada por uni ribei- 
rAo, que traz tumbem u nome Alninbnry. 
é o nome só da gruta, retlectindu 
sobre o morro e o ribeirão, cerlainonln 
por n^o ter a tradição conservado nj 
mes destes. 

Alainbnry^ com referencia á grui 
corrupçflo de lltt-mb-u-io-á-ai, cdesoi 
interior e juntamente agua a cahii 

í, «revolução ou desordem interior», 

'b, partícula para ligar rn, que tem na 
pronuncia o som nasal, ao verbo nú, 

cahir», com a intercalaçíio de ro para 
exprimir a simultaneidade da acção do 
verbo, formando a-ro-á, ^ cahir junta- 

lente», e ai, «aguacento, o que lentdja 

II reçuma agua». Por contracção, Ru- 

,b-n-r'-á-'l 

Allusivo á desordem emniaranliada no 
interior do monte, com precipicios; de- 
sordem produzida pela agua cabida de 

:iina e filtrada, formando as stalagmites 
e as htalactites. 

Esta gruta é a denominada Lapa de 
Sfinto AiiÍohío, cuja descripçfio vou pedir 
ao conselheiro Martiu Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, em seu Diário de 
uma riiii/em mhiernlugica pela prorin- 
eia de S. fítiilo, 110 uiiiio ile 1805, Es- 
creveu elle: «Continuei a minha digres- 
silo pelo ribeirão de Yporanga acima tité 
cliegiir á gruta staluctitica. denominada 
Lap<i de Santa Antónia, que fica á di- 
reita (deve ser esquerda, por isso que o 
viajante considerava direita ou esquerda, 
conforme subia ou descia o rio] no ribei- 
rSo do i^umidonro, o qual corre de um 
monte também á direita, onde somente 
existem restos de antigau lavras. Nlo 
só nesta gruta, mas lambem em todos 
os murros á esquerda, e mesmo eni suas 
faldas, se acham bancos de pedra caU 
carea secundaria, cortados por veios de 
spatho calcareos, dos quaes no tempo 
das grandes chuvas se destacam por- 
çôes, que vêm entulhar então os ribei- 
rões. Esta gruta tem quasi a direcção 
de oeanoroéate aadoéste; por baixo áaHg 



ALA 



ALM 



corre o dito ribeirSo do Sumidouro (*), 
cujas aguas sdo frigissimas, minando os 
ditos hmieos calcar eos, e alguma agua que 
transuda por elles, e que forma as bel- 
las stalactites, attendiveis por sua bran- 
cura, pureza, esplendor, e fractura spa- 
thica. Na parte superior da entrada vê-se 
como dous óculos de igreja, e logo no 
principio, um coro rendado, e ornado de 
uma série de pyramides stalactiticas: do 
lado esquerdo faz a lapa como um saccó, 
e do direito, mais para o interior, co- 
lumnas entrecortadas, e outras porções 
de avelhantados edifícios, sobre os quaes 
obrou a mão inexorável do tempo. Do 
lado esquerdo, em cima, ha pequenas 
grutas ou recôncavos, e em baixo furnas.» 

De outra descripçào publicada vou 
transcrever os seguintes trechos: 

«Na caverna do morro do Alambary 
ha um grande salão, com cerca de 40 
metros de altura, e um outro comparti- 
mento, no qual existe um poço. As co- 
lumnas apresentam o aspecto de imagens 
em charóia n'uma procissão. O solo é 
formado de grossas pedras. O ribeirão 
Alambary^ que desce de um dos morros 
do município, depois de caminhar cerca 
de 200 metros, some-se e vem reàppa- 
recer nesta caverna». 

O dr. Carlos Rath assim a des- 
creve: «Esta gruta acha-se entre as pe- 
dras de cal, formando, na bocca da 
gruta, uma muralha preta de 612 pés. . . 
A gruta tem a largura de 130 palmos 
e forma um vão, com a profundidade 
de 80 palmos... A altura da gruta 
pôde ter 60 a 80 palmos, e é inteira- 
mente ornada de stalactites e stalagmi- 
tes. Estas stalactites e stalagmites for- 
mam, ás vezes, figuras mui pittorescas, 
que ficam penduradas nas abobadas. . . 
O canal, donde sahe a agua, forma no 
fundo muitas cascatas,... e depois de 
ter corrido ^4 de légua, toma o nome 
de Funil ou Sumidouro^ porque a agua 
sóme-se entre um buraco, também nas 
mesmas pedras de cal, e apparece na 

(*) Comiptéla de Çu-mi-ndú-ri, cescondido em altos 
e baixos e fiaêendo estrondo». De pu, «altos e baixos», m\, 
«esconder-se, occultar, sumir-se», ndú^ «estrondo, estré- 
pito», ri, poaposiçfto, sipiificando, neste caso, «com». Em 
Terdade, Sumidouro em português, corresponde mesmo á 
aqnella piúam em tupL 



gruta de Santo António, outra vez, para 
unir-se pouco distante com o rio de 
Yporanga. Para chegar a este rio, e á 
gruta de Santo António, é preciso pas- 
sar-se por um logar onde corre, o rio 
entre rochedos de cal mui altos, empi- 
nados e lisos, que quasi não dão es- 
paço para passagem de uma cabra. . . 
Esta cal preta forma uma collina, que 
se estende para nordeste algumas oito 
léguas ...» 

O nome Lambary, como fonte de agua 
medicinal, é H-a-mbaraá-i, «agua de 
doença»: contrahido em H-a-mbaf^-i. 

(Vide o nome Lambai^). 

Alcatraz6S.~Grupo de ilhotes, ao 
sul da bahia de S. Sebastião. 

Alcatrazes, corrupção de Háquâ-túi, 
«pontas, cuidado!» 

Os indígenas usavam assignalar assim, 
no mar, os legares perigosos. 

A corrupção foi fácil. Ha nesses ilho- 
tes abundância de pássaros rabifurcados, 
conhecidos por alcatraxes. 

Já li Urariiáti como o nome tupi 
desse grupo de ilhotes. Inexacto. 

Allelúia. — Affluente do ribeirão Oua- 
rapó, pela margem direita: no município 
de Tatuhy. 

Allelúia, corrupção de Arê-rúi, «tardo 
e quasi parado». De are, «tardar», rúi, 
«quietude, pacifico, preguiça, etc». 

AUusivo á sua quasi nenhuma cor- 
renteza. 

Almas. — Affluente do rio Parahiba, 
pela margem direita: no municipio de 
Taubaté. 

Affluente do rio Paranapanema, pela 
margem esquerda: no municipio de Pa- 
ranapanema. 

Affluente do rio Corumha-tehy, pela 
margem esquerda: no municipio de S. 
João do Rio Claro. 

Almas, corrupção de Ai-mã, «altos 
e baixos, e impedimentos». De ái, «altos 
e baixos, cousa não lisa», ma, «impedi- 
mentos, obstáculos». Por causa do ac- 
cento agudo no á inicia^ a i^aU^t^ 4 




ANC 



Allusivo a pedras e outras obstrticçèíos 
110 leito (lesses ribeirões. 

A' luargem direita lio rilieirSo Almas. 
aHIucnte áo rio Pnmiinjiaiirmit, na dis- 
tancia de três kilometros. ha urna gruta 
de grande pxtensSo e profundidade, em 
rainilicaçao da serra maritiina ou Cuba- 
tSo. Esta gruta tem Ires coin]iartini«>n- 
tos, em uivei diverso. O mais nltu ó o 
tnaior: 25 melros de comprimento sobre 
12 de largura: o médio, 8 metros lie 
comjirimeniu sobre 5 de altura; o infe- 
rior iiinda nío foi medido, nem o será. 
por causa dos abysmos. Em todos ha 
grande abundância de stalactites e stala- 
gmites. Um observador escreveu o se- 
guinte: <No superior, ha no fundo um 
como altar; no do meio. cuja entrada uSo 
é commodu, ha duas pedras ponieagiidas 
que, tocadas com pedra ou ferro, pro- 
duzem o som de sino: no ultimo, ha 
bonita cascata, formada pelas aguas pre- 
cipitadas de um currego que o atra- 
ressa.» . 

(Vide o nome Caitão Bonito). 

A serra Cubatão e suas ramificações, 
nessa ri'g;9o, conit^in muius e extensas 
grulíis. 

Amparo. — Cidade situada i margem 
estiuerda do Ho Camandocáia. 

(Vide CnnimuioniiaJ. 

O nome primitivo da puvoa^-ilo era o 
do rio Camaiuiociiia; mas, havia outra 
do igual nome na pruviucia de Minas- 
Gorafs. 

Ananan.— Affluonte Jo ríoJundiahy 
mirim pela margoni esquerda: no mu- 
nicjpio de Juudiahy. 

(Vide o uomt' XaiioM). 

AndAo, — Cabeceira do riboirfto Dim- 
Uihú: Du munici|)Íf( dc Casa Uranca. 

Morro, no mesmo muniu)iio. Nasce 
thi aquolla cabeceira. 

Atwiiio. nome da cabecoíri. é corrup- 
Çío de Ati-at,^ *allos o baixos, e ro- 
deiosi. De aií, •rodeio», ot, «altos i 
baixos». O aí torna-sit nasaíisado iwr 
causa do i antenw. 

AUy «ter subra altos e bmus, 

e ^ caracol. 



_ AND 

Anniifí, nome do morro, é corro] 
de (ili-ã. íempinado e nlto>. De ntí, 
vantar-íe, erguer-se>, ã. *emitinar-s( 

Allusivo a formar quasi um pare 
por muito alcantilado. 

Andaiatú.- AlUuente do rio llii 
d'lyiiiiiip, pela margem esqi^erda: 
município de Xiririca. 

Andainlú, corruptela de Â-uã-ny( 
inpinado e muitu encachoeirado». 
tempinar>, Tid, intercalação para I 
a ayè, cinuiu», lú, «golpe, que 
Allusivo a ter Íngreme o leito: 
scer de sallo em salto, de cache 
em cachoeira. 

Andaraquára — Morro: no inai 
jiio de S. Vicente. 

Morro: no munícipio de Nazarelb,. 

Aguente do rio Atiliaia, quando a' 
Aiilxththa, peia margem direita: no me 
muniuipiu de Xazareth. Nasce naqa 
morro. 

Andaraquára, nome dos morro^ 
Ã-iid-ari-rindr-a, «empmado, buracos 
cima». De ã. <empinar>, nd, inlei 
i;Ao para ligar ã a ári, :em cima, sul 

V, (buraco, fejo, jioço», com 
créscimo de a (breve) por acabar 
coQsitante. 

Allusivo a ser alcantilado, e a tefi 

me buraco ou poço. demonstraudo 
tureia vulcânica. 

O cimo do morro Ãfidaratiuárai 
Nazareth, traz o nome especial 
corruptela de Mbo-yi-itá, cootrahidft 
Mb''yi-'ld, «morro Ôco>. De mbo, 
ticula activa, i^i, <ser Aco, coDcavo, i 
uaturalmeiite,'fater seio», iUt, 
morro*. 

Allusivo a ter nu alto concavii} 
correspondendo assim ao outro i 

Aiidnnii/uára, nome do ríbeiri 
.í-Hrf-ar-jT-^iâ-drn, <empinado. ladei 
e muito corrente*. De a, »ei 
Hd, iulercaiação para ligar dai»-, 
d««r>, y. n-lativo, çiíâ. «correr», 
IKirlicula ira. para formar parti 
activo. 

Allusiro a ler o leito íngreme, 
d«ar o morro do mesmo nome 6 scr 
velox no carso. 



ANH 



ANH 



André Lopes. — Morro granítico, 
lilo alto. no municipio de Xiríriríi. 
'André Lopeu, corrupção ile A-nd-y- 
'o-pi. *ert'Cto e pcílado no alto*. 
«empinar, estar em pé. erecto», 
intercittaçilo por causa riu som nasal 
! fí. e para iigal-o a //. relativo, re. 
btercalat;ilu por coineçar em n v rerbo 
ho-jn. íser tosquiador; sendo que /íAo/ii 
composto (Io reciproco nlio e do 
h'bo pi. 
Alhisivo a ser erecto, e ijelindo no 

e dalii a currnpção. 
Este mitrro tem a altitmlc lie SOO 
etros, mais ou menos. 

ingico.— Morro, entre os municipios 
Guaratinguetá e de Cunha. 
'igieo. corruptela de A-ny-iquê. *en- 
enipina(Ja>. De ». -empinar», h;/, 
Isçâo por ser nasal a palavra an- 
ir, fçíít^, liado, costa». 
Allusivo a ser alcantilado. 

Angola.— Affluen te do rio Parahyba, 
da margem direita: no município de 
luareby. 

Aiufóla, corrupção de Y-liaf/nctígeti, «o 
Mirado». De y, relativo, hnqneôgra, in- 
bitivo de hiiqtieóg, ^torcer, dobrar», 
loin o Euffixo «t (breve). Por contraci,'ao, 
''viu'ogca. 

&ll[isiro ás voltas e revoltas que esse 
nb«ir&o dá em seu percurso. 

Anhangabaú.—Affluentc do rio Ta- 
tiidiintfhi/. e este por sua vez aflluente 
rio Tielé; de ambos pela margem 
(uerda: no municipio de S. Paulo, 
Unvessando a cidade em grande parte. 
E' o nome também ailribuido a um 
!Írão aflluente do rio Juiiduibi/: e 
'6 a oeste da cidade desse uonie. 
i, creio que houve equívoco: o nome 
le ê Mangábn-aú. (Vide o nnine 
hrujnbahu) . 
Anhangaboú, ou, segundo outros, 
Anhanga-y (dizem os que seguem a 
t*gra de Maiitius e de outros estran- 
hares que por aqui audaram) signiâca, 
M opinião desses e de outros, trio onde 
Ittbitt o maa eapiritoi 



Mas, é inexacta a explicação. E o 
nome corrupto é mesmo Avlimigaíiiiú. 

Ãiihanpabaú, corruptela de Y-iihâ- 
vg-ába-nú, *quasi nenhuma correnteza». 

De y, relativo, nhn. «correr», vg, in- 
tercalação por ser nasal o som de 7ih(l, 
e para lignl-o a áija, pnrn exprimir o 
modo ou a ac^ão, aú ou Uuh. partícula 
ou posposiçao para exprimir defeito na 
acção ou no modo. 

Alguns chronistas escreveram Anltan- 
gfibahg ; mas ó a mesma corruptela 
A>ihn'iyabiiú, variando somente no modo 
de pronunciar o y fiiial. Em um docu- 
mento do mosteiro de S. Bento foí es- 
cripto, em 1600. Anjmngovnhy. 

Y-nkn-»y-ah'-aú é, portanto, o ver- 
dadeiro nome destes cursos d'agua. \ 
mudança para Auhanyaú proveiu da 
crendice de ser o diabo, aii/uing, trans- 
formado em phanlasma, nú, quein mur- 
murava naqucllas aguas. entSo correndo 
na sohdão entre basta floresta. 

An hangoára.— Aflluente do rio Ri- 
beira de /yiiapr, pela margem direita: 
no municipio de Xirírica. 

Aiihatigoára, corruptela de T-nhõ- 
giiára, tcorredor». De y, relativo, nhã, 
«correr», giiára, para formar participio, 
exprimindo qualidade. O y inicial sòn 
como a fechado. 

Allusivo a ser muito corrente. 

Este rio é auriferu; se bem que não 
tanto que compense a despesa da mi- 
neração, segundo o affirmou o conse- 
lheiro Martim Francisco Ribeiro de 
A\DRADA. em seu Dinrio de tuna ria- 
yrni mineralógica pelti proríneia de S. 
Paulo, no anuo de 1805. 

Elle escreveu Nhanguara; e assim 
certajnente o outíu aos moradores na- 
quella região. 

Também já lí Nhunyára, manifesta 
corruptela. 

Anhanguera. — Aftluente do líio 

Grande, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio do Carmo. 

Ahi é cunbecido um porto antigo com 
este nome. 

Anhanguera, BOítaçVfeW àe T-uW-aq- 
uêra, «encestaào». Xie y,T6\tóOTO/irÍMi«tti 



ANH 1^ 

(enceatar, juntnn, levado ao participio 
pelo aocremnio do verbal uêra. 

AlliiKÍro a correr putre margens altas, 
iiíio fxiruvaflsn<tu Mias aguas. 

Conlunilitlo esle nome com Aiihnn- 
rjuêra. >iliiibo>. deu-se a ('i>rru[itèla su- 
pra; e tamlieui espalhou-t^e a creiii;a 
de ter o diabo passado por alli, 

Anhanguera.— Serra, ramificação da 
serra ■fapi/; no iiiiiiiicipio de Ilú. 

Aiihimyia-i-d. wrrupléla de Nhe-ã- 
ÍqiH:-rú, «encostas enipinadast. De ti/tf, 
reciproco, (i, empinar», i/jué, slado, c<is- 
tãdo>, í'ò, «ffir-se^. O reciproco jí/íp 
exprime aaCl,^ao da cousa sobre si niegma. 

Allusivo a ser muito Rlcuntilada. 

Anhemby.— Nome que se diz tam- 
bém dado peios iudigenas ao rio Ticlt; 
Sf^iiiido alyuus ehronistas. 

Alguns, com frei Frakcisco dos Pra- 
zeres AÍARANllAo, no seu (Jlossiirio ile 
palarrat! iudigenas, dizem que Anhemby 
significa <rio de ena[iibds>. 

Nao me parece verdadeira esta pnipo- 
siçao. E' certo que o nambu ou nhambú, 
ou yuanihú. abunda nas maltas que 
niarfíinam o rio Tietê. Mas, por que 
admiltir que Anhnnby significa «rio de 
enambús»? Que relação tem este nome 
com o dessa linda e apreciável ave? 

Também iihawliy é o nome de uma 
berva rasteira que dá boíóes aniarellos, 
applicados á odontalgia. Esta herva, se- 
melhante na folha ao coentro, queima 
como mastruço: os indígenas, nlêm de a 
empregarem como tempero de cosinha, a 
comiam inteiramente crua. 

Assim, pois, tanto poderia ser «rio de 
enambiís», como «rio da herva n/utmbt/t; 
e, neste caso, os iudigenas teriam as- 
signalado de preferencia o logar em que 
esia herva exislía em abundância. 

Mas, a verdade é outra. Netu o indi- 
geua cogitava da ave ou da herva para 
denoniii 

Anhemby, corruptela do Ai-Ziè-inbi, 
<nAo liso e sabida alta». De ai. <não 
liso, altos e baixos, obstaculosi, he, «sa- 
bida, barra, fóz>, bt, (levantar, afçar>. 
precedido de m, por ser nasal a pro- 
nuncia da hi. 



1 



_ ANH 

AlluRÍvo a tor muitas cachoeiras, gar- 
gantas, corredeiras e outros olmaculos; 
ter, á barra, o sulio Itaimra, ci^a 
qn/'dn vertical é de II m.. fift. 

Anhuma.— Artluente do rio AUbait 
pela margem dircilii: entre os mui 
pios de Campinas e Amparo. 

Aflbienie do rio Puraimjm. 
margem esquerda, logo abaixo da ca- 
■boeira ou salto Capivara. E' conhecido 
pelo nome Uibeir&o das Anhuma», 

ARluente do rio Jacni^-piplra-giiassú, 
pela margem esquerda: entre os muni- 
cípios de Brutas e Araraquura,* aos quaes 
serve de divisa. E' também conhecido 
nome Itibeiíão das Anhumas. Tam- 
bém o nomeiam IUbeirão dos Inglexes 
por algum motivo particular. 

Segundo o sj-stoma de Wabtids e de 
outros. Anhuma sería denominado por 
ter em suas margens abundância deste 
mHcrodaeiytu ttssipede, maior do que o 
peru; o qual alimenta-se de peixes, ca- 
rões e insectos. A peile é clieia de 
ar; e é de fácil domesticação: também 
conhecido por caninUihú, vocábulo ono- 
atopico, por ser o líoin de seu canto. 
O bico é (tónico e curvo como o do pa- 
pagaio: tem uma ponta de três a cinco 
pollegadas na testa, e dous esporões na 
parte interior das azas, aquella e estes 
de substancia córnea. Esta crista córnea 
lem virtudes uiedicinaes; e ba a crença 
de que basta trazel-a, para estar pre- 
servado de estu]iòr o indivíduo que a 
tem em si. Outra crença do indigeua 
é que, emquanto esta ave não cessa de 
beber em um rio, ribeiro ou lago, até 
ao ponto de saciar a s6de, outra ave 
uãu atreve-se a beber no mesmo rio, 
ribeiro ou lago. 

Mas, este ribeirão Anhuma nSo tcm 
relação alguma com essa ave, que aliás 
abundaria em suas margens. 

Anhuma, corruptela de Y-nhã-hunm-a, 
(Correnteza e rodomoinhos*. De y, re- 
lativo, nhã, fcorrer», Am. trevolver-se 
em si mesmoi, m, compleineuto de ku, 
por ser nasal, com o accrescimo de s 
(breve) por aoabar em consoante. 



APA 



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API 



AUasivo a correr sobre montes, des- 
cendo com velocidade e formando rodo- 
moinhos. 

Anhumas.— Corredeira, no rio Pa- 
raiiapanema^ abaixo da cachoeira Capi- 
vara, 

Anhumas^ corruptela de Y-nhà-hú- 
mo, «correnteza e rodomoinhos». (Vide 
Anhuma), 

Anhumas.— Serra, ao norte do mu- 
nicípio de Bragança, próximo ás divisas 
com a provincia de Minas Ueraes, e 
prolongando-se nella. 

Anhumas, corruptela de Ã-Ji-húú-m-a, 
«empinada e pantanosa». De d, «empi- 
nar», 11, complemento do som nasal de 
à, e para ligal-o a húú, «lodo, lama, 
borra, fezes, detritos, etc», m, comple- 
mento de húú, com a (breve) por aca- 
bar em consoante. 

Allusivo a ser alcantilada essa serra, 
porém de formação geológica tão fraca 
que, em sua superfície, nasce e cria-se 
o limo e o lodo, até ao ponto de formar 
pântano. 

Anna da Costa.— Affluente do rio 

Juquiá, pela margem direita: no muni- 
cipio de Iguape. 

Anna da Cosia, corrupção de Nda- 
coita, «não pegado com outro». De nda, 
preposição de negação, rói-la verbal de- 
rivado de côi, «ser pegado com outro, 
ou nascerem dous do mesmo ventre, ou 
da mesma fonte», com o suffixo ia (breve) 
para formar supino. E' pronimciado .ATi- 
côi-ta; e não ha necessidade de í para 
fechar a negação, porque já existe um 
em cdí. 

Allusivo a ter este ribeirão, ás mar- 
gens, varias lagoas, mas não formadas 
por suas aguas, embora communicadas 
nas grandes cheias. 

As mais notáveis são Timboara, Poço- 
fundo, Cambuçá, Cauvi, 

Apara.— Ilha na costa marítima, em 
frente ao bairro do Toque-Toque-Pe- 
queno: no municipio de S. Sebastião. 

Apara não é o nome desta ilha, pois 
que apá-ára, por contracção apá-ra^ 



significa «o que entorta, o torcedor, o 
tortuoso», e portanto seria inapplicavel 
a uma ilha. 

Apá''ra era a palavra designativa do 
canal tortuoso que ahi começa, para a 
entrada meridional da bahia de S. Se- 
bastião; e nada mais. 

Como «signal de rumo»^ esta ilha po- 
deria ser nomeada pelos indigenas, se- 
gundo o systema de denominações com 
sons quasi idênticos para varias cousas 
da mesma região, Apà-á. Nas mattas, 
tinham e ainda têm o costume de que- 
brarem, torcendo, ramos de arvores, como 
rastro deixado para a volta; e isto é 
assim expressado em tupi: tb-apá-á. De 
ib, «arvore», apá, «torcer», á, «quebrar». 
Não se tratando de rastro em terra, 
mas sim de rumo no mar^ os indigenas 
poderiam figuradamente dizer Apà-á, por 
servir de rumo, como ainda hoje; e por 
confusão com a palavra designativa de 
«canal tortuoso», se corromperia em 
Apara. (Vide Toque- Toque). 

Aparado.— Cachoeira no rio Para- 
napanema^ anterior á corredeira Funil, 
e mais três, todas acima da confluência 
do rio Apiahy, 

Aparado, corruptela de Apá-rá-bo, 
«torto e levantado». De apá, «ser torto, 
torcido, entortado», rá, «levantado», com 
a partícula bo (breve), para exprimir o 
modo de estar. 

Com eífeito, a cachoeira é formada 
por um travessão de granito, que se le- 
vanta acima das aguas em direcção dia- 
gonal de uma a outra margem; dando 
apenas escoamento ás aguas, aos borbo- 
tões, por um canal estreito. Quando ha 
enchente do rio, as aguas, transpondo 
esse travessão, mesmo próximo á mar- 
gem esquerda, despenham-se aos saltos 
entre pedras, no declive de um metro 
mais ou menos. 

Apiahy.— Affluente do rio Parana- 
panema, pela margem esquerda: entre 
os municípios de Apiahy, Faxina e Pa- 
rauapanema. 

E' formado pelos ribeirões Apiahij- 
guassú e Apiaht/-mirim. Nasce na Serra 
Geral, d\\\sviú^ à^^ V\\Ví\xVòx\ví^ ^^ ^^- 



API 



12 



APP 



bredito rio Paranapanema e do rio Iti- 
beira de Igiinpe; lendo por cabeceiras 
os córregos Campina. Carrinha, João df 
Oihelra, que formam o Áreas, e este, 
com outros ribeirOes, forma o Roseira. 
Este Roseira, depois de colligir também 
as aguas do Apiahy-iiiiríni, toma mais 
adiante o nome ile Aiiiahy-guax»ú\ e, 
de certo iionto até á fóz. o de Apiah>/. 

Segundo Azevedo Marques, em seus 
Apoiílanietiios históricos, j/eographicog, 
biographieoK, tstatlsiicOH e noticiosos da 
Profinda de S. JMiilo, o nome Ajrí^hy 
significa efio do menino». 

Ajnohy. corruptela de--l/«'-aí-/, «o que 
em todo o seu curso, é torcido e lem altos 
e baixos.» De npi, ítorcer», ní, «altos 
e baixosi, í. posposíçSo de perseve- 
rança. 

Allusivo ás incessantes voltas ou tor- 
ceduras que esse rio faz: e ás [jedras 
e outros piiibarnços que o tornam im- 
praticável, princi[ial!iiente quando baixam 
snas aguas. 

Apiahy-— Villa á margem direita rio 
ribetrSo ralmilal e á esquerda do ri- 
beJrilo Ayua-gravde. 

Tira o nome do morrn onde nascem 
esses ribeirões: Api-ai, ponta derrouada». 
De npi, «ponta, principio e tim da coU!m>, 
ai, «derrocado, desbaratado, desmoro- 
nado». Este ai final parece ter sido eui- 
prcgado para atHrmar como notável o 
aspecto das rochas. 

Com iffeito, esse morro « coberto de 
numerosas e grandes roclias em desor- 
dem, parecendo ao longe um edifício em 
minas. 

Hoje o Api-fd é conhecido por morro 
da Descoberta ou do Ouro; e, assim, a 
vílla é a, que lhe mantém, ainda que 
corruptamenie. o nome. 

Apiaçábã. — Nome do portu du ca- 
minho primitivo de PirtiHiiini para a 
cosia marítima e vice-versa. 

Esto nome é mencionado no titulo de 
sesiiiaria de Ruj- Pinto, de 10 de Fe- 
vereiro de 1531!: t . . . as terras do Porto 
das Aliiiadias, onde despinliarraw quando 
vão para Ptratinim, quan<lo vào desta 
illia lie ti. Viconte, que se chama Apia- 



çábã, que agora noramente chama-ae o 

Porto de Santa Crux ». VÊ-se pela 

oração seguinte que o nome Apiaçábã 
6 dn porto. 

Apiarábn, corruptela de Y-pih-çaba, 
«logar do apartamento do caminho», de y. 
relativo, piâ, «apartar caminho», çába, 
verbal de participio, o mesmo que ábn, 
para exprimir logar, modo, instrumento, 
causa, fim, intuito, etc, fazendo caba, se- 
gundo a lição do padre Luiz FinuEiRA, 
em sua Arte do grainnintica da lingua 
hra.iilica. 

Apotribú.— Affluente do rio Tietf, 
pela margem esquerda: no inunicipio de 

S. Roque. 

E' também escripto Potrilm. 

Em um documento de 1660, li Apo- 
ieroby. Nesl* documento, nSo é referido 
ribeirão ou rio, senão simplesmente «pa- 
ragem cliamada Apoleralii/*. 

Por erro. denominam também esse ri- 
beirilo. acima do sallo, Muiiibaçn, cor- 
rupção de Xhiiiiibáu, ícamiio com man- 
cha de mouless. De níiun tcampo», 
mb, intercalação por ser nasal a pronuncia 
de nhiin, supprimido o », e áú, ■man- 
cha*. Allusivo ao cam])0, que ahi esiste 
e dizem «rincão de pastos», com mon- 
tículos aqui e ulli. 

Seja, porém, como fór, a verdade fi 
que tudo isso é corruptela de 1'ó-tcrõ- 
ibty. contraliido em Pá-lcr^-ihiy, «salto 
torcido e coticavo'. De /kÍ, «aalto». terò, 
«torcido, torto». /íi/'^. «concavo, ôco, seio*. 
O ij/ tem o som gutlural de ti. 

Allusivo ao facto de, ao ladear o morro 
que hoje é tambetii conhecido por estfl 
nome (á alguma distancia do rio Tietê), 
dar este ribeirflo um salto retorcido e 
concavo embaixo; razío por que alii deve 
existir alguma gruta. 

Apparecida (N- S. da). - Povoações- 
freguesias: uma no município df Gaa- 
ratinguelá; outra no município do Uo- 
luculli. 

Ha romarias constantes a essas igrejas, 
Especialmente, a primeira ô conhecida 
em todo u sul du Brazil; c de iodas essas 
regiões vfim annualmeate, ou duraittefi 



13 



ARA 



to, romeiros a cumprir promessas. A 
^a é muito sumptuosa. 

\pparÍção. — Serrote, no raiiiiicipio 
Cacomle. 

dppiri\i}o, currupléia de Ild-pa-ári- 
I»or cmitracçao Hd-p'-tíri-çd, idpr- 
■d» em cima e flammejaiito. De hii, 
irrocar. Heseoncertar, cortar, tronxar», 
n o Buftixo pa (breve) para furmar 
ijao, lirí, tem citiia>. regendo comi> 
posiviio. o vcrlio anterior, çõ, «pro- 
;ir chama, luzir ou brilhar cumo 
[iina>. 

Os indígenas soem dizer içã, o auto 
esque:itar. pelo attrito. páiis sèccos 
a tirar fogo: esqueniain o acceudem 
emente, Essex dous piíua seccus s5l> 
iofig). 

lusivu ao facto de. por effeito de 
tcamfentos no cume. mostrar-se illu- 
io: não sendo, porém, isso senSu o 
ipQiiur dos crislaes de rocha que ahí 
idam. 

ft uni logar ApiíiVKào, no muni- 
de Cunha, onde nasce o rio /'«- 
lliuiia: ignoro, norém, se é igual cor- 
í\h. ou sg acaso efTeili' de ult;iima 
dice. 

pucarana. — Serra que huje per- 
e ã proviíicia <le Vanini, mas (|ue 
ligada á liiãturia d')» (iimijnnuies de 
itininga. 

«{{uado Martics. em seu Gloss. litig. 
til., AyucuKiHa significa «morro eui 
se minera ú inãu>! Si:np]esmcnte 
disparate. Jluito espirito leve o abo- 
ne que disto assim o informou.... 
earana, corni pçâo de Oiióc(i~r't-ne 
iptívo, volcanicu». De opog. «estalar 
Ibeolandoí, mudado o^ em ca (breve) 
Tomiar infinitivo, rtf, «rovoluçao in- 
r>. ve. (breve), posposiçilo pura ex- 
ir certeza. 

Insivo a ter siilo vulcão csae morro. 
o «uincide com a (lescrip^'))u feila 
in^rario publicado na Jlitrista do his- 
; Histórico, Geoijraphici) c Etlitiogra- 
> de IlmAÍl, X, IZH, primeira parte, 

Estu serra cm cima é um taboleiro 
trexeiílos 6 tantos passus de t-oiii- 



prido e qnssi outros tantos de largura: 
tem poura vegetação, e aqui e alli se 
vÊera grandes e isoladas pedras de t-odos 
os tamanhos e formas. 

. , , Que lindo e niagestoso quadro! 
O mais bello céo do universo brilhava 
bre nossas cabeças, e estendidos como 
n mappa a nossos pés, viamos rolar 
caudalosos rios, atravessando as mais 
pittorescas e magnificas florestas do Bra- 
zil:— perto de nós, concavidades soturnas 
e woutauhns atiradas sobre montnnhaíi 
mostravam que alguma erupção rvlra- 
incn tivera logar alli; e, no vielo de 
todo este eháos, a Ajuuaratia levantava 
sua alta e descalvada cabeça, olhando 

tranquillidade as formas phanlas- 
ticus que as convulsões da natureza ti- 
nham accumulado em derredor de si>. 
E é difficil chegar ao seu cume, «de- 
fendido por enrugados e escarpados ro- 
chedos, cobertos de musgo tão macio 
como velludo, e matizado de mil cores 
brilhantes.» 

Assim, pois, Apuj-armia nâo é senão 
o morro vulcânico, cuja erupção produ- 
ziu loila Casa desordem material. 

Araçá. — Ponta, ou cabo pequeno, no 
município de S. Sebastiflo, dominando 
a entrada sul do canal. Ahi os portu- 
guezes construíram um forte, quo nilo 
mais existe. 

.l/(f(YÍ, corruptela de Jr-a-içd «la- 
deado p alto. De «Í-. com o accrescimo 
de ít (breve) por aealiar em consoante, 
"ladear-, ii,v, «estatura, altura, pilares, 
elevação sobre alicerces on terra, alio». 

Allusivo a ser alta e ladeado de mar, 
apenas pegada ao continente por umii 
restinga.. 

Araçariguama— Affluenie do rio 

Tielf, peia margem esquerda: no muni- 
cípio de Araçariguama. 

Segundo Martius, em seu (ilusx. 
liiiij. brtisil.. esse nome significa ^^sitio 
onde se reúnem araçaris para comerem >. 

Arnçnri é uma ave com bico igual 
ao tucano, preto nas costas, aniarello no 
papo, o esverdinhado era tedot vVo ««va.- 
rello. O povo o cww\ictft v»"t Iximim 
Diittdo. 



ARA 



14 



ARA 



Pela GÍgníficaçSo dada por Martidb, 
Araçarl-giiáiim deveria conter outras par- 
IícuIhs uu |>alavras,e nilo apenas o nome 
da ave, e o supinu futuro do verho nú. 
ícomeri. Patentemente, Martius forcou 
a signiticaçiiii, e para isto subentendeu 
a reitnido de laes aves. 

Mas, isso nâo é exacto, Aiaçariíiua- 
ma é corruptela de Ar-ii(,áÍ-ri-ijitãá-mo, 
ecalie e iminediata mente se esparze fa- 
zendo lagoi. De ar, <ciiliiri, «cífi. les- 
palhar-se, espaizir-se, derraiiar-se, es- 
lender-se, nlargar-se*, ri, posposiçAo para 
exprimir a aeySo successiva ou inime- 
diata do verbo anterior guáá, «fazer 
bojo, enseada, lago, com o suRixu mo 
(breve) para formar gerúndio, visto q«e 
o nume. ou palavra inieírn, ficou nasa- 
lisado por effetio do verbo açaí, cuja 
pronuuRÍa é nasal, set;undo a liçSo do 
padre Luiz Figueira em sua Artfí de 
ijraniiiialim lia lin(/ii<t brasilira. 

Ailiisívo a formarem um lago as aguas 
dus cabeceiras e vertentes, immediatji- 
mente que cabem <lo monte; correndo 
depois em um só ribeirão até a fóz. 

Alguns dizem que, por tradi^^So, esse 
lago é artificial; mas, não sendo fácil 
mudar a direcção natural das aguas, o 
nome Ar-açái-ri-giifiá-ma, indica perfei- 
tamente a cullecta das aguas vertentes 
e cabeceiras em um centro que se alarga, 
donde então seguem formando um ri- 
íjeirão. 

U nome corrupto do ribeirilu passou 
á villa Amçarigutiina. Esta puvoacjilo 
fui fundada pelo capitão-mAr Guilherme 
Pompeu de Almeida e continuada por 
seu filho o padie dr. Guilherme Pompeu 
de Almeida, no tím do século XVII e 
principio do século XVIU. 

Araçátúba.— Corredeira no rio TívK: 
Arct','àtAbn, corruptela de llaiã-fuiçá- 
lii-lio, por contraci;iio Ihr'-hat.á-tij-bn, 
< lugar de arrecifes e de impedimento 
atravessado*. De liarú. «atravessar*, ly, 
• ponta, arrecife», bo, (breve), jiara expri- 
mir logar. O // tem som guttural. 

Km uma descrip^ào de viagem em 
Í7ÍI2, ti nome um pouco difierente: — 
'^eotMUpai^ào de que o 



indígena %6 cuidava de nram» produziu 
este e outros nomes corruptos. 

O nome Ilar^-ha^á-ty-bo é allusivo a 
uma niuniltin atravessada, deixando ape- 
nas um canal estreito, erÍ(;ado de pe- 
dras, pelo qual as aguas correm impe- 



Araçatúba. — Morro no municipín de 
Cananéa em frenie ao canal Ararapira. 

Deste morro nasce um pequeno li. 
beiro, qae tem lambem esse nome. 

Outros escrevem Araçaúlxi. 

Araçntúba. corruptela de Ar-áocè-ty-bo, 
• ponta alto-rematada». De ar, trema- 
lado», áocè, tsobrepujar. ser alto», /y, 
<ponta>, com a partícula bo (breve), paia 
exprimir o modo de estar. 

Allusivo a ser um promontório; ouja 
ponta é rematada muito alio. . 

Araçnlúha. nome do ribeiro, é Ar^ 
açái-liú-bae, 'o que fuz bojo e esparzi 
aoB lados». De ar, «ladot. a^di. «espar- 
zir", lúi, ítaner bojo», com u suttixo 
bae (breve) para formar supino. 

Allusivo ao tluxo e refluxo da mar£, 
produzindo na enchente a repreza de 
suas aguas. 

Ao mesmo tempo, o indígena poderia 
ter querido assignalar a região boido 
«abundante de arnçá'. De amçá, frucia 
du família dns myrlaceaa, tib-n, «logar 
natural» wtm referencia a nracá, qne 
antecede e é o genitno do nome. Os 
índígenaB sohíam fazer este jogo linguis- 
tico de nomes com som idêntico, mas 
com signiticJidos diversos, para logiires 
em uma mesma regifio. 

Aracahy.— Affiuente do ribeiriiu-l^ 
íriiiú. jiehi margem esquerda: no mu- 
nicípio de S. Ruquc. 

Aracaliy, corruptela de Ariujtmi-i, lO 
que em todo o seu curso 6 cinturadui. 
De araquál, icintura», í, posposii;fto du 
perseveram;a. 

Allusivo ás muitjis e successivas gui- 
ganlus que este ribeirão tem. 

Aracanguá. — Duas corredeiras no riu 
Tirti': uma é ijitn/inti. a nuiior; outra 
é i/iiritii, a menor. EslSo entre os gran- 
des SAiltuS Ai:aiiliuMUii:a e // 



ARA 



15 



ARA 



Âracanguá, corruptela de Arnquáí- 
angiiá, cestreitadas e cavadas». De ara- 
quái, (Cingir, fazer cintura», anguá «ca- 
vado por dentro». 

Allusivo ao estreitamento do rio nes- 
ses dous logaies furmaniio cava. 

Outros escrevem Aratnnguá. E tam- 
bém Araracangiinba, nas Noticias Pra- 
ticas do capitão J. Ã. Cabral Cahbllo, 
sobre as viagens ás minas de Guyabá, 
DO anno de 1727. 

Araçoiaba. — Grupo de montanhas de 
formação metallurgica, 16,8 ktlometros 
ao occídente da cidade de Sorocaba. 

Em alguns documentos antigos este 
noiíie é escripto flyhiraçoiaba e lUm- 
çogaba. 

Sftgundo o engtnheiro Daniel Pedro 
MSller, o nome Amçoiaba significa 
«coberta do sol»: de açol, «tapar, co- 
brir>, com o verbal áòa, que, sendo de- 
signativa de tempo, logar, instrumento. 
causa e modo, neste caso o é de logar: 
"Sitio coberto». Mas, os indígenas dizem 
açoyâba, sempre que querem nomear a 
cousa que tapa, cobre, ou encobre. Aro- 
coijába significaria «tapar, cobrir ou 
encobrir juntamente». 

Penso, portanto, que ísto não é exacto. 
Além de que, tirar da circuntíitancia da 
sombra, feiía pela serra, a denominação 
para o morro, seria fa^er de um facto 
commum a todas as serras e montes o 
característico desta; accrescendo que a 
sombra desloca-se successivaniente, acom- 
panhando o movimento apparente do sol. 
de manhã ao occidente, de tarde ao 
oriente. 

Já escrevi que o nome verdadeiro desse 
morro de ferro era Ám-d-ába, signifi- 
cando «cabellos do sol»: os indígenas 
denominavam o sol ára-ei, «mAe do dia», 
de ára, «dia», ci, «niSe». 

Sem duvida, brilhando aos raios do 
sol aquellas montanhas do ferro e do 
outros mineraes, Ara-ci-áha correspon- 1 
deria perfeitamente á denominação. Por ' 
egual, ou pelo mesmo motivo, os indi- 1 
geaas denominam Gu-ára-d-ába o beija- 
tlu7. I 



Mas, também não é verdadeira esta 
versão. O nome verdadeiro é Bi-ro- 
açú-eii-áb(i, como está escripto nos do- 
cumentos antigos. Por contracção, Bi-?'- 
açú-eil-ába. De bi, «pegar-se», ro. par- 
ticulii copulativa exprimindo simultanei- 
dade, açú, «altos e baixos», eil, «muitos», 
ába, verbal designativo, neste caso, de 
logar ou região. 

É, portanto, Bi-r'-acú-cil-ába, «região 
de muitos altos e baixos, pegando-se 
uns aos outros». 

AUusivo á formação oreographica da- 
quella região inteira. O nome nào re- 
fere-se, portanto, somente a um morro, 
mas á região e ao grupo das montanhas. 

Recentemente, Ji em uma noticia de 
almanacb que o nome Araçoiaba (o no- 
ticiarista escreveu-.íí™r«'n''í'^ derivou-se 
de Acarncoeyinubnê .' E isso parece ter 
sido escripto com seriedade... 

Aranhas (das).— Salto notável no 
rio Paranapaneina, acima da villa de S. 
Sebastião do Tijuco-Preto: entre os mu- 
nicípios deste nome e o de Santa Bar- 
bara do Rio Pardo. 

Aratikas, corruptela de Ar-ã-Ha, «que- 
da a pique e corredeira». De ar, «ca- 
hírs, ã, «em pé, a pique», fia, «carreira, 
corredeira, correnteza». 

Allusivo á corredeira e ao grande 
salto, tendo passado as aguas por um 
estreito canal, de cinco metros de lar- 
gura mais ou menos, formado por altas 
massas de rochas sobrepostas e cabindo 
de uma altura de três a quatro metros, 
cum enorme rumor que se prolonga e 
se ouve a grandes distancias. 

Desde a parte superior, alguns querem 
que haja três principaes quedas, além 
de outras menores, intervalladas por ba- 
cias em que as aguas formam remanso. 
A de cima, porém, é antes uma c^lchoeira 
entre ilhotes e extensos rochedos do que 
propriamente um salto. A segunda é 
iTiais uma corredeira entre altos roche- 
dos, prccipilando-se ahi as aguas com 
grande fragor. A ultima já está des- 
cripta. 

Araquá. — Serra á margem direita do 
rio Tiefc; feQVve (>% ■tti.M.\C\'i\"^\ti% íi*í. ^- 



ARA 



IG 



ARA 



Jo3o lio Rio Claro, Brotas, Dons Coi- 
rogos e Jabú. 

py também coDheciUa por Aracoáia; 
e nssjm está escr]{ito em documentos 
antigos. 

Nos últimos tempos, ccrrompemin-lhe 
o nome em AriD-aqvdra. 

Araf/uá ou Araroiim, significanilo «bu- j 
raco do mundo», de árn, iniunilii>, tiiiá' 
ou ijiiàra, tltiimcoí, exprimiria bem o 
pensamento do indígena, ao vr essa 
serra freijiientemenlp envolia em exliata- 
çfies, e afiRuriindo-se-lhe (jue em cima 
da montanha liaveria algum grandi> bu- 
raco, pur onde sabiam essas nuvens 
ou vapores. Araquin, denominam assim 
essas exlula^ões os ■ indígenas do rio 
Amazonas: ár», <mundo>, <i»i(i, fsuji- 
dndc>; «sujidade do mundo». 

Em um documento de 1788, o nome 
Aincodrn está escnpto como signíticando 
«morada do dia», ára, «dia», coara, tbu- 
raco, morada>. Entenderiam os indige- 
nas, navegando o rio Tiett, a ser exacta 
esta víTsío, (pie. nascendo o sol por de- 
Iraz da cunliilLeira, alli morava o dia. 

Mas. tudo isso é iniaginiUivo; nem tem 
ranfto de ser. O verdndeiíu nome é 
Araquái, <al er;a. tornead i, poni cinturas». 

Allnsivo aos picos e snas formas, e 
ás abertas entre esses picos. A serra e 
seus morros otferecem realmente esse 
aspecto; e, ijuando u sol ílliimina os 
serros, mostra nestes, mesmo de longe, 
os picos torneados e com cinturas. 

Araquan. — Affluonte do rio Tietê. 
jiela niiirgom esquerda: ontre os nnini- 
cipii)s lie S. Sliinofl do Paraíso e de 
Boíucalil. 

Segundo Martius, em sou fUoHs, iiuff. 
UrnsiL, signilica <ilba das araras^! Foi 
meimo umn arara que elle engulin, e 
de mÒT tamanlio. 

No mesmo sjsterna. poderia ser «Ho 
de ariicuan>. Aruiimn è unia «ve cn- 
iihecida na sciencia por OrUititfa caitni' 
coli.i. Anda pelo cbilo aos bandos, e an- 
nitilm-si' ""1 arvores nlfiis. Do seu canto, 
— i- ' ' n^« nome. 



Arni/iiait, corruptela de Yrii _ 
|)or conlraci;ao Yr'-yiqu'-õ, «búj 
de ambos os lados*. De yrô, 
nlieirot, iquê, «lado>, precedido \ 
reUtivo, ã, <em pé, levantado, a piqi 

Também o nomeiam Ãraquá, a 
té!a de Aratitiál, «cingido»: o q 
prime a mesma iiJéa de ambas a 
gens alias ou barranais de un 
outro lado. 

Com effeito, este ribeirão tcDt 
suas duas margens. 

Ararapira.— Morro notável, ao 

do ciinal que separa do contii 
ilba denominada corruptamente (X 
e serve de limite meridional ás 
cias de S. Paulo e Paraná. 

K' também o nome de um 
que nasce na serra f avoca e 
no canal por onde se escoam a 
do mar Triip<niiU; nome este 
corrupto. U ribeirSo Amrupira. M 
ao fluxo e riHuxo do mar, tem bane 
arôa na barra. Este ribeirSo ficou 
cominunicação com o rio Varadoui 
provincin do Paraná, em firtude da 
tura <le um canol. á custa dus duas 
viucias, depois de ISTO. 

Segundo frei Francisco r>os Pi 
RES MarakuXo, em seu Closnar 
IHilitirn» iuiliyemiK, nome Arar^ 
significa isilio de peixe-ararar ! 

N&o vale a pena deter a stl< 
sobre tal sÍgnificai;ão; porquanto, \ 
um peixe com o nome piíà-arára 
ler as cores desta ave. é certo í 
CoIlocsçSo das duas palavras indica 
a di(feren<,'a e iiito deixa confundir a 
pira com pirá-arára: tanto mais 
piía do primeiro nome tem o « b 
e portanto nilo podia significar *}i< 
como no segundo. 

Amrnpirn é corru|it«la de Y-n 
pirn. CO il ti |it,i mente assignaladu'. ! 
nlalivii, lá, 'sigiial. assignalur>, i 
lido para duplicar o eITeito do si 
levado ao participio passivo pelo a( 
cimo da paiticula pira (breve). O j 
ciai tem a pronuncia guilural de > 
cliadu, cutuo os (■lamninlioos n cuh. 



ARA 



Allusivo a ser esse morro, e talvez 
também o ribeirão, o limite entre os 
tupis e 08 carijós nessa região, se(;undo 
narram todas as chroDicas do priocipio 
do século XVI. 

Araraquara.— Cidade situada em um 
planalto junto aos morros deste nome, 
oode ha as denominadas fumas. 

E' certo que nestes morros, bem como 
na serra JaboHcahal, aninham-se araras 
aos bandos; mas o nome Araraquara 
nada tem com essas aves. 

\asce nestes morros, e corre por entre 
altos e baixos, um pequeno ribeirão, que 
é nomeado Araraquara. 

Serra, no município de Batataes. Tam- 
bém nasce e ladeia os morros desta serra 
um ribeirão Araraquara, affluente do rio' 
Sapucahy, pela margem esquerda, no 
município de Santo António da Alegiia. 

Com o mesmo nome Araraquara ha 
um affluente do rio Jaguari/-nnrim. pela 
margem direita: no município de Santa 
Izabel. 

O nome dos ribeirões, Araraquara, é 
corruptela de Ar-á-ar-á-quãr-a, *succes- 
sivas quedas e voltas, com poços». De 
ar, ic&hir», á, «torcer», repetidos, um i 
e outro, para exprimir a successSo dos ' 
mesmos factos, quãr, *poço, fojo, bu- 
raco», com o accrescimo de a (breve), 
por acabar em consoante. 

Allusivo a saltos e voltas; com poços 
no leito. 

O Dome das serras, Araraqjiára, ê 
corruptela de Ará-rá-quâr-a, *altos e 
baixos», repetido sem o a inicial, con- 
forme a liçSo do padre A. R. de Mon- 
TOYA, em sua Arte de la leiígua guara- 
ni, para exprimir a successão do mesmo 
facto no logar nomeado, quâr-a, cbu- 
raco». 

Allusivo á formação dessa cordilheira,, 
cujos morros sSo desíguaes, no espaço 
de muitas léguas; com buracos e ca- 
vernas. 

O nome Araraquara, por confusão, i 
tem também sido dado em mappas á 
serra Araquái, cuja significação c di- 
versa, j 

(Vide o nome Araquá). \ 



Araras.— Cidade. 

(Vide o nome Patrocínio das Araras). 

Araras. — Serra, no município de Bra- 
gança, atravessando as divisas com a 
província de Minas Geraes. 

Serra, nos municípios de Mogy-mírím, 
Liuieira, S. João do Rio Claro e Araras. 

Ao sui da primeira das serras supra- 
mencionadas, e ao norte da segunda, ha 
dous ribeirfies com o nome Araras. O 
primeiro desagua no rio Jaguar}/, pela 
margem direita. O segundo, no rio .\fo- 
gy-guassú, pela margem esquerda: e á 
sua margem está a villa de Araras. 

Araras, nome da serra, é corruptela 
de fí-a-rá-ári, contrahido em H-a-rá-'ri, 
(desigual em cinia>. De k, relativo, se- 
guido de a (breve), segundo a regra de 
duas consoantes, sendo certo que o k ê 
o relativo dos nomes que começam por 
r como rá, «desigual, encrespado, le- 
vantado», ari, i&obre, em cima». O i 
final é breve. 

Allusivo a ter no cimo, cada uma 
dessas duas serras, altos e baixos. 

Affluente do rio Paranapaneuia, pela 
margem esquerda; no município de Tí- 
'juco-Preto. Ha, mais abaixo da barra 
deste ribeirão, o denominado «Paredão 
das ararasi. 

Mas, segundo o systema dos indíge- 
nas— de darem denominações idênticas 
ou quasi idênticas no som a logares ou 
cousas dilíerentes na mesma região, po- 
rém cora significações diversas. Araras, 
nome de rio ou de ribeirão, é corrup- 
tela de Araá-rò, «que se põe doentio». 
De araá, «moléstia de febres», rò, par- 
tícula significando «tornar-se, jiôr-se», 
exprimindo qualidade ou condiçíio. 

Allusivo a se tornarem malcítosas no 
tempo das aguas. 

AraraÚ.— Affluente do Hio /Vf/o, pela 
margem esquerda: no município de Ita- 
iihaen. 

Morro, no mesmo município. 

São na mesma região; mas, cora- 
quanto soem identicamente, signifieam 
diversamente. 



ARA 



IS 



ARA 



Araraú. nome do riheiíJio, é Araá- 
arad-mi, lior controcçSo ^»a'-'m-'w, 
ininitiseimo lioenlio». Arad, «doença, 
enfermidade», repptiilo para exprimir 
successilo du facio, e accrescentado com 
fiú pura eK|iriiiiÍr qiie é defeito natural. 

Allusivo a ser iiiiiito sezonntico, em 
lodos Oii (eiiipos. Ouiii effeíto, as suas 
afilas sSo pretas, provenientes tios pan- 
tannes; e coliertas de npíídjif^s. A po- 
dridão nat}uella região é tão grande que, 
no verão, é preciso viajar de noite, por 
eaiisa dws mutucas pretas em enorme 
quantidade, que a^suUa[n os vianilaiites 
(iiiranie o dra. 

Ariiriiú, nome do morro, é Ar-ai-tn}. 
csiijo de lodus os laiius>. De m; <ia- 
ileyr, lado*, repetido para exprimir mais 
de um tado. aú, <i[inn;:]ia, siijidude>. 

Allusivo a ser cireumiiado duquelle 
ribfirSo acima descripto e de panlanaes. 

Neste morro, ha uma alilõa de indi- 
goiíiis mansos, qne vivem miseravelmente. 

Araruna.— Aflluente do ribeirão Ara- 
ras, peia margem esquerda; no iiiuiiici- 
pio de Araras. 

Nada tem o nome deste ribeiro com 
o zygodactilo, conhecido por ararúnn ou 
aniúiia, tie que ha duas espécies : a 
azul-claro, e a azul-ferrete. 

Araruua. nome deste curso d'a^'ua, é 
corruptela de Arná-kúú-na, <(Iueulio e 
tTirvo>. De arad. «moléstia de fuLires», 
húú, ifezes, borra>, na (breve), parli- 
culu limil. 

Ailu^iivo a ter a atítia turva, e esta 
produxir moléstia de fi'bres. 

Este ribcirilu tem no leito [ledras de 
ferro. 

Arary.— K' o nome i!e ribeirões ou 
cónegos [leniianenteiucnte maleitosos. 

Ararij, ctirniptúla de Araá-ri, iper- 
scverantemente doentio». De araá «mo- 
léstia de febre», ri. o mesmo que i, pos- 
posiçilo de perseverança. 

Ararytaguaba.— E' o nome antigo 
da povoLiçfio. Iioja cidade de l'otto-l''e- 
li/.. Km venlade, pouco critério mostrou, 

r 13 de Oatnbro de 1707. Quem tirou 



ao logar o lindo nome Amrílagnaba, 
para substiluil-o pelo de I'orto-FclÍi; 
sem embargo de ter sido nos velhos 
tempos, pura os exploradores e netro- 
ciantes, o inicio e o termo de grandei 
riscos e fadigas, uas viagens de ida ti 
volta, com destino aos sertOes de MaiU»- 
Grosso e de Goyaz. 

Segundo Martids. em seu Oloits. Ittig. 
l/raòil., o nome Ararilagitaba Kignific» 
• sitio onde as araras pousam sobre pe- 
dras para comerem 

E' exacta a explicação: Arára-ii4' 
ijiiãba. De arara, ave uojo nome é este, 
Hd. «pedra, penCdo», giiãl/a. verbal de- 
rivado de íiii. «comer", por acabar este 
verbo em ú puro, conforme a regra en- 
sinada pelo padre Luiz Figueiiia em 
sua Arte de grammnlica da Unijua hra- 
itilicfí: exprimindo giiàbn o logar en 
que se come. Por contracçflo, Arat^- 
iiá-guába. 

Com elTeito, as araras, para alimen- 
tarem-so de sal, pousavam na grande 
penedia á margem do rio Tíelf; pene- 
dia essa que exsuda abundante liqnido 
salitroso. produzmdo crista lisações. E' 
mesmo junto á cidade. 

Todavia, em um documento de 1727, 
ii o nome Arilagnába, corruptela de .In- 
itú-gná-hOt «pedra torcida em cima». 
Por contracçiSo. Ar'-iiá-gtui-bfi. De ári, 
«em cima, sobre, no alto», ilá, «pedra, 
penõdo», giiáho, verbal derivado de i 
«torcer, entortar», precedido de gu. reci- 
proco, e seguido da posposiçao lo (breve), 
para exprimir o modo de estar. Mas, a 
trndiç&o tem conservado .írdj *"_ 
certamente por melhor eupliuiiis, e alí 
porque corresponde ao facto, attribuido 
ás arar.is, de irem alli alímentar-se ds 
crisUi lisações salin. 

Convém deixar notado que a natureia 
da pedra que forma a jienedia é 
rello-c/aro; e os indigcniis dizem Inguá 
(i)n lie Amíizonas dizem landi o qi 

Arataca. — Morro ou serrote, no mu- 1 
nicipio de Yporunga. ) 

Arataca, eorrupi;5o de lo-ra-ínçwí, i 
«Dontag desB-tadafii, De t^. 



ARE 



10 



ARE 



soser», precedido do reciproco j/o, 
I effeito. assim unido 3 verbo activo, 
ODrorme a lição do pndre Lniz Fi- 
A. em sua Arle de graminatica da 
1 brasilicfí. exiirimir plural, e com- 
licav^o de uns para com ouiros: tá- 
j o mesnto que iuiriuà, jpimtiu. 
.Ilii^iro ao derrocamento communica- 
dos cabeços do morro ou serrote; 
serem rochas eruptivas. 
. corrupção foi fácil; purqae, entro 
indigena!^, é denominado aniluca a 
Biltlha pnra apanhar pássaros; e esse 
[p. tão usado, foi causa da corrupçilo 
nome do morro ou serrote. 



,iC08.— Kibeirilo pequeno, que nasce 
irra Yporangn, e depoiíi Junia as suas 
.s ás do ribeirão Roseira, pela mar- 

, esquerda: no niunieipio de Apiuliy. 

AiTOs. corrupção de Aiqúe, ttnrcido, 
leíiradu. arqueado*. De á, ctorcei*. 
|)ic. ciado*. 
Allusivo a formar quiisi ura arco. 

Areado. — Aflluente do rihcirilu Pi- 
pi, que por sua vez é at^liicnie do 
■/tíii>/iá, pela margem direita : no 
licipio de Iguape. 

reado, corrupção de Ãrná-bo, «ma- 
i80>. De araâ, cmolestia de febre», 
(breve), partícula para exprimir modu 
eer, qualidade, coudiçiío, logar. 
Jom effeito, esie ribeirão desce da 
ratiia das Fonialfuis, e atravessa tei- 
Ds niineraes, formando poços, onde 
aguas escuras, e algumas vezes ver- 
spparecem cobertas de espumas, 
barra do ribeirão Areado, está o 
) deDoniinado da Piranga. 
ribeirão terá três metros de lar- 
e um de fundo. 
Toda essa região é aurífera; atém de 
mineraes. O quartzo tem veias 
IS de manganez; e nus crystaes é 
itrada uma pasta de argila, cal, ferro 
manganez. a carvão. Hu também py- 
parle do qual já reduzido a 
ido de ferro. 

vestigios de lavras antigas, 

■Cidade, á margem esqnerdíi 
VermelMn, á margem di- 




reita de outro que não é senão um braço 
rtaquelle, e conhecido por Juào Paulo. 

(Vide estes dous nomes: Vermelho c 
João Paulo). 

Areias, corruptela de HnlP-, 'atalho». 

Allusivo a ser por ahl mais curto n 
caminho geral, líapí-, corrompido eui 
Sapé. lioje, Jalahij. 

(Vide ú nome Sapé). 

Areias (das). — Aflluente do Hio 

Pardo, pt-lii margem ilircilii ; nos muni- 
cípios de Caconde e de Mocóca. 

Até certo ponto corre parallelo com a 
serra Manliqueirn. 

Ireias, corruptela de Ar-eií «muitas 
roltas». De ar, «ladear*, eií, imuitos». 

Allusivo a ser muito sinuoso, ladeando 
suucessivamente os montes. 

Areias. — Um dos ribeirSes que s5o 
cabeceiras do rio Apiahy-ganssú. 

Areias 6 o mesmo Roseira, com o 
nome assim mutilado e ainda mais cui- 
ronipido do que Rosfirn. 

(Vide Roseira). 

Areias do Gato. -Morro no muui- 
cipin de yporanga. 

ireias do Valo, corrupção de Ar-hn/i- 
i/ii-yí-tn, irasgado, ao lado, e ôco>. De 
nr, *lado», heyi, «rasgar», gu, reciproco, 
l/i. teaverna. ôco>. com o sufHxo fa (breve) 
para formar supino. O som gultural de 
//, em uuia e em outra palavra, é o de 
a fechado. E bem diflicil é a pronuncia 
deste nome:— dahi essa corruptela dis- 
paratada, de sorte que não ha sentido 
algum em Areias do Qalo. 

Allusivo a ser cavernoso e ôco este 
morro. 

Neste morro ha uma gruta notável 
por sua extensão: — mais de 13 kilo- 
metros. E um ribeirão a percorre, for- 
mando boqueirão de mais de 50 melros. 
\ ti kilometros, mais ou menos, da en- 
trada da gruta, no interior desta, ha 
duas massas de staliigmites representando 
um ihrono e um púlpito. 

Areranha.— Aflluente do Rio Verde, 
pela margem direití,-. wi M\wv;\t\vw v\t 
S. Joio BapUãla tid &\o NatAft. 



ARI 2 

ArertiJiJta, e(irru])tíia de Ar-ar-ã-iia, 
«successivas quedas a pique e corredei- 
ras», De ar. 'caliir», repetido para ex- 
primir a siiMessfio (lu fucio, à, *eni jié, 
a piquo, fía. «curreira, correJeira, cor- 
rei) leia». 

K' um ribeirão pequeno. 

Nada tem com u ariranha ou hiUra 
irasiheiísis. 

Aricandúba.— Allluente rfo rio TieU', 
pela margeiti esquerda: no municipio de 
S. Paulo. 

Aricariiíúba, segaiido M\RTirs, eiu 
seu Oíosjí, Ung. iras., sii^nifica «canna- 
vial das araras>. Fui mais uma arara 
que elle eiigiilíu. 

Caiinaviall E' sabido que a palavra 
mndijbn.. em tupi. foi formada após o 
esCabeleciíiieiito dos portugueses, depois 
que elles introduziram a cantia de assu- 
car na capitania de S. Vicente e sue- 
cessivamente nas outras. E essa palavra 
exprimia, nao só ca-nd-ib-a, tarvore da 
ciinna>, mas também e prineipaluiente 
candú-ih-a, contraliida em caml-ib-a, 
«arvore torta», alltisivo a entorlar-se a 
canna de assucar quando muita crescida. 
O indígena também denoniínava-a [lor 
sua forma exterior, laquár-êt, «laquara 
doco : v<:, idoce, saboroso, gostoso». 
Tambeiu com mais propriedade a deno- 
minaram IncZmarí, pronuncia de lá-cec- 
mb-ára-é, conlraliida em ia-r're-»ib-ár'-ô, 
«espiga niuitissimo saborosa > : de tú, 
íespiga>, fíê, «saboroso, doce, gostoso», 
mb, iaiercalai;íIo nasal, (í/'i, particuía 
de participio activo para exjirimir quali- 
dade da pessoa ou da cousa, é, para 
exprimir distiiicção com superlativo : allu- 
sivo a nasoor como espuia, e ser dulcis- 
sinio. O nome taqnár-Tè é impróprio, 
porque tu-iiitár-a é «espiga furada»: e 
a caiinn de assncar uão é õca. 

Seja como fõr. nílo sendo lupi a pa- 
lavra caiiita. Martius fez o i|ue fnzem 
em geral os estranjíeiros. Nem aii tem 
relação alguma com arara. 

A canna de assucar é uma graminea 
oriunda do Indostão, na Ásia. Foi iutro- 
duHida na Fersia antes do século V; e 

lii M aralw» a leTaram para a Syria, 



) ARI ^ 

no século VII. Da Phonicia, no século 
XI, os Cruzados a levaram para a Sí- 
cilia, na Europa. No século XIV, todos 
os pa:/.e8 africanos do Mediterrâneo a 
cultivavam; além da Sicília, e de alguns 
logares meridiunues da Hespanlia. Da 
Sicília, segundo .loXo de Barros, foram 
mudas para a ilha da Madeira, no século 

XV. E dalii para o lirazil, no século 

XVI. Aricnndúba, portanto, nada tem 
com essa graminea. 

E' certo que 1'iGAFETTA, que em 
1519 navegava na esquadra de Fernando 
de Magalhães, releriudo-se d estada no 
porto de .Sutiía-LuJíia (nome dado por 
Magalhães por ter ahi entrado em 13 
de Dezembro), depois Rio de Janeiro, 
menciona presente de taquaras dulclssi- 

as, feito pelos indígenas! Não seria 
raima crioula f 

ArirÍáia,^Serra entre o Mar /V- 

leito e o rio JacKpiranga: nos DiuaJ- 
cipjos de Iguape e de Cananéa. 

Aiaridia é o bra(;o de mar entra a 
ilha Otnanea e o continente. 

E' também o nome de dous ribeirões: 
Arirâia-7ifú e Arariaia-viirim : for- 
mando uma unicâ barra no Mar-Pe- 
quenu. 

E' também o nome de uma lagoa. 

(Vide o nome Itinga). 

Mas, antes de verificar a origem deste 
nome, convém trashular para aqui o que 
o conselheiro MAitTi.M Francisco Ri- 
beiro DE Akdrada, em seu Diário de 
nma viagem mineralógica péla província 
de iS'. Paulo no nnno de. 180Õ, escreveu: 

«Saliindo para fora do pontal feito 
jielo morro e ilha (Cananéa), que decorre 
desde Iguape até aqui, vae dar-se i 
bahia de Trepandé, que nSo é outra 
cousa mais que o ponto de reunião das 
aguas deste braço de mar com o de 
Arariaya ou mar que fica por detraz 
da ilha... Sahi ria barra, entrei na 
bahia, do onde me dirigi ao mar de 
Arariai/a para ir examinar, de sul a 
norte, os rios que desaguam em dito 
mar ... O riu de Arariai/n.^i.iú é abun* 
danle de madeiras de construcçâo: entrei 
lor este rio dentro cum o ' ' ' * 



;çao: entrei ' 
desigaio 4hm 



ARI 



21 



ARR 



ir (lar em umas lavras de ouro. bem 
que pobres, que aqui antigamente houve, 
só a fim de ver os crystaos de rocha 
que nellas se encontram, mas não foi 
possível o guia dar com ellas.» 

Para verificação do nome desses lo- 
garos, a transcripçâo supra adianta muito 
pouco. 

Segundo frei Francisco dos Pra- 
zeres Maranhão, no GlossaHo de pa- 
lavras indigenaSf o nome Aririáia signi- 
fica «palmeira saudável ou saborosa». 
Erro. 

Aríriáia, corruptela de Árí ári-ái-a, 
pronunciado ás vezes, contrahido em 
Ãr^-aH-ài-a, «sobrepostas umas ás outras, 
e erectiis». De án, «sobre», repetido, 
para exprimir a successâo do mesmo 
facto, dí, «erectas, tesas», com o ac- 
crescimo de a (breve) para formar in- 
finitivo. 

Aliusivo a formar a serra varias ca- 
madas, superpostas umas ás outras; e 
de tal modo alcantiladas as encostas 
que parecem paredões. 

Arariáia, nome do braço de mar, é 
corruptela de Ar-ar-í-ál-a, «duas mar- 
gens, e altos e baixos». De d/*, «la- 
dear», repetido para exprimir mais de 
um, i, o mesmo que ri, para exprimir 
mutuo, isto é, as duas margens, dí, «não 
liso, altos e baixos», com a (breve) j)ara 
formar infinitivo. 

Aliusivo a ser estreito e com margens 
como ura rio; e a ter muitos cômoros 
de areia. 

Como já temos notado e observado. 
os indigenas soíam dar a logares vários, 
na mesma região, nomes com som idên- 
tico ou quasi idêntico, mas com signifi- 
cados diversos. 

Assim, o nome Arariáia^ que tem a 
lagoa, é Araá-ri-áyè, «muito e succes- 
sivamente doentia». De arad, «^doença», 
ri, «successivamente»,a//í?, «muito». Aliu- 
sivo a produzir febres. Araridia, nome 
dos dous ribeirões, é a mesma corruptela, 
por causa da mesma qualidade da agua, 
denegrida por oxido de ferro, sendo que, 
por syncope, alguns pronunciam Aríraía- 
uçúy relativamente a um desses ribei- 
rões. 



Ariró.— Serra entre as províncias de 
S. Paulo e do Rio de Janeiro; ou, antes, 
nas divisas das duas. E' também co- 
nhecida por Carioca. 

Ariró, corruptela do Ari-rõ, «em cima, 
revolto». De ari, «em cima, sobre, no 
alto», rõ, «revolver, revolto interior- 
mente». 

O nome Carioca exprime o mesmo 
facto. De cá, «quebrar», ri, intercala- 
ção para exprimir simultaneidade, oca, 
sui)ino de óg, «sacar, arrancar» : «sacado, 
e ao mesmo tempo quebrado». 

Aliusivo ao derrocamento geral que 
alguma sublevação interior operou nessa 
serra. 

Arpoar.— "Ponta no município de S. 
Sebastião, ao norte, em frente á ponta 
septentrional da ilha. 

Arpoar, corrupção de Yyapiid, «re- 
dondo». 

E', com eflFeito, redonda essa ponta; 
e antigamente ahi existia um fortim. 

Arreia.— Affluente do rio Itibcira de 
lijtiape, pela margem direita: no muni- 
cípio de Xiririca. 

Pelo systema de Martius, o nome 
Arreia poderia ser corru[)çào de Arerd, 
significando «rio de arerá». O arerá é 
o ariranha; e com aquelle nome está 
mencionado este quadrúpede no Roteiro 
(hral por Gabriel Soares de Souza, 
caj). 101. E' uma espécie de lontra; 
mas não deve ser confundida com o 
yandtiy denominada Lutra hrasilieitsis. 
A cabeça é chata e larga, as orelhas 
pequenas, o corpo longq, as mãos com 
cinco dedos compridos e ligados por uma 
membrana, unhas curvas e agudas. Pello 
pardo cinzento escuro. São mergulha- 
dores. Fazem seus ninhos em buracos, 
á ribanceira dos rios. Alimentam -se de 
peixes e camarões. 

Mas, esse pequeno córrego nada tem 
com o arerá ou ariranha, 

Arrclá é corrupção de Arí-rá, «cahc 
e se desata». De árr, «cahir e no mesmo 
acto nascer», rd, «desatar, descoser». 

Aliusivo ao facto de, ao cahir da serra, 
♦^sparzir suas aguas, formando uma pe- 
'juena lagoa. 



ARU 



ASS 



Arrependido.— Serrn. enlre os mu- 

Tiicijnos lie Casa Branca e (ie Santa Cniz 
(ias Palmeiras. 

AHhieiile ilo ribeirão Tnmbnhú. pela 
marufiu JireiW: no município de Cusa 
lírancH. 

Nasce naqnella serra, 

Ari-ependido, nome da serra, é cor- 
rupção lie Ár-e-pr.ndi, ^encostas carno- 
iiudas e õcas>. De ar. «lado», e, «con- 
cavo, Oco», pcvdi. o mesmo que pclí. tor- 
nado nasal por causa do è, que o ante- 
cede, «carcomido». 

Allusivo a cavernas e grutas nas suas 



Anrpnidiíh. nome do córrego, é cor- 
rupção de Aré-pc-ndi, •muitas dobra- 
diiras e lenloe. De aré, «tardar, vagar, 
lento», pv, (tdobrar, torcer», fidi, «mui- 
tos». 

AlUisÍTo a ser excessivamente sinuoso; 
e dabi a sua pouca correnteza. 

Arujá. — KibeirSo aHIucnte do ribeirSo 
ttucuruiú, peln margem direita: no mu- 
nicipio de Mogy-das-fVuzes. Também 
este córrego é conlieciílo pelo nonm de 
liarunirã-ntiriíii. 

Segundo frei Francisco dos Pra- 
ZBRBS Maranhão, no seu (llossnno df- 
paUtvias iudií/rnas, o noirie Amjd si- 
gnifica «morada de sapos>! 

Mas. náo lia nessa palavra referencia 
alguma a supôs. 

Attijá, corruptela de Arú-i/áú, «la- 
macento, limoso.i De arú, «ter alguma 
cousii em si>. exprimindo a qualidade 
do objecto, yáíi, ílimo. iiima, sarro, fo- 
lhagem secM e detritos vegetaes-. 

Allusivo a ser muito sujo de limo, 
lama e detritos vpgetaes esse córrego. 
A povoaçSo, conhecida pelo nome de 
Ariijn, tirou-u do ribeirão a cuja margi 
direita está. 

Também provir de Aroyíi, <pegal-o 
pegando-se com elle», o nome Anijá: è 
o verbo .i//«, «pegar», com a interca- 
lação de ro para significar acçilo com- 
nium de dois ou mais. Allusivo a reu- 
nirem-se, mesmo na povoação, duas ca- 
beceiras que formam o liacururú-miríin. 
O ribeirilo por suas duas cabeceiras 
naacu na região entre as duas Berras 



Gin Ifi rcira e Itipi-lij, que n 1 1 i 
gam. 

Assacoéra.— Nasce na serra Mon- 
yiiáyiiã, e desagua no rio S, Vicente, 
pela margem direita: no mnníeipio dt \ 
S, Vicente. 

Segundo frei Francisco dos 
ZERES MaranuXo, Cm seu (ilonaari^ 
pnUirmn mdiyenas, o nome 
siguitica • volta do riu». 

Mas, ainda é ura erro, Assacoéri 
corrupção de Je-aplá-cucra, icortsdi 
De aciâ, «cortar^, precedido do reciproco ' 

para exprimir a acção do agente sobre 
si mesniQ e levado ao pretérito pelo ae- | 
créscimo entra. 

Allusivo a ser cortado em certo poj 
alii despenha ndo-stí da serra, 

Assunguy. — AHIitente do rio Ju- 
'liiiá, pela margem direita: no município 
de Iguape. 

Segundo frei Francisco dos Pba- 
ZERES Maranhjío. em seu (llossario de 
palavras indigeitm, o nomo Aasunguy 
significa <rio de agun azulada-. Seria 

acto, se fosse i çiigiii : de i, «agua», 
çiigui, »azulí. 

Asnvnguij é corruptela de AçoÍ-guÍ, 
encuberto». Detifo/, «tajiars.í/Mí, «parte 
inferior, baixo». 

Allusivo a correr suas aguas por baixo 
dos rochedoB. ficando encobertas ou ta- 
padas em rarios togares. 

Este rio precipita-se da serra em vá- 
rios saltos, com grande estrépito; e sua 
queda das serranias é de mais de tre- 
zentos metros. Sobretudo, no tempo das 
chuvas, o rumor de suas aguas é ouvido 
na distancia de léguas. 

E' de uma correnteza extraordinária; 
e essa rapidez, em uns lugares com 'lué- 
das entre frestas e canaes abertos noa 
rochedos, tem sído calculada de mais de 
trinta metros em ITi segundos. 

O conselheiro Mahtim Francisco 
Ribeiro de Andrada. em sen Diário 
de vma riai/ei)t inineralogípa pela pro- 
riiieia de S. Pai/Io im auno do IV05, 
referindo-se a este ribeirão, esercven: 

• Entrei, emCim, á esquerda no rio de 
Jasouttgu*. Passadas três ou ^uatco voir 



ATI 



23 



AVA 



tas, vae ter-se ao primeiro salto: o rio, 
ffiinníido as tivasias que entre si deixa 
a rocha g7'auiiica, cone por diversas 
apertadas boccas, fazendo grande ruido\. .. 
a rocha acha-se em pane furada pelo 
continuo embate das ajiuas... Decor- 
rendo as margens até perto do segundo 
salto, observei o seguinte: córregos nas- 
centes dos morros, que demoram nestas 
alturas; os mesmos blocos da rocha gra- 
nítica já mencionada; e, nas fahias de 
um tezo sobranceiro ao rio, p^ídaços de 
um barco muito ochraceo e talcoso, já 
com a natureza fissil dos schistost. 
Esta narração explica assas o nome. 

Atibaia.— Cidade situada á margem 
esquerda do rio Atibaia, sobre uma collina. 

E', pois, o nome do rio; e a povoação 
o recebeu deste. 

Segundo frei Francisco dos Pra- 
zeres Maranhão, em seu Glossário de 
palarras indígenas^ o nome é Tibaya e 
significa «rio da feitoria». E' simples- 
mente um disparate, attendendo-se a que 
esse nome, com referencia ao rio, é an- 
terior á conquista e ao estabelecimento 
dos portuguezes. 

Este rio nasce no denominado Morro 
Aceitado, formando duas cabeceiras, o 
Cachoeira e o Alibainha; e, desde que 
recebe as aguas do rio Jaguarg, en- 
grossa e toma o nome Piracicaba, 

-^//in/a, corruptela de Tipái, «rio ala- 
gado». Por isso, os antigos diziau) Ti- 
baia, e não Atibaia, De //, «rio», ])á, 
aphéresis de iupâ, «lagoa, alagadiço», % 
posposiçâo significando «em». 

Allusivo a correr em várzeas extensas, 
por entre alagadiços. 

Com eflFeito, desde as suas duas ca- 
beceiras, corta várzeas successivas, ala- 
gadas completamente no tempo das aguas. 
E' certo que ás suas margens, mas em 
distancias, ostentam-se em fila monta- 
nhas; porém, o caracteristico do rio é 
o curso em várzeas. 

Ha serra Atibaia? 

(Vide Santo António da Caxoeira). 

Se ha, é a mesma corruptela— 7'/-;.áí, 
•«morro dependurado». De ti, «montào>, 
pái^ cdependurar». 



Atuahy.— Cachoeira no rio Tieté\ en- 
tre a Itapocú e o salto de Itú: no mu- 
nicipio de Itú. 

Um córrego, que ahi desagua pela mar- 
gem direita, tem também este nome. 

.Esta cachoeira é mencionada por Pe- 
dro Taques, na Nobiliarchia PauUstana, 
a propósito da fazenda de cultura de 
Salvador Pires, sogro de Bartholomeu 
Bueno da Ribeira, e portanto avô de 
Amador Bueno da Ribeira. 

Atiiahy, corruptela de Ilú-ai-i, «salto 
e successivos arrecifes». De itú, «salto, 
queda d'agua», pronunciado o i inicial 
com o som de a fechado, ai, «cousas 
salientes, altos e baixos», í, posposiçâo 
de perseverança. Por causa daquella pro- 
nuncia do i inicial, alguns dizem Atú- 
a\-i. 

Allusivo ao salto que ahi existe, e ao 
canal, á margem direita, muito estreito, 
semeiado de pedras, umas debaixo, outras 
apparecendo acima da superficie das 
aguas, correndo estas ahi extraordina- 
riamente. 

Atuchy.— Affluente do rio Capirary, 
pela margem esquerda: nos municípios 
de Capivary, Itú e Tietê. 

Deve ser escripto Itú-qni, «saltinho». 
De itú, «salto, queda d'agua», pronun- 
ciado por alguns o / inicial como a fe- 
chado, qni, «pouco, pequeno». Por causa 
da pronuncia sobredita, alguns dizem 
Alú-qui. Alguns escrevem Atúaqui e 
Atúxi. 

AvacÚcaya.--Cachoeira no rio Tietê: 
no município de Porto-Feliz, acima desta 
cidade. 

Avacncáya, corruptela de llá-cúe-qnái, 
«talhado e con> garganta». De há, «ta- 
lhar. Cortar, tronchar», ctle, particula do 
pretérito, com referencia ao verbo há, 
que a antecede, qnái, «estreitar, fazer 
garganta ou cintura». 

Allusivo a ter ahi o rio um degráo de 
pedra; sobre o qual montam as aguas 
para precipitarem-se por um canal ou 
garganta, com o desnivelamento de 0,'"50 
por 150 metros. 



AVA 



24 



AVF. 



Avanhandava.— Salto notável no rio 

Tiili^. Antes dcsie saito, ha uma corre- 
tierra cotiiieciíla com o nome de Ara- 
jiliaiidfíva-iiiiyiii). 

Com o notiifl Arttiihaudara, ha naquolle 
logar, á inargeni direita do dito rio, 
urna povoíK^ilo, que Toi colónia militar. 

Sefíundo Martius. em sen (lloss. (iug. 
hrnsil., o nome A rauhai tilara significa 
«logar em que aiiparecem phatitasinas». 
O indígena caçoou certamente com o 
gabio viajante. 

Aianhamiara é corruptela de Aijr- 
anhn-iV-abn, slogar de correnteza exces- 
sivamente veloz». De «^'', pura exprimir 
o Eiijierlativo da ac(;ão do verbo, au qual 
é preposlo anhã, icurrer, correnteza, ve- 
locidadcí, diiba, o mesmo que ába re- 
cebendo o d por causa do som nasal de 
aiihà, e exprimindo neste caso o logar. 

Nas Xoliria-1 1'ralicas rio capitão J. 
A. Cabral Cahello, sobre as viagens 
ás minas de Cuyubá no anno de 1727, 
o nome deste salto está escripto — /'«■ 
hhatidabá, que <é um despenhadouro 
bastantemente alto, nelle se varam as 
canoas jior terra pela parle liireita, e 
com ellas as cargas em distancia de um 
quarto de légua, pouco mais ou meno^». 
É' erro Pauhaiidabd. 

A altura do salto é de ll.^âG e a 
extensão de 315.'" E' uma queda ma- 
gestosa; e ainda depois, entre ilhotas e 
penedos, as aguas revoltas soarem outras 
quedas mínimas. 

Precedendo este salto, o rio Tielé tem 
unia extensão de cerca de 152 kilometros, 
a começar da corredeira Escarannn-a, 
abaixo da fÓz do rio •lacarê-pej>ira-gita\'ú\ 
e ahi nessa extensão ó pouco corrente, 
parecendo rio morlo. 

Abaixo deste mesmo saito, o rio 7íWi*, 
em extensfio de mais de lOO kilometros. 
espraia-se, tornando-ae pouco profundi 
e apresentando muitos baixios e ca 
choeiras. 

Avaré. — Morro granitico muito ele- 
vado, no município de Rio Novo. 

Araií', corruptela de A-htr-é, • 
lado e nltissimo*. De a, parii exprimir 
superlativo, bir, «levantar, elevar, sei 
alio>, i\ «isolado, só, apartado». A mu 



1 



dança rio h em r foi obra de porLi>í:ui 
O resto veia depois. 

ilusivo a estar isolado 
a ser muito alto. 



Avaré- — Nume recentf mento riail» i 
villa do líio Novo. quando foi elcimlt 
á cidade. 

E' tirado do inorro do mesmo iionii^. 

(Vide o nome Jiio XoioJ. 

Avarehy.— (Vide o nome Arerebgl^ 

Avarémanduava — Cachoeira nu ri» 
TifU'-. no niunicipio de I'orto Feliz. 

O capitão J. A. Cabral Cahello, 

H Xolicias Pmlitíos^ sobre a viagem ii 
minas de Cuyabji, no anno de 1727, des- 
cendo o rio Tieli', desde Porto-FolB, 
escreveu por informação o seguinte: 
. um salto Abaiciimiidiiftba, por cahir 
nelle o venerável paJre José de Anchiti», 
r achado doã indios debaixo da aj^iu 
ndo no Breviário». E outros têm re- 
petido esta explicação do nome. 

Aliíin de ser duvidoso que por li 
dasse aquelle apostolo da gentiliiiadt 
brazilica, é certo que o noinu leiíi ap- 
pliciíçflo verdadeira na língua tu|)i. 

Já li o nome Araraultanduba, laml-e 
dado a esta cachoeira. 

Araréiiiaiidiiâra, corrupção de I-yrri- 
iiiã')id-o-á-Lo, «cahe do alto e fuz ro- 
dútiininhoi, i, <agua>, com pronunciade 
a fechado, yÉrè, «torcer, dar volta», wÀ 
«enfeLxar, reunir estreitameiíie, retoroen 
iid, intercalação por causa do som Dinl 
de iiiã, que é ligado a o-á-ho verUl 
derivado de á ícaliir do alto», precedii* 
do reciproco o e seguida de bo (brew) 
para exprimir o modo do estar. 

Allusivo a formar o no alii ani canil 
rie cerca rie õ melros, rompendo o pstfr 
dito de pedra que o atravessa nesse lo* 
gar; com corredeira, queda e rorionioinlu' 
lia extensão de mais de õO melros, 

A parte do paredão, correspondente ao 
canal referido, soflreu destruição, pa" 
facilitar a navegaçilo de um vapor "i" 
Engenho Central de ciuma. Ha doo* 
canaes menores no mesmo paredão. 

Acima da cidade de Porto-Fel'Z, •>* 
outra cachoeira menor com n noiD^ 



AVE 



25 



AVE 



Ararémaiidtíára-mirim, Forma-a ura di- 
que, que, represando as aguas, forçou 
a abertura de um canal estreito para 
sou escoamento em rodomoinho. 

Avecúla.— Affluente do rio Ticiv, pela 
margem esquerda : no município de Porto 
Feliz. 

Cachoeira no rio Ticié,, próxima á fóz 
daquelle ribeirão: no mesmo município. 

Segundo o systema dos indígenas, em- 
bora soando quasi identicamente os no- 
mes do ribeirão e da cachoeira,^a signi- 
ficação de um e de outro é muito di- 
versa, 

Arecúia, com referencia ao ribeirão, 
é corruj)téla de Y-yê-cúi, «o que se 
deixa cahir». De y relativo com a pro- 
nuncia de a fechado, ye, nota de reci- 
proco para exprimir a acção da pessoa 
ou da cousa sobre si mesma, 011% «cahir, 
cahir-se». A partícula yê não é, neste 
caso, precisamente nota de reciproco; é 
mais uma nota de passivo, segundo a 
lição do padre A. R. de Montoya, em 
sua Arie de la lengna gitarmiy^ e a 
do padre Luiz Figueira, em sua Arte 
de grawmaticn da lingua brasilica. 

AUusívo ás quedas que este ribeirão 
dá, descendo dos montes; prestando-se 
o terreno, em outras direcções, a curso 
menos accidentado. 

Mas, com referencia á cachoeira. Ave- 
cuia é corruptela de Y-yê-íjúâ, «esqui- 
nado». De y, relativo, yê, nota de passi- 
vo, qúâ, «esquinar-se, fazer ponta aguda». 

Com eflFeito, a cachoeira é ahi formada 
por um penedo de forma esquinada, que 
se prolonga de outro quadrangular. Já 
têm sido feitos trabalhos para a destruição 
da esquina. 

Pelo systema de Martius, o nome 
Arecúia significaria «sitio em que abun- 
dam cuias»; dizendo provir da <icitietéT>j 
conhecida na sciencia por Crescentia 
ctijeic, da familia das Bignoniaceas, e 
cujo fructo, dividido ao meio, fornece 
vasilha que suppre o prato, a malga, a 
tigela, o copo, etc, e que é feita das 
duas metades concavas, depois de ex- 
trahida a polpa interior: é a cúya. Mas, 
aberto somente junto ao pedúnculo, e 



também extrahida aquella polpa, forma a 
rúya-vfbitca, para guardar ou conduzir 
líquidos, por si só, ou envolvida em unia 
rede de fibras: de cúya, «vasilha», /?í6?/m, 
verbal derivado do verbo púg, «furar, 
arrebentar», mudado o g em ca (breve), 
para formar supíno, signiticando «cúya 
furada». E incorrectamente muitos es- 
crevem e dizem cumbuca. Além de for- 
necer o vasilhame já referido, a polpa 
interior tem applícaçào medicinal, como 
anti-tetaníco e spasmodico, na hérnia e 
na morphéa. Emtím, é conhecida a in- 
dustria de cuias lindamente pintadas^ 
com cores fixas, pelos indígenas do valle 
do rio Amazonas. 

íias, Arecúia nada tem «'om essa ar- 
vore nem com o seu fructo. E' simples- 
mente Y-yê-qúâ. 

Avenca.— Morro, no município de Ca- 
nauéa. 

Are7ica, corrupção de Ayè-e-qua^ «muito 
ôco e tramado». De ayè, «muito, exces- 
sivo», ?, «concavo, ôco», qua^ com pro- 
nuncia breve, «trama, tramado». 

Allusivo a ser muito gretado; mos- 
trando que poderá ter no interior ca- 
vernas com stalagmites e stalactites. 

Neste morro passa um ribeirão, cuja 
agua torna-se morna: é o I-tacú-roi-çáh 
«agua que deixa de ser fria para ser 
morna». De iy «agua», iacú^ «calor», 
ro/, «frio», çái, «cessar». Isto é, «agua 
quente, por cessação do frio». 

Allusivo ao facto de receber quentura 
só quando atravessa o morro Avenca. 

Averehy. — Volta do rio Parahyba, 
em frente á cidade de Jacarehy. 

(Vide o nome Jacarehy), 

Averehy, corruptela de I-yerè-eíj con- 
trahido em I-yere^-eí, «volta desneces- 
sária do rio». De i, «rio, agua», yerè, 
«volta», ei, «inútil, ocioso, sem necessi- 
dade, sem fim algum, sem causa, de ca- 
çoada». O i inicial soa como a fechado. 

Allusivo a uma volta inútil do rio 
nesse lugar. 

Alguns dizem Ararehy, e explicam 
que significa, «agua do padre», abaré-i, 
por ter-se afogado ahi um jesuíta! Mas, 
é uma estullicia. 



AZE 



Neste logar já houve trabalho do 
homem para inilireitnr o rio; mas a na- 
tureza nilo ú de fácil oorrecção e as 
grandes enchentes deixam ver isso. 

Aytinga.— Afíluente do rio Pmabyha, 
peia margem direiía. 

Ai/liiiga, corruiitéla de Al-tyiiffo, «alado 
e com allus e baixus*. De kí, «altus 
e baixos>, iijmja, verbal derirado de ty. 
«atar*, com vgn, para formar supino. 

AllusivQ a correr entre penedos, e- 
sobre cachoeiras. 

Azeite. — Affluente do rio ■Inciipi- 
ifiiign, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Igitape. 

Aflluente do rio Itaiirl, pela margem 
esquerda: no mumcipio de Igiiape, Este 
rio AxeiU, antes de desaguar no Ilariri, 
recebe o fiiiatili/tn; e ambos formam o 
Itatirí, que desagua no lio .S'. Lou- 
retiço. 

Axeiic, corrup(,'ao de A-cFi-ia. «cabido 
de repente», de o, «cair», fcí, «de re- 
pente, de roldííoi, em forma de supino 
pelo accrescimo do suBixu ia (breve). 



conforme a lição do padre A- R. de Mo!l 
TOTA, em sua Arte de ia Unt/im gna 
riini. 

Abusivo ao facto apparente de calii- 
rem de repente, depois de terem nas- 
cido; formando catadupa. 

São claríssimas suas aguas. 

Embora o verbo n n3o faça snpins 
com o suffixu In (breve), veiu a fiiiel-* 
por cansa da intercalação de cri. \Mt- 
mando o verbo composto íí-ceí, ■caliif 
de repente», conforme a liçSo do padre 
Luiz Figueira, em sua Arte df gram- 
matiea da liugtia brasiUca. 

Azul. — Affluente do rio Cii/iii-ary, 
pela margem esquerda: do muoicipin de 
Monte-mór. 

Atui, corruptela de I-kúú. 'agni 
pôdrcp. De t, «aguai, fiúú, «podre, dt* 
feitOT. O li é aspirado; e na pronuDcit 
parece ç. O i soa « fechado. 

Allusívo a ter este córrego ago» 
quasi estagnadas. 

Azul.— Morros, e serra. 

(Vide us numes Mono-Axul e Sem- 
Axul). 



1 



B 



Bacaetaba.— Affluente do rio Soro- 
caba, pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Campo Largo de Sorocaba. 

Este córrego nasce na serra Araçoiaha: 
tem também o nome Taboão, 

Bacaetaba, corruptela de Báqvâ-itá' 
ába, por contracção Báqjfâ-iiá-^ba, «corre 
em declive e aos degraus»: de báqnâ, 
«correr», itá, «estante, armação, pilar, 
cousa que em outra se estriba», com o 
sufiixo ába, para exprimir modo de cor- 
rer. Comquanto iiá seja substantivo, ficou 
neste caso como parte do verbo baqiia. 
Os degraus sâo formados de schistos 
horizontaes. 

Bacuruvú,— Affluente do rio Tidé, 
pela margem direita: nos municípios de 
Conceição dos Guarulhos e de Mogy das 
Cruzes. O córrego Arú-yáú, seu aftluonte, 
é nomeado também Bacitruvú-mirim, 

r 

(Vide Ariijá). 

Bacitritrú, corrupção de Baqttâ-ro-jjú, 
«muito corrente, e com alagadiços». De 
baqitâ, «corrente, velocidade, força, por- 
fia», ro, intercalação para exprimir si- 
multaneidade, yúy «alagadiço, banhado, 
lagoa». 

Allusivo a ser muito corrente este 
ribeirão; produzindo, não obstante, mui- 
tos banhados em suas margens. 

Bacury.— Grande Ingôa, á margem 
do ribeirão das Palnteinis: no município 
do Espirito Santo de Barretes. 

Baciiry, corruptela de Mho-qúêr-ií, 
«suja^por ser sem correnteza». De inbo, 
partícula activa, qúcr^ «dormir, repou- 
sar, não mover-se», /7, «suja, manchada». 



Allusivo a ter quasi paradas as suas 
aguas, com lodo ao fundo, e com limo 
á superfície. 

Nada tem, portanto, este nome com 
a excellente fructa baciirí, que abunda 
no interior das províncias do Maranhão 
e do Piauhy. 

Bacury.-- Serrote, no município de 
Piracicaba. 

Baniry é corruptela de Mbo-aquir-ii, 
«frouxo com resvaladouros». De mbo, 
partícula activa, aqnir, «afrouxar, ser 
frouxo», íi, «resvalar». Por contracção 
Mb-'aqvÍ7'i\. 

Allusivo a esboroar-se de alto a baixo, 
formando resvaladouros. 

Bacury.— Corredeiras no rio Tielé, 
precedente á cachoeira ItitpiíiX, 

São duas: a gita^-ú e a mirim. 

Bactni/, corruptela de Mbo-cur% «que 
faz pressa»* De mbo, partícula activa, 
e?í/7, «apressar, pressa». 

Allusivo á grande correnteza das aguas 
nesses logares. 

Alguns escrevem Vaciiry: mas é erro. 

Li em uma carta geographica da pro- 
víncia de S. Paulo, impressa pela Com- 
panhia Mogyana. os nomes Vacuryluba 
e Vacitrytitba-mirim. O tuba foi en- 
xertado a martello. 



(rio dos). — Aftluente do rio 
Sapncahy, pela margem direita: no mu- 
nicípio de Franca do Imperador. 

Bayres, corrupção de Báqiiâ,, «cor- 
rente, veloz». São a mesjna cousa bd- 



BAH 



28 



BAM 



ilMa4« //'Afr/wd. (igoifum ta«tu corrente». 
O //. modulo em rí, é itgado : dahi Iii- 
liáfiy». 

y.' diamanlínu. 

Baguary.— Afilupiiic lio rio Tiei--, 

]>i'la iiiar^çein dir>-it[i: [luiicu ácjma da 
(-flcl)opira lliipirú. 

Sc;iu(id.) frei Francisco dos Pbaze- 
URU MaKAKIiXo. em seu fHosmrio de 
jml/iriiis iiidujcnaif, 8igniãi'u tíq ilo pas- 
aaro noccót. 

Hagimry é avo conliecida na scíencía 
pelo iifime ÍHcotiin americaun. Do gé- 
nero ilns cegonhas. K' melhor escripto 
vibngmtri. Si'mel)iu a garça, ma é par- 
dilha. 

Pareço ijiie o aoceó d espécie iliversa 
(la do iiiOnijiiarí; ainila que do mesmo 
^ciiero dos I-ongirostros. \'ive nas mar- 
gens dos rius e Ingos: nlimenta-se de 
peixes, eamnrOos e mariscos. 

Nadn, porím, tein este curso d'ugii.i 
com a avo nihagnari. 

Ilagtun/. corruptela de liáf/iiío-a-i, por 
contracrSo Itdqiinr-i. iperteveranLemenlc 
curente». De Oáiiiiò, *rorrente, veloci- 
dade, for<;a, porfiu>, levado ao participio 
pelo aixTesciíiio «>«, sifjniftc^mki «cor- 
rpilor. c-yrrente». í, pflsposi\;Ilo para ex- 
primir perseveranv». 

BahÚ.^Pico enorme na extremidade 
dos dfnomimidns Onupus do doidão, na 
í*jra Maiitiqneini. e eontrttforie Soares: 
mtioíripio de S. Beiílo de S^ipucahy. 
K«te |>ico V genlmente cunlieculo por 
/Wni do Hakúy por ter ao cimo uiua 
pedra d* SDorme dimcnsAo. 

7UM pMlma sor corruptela de Tuá, 

• pbanU&Qiai; e é tamWm pronunciado 
JUil. O k é svmjiT^ a.<)'iriii)o. Pur ser 
itiWcil. r uivo luc&iiio iii)|H)&;-ivel, stibir 
« «k» pe^n. por otasa do moitu limo 

• de Mtm drcansUBciâs loraes, n 
««•dior dos iBdifTOiís lumarta esse !>&- 
kMo por «« plnaUãna. Est^mlii dciíiia 
•lo m«el d* mar m»U de l.>*<00 mcm«. 
é avisado M ditti«cn de nuiu» Irgnas 
CH redor. 

Il»& « MaH> é siMplcsanBte Jfto-A, 
«Tt^ialadift*. Or wK piftkvla actm. 



AlInsiTO ao tnnito licno, que culired 
saperScic. por todos os lados, e qae 1 
Cífom-fiur quem tenta sitbil-o. O ioJ 
Mboti. ponjue o primeiro i é giitiaÉ 

Bahij-guassú-— Monte de nie< 
altura, c jiotico snlienie. na costa i 
as praias de JWtihihc e da Jiiréa; 
cedente das ramitica^òes da serra J 

Segundo frei Francisco dos Pr. 
RES MarakhÂo, em seu <i'lo»samm 
palavras indigertns, significa «sitiul 
grande velho. Simplesmente uit 
senso. . . 

ISnhú-yniisnú é corrupção lie Aí- 
ng-u-ai,ú, <i.'nlre altos e baixof>. D» 
}mu .entre', luiniado o /» em tid>, p«r 
nSo haver piilavra antecedendu }mu; nj, 
por ser nasal o suui da pronuncia 
paTi. e mais u, porque o g rccbiM 
quasi sempre o u; «(ti. «altos e baiM*'. 

Applicarei a este murro o que, áceta 
do denominado IWuibe, escrev 
selheiro Martim Francisco Uibeiro 
DE Akdrada. no Diaiio de ti, 
gem minertilugica pela prorincía de Sàa 
hiiilo no aiiiio dr. 1805 : c.estciDomi 
divide-se em ditferentes cjibeços. e ]it* 
consequência em diversos valles: ta 
quasi todos os valles, ríticirões 

Esta morniria é que tinha o noiM 
Ml>ori-ng-ii-aiú: e o mais alto des« 
cabeços é o Oiiarahú, tamliem eivulo 
do conuptóla. 

BaiiTO-AltO-— Povoaçiio-frcgucíia,!» 

munii-ipio de Paralnbuna. 

Baixo-aterro.— Afllucnte do no ■'*»■ 
iMirítis. cjiio jwr sua vez é afllueate "1" 
rio l\irnhijl>a. pela margem direita; piiI» 
o3 municípios de Barmro e Areias. 

llairo^lfrio. eorrupçío de /W^^iW- 
rM-rô. <muilissinio corrente». I>e (*■ 
i)»â. tcomiite». rtri, pura e\priiutr sO* 
(«■rlaiivo. fw. -j-or-se. t-star». 

Allu.-Mo a correr veloz. 

BanvBam.— Serra, no «nmicaiiioi» 
Kspmto Sanio da B«a Vista; »«b.'^ 
nbicUa pelu nome :km da Ilibar» 
Orande. 



BAN 



29 



BAN 



Este nome Bam-Bam está hoje fixado 
apenas em um logar da serra; mas é 
o da serra inteira. 

Bam-ham^ corruptela de Bang-bang, 
«excessivamente torcida^. Behavg, «cousa 
torcida», repetido para exprimir excesso. 

Allusivo a formar uma curva, com ex- 
tensão superior a 13 kilometros sobre 
6'",6 de largura, mais ou menos. 

Nesta serra, exactamente no logar 
que traz o nome Bam-bain, ha uma 
arvore notável, com a denominação Ca- 
rapuc-úba, cujos galhos são dispostos de 
modo a formarem com o tronco uma 
cruz perfeitissima ; tem a altura de qua- 
tro metros, rodeiada de outras da mesma 
espécie, porém menores, com a mesma 
forma. 

Bananal. — Cidade, á margem do rio 
do mesmo nome, affluente do rio Para- 
hyba, pela margem direita: no municí- 
pio de Bananal. 

E' também o nome: 

De um affluente do rio Jacit piranga, 
pela margem esquerda: nos municípios 
de Iguape e de Xiririca. 

De um affluente do rio S. Lourenço, 
pela margem esquerda: no município de 
Iguape. 

De um affluente do rio Jitqueryqtierê, 
pela margem direita: no município de 
S. Sebastião. 

De um affluente do rio Ilnpanhaú^ 
pela margem esquerda: no município de 
Santos. 

De um affluente do rio Mogy-guassú, 
pela margem direita: no município de 
Kibeirâo- Preto. A fóz deste ribeirão está 
o denominado Porto do Bananal. 

Segundo o systema de Martius e 
outros. Bananal significaria «rio era cujas 
margens abunda a banana^>. Mas, nem 
banana é palavra tupi, nem a fructa 
assim denominada tiniia no Brazil esse 
nome, senão o de pacobá, O nome ba- 
nana é do idioma falindo na ilha de S. 
Thomé, com referencia á fructa conhe- 
cida por banana de S, Thomé, por ter 
sido dahi importada. Os povos brazilicos 
dizem: pacobái, a arvore do pacobá; 
j)acobárárí, o cacho; pacobarob^ a folha; 
pacobá-rebhê, ou j?acobái/'2)oti, a íiôr, 



na ponta do cacho; pacobá ribapé, a casca 
da arvore. A fructa pequena ou peque- 
nina, pacobáhy. 

Cora eflFeito, o nome Bananal não tem 
relação alguma com essa fructa. 

Bananal, corruptela de Mbo-ã-ilã-ííã-d, 
por contracção Mb^-a-iiâ-n^-á, «empinado, 
muito corrente, e sinuoso». De rnbo, 
partícula activa, à, «empinado», nã, «cor- 
rer», e repetido para exprimir superla- 
tivo, á, «torcer, fazer voltas». 

AUusivo ao forte declive do leito, á 
muita correnteza das aguas, e ás sinuo- 
sidades do curso. 

Ao lado Occidental da cidade, ha um 
ribeirão que se precipita da serra, da 
altura de mais de 200 metros, formando 
cascata. 

Na mesma serra existe uma pedra 
ponteaguda, de forma cónica, de 100 
metros de altura, mais ou menos. 

(Vide o nome Praia), 

Bananal.— Corredeira no rio Ribeira 
de Ignape\ no município de Xiririca. 

Bananal, corrui)téIa de Mbo-à-hà-hci-á, 
por contracção Mb^-ã-ilâ-íV-á, «corre- 
deira em forte declive, torcida». De mbo, 
partícula activa, ã, «empinada», fid, «cor- 
rer», e repetido para exprimir superla- 
tivo, d, «torcer, fazer volta». 

Com effeito, esta corredeira é entre 
montes lateraes, que formam ilhas e pa- 
redões; ao mesmo tempo que as aguas 
descem em forte declive.' 

Dizerem Bananal-grande com referen- 
cia a esta corredeira, é um erro, por 
terem corromnido o nome do serrote, 
cujo nome vae' adiante, e foi corrompido 
era Ba } ia nal- pequeno. 

Bananal.— Duas ilhas no rio Ribeira 
de Iguape: no município de Xiririca. 

Uma é Bananal (Jrande; outra, Jki- 
nanal Peqiieno. 

Jkinana/, nome de cada uma destas 
ilhas, é Pan-nà'd, <^ilha ladeada de cor- 
redeiras». De pau, «ilha>>, iià, <^correr, 
corredeira, correnteza», d, «ladear, ser la- 
deado». Muitas vezes o p inicial é mu- 
dado em nib\ por isso o nomo acima 
podia ser Y^towvvwd^v^o MWvXi-mv-á, 



BAN 



30 



BAR 



As denominações grande e pequeno — , 
com referencia. a estas duas ilhas, nada 
têm com a língua tupi; assim, as diffe- 
rençavam os portuguezes, pelo tamanho 
relativo de cada uma. 

O conselheiro Martim Francisco 
ItiBEiRO DE Andrada, em seu Diário 
de uma viagem mineralógica pela pro- 
vinda de S, Paulo no anno de 1805, 
escreveu: «Toda esta ribeira, de Xiri- 
rica para cima, é magestosa, já pelos 
montes lateraes, que lhe ficam sobran- 
ceiros e ameaçam abater-se sobre si en- 
tulhando a madre, já pelas muitas ilhas 
e rochedos depostos no meio da ribeira, 
quaes medalhas antigas conservadas na 
noite dos tempos, apczar da correntesa 
das aguas, que pareciam dever sosso- 
bral-as; e, não obstante o continuo cho- 
que que soffrem, d'ellas zombam quaes 
torres inabaláveis ao furor dos ventos». 

Bananal— Morro na cordilheira Can- 
tareira, em direcção nortleste. 

Ih7ianal^ corruptela de Mbo-anà- 
anã'á; por contracção Mb^-anã-n^-á, 
«muito grosso e desconcertado». De mho^ 
partícula activa, anã, «engrossar», re- 
petido para exi)rimir superlativo, u, «des- 
concertar, tronchar». 

AUusivo a ser muito grosso e derro- 
cado. 

Bananal-Pequeno.- Serrote, no mu- 
nicípio de Xiriríca: á margem direita 
do rio Ribeira de Ignape. 

Bananal' Pequeno, corrupção de Mbo- 
anà-d-pept-na, «grosso, torcido e esqui- 
nado». De 7nbo, partícula de composição, 
a/fà^ «grosso», á, «torcer», pepe-na, ver- 
bal derivado de pep7\ «esquinar», com 
o suftixo na (breve) para formar su- 
pino. Por contracção, Mb^-anã-á-pepc-na. 

Allusivo a ser grosso, torcido e es- 
quinado, para ligar-se ao morro ou ser- 
rote Lenroly nome taml)cm corrupto. 

(Vide o nome Lcnrol). 

Bangú. — Serrote no município de 
Cunha. 

Jíangú, pronuncia conseguida de Jhing- 
^a]ciint})iido e torcido». De bancj^ 






«torcido, torto», t\ «resvalar ou resva- 
ladouro^. 
Este serrote é da serra marítima. 

Banharão.— Corredeira no rio TieU, 
em posição paralella á serra AraquL 
Ahi, pela niargem direita, afflue um 
ribeirão também com esse nome, ser- 
vindo de divisa aos municípios de Jahú 
e de Dous Córregos. 

Banharão, corrupção de ilbo-anhã- 
rã, «que se pOe a correr». De mbo, 
partícula para tornar activo o verbo 
neutro anhã, «correr», com o accres- 
cimo do /yT, o mesmo que r/?, «pôr, 
pôr- se». Por contracção, ^Bi-auhà-rõ. 

Uma das cabeceiras do ribeirão é co- 
nhecida por Salto. 

Em documento antigo li Baenharon, 

Em um moderníssimo mappa vi o 
nome Banharão dado também á serra 
Araquà; mas é erro. O nome é somente 
da corredeira e do ribeirão. 

— Ha outro ribeirão muito corrente 
— Banharão, affluente do rio Mf^gy- 
gnassú, pela margoni esquerda: entre 
os municípios de Jaboticabal e de Bar- 
retos. 

— Ha tauíbem um córrego Banharão, 
affluente do mesmo rio Tieté^ pela mar- 
gem esquerda, no município de S. Ma- 
noel do Paraíso. Mas, parece que é nome 
postiço; porque o indígena não daria o 
mesmo nome a dous cursos d*agua, na 
mesma região. 

Baracéa.— Affluente do rio Una. pela 
margem esquerda: no Uíunicipio de Tau- 
baté. Este nome, porém, é só nas ca- 
beceiras; porí^ue, de certo ponto em diante, 
o nome é Itaim. 

(Vide o nouíe IlaimJ. 

Barachu corrupção de Mbaraá-atey, 
contrahido em Mbarad-' Icy ^^írouxo e se- 
zonatico». De mbaraá, «febre», aírg, 
«frouxo>. Esta palavra ateg tem pro- 
nuncia guttural. 

Allusivo a derramar-se em alagadiços 
limosos, produzindo febre palustre. 

Barery. — Duas cachoeiras no rio Tieíé, 
em seguida a liaiirú. Uma assú, outra 
luiriíu. 



BAR 



31 



BAR 



fíarery, corrupção fie Mboró-yêrè-i, 
«por contracção Mhor^-yêr-i, «o que tem 
buccessivamente muitas voltas». De mhoró, 
«cuntêr, executar por si», yêrè, «volta», 
í, posposição de perseverança. 

AIlusívo ás voltas successivas, que a 
canoa ou embarcação é forçada a dar 
nessas cachoeiras. 

Barqueçaba.— Praia no municipio 

de S. Sebastião. E' também escripto 
Ikirekessába, 

Barqueçaba é corrupção de Mbaraá- 
quê'çaba, «repouso de enfermos». De 
mbaraá^ «enfermidade, enfermo», qnPvj 
«repousar, dormir, socegar», mudado o 
r em çába^ para formar particii)io, se- 
gundo a lição do padre Luiz Figueira, 
em sua Arte de yrammatira da lingaa 
brasilica, para os verbos acabados em r. 

Allusivo a ser essa praia um logar 
muito apropriado para o curativo de en- 
fermidades, que depende de banhos do 
mar; e, sem duvida, foi assim denomi- 
nado, por ser preferível a outras praias 
nessa costa. 

Barreiro.— A Rluente do rio Parahyba, 
pela margem direita: no municipio de 
S. José do Barreiro. 

Âffluente do rio Moffy-ynassúj pela 
margem esquerda: desagua um pouco 
acima da cachoeira-salto Pirassnnunga, 

Aftluente do rio Sapncahy, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Santo 
António da Alegria. 

Barreiro, corrupção de hbiírrè-bo, «o 
derramado». De mbiierè.ow piurè, «der- 
ramar», cora o suffixo bo (breve) para 
formar supino. 

Allusivo : 

Quanto ao primeiro, ao facto de, após 
nascer no monte Formoso, cahir sobre 
uma várzea, e dahi, em terreno baixo, 
desaguar no rio Parnhyba. 

Quanto ao segundo, ao facto de, após 
nascer em um monte adjacente ao Morro- 
(irandc, derramar-se em uma várzea 
até sua fóz no rio Moyy-íjnasm, 

Ha outros cursos d'agua com o nome 
Barreiro, e são: 



Âffluente do rio Ipanema-inirim^ pela 
margem direita: nos municipios de So- 
rocaba e de Campo Largo. Este encon- 
tra-se com outro âffluente do mesmo rio 
Ipanema-mirim ; e, para ser distinguido 
do outro, é nomeado Barreiriuho, 

Âffluente do rio 7Ví'/^, pela margem 
direita, 13 a 14 léguas abaixo do salto 
Avantiandava. 

E alguns córregos insignificantes. 

Ignoro se estes também nascem em 
logar alto, e de lá derramam suas aguas 
em várzeas; ou se o nome tem outra 
explicação. 

Barretos.— Villa situada a 18 kilo- 
metros da margem esquerda do rio Mo- 
gy-guassú, ou Rio Pardo, 

Barro-branco.— Âffluente do ribei- 
rão ToHcinhOy pela margem direita, e 
este — do ribeirão Treviembé^ pela mar- 
gem esquerda: no municipio de S.Paulo. 

Este é um dos ribeiros que, vertendo 
da serra Cantareira, constituem os ma- 
nancíaes derivados para o abastecimento 
de agua da cidade de S. Paulo. 

Âffluente do rio Atibaia, pela margem 
direita: entre os municipios de Atibaia 
e de Bragança. 

Barro'bra7ico, corrupção de Mbáraá- 
mbarángúa, «ruim e doentio». De wtó- 
rad, «enfermidade», mbardangúa, «ruin- 
dade». O primeiro á de mbáraá, por seu 
accento agudo, predomina no som: dahi 
mbdraa, O primeiro a de vibarangúa 
é quasi syncopado : mb^-raitgúa, 

Baruery.— Âffluente do rio Tietê, pela 
margem esquerda: entre os municipios 
de S. Paulo e de Parnahyba. Dahi veiu 
á estação da estrada de ferro Soroca- 
bana o nome Barueri. 

Âffluente do rio Capivary, pela mar- 
gem esquerda: entre os municipios de 
Capivary, Monte-mór e Porto-Feliz. 

Baruery ou Bortfcry, corruptela de 
Mhorú-yerè-i, «o que lento volteia in- 
cessantementex». De viború, «lento, man- 
so, pouco corrente», tjerè, «voltear >, ?, 
posposi(;ão para indicar perseverança com 
referencia a yerè. Por contrac(;âo^ lUòoiú- 
li/er'-í. 



BAT 



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BAT 



(*) Baryry,— Villa, creada em 1890, 
por decreto do governador do Estado 
de S. Paulo. 

E' a antiga parochia de Sapé do Jahú. 



(*) Isto Tinha em nota avulsa. 

Bassoróca-— Logares, em Sorocaba, 
Mogy-mirim, Casa-Branca e em outros 
pontos, que se mostram rasgados pelas 
chuvas. 

Bassóróca, corruptela de Mbaê-çorógca, 
«cousa rasgada, rasgaduras». De mhaê, 
«cousa», çoróg, «rasgar», com o sufRxo 
ca (breve) para formar supino. 

— A Bassoróca de Mogy-ujirim, se- 
gundo a descripção feita, em 1886, por 
ura periódico local, «está a cerca de 
três kilometros do centro da cidade: é 
uma excavaçâo caprichosa, que occupa 
talvez dous hectares de área, principiando 
com a profundidade de 8 metros mais 
ou menos e continuando sempre mais 
profunda para os lados do campo do 
Belém, até manifestar-se como um abys- 
mo. . . O interior da Bassoróca é um 
labyrintho, composto de cavernas, grutas 
mais ou menos extensas e corredores 
Ínvios, formados pela filtração e queda 
lenta das aguas. . . O solo, que parece 
ter sido rasgado pelas chuvas ou en- 
xurradas, é todo arenoso; mas, de es- 
paço a espaço, apresenta alguma vege- 
tação, detritos de plantas, argilas de 
diversas cores e pedras pequenas de 
formas exquisitas. . . Aqui e alli appa- 
recem concreções, em forma de pyra- 
mides irregulares ou de estalagmites, 
próximas a diversas vertentes, que vão 
constituir um regato crystallino, ser- 
peante pelo meio das grutas». 

As Bassorócas de Casa Branca e ou- 
tras, segundo estou informado, são mais 
extensas e mais caprichosas. 

Batalha. — Affluente do rio Tietv, pela 
margem esquerda: no município de Len- 
çóes. 

Affluente do rio Paravapanenia, pela 
margem direita: no município de Caní- 
pos Novos de Paranapanema. 

Batalha, corrupção de Mhdí-iiárô, 
^dependurado ein degréii^. De mbál, 



o mesmo que páí, «dependurar-se», í/d, 
«armação, estante, pilar, degrau, cousa 
que em outra se estriba», rò, posposição 
para exprimir o modo de pòr-se. O t 
de itá tem pronuncia guttural. 

Allusivo a descerem as aguas como 
que dependuradas em saltos. 

Batataes.— Cidade. Não está assen- 
tada á margem do ribeirão Batataes^ 
affluente do rio Sapucahy, pela margem 
esquerda, mas sobre duas collinas, se- 
paradas por um córrego. 

O nome, porém, é daquelle ribeirão; 
porque a povoação primitiva foi nas ca- 
beceiras delle. 

Nada tem com batatas; sim, é cer- 
ruptéla de Mbái-itd-iiáy «dependurado 
de degrau em degrau». De vibá% o 
mesmo que pái, «dependurar-se», itá, 
«armação, estante, pilar, degrau, cousa 
em que outra se estriba», repetido o 
itá, para exprimir a successão do facto. 
O i de itá tem som guttural. 

Allusivo aos saltos successivos neste 
ribeirão, de 13 a 14 metros de altura. 
São imponentes e medonhos estes des- 
penhadeiros das aguas. 

Batatal.— Affluente do rio Ribeira 
de hfuape.y pela margem direita: no mu- 
nicípio de Xíririca. 

Batatal, corruptela de Mbáí-itá-iiá, 
«dependurado de degrau em degrau». 
De mbáí o mesmo que pái, «dependu- 
rar-se», itá, «armação, estante, pilar, de- 
grau, cousa em que outra se estriba», 
repetido o Há, para exprimir a succes- 
são do facto. O i de Há tem o som 
guttural. 

Allusivo a corredeiras e quedas suc- 
cessivas no leito formado de pedreiras 
de mármore de diversas cores. 

Batatal.— Morro, no município da 
Conceição dos Giiarulhos. 

Batatal, corruptela de Mbo-itá-itá, 
«faz degraus». De ?wio, partícula activa, 
itá, «armação, estante, pilar, cousa em 
que outra se estriba», repetido o itá 
para exprimir a successão do facto. O 
i de itá tom som guttural. 




)vo a ser formado de camadas 
Btas umas ús outras, deixando 
10 degraus nus seus extremos, 

Klor. — Aftluente do ribeirão Pas- 
|e, pela margem direita: entre os 
^08 de Loreua e de Cruzeiro, 
íoí'. corrupção de Mòri-lrrò. ^ba- 
f golpes coni estrondof. De pn, 
tt nSo ter palavra antecedente. 
E }i em mb, «bater, dar golpes 
^ondo', iecò, «acção, potfiidn, 
,_ \asce na serra Mauliqueirn, v 
pDil distancia da nascente, 6 cbeio 
fas aié desuguar nu Passa- VhilK. 
I^e Baleitor (escreveu-me um in- 
^ local) é nllusivo ao facto de 
■D suas aguas de encontro a pe- 
igmoBas fazendo ruido e ettrondo». 
bs entendem que o I'assn-Viii(E 
% seu aõliiente; sen^o. portanto, 
jíOí' aftiuciite do rio Jhrahi/ba, 
jlrgem esíjiierda. O logar, em que 
Hilram as aguas de ambos é de- 
iio Evlre-lUos. 

Ecurso é de pouco mais de uma 
Ae poucas voltas, e com quatro 
( cachoeiras. Puiico abaixo de suri 
Ee, tem dtius metros de largura, 
[metro de profundidade: na fóz. 
Ib largura, e I de profundidade, 
[osissimo nas cheias. 

^Ú. — Duas cachoeiras no rio Tkté, 
Pohmtiúlia: & gua^sú e a 

íDte do rio Tielf, peta margem 
nos municipioa de Len<,'óes e 

leza. Sua fóz é pouco abaixo 
cachoeiras. 
^ corruptela de Mltai-yã -rii, 
lurado, com gargantas e rodo- 

I». De jabdi, o mesmo qut- /láf, 

lorar*, yily «euusa estreitada, gai- 

rií, <revolver>. 
Bvo a serem as cachoeiras, assim 

ribeirSo, em forte declive; es- 
io-se om alguns logares as mar- 

fazendo rodomuinho? as aguas. 



_ BER 

Bebedouro,— Afluente do rio Ja- 

n''-jiii>rra-(iiiassú, pela margem direita, 
,iii pruxinio á fóz deste. E', por isso, 
considerado também affluente do rio Tictl; 
peta margem direita. Mais conhecido 
por Bebedor, 

Afllueute do rio Mog!/-giiassú, pela 
margem esquerda: entre os municípios 
de Uiirretos e Jahoticabal. 

Aflluente do rio Mogg-gnassú, pela 
luarfiem esquerda: entre os municípios 
le Heléiii do Descalvado e Pirassununga. 

Jlrlipdor. corrupçflo de Behé-bo-úó. *ro- 
doBioinhos graufles». De hrb{--ho, verbal 
lerivado de atiehé, *njlar, fazer círculos 
lU kiólas», com o suftixo bo (breve) para 
foriiiar supino, 6ò, igrosso, grande». 

A corrupí,'flo foi faeil, quer pelo som, 
quer mesmo pela cousa em si: os ro- 
domoiuhns denunciam no leito dos rios 
aorveflonros, e sorver é beber aspirando. 

Alliísivo a rolarem suas aguas em 
grandes rodouioinhos. 

Bejli.— Corredeira no rio T/elé, era 
seguida á de Pirapóm-mírim. 

E' também conhecida por Bayniquára, 
ou apenas por llojiiy. 

ItFJá, nu Jloitit/, corrupção de J/to- 
ou Mbo-yú-í. «que faz garganta, 
em toda a extensão». De m/jo, partícula 
para tornar activo o vorbo, i/ú, testrei- 
lar, fazer garganta», í, posposição de 
perseverança. 

O accrescimo ifuàra, corruptela de 
filiara, é sem valor algum ; fixa apenas 
ro'lo ou a fóniin por que o rio ahi 
se estreita, com referencia a yâ. 

Berguigão. — llhotu, no município de 
Cananéa. 

Benjvitji)o, corrupçflo de Mbiri-giA- 
gniã-mo. (empinada e mais pequena». 
De iiibiri: «pouco, pequeno», (fui, par- 
tícula i>ara coniparaçSu, giiiã-mo, supino 
de (í, »empmar, levantar-se, estar em 

pé.. 

Alhisivo a ser menor do que outras 
dhus próximas, e elevur-se a pino como 
uma pyraiiiide. 

De^la ilhota são extrahidas cascas de 
marisco para o fabrico dft «ii^. ^s.iwftaçi 
das canôns as awtQiimim\ « «wss^ik- 



BET 



34 



BIG 



do-as á ilhota, escavam esta sobre ellas, 
Rem desembarque, por muito diflScil. 

Bertioga.— Canal que separa do con- 
tinente a ilha (hiaimbéy corruptela de 
(júcmhé. 

Frei Gaspar da Madre de Deus, 
nas Memorias para a historia da capita- 
nia de S. Vicente^ entendeu que Ber- 
tioga era corrupção de Ihiriqui-óca, 
«casa de macacos biiriquis:». 

Por boa, já aceitei, na obra Algumas 
Notas Genealógicas^ essa extranha ver- 
são. Posteriormente, porém, verificando 
o modo por que escreveu esse nome o 
conhecido Hans Stade, muito attento 
ao som das palavras que ouvia aos in- 
dígenas quando serviu de artilheiro na 
fortaleza daquelle logar, reconheci im- 
mediatamente o erro de Frei Gaspar 
DA Madre de Deus, ainda que Hans 
Stade escrevera, também corruptamente, 
Bri'ók'óka. 

O nome poderia ser Ihi-ri-óg-óra, 
*furo ou cava por acçào exterior contra 
a terra». De ibi, «terra», ri, posposição 
significando neste caso «contra», óg-oca, 
verbal derivado de óg, <■ saecar, arrancar, 
fender, furar», com a repetição desse 
verbo em supino, oca, mudado o g em 
ca (breve). 

A repetição dos verbos e nomes, na 
lingua tupi, além de dar maior graça e 
elegância, exprime a frequência da acção 
do verbo ou nome repetido; acção su- 
perlativa, ou acção successiva. 

Mas, melhor examinando o caso, é 
Mbir]-og-óca, < furo pequeno»: de mbiri, 
«pouco, pequeno», og-óca, verbal deri- 
vado de óg e repetido, como acima fica 
dito. E, de facto, o furo propriamente 
tal, alí'*m de pouco extenso, é estreito. 

• 

Betary. — Affluente do rio Ribeira de 
Tgiiape, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Yporanga. 

Ha um peixe de mar, cujo nouíe é 
Jíctara: mas, mesmo que fora do rio, 
nada tem o nome deste ribeirão com 
tal peixe. 

lirlarg, corruptela de Mbt-itá-ri, por 

contracção Mbi-Uá-ri, «centro com pe- 

dr:ii>:y. De ?HÒi, o mQ)í>\\\o que p, por 



não ter palavra anterior, «centro, meio», 
iiá, «pedra», ri, posposição significando 
«com». E' innavegavel por causa desses 
embaraços naturaes no leito. 

O conselheiro Martim Francisco 
Ribeiro de Andrada, no Diário de 
uma triagem mineralógica pela pronn- 
cia de S. Paulo no anno de 1805, re- 
ferindo-se a este ribeirão, escrevem 
«... passei pelo ribeirão líetari, e en- 
trei á direita (o escriptor subia o rio 
Ribeira de Iguape), puxada a canoa a 
braços; mas este ribeirão é tão falto 
d'aguas, que fui logo obrigado a voltar». 

Bethiem do Descai vado.— Cidade. 

(Vide Descalvado) 

Bethiem de Jundiahy.— Cidade, 

que hoje tem o nome Rátiba, 
(Vide Rátiba). 

Bexiga.— Praia, na ilha de S. Se- 
bastião: no municipio de Villa Bella. 

Bexiga, corruptela de Pdica, «carco- 
mida». De petí, fazendo mbetí, «carco- 
mir, picar, fazer furos miúdos», levado 
ao supino pelo suflSxo ca (breve). 

ÂUusivo a ser picada essa praia por 
carangueijos pequenos e grandes. 

Daqui se vê que o nome bexiga^ dado 
á varíola, é tupi. 

Bicame. — Affluente do rio Sorocaba, 
pela margem direita: no municipio de 
liete. 

Bicame, corrupção de Mbicoen, o mes- 
nio que Picoen, «canal, concavo, con- 
vexo», conforme o modo de ver a cousa. 

Allusivo a correr entre barreiras altas, 
de lado a lado. 

Bichoró.— Affluente do rio Agua- 
pehú, pela margem esquerda: no muni- 
cipio de Itanhaen. 

Bichoró, corruptela de Mbo-çm^óg^ «ras- 
gador;!^. De inbo, particula activa, çorog^ 
«rasgar». 

Allusivo a correrem suas aguas entre 
morros, e sob pedras, perfurando a serra. 

Bigoá.— Affluente do rio S. Lou- 
renço, pela margem esquerda: no muni- 
-cipio àe IgviL^.^^, 



BOA 



35 



BOC 



Segundo o systema de Martius, e 
de outros, liigoá deveria significar <i:rio 
de tnbiguá*. Mhigná é ura corvo que 
vive em aguas, ás margens dos rios e 
dos lagos. 

Mas, é outro o significado desse nome. 
Bigoá^ corruptela de Bn-gitãá, «lagôa- 
mananciaU. De bu, manancial», guâd, 
«enseada, lagoa». 

Allusivo a nascer de uma lagoa. Com 
effeito nasce no morro denominado da 
Lagoinha; e sua extensão é de cerca 
de 14 kilometros. 

Todavia, é possivel que naquella re- 
l^ão alagadiça abunde o rnhiguá. Os 
indígenas soiam fazer esse jogo linguis- 
tico. 

Biriçá. — Morro ou pico da cordilheira 
cujo espigfio é o divisor entre as bacias 
dos rios Jagiuiry e Atibaia: no muni- 
cípio de Bragança. 

Bir'^çáj «erecto e de muita altura». 
De èir, «levantar, alçar», içá^ «pilar, 
estatura, altura», além de outras signi- 
ficações, para exprimir bem a forma e 
a altitude do pico. 

Todos os morros ou picos dessa cor- 
dilheira são rochas graníticas e eruptivas. 

Biritiba. — Pequeno córrego, dando o 
nome a um bairro, no município de 
Mogy das Cruzes. 

Biritiba, corruptela de Mhiri-iti-bae, 
cpequenino, e sujo de hervas e plantas 
aquáticas». De fnbiri, «pouco, pequeno», 
ili'bae, de iti^ «ser sujo de hervas e 
plantas» com o suffixo bae (breve) para 
formar participio. Por contracçílo, Mbiri- 
Hi-bae. 

Boamirim.— Bairro no município de 
Itapecerica. 

E' corrupção de Mboij-mirini', e do 
ribeiro assim nomeado tirou o nome 
este bairo. 

(Vide Mboy). 

Boassara.— Bairro na freguezia de 
N. 8. do O', município de S. Paulo. 

Boassara, corruptela de Mob-hnçá- 
ára^ por contracção Mbo-haça-ra «o que 
atravessa». De mbo, partícula para tor- 



nar activo o verbo haçá^ «atravessar», 
com o suffixo ára para formar i)arti- 
cipio. 

Allusivo a um caminho que ahi atra- 
vessaria e por ventura ainda atravessa 
outro. Estes caminhos são denominados 
«travessios» ou «atravessadouros», lubo- 
haçá''ra. 

Boaséca. — Ribeirão que desagua no 
mar nomeado Ari7iáia, 

Boaséca, corrupção de Mboyâ-heçê- 
cúe, «successivamente arrimado». De 
mboijâ, «arrimar-se», fiecê, «successiva- 
mente», o mesmo que rehé, com varias 
significações, cúe, partícula de pretérito. 

Allusivo a descer da serra, sempre 
arrimado a esta. 

Boa-Vista (S. João da).— Cidade. 
(Vide S. João da Boa Vista). 

Bocáína. — Ramo interior da Serra 
do Mar, entre os municípios de Cunha, 
de S. José do Barreiro, de Arêas e de 
Silveiras. 

Os indígenas não deram tal nome a 
aquelle ramo da Serra do Mar. O nome 
Bocáína é simplesmente o da grande 
depressão naquella serra, permittindo 
sua travessia ou transposição por ahi, 
mais facilmente do que por outros pon- 
tos; tendo esse caminho por porto ma- 
rítimo Mambucaba, que é o do rio do 
mesmo nome, na província do Rio de 
Janeiro. 

Tanto Bocáína como Mambucaba são 
corruptelas. 

O primeiro, de Bdca-áhw, «abertura 
desbaratada*. De boca, verbal derivado 
de bóg, «fender-se, abrir-se, gretar-se», 
mudado o g em ca (breve) para formar 
supino; e de áina, verbal derivado de 
aí, «desbaratar, derrocar, ter altos e 
baixos», com o suffixo 7ia (breve) para 
formar supino, por ser grave ou mesmo 
circumflexo o accento no í, segundo a 
lição de padre A. R. de Montoya, em 
sua Arte de la lengua guarani. Por 
contracção, Boc^-ái-na. 

O segundo, de Mà-)nb-ucá-ába, «lo- 
gar por onde se faz a volta ou rodeio». 



BOC 



36 



BOI 



lação por ter a pronuncia de mà som 
nasal, ucâ, partícula de composição que 
se põe no fira do verbo, exprimindo 
constrangimento na execução da acção 
do mesmo verbo, segundo a lição do 
padre Luiz Figueira, em sua Arte de 
grammatica da língua brasilica, e ába, 
verbal para formar participio e expri- 
mir logar. 

O padre Luiz Figueira escreveu ucâr; 
mas, pelo padre A. R. de Montoya foi 
escripto ucá, mais em harmonia com a 
Índole da lingua, que não conhece ;• se- 
não o brando. 

O nome Mambucdba^ dado ao rio e 
ao porto, não o foi senão com referen- 
cia á Boc-át-na^ na serra. 

Conseguintemente, e á vista do ex- 
posto, mal e indevidamente se diz Serra 
da Bocávia: não ha tal serra, senão 
porque os portuguezes applicaram o nome 
da depressão ao referido ramo da Serra 
do Mar. 

Alguns explicam que Bocáina é a 
bocca da serra; e esta explicação tem 
origem no facto de applicarem os indí- 
genas o verbo yat^ «abrir, no sentido 
de alargar», á acção de abrir a bocca, 

Admittido este verbo na composição 
do nome Bocáina, teríamos Bóca-yni-na, 
«abertura larga». E é também possível 
ou provável esta explicação; não, porém, 
a de bocca da serra; embora figurada- 
mente assim possa ser. 

Todavia, segundo descripção dessa serra 
Bocáina, «formada de grupos graníticos, 
dispostos em zigs-zags em suas altas 
cadeias, e sem picos, visto como na su- 
perfície dessas formações ha verdadeiros 
parallelogramos e rhorabos de grande 
extensão», é possível que Bocáina seja 
corruptela de Mbocá-yai-tia^ «torcido e 
despegado»: mbocá, o mesmo que pocá, 

Allusivo a estar separado da Serra 
do Mar, e formar esses zigs-zags. 

A tradição, porém, tem conservado a 
primeira explicação. 



Bocaina. — ASluente do rio Parahyba^ 
pela margem direita: no município de 
Silveiras. 



Segundo o systema dos indígenas, de 
darem nomes com som quasi idêntico 
a logares vários na mesma região, mas 
com significado diverso, Bocaina, nome 
do ribeirão, é corruptela de Mbo-quái- 
tia, «cingido». De rnbo, partícula activa, 
qnáty «cingir», com o suffixo na (breve) 
para formar supino. 

Allusivo a correr entre montes. 

Bocaina.— Villa á margem da es- 
trada de ferro «S. Paulo e Rio de Janei- 
ro», no ponto em que é ligada á D. Pe- 
dro II, (hoje Estrada Central), Tira da 
serra o nome. 

Bocaina.— Serrote, nos municípios 
de Atibaia e de Bragança. 

Serra, no município de Jahú. 

O nome é allusivo á depressão ou 
abertura na montanha. 

Bocama. — Cachoeira ultima no rio 
Itararé-guassúy aftluente do rio Paraná- 
panema, pela margem esquerda. 

Bocama, corru|)téla de Pocá-mo ou 
Mbocá-mo, «torcida». Be pocá, «torcer, 
quebrar a fila», com o suffixo mo (breve) 
para formar supino. 

Bocó. --Morro, no município de Ita- 
petininga. 

Bocó, corruptela de Mbo-cóg, «contra- 
forte, arrimo, sustentáculo». De mbo, 
partícula para tornar activo o verbo, 
cóg, «arrimar, sustentar». 

Allusivo a ser ahi o contraforte da 
serra. 

Bofete.— Serra entre os rios Para- 
ná pauema e Tietê: ramificação da serra 
marítima para o interior dessa região. 

Bofete, oorruptéla de Bog-étd, «total- 
mente fendido». De bog, «ser fendido, 
ser gretado», étei, «totalmente, de todo», 
exprimindo superlativo. 

Allusivo a ser uma serra completa- 
mente escavada; com fendas exteriores 
e grutas interiores. 

Boiada. — Aflfluente do Rio Pardo: 
pela margem direita, no municipio de 
^ Cajurú. 



BOI 



BOM 



Boiada, comipçao de liú-yijCii-bo, «o 
que nasce embrenhado». De. l-ú, «nas- 
cer», com ajiplicação a rio, funte, erc, 
t/yúi'bo, verbal derivado de iiyái, *eni- 
brenliai», com o suSixo ho (breve) para 
formar supino. 

Ãllusivo ao facto de ter este rio, em 
sua nascente, no serrote que delle to- 
mou o nome, uma cuchoeira profundís- 
sima, em cujo centro ha jequitibás, e 
outras arvores gigunlescas que, vistas 
(lo alto, semelham pequenos arbustos. 
O rio parece surgir desla profundeza 
coberta de brenhas. 

O serrote é no município de Mococa; 
e seu cume é um chapadão uu campo. 

Boi-COára.— Affluente do rio lilbeirn 
de If/un/ie, ppla margem : no mu- 
nicípio de Iguape. 

Boi-coára, corruptela de Mho-qmtr-a, 
«esburacadoi. De mbo, particula activ», 
quar, «buraco, fojo, poi;o», com o ac- 
crescimo de a (breve) por acabar em 
consoante. 

Ãllusivo a ter poços e pcr^ius no 
leito. 

BoisSUCanga- — Ribeirão que nasce 
na face sul da cordilheira niarillma, no 
punto em que está sua segunda decli- 
nação para o poente: nu município de 
S. Sebastião. 

Boissiicant/n nada tem com cobras,' 
e muito menos com as cabeças desses 
repiís. E', sim, corrupção de l-iubitiçá- 
cnrig-a, «rio cuja bocca é enxuta.» De 
i-niblaçá. «barra ou bocca do rio», cavg, 
«enxuto, secco», com o acerescirno de a 
(breve), por acabar em consoante. 

Allubivo a espalharem-se suas aguas 
na praia, não tendo por isso fúz. 

Boítuba.— Serrote baixo, ou, antes, 
planur» que se estende entre os rios 
Tietê e Sorocaba, até a attluencia deate 
naqaelle. Nos municípios de Porto-Fe- 
liz e Tietê. 

Ha ahi uma estação da Estrada de 
Ferro Sorocabana. 

lioiiuba, nada tem com cobras, como 
alguns suppõem, julgando vêr nesse 



nome }}>/ioi-ti/ha, que siguificaria abun- 
dância de cobras. 

lioitulia é corruptela de Mboi-tú-ho, 
acorlado a golpes». De inhm, «cortar, 
despegar, apartar, desiiedaçar», tú-bo, 
verbal derivado de hí, «golpear, golpe», 
com o auflixo bo (breve) para formar 
supíno. 

Com cITeíto, é essa unia extensa pla- 
nura que os aifluentes dos rios lieU e 
Soromiia cortam era sulcos mais ou 
menos fundos, algumas dezenas de me- 
tros abaixo do nível geral das terras. 

No Kslwço geológico da região com- 
pte/iendida entre os rios Sorocaba e 
TieU', pela Commissão Geographica e 
Geológica da Pruvincia de S. Paulo, li: 
«Na fiiixa comprehendida entre a cidade 
de Porto-Feliz e as estações de Cer- 
quílho e Boituva, uma grande mancha 
de terra roxa cobre estes grés e forma 
uma extensa chapada cortada por pe- 
(/iietios valles e de altitude media de 
600 metros». 

Bom-Abrigo.— Ilha, ao sul da barra 
de Cananéu, a leste da ilha Cardoso. E' 
pequena, de formação granítica, dando 
em sua face occidental surgidouro fundo 
e seguro. 

Por isso, os portuguezes, ouvindo o 
som do nome em tupi, entenderam Bom- 
Abrigo. 

Bom- Abrigo é corrupção de Mbo- 
ibiri-bo, «emparelhada». De vibo, par- 
tícula activa, ibiii, «emparelhar, estar 
junto, enfrentar», cora a posposíção bo 
(breve) para exprimir o modo, segundo 
a lição do padre A. R. de Montoya, 
em sua Arte de la Irtigtia guarani. 

Ãllusivo a eslar na mesma latitude, e 
á vista, com a ilha Cardoso. 

Bombas.— Morro, no municipiu de 
Yporanga. 

Bombas, corrupção de Mbõ-bae, «in- 
chado». De mbõ, o mesmo que põ, «in- 
char», com a partícula bae (breve) para 
formar partícipio. 

Bom-Bicho.— Pequeno rio, que des- 
agua na l)ahia Trapand»': no município 
de Cananéa. 



w 

r Tio. 

'flrra 



BON 



liom-Biiho, corruptela ilo Mhoel/irJiJ/, 
'Arrastado*. 

Allusivo a ter niuito fraca corrente. 

E' alngadiço. 

Eíitando o acceiito predoniinante em 
/«', o resto do nome é pronunciado breve: 
— dalii a corruptela. 

Bom-Jardim. — Nascente d'agua no 

serrote divisório das aguas do rio Ticié 
com o seu aflluente <'ahnçu: no muni- 
cipio de CouceigSo dos Guarulbos. 

Boin-Jar<iiin, corru]içao de Mho-yã- 
ly, «enterra-se abrindo gretas». De 7iibo, 
parlicula activa, i/â, «rasar, fender, gre- 
tars, tf/, íenterrar, apertar tapando». 

Menos á lettra. significa *grota funda-. 

Allusivo a ser uma na^jcente no fundo 
de uma grota. 

Está na «Itítude de i)78 metros. 



Bom-Successo. 

esquerda do rio Pa 
tante dous kilomelrot 



-Villa; á margem 
'•aitapniiemn, dís- 



Bonete.— Praia, na illia de S. Se- 
ba»itiilo: no município de .Villa-Bella. 

Boiíele. Corruptela de Mboi-í'(<Í, »pe- 
daço aoito». De mhoi, «pedaço», éln, 
«sollíi, ocioso». 

Allusivo a ser uma pequena praia sem 
li{(aí;fio com as outras, por inierrup(,'nes 
naturaes. 

Bonito.— Aflluente do Rio do Peixe, 
pela margem esquerda: no município de 
Itio iionito. 

.\fflueutes (dous) do rio Pamnapaiic- 
ma, pela margem direita: nos municí- 
pios de Rio Novo e de Santa Cruz do 
Uio Pardo. 

Atllu<'nte do Moyy-yitassú. pela mar- 
gem esquerda: um no municipio de 
Beihlem do Descalvado, e outro no de 
Àrara<iuara. 

Cursos d'ugua nos munícipios de Pie- 
dade, de Brotas e de Rio Novo. 

lloiiilo, corrup^íio de Mbohii-ta, íva- 
garoso>. De mboiíií, «carga, peso, ou 
ser pesadoí, com o suflixo ta (breve), 
para formar supino. 

Allusivo ú lenlidSo de suas aguas. 



Bonito (Rio).— Villa. 
guezia de Sammiiháin. 
{Vide Rh Bonit.,). 

Bopy.— Morro, na freguezia lie 
S. do O': municipio de S. Paulo. 

Bopy, corruptela de Bi-pi, tere 
tonteadui. De O/', «levantar, atear; 
<tornear». O i de bi leni proni 
guttural. 

£' da mesma fúrma do morro -h 
yiiii. 

{Vide este nome). 

Porém, é muito menor do que 

Boracéã. — Ribeiro que nasce 
vertentes uustraes da serra Param 
caba, fazendo barra no oceano: no 
nicipio de Santos. L'm cabo ao sal 
fóz desse ribeirão tomou lambem 
nome. 

JSoracéa, corrupção de Mboiá-çái. < 
atado e esparzido». De mhorá. o mi 
que }>orá. -destorcer, desatar», («1, 
parziru. 

Allusivo a correr niuito raso, alagi 
as margens quando ha chuvas. 

Bossoróca. — Síío terrenos rasg 
pelas chuvas. 

(Vide os nomes Bassoróca e liotor 

Botoroca. — Affiuenie do riu 
rn-piniiiya. pela margem direita. 
Irn-rii-jjiruiiija é lambem denuui 
de .S. Vicent-e. formando o escoant* 
cidental do lagamar de Santos. 

Botoroca, corruptela de Mboçor^ 
que rasgai. De çoroy, irasgar>, pi 
(lido da partícula mbo para tornara 
o verbo e mudado a y em na {' 
por acabar em consoante. 

Allusivo a correr entre terra ras 
Cuiii el]'eit<i, este ribeirão nasce ns 
Monynguá, e suas agu. 
barrancas. 

Ha alguns legares na prorincU' 
o nome Bossoróca: ainda é "i 
explicação. Siio terrenos rasgados 
chuvas. N5o se confunda cora ilof. 
úgea, «dobrar corda, eunovelar». 



BOT 



39 



BOT 



Bosque.— Affluente do Bio Pardo, 
pela margem direita: no municipio de 
Botucatú. 

E' também conhecido por Curnjinhn. 

(Vide o nome (hirujinhn). 

Bosque, corruptela de Jióg-ca, «fen- 
dido». De bôg, «íender, rachar, abrir», 
com o suffixo ca (breve) para formar 
supino. 

AUusivo a ter no leito buracos e cal- 
deirões, pela natureza do terreno, for- 
mado de sedimentos horisontaes. 

A's vezes, as aguas somem-se para 
reapparecerem adiante. 

A corruptela provem de terem este 
e outros ribeirões, na serra Botucatú^ 
onde nascem, — capões ou bosques que 
lhes cobrem as cabeceiras. 

Botucatú.— Cidade, cujo nome é ti- 
rado da serra á margem esquerda do 
rio Tietê, na distancia de trinta kilo- 
metros^ mais ou menos, entre os mu- 
nicipios de Lençóes, de Botucatú, de 
Rio Bonito^ de Tatuhy, de Itapetininga, 
de Guarehy e de Rio Novo, formando 
um quarto de circulo, e dando ramifi- 
cações que estão á margem direita do 
rio Paraiiapanema. 

Botucatú, corruptela de Mbitú-catú, 
€ muito vaporoso». De ynbilú^ o mesmo 
que pitu, «bafo, evaporação, calor inte- 
rior», catú, «muito». Este catú^ embora 
signifique também «bom^ bem, licito», 
serve para superlativo, e também para 
comparativo, quando collocado no fim 
do nome ou do verbo, segundo as cir- 
cumstancias. 

Allusivo a ser de natureza carbonífera 
esta serra. 

Botucavarú.— Monte que se eleva 
áciíua do nivel do mar, de 9õO a 1.000 
metros, e faz parte da serra Itatins, 

Attribuem a este morro grandes ri- 
quezas mineraes; e o nome bem o in- 
dica. No cume ha um lago, segundo 
boato ou tradição popular; e, segundo 
o mesmo boato ou tradição, criam-se 
nesse lago enormes jacarés. 

Frei Francisco dos Prazeres Ma- 
ranhXo, em seu GíossaHo de palavras 
indígenas, escreveu que Botucavarú si- 



gnifica «lugar de folguedo»! Bom lugar 
de folguedo o cimo desse morro. . . 

Outros têm dito que significa «mosca 
a cavallo». De mbulú, insecto da ordem 
dos dipteros, familia dos Tabanios, de 
que ha varias espécies; uma das quaes 
é o tarào ou atabão besteiro, ou mos- 
cardo dos bois, fnbanus boviuus, por 
morder os bois e os cavallos. Por causa 
da crina, e ouvindo os indigenas o nome 
cavallo, logo que viram este quadrú- 
pede, o denominaram çaba-yú, «cabello- 
amarello», e também caba^-ú. Por isso, 
a versão de «mosca a cavallo» foi admit- 
tida; e muitos affirmavam vêr sobre o 
morro como que uma enorme mosca gra- 
nítica! Tanto pôde a imaginação. . . 

Botucavarú é corrupção de Mbitú- 
cai'ham, «evaporação que queima e faz 
damno». De vibiiú, o mesmo que pitu, 
«bafo, evaporação», cai, «queimar, quei- 
madura», harú, «damnoso, maléfico». 

Allusivo a fazer nesse morro um calor 
tal que produz enfermidades. Certamente 
o morro é mineral. 

Botucava7'ú, morro no municipio de 
Parnahyba, — sem duvida tem a mesma 
explicação. 

Botujurú.— Morro á margem esquer- 
da do no Jacupirauga: no municipio 
de Iguape. 

Morro entre os municípios de Jun- 
diahy, Itatiba e Atibaia. 

Botujurú, corrupção de Mbiiú-yú-rú, 
«o que tem evaporação morna». De 
mbitú, o mesmo que pitu, «bafo, calor 
de fogo, evaporação», yú, «morno», rú, 
«ter». 

Allusivo ao facto de sahir do interior 
do morro ura calor morno. 

Boturantim.— Salto no rio Soro- 
caba, na distancia de quasi três quartos 
de légua da cidade deste nome. 

Outros escrevem, ainda também cor- 
ruptamente, Voturantim, 

Tem cerca de 16 metros de altura. 

Boturantiin, corrupção de Ibity-rã-fi, 
«evaporação semelhando névoa». De 
ility, «névoa», rã, «parecido, seme- 
lhante», ti, «vapor, evaporação». O y 
de ibiifi tem çrouvitvcva. %>\\X\xt^, ^^\.- 



BOY 



40 



BRA 



tanto, o nome inteiro deve ser pronun- 
ciado Ihiiu-ran-tifH. 

Allnsivo ao effeito causado no logar 
pela evaporação daquella enorme massa 
d'agua, annuviando o ar, e dando ao 
phenomeno antes a apparencia de ne- 
voeiro, do que realmente de queda d'a- 
gua. O nome envolve uma bella imagem 
poética. 

(?) ílnti-ra-fy, «ponta da serra». De 
ibiiira, «serra» ty, «ponta». 

Boturuna.— Morro elevado, no mu- 
nicípio de Parnahyba. 

Uoturuna, corruptela de Mbiiú-run-a, 
«revolução interior, evaporação». De 
mbitú^ o mesmo que pilú, «bafo, calor 
de fogo, evaporação», rh, <^revolução in- 
terior», com o accrescimo de a, porque 
r7i^ pelo som nasal da pronuncia, acaba 
em consoante. 

Alguns dizem que é corruptela de 
Ibity-r-ú-na^ «nuvem negra»; mas tra- 
tando-se de morro, o nome Mhi-tú-ru-na 
exprime perfeitamente a natureza metal- 
lica do morro; e, como aurífero, foi ex- 
plorado em 1590 por Affonso Sardinha. 

Próximo a este morro estabeleceu-se 
o capitão Guilherme Pompeu de Almei- 
da; fundando ahi a capella de N. S. da 
Conceição, 

(Vide Algumas Notas Genealógicas, 
relativamente a Guilherme Pompeu de 
Almeida). 

Mais incorrecto do que Boturuna^ já 
li Voturuna, 

(Vide Yoturuna), 

Botuverá. —Serrote, no município de 
Itapecerica. 

Boturerá, corruptela de Ibiti-berá, 
«serra resplandecente». De «7>?7/, «serra», 
bera, «resplandecer, resplendor». 

Allusivo a que, sendo escalvada, mos- 
tra o brilho de micaschistos que, com 
outros granitos, a compõem. 

Boygassú. — Várzea, no município de 
Caraguatatuba. 

Outros escrevem Mogy-guassú, 
Com eflFeito, o nome Boygassti, expri- 
me apenas o local: corruptela de Mbo- 
/yau'Ufú, ^pantanal extenso.* De r?i6o, 



partícula activa, o, por predominar o 
som do b, não soa o m senão imper- 
ceptível mente, igaú, «lama, detritos», 
uçú, «grande, largo». 

Quanto ao nome Mogy-gtiassú, ex- 
prime mais a qualidade pegajosa da 
lama. 

(Vide o nome Mogy-gnassú). 

Allusivo ao pantanal que ahi existe. 

Os rios, que descem da serra mari- 
tima, derramam-se na planície; e suas 
aguas formam esses pantanaes. 

Ao princípio suppuz que o nome Boy- 
gassú era corruptela de Mbae-y-gu-haciy 
«cousa trabalhosa t. De mbae, «cousa», 
?/, relativo, gu^ reciproco, haci^ «difficil, 
trabalho, dor». E esta palavra y-yu-haci 
tenho lido escrípta ygnassú; e, á conta 
dos indígenas do rio Amazonas, euassú, 
segundo Gonçalves Dias. Mas, não 
tem applicação ao caso, ainda que tra- 
balhosa cousa seja um pantanal. 

Boyínquára.— E' a mesma cachoeira 
no no TieU\ que alguns nomeiam cor- 
ruptamente Bcjú e Bojny. 

(Vide Bejú), 

Boyitiqudra, corrupção de Mbo-yúr 
guâra, «estreitado em forma de garganta». 
De 7}íbo, para tornar activo o verbo yú, 
«estreitar, fazer garganta», gtiâra, verbal 
para exprimir o modo ou a forma. 



Braço.— Affluente do rio Parahyba, 
pela margem esquerda: no município de 
Pinheiros. 

Affluente do rio Ribeira de Iguape^ 
pela margem esquerda: no município 
de Iguape. 

/^raf o, corrupção do Aibaraá-ocè, «muito 
doentio». De mbaraá, «moléstia, doença 
de febres», ocè, posposição para expri- 
mir superabundância. Neste nome pre- 
dominou o som do 6. 

Allusivo a produzir sezões em tempo 
de vasante das aguas. 

Bragança.— Cidade, cujo nome, quan- 
do ainda era freguezia, era Jagnary: 
então ainda no munícipio de Atibaia. 
Está assentada a 850 metros acima do 
nível do mar, em uma pequena eleva- 
^ção á margem direita do ribeirão Ta- 



BRA 



41 



BRA 



pttxiuga, que Dasce no morro Itnpixínga, 
e destoa no rio Jagnary. peia mar- 
gem esquerda, com o nome Ubemba. 

Alguns escrevem mais correctamente, 
soando igualmente conto o ile morro. 

(Vide o nome JlnpUingn). 

A região em que está o município 
de Bragança, é tamliem conhecida por 
Guarapocaba. 

(Vide o nome Gnarapocaba). 

Brajaymiríndúba.— Rio que, nas- 
cendo ua serra marítima, corre no mu- 
nicípio deUbatuba, e desagua no oceano. 

E' também conliecido por lirajahilia. 
corruptela de Mbarari-y-aib-a, smáu e 
doenuo>. De mbaraá, «doença», y, re- 
lativo, aib, «mau», com o accrescinio de 
a (breve), por acabar em consoante. 

Já li em documento de 1610 ^fa^■a- 
}aimirÍ7tdlba. 1 

Brajaymiríndúba, corruptela de Mba- 
raá-ayè.'intn-ndú-bae, ciiinito doentio, a 
pique, estrondoso». De mbaraá, *iloen- 
ça>, ayè, *mnito«, mii'i, o mesmo que 
pyri, «a pique, a prumo», ndú, «estron- 
dar». bae (breve) para formar particlpio, 
significado <o que é». 

Allusivo a produzir febres e outras 
enfermidades; e a ser a pique nas ca- 
choeiras, fazendo as aguas grande es- 
trondo. 

De uma informação local colhi o se- 
guinte: — íTres cachoeiras, conhecidas por 
Iraribá, I\ata e 1'iabas, formam este 
rio: em alguns legarias são cascatas, quasi 
vertícaes, em outros são saltos, produzin- 
do grandes detonações, principalmente a 
Iraribá. Cabindo da serra, corre em uma 
várzea salpicada de pântanos até qnasi 
á fóz. E' muito corrente; e com as cliu- 
Tas torna-se perigoso em sua travessia. 
O rio, quando já na várzea, tem cerca 
de 22 metros de largura; e assim vae 
até o denominado J'oço dos liagres. Dahi 
continua, ora se alargando, ora se es- 
treitando, até a sua fóz na praia, que 
lhe tomou o nome; medindo a fóz cerca 
de 40 metros. Sua profundidade varía 
de 2 a 5 metros; e a extensão com as 
ToLtas, meáe cerca àe i kilometros. 



BragitÚba, ou Brfgí/úbo, ou Braja- 
hytúba. — Affluonte do ribeirão Passa- 
Vinte, pela margem direita: no muni- 
cipio de Lorena. 

Affluente do rio /íibeira de Igunpe, 
pela margem esquerda: no muiilcipio de 
Ignape. 

Todos aquelles três nomes sao cor- 
rupções de Mboró-ai-y.-tiú-lMie, por con- 
tracção Mhor'-ai-ye-tút-bae, *o que boja, 
fazendo charcos. De mboró, o mesmo 
que poro, partícula de composição para 
exprimir o effelto do verbo, ao qual se 
junta e antecede, ai, «aguar, ser agua- 
noso», yc, reciproco, para exprimir a 
acção da cousa sobre si mesma, túi, 
«bojar, fa^er barriga», com o suflKxo bae 
(breve), para formar participio, signi- 
ficando «o que». 

Allusivo a terem fácil escoadouro nos 
rios a que aftiúem; e, portanto, suas 
aguas refluem, e formam lagoas e charcos. 

Branco. —Morro, no município de 
Parnahyba. 

(Vide o nome Cnbello Branco). 

Neste morro, além de mármore de 
varias cores, ha mina de ferro de boa 
qualidade. 

Branco. — Uma das cabeceiras do rio 
Boíoróca: no município de S. Vicente. 

ASIuente do rio Parahyba, pela mar- 
gem direita: no município de Itanhaen. 

Cabeceira do rio Piroupara: no mu- 
nicípio de Iguape. 

Afflnentes do rio Una d'Aldén, pela 
j margem direita: no município de Iguape. 
Ha o de cima e o de baixo. 

Ha também um rio Branco no mu- 
nicípio de Cananéa: com lindos saltos. 

Todos estes ribeirões, excepto o de 
Cananéa. têm na respectiva regiilo, um 
companheiro denominado Preto. 

O Branco do rio Pironpava forma 
com o Vieto uma forquilha; e são as 
cabeceiras do mesmo Piroupara. 

Muito correntes. 

Branco, corrupção de Mbaraâ-ngúe, 
«ruim». De miflrí/rf, «crpar enfermidade, 
ter ruindade», com iigúe o mesmo ojie 
jCÍie, para fti.\ii\\ft\i ■çTft\Kt\xa. 



BUG 



42 



BUQ 



Allusivo a produzir doonça, febres e 
maleitas. 



Bugio, corraptéla de Mbo-xigi, taper* 

tado>. De mbo, partícula actíva, újí; 

€ apertado, duro». Por coutracçio Mb*^ 

Brotas.— Tilla, fundada entre as duas tigi, o primeiro t tem som guttoraL 



vertentes do rio Jacaré-pipira-wirím. 

Este rio, ainda a pequena distancia 
da villa, despenha-se por um terreno 
muito accidentado, formando nas suas 



Allusivo a correr entre montes. 

Em seu curso, recebe as aguas de 
dous mananciaes, no logar Jarditn^ut^ 
eidos de duas grutas; de outros qoatra^ 



successivas quedas uma série de saltos j nas terras do sitío Cachoeira: de maii 

e de bellas cascatas. j dous, no sitio denominado Bugio; de an, 

Broias. corrupção de i%>-a-oí- to, no sitio /Vc/r«ra; e, finalmente, demais 

csaltos torcidos». De pór^ com o com- 



plemento de fí (breve), conforme a lição 



dous, já quasi á sua fóz. 

No forrasquinho tem elle a sua ori- 



do padre A. R Montoya, em sua Arte gem principal. Seu curso é de seis Id- 
de la lengua guarani^ formando por -a,' 



«saltar, dar queda, salto», o<-to, deri- 
vado de óí, ctorcer», com o suffixo ta 
(breve) para formar supino. Por con- 
tracção, F-r^-óHa, 
Allusivo a essa successão de saltos 



lometros. 
Apenas tem três pequenas cachoeiras. 



Bugios.— Cachoeira, no rio Pérawjf 
panenia. 

Bugios, corruptela de Mbo-tigi^ caper- 
no no Jacaré-pipira-mirim; e os pri- tado . De wio, particula activa, if^ 
meiros exploradores traduziram o nome \ ^apertado, duro». Contrahido em MV- 
em Salto, e outros depois corromperam | \igi^ o í tem som guttural. 
o nome tupi em Brotas, por causa do 
som. 



Bnimada— Corredeira no rio Mogy- 
guassú: muito perigosa embora nâo o 
pareça. 



Allusivo a estreitar-se ahi o rio, oa ' 
extensão de quasi um kilometro, for- 
mando passagem perigosíssima. 

Mais abaixo desta cachoeira, 4 Idlo- 
nietros mais ou menos, ha outra ea- 



Brumado, corrupção de Mború-yá-bo, \ ohoeira, que tem o mesmo nome, 6 c 
«enganadora e dissimulada^. De mioní,'tào perigosa: formada entre dous lage- 
«enganador, perigo occulto>, yâ, cdis-.^o^ Q"^ ^^1» estreitam o rio, deixando 
simular», com o suffixo bo (breve), para aP^ua^ "«" ^*^»aí profundo, com temiveií 
formar supino. rodomomhos. 

Por serem duas cachoeiras, a oor- 

BufâO.~Cachoeira, no rio i^rawa -. ^uptéla foi no plural: Bugios, 
pauema, abaixo da fóz do rio Âpinhy: . t .^ . . 

no município de Itapéva da Faxina. .-S^^V^^^T)'"^' conhecida hoje por 

i/i//^o. corrupção de mwtf, ^levantar, ^ ^lla das lalmaras. sem uma razio 
estar em pé, fazer freme». O verbo é.naiurtil para isso. 
puã; mas é este um dos que mudam o E^^^ ;;>»*^ esta a margem esquerda 
p inicial em mb ' *^'' ^*^ kfiqumi. antes de receber o n- 

Allusivo a ser formada por um dique beiráo l-errão. nome também corrom- 
ou travesãáo de granito duríssimo, no P>^^^- r. . . . 

qual ha apenas um canal estreitíssimo, E^/e no divuie-se em Buqmnnha e 
por ond. as aguas precipitam-se, for- em hnq^oni^i.nuuu: e o grande salto 
mando mais abaixo enormes e sut^ssi- . q«^^ os sej^ni assim. O Buquinnha tem 

quatro cachoeiras im|H>rtantes: além de 
' outras menores. 



vos rodornoínhos. 



Bugio.— Affluente do 

margem direita 
tiriga, também 
iDuwcipio de 



», pela Ha também a serra Buquiroy qoe 

4e divisa aos numicipius de Bu- 
^^çapava. Xesta serra ha nii- 



E hs também a serra Buipiira, no 
nicipio de Nazareth; também, como 
lella, rsmificação da serra Mnnti- 

O nome do rio, ltiti(uira, é corruptela 
'"■gui-rõ, ide alio a baixo>. De hi, 
gui, «bailo, logar inferior», rõ. 



AIlusJTO ao grande salto que o divide 
i dous. como admn eslá mencionado. 
O nome das serras, Buquira, é cor- 
itéla íie Mbu-ijè-guir-a, contraliídu em 
^t-yi-guir-a, «tioo embaixo*. De mbo, 
■rticuU activa, í/í, <ôco», giiir, -em 
, com o accrescinio de a (breve) 
r acabar em consoante. 
AUqsívo a cavernas. 

Buquirí. — Nome de um logar no mu- 
típio de Lorena, próximo á serra. 
Também assim era denominada pelos 
idigenas a região que forma a ilha em 
está &itaada a cidade de Santos. 
ihi — a versSo de macacos que, se- 
lado frei Gaspar da Madre de Deos, 
Memorias parn a bisluriít da f ii- 
íia de S. Vieifiile, se denominariam 
}uis, applicada tnincadnniei:te ú ex- 
ício do nome Ileiiioi/a. 
(Vide o nome íkrliugn). 
Snqiiiri, corruptela de MOu-qitir-í, 
'successi vãmente chuvoso». De t/uir, 
>cliover>, i, posposí^iko paia exprimir 
Perseverança; precedido de mbo, para 
tornar activo n verbo, exprimindo ao 
mesmo tempo < habito^, apõcope de n/horó, 
* mesmo que poió. 

Burú. — ^AÉtluente do rio Tieti', pela 
margem direita: nos municípios de Porto 
feliz e de Itú. 

Já li escripto liulgrú! 

iiiirú, corrupçAo de Mlà-rú, irodo- 
moinho». De tubi, o mesmo que ^í, 
'Wntro, fundo». rTi, -revolver». 

Ha no rio Tielé. próximo á foz deste 
Sen nUtiiente, a corredeira Burú, que é 
corruptela também de Mbi-ru. 

Tanto no ribeirSo, como na corredeira, 
U inuitoit rudomoinhos. O som gulturul 



de Mhi-nt, é que produziu a nurrupi^íio 
supra. 

Butá.— Aftluente do rio Ikirnhijfta, 
pela margem esquerda: no município de 
S. José dos Campos. 

Fiitlá, corruptela de Mho-Ílá, ofaz de- 
Htáu*. De mbo. partícula de composição 
para tornar activo o verbo, ibi, *ser em 
forma de estante, ler pilares, formar 
degraus, ou cousa que se estriba em 
outra». Por contracijão Mb'-Uáx lendo 
som guttural o i. 

.\lluBÍvo a cahirem da serra suas aguas 
coui ou Eobre um salto de três metros 
de altura, e outros menores. 

Butá é também o alto do morro An- 
diirát/uara no município de Nazareth. 

(Vide o nome Amlaraquára). 

Buturussú. — Serra, no município de 
Jí,u,hnrn. 

Biiiiinisitú, corrupção de Ibili-ruçú, 
• serra grande». De ibiti, «aerra», ríítií, 
igrande, largo», precedido de r, por aer 
necessário na composição da palavra, a 
fim de separar duas vogaes. 

Ãllusiva a ser extensf^. alta e largn. 

Búzios.— Pequena ilha, dividida ap- 

parentenieute em duas por causa de 
uma depressão no centro: a leste da 
ilha >'. Sebaslião. 

Figurando duas, e por serem muito 
pequenas e razas, os indígenas a deno- 
minaram Jlú-bo, «sabidas debaixo dagua», 
isto é, »surgidas do mar». Os purtu- 
guezes, ouvindo o som da palavra, pen- 
saram ser hiixios, esquecendo-se de qnd 
binio é de origem africana: e assim fica- 
ram com esse nome. Alguns escrevem, 
ainda com maior corrupçflo. Bugios, por- 
que os africanos (ironnncíain bújiui. 

Bú-bo, verbal deridado de abú, «sa- 
hir debaixo d'agua» com o suftixo lio 
(breve) para formar supmo. ou antes, 
para exprimir o modo de estar. 

Com elTeito, estes ilhéos. de tao ra/.os, 
são vistos no meio das ondas como sur- 
gindo do mergulho, a proporção que o 
navegante aproxima-se de cada um. 




CaáguassÚ.— Afíliientp <Io rio So- 
rocal/a, pela niarperii esqiienia: no iiiu- 
iiicípiu lie Sorucubii, Alguns têm escripto 
com menos incorrpa.-ao Ciiágiiansú. 

Aftluentp lio rio ■Inndinby, pclit niar- 
Rem esquerda: enire os rnunicipios de 
Cabreúva^e ile Jumliahj-. Ha ahi tam- 
bém iim mono com pste nome. 

(Viiie o nome Cmjunasii). 

Uma das cabecerrns do ribeirão -/««■ 
âiovira, pela margem direita, no friiini- 
cipio de Juudiuliif. 

Ciiágiiassú, com referencia a curso 
d'agua, é corruptela dp Qnâ-<iMi-^-ú. 
<poço8 OU fojos, com altos e baixos.. 
De qãa, .poço, fojov, çú, «altos e bai- 
xos». Qãn, repetido, é para assignnlar 
a frequência, stiucessi vãmente ou em mui- 
tos logare.s segundo a Ii^ao rio jiadre 
A. R. DE MoNTOYA em sua Ai-ti: <k la 
levijHa guarani. 

Allusivo aos peraús nesses ribeirões. 

Cabaços.— Affluente ilu rio Uibeira 
ílf Igttape, pela margem esquerda : no 
muuicipio de Xiririca. 

Cfl/iafOíí, corruptela de I 'ulái/iiti, .cor- 
renlt', Teloz». 

Allusivo á grande correnieza de suas 
aguas. 

Em frente á íóz deste riu ha uma 
pequena ilha, que trás; hoje o mesmo 
nome Calnn-nn. 

Cabeça. -Afllurnte d» no loriíiibn- 
Mi;/, pela uiargem direitn: no niutiicí- 
pio ilo Rio Claro. 

frrbfça, corrup^-flo de Qiinb-rrc, <suc- 
cessivamente corrente». De (/'iní*. «pas- 
sar, rorrtT», rrè, o mcziíno que Aícê, o 
mesmo que rehí, «successi vãmente». 




Allusivo a ter forte rleclíve. < 
por issi) sempre corrente. - 

CabeUo-branco.— Mono granit 
li margem esquerda do rio Jtiqnerg: 
munii-ipio de S. Paulo. 

( hhfUo' Bienico, corrupção de (^i 
Oi'Íiatiq-ea, «torcido e ponta alta 
ijiiii, ípontat, ií, (lerantar, elevar, altar, 
alto», fmtig, *lorcer» levado ao sapiao' 
jielo aecrescimo da piírticula cn (brcTe). 
O som do u de í/iíá é quasi 
ceptivi'1. 

Allusivo a não se mostrar bem erecl^ 
e a ser altamente ponteagudo. 

A corrupi,'flo foi operada pelo facto de 
ser composto esse morro de schi^tia u- 
gillosos e de quartzitos, mostrando 
alto elementos calcareus. 

CaboçÚ.— Affluente do rio (íuapirti, 
pela m-irgem esquerda: nasce nos mor- 
ros denominados Pemcnia, e corre en- 
tre os municípios de S. Paulo e da CoK> 
cei^ão di)S Guarullios. 

K' tnmbem o nome de um ribeirio 
affluonie do rio Tielé, pela marc('in di- 
reita, na freguezia de N. S. do O": inn- 
iitcipio de S. Paulo. 

E' também o nome de um nbHrlo 
que, nascendo na serra CuUUHo, banhi 
o município de Santos o desagua BQ 
furo liriiioga. 

''a, na província, outros cursos daent 
com esse nome. 

falifnii, corruptíla de liiiàà-tiurú,*w 
seada largai. De ijuiiit, ■enseada, alng»- 
dt(;o>, /íí/{M, -largo, grande^, o niesnw 
que if('ú. 

O primeiro ribeiriíii i^ o que serve de 
diviíia aos municípios de S. Pauto e di 



CAB 



45 



CAÇ 



Conceição dos Guariilhos. Depois da saa 
confluência com o Trememhé^ este toma 
o nome de Ouapira. 

(Vide o nome Ouapira), 

Cabras. — Morro^ no municipio de 
Itatiba. 

Morro, no municipio de S. Vicente. 

Morro, no municipio de Atibaia. 

Ilha pequena, no oceano; do munici- 
pio de Ubatuba. 

Ilha pequena, no oceano; do munici- 
pio de S. Sebastião, ao sul. 

Ilha pequena, no oceano; muito pró- 
xima á barra da Enseada, na ilha Guaim' 
hê ou de Santo Amaro\ do municipio 
de Santos. 

Oaèros, corrupção de Qtíâ-bae, «ponte- 
agudo:». De quâ, «apontar, ter ponta», com 
o suSixo bae (breve) para formar supino. 

Âllusivo a não serem razos. 

Os morros são pedregosos. 

As ilhas são de margens granidcas e 
altas; rodeiadas de profundidade. Ape- 
nas a do sul de S. Sebastião tem na 
face oriental um arrecife que se pro- 
longa, sob as aguas, para o canal. 

Cabreúva. — Villa situada á margem 
esquerda do ribeirão Cabreúva, affluente 
do rio Tieté^ pela margem direita. O 
nome é do ribeirão. 

Este nome nada tem com a arvore 
cabreúva^ alta, de cerne vermelho, resi- 
nosa, conhecida na sciencia por Myro- 
carptís frondosus e My roçar pus [asti- 
giatiis: da familia das leguminosas. 

Segundo Martius, no seu Glossário 
ling, brasil., este nome significa «arvore 
onde pousa o pássaro caburé»! E' boa. . . 

Cabreúva, corrupção de Qua-ába-ré- 
ií'bae, «corre lento e é sujo». De qiia^ 
«correr, passar», ábn partícula de parti- 
cipiO; para exprimir nesto caso o modo, 
ré, «tardar, ser lento, vagaroso», para 
caracterisar o modo de correr, il, «ser 
sujo, manchado», com a particula bae 
(breve), para exprimir o que é. O qiia 
sôa como ca. 

E' o inverso de qua-^bá^-qiiây ou como 
o escreve o padre A. R. de Montoya, 
cabáçuaf €mmto corrente», por ser a 
repetição do verbo àqiia^ «correr». 



Âllusivo a correrem lentas as suas 
agnas, sobre terreno de várzea e mas- 
sapé preto em grande parte, e portanto 
sujas. 

Cabreúva. — Morro entre os municí- 
pios de Nazareth, de Mogy das Cruzes 
e de Conceição dos Guarulhos. 

(Vide o nome Giiavinituba). 

Cabreúva, corrupção de Qiíã-hYr-ii-bo, 
«ponta alta em resvaladoiro». De quâ 
«ponta» bir, «elevar, alçar, levantar», 
íí, «resvalar», bo (breve) para exprimir 
o modo de estar. 

Caçapava.— Cidade, á margem da 
estrada de ferro 8. Paulo e Bio de Ja- 
neiro, entre S. José dos Campos e Tau- 
baíé. 

Da antiga povoação dista a actual 
cerca de uma légua: é hoje conhecida 
por Caçapava velha. 

Caçapava, corruptela de Caá-haçá- 
paba, «travessia de monte». De caã, 
«monte», kaçáb, o mesmo que iaçá 
«passar, attravessar», pába, o mesmo 
que (íba, «logar onde»; e é j>àba, por- 
que haçáb acaba em b, e portanto, se- 
gundo a regra ensinada pelo padre 
Luiz Figueira, em sua Arte de gram- 
matica da ling na brasílica, muda o b 
em p para formar o verbal pába, 

A acção ou o logar de atravessar é 
sempre haçapába. Se é simplesmente 
«travessia de rio», dizem, I-haçd-pdba; 
se é «travessia de montes», dizem, Caá- 
haçá-pába, por contracção Caá-çá-pdba. 

Âllusivo a ter sido por ahi o travessio 
entre as serras Itapeva e Mantiqueira, 

Caçaquéra. — Logar alagadiço, no mu- 
nicípio de S. Bernardo. 

Caçaquéra, corruptela de Gu-açái- 
qnvr-a, «esparzido e parado». De gn, 
reciproco para exprimir a acção da 
cousa em si mesma, açái, «esparzir, es- 
palhar, estender», qiiír, «dormir, estar 
quieto», com o accrescimo de a (breve) 
por acabar em consoante. 

Âllusivo ás aguas pluviaes que ahi ac- 
cumulam, se espalham, íicam paradas, e 
são depois ^.V^^^OTNvAai^è» >^tí^<í>'$,\'í)\ví>'^'$.v^^\^^. 



CAC 



46 



CAC 



Cachoeira.— Affluen te do rio AU' 
baia, pela margem direita: no município 
de Santo António da Cachoeira. A' mar- 
gem esquerda deste ribeirão está a ci- 
dade deste nome. 

Aftluente do rio Atibaia, pela margem 
esquerda: no municipio de Itatiba. Desde 
este ribeirão eleva-se em amphitheatro 
a collina, sobre a qual está assentada 
a cidade de Itatiba. 

Affluente do rio TurvOj pela margem 
esquerda: no municipio do Espirito Santo 
de Barretos. A' margem deste ribeirão 
ha uma lagoa, também com o nome 
Cachoeira^ toniado do ribeirão. 

Affluente do rio Sapucnhy, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Batataes. 

Affluente do rio Parahyba, pela mar- 
gem direita: no municipio de Bocaina. 

Affluente do rio Bibeira de Iguape, 
pela margem direita: no municipio de 
Iguape. 

Affluente do rio Tretneutbé^ pela mar- 
gem direita: no municipio de S. Paulo. 

(Vide o nome 'Prememl)^) , 

Rio, no municipio de Cananèa; des- 
agua no mar Aríriaia, Tem saltos de 
alguns metros de altura. 

Cachoeira^ corruptela de Cá-tã-iierè^ 
«quebra duro e derrama-se*. De ca, 
«quebrar», iõ, apócope de iatã, muito 
usada na lingua tupi para composição 
de nomes, «duro, rijo, forte», norè, 
«derramar». Por causa de som guttural 
de iiêrè, o i soa como j\ 

AUusivo a descerem as aguas, de queda 
em queda, de poço em poço, derraman- 
do-se successivamente. 

A palavra cachoeira, portanto, nunca 
foi portugueza: e a prova disso está 
em que Moraes e Aulete, para assi- 
gnalarem-lhe a origem, inventaram, em 
seus Diccionarios da Lingtia Portuguexa^ 
a palavra composta Cachào-eira : de ca- 
ckãOj significando «agua em borbulhào 
depois de despenhada». Neste sentido 
foi usada só pelo padre António Viei- 
ra (*), depois de ter estado no Brazil, 
a palavra cachão. 

Por igual, a palavra catadupa parece 
também de origem tupi : cd-là-ndú-pe, 



(') BabJano ou Portuguez? 



«quebra duro com estrondos. De cá, 
«quebrar*, tà, apócope de to/5, «duro», 
ndú, «estrondo», pe (breve), posposiçâo 
significando «com». Tanto Moraes, 
como AuLETE, dizem que catadupa é 
de formação grega, kaiadoupos, «som 
do que cahe com ruido»; e Littré, era 
seu Dictionaíre de la langue française, 
o confirma. Em tal caso, cumpre reco- 
nhecer a coincidência da formação grega 
com a formação tupi, para exprimir o 
mesmo facto. E', porém, digno de nota 
que os clássicos citados por Moraes na 
palavra Catadupa, são posteriores á des- 
coberta do Brazil; e, pois, é possível 
que nisso a formação tupi haja influído 
de algum modo. 
Em summa : o nome cachoeira é tupi. 

Cachoeira da Escada.— Rio que 

serve de divisa ás províncias de Rio de 
Janeiro e de S. Paulo, no littoral. 

Cachoeira da Escada, corrupção de 
Cá-tã-íiêrè-yo-itá, «quebra duro derra- 
mando-se de degrau em degrau». De 
cá, «quebrar», tã, «duro», iiêrè, «derra- 
mar», tjOy reciproco, para exprimir com- 
munioaçào de uns com outros, e plural, 
itá, «armação, degraus, pilares, cousa 
em que outra se estriba». 

Allusivo a descer sobre uma série 
successiva de pedras talhadas em forma 
de degraus. 

Cachoeirinha.— Affluente do rio Atí- 

baia, pela margem esquerda: no muni- 
cipio (lo Nazareth. 

E' Cachoeira, com diminutivo em por- 
tuguez. 

Cáco.- Morro, no municipio de Ipo- 
ranga. 

Caco, corruptela de Cá-cúe, «o que- 
brado». De cá, «quebrar, abrir», cúe, 
partícula de pretérito. 

Mesmo a palavra caco, no sentido de 
cousas quebradas, não é portugueza, se- 
não tupi, como acima se vê. 

Allusivo a ser derrocado em alguns 
logares (*). 

(*) Esta ('Xpheav^" estava risdida <* com a seguinte nota: 
cKisqiiri. MaA, segundo inforniavàu, o nome Oaeo qiu* 

tem o morni, provém (I«; um individuo que lá era situado. 

Continuo, poróm, a uutcndcr que a palavra |)ortugueaa 

é de origem IvipU. 



CAD 



CAE 



Caconde. — Cidade, desmembrada em 
1864 do município de Gasa-Braiica. 

Está situada a três kjlometros do Rio 
Pardo. 

Caconde é corrupçSo de Qúa-aqn}.ó' 
nd-ê, «qaebraila bem notável, por ondi' 
passam muitost. De (iúa-'qÚ€ii, «passa- 
rem muitos», nd, in terça Inção para ligar 
o (í ao ê, por causa da nasalidade du 
pronuncia da palavra anterior, ê, (dís- 
tíncto, á parte». Também é escripm Cn- 
queó, segundo o padre A. U. de Mon- 
TOYA, em seu Tesoro de la leiígun gua- 
rani. Por contrac(;ao, Ca-quó-iid-ê. 

(Vide Ouoj-upê). 

Allusivo á quebrada da serra Cuba- 
tão, servindo de píissagem geral a todo& 
naquella região. Nessa depresí^o da serra 
corre um afiluente lio Rio Pardo, polii 
margem direita. 

A cinco hilometros da cidade, ha a 
formosa cataracta, conhecida pelo nome 
corrupto Varadouro, no Uio Pardo. De 
60 metros de largura, que na média tem 
este rio, estreica-se ahi, em canal de -^ 
a 5, aberto na rocha, na extens,1o de 
pouco mais de 100 metros, fazendo as 
aguas grande ruido e rodomoinlios. Nas 
repontas das enchentes os jipixes Inctam, 
á entrada desse estreito |>ara serem os 
primeiros a subil-o. 

Varadouro, corruptela de Y-ijâr-a-i/ú- 
ru, «colhido em estreito revolto». De 
y. relativo, yàr-a, infinitivo do verbo 
í/ár, «colher, reunir», //w, «estreilar, fa- 
zer pescoço ou garganta», rã, «revul- 
ver-se». O a final de ijãr-a é breve. 

CadeadEU — Serra, no municipio de 
Cananéa, servindo de divisa, pela sua 
ramificação Tapiíihocapa. entre as pro- 
víncias de S. Paulo e de ParHná. 

Cadeada, corrupção de Quá-mti-á- 
bae, «muitas pontas, e tortiiosat. De 
quâ, «ponta», ndi, tniuítos», <i, «torcer», 
com a partícula bae- (breve) para formar 
participio, significando 'o que". 

Com effeito, esla serra, de allituitc 
superior a 800 metros, tem muitos picos; 
e ramificasse, com tortuosidades, para 
diversos pontos, inclusive para o litlo- 
rnl, onde forma promontórios, como o 
que se vê da tíIIu de Cananéa. 



Caetano.— Aftluente do rio Juque- 
ryquerè: no município de S. Sebastião. 

Caetano, corrupção de Ciiá-alã-mo, 
•duro no meio». De ciiã, «meio entre 
os extremos», alã-ino, verbal derivado 
de ata, «ser duro», com o suSixo mo 
(breve) para formar supíno, por ser nasal 
a leitra à da palavra anterior. 

Allusivo a ter este ribeirão gargantas 
graníticas entre a nascente e a fóz, 
mesmo no meio, entre esses extremos. 

Nada tem egiialmente este nome com 
a arvore de matlo virgem, nomeada tam- 
bém corruptamente Caetano, cuja ma- 
deira é empregada em frecháes. 

Caeté.— Ribeirão que, nascendo na 
serra marítima, desagua no rio denomí- 

. nado Berlioga, muniripio de Santos. 

! Nada tem este nome com o caiié, 
cujas folhas servem para forrar os yacá, 

I ou jncá. E' também conhecido por ba- 
naneira do tiiaUo, por causa da fÓrma. 

I Da família das Musaceas. 

Caeté, corruptela de Qiiâ-eté, «cau- 
daloso». De qvã infinitivo, de aqiiã, 

1 «correr», e.íé, para exprimir o superla- 

I tivo sempre que é repetido ou que se 

I junta a verbos como neste caso. 

I Este ribeirão é tão caudaloso que 
suas aguas formam o denominado Largo 
do Cnelé. 

\ Segundo o systema dos indígenas, 

I dando denominações com som quasi idên- 
tico, mas eoiu significação diversa a lo- 
gares da mesma regiSo, Caeté, com re- 
ferencia a este Largo, é corruptela de 
Qâa-eté, «poço graniie». De qúa, «poço, 
lujo, buraco», eté, -grande, verdaileíroj 
forte». 

Dizer Largo do Ckteté ê uma redun- 
dância. 

Caetétuba.— Bairro, no município de 

Atibaia. 

Esto nome do bairro é tirado de um 
morro ^.completamente quebrado e dei- 
tado». De cá, «quebrart, etfi-i, «inteira- 
Dicnte, completamente», tuba, infinitivo 
lio verbo ayiib, «estar deitado, estar no 
chão»; Cá-elé-i-tiiba. Nada tem tambern 
com o caííí', \eç,ftl4V. 



CAH 



48 



CAI 



llesmo na estrada que atravessa esse 
bairro, ha espalhadas muitas pedras sol- 
tas, denotando ter por causa um grande 
derrocamento. 

Cafundó. — Aflfluente do Ilio do Peixe, 
pelíj margem esquerda: nos municipios 
de Patrocínio de Santa Isabel e de S. 
José dos Campos. 

Aflfluente do Rio Pardo, pela margem 
direita: no município de S. José do Rio 
Pardo. 

Cafundó, corrupção de Quái-yi-nd-óg^ 
«talhado e em concavidades tapadas». 
De qual, «cortar, talhar», yí, «concavi- 
dadi», oco, abertura natural», "tid^ inter- 
calação nasal, óg, «tapar». O yi tem som 
guttural. 

AUusivo a correrem entre barrancas 
altas, a prumo, como que talhadas por 
baixo de rochas que lhes tapam o leito 
em vários logares. 

Caguassú.— Nome de vários mor- 
ros na província. 

Caguassú, corruptela de Caá-guaçú, 
«morro grande» ou *matto grosso». 

Ha com este nome um morro próximo 
á cidade de S. Paulo. Por existir ainda 
por esse lado uma certa extensão de 
matta, alguns títulos o denominaram 
Aiaflo grosso. 

Muitos quereriam que Caguassú fosse 
corruptela de Canguaç-ú ou Cnuguçú, 
carniceiro da espécie inharacayá, do gé- 
nero Felis ou onça: assim denominado 
pelos indígenas, de acaug, «cabeça», 
uaçúownçú, «grande, grossa», conhecida 
na sciencia por felis pardales. Tanto 
mais que este quadrúpede carniceiro ha- 
bitaria também esse morro e os res- 
pectivos mattos. 

O nome Caá-guaçú, não é, porém, 
mencionado em documentos antigos: sim, 
o de Itayassupeba, corruptela de lUí- 
guarii'f/ê'bae, «penhasco chato, chapa- 
dão^, allusivo á sua parte superior. 

(Vide Itayassupeba), 

Cahêpupú. — (Vide o nome Cai- 



Cahucáia.— Morro entre os munici- 
pios dtí Cotia e de Una. 

Cahucáia, corruptela de Quai-quai-a, 
«cingido por todos os lados». De qtmi, 
«cingir», repetido para exprimir super- 
lativo, com o accrescimo de a (breve) 
para formar infinitivo. 

Allusivo á sua estructura granítica. 

Cahy.— Aflfluente do ribeiro Curnrú 
ou Pinhal, e este do rio Tieté^ pela 
margem direita: entre os municipios de 
Cabreuva e de Jundiahy. 

Cahyy corruptela de Cd-í, «constan- 
temente quebrado». De cá, «quebrar, 
abrir», t, posposição para exprimir per- 
severança no facto. 

Allusivo a alargar-se em muitos lo- 
gares, derramando suas aguas pelas 
margens. 

Caia88Íca.— Logar no município de 
Santos, nas cabeceiras do rio Itapanhaú. 

Caiassica, corruptela de Caá-ci-ca, 
«morros pegados». De caá, «morro», ci 
«pegar», com o suflSxo ca (breve) para 
formar supino. 

Caiobá. — Morro elevado que marca 
a extremidade da maior das ramifica- 
ções da serra Itaiins, a qual se desdo- 
bra para sudoeste. E' fronteiro ao canal, 
na margem esquerda do rio Ribeira de 
Igttape, formando cabo na foz do rio 
Ouaraiuba. 

Também este rio é denominado Bre- 
jaiiuba por causa de uma lagoa pequena, 
que existe no alto deste morro. 

Caiobá, corruptela de C^iá-hobá, «mon- 
te aberto». De caá, «monte», hobá^ 
«aberto». 

Os indígenas, para dizerem «monte 
claro», usam da phrase Caá-caiú-hobá: 
e, pois, catú é simples accrescimo para 
exprimir superlativo. A palavra hobá 
signitica «aberto, desentulhado, despe- 
gado, claro, lúcido». Assim, um morro 
isolado, sem estar pegado á serra ou a 
outro monte, é caá-hobd. 

Exactamente, este monte Caiobá 6 
isolado, e portanto aberto de todos os 
lados. 



CAJ 



49 



CAM 



Caípupú. — Serra, no município da 
Conceição de Itanhaen. 

Caipupú, corruptela de Cad-popú, 
«monte que sôa oco*. De caá^ «monte», 
popú^ «o que sôa oco». 

Já li escripto também CaJiêpnpú, 

Cairossú. — Nome de bairros na pro- 
víncia de S. Paulo. 

Cairossú^ corrupção de Caá-yurú-oçú, 
«entrada grande ou larga do monte». 
De caá, «monte», yinH, «bocca, enfra- 
da», oçú^ rgrande, largo». Por contrac- 
ção, Caâ-yurú-^çú, 

Esses logares eram assim nomeados 
e assignalados, para a certeza das com- 
municações. 

Caju. — Vertente do ribeirão liaim: 
no municipio de Parnahyba. Nasce junto 
ao VROTXO Jaraguá-mirim ; e, quando en- 
grossa, e começa a queda, toma o nome 
Itahn, 

Oi/á, corruptela de Acú-yú^ «tépido». 

Állusivo a serem caldas suas aguas. 
Com effeito nasce em morro aurífero. 

(Vide o nome liaim). 

Cajurú. — Villa á margem do ribei- 
rão das MorteSy distante um quarto de 
legua do que traz o nome Cajurú, e 
que é aflfluente do Rio Pardo, pela mar- 
gem direita: entre os municípios do Ca- 
jurú e de S. Simão. 

Segundo frei Francisco dos Praze- 
res Maranhão, em seu Glossário das 
palavras indigenns, o nome Cajurú 
significa «matto triste e feio». E Mar- 
Tius, em seu Gloss. Limj. Brás., escre- 
veu significar «matto de papagaios»! 
— de caá^ «matto», ajiirú, «papagaio». 

Tudo isto não tem razão de ser. Errou 
tanto um como outro. 

Mais procedência teria a derivação do 
nome do um arbusto próprio dos terre- 
nos siliciosos: ajnrú, yuajitrií, vnjnrú, 
gagerú, guajuii; nomes estes mais ou 
menos corruptos. Da família das Roza- 
ceas: conhecido na sciencia por viulti' 
caulio icaco. Do arbusto viria o nome 
ao ribeirão; pois que ha, com effoito, 
ali esse arbusto com fructos adstrin- 
gentes. 



Porém, o nome Cajurú não é do ri- 
beirão; este o traz emprestado. 

Cajurú, corruptela de Caá-yúrú, «boc- 
ca ou quebrada do monte». De caá, 
«monte», yúi-ú, «bocca, entrada». 

Com effeito, á quebrada da serra é 
a posição ou situação do logar; quer o 
antigo arraial, á margem esquerda do 
ribeirão Cajurú, quer a actual villa, á 
margem direita do ribeirão das Mortps, 

No Itinerário da liagem terrestre, da 
cidade de Santos, 7ia provinda de S. 
Paulo, a Cnyahá, capital da proiincia 
de Matto Grosso, pelos engenheiros major 
J. M. DA S. Reis e capitão J. da Gama 
Lobo d'Eça, em 1857, ha os seguintes 
trechos : 

«A' meia legua do Catingueiro, pas- 
sa-se pela ponte que transpõe o ribeirão 
do Cubatão, o qual borda o serrote do 
mesmo nome, e um quarto além o ri- 
beirão das Mortes, que corre sobre lage. 
Deixando o ribeirão das Mortes, cami- 
nha-se um quarto de legua até o ar- 
raial do Cajurú, e passa-se o ribeirão 
do mesmo nome, correndo sobre arêa, e 
permirtindo passagem a váo, e uma legua 
além o córrego e rancho do logar cha- 
mado — Lage». 

O nome Cajurú, em summa, assignala 
somente a entrada para o travessio do 
monte. 

Calhetas.— Praia, ao sul da cidade 
de S. Sebastião. 

Calhetas, corrupção de Caá-yheyi-ta, 
«monte rasgado». De e.aá, «monte», 
yheyí-ta, %\x\n\\o do verbo hcyl, «rasgar», 
precedido do y relativo, e fechado pelo 
suffixo ta (breve) por causa do í com 
accento circumflexo. 

As praias são interrompidas por mon- 
tes que se prolongam até ao mar; e, 
pois, o nome caá-ykeyí-ta é állusivo a 
serem rasgados os montes ou morros 
divisórios dessa praia com a septentrio- 
nal e a meridional, Toque-Toquc- Pequeno 
e Toquc-Toque- Grande, 

(Vide estes dous nomes). 

Camandocaia.— Affluente do rioJa- 

guary, pela margem direita; pelo que é 
também nomeado Jaguary -mirim i ^^\x^ 



CAM 



50 



CA^^ 



os municípios de Bragani;a, de Amparo, 
Soerorro e Mogy-mirim, 

TTin sen afthienle, pela margem direita, 
traz o nome 'íf//fo/irfor(i/Vi-/wír(m: serve 
de divisa aos miinicipiuB do Amparo, 
Serra-Negra e Mopy-niirim. 

Segundo alguns, Cumunihcaia signi- 
fica íterras ferteis>. Segundo outros, si- 
gnifica «feijiio qneimada>i de cJinioniM, 
«fcijâoí, cdia, «Kiiieimar». 

Induzido por esses dous erros, mas 
nflu para seguíl-os, su|ipuz que seria 
corrupléla de <'aá-moinló-rãia, «sitio de 
quejiiiuda para caçar». De Ptiã-tnom/o, 
«cuçarí, rríirt, tqueimar». Com effeito, 
os indígenas usavam fazer queimadas 
para cagarem em abundância, e assim 
reunirem grandes provisões. 

Ajitinliados os animaes. os moqueavam. 
Moquear é assar a fogo lentu, sobre 
uma grelha de madeira, denominada uio- 
cailá OQ BÔ niocaê: geralmente de fõrrria 
triangular, descangando cnda angulo em 
uma pedra ou em uma furquillia de 
madeira resistente au fogo. Assim as- 
sados o peixe e a carne, conservavam 
esses alimentícios sem sai algum, du- 
rante algum tempo. A palavra wnqnear. 
boje apoilugueiiada, vem de niomè, «sec- 
car, enxugar, tostar», la, cotitrucçiío de 
tátri. «fogo». 

Mas, conforme o systema que enipie- 
gavam para as denominações, os indí- 
genas nào cogitavam da «queimada jiara 
caçar», por mais abundante de caça que 
houvesse sido essa região. 

Caiitandocaia é corruptela de Çtiâ- 
mà-iid-o-iiitái-a, «gargantas, impedimen- 
tos e poços». De quâ. «poço, fojo, 
buraco», mS, «impedimentos», ud, inter- 
calação nasal, o, reciproco, qnáf-a, in- 
tinitivo, sem caso, de 'iutH, «fazer cin- 
tura, garganta, estreitar apertando». O 
n de qiid e dc qiiái-a é pronunciado 
quasi imperceptivelmeiíte. 

Allusivo a correr entre montes, eom 
gargantas em que ns aguai se precipi- 
tam para depois caliirem encachoeiradas, 
formando poços. 

Cambahijva. -Aífiuente do ribeirão 
Das Criiwa, e este do rio Mogij-guasiú, 



pela margem esquerda: no inunicin 
Jabotifiibal. 

('aiiibnfiúra. corrupção de Gím 
ii-ho, «margens resvalndias». ~ 
ciproco. para exiTÍmir as d uns mafi 
ninliií, «lado. costado», ri. <resv4 
bo (breve) para formar supino. 

Allusivo a ler as margens cm i 
ladouro, e lodosas. 

Cambaiuvoca.— Morro, no m^ 

pio de .I;i botica bal. 

Cachoeira no rio Tifté, abaixo d 
do rio (/i>.s Pon-on, no mesmo rnuuí^ 

Cuinfiaiuroca, corruptela de Wm- 
bogca, «fendido ao lado». De gu. I 
proco, ambPl, «lado, costado», èij. í 
der-se, gretar-se, abrir-se». levadn 
supino pelo accrescimo de ca {breví 

Quanto ao morro, o nome ê altq 
a grutas que uelle existem, bem < 
ás fendas que mostra. 

Quanto á cachoeira, o nome alluti 
canal que se mostra aberto ao V 
entre os arreiiifes e a margem 

Cambará. — Aflluente do i 

Paraiij. pela margem direita: no mi 
cipio de Jacarehy. 

Cainbará, corruptela de (iiim-miíroÂi 
«alagadiços pestilentos». De giciã, 
seada, alagadiço*, inháraá, «doeaça, tO- 
fermidade. febres palustres». 

Allusivo a produzirem febres as 
aguas transbordadas e paradas n&s en- 
seadas. 

Hoje tem o nome Remédio/^, jxir ctna 
da C;ip''lla que existe em suas cabecei- 
ras fm vertentes. 

Cambaropy. — It^o que, nascendo n 
serra Ariíiám, corre no muniripío í« 
Cananéa, e desagua uo mar cuiiheddt 
também por Aririãin. 

Segundo Martius, em seu Ghat. Ling. 
Uras., esie nome significa «peixe de »■ 
camas». 

Ctiiiil/aropn, corrupç.to de fuwambi' 
i-iijri, «com bolhas». De oimfl<»frií. «W 
põla, bolha», mp{. posposiçfio &ÍffU&' 
cando «com». 

Allusivo ao facto de fazerem boUu* 
em empolas as aguas deiite no, eoJtt 
mente por serem uiueraaii. 




CAM 



51 



CAM 



Camberihú. — Ilha pequenina, em 
uma enseada, a leste da ilha (ardoxo, 

Caniberihú, corruptela de PaTt-mho- 
riahú, «ilha estéril». De pau, «ilha*. 
ynbonahú, «pobreza, esterilidade, sem 
préstimo». 

Cambixa. — Aftluente do rio Ihui (h 
Alãta: no município de Iíj:uape. 

Cambixa^ corrupção de Cauibi-ca, «for- 
queado». De hacantbi, «fazer forquilha, 
forquear», com o suffixo ta (breve) para 
formar supino, perdendo por isso o ha 
inicial. 

Allusivo a ter dous braços em for- 
quilha. 

Cambory* — Pequeno ribeirão que 
nasce na serra marítima e que desaí^ua 
no canal da Bertioga; nu muuíci])io ae 
Santos. 

Peqneno ribeirão que nasce na serra 
maritima e desagua no oceano; no mu- 
nicipio de S. Sebastião. 

Affluente do rio Ilanhaen, pela mar- 
gem direita: no município de Itanhaen. 
E' conhecido por Cmubnry-gnassú. 

Cuinbonj, corruptela de Uti-anibi-ri, 
«successivamenie apertado». De giiy re- 
ciproco, para exprimir as duas margens, 
aiíibi, «apertar entre duas cousas», r/, 
o mesmo que rehí'^ «successiva mente». 

Allusivo a correrem suas aguas suc- 
cessivainente, entre margens altas. 

Cambuçá. — Affluente do ribeirão 
Ainia da Cosia: no municipio de Iguape. 

Cambuçá^ corruptela de Gti'a)nbii-çá% 
«ambas as margens estendidas». De yú, 
reciproco, anibil, «lado», çái, «estender, 
esparzir». 

Allusivo a ter baixas as margens; de 
sorte que com as chuvas as aguas se 
esparzem. 

Por isso, é mais uma lagoa corrente 
do que propriamente um ribeirão. 

Cambucy.—MoiTo próximo á cidade 
de S. Paulo, ao sul. 

Affluente do rio Tamandiiatchy^ pela 
margem esquerda, logo em seguida a 
aquelle morro. 

Cambucij, nome do morro, é corru- 
píéla de Gií-ã-inb-y-cyf «empinado em 



resvaladouro^. De (/íí, para exprimir neste 
caso o modo de estar, a, «^empinar, estar 
erecto», wi, intercalação nasal para ligar 
a ij relativo, cTi. «resvalar». 

Allusivo ás suas encostas alcantiladas. 

Canibucy, nome do córrego, é corru- 
ptela de (jU'à'inbi(7j, «fundo liso e 
margens empinadas». De gn^ reciproco, 
para expriujir as duas margens, r7, «em- 
pinar», mbicy, o mesmo que picy^ «fundo 
liso», nunlado o p em tnb por causa do 
som nasal de ã. 

Allusivo a correr livremente, sem em- 
baraço algum, entre margens altas. 

Cambuhy.— Morro, no município, de 
Araraquara. 

CaNibiíhy, corruptela de Gn-à-mbol, 
«despegado e empinado». De gu, para 
exprimir o modo de estar, à, «empinar». 
mboL «despegar, separar, cortar». 

Allusivo a ser separado da serra, tendo 
alcantiladas as encostas. 

' Cambury.— Ilha pequenina, na foz 
do pequeno ribeirão que traz, no som, 
quasi o mesmo nome: no municipio de 
S. Sebastião. 

Canibitry, corruptela de Quâ-vibiri, 
«um pouco pequenita». De qvâ, «pe- 
qmnita», nibiri, «um pouco». O pri- 
njeiro / de vtbiri, tem som guttural, 
por existir na palavra um segundo í, 
conforme a lição do padre A. R. de 
MoNTOYA, em sua Arle de la leitgua 
guarani, Dahi o som Q^â-mburi, Ou 
de qiiã tem som quasi imperceptível; 
ou de todo imperceptível para os que 
não íallam a língua tupi. 

O bairro tirou desta ilhota "o nome. 

Campana.— Estreito, no rio Para- 
)iapaneina, á barra do córrego Ne- 
blina, 

(ampanà^ corruptela de Ou-apã-nhã, 
«torcida e em corredeira». De gn, para 
exprimir o modo de estar, apá, «torci- 
da», 7i}iã, «correr». 

E' pronunciado W-àpà-nhã, porque o 

som nasal de nhà torna também nasal 

as outras vogaos, >egundo a li(:ão do 

patlre A. R. de Montoya, em sua AvLd 

\de \a Icngua guaraux. 



CAM 



62 



CAN 



Com effeito, ahi a largura do rio é 
reduzida a seis metros, formando um 
canal torcido, era terrivel corredeira. 

Campina.— Ribeirão, no municipjo 
de Apiahy, que, com outros, forma o rio 
Apiahy -gv/issú. 

Morro, na serra marítima, onde nasce 
aquelle ribeirão. 

Chmpitia, nome do ribeirão, é corru- 
ptela de Gu-api-1'íia, «de volta em volta». 
De gu, para exprimir o modo de estar, 
api, «torcer, fazer voltas, ladear», í-wa, 
«estar», 

Allusivo a descer fazendo successivas 
voltas, ladeando o morro. 

Campina^ nome do morro, é Gu-apl- 
na, «pellado». De gu, para exprimir o 
modo de ser, apt, «pellado, despontado», 
com na (breve) para completar a pa- 
lavra. 

Estes dous nomes são pronunciados 
G^-ãpi-na, porque o som nasal de i na- 
salisa o a de apiy segundo a lição do 
padre A. R. Montoya, em sua Ârie de 
la lengiia guarani. 

Allusivo a ser escalvado e despido de 
vegetação. 

Campinas.— Cidade notável por seu 
commercio e industria. Era a antiga 
freguezia de N. S. da Conceição, e de- 
pois villa de S. Carlos. 

O local em que posteriormente es- 
tendeu-se a povoação, era conhecido por 
Caá-eié «matto grosso», por causa da 
floresta ou matta virgem que o cobria. 

O nome Cumpmas corresponde apenas 
ao local em que foi edificada, ha mais 
de um século, 1772 — 1773, a pequena 
ermida de N. S. da Conceição. 

Não é nome portuguez, no sentido 
aqui empregado: caá-api-na, «monte sem 
vegetação >. De caá, «monte», apl, «ser 
pellado, calvo», e, com referencia á terra 
ou monte, significa «ser escalvado, sem 
arvores nem plantas», com o accrescimo 
a por acabar em consoante, segundo a 
lição do padre A. R. de Montoya, em 
sua Arte de la leiígua guarani^ podendo 
mesmo considerar-se em supino, pelo 
sijfíixo }ia, por ser nasal a pronuncia do 
i íiaaL Este som nasal do i final fere 



também caâ, conforme a regra dos gram- 
maticos, soando caã. 

Cná-apl-na para contrastar com (há- 
eié. 

Moraes, em seu Diccionario da Língua 
Poríftguexa e, com elle, outros, não dá 
a etymologia da palavra Campina; e 
modernos são os classitíos por elle ci- 
tados. Acredito que seja de origem tupi. 

Campo- Largo (de Atibaia).— Fre- 
guezia, no município de Atibaia. 

Situada a dous kilometros do ribeirão 
Maracanà^ melhor fora que guardasse 
este nome bem corrigido. 

(Vide o nome Maracanà), 

Campo-Largo^ corrupção de Caâ-pó- 
ieecMg, «chapadão, a perder de vista.» 
De caá, «monte», pó, o mesmo que òrf, 
«extensão, graúdeza», ieechág, «o que 
alcança a vista». 

Não se trata de campo, propriamente 
tal, mas de chapada e chapadão: são 
formações differentes. 

A chapada é sempre sobre o monte, 
e estéril. O som da palavra composta 
caá'pó produziu campo; até mesmo por- 
que a chapada tem disso a apparencia. 
É íeechãg produziu largo, 

Campo-Largo (de Sorocaba).— -Villa, 
á margem direita do ribeirão Guacuriú. 

Também ahi ha chapadas ou chapa- 
dões, semeados de lagoas, em uma das 
quaes nasce o referido ribeirão. 

Portanto. Campo-Largo é, ainda aqui, 
corrupção de Caá-pó-icecftág «chapadão 
a perder de vista». 

Campos Novos (Remédio dos).— 
Freguezia, no município de Cunha. 

Camuna.— Aflluente do rio Ribeira 

de Iguape, pela margem direita no mu- 
nicípio de Iguape. 

Camuna não é o nome verdadeiro 
deste ribeirão; sim Momiuui. 

Inclui neste Diccionario- o nome Ca- 
muna, porque li-o em um escripto. 

(Vide o nome Momuna). 

Cananéa.— Villa situada na ilha do 
\ mesmo nom^. 



CAN 



r)3 



CAN 



lanfa, como nome da ilha. ]>0(]eria 
corruptela de fbd-atiã-n-^-, •monte 
separado». De cná, » monte»,' 
«espeãsD. grosso», com applicaçíio 
»rpo, bosque, mnntf, ii, intercitlitdo 
iú\ o som de mi, a iigar com 
jepsrado, á partc>. 
Jiasivo a estar separado do coiiti- 
t« pelo Caniiahú. Por contracção, 

l-n-é. 

\% indígenas, nomeaiido-a faã-nnã-f'. 
rerisin talvez assignalar a ditTiTunça 
: essa ilha e a denominada corrupla- 
te Ilha Coiiipriila, porque esla é 
nosa e sem vegelaçào, tendo apenas 

langue. 

D conselheiro Martim Feancibco Ri- 
IRO DE Andkada, em seu Diário de 
a viagem mineralógica peUi provin- 
de S. Paulo no ainto de 1S05, 
eveu: *Salii da ilhade Igutipe para 
í Cananéa em canoa jielo lirflço de 
(ou Mar- pequeno) formado pela 
ra tirme e pela língua de terra, ou 
que decorre desde a iiarra do 

Kde Iguape alé Cananéa; esu ilha 
de-8e até doze léguas (segundo julgn) 
«m fazer o pontal da villa de Cana- 
i com o morro, por detraz do qual 
a vilia deste notne. Tendo andado 



. de cinco 



1 adiante, o mesmo braço alarga-se 
)ÍTÍde-3e em dous. mettendo-se de 
meio ama ilha, que se prolonga ao 

até perto da barra, e sobre cuja 
Dlidade fica a viila de Cananéa: 

I dous braços, que correm, um por 

Ute da vilIa, e outro por detraí, 

m a reunir suas aguas junto á 

, e reunidas desaguam no mar, E' 

barra de Cananéa, ou da barra de 
lape, que se Kerreni os desta villa, 
Kjtie s outra, por baixa, não admitte 
barcação de qualidade alguma... A 

i de Cananéa fica na iibu, em baixo 

morro mencionado, á borda do mar>. 
E. pois, attendendo bera para esta 

DripçAo e paru a plira^F usada em 
unias chronícas ms ilhns da Cana- 

í, — assaltou-nie o espirito a duvid; 

> o nome era da illia ou do bra<;o 
ueionado; c as.sentej que era deste. 



O braço ou canal teria o nome Cunii- 
n-f, «tortuoso sem perigos». De •■anã, 
«tortuosidades, meneios, meneiar-se», {■, 
*rammodidade, facilidade, sem embara- 
ços, sem perigos», com a intercalação 
de n, por sef uiísal a syllaba và. 

Allusivo a ser de boa navegaçSo, ape- 
zar das torluosídades, esse braço de niur; 
era contraste com o outro braço paral- 
lelo, entre a ílba e o continente. 

Todaria, quer a ilha, quer o canal, 
poiliam ter recebido as mencionadas de- 
nonjinaçõe» em tupi. E os indígenas 
sohiauí usar disso, no modo de nomear 
legares. 

Cancan.-- Cachoeira, no município de 
S. Carlos do Pinhal. O ribeirão, em que 
ella existe, traz também esse nomo: e 
é uttluente do nbeirilo Monjolinho, pela 
margem direita, e este do no Jamrè- 
pipira-gurissú, também pela margem di- 
reita. 

(Vide os nomes MonjoUiiho e Jucori'- 
pipira). 

('tmean é corniptéla tie Tan-ian, iduro». 

Allusivo a ser uma cachoeira perpen- 
dicular de cerca de cem metros de al- 
tura, com enorme estrondo que ahí as 
aguas fazem ao despeubarem-se. 

Candapuhy.— (Vide os nomes (hm- 
prkia e Cominpnhij). 

Candlla. — Afiluenle do rio ^'"'i do 
Prelado, pela margem dtreíta: no muni- 
cípio de Iguape. 

('ancila, corrujição de Qiià-nf, miuito 
corrente». De i/ná. infinitivo de âipiá, 
«correr», nf, adverbio aflirraativo, dando 
maior energia ao verbo. 

Allusivo á velocidade de suas aguas, 
ao desuerem da serra em forte declive, 

Can^iJ. — Laga-mar, oa a parte inte- 
rior da bahía de Santos. 

C<tneú, corruptela de f'anil-i-hu, «tor- 
vellinho incessante». Decana, «roeneiar- 
se, dar voltas», í, pospnsiçflo para expri- 
mir perseverança, liá, írevoluçun, tur- 
bação interior» 

Por wnUacf.^o, Cuiv-i-Uí»., 



CAN 



54 



CAN 



Segundo frei Francisco dos Pra- 
zeres Maranhão, em seu Olossario de 
palavras indigenas, o nome Caneú signi- 
fica «logar onde as aguas se reúnem». 
E' o caso de dizer que ouviu cantar o 
gallo, mas não soube onde. Com eifeito, 
o incessante torvellinho que ahi fazem 
as aguas é o resultado do encontro de 
diversas correntes, com variedade de 
procedências, nesse logar da bahia. 

O nome nâo é, portanto, do laga-mar 
da bahia, senão só do local em que 
existe esse incessante torvellinho. 

(Vide o nome Engaguassú). 

CangaguáL — Affluente do rio Tietê, 
pela margem direita: no município de 
Mogy das Cruzes. 

Cangaguá, corruptela de Cang-aguáa, 
€ enseadas seccas». De cang^ «secca, 
enxuta», aguáa, «enseada, várzea». 

Ailusivo a serem enxutas as várzeas 
marginaes. 

Mas, ha uma particularidade deste 
ribeirão: nasce em uma lagoa, no alto 
da serra Ilapett\ a qual só tem agua 
no tempo de chuvas, e por isso é tam- 
bém denominada Cang-aguáa, «lagoa 
secca». 

E' o conhecido jogo linguistico dos 
indígenas. 

Cangica.— >Aflfluente do rio Jundiahy, 
pela margem esquerda: no municipio de 
Atibaia, próximo ao arraial Terra-Prela. 

Aftluente do ribeirão Guarahú, pela 
margem direita: entre os municipios de 
Itú 6 do Salto. 

Cangica, contracção de Cangi-ca^ 
«fraco, débil, de pouca força», em forma 
de supíno pelo accrescimo do suffixo ca 
(breve). 

Ailusivo a ser um córrego pequeno 
e razo, sem força alguma de correnteza, 
parecendo agua parada. 

Eu mesmo^ em viagem da cidade de 
S. Paulo á cidade de Atibaia, quando 
ainda não existia estrada de ferro, tive 
occasião de observal-o. 

Cangioca. — Pequeno rio, na ilha Car- 
úh;to: no municipio de Cananéa. 



Cangí-og-ca^ «de pouca força, e ta- 
pado». De caugi, «fraco, débil, de pouca 
força», og, «tapar», com o suffixo ca 
(breve) para formar supino, supprimido 
ou nâo o g íinal. 

Ailusivo á sua pouca correnteza, e ás 
arêas que amontoam-se em sua fóz; 
sendo que não tem fonte e é apenas 
alimentado pelas aguas das chuvas. 

Canguéra. — Aftluente do rio Pira- 
gibú, pela margem direita: no munici- 
pio de S. Roque. 

Canguéra^ desarticulado em Cang- 
uéra^ «o sêcco». De cang^ «seccar, en- 
xugar ou ser enxuto», ' tiêra, o mesmo 
que eâe ou cuêra, partícula de preté- 
rito, ainda que algumas vezes se toma 
como partícula de presente. 

Ailusivo a não ter agua senão era 
tempo de chuvas; e, por isso, seccar, 
em tempo diverso. 

Canha. — Aftluente do rio Jacupi- 
ranga^ pela margem direita: entre os 
municipios de Iguape e de Cananéa. 

Aftluente do rio Parahyba, pela mar- 
gem direita: entre os municipios de 
Taubaté e de Caçapava. 

Aftluente do rio Atibaia, quando ainda 
traz o nome Aíibainlia, pela margem 
esquerda: no municipio de Nazaretb. £' 
mais conhecido por Cachoeirinha, 

Canha, corruptela de Canhy^ «o su- 
mido». O y tem, na pronuncia, som 
gutural e nasal, conforme a regra ensi- 
nada pelo padre A. R. de Montoya, 
no Tesoro de la letigua guarani. 

Ailusivo a sumirem-se debaixo de pe- 
dras ou debaixo da terra. 

O primeiro supra mencionado é co- 
nhecido por Iconha, de Y-canhy, cor- 
ruptela ainda maior do que Canha. 

(Vide o nome Iconha), 

A propósito deste verbo canhy^ li, ha 
tempos, uma dissertação sobre a palavra 
canhembóra, dizendo o escriptor que era 
mixta de tupi e africano. E', porém, pa- 
lavra inteiramente tupi; formada do ver- 
bo canhy, com o accrescimo de bóra 
para si<znificar a mesma pessoa, em 
muita continuação e costume, v. g., ca^ 



CAN 5 

*. eanhemhora, tofujão, que cnsluma 
]gir>. segundo a lição textual lio 
e L«i2 Figueira, em sua Ariv <le 
nmalica da Uiigiia brasillca, A pa- 
í eanhy-íiif-ôiv é mais i^otrectJ ilo 
canhem-búiii. 

lanivete. — Affliiente Ao ribeiruo Ta- 

iiiijii. pi-la niargeni liireita: iio mu- 

ipio de Brafítui^ii. O Tapuxiiiga, <\%- 

tltí receber as aguas de outros cor- 

«i. engrossa, e toma o nome Uberaba. 

I alllinr Q(i rin .Imjitary pela margem 

lenln, 

iiBiVc/''. corrupção de Canij-^lei, ',mor- 

or ÍDutil>. De íYí/í//, íuiortu. per- 

, scatiadu'. ^lei, nnutil, ucioso>. 
ÀUiikívo a ser nin rio morto: apenas 

'ente no tempo ílas chuvas. 
Tem o leito olistruido de terras rohidas 

Ciilliiia sobre f[iie está a cidade de 
agaaça, e dizem que em coDSG<iueucÍu 

excavações na mesma serra. Acredito, 
rém. mais em facto natural, porque o 

e é antigo e anterior á conquista. 

íCanÔas. — Atfluente do líio Oranãe. 

V margem, esquerda: no muniiripio ^& 
inca. 
Âffluente do río rurahylm, ptla niur- 

1 direita: enlce os municípios de lío- 

, de Silveiras, e de Arèas; 
Âffluente do rio Mogif-guassú, pela 
Vgfiio esquenla: no município de Mo- 
:gaas8Ú. 

Afflueate lio rio Árvax, pela margem 
isenla: no município de Mocóca e de 



iE ha outros cursos d'H^iia com esse 
~ie assim corrupto. Nada tem com 
5a. 

^HÓiis é eorrupíjâo de ('anliT/a. »o 
lido». De neaiihy. «desapparecer, per- 
-se, sumir-se>, formando mnhj/n no 
ÍDitivo, Begundo a re^^ra ensinada pelo 
' 'e Luiz Figueiica, em ^ua Arle de 
\mwatica dii Uii^ua branilica, para 
ler o primeiro a e accrescentar outro 
Mio fim. O y tem na pronuncia o som 
ttaral e nasal. 

O afllaente do rio Pfirnhijha tem tam- 
nome Ilá-tiúit-çaba, sigiiiticando 
T eutre pedras. 



_ CAP 

Ás aguas de todos estes ribeirOes cor- 
rem entre, sobre, ou por baixo de pe- 
dras furadas e mesmo penedias altas. 

Cantareira.— Serra entre os muni- 
cípios de S. Paulo, Conceição dos Gua- 
rullios, Mtipy das Cruzes, Santa Izabel 
e Patrocínio ile Santa Izabel: extremi- 
dade sudoeste da serra Mniitiiiiteira. 

(aiilarrira, corrupt;ão de Caã-haty- 

-yo-i/rè-yrè, 'montes tesos, uns atraz 
dos onlrost. De caá, *monle, morro», 
hiity-dí. «erecto, teso», yo. reciproco para 
exprimir plural e communica(;ão de uns 

m outros, yrè-i/rè, »uns atraz dos 
outros». Pela difliculdade da pronun- 
cia do nome, os portnguezes entende- 
am ('atilarcirn. O ultimo yrè é pro- 
unciado breve e corrido. Todos os y 
s:lo pronunciados gutturalmeute e quasi 
não ouvidos. 

Esta serra 1'aulareira é uma corda 
dfi morros, dos quues os mais altos at- 
tingem altitude superior a SõO metros; 
sendo certo que o Jarngaâ tem 1.100 
melros. Esta corda de morros prolonga-se 
pura nordeste, sob os nomes Bananal, 
Staberaba, Itetíro e Ilapehy, e outros, 
até á grande curva do rio 1'arahyha, e 
mais ao norte até á serra Mantliiueira. 

Esses morros sSo mais ou menos ere- 
ctos Como o Jnrnyuá. 

Capahyba.— Aflluente do rio Jacarf- 
viiiirn-miriíii, pela margem esquerda: 
entre os niunicipios de Jabú e de Doos 
Córregos. 

Capa/ii/ba, corruptela de ílá-pa-u-bae, 
■ o que é sujo e sinuoso». De há, ttor- 
cer, voltar», levado ao supino pelo ac- 
crescimo da partícula i»t (breve), iJ, «ser 
sujo-, bae (breve), partícula de participio. 
O h é as])irado: dahi a corruptela para c. 

Capão.— U nome de alguns morros: 
de fda, «monte, morro», e pau, *ilha, 
insulado, isoladu». Os indígenas o ap- 
plicavain, nilo só aos montes, como aos 
mattos salientes e separados ou isola- 
dos; e também aos montes cavernosos. 
Neste ultimo sentido. Capão é corru- 
ptela de Cnd-apnii, por contracçilo Cnâ- 
'pau, tmocro suuwwe» , í\\\s.^viíí 's. Xíís. 
grutas ou cavetiias. 



CAP 



56 



CAP 



Ha o Capão-Allo, no município de 
Itapetiainga. 

Ha o Capão-Boiiito, no miinlcipio de 
Paranapanema. 

E outros. 

Quanto ao Capão- lioni to, é certo que 
a serra marginal do ribeirão Almas, no 
município de Paranniianpma, encerra mui- 
tas e suGcessivas grutas. 

(Vide o nome Almas). 

Capão Bonito de Paranapane- 
ma. — Villa, á margem esquerda do ri- 
beirão Almas. 

Sempre pareceu-me extranlio o nome 
Capão Jhnilo. que antecede ao Parana- 
panema; e pessoa alguma podia expti- 
car-m'o. Consegui, poréru, saber o que 
era isso. Não ba razito para que a villa 
ainda conserve esse nome; porque era 
o da antiga povoação no logar em que 
está o monte. 

Qipão Bonito, corruptela de Caá-ap9- 
ibyi-la, tmonte cavernoso e sonante». De 
caá, »monte», apS, «soar, ter som», iòiji, 
«cavernar, ser concavo, ser ôco>, com 
o suQixo (a (breve) para formar siipino, 
Contrahido em Vaà-'pã-byi-ta. E' guttu- 
ral o som do y. 

Com effeito, distante da villa 20 ki- 
lometros, mais ou meno.s, e afastada do 
ribeirão Almas cerca de 3, á margem 
direita, ba nma pequena montanha, na 
qual existe uma gruta, extensa e jiro- 
funda. Tem 3 pavimentos: o de cima 
mede 25 metros de cumprimento sobre 
12 de largura; o do meio, 8 de com- 
prímeato sobre 5 de largura e 4 de 
altura, o ultimo é em baixo dos dous, 
nas profundezas. No superior, as stala- 
gmites formam um como altar. No mé- 
dio, cuja entrada é por uma abertura iio 
sóio do primeiro, próxima á rocha, ha 
pendentes da abobada duas stalactites 
que, tocadas com pedra ou objecto de 
ferro, soam como sino. No ultimo, passa 
um córrego, cujas aguas, em cascata, 
despenham-se de grande altura, com es- 
trondo. 

Que consfrucção engenhosa a deste 
nome! Até o som de sino nas stalacti- 
tes teve representante aa palavra apà. 



Capão Bonito do Rio Novo.— 

Ha um bairro Capão Bonito no municí- 
pio de Rio Novo. Nesse bairro, segundo 
escreveu-me um informante local, «ha 
um morro bastante elevado nas csbecei- 
ras dti córrego Poiíte-Alta a que é visto 
a grande distancia, bem como mais ao 
oeste ha uma ponta de serra, qne pelo 
lado sul não é accessivel, tornando-sc 
por isso também muito saliente: distam 
utti do outro dous a trea kilometn)s>, 

Capella do Monte Serrate de.Itú. 

— Povougãa assentada á ujargem do lio 
Tietê, no logar em que está o denomi* 
nado Salto. E' hoje uma freguezia; e 
com varias fabricas, entre as quars duu 
ou três de tecidos e uma de papel, des- 
envolve sua prosperidade. 

Capetevar. — Esta palavra está es- 
cripta incorrectamente no titiilo de ses- 
maria de Pedro de Góes, de 10 de Ou- 
tubro de 1532, para a descripçfto dos 
respectivos limites. i 

Eiu 1<)T4, o padre jesuíta Lodrbnço ' 
Craveiro, annotando este titulo, escre- i 
veu nío ser conhecido este Capeletar. 
Certamente não o podia ser: — porque 
não era nome correcto. Os indígenas de- 
nominavam o cabeço mais alto, no meio 
de uma serra, pela palavra Cbú-apiié-d: 
de caá, «monte*, apite, «centro, nieío», 
á, (Cabeça, saliência». Por isso, nesse 
documento antigo de sesmaria, está ea- 
crípto: «.. subirá para serra ácíma até 
u cume, e dahi a buscar o capetevar, e 
dahi virá entestar com o rio...» 

O padre A. R. de Montoya, em seo 
Tpsoro de la lengita guarani, escreven 
apilériíá, «sobresahir entre os demais, 
estar com eminência^. Sem duvida, mn- 
dado o II em v, a corruptela fica expli- 
cada. 

Capinzal. — Aiiluente do rio Jacúpi- 
ranga, pela margem et^querda: entre os 
municípios de Iguape e de Xiririca. 

Cap>n%al, corrupção de Cad-api-çáx, 
«o que ladeia o monte, e derrama-se». 
De i-aá tmontea, api, íladeiar>, pai, es- 
parzir -se, estender-se, derrani«r-8e». Por 
contrac^io, Caa-pi-çfià. 



CAP 



57 



CAP 



Ha, com effeíto, nas baixadas em que 
correm esses ribeirões, depois de caliirem 
do monte, capim em abundância: dahi 
a corrupção para Capinzal. 

Capinzal. — Affluente do rio Piroic- 
pava: no municipio de Iguape. 

Capinxal, cora referencia a este ri- 
beirão, é, sim, corrupção de Caá-pi-l-áoçe, 
cmuito abundante de capim». De cáa^ 
cherva», pi <pello», ? «tino», áoçe pos- 
posição para exprimir superlativo. A 
palavra capim náo é portugueza, é tupi: 
designa o cabeilo herbáceo, ou a herva 
em forma de cabeilo. 

Allusivo a ter em seu leito capim em 
tal abundância que impede a sua nave- 
gação e mesmo o curso de suas aguas. 

Capítuba. — Nome de logares altos e 
de cursos d'agua. 

Se se trata de logares, Capituba é cor- 
ruptela de Caá-a-pi-tú-bo «morro socado 
DO alto». De caá «morro, monte», á «ca- 
beça», pt «centro, meio», iú-bo^ verbal 
derivado de tú «golpear, socar» com o 
sufiixo bo (breve) para exprimir o modo 
de estar. 

Allusivo a chapadas no cume desses 
morros. 

Se se trata de cursos d'agua, Capi- 
tuba é corruptela de Caá-api-i-tú-bo «o 
que ladeia o monte aos saltos». De caá 
) «monte, morro», api «ladeiar», i-iú-bo, 
verbal derivado de í-/w, «saltar a agua» 
com o suflBxo bo (breve) para exprimir 
o modo de estar. 

Allusivo a saltos ou quedas, ao la- 
deiarem o monte. 

Capivara.— AflBuente do rio Tietê, 
pela margem esquerda: entre os muni- 
cípios de Botucatú e S. Manoel. 

Affluente do rio Para)tapanema, pela 
margem direita, no municipio de Campos 
Novos de Paranapanema. 
• Capivara^ nome destes ribeirões, nada 
tem com o quadrúpede capíi-uára ou 
sapUbá. Este quadrúpede habita ás mar- 
gens de rios e de lagoas, nos capinzaes. 
E' de fácil domesticação, apanhado pe- 
queno: e, domesticado, acompanha osulo- 
no8 como cão. E' arisco: ao menor ruido, 



foge, e atira-se na agua do rio ou lagoa 
próxima; mergulha, e, caminhando pelo 
leito, reapparece longe. E' semelhante 
ao porco, porém mais alongado no com- 
primento e mais comprimido na largura. 
Tem o systema dentário quasi como o 
das pacas e cotias. A cabeça é com- 
prida, mas o focinho é arredondado: as 
orelhas, pequenas, arredondadas, pretas, 
quasi sem pello; os olhos grandes e 
negros. Os membros dianteiros têm quatro 
dedos; os trazeiros, três somente: ligados 
por membranas necessárias para a na- 
tação, e armados de unhas pretas, fortes 
e encurvadas. Pello duro e áspero. Sem 
cauda. Ha duas espécies: a commum, 
cuja cor é pardo-amarellado nas costas, 
esbranquiçado na barriga: e a capíi- 
uara-túga, inteiramente branca. Na scien- 
cia, este roedor é denominado Cabiaia 
ou Hydrochocítis-capybara. 

O nome dos ribeirões Capivara, ainda 
mesmo que ahi haja abundância de tal 
quadrúpede, não se explica pelo nome 
deste. E' corruptela de Caá-api-yâ-ára, 
«o que se arrima ao monte, ladeando-o». 
De caá, «monte», api, «ladeiar», yâ 
«arrimar-se, pegar-se», ára, verbal para 
formar participio, exprimindo neste caso 
o modo da acção do verbo. Por con- 
tracção, Caá''pi'yã''ra. 

Allusivo a descerem as aguas sempre 
pegadas ao monte. 

Ambos estes ribeirões Capivara têm 
saltos e corredeiras. O affluente do rio 
Paranapanema mostra, além de outros, 
um de quatro metros de altura, perto 
da estrada: sua correnteza é de três 
metros por kilometro. 

Capivara — Cachoeira no rio Para- 
napaneinu, 30 kilometros mais ou menos 
abaixo do rio Tibagy, affluente daquelle 
pela margem direita. 

Capivara é, também no nome desta 
cachoeira, corruptela de Caá* -api-yâ-ára, 
por contracção Caâ-pi-yâ-ra, «o que 
se arrima ao monte». De cad «monte», 
api «ladear», yà «arrimar-se, pegar-se», 
ára, verbal para formar participio, ex- 
primindo neste caso o modo dft. ^ríí^^í^ 
do veibo. 



CAP 



58 



CAP 



Allusivo a ser o canal principal muito 
unido ao monte que á direita inargêa 
o rio. 

O outro canal mais largo é trancado 
por uma muralha, na qual ha um salto 
de quasi um metro de altura. 

Entre os dous canaes ha um ilhote, 
cujo comprimento é de cerca de 200 
metros. 

O canal da margem direita tem de 
15 a 20 metros de largura; e as aguas 
correm por ahi impetuosamente, em píano 
fortemente inclinado. 

Capivarú.— Affluente do rio PiroU' 
paia, no município de Iguape. 

Capivarú, corruptela de raá-píi-nrú 
«o que tem capim». Decaá «folha, herva», 
pii, «fino, delgado», arú, «conter, pos- 
suir». E ainda por isto se vê que capim 
não é palavra portugueza, senão tupi. 

Allusivo a ter sempre capim no leito, 
em forte tecedura. 

Capivary.— Affluente do rio Tidé, 
pela margem direita: nos municípios de 
Campinas, de Indaiatuba, de Monte-mór 
e de Tietê. A' sua margem está assen- 
tada a cidade de Capivary. E' o Capi- 
vaTij-guassú. 

Affluente do mesmo rio Tidé, e tam- 
bém pela margem direita: com o nome 
Capira ry- mirim, 

Affluente do supra mencionado rio Ca- 
pivary, denominado, por isso, Capiraiy 
de cima. A' margem direita deste rio 
está a villa de Monte-mór. 

Affluente do rio líapeiininga, pela mar- 
gem esquerda: nos munjcipios de Itape- 
tininga e de Paranapanema. 

Affluente do rio Parahyha, pela mar- 
gem direita: entre os municípios de Jam- 
beiro, Caçapava e S. José dos Campos. 
Este ribeirão divide em duas partes a 
villa de Jambeiro. 

Affluente do rio Capivara, pela mar- 
gem direita: no município de Campos 
Novos de Paranapanema. 

Affluente do rio Santo Ignacio, pela 
margem esquerda: entre os municípios 
de Rio Novo e de Espirito Sauio da 
Boa VisUi. 

E outros. 



E' também o nome de outros curso 5 
dVgua, ribeirões e córregos; assim con^<, 
de bairros próximos ou banhados por 
taes cursos d'agua. 

Capivary, corruptela de Caá-api-ycè^ 
ara-), «o (jue Indeiando o monte, arri- 
ma-se perseverantemente a elle». De 
carí, < monte», api, «ladeiar», yâ, «arri- 
mar-se, pegar-se», àra, verbal para for- 
mar participio, exprimindo o niodo da 
acção do verbo, í, pospo^íção para ex- 
primir perseverança. Por contracção, Caà- 
pi-ya -/•-?. 

Allusivo a descerem as aguas ladeian- 
do o monte e sempre arrimadas a este. 

Capoeiras. — Morros no município de 
Apiahy. Ahi nasce o Taqnari, affluente 
do rio Ribeira de lyuape. 

Capoeiras^ corruptela de Cá-púera, «o 
quebrado». De cá, «quebrar-se, derro- 
car-se», pâera, partícula de pretérito. 

Allusivo á forma eruptiva desses morros. 

Nada tem com cáa-pu-êra, «matto 
outr^ora derrubado»: de cáa, «matto», 
pt(, «rebentar, derrubar rebentando», era, 
partícula de pretérito. 

Capuava. — Pequeno rio, no municí- 
pio de Caraguatatuba. Nasce na serra 
marítima. 

Nada tem com capuaba, «matto ou 
monte derribado»: de caá, «monte ou 
matto», pUy «rebentar, derrubar reben- 
tando», ába, verbal para formar parti- 
cipio e exprimir o logar. 

Capuava, corrupção de Ti-apú-ába, 
«rio estrondoso». De //, agua, rio», apú, 
«estrondar», cíba, verbal para formar par- 
ticípio e exprimir a causa. Por contra- 
cção, T-apú-ába, 

Allubivo, por effeito da represa das aguas 
na lagoa Maçâ-gaassú, a fazerem estas 
grande estrondo até que furam aquella 
lagoa no pequeno isthmo que a separa 
do mar. 

(Vide o nome MaçáguassúJ. 

Alguns suppõem que o estrondo é 
feito quando o furo é aberto: mas é il- 
luí^o. A. lucta das aguas para abrir o 
íuro é c\v\ô çvodviL o estrondo. 



CAR 



59 



CAR 



Caputera. — Bairros nos municípios 
de Mogy das Cruzes, de Mogy-niirim e 
de Sorocaba. 

Sem duvida, ha bairros com o mesmo 
nome em outros njunicipios. 

Caputera, corruptela de Cná-apith-a, 
«meio do monte». De má, «monte», 
apitér, ccentro, meio», com o comple- 
mento de a por acabar em consoante, 
segundo a lição do padre A. R. de 
MONTOYA, em sua Arte de la lengna 
guarani, 

Allusivo á parte superior das eleva- 
ções. 

Caraça. — Cachoeira no rio Ribeira 
de Iguape: no município de Apiah\\ 

Caraça^ assim denominam os indige- 
nas uma espécie de samambaia, que se 
cria em terras porosas e seccas, e cujos 
ramos ou hastes brotam de um bulbo. 
Parece que tem na sciencia o nome 
Polypodium-iticarutem. Da familia das 
Cryptogamicas. E' o feto niacho do 
Brazil. 

Mas, não se trata deste veíietai. 

Caraça é corruptela de Qilára-áocè, 
por contracção Qúár-áocè, - muito es- 
buracado». De ffuãra, «buraco, fojo, 
poço, cova», áocè, para esprimir super- 
lativo. 

Allusivo a ter muitos poços e bura- 
cos; de sorte que as aguas rodomoinham 
successivamente. 

Caracatínga.— F/ o ribeirão Ca/ja- 
coiivga» 

(Vide este nome). 

Caracol.— Cachoeira no rio Ribeira 
de Iguape, um pouco abaixo da villa de 
Yporanga. 

Cachoeira no ribeirão J/arir/j. 

Caracol, corrupção de Qúara-haíiucóg, 
"^.canal retorcido». De ([úara < buraco, 
canal», haqueóg, «retorcor, dubrar». Por 
contracção, Quar^-haqueóg. 

Semelhando ao caracol e coincidindo 

o som do nome, a forma do canal da 

cachoeira concorreu para o nome cor- 
rupto. 



Caragoatá* — Serrote no raunicipio 
de Am[)aro, em ramificação da Serra 
Xcgra, 

Caragoatá nada tem com a planta deste 
nome, conhecida na sciencia por Til- 
landsia usueoides, da familia das Bro- 
meliaceas, que dá uma espécie de pinhas 
e fornece á industria têxtil longos e 
fortes filamentos. A pinha possúe três 
qualidades apreciáveis, a côr, o cheiro 
e o sabor. 

Caragoatá é corruptela de Ca^^ru- 
aquài-atâ^ por contracção Ca^-r^-aquài- 
tà, «cingido fortemente mas derroccado 
por causa de revolução interior». De 
cáy «quebrar, derrocar», ru, «revolução 
interior», aquál, «cingir», ata, «forte, 
fortemente». 

Allusivo á sua forte structura, e tam- 
bém á sua natureza eruptiva. 

Caraguatatuba.— Villa situada á 
beira do mar, ao norte do rio Juquery- 
querè. 

Segundo o systema de Martius, este 
nome significaria «sitio abundante de 
caragoatáy>. Mas, este nome nada tem 
com essa planta bromeliacea. 

Caraguatatuba, é corruptela de Curaá- 
guafg-aty-bo, por contracção Curaá-guat' 
(itg-bo, «enseada com altos e baixos». 
De curaáj ^ ensQSiún*, guatg-aty-bo, ver- 
bal derivado de a ff, «levantar, fazer 
montão^, precedido, de gu e accrescen- 
tado com bo (breve) para formar supino. 
A repetição de aty, neste nome, signi- 
fica que o facto se dá em mais de um 
logar. O y tem na pronuncia som gut- 
tural; e j)or isso soa u, 

Allusivo a ter essa enseada parcéis 
e cômoros de areia em vários logares. 

Carahá. — Affiuente do rio Sorocaba, 
pela margem direita: no municipio de 
Piedade. Nasce na serra Sdo Fraucisco, 
ao sul. 

(arahá, corruptela de (iuaraá, «doen- 
tio». De gu, reciproco, araá, «ser doen- 
tio, doença, enfermidade de febres». 

Allusivo a ter alagadiços pestilentos 
nas margens; por causa de aguas transbor- 
dadas do rio Sorocaba, e ali paradas e 
apodrecidas. 



CAR 



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CAR 



Carajaúna. — Morro entre os rios 
Oaraú e Una do Prelado^ ao sul da 
serra Itatins. 

(Vide o nome Guarahu), 

Ciirajaúna é corrupção de Caá-ra-aú, 
«morro desigual e incommodo». 

(Vide o nome Garaú). 

Carambehy. — Affluente do ribeirão 

Aranahy, e este do rio Poiribú; no mu- 
nicipio de S. Roque. 

Este pequeno ribeiro Carambehy ba- 
nha a cidade de S. Roque, pelo sul. 

Carambehy, corruptela de Carhmbei, 
«perseverantemente tortuoso». De cay% 
«tortuoso, torcido», mbdf o mesmo que 
bei, precedido do m por causa do som 
nasal de care, «perseverantemente, á 
porfia». 

Caramby. — Corredeira no rio TieU\ 
entre o salto de Itú e a cidade de Porto 
Feliz. 

Caramby, corruptela de Carè-mbi, 
«tortuosa e funda». De care, «tortuoso», 
mbi, o mesmo que pi, precedido do m 
por causa do som nasal de care, «cen- 
tro, fundo». 

Caramocoara.— Ilha, em frente á 

foz do rio Cubatào: a qual foi mencio- 
nada na carta de sesmaria de Pêro de 
Góes, de 10 de Outubro de 1532. 

Em minha obra Algumas Notas Ge- 
nealógicas escrevi que talvez fosse Ca- 
ramoacara, «gavião ou águia real». Ago- 
ra, porém, verifiquei que o nome Cara- 
mocoara estava exacto, mas um pouco 
corrompido. 

Caramocoara é corruptela de Cara- 
mong-guâra, «redonda». De carapong, 
mudado o p em m, conforuie a índole 
da lingua tupi, «redondo, grosso, incha- 
do», com o accrescimo guâra, muito 
usado para completar a expressão da 
forma, segundo a lição do padre A. R. 
DE MoNTOYA, em sua Arie de la lengua 
guarani. 

Vj, com efifeito, bem redonda essa ilha. 

Caramurú. — Ribeirão que, ao cahir 
da serra, forma poço, e mais abaixo 
desce em cascata e encachoeirado, to- 



mando o nome Rio Pardo, e mais abaixo 
o de Jnqnery-qíieré: entre os munid- 
pios de S. Sebastião e de Caragnatatuba. 

Caramurú, corrnptéla de Qúa-ranio- 
yrú. De qúa, «poço, buraco», ramo^ poô- 
posição significando «em», yrú, «sorver, 
engolfar, entrar fundo, encaixar». 

Ãllusivo a cahirem suas aguas em um 
grande e fundo poço, para depois se- 
guirem. 

A propósito do nome deste ribeirão, 
verifiquei que o appellido Cnramurú, 
dado a Diogo Alvares Corrêa, primeiro 
povoador da Bahia, não significa Dragão 
que sahin do mar, segundo algumas 
chronicas; sim, significa «mettido no bu- 
raco», Qúa-ramo-ym, Conforme frei 
António de Santa Maria Jaboatam, 
em seu Novo Orbe Seráfico Brcunltco, I, 
«é tradição constante derivada dos pri- 
meiros até os de agora, que naufragada 
a náo de Diogo Alvares entre os baixos 
do Rio Vermelho, da entrada da Bahia, e 
acudindo ali o gentio, com o mjaioral 
deites acompanhou também sua filha, e 
que, andando ella com o pae, por entre 
aquellas pederneiras, por estar de todo 
vazia a maré, á colheita dos despojos, 
vira a tal india a Diogo Alvares em a 
concavidade de uma delias, onde o susto 
e temor do numeroso e bravo gentio, o 
havia escondido,.. Então a india, ou 
como admirada da sua primeira vista, 
ou compadecida da sua fortuna, chamara 
pelo pae, e, apontando para Diogo Al- 
vares, entre aquellas aberturas, dissera 
assiui : Caramurú-guaçú ...» Sem acei- 
tar para o caso o mais que escreveu 
frei A. DE Santa Maria Jaboatam a 
tal respeito, reconhece-se a verdade da 
tradição mesmo com o accrescimo guaçú. 
A india teria exclamado Qúa-ramo-yrú, 
gnaçú, como dizendo — «Olha: um joven 
mettido no buraco!» E nada mais do 
que isso. Guaíra significa joven ou ho- 
mem feito. 

Caramussa. — Affluente do rio Apin- 
hy, pela margem esquerda: no municí- 
pio de Itapeva da Faxina. 

Caramussa, corrupção de QUa-ramo- 
hocè, «muitíssimo esburacado». De qúa, 
«buraco, fojo, poço», ramo, posposição 



CAR 



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CAR 



para exprimir a qualidade ou o modo, 
hocè ou ocè, posposiçâo para exprimir 
o superlativo. 

Ãllusivo a ter no leito muitos bura- 
cos ou fojos. 

Com effeito, as aguas deste ribeirão 
abrem successivamente fojos, alguns muito 
profundos, conhecidos pelo nome caldei- 
rões. A formação do terreno nessa re- 
gião é a causa disso. 

Caranema.~Af[Iuente do rio Iperó, 

pela margem esquerda: no municipio de 
Campo Largo de Sorocaba. 

Caranema, corruptela de Qâar-a-Jicma, 
«rodomoinhos». De qúar-a, «fojo, buraco, 
poço», wZ//ií5, «volta e revolta». A ultima 
syllaba tem pronuncia quasi breve e 
corrida^ por causa do acento principal 
em ne. 

AUusivo a abrirem-se em seu leito 
fojos, revolvendo-se ahi as aguas em 
rodopio. 

A formação do terreno nessa região 
é a causa desse facto. 

Carapautuba.— AfTluente do rio Pa- 
rahyba, pela margem direita: no muni- 
cipio de Pindaniouhangaba. 

Carapautuba^ corruptela de (Júar-a- 
paui-iu-baej «o que tem quedas, casca- 
tas e poços». De qúar-a, «poço», pni^ 
«dependurar», /, <sagua», tu, «golpe, 
queda, salto», bae (breve) formando par- 
ticipio, «o que». 

Nasce na serra Quebra cainjalha, e 
desce em cachoeira e em cascata, for- 
mando poços. 

Carapeva— Morro cujo alto serve 
de divisa entre os municípios de Taubaté 
e de S. Luiz de Parahytinga. 

Carapeva, corruptela de ( 'ara-pé-bac, 
«curto e chato». De cará, «curto», pé- 
bae^ verbal derivado de pí^, «achatar-se, 
ser chato», com o suffixo bae (breve) 
para formar participio. 

Deste morro nasce um ribeirão, que 
também por corruptela é nomeado (íua- 
rapeva, E', porém, nome de diversa signi- 
ficação. 

(Vide Guarapeva). 



Os indigenas sohiam dar nomes com 
quasi idêntico som a logares vários na 
mesma região, mas significando diver- 
samente. 

(*) Carapícuíba.— Antiga aldêa de 
indígenas, formada no século XVI, á mar- 
gem do ribeirão do mesmo nome. 

Allusívo aos seus rodomoinhos. 

Nada tem o nome desse ribeirão com 
o carapecú-aíba, «cogumello venenoso» ; 
de caraperú, «cogumello», alba, «ruim, 
máu, prejudicial». Conhecido na sciencia 
por Agaricus da família das Cryptogami- 
cas. Nasce e cria-se em paúes, ester- 
queiras ou terras podres; e também em 
madeiras apodrecidas. Tem a forma de 
chapéo de sol. 



(*) Estavam avulsas estas notas: 

— Carapicítiba^ oomipt<^la de Qnar' -UpiruUlHUy «o que 
se revolve cm fojos». De qúar-a^ «fojo, buraco, poço>, í, pos- 
posivSo significando «em», picui^ tn*volver», precedido de 
y, «se>, com o accrescimo hae (breve), para formar parti- 
cipio, significando ^o que». 

--Alguns eM:revem CarajmeuXbe e ha quem pronuncie 
— CarapuculK^ No conhecido jogo linguistico dos indigenas 
(• explicável essa sério de palavras quasi idênticas no som, 
applicadas á mesma região. 

— Quar-a, «fojo, buraco, poço», pucu, «largo», òoe (breve), 
para formar participio significando «o (^ue*. 

— Quâr-a, «fojo, buraco, poço», ipi, «secco, enxuto», 
com cuibae, «o que é». O primeiro i do Xpí é pronunciado 
quasi imperc(>ptivelmentc* por ww acoento grave. 

Seria allusão a grotas largas, ou a grotas seccas, ou a 
f<^]os ou c^vas, largas, ou seccas, isto ^, sem córrego ou 
agua no tundo. Devo notar que \pi, para significar <sccco, 
enxuto*, s<í se applica áquillo que seccou ou enxugou pela 
ncvfto do fogo, do sol, ou do tempo. Haverá alli grotas ou 
h'*\os que tivessem soccado, ou que fiquem seccos em cer- 
tos períodos d<> tempo? 

— Qtoir-a, ffojo, buraco poço,», /m, «relientarv, euibae, 
sogimdo o padre Montoya, ou 00-600, s«^undo o |>adre 
Li'iz FiuuEiRA. para substituir o verbo ^ser», que cira- 
i-ti'ríslieamentc nAo ha na lingiia tupi. E, neste' ca.so, Qudr- 
n-pu-cnih<ie significaria— «a<iu<>lle que 6 relwntante em po- 
ços*, visto que o euibae ou eoixu é verbal empregado em 
s«>ntido demonstrativo, como ensinam osgrammaticos. Ainda 
assim, seria allusão a rodomoinhos ou a ftíjos. 

Carapiranga.— Aftluente do rio Ri- 
beira de Iguape, pela margem direita: 
no municipio de Iguape. 

Logar em que o rio Ribeira de Igua- 
pe, próximo á foz daquelie seu aftluente, 
se alarga muito e torna-se raso, com 
fojos e rodomoinhos, formando cômoros 
movediços de areia. A navegação ahi é 
difficil, pela incerteza do canal. 

Carapiranga, corruptela do Qâar-a- 
pi-ru^juja, ^.rodomoinhos e fojos». De 
(jílar-a, «fojo, poço, buraco»,;;/, ^reentro, 
fundo»,?//, «revolução sobre si mesmo», 
com o s\i\^^o nga \^i«h^^ ^'^^ I^tccox. 



CAR 



62 



CAR 



siipino. A pronuncia de rii é guttural- 
nasal: dahi o som de a na corruptela. 

Allusivo aos caldeirões e rodomoinhos 
no leito do ribeirão, e também naquelle 
logar do rio Ribeira de Iguape, 

Caraú. — Rio pequeno que nasce na 
ilha Giiaimbê ou de Santo Amaro, em 
várzea, e desagua nu furo Bertioga: no 
município de Santos. 

Dous afíluentes do rio líapanfiaú, pela 
margem esquerda: no mesmo município 
de Santos. 

Caraú, corruptela de Qúa-ára-aú, por 
contracção Qâ^-ár^-aú, «pouco corrente». 
De qiia-dra, participio de áqtía, «correr», 
significando «corredor, corrente», aú, dic- 
ção para exprimir defeito ou má vontade 
na acção, segundo a lição do padre Luiz 
Figueira, em sua Arte de gramiitatica 
da lijigua brasilica. 

Allusivo a correrem em várzea, sem 
declive suflBciente para o escoamento das 
aguas. 

Cardoso. — Ilha ao sul da barra de 
Cananéa, e a oeste da ilha Bom Abrigo. 
Ha nesta ilha um morro notável. 

Cardoso, corrupção de Caá-tidog, «mor- 
ro cortado ou quebrado». De eaá «monte», 
ndog, cquebrar, cortar». O som desta 
palavra composta produziu a brutal cor- 
rupção Cardoso, 

Alguns querem dizer que talvez ali 
houvesse fixado estabelecimento, nos tem- 
pos primitivos da conquista, algum in- 
dividuo de tal sobrenome ou appelliilo. 
Mas, não procede tal conjectura. A ilha 
era assim denominada pelos indigenas, 
por parecer, vista de leste, cortada, que- 
brada, ou aparada. Em sua maior lar- 
gura, que é de uma logua mais ou me- 
nos, ergue-se o morro com suas rami- 
ficações: e, para o sul,* estreita-se tanto 
que parece um extenso e alto muro no 
mar. Sua elevação é superior a 800 
metros. 

Junto a esta ilha, do lado do oceano, 
ha bancos de areia e um lagedo, deno- 
minado Moleques, corrupção de Búr-é- 
qney «parceis, arrecifes». 

(Vide o nome Jlolcques), 



No cume do morro ha uma lagoa; e, 
para subir o morro, em certo logar, ha 
uma escada de pedra, natural. 

Ao sul deste morro ha uma extensa 
gruía. 

Carioca.— Serra, cuja extremidade 
Occidental está no municipio de Bana- 
nal; mas em sua quasi totalidade é do 
território da província do Rio de Janeiro. 

Desta serra nasce e corre, também na 
província do Rio de Janeiro, um affluente 
do rio Bananal, pela margem direita, 
com o mome Carioca. 

Carioca, nome da serra, é corruptela 
de (Jnàr-io-ógca, «buracos tapados». De 
qíiâr, «buraco, fojo, poço»^ to, reciproco, 
para exprimir plural e communicação, 
og, «tapar, encerrar», com o suffixo ca 
(breve) para formar supino. 

Allusivo a grutas e cavernas, em com- 
municação umas com outras, nessa serra. 

Carioca, nome do ribeirão, é cor- 
ruptela de Quâr-i-oquâ, «golpes d'agua 
e buracos». Dequâr, «buraco, fojo, poço», 
(í, «agua», quâ, «golpe», precedido de o, 
reciproco, para exprimir a acção de cahir 
a cousa sobre si mesma. 

Allusivo a ser encachoeirado, formando 
poços. 

Os indígenas tinham o costume de 
dar nomes com o mesmo som, mas de 
significados diversos, a logares na mesma 
região. Por isso, o nome da serra e o 
do ribeirão, embora significando diver- 
saniente, soam idíMiticos. 

Carmo— Villa, situada á margem 
esquerda do ribeirão Corrente, E' conhe- 
cida por (mino da Franca, por ter sido 
desmembrada do munici])io da Franca. 

Com o mesmo nome Canno, ha um 
affluente do Rio Grande, pela margem 
esquerda: no mesmo município de Carmo 
e serve de divisa, em parte, com o mu- 
nicípio de Santa Rita do Paraizo. 

O nome deste ribeirão, Carmo, é cor- 
ruptela de (Jti-ár-à-mo, «queda empi- 
nada». De gii, reciproco, para exprimir 
a acção da cousa sobre si mesma, ár, 
«cahir, queda», ã, «empinar», cum o 
^ suffixo vio (J3reve) \)ara formar supino. 



CAR 



63 



CAS 



O accpnto predominante está em dr; 
por isso, a phrase ã-tuo é pronunciada 
breve e corrida, segundo a IÍç3o do pa- 
dre Luiz Figueira, em sua Arlc de 
gramtnaiica da lingua brasílica. 

Allasivo a uma ciscata e salto de 
cinco metros de altura. As aguas pre- 
cipitani-se com grande fragor em toda 
a largura do ribeirão. Esta cascata é 
avistada da villa do Carmo. 

Carneiros.— Corredeira, no rio Ita- 
petininga: no município de Itapetinin<ra, 
abaixo do denominado Porto, na estrada 
da Faxina. 

Carneiros, corrupção de Qi/ã-m-t/i'rè. 
«velocidade e voltas». De quâ, iutini- 
tivo de rfíywá, «correr>, ni, partícula nf- 
firmatíva, exprimindo a maiur ac(;ao do 
verbo, gêrè, «volta». 

Allusivo a correrem ahi velozmente as 
agaas, com voltas entre blocos de pedra. 

Carqueja. — Extremidade da serra 
que atravesisa o município de Cajurú. 

Carqueja, corruptela de Caá-iquê-yã, 
«encosta do monte gretada». De caá, 
«monte*, iquè, «lado, costado», yã, «gre- 
tar, abrir, raxar», por eífejto natural. 

Allusivo a se mostrarem ahi cavernas 
e grutas. 

Em geral, as serras que existem no 
mnnicipío de Cajurú, têm cavernas; e 
a Carqueja tem ligai^ão com a Morri- 
nho8, em que ha extensas grutas. 

(Vide o nome Morriukus). 

Carrapato. —ASluente tio rio /'«m- 
napanema, |)ela miirgem esquerda: entre 
os municípios de Itapeva da Faxina e 
de Bom-Successo. 

Alguns escrevem Carrapatos. 

Carrapato, corrupção de Quár-a-pai- 
ta, «em forte declive, formando po^os». 
De qiiãr-a, «poço, fojo, buraco», pai, 
«dependurar», com o suftixo ia (bieve), 
para formar supino. 

Allusivo á sua grande dociividade, com 
quedas e cascatas, formando poços. 

Carvalho.— Affluente do rio Una do 
Prelado, pela margem direita: no mu- 
nicipio de Iguape. 



Carvalho, corrupçSo de Quãr-a-hárú, 
«poços perigosos». De qiiâr-a, «poço, 
fojo, buraco», kárú, «perigoso». 

Allusivo a fojos e peráus. 

Nada tem, portanto, o nomo corrupto 
Canalha com o de algum individuo, 
que alli se estabelecesse, segundo alguns 
suppSem. 

Este ribeirão ladeia montes eruptivos, 
que formam aquella região, denominada 
pelos indígenas Bahú-guassú. 

(Vide o nome iiahú-guassú) . 

Casa-Branca<— Cidade, na qual ha 
uma estação da Estrada de ferro Mo- 
gyana. 

Está assentada no declive de um 
monte baixo; e, na raiz deste -monte, 
ha um pequeno córrego cujas aguas sSo 
es]>raiadas. 

Ahi, o antiquíssimo caminho, que era 
o travessio dos indígenas e que depois 
foi a estrada geral para a Franca, for- 
mava uma curva, ladeiando o monte, 
para noroeste. Dahi o nome, corrompido 
em Casa Branca. 

Casa Itrafica é corruptela de Haçá- 
baiig-m, «travessio torcido». De kaçá, 
•passagem, travessio», bang, «torcer, en- 
curvar», levado ao supino pelo aceres- 
cimo da partícula ca (breve), para si- 
gnificar «torcido». O h tem som aspi- 
rado. 

O facto de existir mais adiante a casa 
caiada í\íi Estiva, ou Registro do despa- 
cho do5 géneros, foi causa da corruptela. 

De um Itinerário de viagem, em 1857, 
vou transcrever alguns trechos, que ex- 
plicam de certo modo a denominaçSo 
tupi: «Sahi do Ãterradinho ás 8 horas 
da manhã, e, caminhando meia legua ao 
rumo de CO graus, cheguei á villa de 
Casa Branca, que, por suas constrncções, 
e trato de seus habitantes, se mostra 
uma das mais civilisadas povoações que 
em minha viagem atravessei. Conti- 
nuando dahi uo rumo noroeste, caminhei 
três quartos de legua até o alto do 
campo. A uma legua e um quarto da 
villa passa-se pelo iogar chamado Es- 
tira, aiada no m^^mti tuoíq uotmsXc^ ^ 



CAS 



64 



CAS 



alravessa-se a váo tíni pequeno cór- 
rego... O terreno niostrou-se, neste 
dia, pouco accidentado^. 

Este antiquíssimo caminho está hoje 
abandonado e quasi tapado; porque, de- 
pois de 1857, foi aberta uma estrada 
denominada de rodagntn^ mais recta ao 
alto do campo. 

Cascalho.— Pequeno furo, commu- 
nicauílo o rio 5. Vicenín com o laga-mar 
de Santos. Fui cortado pelo aterrado 
da estrada; mas a maré o invade pelas 
duas extremidades. 

Cascalho^ corrupção de Cácá-ho, «lo- 
gar que approxima». De cácá, «acercar, 
approximar», com a partícula bo (breve), 
para exprimir logar. 

AUuéivo a ser uma espécie de atalho 
por agua entre aquelle rio e o laga-mar. 

Casimbambas. — Aftluente do ri- 
beirão Retiro Velho, e este do rio Pa- 
rahyiinga: entre os municípios de Lo- 
rena e de Guaratinguetá. 

Casimbambas, corrupção de Oti-occ' 
mb'âmbu, «o que sahe fazendo ruido». 
De acv, «sahir», precedido de gu, como 
reciproco, mb, intercalação por ser nasal 
a pronuncia da palavra anterior, ambii, 
«Sonido, tropel, ruido, ronco, bufo, gru- 
nhido». 

Allusivo á lucta que, ao affluirem no 
ribeirão Retiro Velho,' suas aguas têm 
com as deste ribeirão; sem duvida por 
sahirem quasi perj/endicularmente ao cur- 
so do ribeirão. Esta resistência produz 
um ruido ou ronco próprio das aguas 
em conflicto. 

Alguns escrevem CarÍ7nbambas ou Ca- 
iiimbanibas e portanto ainda com maior 
corrupção do que Casimbainbas. 

Castelhanos.— Praia, na ilha de S. 
Sebastião: no município de Viila Bella. 

Castelhanos, corrup(;ào de Cá-herà" 
aáng, «não pouco aberta». De cá, «abrir», 
hera, «pouco», aáiiy, adverbio, «não». 
Por contracção, Cá-herã-^ántj. 

Allusivo a ser muito desabrigada essa 
vnsta enseada. 



Castello. — Nome errado, dado em 
mappas á ilha companheira da que traz 
o nome Figueira^ também errado. 

(Vide Caslilhos e Figueira). 

Castllhos. — Ilha fronteira á costa 
situada a sueste de Cananéa. Sua ex- 
tensão é de 2,8 kilometros. 

Castilfios, corrupção de Quipií, cirmS 
menor». (Companheira da que traz o 
nome Figueira, corruptela de Tiqueira, 
«irmã maior», os indígenas as differen- 
çavam assim, considerando-as irmãs: a 
maior, Tiqueira, a menor, Quipií, O i 
de qui e o primeiro i de pii têm pro- 
nuncia guttural: dahi a corrupção para 
Castilhos e Castello: tendo o i de qui 
o som de a fechado. 

Casqueira.— Affluente do rio Una 

do Prelado: no município de Iguape. 

Casqueira, corrupção de Caáriquê-ro, 
«o que costeia o monte». De caá, «mon- 
te», igue, «costear, ladeiar», ro, partícula 
de composição significando «pôr-se». 

Allusivo a ladeiar os morros. 

Casqueiro.— Ilha no laga-mar de 

Santos. 

E' também denominada, ainda mais 
corruptamente, Teixeira, 

Casqueiro, corrupção de Caá-haqui- 
cuêri, «por detraz do monte». De caá, 
«monte», haquicuêri, «por detraz». Por 
contracção, Caá-' quicuêrí. 

Allusivo á coUocação por detraz dos 
montes da ilha de S. Vicente. 

Cassandóca.— Monte e praia: do 

município de Ubatuba. 

Ha outra pequena praia que traz o 
nome Cassafuíoqirijiha, 

Logar elevado e chato, á margem es- 
querda do ribeirão Tatuapê, desde as 
cabeceiras deste: no município de S. 
Paulo. ' Ahi existem capões de matto e 
campo. 

Cassandóca, corruptela de Caá-çandog- 
ca^ «morro com pedaços de campo». De 
caá, «monte, morro», çã-nd-óg, ^quebrar 
a corda», ai)plícado também para expri- 
mir «quebrar a íila, quebrar a harmonia 
ou o coujuncto», com o sufBxo ca (bre- 



CAS 



65 



CAT 



ve), para formar supino. Isto com re- 
ferencia ao monte e ao logar elevado. 
Mas, quanto á prjiia Quâ-çandóg-ca, 
é allusivo a ser solta e batida das ondas, 
ao inverso das outras que silo guarda- 
das por muralhas de pedras. E' uma 
praia bravia. Do çí/â, «golpe», çan- 
dong, cquebrar». 

Cassaquera.^Affluente do rio Ta- 
manduaieky, pela margem esqucrria : no 
município de S. Bernardo. 

Gassaqueraj corruptela de On-áçai- 
qtiêr-a, «esparzido e parado». De (ju, 
reciproco, aç4i, «esparzir», quer, «dor- 
mir, repousar, parar», com o accresciíno 
de a (breve), por acabar em coníioante. 

Allusivo a alagar-se, e ter quasi ne- 
nhuma correnteza. 

Cassununga.—- Affluente do rio Mo- 
gy-guasm, pela margem esquerda: entre 
os municípios de Santa Rita de Passa 
Quatro e de S. Simão. 

Affluento do ribeirão Púfhy, pela mar- 
gem esquerda, e este affluente do ribei- 
rão Tremembé, pela margem direita : no 
município de S. Paulo. 

Pedra no rio Parahyba, na volta que, 
era frente á cidade de Jacarehy, faz 
esse rio. 

Não se trata de cassiimmga, vespa 
conhecida^ cá-çúriu-nga^ «vespa ruidosa», 
De cá, o mesmo que cáè-a, «vespa», 
çúnu-nga, verbal derivado de çúim, «fa- 
zer ruido», com o snffixo iiga (breve), 
para formar supino. Em certas estações 
do anno, emigram, como gafanhotos, de 
um logar para outro; e, em seu tra- 
jecto, fazem tal rumor, que os práticos 
tratam de arredar-se desse rumo, afim 
de não serem mordidos. 

Cassununga, (alguns escrevem Vas- 
sunungq), é corruptela de Ilaçá-nottg-a, 
«impedimento atravessado». De haçá, 
«atravessar», nong, «impedir», com a 
(breve), por acabar em consoante, se- 
gundo a lição do padre A. R. de Mon- 
•TOYA, em sua Arte de la lengua gua- 
rani; e, por estarem esses verbos no 
infinitivo nus ou sem caso^ signiiicam a 
acção delles em geral, conforme a lição 



do padre Luiz Figueira, na sua Arte 
de grammaiica da língua brasílica, 

Allusivo a serem encachoeirados. 

Quanto á pedra no rio Parakyba, é 
o mesmo significado: porque, de encon- 
tro a ella, as aguas do rio são forçadas 
a tomar outra direcção. 

{Vide o nome Jacarehy). 

Catai bú. — Morro, no município de 
Jundiahy. . 

(Vide o nome Caxaibú). 

Cathióca. — Cachoeira no ribeirão 
líaim, abaixo da denominada liambé: 
no município de Cunha. 

Cathióca, corruptela de 'Qua-ti-ym-óg- 
ca, <espumosa, e poço». De qúa, «poço», 
ti-yut-og, «espumar», com o suffixo ca 
(breve), para formar supino. 

Allusivo a formarem as aguas ahi 
muita espuma; e a existir, logo abaixo 
da cachoeira, um poço. 

E' conhecida pelo nome «cachoeira 
do Guedes» ; o nome Cathióca é trazido 
indebitamente por uma extensão do ri- 
beirão. 

Catanuml.— Morro granitico, á mar- 
gem esquerda do rio Juqucry: entre os 
municípios de S. Paulo e de Parnahyba. 

Cataftumi, corruptela de Quâ-atã- 
kaime-i, contrahido em Quâ-tã-n-aim'- 
i, «inteiramente a pique e ponteagudo». 
De quã, «ponta», atã, «tesa, erecta», n, 
intercalação nasal, haiine, «a pique», i, 
posposição de perseverança. 

Allusivo ás suas encostas a prumo, e 
a ser ponteagudo. 

Catíguá. — Ribeiro próximo á cidade 
de Santo António da Cachoeira. 

Caiigná, corruptela dellati-gud, «man- 
chado de sedimentos». De hali, «sedi- 
mentos, fezes, buruzo, bagaço, cisco», 
gnã, «listrar, manchar, riscar, formando 
veias». O som aspirado do h semelha 
o som de c: dahi a corruptela. 

Allusivo aos sedimentos que^ no fundo 
de seu leito, formam listras ou riscos 
veiados. 



CAT 



Gd 



CAV 



Catocas.— Affluente do rio Inferno: 
no miinidpio do Carmo da Franca. 

Ottomi, corni|»çao do Culõg-ca, «si- 
nuoso*. De cotog, tmenoiar-se, vnílear», 
com o suffixo ca (breve), [lara formar 
siipino. 

Allusívo ás muitas voltas que dá. 

Cattas-Altas.— Affluente lio rio Ri- 

lieira de hjuapf. pela margem esquerda: 
entre os municiíuos de Apinhy e de 
Iporangi. 

Este ribeirSo, de cerca de 80 kilo- 
Tiietros <le exlcnsilo, eom lífl Je largura. 
é obstruído de cachoeiras e cuaeatns. A' 
margem esquerda, lia uma {leilra com 
inscripçao. - 

Acerca destes e de outros córregos 
em que outrora se fizeram cnilan na- 
quella região, o oiinselheiro Martim 
Francisco Ribeiro de Andrada, em 
SfU Diário de uma riii(/ein miito-fihgica 
l>rla jirorínría de S. Piiiilo nn mino de 
1S05^ escreveu o seguinte; «...larguei 
a ribeira fllil/eirn de Iijnapr), e eiiirei 
pelo dito ribeirão ^Tíií/íwjríJ, passei pelo 
Onro-grosso e fino e outro.s córregos, 
que aqui vem desaguar, nas qnaes se 
vêem restos de antigas lavriís de ouro, 
hoje abaodonadas por já não darem lu- 
cro, e adtantci-me até perto do saito. 
que nao pude ver por avisiali;ir-SQ a 
noite: a forma(,'ão do ouro é a geral já 
mencionada, e só nas proximidadeá do 
salto se vêem as enormes massas 'la 
rucha granítica de grão fino e miudo, 

fazendo já paisagem á porphidica 

Uma observaçiio, que eui geral tenlio 
leito, é que as formai,:õea do ouro nSo 
í^ão permanentes, mas sim destacadas 
dos morros vibinhoe, onde seria bom 
examinar, se o paíz. por monlnoso e 
inculto, o nilo obstasse». 

Catumby.— Tremedal, á margem es- 
querda do rio Tieii\ no município de 
tí. Paulo (freguesia do Si^nhor Bom Jesus 
do Braz). 

Catuiiibg, corruptela de Catu-húú 
;/////(, contraindo cm Caf-úú-i/hi/i, «muito 
lundo atoleiro». De cala, para exprimir 
excesso, iiiiú, •lameiro, lodo, detritos: 



i/òjji, iconcavo, ôco, seio». O som 
pronuncia é guttural. 

Allusivo a existir ahi uiii brejo, 
forma concava, e muito fiimlo de U- 
nieiro. 

CauvL— Pequena Ingôa, á itiargcmJ 
ribeirão Anua da Cosia: no munidpi 
de Iguape. . 

Viuiri, corrujiç5o ile Qntiá-ngh^, cm 
traliido eui (!uãá-y'bij, (Ingõa ruíai 
De gnná. «enseada, lagõu*, aybg, crDiíu 

Allusivo ás suas más aguas. 

Cauvú.— Córrego atlluente do rib» 
ríio Cuho^-ú, )iela margem direita: 
município de S. Paulo, freguezia de 
S. do O'. 

Canrú, corrnp(;3o de Qnâ-yâ, A- 
goluha>. Ue 'juã, «pequenito*, gã, 'div 
gadi(,-o, lagoa», 

Allusivo a formar a agua desse csr 
rego, logo que cahe do monte, uma pfr 
quenn lagoa, e dalii seguir ufé t> 'i- 
ioçú. 

Cavado.— Morro, entre os niDuicipIU 
de Sorocaba e de Piedade, servinilo-lbes 
de divisa. 

íhrado, corrupçiSo de fú-gãi', 'fen- 
dido e quebrado». De rd, (quehrsr», 
//«, ofender-so naturalmente, ter (Híttt 
abrir-se», 

Allusivo a fendas e esburacaiufntot 
nas encostas. 

Caveiras,— Praia, na ilha de S. f 
bastião: no município de Villa-Belli- 

Cureiras. corru|i(;ão de Cú-hérã, «t 
pouco aberta». De ca, <abnr>, /iè'4 
«uin pouco». 

Allusivo a ser um pouco desabrígidi 
a enseada. 



Caveirinha.— Afiluente do rio í'«»| 

da Aldiv: no município do Iguape. I 
Caveirinha, corrup^ío de (^■ri-ft- 
nhin-a, «quasl sccca, conservando pe- 
quenos poçosv. De qúa, «poço, cávi). 
ei, linutil, sem causa, pequenoi, w, 
partícula que pede o verbo cumev**'" 
por II, segundo a lÍ4^u do ^dr« A. &• 



CAX 



67 



CAX 



DK MoNTOYA, em seu Tesoro de la 
lengua guarani., nhin, «seccar-se», com 
a, por acabar cm consoante. 

Hoje o denominam Coveiro: alliísivo 
ás muitas covas ou fojos, que se mani- 
festam quando secco; e só no tempo 
das chuvas enche-se o leito. 

Cavetá.— Affluente do rio Tietf, pola 
margem esquerda: entre os municipíus 
de Parnahyba e de Araçarifíuama. 

Qivetá, corruptela de Yàb-eiá, «mui- 
tas gretas». De yâb, ^ftmcia natural, 
greta, racha», etáy «muitas». 

Já li Icavetá. 

Allusivo a ser muito gretado no leito, 
pois que nasce no morro Voturuna^ que 
é eruptivo. 

Também ha um corredio Carcld^ af- 
fluente do rio Jnudialnj-inirim, pela mar- 
gem esquerda: nu município de Jun- 
diahy. 

Cavóca. — Serra altíssima de mais 
de 1.000 metros acima do nivel do mar; 
servindo de divisa ás províncias de S. 
Paulo e do Paraná. 

(Vide o nome Màialira), 

Caxaibú.— Morro: entre os municí- 
pios de Jundiahy e de Itatiba. 
Alguns o dizem Caxambu. • 
Caxaibúj corruptela de Caá-çai-ibifi, 
«monte baixo e esparramado». De caá, 
«monte», çá\ «esparzir, estender, es- 
parramar»; ibiy, «baixo». 

A pronuncia de ibiy é gutlural. 

Caxambu é uma fonte de aguas mi- 
neraes, na provinda de Minas Geraos. 
E explico aqui este nome por serem 
muito procuradas por enfermos estas 
aguas. 

Caxambu, corruptela de Cntã-mbú, 
«golfa e ferve». De cala, «golfar, fazer 
torrellinhos, inenear-s^í», mbú, o mesmo 
que pú, «ferver», mudado o p em vtb 
por causa do souí nasal de caia, 

Allusivo a golfar da terra a fonte, 
fazendo bulhões ou uma como fervura. 

Em tupi, a palavra camambú significa 
«bolha'*; e com referencia á agun, é a 
bolha gue o IjQuido faz como a ferver. 



Caximba.— Ribeiro que, com outros, 

forma o rio Apiahy-guassú : no muni- 
cípio de Apiahy. 

Carimba, corruptela de Qãa-ci-eym- 
bae, «o que não tem origem». De qúa, 
«buraco, poço», ci, «madre», formando 
(júa-ci, «origem, fonte, vertente», eym, 
posposição para exprimir negação, bae, 
partícula para formar participio, signi- 
ticando «o que». O ci pôde ser pro- 
nunciado chi, segundo o costume de al- 
guns. E bae é sempre corrido, e em 
forma breve. 

Allusivo a ser formado, em seu co- 
meço, por aguas de chuva, sem íoute. 

A propósito do norne deste córrego, 
examinei a palavra cacimba, O nosso 
lexicographo Moraes dá á palavra ca- 
rimba etymologia africana; mas, sendo 
buraco, cova, ou poço, para conservar 
aguas da chuva, a lingua tupi tem a de- 
nominação supra Qwi-ci-eym-bae. NAo 
é portanto de etymologia africana; po- 
dendo, porém, corresponder á mesma idéa 
o som das palavras respectivas, se em 
verdade existe em língua africima tal 
palavra idêntica no som e na idéa re- 
prescjitada. Do que Moraes escreveu 
não se coUige essa identidade; e pois, 
nãu só elle, como Aulete que o copiou 
sem confessal-o, erraram quanto á ety- 
mologia de cacimba, 

Caximbo.—Affluente do rio Bacu- 
rtirú, pela margem direita no município 
de Conceição dos Guarulhos. 

Caximbo, corruptela de Quâ-iy-mbo, 
«corre enterrado». De qtià, o mesmo 
que aqtiâ, «correr, passar», ly, «enter- 
rar, apertar tapando», com rnbo (breve) 
para formar supino. O padre A. R. de 
MoNTOYA, no seu Tesoro de la lengua 
guarani^ dá como supmo deste verbo, 
não só lymo, como também iymba. 

Allusivo a correr sob pedras, pare- 
cendo tapado, em muitos legares. 

Caximbú. — Morro, entre os municí- 
pios de Atibaia e de Itatiba. 

Caximbú, corruptela de Gu-acliy-mb- 
fiúú, «lodoso e escorregadio». De gft, 
reciproco, pata %\go\^ç.a\ ^^ ^wa.'^ ^\sR5^^- 



CAY 



68 



CER 



tas, achy^ c escorregadio», mb, interca- 
lação nasal, húú, clodo, lama». 

As encostas deste morro são, com 
effeito, lamacentas e lodosas. 

Cayacanga. — Morro próximo ao rio 
Ribeira de Iguape, no município de Xi- 
ririca. 

Cayacanga, corruptela de Cafn-acafig-a, 
«cabeça a abrazar-se». De m/a, «quei- 
mar-se, abrazar-se», no infinitivo, acang, 
«cabeça», formando com cata uma só 
palavra, e recebendo a por acabar em con- 
soante. Por contracção, Caí-^acang-a, (*) 

Allusivo a ser vaporoso esse morro, 
deixando sahir evaporações no cabeço. 
E' mineral aurífero. 

Alguns kilometros distante está o que 
tem o nome Votupóca. 

(Vide o nome Votupóca). 



(*) Estará a seguinte nota : 

Não será Caá-oang-af <moiTo secco»? Dg caá, «monno», 
fong^ «secoo, enxuto», com a (breve) por acabar em con- 
soante. 

Parece, porém, que o nomeé do estreito queahi forma 
o rio Ribeira dê Jffuape: e, portanto, será corruptela de 
Quai-oanç-a ? 

Cayacotlnga.— Aftluente do rio Tietê, 
pela margem esquerda: entre os muni- 
cípios de Itú e de Porto Feliz. 

Corredeira no mesmo rio Tietê, pouco 
acima da fóz daquelle ribeirão. 

Os indígenas usavam dar a logares 
na mesma região nomes com som idên- 
tico ou quasi idêntico, significando porém 
diversamente. 

Cayacotinga, nome do ribeirão, e Cáx- 
acú-ti-nga, «vapor quente, a queimar». 
De cái, «queimar», acú, «quente», ã, 
«evaporar» com o suflSxo 7tga (breve) 
para formar supino. 

Allusivo a correr sobre terreno de 
formação carbonífera, recebendo pelo leito 
evaporações quentes. 

(Vide o nome Penonduva), 

Cayacotinga, nome da corredeira, é 
Coacú-ty-nga, «pontas escondidas». De 
coacú, «esconder, occultar», ///, «ponta», 
com o suffixo 7iga (breve) para formar 
supinO; relativamente ao nome inteiro. 

Allusivo a pedras ponteagudas no leito, 
mas cobertas pela agua. 



A propósito, vale a pena deixar notado 
que restinga ou melhor, rastinga, é de 
origem tupi, significando «pontas levan- 
tadas». De rá, «mancha, levantado, não 
nivelado», ty, «ponta», com o suffixo 
nga (breve) para formar supino, em re- 
lação ao nome inteiro. Allusivo a pe- 
dras e baixios no mar e nos rius e lagoas. 

Moraes e Aulete ignoram a origem 
dessa palavra. 

Cayubi.— Affluente do ribeirão Iti- 
mirim, este do ribeirão Itingiiassú, e 
este do rio Una da Aldeã: no municí- 
pio de Iguape. 

Cayubi, corruptela de Qúa-yú-bi, «poços 
e alagadiços, pegados uns aos outros». 
De qúa, «poço», yú, ^talagadiço», bi, 
«pegar-se». 

Allusivo á sua formação por entre 
aguas estagnadas e pútridas. 

Cedro. — Ha este nome, era bairros 
diversos, na província de S. Paulo. Mas, 
estes bairros tiram de ribeirões próximos 
o nome. 

Cedro, corrupção de Cé'7idúrú, «cas- 
cata ruidosa». De cê, o mesmo que hé, 
«dependurar», ndiiiú, «ruido, estrépito». 

A palavra ruiúrú é pronunciada breve 
e corrida, i)or causa do accento predo- 
minante *em cé, syncopado o n. 

Allusivo a cascatas ruidosas, nesses 
ribeirões, e a cachoeiras successivas. 

E' notável a cascata Cedro, no mu- 
nicípio de Cunha. Com o nome C^dro 
é tambetn conhecida a cascata, onde 
nasce o rio Pissinguaba, no município 
de Ubatuba. 

Ceromonía. — Affluente do ribeirão 
dos Veados, pela margem direita: no 
município de Campos Novos de Para- 
napanema. 

Ceromonia, corrupção de TerÕ-monà, 
«sinuoso e turvo». De terõ, ^torcido, 
torto», 7nonà, «mesclar, borrar, turvar». 
O t é mudado em ç, formando Cero- 
mona pela necessidade do relativo. 

Cerquilho.— Affluente do rio Tieif, 

pela margem esquerda: no municipio 



CHA 



Gí) 



CHI 



Cerquilho, corrupção de Ti-qirir-a, 
cpouca agua». De it, «agua», qiiír, 
«pouco, pouquito», com o accrescimo 
de a (breve), por acabar em consoante. 
O / é mutlado em ç, pola necessidade 
do relativo. 

Âllusivo a ser muito raso, e quasi 
sem agua. 

Cervo- -- Aftlucnte do 7?/o- Grmnh, 
peia margem esquerda: no municipio de 
Santa Rita do Paraizo. 

Cedro,, corrupção de CV-?y7, «põe-se 
dependurado^. De vé, «dependurar», rõ, 
pôr-se». A pronuncia rõ é breve e cor- 
rida por causa do accento predominante 
em ca, 

Âliusivo a cascatas. 

Cervo-grande.~Aftluente do 

pela margem no 

municipio de Lençóes. 

Cervo-grande, cdtrupçâo de Céri-áqnâ- 
aány^ coutrahido em Cer^-aqúújii/j «pou- 
co corrente». De ceri, «pouco», áquâ, 
«correr», aány, particula de negação do 
verbo, ao qual é posposta. Por isso 
é também conhecido pelo nome — Rio- 
morto, 

Ceveiro.— Aftluente do rio Piracicaba, 
pela margem direita: no municipio de 
Piracicaba. 

Ceveiro, corrupção de Ce-yêrè, «si- 
nuoso». De ce, relativo, por existir iè 
no verbo yérè, «voltear, fazer sinuosi- 
dades». 

Âllusivo ás muitas voltas que dá em 
seu curso. 

ChapÓO.— Serrote notável, no mu- 
nicipio de S. Luiz do Parahyíinga: entre 
o rio Parahytiytga e o ribeirão deno- 
minado também Chapéo, nome este ti- 
rado do dito serrote. O ponto culmi- 
nante é conhecido pur Agudo, 

Morro, á niíirgem esquerda do rio Ri- 
beira de Igtiape; dando também o nome 
Ckapfo a um ribeirão, attluente daquelle 
rio. 

Morros, dando o nome a arraiaes, á 
margem esquerda e á margem direita 
do rio Moffij'(;uassú, logo abaixo da 



confluência do Rio Pardo, nas proximi- 
dades da cachoeira S, Bartholomeu. 

Owpéo, corrupção de Yiá-pe', «morro 
chato». De yiá, «pedra, morro», pé, 
«chato». 

Tratando-se de morros, os indígenas 
costumam supprimir por aphéresis o y 
de yiá, pronunciando somente iá, Dahi 
Tape, que aljíuns, dobrando a lingua, 
pronunciam Xa-pé, A forma de chapéo 
como origem do nome é um não senso. 

Sem duvida, esses morros são mine- 
raes. 

O nome Chapéo d*iiras, que existe 
na provincia de Minas Geraes, não é 
senão Ta-jfé-húú-bar, «morro chato apo- 
drecido». Rúú'bae, verbal derivado de 
húú, «apodrecer», com o suffixo bae (bre- 
ve), para formar participio. 

Ha com effeito morros, cuja terra é 
podre; e mesmo naquella provincia ha 
o serrote denominado Farinha Podre, 
nome tíimbem corrupto e talvez derivado 
da natureza do respectivo terreno. 

Charro. — Affluente do ribeirão Gna- 
piara, pela margem direita: no munici- 
pio de Paranapanema. 

E' de pequena extensão; e desce da 
serra, formando cascatas, ou pequenos 
saltos. 

Chano, corrupção de Chái-rò, «o que 
se põe dependurado». De cháí, «depen- 
durar-se», rò, «pôr-se». 

Âllusivo ás cascatas e pequenos saltos. 

Chi barro. — Affluente do rio Jacaré- 
pipira-guassú, ou, antes, uma de suas 
principaes vertentes ou cabeceiras: no 
municipio de Araraquara. 

Chibar ro, corrupção de Ti-pdi-rò, «rio 
que se põe dependurado». De tí. «rio, 
agua», pai, «dependurar», rò, particula 
de composição, significando «pôr-se». 

Âllusivo a descer da serra em casca- 
tas e cachoeiras; e tem mesmo um ma- 
«jestoso salto de cerca de 2õ metros de 
altura. 

Entre este ribeirão e o das Cnixes 
está situada a villa de Araraquara. Por 
outra, este ribeirão Chibarro está ao sul 
da \vUa. 



CIR 



70 



CLA 



Quando passa próximo da villa, corre 
meoos accidentado do que quando desce 
da serra. 

Chiqueiro. — Morro, no município de 
Itapecíricâ. E' unido ao Itátúba. 

Também, menos incorrectamente, é co- 
nhecido pelo nome Jiqueira, 

(Vide o nome Jiqueira), 

Morro, entre os municípios de Tau- 
baté e de Redempção. 

E' a mesma explicação do outro. 

Cintra. — Morro, no município de Ca- 
nanéa. 

Cintra^ corrupção de Cy-terõi «resva- 
ladio e torto». De cíff «liso, resvaladio», 
/erô, «torto». A palavra terõ é pronun- 
ciada breve e corrida. 

AUusivo a ser lúbrico e torcido. 

Cipó. — Aflfluente do rio Paranapa- 
nema, pela margem direita : em território 
ainda occupado pelos indígenas, algumas 
léguas acima da fóz daquelle rio. 

Oi-pó, «saltos pegados^. De ci, «junta 
de duas ou mais cousas, pegar, unir, 
achegar», pó, «salto». 

Nada tem com o vegetal sarmentoso, 
de caule longo e flexível, cj)-pó, «vara 
lisa»: de c^, «liso», po, «vara, páu, fio». 
E, aliás, nessa região deve haver cypó 
em abundância. 

Ci'pó é allusivo a cahírem da serra 
as aguas de queda em queda, formando 
como uma escadaria. 

Cipoáda.— Morro, servindo de centro 
nas divisas entre os municípios de Serra- 
Negra, Amparo, Socorro e Penha (hoje 
Itapira). E' redondo. 

Cipoáda^ corrupção de Cy-puá-bo, ^res- 
valadjp em redor». De r?/, «resvalar, ser 
liso, ser escorregadio )í», pvá, «ser re- 
dondo, fazer circulo», bo (breve) para 
exprimir o modo de ser ou de estar, signi- 
ficando, com puá, «em redor». 

AUusivo a ser alcantilado em toda a 
circumferencia. 

Ciriba.— Nome tupi da ilha de S. 
Sebastião, como consta de um docu- 
mcnto de 1002. 



Oiriba, corruptela de Oiri-bae, «apar- 
tada, separadas. De ciW, «apartar, se- 
parar», bae (breve) para formar parti- 
cipio. 

Claro.— Aflfluente do rio Ribeira de 
Iguape, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Apiahy. 

Aflfluente do rio Assungui, pela mar- 
gem esquerda : no município de Piedade. 
Nasce iria serra da qual se destaca o 
Morro- Agvdo, 

AflHuente do rio Juqueryqueré, pela 
margem direita : no município de S. Se- 
bastião. 

Aflfluente do rio Una-da-aldêãj pela 
margem esquerda: no município de Iguape. 

Aflfluente do rio Parahybuna^ pela 
margem esquerda: no inunicipio de Pa- 
rahvbuna. 

Aflfluente do rio Mogy-guassú, pela 
margem direita: entre os municípios de 
Pirassununga e de Santa Rita de Passa 
Quatro e de Santa Cruz das Palmeiras. 

Aflfluente do rio Tietê, pela margem 
esquerda: no municipio de Lençóes. 

Aftluente do rio Pardo pela margem 
direita: no munxípio de Santa Barbara 
do Rio Pardo. 

Aflfluente do rio Piracicaba pela mar- 
gem esquerda: no município de Piraci- 
caba. 

Aflfluente do rio Atibaia pela margem 
direita: no município de Nazareth. E' 
mais conhecido pelo ribeirão de Casa- 
da -telha! A cascata mostra a altura de 
cerca de vinte metros. 

Affluente do rio Jaguary- mirim, pela 
margem direita: no municipio de S. João 
da Boa Vista. 

Aflfluente do Rio do Peixe^ pela mar- 
gem direita: no município do Rio-Bo- 
níto. 

Aflfluente do rio Parahyba, pela mar- 
gem esquerda: entre os municípios de 
Queluz e de Pinheiros. 

Aflfluente do rio Corimbatehy, pela 
margem direita : no município de S. João 
do Rio Claro. 

Este nome Claro é corrupção de C/iát-rà, 
«o que se põe dependurado». De chat, 



coe 



71 



COM 



AUusiyo a formarem cascatas e sue- 
cessivos pequenos saltos em seu curso. 
 cõr clara das aguas na queda faz 
enteuder o nojue Chái-rd como Claro. 

O ribeirão ClarOy no municipio de 
Apiahy^ é próximo ao morro Chapéo, 
(Vide o nome Chapéo), Embora extenso, 
8 profundo, as casc«itas e os saltos o 
impedem até a serra Ilapirapuan, 

O ribeirão Claro, entre os municípios 
de Queluz e de Pinheiros, offerece uma 
curiosidade natural, na proximidade de 
suas cabeceiras, na serra Mantiqueira. 
E' uma gruta de mais de cincoenta me- 
tros de extensão, com divisões. 

Coatinga. — Affluente do ribeirão 
Taiaçupéra, e este do rio Tietê, pela 
margem direita: entre os municípios de 
Mogy das Cruzes, de Santa Branca, e 
de Jacarehy. 

Coatinga^ corruptela de H-uá-fy-yiga^ 
«lama esbranquiçafia». De A, relativo, 
substituindo o y de yuá^ «lama, limo, 
cousa pegajosa», ty^ «branquear, ser 
branco», com nga (breve) para formar 
supino. O h tem som aspirado. 

Com effeito, este Caatinga, affluente de 
Taiaçupéva, segundo fui informado, tem 
no leito um barro branco, moUe eni- 
quanto húmido, que endurece logo depois 
de extrahido, tomando em pouco t^mpo 
a consistência de pedra. 

Cocaes. — Serra, no municipio de Ita- 
tiba, entre os rios Aiibaia e Capivary. 

Serra, no municipio de S. Carlos do 
Pinhal. 

Affluente do rio Jaguary, pela mar- 
gem direita: nos municípios de Amparo, 
Casa Branca e de S. João da Boa Vista. 

O nome Cocaes nada tem com co- 
queiros: ainda que, de facto, existam 
taes palmeiras nesses legares. 

A serra em Itatiba tem também o 
nome Momhúgca, «furado de um lado 
ao outro». E' o verbo piig^ «arrebentar, 
furar», precedido de mo, partícula activa, 
e levado ao supino pelo suffixo ca (breve). 

AUusivo a ser cortado por dous ri- 
beirões, cujas nascentes se contrapõem 
e guasi se encontram; e, entretanto, os 



dous pedaços permanecem arrimados um 
ao outro. Sua altitude é de mais de 
950 metros. 

A serra em S. Carlos do Pinhal é 
egualmente cortada por um ribeirão for- 
mando um salto. 

O nome Cocaes dessas serras, é cor- 
ruptela de Cógca-áy por mostrarem ar- 
rimados os dous pedaços, um ao outro. 
De cóg, «arrimar, sustentar», com o suf- 
fixo ca (breve), para formar supino, á, 
«imitar, simular». O nome Cogca-á, 
por contracção Cogc^-á, é o mais usado. 

Cocaes, nome do ribeirão, é corruptela 
de Cói-guâá, «enseadas pegadas natu- 
ralmente». De cot, «duas cousas pega- 
das naturalmente», guâá, «enseada». 

Com effeito, o ribeirão, depois de for- 
mar uma enseada, em forma de lagoa, 
denominada Areia-branca, cahe, mais 
abaixo, de um salto de pedra, com quasí 
dous metros de altura. Recebe succes- 
sivamente as aguas dos ribeirões Praia 
e Feio, depois de ter formado outra en- 
seada mais pequena; e sob o ultimo 
nonie, desagua no rio Jaguary. 

Ha também um bairro com o nome 
Cocaes, no municipio de Sarapuhy; por 
causa de lagoas. 

Cocoérau — Affluente do rio Tietê, 
pela margem direita: no municipio de 
Mogy das Cruzes. 

Cocoira, corruptela de Cucut-uêra, «ca- 
bido». De cHcu% fcahir», levado ao par- 
ticipio pretérito pelo accrescimo do ver- 
bal nêra. 

Allusivo a nascer, e logo depois cahir 
do monte; e dahi seguir a desaguar no 
rio Tieiê. 

Comprida. — Ilha situada desde a 
barra Icapara até a de Cananéa; entre 
o oceano e o Mar-pequeno, e, desde 
certo ponto, entre o oceano e a ilha 
Cananéa. 

E' também conhecida por Ilha Grande. 

Comprida^ corrupção de Ouí-pii-bo, 
«arenoso em muitos legares». De ctn, 
«areia, pó», pií^ «a miúdo, muitas vezes, 
em muitos legares», com a partícula bo 
(breve), para exprimir «legares» e não 
«vezes». 



COM 



72 



CON 



A corrupção operou -se, porque real- 
mente a ilha é comprida. 

Com eflFeito, esta ilha tem manchas 
extensas de areal, que o mar e os ven- 
tos nella depositam. 

O conselheiro Martim Francisco 
Ribeiro de Andrada, em seu Dinrío 
de uma viagem minera loyica pela pro- 
vinda de S. Paulo 7io anuo de 1805, 
escreveu: «Sahi da villa de Iguape para 
de Cauanéa, em canoa, pelo braço de 
mar (Mar pequeno) formado pela terra 
firme e pela iingua de terra, ou ilha, 
que decorre desde a barra do norte de 
Iguape até Cananéa: esta ilha estende-se 
até doze léguas (segundo julgo), e vem 
fazer o pontal da villa de Cananéa com 
o morro, por detraz do qual fica a villa 
deste nome». 

Em toda a extensão desta ilha, é no- 
tada uma aglutinação de cascas de um 
animalculo de cor parda escura, originado 
na fermentação dos detritos vegetaes, 
superpostos ás areias. 

As marés grandes a alagam, em sua 
maior parte. £ não é sadia. Seus habi- 
tantes, em geral, vivem enipalemados. 

Comprido. — Rio que, nascendo na 
cordilheira marítima, tem seu curso no 
municipio de Ubatuba. 

Aftluente do rio Parahyba, pela mar- 
gem direita: entre os municípios de S. 
José dos Campos e de Jacarehy. 

Comprido, corrupção de Cuí-pií-ho, 
«arenoso em muitos legares». De cui^ 
«pó, areia», pví, «a miúdo, em muitos 
legares, muitas vezes», bo (breve) para 
exprimir logar. 

Acerca do Comprido, de Ubatuba, ob- 
tive as seguintes informações: «E' for- 
mado de cachoeiras, que nascem na ser- 
ra, e corre veloz entre e sobre pedras. 
Mais abaixo deram-lhe o nome Rio (irati- 
de, por ser navegável por canoas ; e 
mesmo outr'ora entraram em seu leito 
pequenas embarcações de coberta: ar- 
rancada, porém, uma pedra que existia 
no meio da barra, conservando-lhe sem- 
pre a profundidade pelo movimento de 
rodomoinhoSf as arêas começaram a ag- 



glomerar-se ahi, impedindo a entrada 
de taes embarcações no rio». 

Quanto ao Co7np7Ído, que serve de 
limites entre os municípios de S. José 
dos Campos e de Jacarehy, dizem que 
o leito foi cavado pelos interessados era 
tornal-o mais fundo. 

Conchas.— Afflueníe do rio Tieié, 
pela margem esquerda: nos municípios 
de Tietê e de Tatuhy. 

Conchas, corruptela e também tra- 
ducção de Cót-f/fã, A palavra ytã é 
pronunciada breve e corrida, por causa 
do accento predominante em cói. De 
ctíi, «duas cousas pegadas naturalmente», 
yiã, «concha»^ isto é, uma das bandas 
que cobrem o marisco. Sendo guttural 
a pronuncia do y, ià soa xã e, por ter 
de ser pronunciado breve e corrido, 
sôa xa» 

Allusivo a correr sobre terreno em 
que são encontradas, sob camadas de 
calcareo cinzento escuro, conchas fosseis. 
São exactamente da espécie bivalve. 

Altitude 4ò0 metros. 

Mas, cousa notável! Concha, que assim 
é em portuguez, hespanhol e em latim, 
de que aquelles idiomas se derivaram, 
é cotua, em italiano, cangue^ em fran- 
cez, cogchê, em grego, çaukha, em sans- 
críto. A pronuncia da palavra grega é 
a mesma da palavra franceza. A pro- 
nuncia da palavra tupi é cõnxà, segundo 
já ficou dito. 

Condapuhy.— Ribeirão que, nascendo 
no morro, á ponta meridional da ilha 
Comprida, corre de sul a norte; e de- 
sagua no interior da barra Icapára: no 
municipio de Iguape. 

(Vide Comprida). 

Alguns escrevem Candapuhy^ sem du- 
vida alguma incorrectamente, por não 
corresponder ao objecto nomeado. 

Cotidaptthy, corruptela de Candá-poi, 
«sinuoso e estreito». De cundá, «retor- 
cido, enroscado, cheio de voltas e revol- 
tas», poí, «estreito, adelgaçado». Com 

íuu4o. 



COQ 



73 



COR 



Congonhal. — Grupo de morros no 
municipio de Piracicaba. AflFluente do 
rio Piracicaba, pela margem esquerda: 
DO mesmo municipio. 

Congofihal^ corruptela de On-ovg-ong- 
ayèy «muitos, juntos». De ^//, reciproco, 
ong, «juntar, reunir», repetido e seguido 
de ayè, «muitos», para exprimir super^ 
Idtivo na quantidade. O // de ayè tem 
pronuncia guttural: por isso o 7/^, que 
o antecede, soa 7/A. 

Allusivo á reunião ahi de muitos picos, 
formando, porém, os morros uma só 
serra. 

Quanto ao nome do ribeirão, é Ou- 
ong-ong-ayè, «muitos impedimentos». De 
gUy reciproco, ong, «impedir», repetido e 
seguido de cryè, «muitos», para exprimir 
superlativo na quantidade. A differença 
do nome anterior esrá somente no verbo, 
que é outro. 

Com effeito, é um ribeirão muito obs- 
truido. 

Congonhas. -Cachoeira no rio Tielé, 
próximo á fóz do rio Jararé-pipira-gnassú. 

Congonhas, corruptela de Óu-ong- 
ong-a, «muitos impedimentos». De gu, 
reciproco, ong^ «impedir», repetido para 
exprimir superlativo, com o accrescimo 
a, por acabar em consoante. 

Allusivo aos muitos arrecifes ahi. 

Contendas. — Serra, no municipio de 
Cajurú. 

Cofiiendas, corrupção de Cvi-ieny, «duas 
voltas pegadas». De cot, «duas cousas 
pegadas naturalmente», leny, «volta, ro- 
dilha». 

Allusivo a ter essa serra duas voltas, 
pegadas uma á outra, em forma de S. 

Coqueiros.— Aftluente do Rio Pardo, 
pela margem direita: -no municipio de 
Batataes. 

Coqueiros, corrupção de Qtn-qnêr-a, 
«dorminhoco e frouxo». Deqiii, «frouxo», 
quer, «dormir, repousar», com a (breve) 
por acabar em cousoante. 

Allusivo a ser muito pouco corrente, 
e a alagar-se nas margens. 

Ha palmeiras em suas margens: — dahi 
ã corrupção. 



Coraú' — Dous morros, pertencentes 
á serra Cubatão: no municipio de S. 
Vicente. 

Coraú, corruptela de Coi-raú, «duvi- 
dosamente pegados». De cot, para ex- 
primir duas cousas pegadas, raú, partí- 
cula que exprime a duvida no facto, ou 
mesmo a falsidade. 

Allusivo a serem levantados tão jun- 
tos, um ao outro, estes dous morros, 
que ha duvida se são pegados. 

Corcovado. — Morro, no municipio de 
Natividade. 

Corcovado, antes traducçâo do que 
corruptela de Canduaá-bo, Este bo (breve) 
exprime o modo de estar. 

Cordão. — Cachoeira, com salto, no 
rio Mogy-guassú. 

Cordão, corruptela de Ciã-iã, «queda 
forte». De cwí, «cahir», ia, «forte». 

Cordeiro. — Pequeno rio, que desagua 
no rio Saòauna, pela margem direita: 
no municipio de Cananéa. 

Cordeiro, corrupção de Có-yerè, «si- 
nuoso». De c6, o mesmo que ycó, «estar, 
andar, ser, etc», yerè, «voltear, volta». 

Allusivo a formar voltas em zig-zag. 

Não é exacto o que a respeito deste 
pequeno rio escreveu o dr. Carlos Rath, 
em t:eus Fragmentos Geológicos e Oeo- 
graphicos, 

Corimbatahy.— Affluente do rio Pi- 

racicaba, pela margem direita: entre os 
municipios de S. João do Rio Claro, de 
Piracicaba e de Pirassununga. 

Segundo Martius, Gloss, Ling, Brás., 
significa «rio de peixe corimbatá». O 
padre A. R. de Montoya, no Tesoro 
de la lengna guarani^ escreveu quiryvi" 
baid. 

Pôde ser que ahi abunde este peixe; 
pois que em outros próximos também 
abunda. Mas, o nome deste rio nada 
tem com esse peixe. 

Corímbatahy, corrupção de Curl-mb- 
atey-i, «perseverantemente frouxo». De 

na8a\, ateij, <.\to\x^Q^ Itc^xmôSva^ > ^> ^'^'^- 

pOSi^aO pata CíL^TmVC ^«t'è.^\«^'^»KÍ^ 



COR 7 

AUusivo a alagar suas margens, em 
toda 8 extensão ; e, não obst-ante, ser 
muito corrente, 

E' maleitoso. 

Corisco-Velho.— Covrcileira, no río 
Paranapanema, aciíua da fuz do rio 
Gvarehy. 

Coi-isco-Vflito, corru|içao de Cin-i-airi- 
yérê, trodomoinho e corredeira». Decuri, 
(depressa*, repetido, curí-enri, nnuito 
depressa», yérÈ, «volta». O padre Luiz 
Figueira, em sua Arte de grammalim 
da lingua brasílica, escreveu corí; o 
padre A, R. de Montoya, em seu Te- . 
soro de la lengua giiai-aiti, escreveu citrg. 

Allusivo a furmareiíi ahi as aguas um | 
rodonioinho á direita; e prolongando-se 
á esquerda uma muralha estreita até 1 
além do meio do rio, as mesmas aguas; 
canalisam-se, precipita m-se transversal- 
mente em corredeira, com um desnive- 
lamento de cincoenta centímetros, 

Corrego-rico. — Corredeira, no rio 

Mogy-guaxsú. 

Nâo se traia de córrego. Ha com esse 
nome, desaguando naqueile riu, nesse 
logar, pela margem esquerda, um ribei- 
rão muito corrente. 

Corrego-rico, corrupção de Curi-ciiri- 
aa, «velocissimo*. De curí, «apressar, 
ter velocidade, rapidez»; repetido, curi- 
curi, para exprimir o superlativo da 
acção, e, por ibso, «velucissimoi ; com 
o sufíixo ca (breve), para formar supino. 

Allusivo ao desnivelamento do rio 
nesse logar, apertado entre montes, for- 
çando as aguas a precipitarem -se em 
forte declive. 

Corrente. — Affluente do rio Sapuca- 
hy-fiiirim, 'peia margem direita: no luu- 
nicipio do Carmo da Franca. Este tem 
um salto, após uma corredeira, próximo 
á villa do Carmo. 

AfHuente do rio Jacari-piptra-guassú, 
pela margem esquerda: no muuicipio de 
Araraquaia. 

Aftluente do rio Paranapatiema, pela 
margem direita: no municipio do Rio 
Jforo. 



i COR 

Corrente, corrupção de Curèi-in, lO 
que se menSai. De cuièi, «menear-sei, 
com o suQixo ta (breve), para formar 
supino. 

Allusivo ao meneio de suas aguas, ao 
descerem a serra. 

Corrupção.— Affluente do rio flo- 
petinivgn, pela margem direita: entre 
os municipios de Itapetininga e de Es- 
pirito Santo da Boa Vista, aos quaes 
serve de divisa. 

Corrupção, corrupção de Curuchà, 
«vergOesí, 

Allusivo ás elevações successivas em 
seu leito, semelhando vergões oo corpo 
humano. 

Com effeito, a formação do terreno, 
sobre o qual corre o ribeirto, dá origem 
a cavidades no leito dos rios, denomi- 
nadas vulgarmente caldeirões. Neste ri- 
beirão as cavidades não passam de sim- 
ples elevações e depressões, por aei 
pouco corrente, produzindo, entretanto, 
successivos rodonioinhos. 

Seu fundo é de lage preta em alguns 
lugares. A agua é sulubra. 

Corumbá.— Certa extensão do rio 
Sorocaba, abaixo da barra do ribeirão 

1 pune ma. 

Corumbá, corruptela de Curi-mb-bái- 
«presteza e saliências». De euri, «pres- 
teza, velocidade», mb, partícula para ligar 
eiiri, cuju som é nasal, á rir, <sal)encias>. 

Allu!iiro á corredeira, e ás cachoeiras, 
nesse logar do rio. 

Coruja.— Morro, no município de 
Iporauga. 

Coruja, corruptela de Oui-rl-yâ-yà, 
«gretado na parte inferior». De gui, 
«parte inferior, debaixo», ri, posposição 
significando «em», yâ-yà, de yà, «gre- 
tara, repetido para exprimir successão 
do facto. 

Allusivo ás grutas em sua base. 

Corujas. — Affluente do rio Assit»gui, 
peU niiirgeiíi esquerda: no município de 
Sarapuhy. 

Coi-iijas, corrupção de Çiirú-yâ, «gre- 
lado e sorvido». De i;urú., «sorver», yâ, 



COT 



75 



CRE 



«gretar rachar, abrir naturalmente». Os 
dous verbos estão no infinitivo: mns 
tradazi assim. 

O conselheiro Martim Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, em seu Diário de 
wna triagem mifieralogiea pela provinda 
de S. Paulo no anuo de ISOõy refe- 
rindo-se a este ribeirào, escreveu o se- 
guinte: «No ribeirão das Corujas, cuja 
natureza geognostica parecia promeiter 
ouro grosso de manchas, que eu mandei 
correr até a serra, onde desapparecc, 
metiendo-se debaixo delia por entre ro- 
chedos, e que eu mandei socavar, nada 
apresentou na batêa: somente achei nas 
suas margens pedras espalhadas de um 
verdadeiro silex amarello escuro, e entre 
a brecha já dita, maus crystaes de ro- 
cha». 

Segundo outro viajante, este ribeirão, 
«em tempo secco, é muito insigniBcante, 
porém com qualquer chuva, enche-se o 
leito de 4 bradas de largura e alaga 
toda a visinHança e dá nado. Da mesma 
maneira abaixa com rapidez». Nasce de 
um morro agudo na Serra Negra. 

Costão de Pernambuco.— Serra, 

no municipio de Itunhaen, próximo ao 
littoral. 

Costão de Pernambuco, corrupção de 
Cói-ytã-ndi-pirá-mhtfgca, «conchas fe- 
chadas e juntamente outras abertas e 
arrebentadas». De coV, «pegadas», ylã, 
«concha», wrfí, «juntamente», y;/m, «abrir», 
mbúgca, supinu de púg, «arrebentar», 
mudado o p em mO, por causa do som 
nasal de ylã, com o suflBxo ca (breve), 
para formar supino. 

AUusivo a que a praia, na frente desta 
serra, tem o solo formado inteiramente 
de lindas conchas, de varias qualidades 
e de vários tamanhos. 

Coticahen. — Canal, no municipio de 
Cananéa. 

Coticaheii, corruptela de Coti-caren, 
«voltas tortas». De coã, «ver uma cousa 
muitas vezes», carcn, «torta». 

Allusivo ao facto de ser visto o mes- 
mo logar muitas vezes, por causa das 
voltas e tortuosidades do canal. 



Couros.— Affluente do rio Taman- 
dualehy, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de S. Bernardo. 

Affluente do rio Pirapitinguy^ pela 
margem esquerda: no municipio de Mo- 
gy-mirim. 

Couros^ corruptela de Cm-yrú, «dous 
companheiros pegados». De cot, «duas 
cousas pegadas naturalmente», ym, «com- 
panheiro». 

Allusivo a terem duas cabeceiras, que 
depois pegam-se para formarem o ri- 
beirão. 

» 
Coveiro.— Affluente do rio Ribeira 

de Iguape, pela margem esquerda: no 

municipio de Iguape. 

Coveiro, corrupção de Ctii-uêra, «o 
cabido». De cui, «cahir-se», levado ao 
pretérito pelo accrescimo do verbal ucra, 

Allusivo a cahirem suas aguas; e de- 
pois de formarem um poço, seguirem 
até á affluencia com o rio Ribeira de 
Iguape» 

Couves. -Duas ilhas situadas a leste 
da bahia de Ubatuba. 

E também duas ilhotas no oceano, 
pertencentes ao municipio de Santos. 

Couves, corrupção de Cot, «duas cou- 
sas pegadas naturalmente». 

Assim o estão essas duas ilhas, por 
muito próximas, uma da outra, pare- 
cendo uma só. 

Couves.— Affluente do rio do Peixe, 
pela margem esquerda: no municipio de 
S. José dos Campos. 

Couves, corrupção de Cot, «duas cou- 
sas pegadas naturalmente». 

Allusivo a ser esse ribeirão a juncção 
de dous cursos d'agua. 

' Crescendúba.- -Affluente do rio Tia- 

pctininga, pela margem direita: serve 
de divisa aos municípios de Sarapuhy e 
de Itapetininga. 

Crescendúba, corrupção de Kêr-^ecê- 
ndui'bae^ «o que reboja e por isso dor- 
me». De kér, «dormir», 'ecê, o mesmo 
que recê, «por causa», lului, nasalisaçâo 
do verbo tia,<ttÇi\io\^x^,^wv3L\)ae^'i.Q ^^^ 



CRU 



CUB 



O verbo lia é ahi nasalisaiio, por ser 
precedido de rec?. 

AiliisivD au retrocesso de sims !i;;!uas, 
quando ha cheia nu rio Ilapc/inhtj/a, 
ficando [lor isso paradas. 

Crescendúba.— AITluenle do rio Tta- 
peliningn, pela niargcni direilii: serve 
de divisa aos miinicipios de yarapuhy e 
de Itapetininga. 

Crescetidúbfi, corrii]itéla de Ciire-hecé- 
jtdu-bae, <o que se meneia successiva- 
mente e faz eslroiKiov. De a/rê, -^me- 
iieiar-sei, fiecè, o inesmo que rckè, «suc- 
cessiva mente», tidn, «fazer estrondo». 
levado ao participio pelo accrescimo da 
partícula èíie (breve), significando «o que». 

Allusivo ás muitas voltas, e ao es- 
trondo das aguas nas cachoeiras. 



Cresci u mal.— Affiuen te do 

pela margem : entre 

08 municípios de Pirassuniiujja e de 
Araras. 

Crescimiml, corrup<;3o de Ki'r-i-qj-úú- 
m-áú, «manchado de lodo, resvaloso e 
parado*. De kér, «dormir, repousaru, 
cy, «resvalar», significando «rcsvaloso» 
por estar precedido do i, relativo, úú, 
«lodo, limo» seguido de m. para ser li- 
gado a ãã, <sujo, manchado». 

Allusivo a ter logares cobertos de lodo, 
e por isso resvaladios; e a ter quasi pa- 
radas as suas aguas. 



Cristaes.—Serrote entre os municí- 
pios de Parnahyba e de Jundinlij. 

CYistaes, corrupção de Qtiiri-hclá. 
tmuito chuvoso. De quirit 'chuvoso, 
chuva miúda», heiá, miuito». O verbo 
«chover» é quir: e o i, podendo exprimir 
perseveranija, stgnitica também «miudai. 

Com etfeito, sobre esse serrote cahe 
constantemente cbuva miúda. 

Cruz. — Corredeira no rio Tielé. 
Crux, corrupção de Cún, lapressado». 

Cruzeiro.— Villa, situada d margem 
dircila du ribeirão Embahú. 

Era este o nome da antiga povoação; 
niMs, foi mudado, em 18TI, para '<-»- 
itiro. 

(Vide o nome Embahú). 



Cruzes.— (Vide u nome Doa Cmai 

Crystaes.— Allluente do rio 
napanetuft, pela margem es 
município de Santa Cruz do Rio 

ABluente do rio Jugnen/, pela 
gem esquerda: entre os municipi««' 
S. Paulo e de Jundiahy. 

Corredeiras no rio Paran-tpam 
abaixo do SnUo- Grande, de|)oi$ qitf 
rio faz uma pequena volta pam o 

Crysíaea, corrupção de Cnry- 
í excessivamente corrente >. De 
«veloz, ligeiro, pressa*, heíá, «mui! 

E' uma serie de cachoeiras 
cho do rio Parannpattema, mais de 
kilometros. Além do canal muito sii 
a velocidade das aguas é o seu príi 
pai característico: em uma dessas 
choeiras as aguas sSo muito 
de sorte que, mesmo pelo canal m 
largo, a passagem ê perigosa. Na olui 
formada iataralmeute por paredes gri 
ticas, as aguas entram e corn-m cod 
maior impetuosidade, em forle declite. 

Julgo útil transcrever um trecho i 
Resumo do itinerário de uma riagt* 
exploradora, empreheitdida por ordem à 
bariío de Antonina : «Entrámos no 
napanema, que corre com sessenta 
de largura, de oesnoroeste, por biiiosl 
corredeiras até o morro dos Monos, oof 
pousámos com uma e meia legai d 
marcha da fóz do Dararé e rumo i 
nornoroeste. Ã's sete horas d.i nuob 
(dia seguinte) seguimos entre «lerranil 
por corredeiras fortes, que findam <l 
curto canal du dez a doze braçu i 
largura, com duas ilhotas em sua deiBli 
bocadura, donde o rio vultêa para na 
noroeste por baxios e corredeiras até 
cachoeira do Cnjalal, onde ci.indiiiuni 
á mão as canoas vazias, e pousámos eo 
duas léguas e meia de miirch» u nu 
geral de oesnoroeste». 

Tambein o ribeirão f 'ri//<tap.i, ou Crft 
tal, que attlúe no rio /'nrauapait^m 
tem grande correnteita ; e, por is», V 
indígena o nomeou tarabeni Carg' 



Cubatão. —Serra inarititua, ou it 
mar, como é asãigualada uu. i' 



cuc 



77 



CUN 



pas: e desde a serra Bocaina margina 
o littoral da província de ÍS. Paulo. 

Cubatào^ corruptela de Gu-bi-ilá-à^ 
contrahido em Oti-bi-it-^ã, «empinado 
em escadaria». De ////, reciproco, bi-itá, 
cascada, degráos», a, «empinar». O som 
do primeiro / é guttural, segundo a lição 
dos grammaticos, quando ha dous //jun- 
tos; e, pois, sôa como a fechado. A pa- 
lavra bi'itá é composta de bi «levantar, 
alçar», ^7á, «estante, armaçào, degráos, 
pilares, em geral tudo em que outra 
cousa se estriba». 

Allusivo a ser formada de camadas 
horizontaes, superpostas umas ás outras; 
de sorte que, com os paredões em alcantil 
ou a pique, em cada camada, semelha 
um amphitheatro em toda aquella exten- 
são do littoral, ora approximando-se 
deste, ora afastando-se. 

Ha outra serra, com o mesmo nome 
Cubatào; no município de Cajurú. 

E' o mesmo significado, sem duvida 
por ser formada do mesmo modo. 

No extremo desta serra, e á margem 
do ribeirão do mesmo nome, está situada 
a villa de Cajurú. 

Cubatão. — Dous ribeirões que nascem 
oas serras supra referidas. O primeiro 
desagua no Caneú^ lagamar de Santos. 

Assim, é ainda denominado Cnbatr^o 
um córrego que banha o sopé da cha- 
pada, na qual está assentada a cidade 
da Franca. 

Ha também um affluente do rio 7t*/- 
beira de lyuape, pela margem esquerda : 
no município de Xiririca. 

E um affluente do rio Sorocaba, pela 
margem direita: no município de Soro- 
caba. 

Ctibalão, nome destes ribeirões, é cor- 
ruptela de Cúi-pái-ta-à^ contrahido em 
Cú%'pái-V'à^ «empinado, dependurado e 
cabido». De cm, «cahir», páí, «depen- 
durar», com o suffixo la (breve) para 
formar supino, «,• «empinar». 

Allusivo a terem leito Íngreme, for- 
mando cascatas e saltos. 

Cucanha. — Ribeirão no município de 
Caraguaiainba, Desagua no oceano. 



Cucanha^ corruptela de Cái-cánhy, 
«cabe e some-se». De cú%, «cahir», cánhtj^ 
«sumir-se». 

Allusivo a sumir-se sob pedras e pe- 
nhascos, quando cabe da serra; reappa- 
recendo depois, e indo desaguar no oceano. 

Cunha.— Cidade, situada na cordi- 
lheira marítima, nas immediações do ri- 
beirão Jaciihy, affluente do rio Farahy- 
tinga, 

O nome Cunha veiu de um capitâo- 
general Francisco da Cunha Menezes, 
que ém 1785 elevou á villa a antiga 
freguezia, creada em 1736. Modo estú- 
pido de denominar legares! 

O logar, segundo as tradições, tinha 
o nome Facão. Em redor deste nome 
multiplicam-se as lendas; entre as quaes 
a da existência de uma familia portu- 
gueza, de sobrenome Falcon^ que ahi se 
estabelecera em 1730, e entre cujos mem- 
bros havia um frei Manoel. 

O assentamento feito em 1.** de Fe- 
vereiro de 1736, pelo visitador ordinário 
padre Francisco Pinheiro da Fonseca, 
no livro dos bens da fabrica da matriz 
da nova freguezia, menciona apenas o 
sitio do Falcon; e o assentamento re- 
lativo á posse do vigário João Velho 
Cabral, após a transferencia da matriz 
para a egreja nova de N. S. da Concei- 
ção, menciona simplesmente freguezia do 
Facão, Como, porém, induzir disso que 
houve alli uma familia Falcon, e, um 
frade, irmão do chefe delia? Onde estão 
os descendentes dessa familia? 

Dizendo os assentamentos sitio do 
Falcon e freguezia do Facão, prova 
isso somente que aquelle sitio ou aquella 
região eram assim denominados corru- 
ptamente. 

Com effeito. Facão, ou Falcoii^ é cor- 
ruptela de Tacang, «ramo, galho», com 
referencia á serra marítima. Estava esse 
sitio em uma collina, ramificação da- 
quella serra: dahi a designação por 
aquelle modo, para distinguil-o de ou- 
tros na mesma serra. 

Tudo o mais não passa de uma lenda, 
sem expUviac^^o \A^w^\Ntív. 



CUR 



78 



CUR 



(*) Cupencê.— Bairro no município 
de Santo Amaro. 



(*) Estava em nota avulsa. 

Cupi. — Lagoa, no município de Mogy- 
guassú. 

Oipi^ corruptela de Húú-ptií, «lodosa 
e escorregadia». De Aww, ^rlodo, borra, 
fezes, detritos», piit, «resvalar, escorre- 
gar o pé». 

Curral.— Praia, na ilha de S, ScLas- 
tião: no município de Villa Bella. 

Curral, corruptela de Curaáy «en- 
seada». O nome completo é Acuráa; 
mas, com apheresis do a inicial, é usada 
Oiiraá, 

Allusivo a ser em semicírculo esta 
praia, por margear uma enseada. 

Curuçá.— Região em que foi situada, 
á margem esquerda do rio Tietê, a po- 
voação, que é hoje a cidade de Tietê, e 
cujo nome anteiior era Pirapóra de Cu- 
ruca, 

Curuçá, corruptela de Cnaçá, «andar 
debalde, fallar á toa, fazer a cousa ao 
inverso, errar». 

Allusivo ao facto de, descendo ou su- 
bindo o rio Tieté^ até aquelle logar, onde 
faz esquina, achar-se o viajante, depois, 
ainda á pouca distancia do logar de 
onde sahiu, por causa de voltas e re- 
voltas do rio. 

Com effeito, o rio Tietê forma nessa 
região uma grande volta triangular, de 
norte a sudoeste, e de sudoeste a norte. 
A porção de terra, dentro do triangulo, 
é hoje denoriíinada popularmente, penín- 
sula; com mais de 9 kilometros de 
extensão e 800 a 900 metros de lar- 
gura em alguns pontos. Por isso, o 
indígena considerava a navegação do rio, 
nesse logar, como «viagem baldada, sem 
proveito, a tôa, errada»; indicando assim 
que um canal, hgando as duas extremi- 
dades do rio, ao norte, seria um bom e 
útil atalho para a navegação, poupando 
o trabalho de percorrer inutilmente a 
grande extensão de mais de 18 kilome- 



Nada tem, portanto, este nome Cu- 
ruca com cruz, á qual se prendem va- 
rias lendas de thesouros occultos. A' 
palavra crtix corresponde curuçú, «en- 
cruzar» ; e não curuca. Tem havido con- 
fusão a este respeito. 

Curucutú.- (*) 



(") Estava em branco no original, com a nota— Stmtof , 
ao lado. 

Curujinha.— Aftluente do Rio Pardo, 
pela margem direita: no município de 
Botucatú. 

E' também conhecido por Bosqu^e. 

(Vide o nome Bosque). 

Curujinha, corruptela de Cury-chy-na, 
«deslisa-se rápido». De mry, «pressa», 
chji, «deslisar», na, partícula com som 
breve para completar a palavra, que é 

nasal. 
Allusivo á sua muita correnteza, 

Curumahú.— Rio pequeno, que nasce 
nas vertentes dos morros da ilha Guaimbê 
ou de Santo Amaro, e desagua no canal 
Bertioga: no município de Santos. 

Curumahú^ corruptela de Cú-ru-amà- 
húú, «sorvedouros, rodomoinhos e turvo». 
De cú, «sorver, tragar», rií, «revolver-se», 
ama, «círculo, roda», húú, «borra, suji- 
dade, cousa turva». 

Depois de lhe correr parallelo o Ma- 
ratan-uá, este affasta-se para o centro 
da várzea, e só se lhe approxima de 
novo para desaguar nelle quasi á sua fóz. 

(Vide o nome Maratan-uá). 

Curupacê.— Pequena extensão do rio 
Juqueryquerè, ao sahir no oceano : entre 
os municípios de Caraguaraíuba e de S. 
Sebastião. 

Nos foraes da doação de terras a Mar- 
tim AflFunso de cjouza e a seu irmão 
Pedro Lopes de Souza, é mencionado 
Curupacê como rio, servindo de divisa 
da capitania de Santo i^maro, pela parte 
do norte. Mas, não é rio: sim o trecho 
ultimo do rio Juqueryquerè. 

Cunipacê, corrupção de Cuí-rupi- 
ycc, «sabida arenosa». De ctií, careia», 
rwp/, «com», ycê, «sabida». For con- 



cus 



79 



CUT 



tracção Oui-rup* -ycê. Este y que pre- 
cede cê é relativo. 

Allusivo a ter o rio Juqtieryquerê, 
nessa extensfio, até á sua fóz, muitos 
cômoros de areia que se deslocam suc- 
cessivamente por effeito do fluxo ou re- 
fluxo das marés. 

E' uma extensfio apenas de meia a 
uma légua. E mais merece o nome de 
enseada estreita do que fóz de rio. 

Curupira. — Morro, á margem direita 
do rio Camaiidocáia: no município de 
Soccorro. 

Morro, á margem direita do ribeirão 
Caehoeirinha: no município de Nazareth. 

Morro próximo ao pico Jaraguá: no 
municipio de S. Paulo. Neste morro, 
houve antigamente exploração de lavras 
auríferas. 

Curupira, efeito pedaços». De curú, 
«pedaço, fazer pedaços^, pira, partícula 
de participio passivo.* 

Allusivo a ser formado, cada um des- 
ses morros, de pedaços de pedra e de 
terra dura, de todos os tamanhos: são 
como fragmentos, ainda aggregados, de 
morros graníticos. 

Não haja confusão com o diabrete 
Cury-pi-ru, «volteador ligeiro». De cury, 
«ligeiro, rápido, veloz», pi, «centro, pé», 
rw, «revolver». A palavra rw, além de 
ter o som guttural, é pronunciada breve. 

Curúrú. — Morro pertencente á serra 
Japy: no município de Cabreúva. 

OuTÚrú é tauibem o nome actual do 
ribeirão cuja cabeceira é Saltinho, e cuja 
fóz, desde a várzea, é Pirahy: no mesmo 
município e na mesma região. 

Curúrúy nome do morro, é curúrú, 
«formado de pedaços». De curú, «pe- 
daços de terra ou de pedra», rú, «ter». 

Mas, o ribeirão toma esta denomina- 
ção, só quando atravessa a várzea, cujo 
é o nome: h-yí-rurú, «concavidades hú- 
midas». De A, relativo, yt, «concavida- 
des, abertura, ôco», ruj-ú, «húmido». 

Allusivo a ter essa várzea diversos 
logares, em que brota agua perenne. 

Cuscuzeiro.— Pedra notável, á mar- 
gem direita do rio Corurnbatahy : no 



município de S. João do Rio Claro. A 
serra, sobre que está esta pedra, traz 
este mesmo nome. 

Pedra notável, á margem do rio Pi- 
nheirtnho: no município de Santo An- 
tónio da Alegria. 

Cuscuxeiro, corruptela de Cucut-uêra, 
«o que se cahiu». De ctictâ, «cahir-se», 
levado ao pretérito pelo accrescimo do 
verbal uêra. 

São, sem duvida, enormes meteoroli- 
thos, ou pedras meteóricas que cahiram 
da athmosphera. 

O bedengó, que foi trazido da pro- 
víncia da Bahia para o Rio de Janeiro, 
é corruptela de pehe-^ig-óó, «pedaço gran- 
de». De peKè, «pedaço», que, por ser 
nasal, pede ng para ligar-se a ôó, «grosso, 
grande». O p inicial sóe ser mudado 
em mb, quando não é precedido de outra 
palavra — dahi esse som Mbekè-ng-óó. O 
bedefigó é também conhecido na provin- 
cia da Bahia pelo nome Quiíá, corru- 
ptela de Cut-rá, «pedaço de ferro ca- 
bido». De cm, «cahir», r, intercalação 
para bem separar na pronuncia o i e 
o á, «pedaço de ferro, cousa corpórea». 
Aquelle verbo é usado cuí e cucui. 

Ha na provincia do Amazonas uma 
grande pedra meteórica: Ckiaihy. E' es- 
quadrejada: mede quasi 300 metros de 
altura; e está isolada no meio das flo- 
restas que a rodeiam, mostrando escal- 
vadas as encostas, coroada de vegetação 
o seu cume. 

Ciicuhy, corruptela de Citctã-Í, «ca- 
bido por si mesmo». De cucin, «cahir- 
se», í, posposição para assignalar melhor 
a applicaçào do verbo ao facto, expri- 
mindo, neste nome, a acção da própria 
cousa. 

Cutía. — Villa, á margem esquerda do 
ribeirão Cutia, 

Portanto, o nome é do ribeirão, af- 
fluente do rio Tietê, pela margem es- 
querda. 

Ha também com o mesmo nome um 
afifluente do rio Ribeira de Igtiape, pela 
margem esquerda: entre os municípios 
, de Iguaçe e d^ ^mxvi^. 



CUT 



80 



CUV 



Pelo systema de Martius, o nome 
Ckitía signiíicaría crio de ocuíít^. Acuti, 
roedor conhecido no Brazil inteiro, sob 
o nome de cutia. Vive em buracos, aos 
casaes. Cõr parda-ferruginea na cabeça, 
parda com salpicos escuros no lombo, 
parda amarellada nos lados, preta nas 
extremidades. Muito Ti^áce; olhos em 
movimento constante e assustadiço. Corre 
aos saltos, quando perseguida. Quatro 
dedos nas inãqs, três nos pés. Assen- 
tado sobre as patas trazeiras, segura com 
as mãos os fructos e os leva á bocca. 
Os dentes incisivos são tão fortes que 
roem o endocarpo ósseo do coco. Desses 
dentes os indígenas servero-se para as 
incisões no corpo e a tatuagem. 

Mas, o nome destes ribeirões não tem 
relação alguma com o roedor acuti. 

Cutia, corrupção de Coii-a, «voltas». 
De acoti, «fazer voltas», levado ao in- 
finitivo pela deslocação do a inicial para 
o fim da palavra. 



AUusivo a fazerem esses ribeirões suc- 
cessivas e numerosas sinuosidades, em 
todo o curso. 

Cu veti nga. — Affluente do ribeirão 
ToucifihOj pela margem direita, e este 
do ribeirão Tremembé, pela margem es- 
querda: no município de S. Paulo. 

Cuvetinga, corrupção de Quy-ii-ty' 
nga, «sujo e resvaladio». De quyiy, «ser 
sujo», com a intercalação do verbo «, 
«resvalar, resvaladio», nga, partícula para 
formar supino. Para exprimir «limpar 
o sujo», usa-se de quyty-ng-og, 

Allusivo a ser lodoso e sujo o fundo. 

A intercalação de um verbo em outro, 
ou de uma palavra em outra, é ama 
das construcções mais difficeis da lingua 
tupi, pela necessidade de evitar a syn- 
these, isto é, a confusão e o não senso. 

Este é um dos ribeiros que, vertendo 
da serra Cantareira^ constituem os ma- 
nanciaes derivados' para o abastecimento 
de agua da cidade de S. Paulo. 



Das Aguas Turvas.— Affiuente do 

rio Mogy-ffuassú. pela rnurgem esquerda: 
nos mSQicipios de S. Carlos do Pinhal 
e de Belém do Descalvado. 

Doa Agiiaa Turras, corrnpçíío de Nda- 
aquâ-tui-bae, <faz bojo e d3o corre>- 
De nda, partícula de negação, áqiiã, 
«correr», tui, «fazer bojo», com o auf- 
fixo bae (breve), para formar participio. 

Allasivo a pararem suas aguas, por 
cansa de impedimentos na fóz, fazendo 
bojo, e turrando-as. 

Das Criminosas.— ASIuen te do rio 

Ribeira de Iguape, pela margem es- 
querda: no municipio de Apiahy, 

CrimÍTiosas, corrupçfio de Cúri-mè- 
ocè, «excessivamente corrente». De ciirj, 
«pressa, rapidez, velocidade», mê, o mes- 
mo que pe, e assim empregado neste 
nome por cansa do som nasal de cúri, 
para exprimir movimento, ocè, para ex- 
primir superlativo de cúrí, exprimindo 
ao mesmo tempo a razSo, «de alto». 

AlluBÍvo ao leito excessivamente Ín- 
greme, produzindo extraordinária veloci- 
dade. 

Das Cruzes.— A Rluente do rio Pa- 
rahyba, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Queluz. 

Affluente do rio Tielé, pela margem 
direita: qo municipio de Araraquara. 
Este ribeirão é mencionado sob o nome 
Da Omx, e atravessa a lagôã Bacúry. 



Afliuente do rio Jacaré-pipira-guassú, 
pela margem direita: no municipio de 
Araraquara. 

Aflluente do rio Mogy-gtuissú, pela 
margem esquerda: no municipio de Ja- 
boticabal. 

Das Cruxes, corrupção de Cwi% «apres- 
sado». 

Allusivo a serem muito correntes. 

O Cruxes, afflnente do Jaearê'pipira- 
guassú, no manicipio de Araraquara, tem 
um salto do 40 metros de altura. 

Descalvada— Afiluente do rio Una 
do Prelado, pela margem direita: no 
municipio de Iguape. 

Descalvado, corrupção de Ndi-qúar- 
yà-bo. *muito esburacado e gretado». 
De «rfi, «muito, muitos», qúar, «poço, 
fojo, buraco», yâ, «abrir, rachar, gretar», 
com o bo (breve), para formar supino. 

Allusivo aos caldeirões que as aguas 
abrem naturalmente em seu leito, for- 
mando poços e buracos. 

Descalvado. — Serra, entre os mn- 
nicipios de Belém do Descalvado e de 
Carlos do Pinhal. 

Morro, no municipio de Iporanga. 

Descalvado, corrupçSo de Ndi-qutá- 
yâ-bo, «muito cortado e rachado». De 
ndi, «muito, muitas», quaí, «cortar», yã, 
abrir, rachar, gretar», com o suffixo bo 
(breve), para formar supino. 

Com effeito, aquella serra e aquelle 
morro moslt&m fencasXaa 6 içiBtiÈia&a-^i.- 



DES 



82 



DOC 



ros, como que lascados, tàém de ra- 
chados. 

For cansa destes cortes e concavidades, 
são baldos de vegetação nesses logares : 
sendo portanto escavado, e não descal- 
vado. Dabí, e peio sum do nome em 
língua tupi, a corrupçfLo para Descalvado. 

Descaroçador. — Affluente do rio 

Mogy-gtiassú, pela margem esquerda: no 
muniuipio de Pirassunonga. 

Descaroçador, corrnpçfio de Ndi-quâra- 
oeè-ndog, *o que malha qnebrando, sobre 
Boocessivos buracos». De ndi, «muitosi, 
quâra, <bnraco>, ocè, «sobre», ndog, o 
mesmo qae çog, «moer, malhar quebran- 
do». Por contracção, Ndi-quàr' -ocè-ndog. 

Ãllusivo a cahir a agua sobre bura- 
cos, e derramar-se snccessivamente sobre 
outros. 

Por causa do som, e por semelhar-se 
ahí a agua á rama do algodão, ao sahir 
do descaroçador, foi que se operou a 
cormpç&o.' 

Dasojo.— Serra, no município de Rio 
Verde. 

Desejo, cormpçfio de Nda-eté-yi, «mui- 
tas concavidades». Nda-eU, «niuitos*, 
devendo perder o a por causa da vogal 
e que se lhe segue, e portanto nd''elé, 
e mais yi, «concavidade, Aco, abertura*. 

Ãllusivo ás cavernas ou grutas que 
tem. 

Despraiado.— Affluente do ribeirão 
líingoçú, pela margem direita: no mu- 
nicípio de Iguape. 

Despraiado, corrupção de Nda-i-jM- 
ába't, «rio sem caminho para elle». De 
nda, partícula de negação, perdendo o 
a por causa do i, «rio», piâ, «caminho», 
ába, para exprimir logar», i, posposição 
para fechar a negação nda. Por con 
tracção, Nd'-i-plâ-ab' t 

Ãllusivo a correr sempre entre bar 
reiras altas, não fazendo praia em parte 
alguma e portanto sendn impossível porto 
e caminho para este. Dahi a corrupção 
Despraiado, no sentido ile não ter praias. 

Com efTeito, o Despraiado precipita-se 
da serra liaimbé em successivas cas- 
oatss. 



Desterro. — Cascata, no mnnicipio de 
Cunha. 

Desterro, corrapção de Ndi-iêrõ, «mui- 
Uts tortuosidades». De ndi, «muitas>, 
tei-Õ, «tortuosidades». 

Com effeito, a cascata é extensa; e, 
em vez de ser em linha recta, faz di- 
versas cnrvas: o que o indígena julgou 
útil assignalar. 

A sua qaéda é vertical, e de 25 a 
30 metros: e forma uma bacia, onde as 
uguas cahem. 

Esta cascata é formada pelo rio Ja' 
cuky; e, antes daquelia queda vertical, 
iguas descem sobre rochedos, fazendo 
as referidas curvas. Ao lado direito dt 
queda das aguas, estão as gratas; e, 
por baixo delia ha algumas pequenas 
furnas. 

A cascata é linda; e suas aguas ba- 
tidas pelos raios solares, offerecem as- 
pecto agradabilíssimo á vista. 

Dista da cidade de Cunha 2 Ví '^ 
guas; e, não obstante tal distancia, o 
estrondo de sua queda é alli ouvido. 

Doce. — Morro, á margem esquerda 
do rio Juquery: no município de S. 
Paulo. 

Doce, corruptela de Hocè, «altíssimo», 
exprimindo superlativo. 

E' também conhecido pelo nome Uru~ 
buqueçava. 

(Vide o nome Vrubuqv£çava) . 

Doce. — Affluente do ribeirão Turvo, 
e este do rio Bmiaruil: no município 
de Bananal. 

Affluente do Rio Verde, pela margem 
direita: no muDÍcipio de Casa Branca. 

Doce, corruptela de Ndú-ocè, «maíto 
estrondoso*. De ndú, «estrondo», ocè, 
partícula de superlativo, ou de abun- 
dância. 

Ãllusivo ao estrondo de suas aguas 
em saltos. 

Acerca do rio Doce, no município de 
Bananal, é elle muito pequeno; e apenas 
tem uma cachoeira e queda, sem fazer 
grande estrondo, a não ser nas grandes 
enchentes. E' também conhecido em al- 
, guna \o^3iie& çoi Pirotcma * JSíatuo. 



DOU 



83 



DOU 



Aoerea do rio Doce, qne nasce na 
provinoia de Minas Geraes e rega a do 
Espirito Santo, á irrisória a explicação 
dada a esse nome: — o de terem nave- 
gantes portuguezes encontrado no mar, 
em frente deste rio, agua doce! 

Sempre o disparatei 

Ora, exactamente ao despenharem-se 
soas aguas no salto denominado do In- 
ferno, com enorme estrondo, é que o 
rio tem o nome Doce, corrupção de 
ydú-oeè: e, após aquelle salto, ha ou- 
tros e tumbem cachoeiras rio abaixo. 

Quanta doçarat 

Dos Cubas.— Affluen te do Rio Par- 
do, pela margem direita: no municipio 
de Santa Barbara do Rio Pardo. 

Dos Cubas, corrupção de Ndú-ocúí- 
bae, «o que cabe com estrépito». De 
ndú, estrépito, ruído, estrondo, oeát, 
terceira pessoa do presente do indica- 
tivo de cúi, tcahiri', levado ao parlici- 
pio pelo accrescimo da particula lae 
(breve), significando «o que». 

Allnsivo a descerem suas aguas com 
estrondo, por causa de cachoeiras. 

Dos Gatos.— Ilha, a 9,9 kilometros 
da costa, fronteando o bairro Boyssu- 
canga: no municipio de S. Sebastião. 

Dos Galos, corrupção de Ou-ády-rA, 
(tesa». De gu, reciproco, âty-at, o mes- 
mo que hátyai, perdendo o h por causa 
de gu, «teso, erecto, empertigado». 

Allnsivo á forma pyramidal da ilha. 

Dos Negros. — AfUuente do rio Mo- 
gy-guassú, pela margem esquerda: nos 
oianicipios de S. Carlos do Pinhal e de 
Belém do Descalvado. 

Dos Negros, corrupção de Ndú-ne- 
rú, tmuito estrepitoso». De ndú, «es* 
troado, estrépito, ruido», tiè, para ex- 
primir a acção do agente sobre si pró- 
prio, rú, <ter cousa em si ou comsigo». 

Allnsivo a ter este ribeirão moitas 
cachoeiras, onde o barulho das aguas é 
estrepitoso. 

Dourado.— Serra, no municipio 
Brotas. 



Dourado, corruptela de Ndurú-yá-bà, 
brota estrondosa». De ndurú, cestron- 
do, estrépito», y&b, cgreta, brota, fenda 
natural», bo (breve), para exprir o modo 
de estar. 

Allusivo a nma fonte denominada pelo 
povo Agua- Virtuosa, por attribuir-lhe 
propriedades medicinaes: a agua jorra 
com tanta força que produz grande fra- 
gor, ouvido de grandes distancias. 

Por contracção, Ndur'-yâ-bo; e o y 
tem som guttnral. 

Dourado.— Cachoeira, no rio Para- 
napanema, anterior á das Aranhas, 

Dourado, corruptela Ndurú-yd-bo, por 
contracção Ndur'-ya~bo, «fenda estron- 
dosa». De ndurú, «estrondo, estrépito», 
yãb, «greta, fenda natural, brota», bo 
(breve), para exprimir o modo de estar. 

Allusivo aos diversos canaes nessa ca- 
choeira, pelos quaes as aguas passam 
com fragor. 

Dourados.— Grande salto no rio Pá- 
ranapanema, logo abaixo da fóz do Eia 
Pardo. 

Dourados, corruptela de Ndurú-yâ-bo, 
por contracç&o Ndur'-yâ-bo, «gretado e 
estrondoso». De ndurú, «estrépito», ^áA, 
(greta, brota, fenda natural», Ío (breve), 
para exprimir o modo de estar. 

Belação algnma tem com o peixe dou- 
rado. 

Allusivo ás gretas innnmeras na gran- 
de maralha, de uma a outra margem do 
canal, pelas quaes irrompem jorros d'agua 
ou simples Bos de escuma, conforme o 
maior ou menor diâmetro das gretas e 
oriãcios, formando da altura de mais de 
novo metros o grande salto com estrondo. 
Este salto é no canal á esquerda da 
Ilha Grande, com um e meio kilometro 
de comprimento. Pelo lado direito da 
mesina ilha, ha o Qinal Paulista, em 
cuja bocf^a superior existe uma cachoeira, 
terminando na inferior egualmente por 
um grande salto, também perigoso. 

No tempo das chuvas, o Salto Qrande 
□&Q apiQ&eal& o m«%Qi(i %s.\^«^ %sà.^&.-b. 



DOU 



84 



DOU 



descrípto: as aguas precipitam -se ma- 
gestosamente de cima da muralha, for- 
mando lençol. 

Abaixo deste Salto Orande, as aguas 
precipitadas, formam bacia e rodomoinho, 
e depois entram em estreitíssimo canal 
entre altas penedias, para juntarem-se 
immediatamente com as do Canal Pau- 
lista, no extremo da ilha. 

Obra admirável da natureza! 

Dourado. — Affluente do rio Paraná^ 
pela margem esquerda : no município de 
Araraquara. 

Affluente do rio Tietê, pela margem 
esquerda: no município de Lençóes. 



Dourado, corruptela de Nda-yo- 
cnão desatado». De nda, particu 
negação, perdendo o a por causa ( 
reciproco, com pronuncia guttural. 
«desatar, descoser», í, partícula pa 
char a negação. Por contracção, .V 
rab'i. 

Também não tem relação algumí 
o peixe dourado. 

AUusivo a correr entre margens 
sem se desatar em alagadiços, 
outros da mesma região. 

Dous Córregos.— Villa situada 
dous córregos affluentes do rio 
pela margem direita. 

(Vide o nome Praia). 



E 



Embaré. — Nome da praia da barra o nome de Jordão^ porque até na côr 

de SantoS; desde a ponta fronteira á imita este suas aguas», 
fortaleza até o morro que é vértice do 

angulo formado com a praia Itararé, em Embaú. — Affluente do rio Parahyba, 

S. Vicente. pela margem esquerda, depois de rece- 

Segundo alguns, os indigenas deno- ber o ribeirão Passa- Vinie pela mar- 

minavam assim esta praia, porque ahi gem esquerda: entre os municipios de 

sohiam passeiar constantemente os pa- Bocaina e de Cruzeiro, 

dres da Companhia de Jesus, abençoando Este Embaú tem um aflQuente com o 

a todos oa que delles se approximavam. nome Embaú-mirim. 

Mas, isto não tem a minima proce- , ,^^i>aú, corrupção de fla-mè-atí, «de- 

dencia ou plausivel explicação. í^^^ ^f ^/"^*- ^^ *f' «sahida», mb, 

IP 1 A A *xi A uru - uji intercalação por causa do som nasal da 

Eynbaré é corruptela de Mbaroui-hé, r^^u„^^ ís if^o^^ a o^,.^;«*^ « - 

j e A ji T^ r palavra ne, ligada a segumte, au, para 

ccommodo para enfermidades». De mèa- ^ j^j^ ^^^f^^ b , , p 

roa .enfermidade, moléstia., Aé, .com- ^h^^í,^ ^ .^A^i^^^ 3^^^ j 

modidade». Por contracção, Mbar-hé. ^^^^^ banhados. 

Allusivo á propriedade dos banhos de Ha também o Embaú-mirím, affluente 

mar, nessa praia, para o curativo deva- do ribeirão Passa- Vinte, pela margem 

rias moléstias. direita, pouco acima da juncção deste 

Por egual, os indigenas denominaram com o Embaú. Mas, o nome é do Embaú, 

Arari o affluente do rio Tocantins, pela e só deste. 

margem esquerda, na provincia do Pará, Ha um logar, no municipio de Iguape, 

conhecido dos portuguezes pelo nome com o nome Embaú, em que se fez 

Bio da Saúde, e traçado em mappas um furado do rio Una da Aldêa, para 

como Agua da Saúde, De araá, «febres, o rio Ribeira de Iguape, para facilitar, 

moléstias de calor em geral», ri, pospo- a navegação, mediante o não uso das 

sição e adverbio, significando, neste caso, voltas, 
«contra». Allusivo a curarem suas aguas 

taes enfermidades ; e o padre José de Embery* — Contraforte da serra iíaw- 

MoRAES, referindo-se a escriptos do padre tiqueira, no municipio de S. Bento de 

Jeronymo da Gama, escreveu que «este Sapucahy-mirim. 

missionário,. . . chegando a este rio da Embery, corruptela de Em-bir-ví, «al- 
Saude muito enfermo e coberto de cha- cantilado, alto e oco». De em,, «con- 
gas, o mesmo foi lavar-se que ficou livre cavo, oco», bir, «levantar, ser alto», i\, 
e inteiramente são, podendo-se-Uie dar «lesvalari». 



ENG 



86 



ENX 



AllasÍTO a ser muito alto e alcanti- 
lado, e a ter cavernas. 

Ha também ahi ura córrego, aíiluente 
do rio Sapucahy-mirim^ pela margem 
direita, no sobredito manicipio. 

Embiacica. — Morro, na freguezia de 
N. S. da Penha de França: no munici- 
pio de S. Paulo. 

Embiacica, corruptela de Ibi-aci-ca, 
«terra fragosa». 

Os indígenas dizem ibi-ací, referindo-se 
á terra ou monte fragoso. 

O accrescimo de ca (breve) é para 
dar-lhe a forma de supino. 

Allusivo a ser um morro com fragas 
e penedias. 

Embírussú. — Affluente do rio Ja- 
gtiary, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de S. João da Boa- Vista. 

Campina extensa, no mesmo muni- 
cípio. 

Embirussú, quanto ao ribeirão, é cor- 
ruptela de He-mbi-ruçú, «sabida muito 
apertada >. De hê, «sabida», mbi, o 
mesmo que pi, «apertar», mudado o p 
em mb, por motivo do som nasal da 
palavra anterior, ruçú^ que em compo- 
sição, quando não é para exprimir lar- 
gura e grandeza, significa «muito». 

Allusivo a sahir entre barrancas altas. 

Embírussú, quanto á campina, é cor- 
ruptela de e-mlnr-uçú, «concavidade ele- 
vada, larga e extensa». De e, «conca- 
vidade», mbir, «elevar, alçar, levantar», 
tipu, «largo e extenso». 

Allusivo a ser valle entre montes, 
mas não baixo como uma várzea. 

Encantados.— ^erra no municipio 
de Cajurú. 

Encantados, corrupção de Y-canduaá, 
«o corcovado». De y relativo, canduaá, 
«fazer corcova, ser torto». 

Allusivo á sua forma em corcova. 

Engaguassú.— E' o nome que os 
indígenas deram á barra grande, com- 
prehendendo o laga-mar fronteiro á ci- 
dade de Santos. 

As velhas chronicas mencionam o nome 
Jfu/uá-^iUissúf €pUào grande». Mas, é 



isso uma invenção, á que também já 
prestei culto, na supposição de que o 
indigena imaginara nesse fundo, feito 
pela serra em meio- circulo, um verda- 
deiro «pilão grande». 

O padre José de Anchieta escreveu 
Ungua-guassú, segundo alguns o dizem. 

Frei Gaspar da Madre de Deus, 
nas Memoriais para a historia da Capi- 
tania de S. Vicente, entende que esse 
era o nome da ilha! 

Tudo— erro. 

Engaguassúf como já acima foi dito, 
era o nome da barra grande. 

Engaguassú, corruptela de Hf-n-guM- 
guaçú, «enseada maior da sabida». De 
hè-n, «sabida», guâá, «enseada, gtiaçú, 
«maior». 

Nada tem, portanto, com a ilha Ouaia- 
hó, ou de S. Vicente. 

(Vide o nome Ouaiahó). 

Antes de entrar no rio para a barra- 
grande, o mestre da canoa tem difficul- 
dades a vencer no laga-mar, cujas aguas 
em luta produzem redemoinhos. 

(Veja- se a palavra Canéti). 

Entupido.— Affluente do rio Para- 
hgba, pela margem esquerda: no muni- 
cipio de Queluz. 

Entupido, corrupção de I-tú-pi-bo, 
«apertado e com salto». De i-tú, «salto 
d'agua», pi, «apertar, prensar, espre- 
mer», com o suffixo bo (breve), para 
formar supino. 

Allusivo a um salto de dous metros 
de altura que fazem as aguas por um 
paredão de pedra lisa, tomando toda a 
largura do rio; e, pouco abaixo dessa 
queda, entram as aguas repentinamente 
em estreitíssima garganta entre dous 
penedoS; de 4 metros de altura, 2 de 
largura e 10 de extensão. 

Enxovia.— Affluente do rio Tatuhy, 
pela margem esquerda: no municipio de 
Tatuhy. 

Enxovia, corruptela de Hé-çóg-tt, «bar- 
ra quebrada, sujo». De /^, «sabida», 
çog, «quebrar, cortar», \t, «sujo». 

Allusivo a perder na fóz as margens 
altas e a ter lodoso o leito. 



ESP 



87 



EST 



Escada. — Freguezia no municipio de 
Mogy das Crazes. 

A invocação é N. S. das Escadas. E' 
sitaada no contraforte nordeste da serra 
liapety. Foi um aldeamento de indíge- 
nas, fundado por Braz Cardoso, em co- 
meço do século XVIL A povoação foi 
elevada á freguezia em 1846; depois 
exantorada; e, afinal, em 1872, restau- 
rada. 

A' margem esquerda do rio Parahy- 
ba; para o qual ha uma antiga descida 
Íngreme, tirando talvez dahi o nome. 

Escaramussa. — Duas corredeiras 
no rio Tieié: das quaes, uma acima, e 
outra abaixo, do salto Avanhandava; e 
esta é extensa e por isso chamada Es- 
caramtissa- Grande. 

Uma grande corjpdeira no rio Mogy- 
guassú, antes da confluência do Rio 
Fardo, Esta corredeira tem a extensão 
de mais de 800 metros, com a difife- 
rença de nível de cerca de dous metros, 
e é descida em menos de sete minutos. 

Escaramussa^ corrupção de Y-cará- 
amoryj «desfiladeiro perigoso». De y, 
relativo, cará, «destreza, perigo*, amocy^ 
verbal derivado de cy^ «desfilar, desli- 
sar-se», com a intercalação de mo para 
tornar activo o verbo. Por contracção, 
Y-cará-mocy. Estas duas ultimas syl- 
labas são pronunciadas breves e corri- 
das, por causa do accento agudo em 
cará, 

Allusivo á rapidez com que ahi cor- 
rem as aguas; o que é perigoso para as 
canoas. 

Espraiado.— Affluen te do rio Juqice- 
ry, pela margem esquerda: no município 
de Juquery. 

Espraiado, corrupção de lê-pái-á-á-bo, 
cdependurado, de queda em queda». De 
iêy reciproco, para exprimir a acção da 
cousa sobre si mesma, pdi, «dependu • 
rar», á, «cahir», repetido para exprimir 
a successão do mesuio facto, bo (breve), 
para exprimir o modo de estar. 

Allusivo a correr sobre leito íngreme, 
formando cascatas e quedas. 

Tem com effeito vários saltos^ um dos 
quaes, o penúltimo, tem a altura de 



cinco metro9; e, depois do ultimo salto, 
forma uma grande lagoa. Antes deste 
ultimo salto, ha um alagadiço. 
Desagua próximo á villa de Juquery. 

Espirito Santo da Boa Vista— 

Villa, na encosta da serra Espirito Santo 
da Boa Vista ou Palmital. 
(Vide o nome Palmital), 

Espirito Santo de Barretos.— 

Villa, a 13 kilometros, mais ou menos, 
da margem esquerda do rio Mogy-giiassú, 

E' assentada em campo. 

O nome Barretos proveio da família 
que fundou a povoação, cujo chefe era 
Francisco Barreto. 

Espirito Santo de Batataes.— 

Villa em território que pertenceu ao 
município de Batataes. 

Espirito Santo do Pinhal.— Ci- 
dade cujo município foi creado em partes 
de território dos de Mogy-mírim e de 
Mogy-guassú. 

Espirito Santo do Rio do Peixa 

—Povoação no município de Caconde. 
E' parochía. 

Espírito Santo do Turvo.— Villa 

á margem esquerda do rio Turvo, aflQuente 
do rio Paranapanema. 

Estaleiros.— Serrote, ramificação da 
serra Para}iapiacaba : no município de 
S. Vicente. 

Estaleiros, corrupção de Hetá-hêrà, 
«um pouco aparado». De hetá, «apa- 
rar», hèrà, «um pouco». 

Allusivo a ter no cimo uma assentada 
quasi horisontal. 

Estreito.— Corredeira, no rio Para- 
7iapanema, acima de sua barra. 

Estreito^ corrupção de Etèt-ta, «ulti- 
mado». De etd, «ultimar, finalísar, sol- 
tar», com o suflBxo ta (breve) para formar 
supino. 

Allusivo a que, dahi até a sua fóz, o 
rio Paranapanema não tem mais obstá- 
culos á fraue.^ xx^n^^^^q. 



ETÁ 



88 



ETÁ 



Esta corredeira tem doas principaes 
desnivelamentos perigosos por causa dos 
cabeços on pontas de pedra: o de cima 
dá passagem funda; no de baixo, se 
bem que com passagem também funda, 
ha ondulações terríveis. 

EtáL — Affluente do rio Ribeira de 
IguapCj pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Iguape. 

O conselheiro Martim Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, em seu Diário de 
uma viagem mineralógica pela provin- 
da de S. PatiU) no anno de 1805, es- 
creveu Yetá. 

Tanto Eiá como Yeiá são corruptelas 
de Yê'ltá, «aos degráos». De iiá, «for- 
mar degráos, ou declive», precedido de 



yê, reciproco para exprimir acção da 
cousa sobre si mesma. 

Allusivo ás corredeiras e quedas sue- 
cessivas, umas após outras. 

De uma informação local extrahio os 
seguintes trechos: «Talvez ha mais de 
cem annos, o rio Ribeira de Iguape, 
por efTeito de desmoronamento de suas 
barrancas, furou no Eiá, formando a 
barra actual deste. Nesta barra, o Eiá 
tem pouca correnteza; mas, para cima, 
tem muitas cachoeiras e corredeiras, ufnas 
junto ás outras. O leito do rio é for- 
mado de um cascalho tão aparado que 
parece cimentado: este cascalho com- 
põe-se de pedras pequenas e brancas, 
muito duras». 

(Vide o nome Itá). 




Taeâo, corropçâo de H-áquâ-adny, 
Dlrahido em H-dq?i'-aani/, ínão cor- 
ante». De h, relativo, dtjtm, «correr», 
-ti/, pítrticiila de negação. 
Aliusivo á sua pouca correnteza. 

Fartura.— Serrote, no municiíiio de 
irahybana. 

Serra, entre os municípios de S. João 
IptisUt do Rio Verde e de S. Sebas- 

. Tijuco-Preto. 
Serrote, entre 03 municípios de S. Joflo 
I Boa Vista e de S. José do Rio Pardo. 
Trazem também o nome Fartura três 
eqaenos ribeirões que nascem daquelles 
Brrotes, nos já referidos municípios. 
E outroK. 

A' margem esquerda do ribeirão, que 
í da serra entre os munieipios de 
L Joio Baptista do Rio Verde e ds S. 
Sebastião do Tijuco-Preto, está a fre- 
plMia do mesmo nome Fartura. 
Seiído de pequena extensíto, os indi- 
BDBS, para fazerem o jogo linguistico 
1 o nome da serra e dos serrotes, os 
Mmeavam Il-aíúr-n, ^curtos». De A, 
dativo, nlth; <encurtaT, abreviar), com 
» aecrescimo de a (breve) por acabar 
1 consoante. 
Fartura, nome da serra e dos serro- 
, é «irrupção de H-aiir-a, tievantada 
I moDt&o*. De h, relativo, j>or existir 



)■ em alir, «levantar, fazer montão», eom 
o aecrescimo de a (breve) por acabar 
em consoante. 

O i de atir tem pronuncia guttural. 
o k aspirado é algumas vezes corrom- 
pido em f. 

Aliusivo a serem elevações entre cam- 
pos, ou superpostas a outras serras. 

A. Fartura, no municipio de Parahy- 
buna, é ramificação da serra maritima. 

A Ftirbira, que divide os munieipios 
de S. Jofio Baptista do Rio Verde e de 
S. Sebastião do Tijuco-Preto, é entre 
os rios Paranapmtema e Itararé. E' 
também conhecida por Serra do Barão 
de Antoninn. 

Sobre esta serra, cuja altitude é su- 
perior a 800 metros e forma como uma 
ilha no meio da vasta planície dos cam- 
pos, existiu a aldêa dos Cahiuá, Já ca- 
thecliisados ; e para o lado do Rio Verde, 
ha uma grande lagoa, e mais adiante 
desta o Salto da aldêa, imponente queda 
d'agua. A aldêa foi transferida para 
outra serra entre os rios Itararé e Verde. 

A Fartura, no municipio de S. João 
da Boa Vista, é um dos contrafortes da 
serra Caracol, ramificação Occidental da 
grande serra Mantiqueira. 

Faxina.— tVeja-se adiante llapfva da 
Faxina). 

Fazenda.— Pequeno rio, que desagua 
na ea&ea.da Pecingiiaba : uo ta\va.\.cvç\a "Jia 

Ubatuba. 



FER 



90 



FIG 



Fazenda, corruptela de Hage-nd-c^ 
capressado». De hage^ cpressa, apres- 
sar», nd, por ser nasal aqaella palavra, 
e mais a (breve), por acabar em con- 
soante. 

Allusivo a precipitar-se da serra, de 
cachoeira em cachoeira, recebendo pe- 
quenos affluentes também encachoeira- 
dos, até que, antes de attingir a várzea, 
as aguas cahem a prumo de uma ca- 
choeira grande, na altura de cinco me- 
tros. A fóz, porém, é baixa. 

Feia. — Lagoa, no município de S. João 
da Boa Vista. 

Feia^ corrupção de Ti-ey, «sem agua». 
De ti, «agua», ey, particula de negação. 

Allusivo a que só tem agua no tempo 
das chuvas. 

Quando não ha chuvas, secca. 

Feio. — (Vide o nome Rio Feio). 

Feijão. — Affluente do rio Jacaré-pi- 
pira-mirím, pela margem direita: nos 
municipios de S. Carlos do Pinhal e de 
Brotas. 

Feijão, corrupção de Tey-ã, «muito 
empinado». De tey, «muito», ã, «em- 
pinar». O ^ é pronunciado por alguns 
como j: Tej'ã. Por isso a corrupção 
em Feijão. 

Allusivo a ter Íngreme o leito. 

E' cabeceira do rio Jacaré-pipira- 
mirim: nome este que é dado somente 
depois da affluencia do ribeirão Lobo. 

Feital. — Morro, no município de Mogy 
das Cruzes. 

Morro, entre os municipios de Una e 
de Cotia. E' mais conhecido por Morro 
Orande. 

Morro, no município de S. Roque. 

E em outros municípios. 

Feital, corrupção de H-é4tá, t encosta 
forte». De h, relativo, é, «apto, forte», 
itá, «arrimo, cousa em que outra se firma, 
estante, armação, pilar». 

Ferrão. — Affluente do ribeirão Ba- 
quira, pela margem direita: no municí- 
pio de Palmeiras (antiga freguezia de 
^uçuíraj. Nasce em um alagadiço. 



Alguns o consideram uma das cabe- 
ceiras io rio Buquira; sendo a outra 
o denominado Buquirinha, cuja origem 
é nos serrotes que divisam este e os 
municípios de Taubaté e de Caçapava. 

Ferrão, corrupção de Tcrâ, «torcido, 
torto». 

Allusivo á sua forma, desde a nascente 
até á fóz. 

Figueira.— Praia, na ilha de S. Se- 
bastião; no município de Villa Bella. 

Figueira, corruptela de Ti-cuêra^ «duro, 
forte, apertado» : particípio de ti, peio 
accrescimo cuêra. 

Allusivo a serem ahí muito apertadas 
as areias, formando um solo duro. 

Figueira.— Ilha de forma circular, 
a sudeste da de Cananéa. 

Figueira, corruptela de Tiqueira, «irmã 
maior». Companheira da que traz o 
nome Castilho» ou Castello, corrupção 
de Quipii, «irmã menor», os indígenas 
as diíferençam assim, considerando-as 
irmãs: a maior Tiqjieira, a menor Quipii, 
tendo o i de qui e o primeiro i de pií 
pronuncia guttural. 

(Vide Castello e Castilhos). 

Figueira.— Affluente do rio Jahú, 
pela margem esquerda: entre os muni- 
cípios de Jahú e de Dous Córregos. 

AfiQuente do rio Paranapanema, pela 
margem direita: no município de Cam- 
pos Novos de Paranapanema. Sua barra 
é fronteira á do Tibagy. 

Figu£ira, corrupção de Ti-iqué-ro, 
«margens altas a prumo». De ti, «ele- 
var, levantar», iqu£, «lado, costado», ro, 
«pôr-se». Por contracção, Ti''quê-ra. 

Allusivo a correrem entre paredes. 

Figueira. — Corredeira, no rio Mogy- 
guassú. 

Figueira, corrupção de Y-ii-yêrèy «volta 
apertada». De y, relativo, ti, «apertado, 
duro», yêrè, «volta». 

Allusivo a estreitar-se ahí o rio, fa* 
zendo uma volta entre montes, com ca- 
nal apertado, por onde as agua^ correm 
com extraoi:diuaria velocidade. 



FOR 



01 



FUN 



Figueira.— Serra, nos municípios de 
Jahú e de Dous Córregos. 

Figueira, corrupção de Ti-iquê-ro, 
«encostas alcantiladas». De ti, «elevar, 
levantar», iquê, «lado, costado», ro, «pôr- 
se». Por contracção, Ti-Uinê-ro. 

Allusivo a ter encostas quasi a prumo. 

Folha-Larga.— Affluente do rio AU- 
baia^ pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Atibaia. 

Morro, no município de Cananéa. 

Folha-Larga, corrupção de Yo-araqtuií, 
«cingido de todos os lados». De yo, 
reciproco, araquai, «cingido». 

Relativamente ao ribeirão, é allusivo 
a correr entre margens altas. 

Relativamente ao morro, é allusivo á 
sua formação granítica. 

Fome. — Praia na ilha de S. Sebas- 
tião: no município de Villa Bella. 

Fome, corruptela de Tóm\, «pulveru- 
lento». 

Allusivo a levantar-se nesta praia 
muita poeira. 

Formosa.— Lagoa, no município de 
S. João da Boa Vista. 

Formosa, corrupção de Ilúú-m-ocè, 
«muito lodosa». De húú, «lodo, borra, 
fezes, detritos»^ m, intercalação nasal, 
ocè, para exprimir superlativo. 

Forquilha. — Ribeiro, no município 
de S. João Baptista do Rio Verde. 

Affluente do rio Uiia da Aldêa, no 
município de Iguape. 

Forquilha, corrupção de I-y-o-quir-a, 
«rio, se chove». De i, «rio», y, relativo, 
precedendo o, recíproco de relação, con- 
forme a lição do padre A. R. de Mon- 
TOYA, em sua Arte de la lengim gua- 
rani, quir, «chover», com o accrescimo 
de a (breve), por acabar em consoante. 

Allusivo a não ter agua correnie se- 
não quando chove. 

Fortaleza. — Freguezía, no município 
de Lençóes. 

Serra, nos municípios de Arêas e de 
Queluz, á margem direita do rio Para- 
hyba. 



Forlaleta, corrupção de Y-oitá-hêcè, 
«paredão^ de ambos os lados». De y, 
relativo^ oitá, «pilares, armação, estan- 
tes, e tudo em que alguma cousa se 
arrima ou estriba», hêcè, o mesmo que 
rêkè, para exprimir mutuo, com refe- 
rencia aos dous lados ou vertentes. 

Allusivo a ser quasi a pique, de um 
e outro lado. 

Nesta serra, que alguns dizem sim- 
plesmente morro, ha uma pedreira que, 
com as chuvas, se desfaz em areia grossa. 

Fradinho. — Affluente do ribeirão 
Praia, e este do Rio Pardo, pela mar- 
gem direita: entre os municípios de Ga- 
jurú e Batataes. 

Fradinho^ corrupção de Hati-i, «tem 
polme». De hati, «polme, sedimento de 
vegetaes em pó, fezes, borra», t, «ter, 
estar, pôr». 

Allusivo a ser sujo de detritos vegetaes. 

Franca. — Povoação que, sendo sim- 
ples freguezía em 1804, foi elevada á 
villa em 1824, sob o nome de Villa 
Franca do Imperador, e elevada á ci- 
dade em 1856. 

Dista das divisas com a província de 
Minas Geraes, ao norte, 12 a 1 5 léguas. 

O nome Franca é uma das bajulações 
daquelles tempos coloniaes, para com 
António José da Franca e Horta, que 
então governava a capitania. 

E' ignorado o nome tupi desse lugar. 
Os primeiros posseiros o denominaram 
Sertão de capim mimoso, assignalando-o, 
assim, como óptimo para a criação de 
gado. 

Funda.— Lagoa, no município de Mo- 
gy-Guassú. 

Funda, corrupção de Húú-ndí, «muito 
lodo». De húú, «lodo, borra, fezes, de- 
tritos», ndi, «muito, muitos», pronun- 
ciado breve, por estar em húú o ac- 
cento predominante. 

O h, sendo aspirado, confunde-se com 
o f: dahi a corrupção. 

Fundo. — Affluente do rio Juquiá, 
pela margem direita: no munid^^vQ da 
\ Iguaçe. 



FUN 



92 



FUR 



Affluente do rio Atibaia^ pela margem 
esquerda: no municipio de Âtibaia. 

Afflaente do rio Jaguary: no muni- 
cípio de S. João da Boa Vista. 

Affluente do rio Captrary, pela mar- 
gem esquerda: no município^ de Tietê. 

Dous affluentes do rio Paranapanemay 
pela margem direita: em território ainda 
occupado por indígenas. 

Affluente do rio Apiahy, pela margem 
esquerda: no municipio de Itapeva da 
Faxina. 

E outros. 

Fundo, corruptela de H-yi-ndiy «mui- 
tas concavidades». De A, relativo, y% 
«concavidade, abertura, natural, seio, oco:», 
ndiy «muitos». A palavra yi tem som 
guttural; e a palavra 7idi é pronunciada 
breve, por predominar o accento de yi. 

Allusivo a depressões no leito, for- 
mando fojos, poços, buracos de toda a 
espécie, por causa da respectiva forma- 
ção geológica. São perigosos esses pe- 
ráus. 



Funil. — Corredeira no rio Ribeira de 
Iguape, um pouco abaixo da villa de 
Yporanga. 

Corrjedeiras no rio Paranapanema, 
acima da fóz do rio Apiahy. 

Corredeira no rio Mogy-guassú. 

Corredeira no rio Atibaia. 

Funil, corrupção de Hu-n-ti, «revol- 
ve-se apertado». De hu, «revolução in- 
terior, revolver-se em si mesma», w, 
intercalação por ser nasal a pronuncia 
de hu, e para ligar esta palavra a u, 
«apertado», cujo primeiro í tem pro- 
nuncia guttural. 

Allusivo ao movimento ondulativo e 
aos rodomoinhos que, nessas corredeiras, 
fazem as aguas revoltas. 

Por estreitarem-se os rios nesses le- 
gares, formando corredeiras, a corrupção 
do nome foi facilmente aceita. 

Furadínho.— Lagoa, no municipio de 
Cajurú. Contém esta lagoa uma ilha^ 
cuja extensão e largura mede sete hec- 
tares de terra. 



G 



GaícáL — Porto^ ao sul da cidade de 
S. bebastião, 8,3 kilometros de distan- 
cia. Dahi — o nome dado á fazenda do 
convento do Carmo, nesse logar, hoje 
em abandono. 

Oaicâ, corruptela de Iga-ycá, «quebra 
canoa». De igá, «canoa», cá, «quebrar», 
precedido de y, relativo. 

Allusivo a bater ahi muito forte o 
mar, atirando as canoas sobre as pedras. 

Gaiovíra. — Pequeno córrego, afifluen- 
te do ribeirão Figueira^ pela margem 
esquerda: no município de Campos No- 
vos de Paranapanema. 

Gaiovira, corruptela de Quái-o-bira, 
«cingido e levantado de ambos os la- 
dos». De quá% «cingido», o, reciproco, 
para exprimir o plural e coramunicaçâo, 
relativamente ao verbo bir, «levantar», 
com o accrescimo de a (breve), por aca- 
bar em consoante. 

Allusivo a correr entre paredões altos. 

GambáL — Serrote no município de 
Jaboticabal; mais conhecido por Monte- 
Alio (Vide este nome). 

Oambáj composto de g, reciproco, 5, 
«empinar» mb, pela nasalidade de a, e 
á, «cabeço, pico». 

Allusivo ás suas encostas alcantiladas, 
fazendo ponta no cimo. 



Ú. — Morro entre os rios Garaú 
e Una do Prelado: no município de 
Itanhaen (Vide o nome Carajauna). 



Oaraú é o nome que o conselheiro 
Martim Francisco Ribeiro de An- 
DRADA, em seu Diário de uma viagem 
mineralógica pela provinda de S. Paulo 
no anno de 1805, dá a este morro; 
mas, Azevedo Marques, nos Aponta- 
meiítos Históricos, Oeographieos, Bio- 
graphicos^ Esiatisiicos e Noticiosos da 
Provinda de S, Paulo, dá o nome Ja- 
giiary, O padre Ayres de Casal, em 
sua Corographia Braxilica, assim tam- 
bém o denomina; mas, é confusão. (Vide 
08 nomes Carajaúna e Jaguary), 

O conselheiro Martim Francisco Ri- 
beiro DE Andrada dá o nome Oaraú, 
não só ao morro, como também a um 
rio : «... em todo este rio nada vi digno 
de observar-se, á excepção de uma ara- 
ranha, espécie de lontra de rio, maior 
que o viria, a qual julgo será a mus- 
tela lutris bradliensis de Linnêo; e ja- 
carés, de onde se deriva o nome do rio 
(Lacerta Alligator). Chegado ao porto, 
subi o morro de Qaraú. . .t^. 

Garaú^ nome do monte, é corruptela 
de Qílára-aú, «esburacado em excesso 
até o ponto de encommodar». De qílár, 
«buraco, bojo», com o accrescimo de a 
(breve), por acabar em consoante, aú, 
partícula para exprimir defeito, encom- 
modo, ou má vontade na acção. Por 
contracção, Qúár^-aú, 

Allusivo a ser um morro de penedias, 
com arvores enormes e corpulentas, cu- 
jas raizes se estendem á suçerficie^ tor-^ 



GAR 9 

por cima desse morro; e, pois, o tra- 
vessio torna-se eDcommodo. 

Sua base é de pedras nuas. 

Quanto ao rio, Garaú é comi)itêla de 
Quâ-ára-aú, conlrahido em Qti'-ár'-oú, 
tmáu corredor». De qná, ípassar, cor- 
rer», ára, verbal de participio, para ex- 
primir a actividade do verbo, aú, par- 
tícula para exprimir defeito, encoinmodo, 
ou má vontade na acção. 

Allusívo a ser pouco corrente. 

(Vide o Dome Qttarahy). 

Também o indígena quereria por ven- 
tura assignalar ahi a existência de ani- 
mal devorador, fazendo assim o costu- 
mado jogo linguistico; o, com effeito, 
garaú é o mesmo guára-ú, participio 
presente de aú, (coraer», repetindo no 
final o tí, para maior energia na acção, 
(devorador*. 

Allasívo aos jacarés que ahi abun- 
dam. 

Ha tambera três pequenas ilhas, em 
&ebte á fóz deste rio, com o nome 
Qaraú, corruptela de Qúará~aú, con- 
trahido em Oúai^-aú, <sem préstimo». 
De gúara, para exprimir utilidade, aú, 
«ficção, buíra, phentasia» : importando 
as duas palavras o significado «ficção 
de utilidade*. 

Só a maior, denominada llhor-drande, 
relativamente ás outras duas, serve de 
abrigo aos pescadores, visto como tem 
porto e agua potável. 

Garayúva — Pedra superposta ao 
morro Lopo: no município de Santo 
António da Cachoeira. 

Alguns escrevem (hiarayuva. 

(Vide o nome Lopo). 

Garayúva, corruptela de Ou-ãrí-yúb-a, 
«superposta ao longo». De gn, reci- 
proco, an, «em cima, sobre», yub, «estar*, 
oom o accrescimo de a (breve), por aca- 1 
bar em consoante. 

N3o é, pois, propriamente um nome, 
como em geral o suppõem, mas uma 
desoripção do modo de estar da pedra. 

A altitude até a, pedra é 1655 m&- 

troe. Mait&a legaas em redor, n&o existe 

pjcu tSo elevado. 



1 GEJ 

E' formado de granito com grandes 
crystses de feldspatho, alinhados segundo 
o grande eixo. Na base do morro o 
aspecto gnelssíco domina, segundo li em 
um trabalho da Commissão Geographica 
e Geológica da Provinda de S. Paulo, de 
1889. 

Garcia (do).— Corredeira, no rio Tietê, 
logo abaixo da cidade dfl Tietê. 

Garcia, corrupção de Y-aei, «curta» 
De y, relativo, aci, «pedaço, curto*. 

Allusívo a ter apenas a extensão de 
cerca de df^z metros com um desnivel- 
lamento de trinta centímetros. 

No Diário de navegação do rio TieU, 
escripto em 1769 pelo eargento-mór 
Theotonio José Duarte, o nome da cor- 
redeira Do Garcia figura como signi* 
perdeu-se este homem nella* ! 



Garrafão. — Morro, pertencente á serra 
Boeáina: no município de Jacarehy. 
Garrafão, corrupção de Ottaraíã fy- ■ ■ 



miasict e com um espaço n 



Gejava. — Monte situado na ponta 
septentrional da barra Icapára: muni- 
cípio de Iguape. 

Gejava, corruptela de Ye-ií(U?a, «res- 
valadiço*, ou «resvaladeiro*. De ye, re- 
ciproco, para exprimir a acçfio da pessoa 
transeunte sobre si mesma, ií, «resva- 
lar», levado ao participio polo accrescimo 
de ára, «o que resvala*. 

Com effeito, para ir de Iguape além 
do morro da Vigia, não preferindo pas- 
sar pela picada da linha telegraphica, é 
preciso caminhar sobre uma fila ou orla 
de pedras cobertas de limo, adhereotes 
ao dito morro. 

Segundo Martius, Gloss. Litig. Bros., 
o nome Gejava significa, «lugar onde 
RÓ pôde passar uma pessoa de cada 
vez». Elle confundiu a significaç&o, to- 
mando o effeito pela cansa. O nome 
não é do monte, mas dessa passagem 
diSlcuUosa, q^uando a maré está cheia. 



w 



GIO 



GRA V^^ 



p 1% para exprimir a acção do 

Site Sobre si mesmo, uonforme a 
padre Luiz Figueira, em sua 
fgrammatíca da lingita hrasilira. 
nomes om tupi é este um dos 
il)ropria(!os ao lofiar ilenominatio. 

■ybatyba.— Rio que desnirua em 
á ilha de S. Vicente, ou Oiuntifió, 
k-mar de Santos. 
iente do rio Parahi/bo, pela mar- 
^uerda: no municipio de Tau- 
I 

haja confusão com o rio Jiiru- 
^ que cone no niunicipio de Santo 
I trazendo em suas cal>eceinis o 
liio Grande. 
'e o nome ■Iiinibaínio). 
lirfio, alíliiente do rio (''ipirnn/- 

fc o DODie Capiranj). 
^do frei Gaspak da Madrk de 
lem sua Memorin para a historia 
^taiiia de S. Vicenii^. o nome 
^tyba signjtica <rio em cujas mur- 
ibonda a palmeira grrirá*. Na 
I toada escreveu frei Francisco 
Íazeseb Maranhão, em sen Olos- 

r palavras indígenas. 
tem este nome com a palmeira 

ybatyba é corruptela de Yf-rè-nlid- 
j cuntrahido em Ycrè-há-lg-hne, 
I e muitas voltas». De yérè, ívol- 
}tá, «muitas», Ifi, «atar, prender». 
\ partícula bnc (breve), pura formar 
(rio, significando *o que*. 
bivo a correr entre encostas de 
i fozetido sinuosidades. 

• — Morro, na serra Ilaberabn, entre 
bicipioB de Conceição dos Uiiaru- 
liie Nazaretli. 

LcorruptéU de Y-i\. «resvaliidio». 
[relativo, i), «resvalar. escurregar>. 
BÍvo a ser lamacento em tcmpu 
de tal modo que é escorre- 



iapè.— Xome que consta de titu- 
1 sesmaria de 1'ero de Góes, \'i'-V2 



GipuvÚra.^Morro, no niunici|iio de 
Ipiiape. 

K' o. mesmo que tem o nume Oiui- 
viruúia. 

(Vide o nomo fíiiaririnlm). 

Gloria. — Afilnente do rio Pambi/ha, 

pelii margem djr<'ita: no município de 
Biinnnal. 

Gloria, corruptela de Qu-óia, »o que 
cabe»- De gu, reciproco, regendo 6in. 
terceirn pessoa do presente do mdicativo 
do verbo yà, «ser egual, caber, nfio sair 
de sua capacidade, conforme». 

Aiiuaivo a niio extravasar suiis aguas, 
mesmo em lempo de t;hiiva; em cun- 
Irnstc com o rio Ihuniiiil. 

Goiaba!.— Aflluente do no rarakj}ba, 
pela margem esquerda: entie os muni- 
cípios de Jacarelij- e de Mogy das Cruzes. 

Goifibal nada tem com a fructa goia- 
ba, como a muitos terá parecido. 

Goiabal é corrupção de Gui-aybá, «em 
itaixo de brenhas». De gui, «em baisu», 
agbá, ibrenhas». 

AlIuaivo a ler seu curso em mattas e 
entre penedias. 

Gomeatinga.— Aflluente do rio Pa- 

rnhybn, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Santa Branca. 

Goniealiiign. coiruptéla de Cogi/ie-nli- 
figa. niuasi soterrado». De roT/nie, «por 
pouco, esteve pi-ito, quasi». ati, «soier- 
rar>, fazendo sujdno com vgti, por estar 
sub a iniluencia do som nasal de,coyme, 
dominando o som desta palavra o nome 
inteiro. 

Allusivo a ter o leito muito entulhado 
lie pedras cabidas do monte. 

Gorita.— Morro, no município de S. 
JoSo do Rio Claro. 

Gorila, corruptela de Giiir-ii-h, «C8- 
veruosfií. V)ti gmr, »em baixo», íí, «ôco», 
com o suffixo l't (hreve), para formar 

SU|U[|0. 

Allusivo a cavernas e a fragosidarics. 

Gramma.— Ribeirão mencionado na 
lei lias divisas do município da tí. Joíà 
lio Rio Puído. 



GUA 



96 



GUA 



Vertente da serra marítima, na qnal 
nasce o rio Jucuhy: no municipio de 
Cunha. 

Gramma^ corrapção de Ou-áimfi, «a 
pique». De gu, reciproco, háime^ «a 
pique», perdendo o h por causa do gu^ 
reciproco. 

Âliusivo, quanto ao ribeirão, a cair a 
pique; e quanto á vertente da serra^ ser 
a pique a mesma vertente. 

Gramminha. — Morro, no municipio 
de S. Luiz de Parahytinga. 

OrammÍ7iha, corrupção de Ott-dime' 
Ina, «estar a pique». De gu, reciproco, 
hâlme, «a pique», íwa, supino de ?, «es- 
tar». Por causa de gu, desapparece o h. 

Gravy. — Morros que servem de di- 
visa aos municípios de Mogy- mirim e 
da Penha do Rio do Peixe, por esse 
lado. 

Orary, corrupção de Ou-ái-bi, «altos 
e baixos successivos». De gii, reciproco, 
para exprimir plural e communicação 
de uns com outros, ái, «altos e baixos», 
bij «pegar-se, seguir-se». 

Allusivo a existirem naquelle morro, 
do lado da Penha do Rio do Peixe, 
hoje Tiá''piraj successivas ondulações, 
de sorte que quem o ascende daquelle 
lado sobe e desce essas ondulações do 
terreno. 

Gregório. — Affluente do rio Para- 
hyba, pela margem direita: entre os 
municipios de Taubaté e de Pindamo- 
nhangaba. 

Gregório, corrupção de Ou-yeroyè, 
«inclinado» ou «em forte declive». De 
gu, reciproco, yeroyè, «fazer reverencia, 
inclinar-se, ser em declive». 

De facto, este ribeirão nasce na serra 
Quebra cangalha, e precipita-se em forte 
declive para a baixada, e, ahi correndo, 
desagua no rio Parahyha, 

Guabiróba.— Aflfliionte do rio Mogy- 
guassú, pela margem esquerda : no mu- 
nicipio de S. Carlos do Pinhal. 

Já li o nome deste ribeirão como 



Guabiróba, corruptela de Gu-ahirú- 
ó-bae, contrahido em Gu-abif -ó-bae^ «ta- 
pado e de barriga». De gu, reciproco, 
para exprimir a acção da cousa sobre 
si mesma, abirú, «laarriga», tf, «tapar», 
com bae (breve), para formar participio. 

Allusivo a encontrarem suas aguas re- 
sistência nos pântanos do rio Mogy- 
guassú, refluindo e formando alagadiço 
em forma de barriga ou bojo. 

Guabiróbas. — Afifiuente do rio Pa- 
rahytinga, pela margem esquerda: no 
municipio de Cunha. 

Guabiróbas, corrupção de Gu-apir-óg, 
«pontas cortadas». De gu, reciproco, 
para exprimir mais de uma, apir, «ponta, 
principio e fim das cousas», óg, «tron- 
char, cortar». 

Allusivo a que, no logar da reunião 
de suas duas cabeceiras, ha um salto, 
cuja altura é de 60 metros, mais ou 
menos; e este salto como que corta 
aquellas duas pontas. 

Dahi em diante, tem o nome de Ri- 
beirão da Serra, sinuoso, encachoeirado, 
com alguns saltos; raso e arenoso. 

A mudança do nome, desde aquelle 
grande salto, justifica o nome Gu-apir-óg, 

Talvez a corrupção se operasse do 
facto do por ventura existir alli abun- 
dância da saborosa mvrtacea Guabiróba, 

Guacundúva. — Morro elevado, na 
serra liaiiiis: no municipio de Itanhaen. 

(htacundúva, corruptela de Gu-acú- 
ndu-bae, «quente e ruidoso». De gu, 
reciproco, acú, «quente», ndú^ «ruido, 
estrondo, estrépito», com a particula bae 
(breve), para formar participio. 

O dr. Carlos Rath escreveu Qíta- 
cundúca; mas é erro. Elle menciona 
também um rio com este nome, que 
então será corrupção igual á de cima, 
significando o mesmo. 

O nome do morro é allusivo a ser 
vulcânico. Com cífeito, é quente, e deixa 
ouvir ruido interior; não tendo, por isso, 
senão escassa vegetação. 

O nome do ribeirão é allusivo ao 
facto de nascer quente, e correr entre 
penhascos e pedras, fazendo desde a 
\s\ia ong^m ç>'^ii^^ \\\vSlQ ^ ^%\»t^\Nsla, 



GUA 



97 



GUA 



Guacurítú.— Cachoeira no rio Tietê, 
idma da Itú-pirú, 

Ha Ovacnritú-tiçú e Ouacuritú-mi- 
nm. Entre as duas se interpõem quatro 
3om outras denominações. 

Ouactmiú, corruptela de Quâ-cury-ty^ 
ccorredeira e arrecife». De quâ, infini- 
tivo de aquâ, «correr», cury, «presteza, 
pressa», iy, «pontas». O y tem som 
gattural. 

Guacuriú.— Affluente do rio Iperó, 
pela margem esquerda: no município de 
Campo Largo de Sorocaba. 

Guacuriú, corruptela de Quâ-eury-ú, 
«põe-se a correr velozmente». De quâ, 
infinitivo de aquâ, «correr», cwry, «pres- 
teza, pressa», ú, «estar, pôr-se, etc». 
Também o ú pôde exprimir a maior 
energia na acção. 

Nasce em uma lagoa; e, depois de 
formar, em seu curso, outras lagoas e 
charcos, des)isa-se veloz. 

Guaíahó.—Nome da ilha de S. Vi- 
cente, na qual estão situadas a cidade 
de Santos e a villa de S. Vicente, como 
se vê da carta de sesmaria de Pedro 
de Góes, de 10 de Outubro de 1532. 
Neste documento está escripto Gohayó, 
mais correcto: «...ilha de S. Vicente, 
d'onde chamam Oohayó*. 

Ouaiahó, corruptela de Gu-ai-óg, «cor- 
tada e despegada». De gn, reciproco. 
aí, «despegar, abrir, separar», dg, «cor- 
tar, arrancar». Os verbos ai e óg ap- 
parecem unidos neste nome para expri- 
mirem separação por força. 

ÂUusivo a ter sido separada do con- 
tinente pela força das aguas que a ro- 
deiam. 

Gualó.— Affluente do rio Tietê, pela 
margem esquerda: no município de Mogy 
das Cruzes. 

Gtiaió, que alguns também escrevem 
Ouaiaó, é corruptela de Gu-aioóg, «ta- 
pado». De aóg, «tapar», precedido de 
gu, reciproco, com a intercalação da 
partícula ao, para exprimir o acto de 
voltar sobre si mesmo, conforme a lição 
do padre Luiz Figueira, em sua Arte 
de fframfnaiica da Imfftea brasílica. 



Allusivo a não poder desaguar no rio 
T/etó, quando este está cheio; refluindo 
suas aguas sobre elle mesmo, e formando 
pântanos na várzea. 

Alguns nomeiam Gnaió também o 
morro; mas é erro. O nome é só do 
ribeirão. 

Guaipacaré.— Nome tupi da povoa- 
ção, que é hoje cidade de Lorena. 
(Vide o nome Lorena). 

Guamicanga -- Corredeira no rio 
Tietê; também conhecida corruptamente 
por Vamicanga. 

Guamicanga, corruptela de Gu-amí- 
cá'Vgn, «aporta e abre». De gti, reci- 
proco, nrr//Z, «apertar, espremer, ordenhar», 
cá, «(|uebrar, abrir», fazendo supino com 
7iga, por estar sob a influencia e ferido 
da pronuncia nasal de tinn, conforme a 
lição do padre A. R. de Montoya, em 
sua Arte de la levgua guarani. 

Allusivo a estreitar-se ahi o rio; e, 
logo que finda a corredeira, alargar-se 
de modo notável. 

Guamiranga. — Morro elevado, á 

margem direita do rio Ribeira de Igtia- 
pe: no município de Iguape. 

Este morro é granítico, de mistura 
com gneis. 

Gíiawiranga, corruptela de Gu-avã- 
nga ou Gu-api-ra-gj/a, «pellado e des- 
atado». De gti, reciproco, ami, o mesmo 
que api, «ser pellado», ra, «ser desata- 
do, descosido», fazendo supino com vga^ 
por estar sob a influencia e fendo da 
pronuncia nasal de ap7, conforme a lição 
do padre A. R. de Montoya, em sua 
Arte de la lerigua guarani. 

Allusivo a não ter vegetação e a ser 
derrocado. 

Guamium.— Affliií^nte do rio Pira- 
cicaba, pela margem direita: no muni- 
cípio de Piracicaba. " 

Gnamuan, corruptela de Gn-ann-i^ 
«perseverantemente apertado». De //?/, 
reciproco, anu, «apertar, espremer, or- 
denhar», /, posposiqSLo de ^s^^^Olv^^-^tns^ 
com a çtowwxvda %\\XX>\\^, \eÀ^\í2^ ^'^^ '^ 



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GUA 



Dasal, por causa de anã que nasaltsa o 
Dome inteiro. 

Guananan.— Afíluente do rio 5. Lou- 
retiço, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Iguape. 

Oiianannn, corruptela de Qu-ana-iiii, 
*muito corrente». De gii, reciproco, nnã, 
«correr», repetido para exprimir super- 
lativo. 

AllusivD á sua extraordinária corren- 
teza. 

Guaniqué.~liha no canal Beriíogn: 
no muDicipio de Santos. 

Otianiqné, corruptela de Qiiá-ne-iq7ic. 
«lados muíto esquinados». Por contrac- 
ção, Qun-ii' -iqiiè. De qua, «esquinar», 
ne, adverbio affirmativo, para exprimir 
superlativo, iijuí:, alado, costa». 

Nâo é propriamente uma ilha, senão 
porque está iadeaiia de agua : é uma 
ostreira abundantissima. Ha alii uma 
fabrica de cal. 

Está á foz do rio Cahunsú. 

Por isso mesmo que é uma ostreira. 
e sendo certo que os indígenas sabiam 
fazer o jogo linguistico dando denomi- 
nações com som idêntico ou quasi idên- 
tico 3 cousas diversas na m(?sma região, 
Ouaniqué é tauibem corruptela de Qúa- 
ne-qnê, «jazigo para a passagem fu- 
tura». De qúa, infinitiva deste verbo, 
«passar», mas que, por Ui\o ter caso, si- 
gnifica «passagem», ite, para e-xpriíuir 
futuro, qnè «dormir, repousar». 

AUusivo a ser nessa ostreira um ce- 
mitério. 

Com effeito, nas ostreiras os indígenas 
sepultavam os mortos; e, portanto, o se- 
gundo nome Qiiâ-ne-qné seria allusívo 
a isso. 

Guanxima— Praiii. na ilha de S. 
Hebastião: no município de Villa Bella. 

ditauriína. corrapt('la de (iii-achy- 
ma, «resvaladiçO'. O primeiro a é tam- 
bém ferido de pronuncia nasal soando 
an, por causa do y, ijiie tem pronuncia 
nasal alem da guttin^!. bupino de achy, 
<: resvalar». 

Alhisivo a ser esta praia um pouco 
tíiaona ou lodosa, e portanto resvaladiqa. 



GLiapéva.-~AfIluente do rio Jinidia- 
hij, pela margem direita: no município 
de Jundialiy, e próximo á cidade. 

Ouajífta, corruptela de Gu-apé-bo, tá 
superricie», isto íi, «raso». De yv, reci- 
proco, apé, 'chato, plano, á superficie», 
bo, para exprimir o modo de estar, se- 
gundo a liçiío do padre A. R. de Mon- 
TOYA, em sua Áiie de la letigua guarani. 

GuapiárEk.— Afíluente do rio Para- 
iiapatie/na, pela margem direita: entre 
os municípios de Paranapanema e de 

Itapetininga. 

Não se trata de Igapiára, corruptela 
de Y-{ii>á-yâr-a, «colher á mSo». De //, 
para exprimir que o facto é praticado 
ao acaso, g, relativo somente para pó. 
«mílo», i/fír, tcolher. apanhar, pegar*, 
com o accrescíino de a por acabar em 
consoante, segundo a lição dos gram- 
maticos. Os indígenas, assim dispondo. 
querem exprimir o acto de apanhar á 
mão o peixe em pouca ngua, decantando 
o banhado; e este verbo está admittido 
na língua portugueza, gapiar ou, menos 
incurrecto, gapninr, significando «pescar 
ao acaso, á aventura». O modo de de- 
cantar o banhado é simples: fazem-se 
elevações rectas (le tijuco, sustentadas 
por paus cravados m> meio, de modo a 
separar a parte do banhado, onde tem 
de ser feita a pesca; e, depois, decan- 
la-se a maior porção do agua, que for 
possível: accumulados no fundo os pei- 
xes, fácil é agarral-os á mílo; e, se ha 
muita agua, 6 appHcado o timbó, para 
que subam á tona. 

(luapiura é participio do verbo api, 
«torcer. ladear», precedido de gu, reci- 
proco, e seguido de ára. E, portanto, 
(hi-api-ára significa «o que se torce». 

Com efTeito, este ribeirão corre ao lado 
do monte, fazendo successívas curvas. 

Ha também uma parto do ribeirão 
Pcntianrn que traz esse nome Oua- 
piárií. 

(Vide o nome PcruraúvaJ. 

Guapira. — Nome que trazem, não só 
uui serrote, ramíHcaçilo da serra Catiia- 
'ireira, como Va,i&b%m M.m ^ftlu^ate do 



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rio Tietê, pela margem direita, que assim 
é nomeado somente depois da confluên- 
cia do ribeirão Cahuçú com o ribeirão 
Trememhé, 

(Vide os nomes Cahuçú e Trememljé). 

Gu'á-pira, com referencia ao serrote, 
é -tcortado». De gn, reciproco, á, «cor- 
tar», pira, verbal para formar participio 
passivo. 

Allusivo a fazer ahi uma depressão 
ou aberta tão funda que semelha um 
corte. 

Com referencia ao affluente do rio 
Tieíé, o nome Ouapira é corruptela de 
Gu'âã'pira, «alagado». De gn, reciproco, 
âá, «alagar, espraiar em lagoa, enchar- 
car», pira, particula do participio pas- 
sivo. O gu, reciproco, é para exprimir 
que o alagamento é pelas duas margens. 

Allusivo ás várzeas que o ladeam. 

Os indígenas, nomeando o serrote e 
o ribeirão com nomes, embora idênticos 
ou quasi idênticos no sum, com signifi- 
cados diversos, não fizeram senão o cos- 
tumado jogo linguistico, em que eram 
habilissimos. 

Guapituba.— Affluente do rio Ta- 
nmnduaiehy, pela margem esquerda: no 
municipio de S. Bernardo. 

Era á margem direita deste ribeirão 
a famosa tnlla de Sa)ito André, fundada 
por João Ramalho, e creada officialmeute 
em 8 de Setembro de lõ53. 

Oiuipiiuba, corruptela de Gn-api-tút- 
bae, «sinuoso, e derramado». De git, 
reciproco, para exprimir as suas mar- 
gens, api, «torcer, fazer volta», túi, «der- 
ramar, fazer bojo», bae (breve), para 
formar participio. (*) 



Allusivo a serem suas várzeas depo- 
sito de detritos. 
E' considerado rio morto. (*) 



(*) Estava em nota avnlsa: 

Oítapttúba. corruptela de (Ju-ai^-ytú-hae, «raso e sujo». 
De gUt reciproco, a/w?, * plano, á supt'ríieif>, yíú, «ser sujo», 
com a partícula hae (breve), paro formar participio. 

Tenho lido cm títulos de teiras Carapcíúba e Guarabe- 
túba! 



Guapiú.— Affluente do rio LJ^/ia d' AU. 
dêa, pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Iguape. Também conhecido pelo 
nome Rio das Pedras, que nelle affltíe. 

Gitapiú, corruptela de Guaâá-ipiyúg, 
«várzeas podres*. De guãá, «.enseada, 
várzea», ipiyúg, «podre, apodrecido». 



(*) Ha também na divisa entre os munidpios da Ca- 
pital e de S. Bernardo ura bairro denominado Guapiú, 



GuapurSL — Dois morros no munici- 
pio de Itanhaen; ramificações da serra 
marítima. 

Ha o gtiassú e o rnirím, 

Guapurá, corruptela de Gu-api-rá, 
«desatado na ponta». De gn, reciproco, 
api, «ponta, principio ou fim de alguma 
cousa», rá, «desatar». 

Allusivo ao derrocamento no cimo 
desses morros. 

Guapurundúba.— Affluente do rio 

Ribeira de Iguape, pela margem es- 
querda: no municipio de Xiririca. Em 
suas margens ha vestígios de mineração 
de ouro. A' sua fóz existe uma ca- 
pella. 

Tenho lido também Vapurundúba, e 
Iraporandúra ; mas, estes são outra 
forma do nome: em vez de gu, reci- 
proco, foi empregado y, relativo: Y-apór- 
a-ndú-bae, «com saltos estrondosos». De 
?/, relativo, apor, «salto, saltar, cahir de 
cima», completado pelo a (breve), por 
acabar em consoante, ndú, «fazer es- 
trondo», bae (breve), para levar o verbo 
ao participio. 

Guarahú.—Affluente do rio Jacnipi- 
rajiga, pela margem direita: no muni- 
cipio de Iguape. E' antes um dos braços 
do rio Janupiranga, segundo me informa- 
ram, do que propriamente affluente. 

Affluente do rio Tremembé, pela mar- 
gem direita: no municipio de S. Paulo. 

Affluente do no Tietê, pela margem 
esquerda: servindo de divisa aos muni- 
cípios de Itú e do Salto, até á affluen- 
cia do córrego Cangica. 

Guarahú, corruptela de Quâ-àra-aú, 
por contracção Qa^-ar^-aú, «máu cor- 
redor». De quá-àra, participio do verbo 
aquà. «correr», aú, particula para ex- 
primir defeito ou má vontade na acção, 
segundo a liqão do \\adçeL\jVL¥\^^^vôwK^ 



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na Arte de grarnmatica da lingna bra- 
sílica, e escreveu aúb, 

Allusivo a serem pouco correntes. 

Guarahy. — Ribeirão que nasce na 
face sudeste da serra liaihis, e desagua 
no oceiínn: no municipio de Itanhaen. 
Divide os morros Periihibe e Ihia, 

Segundo Martius, em seu Oloss. Ling. 
Brás., Guarahy significa «rio de guarás»! 

Nem este é o modo de construcção de 
nomes om tupi, cora referencia a rios, 
pois que o í deve ser preposto e nào 
posposto, nem de facto o nome Oimrahy, 
por allusão a guarás, tem relação com 
esse ribeirão. 

Alguns o denominam Oaraú; e assim 
é geralmente conhecido. 

(Vide o nomo Garaú), 

Por isso, deixo Guarahy, que é nome 
errado; e passo a examinar o nome 
Garaú. 

Garaú, corruptela de Quâ-ára-aú, por 
contracção, Qu^-^ar^-aú, tmáu corredor». 

De (ptâ-ára, participio do verbo aquâ, 
«correr», aú, particula que exprime de- 
feito ou má vontade na acção, segundo 
o ensina o padre Luiz Figueira, na 
Arte de gravimatlca da lingna brasilica, 
o qual escreveu aúb. 

Allusivo a ter esse ribeirão pouca 
correnteza. 

Guarapés. — Afíluente do ribeirão 
Barwm^, pela margem direita: no 
municipio de Conceição dos Guarulhos. 

Guarapés, corruptela de Oti-ar-a-pé, 
«sinuoso e rai^o». De gu, reciproco, ar^ 
«ladear», com o accrescimo de a (bicve), 
por acabar em consoante e ter de ligar 
a pé, «chato, plano, á superficie». 

Allusivo ao seu pouco fundo e ás 
voltas que faz. 

Guarapéva.-~Afíluente do rio Pa- 

rahytiuga, pela margem direita; no mu- 
nicipio de S. Luiz do Parahytinga. 

Nasce no morro Carapéva; e, nestes 
dous nomes, o indígena fez o seu cos- 
tumado jogo linguistico, porque são idên- 
ticos os sons. 

iVide o nome Carapéva), 



Ouarapéva^ corruptela de Cara-pé-hae, 
«veloz e raso». De cará, c pressa, des- 
treza», pé, «chato, plano, á superfície», 
iflfc (breve), para formar participio, sig- 
nificando «o que é». 

Allusivo a ser muito corrente, e raso, 
ou sem grande fundo. 

Tem pedregoso e areicnto o leito. 

Guarapinumã.~-Nome da entrada 
para o porto de Santos. 

Quando não tinha maior conhecimento 
do systema das denominações em tupi, 
escrevi que Gnarapinumã era corrupção 
de Guirá-pixuua, «pássaros noctívagos», 
que ali abundariam e ainda abundam. 
Hoje, porém, tornou-se-me manifesto o 
erro daquella explicação. Gnarapinumã 
é corruptela de Guâá-ri-pè-nêmã, «ca- 
minho de voltas e revoltas para a en- 
seada». De guâá, «enseada», ri, ex- 
primindo communicação, pè, «caminho», 
nêt/iã, «voltas e revoltas». 

Allusivo a ser de muitas voltas e 
revoltas o canal. 

Guarapiranga. — Antiga aldêa de 

Guayanaxes, nas immediaçôes do iociil 
em que é a actual cidade de S. Paulo, 
parecendo que era para os lados do 
municipio de Santo Amaro, pois que o 
rio Mhoy-gnassú é também conhecido 
por Guarapiranga, 

O nome Guarapiranga é dado ao rio 
Mboy-guasòú aó em seu principio e 
até certa extensão, ao receber a affluen- 
cia do Mboy-mirinu Corruptela de Ou- 
iri-apir-â-nga, «cabeceiras empinadas». 
De gu, reciproco, iri, «rio», apir, «prin- 
cipio», formando iri-apir, «cabeceira de 
rio», ã, «empinar», com o suffixo nga 
(breve), para formar supino. 

Allusivo a nascer na serra Paraná- 
piacába, também conhecida por Oubatão; 
e dahi em forte declive até a planide. 

Também em alguns documentos an- 
tigos o nome Guarapiranga é dado, tal- 
vez por confusão, ao logar e rio Ipi- 
ranga, 

Tratando-se de uma aldêa, o systema 
das denominações era diverso: em al- 
gumas nações, os chefes tomavam os 



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nomes de animaes, e estes nomes eram 
os das respectivas aldêas. 

Segundo Martius, Gloss, Líng, Brás,, 
guarapira?iga significa «guará verme- 
lho». Mas, como denominação da es- 
pécie, seria um não senso attribuido ao 
indígena. Embora seja certo que, nas 
duas primeiras idades, a ave marinha 
guará é branca, e depois preta, é não 
menos certo que, sendo vermelha a sua 
cor natural, quando já completamente 
formada, o indígena, sempre tão intelli- 
gente e correcto nas denominações, não 
commetteria o erro de dizer «guará ver- 
melho». Assim, pois, não pôde preva- 
lecer o significado de Martius. 

Talvez Gnatapiranga fosse allusivo 
ás três araras rermelhas, vivas, que, 
pousadas sobre um ramo secco, á en- 
trada da oca, eram as armas régias de 
que o chefe da nação Guaganax usava, 
segundo o affirmam as chronicas: — Gti- 
ára-pirã-nga. O nome desta ave é 
onomatopaico: ára é o grito delia, e, 
só pela repetição, é formado ára-ára, 
contrahído em ar^-ara; pira, «ser ver- 
melho, avermelhar, colorado como san- 
gue», com» o accrescimo nya (breve), 
para formar supino, precedido de gu, 
reciproco. 

De outro modo não ha explicação para 
Guarápiranga, como nome de aldêa. 

GuarapÓ. — Aflluente do rio Sorocaba, 
pela margem esquerda: no município 
de Tatuhy. 

GuarapÓ, corruptela de Quâr-apó, «sal- 
tos e poços». De quãr, «poço, bojo, 
buraco», apó, «saltar». 

Allusivo a ter o leito muito acciden- 
tado, com saltos e poços. 

Guarapocáía.— Praia, na ilha de S. 
Sebastião: no município de Villa Bella. 

Oiiarapocáia, corruptela de Quâr-a- 
pógca-ayè, contrahído em Quâr-a-pógc*- 
ayé, «arremesso e muito estrondo». De 
quâr-a, «arremesso, golpe», póg, «es- 
trondar», levado ao su|)ino pelo accres- 
dnio de ca (breve), ayè, «muito». 

Allusivo á constante e forte arreben- 
tação de ondas do mar nessa praia. 



Guararáu— Affluente do rio Ta7nan^ 
duaifhy, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de S. Bernardo. 

Gu-ar-ar-á, «torcido, e ladeador». De 
gu, reciproco, para exprimir successão 
do facto, á, «torcer». 

Allusivo a ser muito sinuoso. 

E' um córrego. 

Guarararú.— Morro notável na cor- 
dilheira que, de norte a sul, divide em 
duas vertentes a ilha Guaimbê ou de 
Santo Amaro: no municipio de Santos. 

Pequeno rio que nasce naquelle morro 
e desagua no canal Bertioga, 

Guarararú, corruptela de Qnár-a- 
rirú, «tem buracos». De quár-a, «bu- 
raco, bojo, poço», riiiX, para exprimir 
«ter, conter». O i de rirú tem som 
guttural: e, para uns soa como a, para 
outros como ti, 

Allusivo, quanto ao morro, a ter em 
baixo cavernas e no alto buracos; e 
quanto ao rio, a ter peráus. 

(Vide adiante o nome Guaranihú). 

Guararema.— Affluente do rio Pa- 

rahyba, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Mogy das Cruzes. 

Guararema, corruptela de Gu-ar-ar- 
*è'ma, «de queda em queda ao sahir». 
De qu, reciproco, ar, «cahir», repetido 
para exprimir a successão do facto, he, 
<^sahida», com a apheresis do h por ser 
antecedido de uma consoante, e tomando 
a forma de gerúndio, pelo accrescimo 
do suffixo ma (breve), para significar 
«ao sahir». 

Allusivo a ter Íngreme o leito, com 
um pequeno salto e cachoeiras, ao fazer 
barra no rio Parahyba, 

Guararuhú.— E' o mesmo morro, na 
ilha de Santo Amaro, já retro descripto 
sob o nome Gtmrararú: no municipio 
de Santos. 

Antigas chronicas o nomeiam Guará- 
ruhú; e isso não destoa do outro nome 
Guarararú, exprimindo um volcão apa- 
gado ou extincto, desde longas eras. 

Guararuhú, o mesmo que Guará-ru- 
hã, «revolvido interiormente como (yie 



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arquejando por vomitar». De guará, «re- 
volver», r?/, «revolução interior», hú, 
«arquejar por vomitar». 

Mas, hoje é conhecido por Ouarararú. 

(Vide o nome Giiarararú) , 

Guaratan. — Aftluente do rio liape- 
tiniuga, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Itapetininga. 

Gu-ar-atd, «ambas as margens a pru- 
mo». De gn, reciproco, ar, «lado, la-- 
dear», atã, «erecto e teso». Esta pala- 
vra alã 6 apócope de iaiâ. 

Nada tem este nome com a arvore 
gnaràtan, podendo, entretanto, abundar 
em suas margens. 

Guaratínguetáu— Cidade situada á 
margem direita do rio Farakyba, 

Guaratingueiá é o nome do affluente 
do mesmo rio Parahyba, pela margem 
esquerda; o qual nasce na serra da Man- 
tiqueira e traz o nome Taquaral, cor- 
ruptela de T-áquã'ára-à, contrahido em 
T-a(in'-ar^'à, «muito corredor». De t, 
relativo, áquâ, «correr», levado ao par- 
ticipio activo pela partícula ára, e á, 
«muito». 

AUusivo a ter grande correnteza, por 
ser Íngreme o leito. 

Gíuiratiugneiá, corruptela de Quár- 
a-tjj-tig-etá, «muitos poços e arrecifes». 
De qúár, «poço, fojo, buraco», com o 
accrescimo de a (breve), por acabar em 
consoante, ty, «ponta», ug, intercalação 
nasal, etá, «muitos». 

Allusivo a ser muito encachoeirado, 
com arrecifes e poços. 

Mas, uma lagoa, acima da fóz desse 
ribeirão, C(íberta de guapê, de mu^^^o, e 
tendo um kilometro de extensão, é deno- 
minada Guáâ-rè-ytú-uga-etá, por con- 
tracção, Guàd-rè-Jfíú-ug^-elãj «enseada 
separada, com muitas manchas». De 
guâà, «enseada», rè o mesmo que ê, 
«separada, á parte», yíúy «ser sujo, ter 
manchas», levado ao supino pelo ac- 
crescimo nga (breve), por ter pronuncia 
nasal, etá, «muitos». ^ 

Allusivo a ser uma 'enseada que foi 
separada do rio Parakyba, suja de guapê^ 
musgo e limo, á superfície das aguas, e 
de detritos vegetaes no fundo. 



Segundo a tradição indígena, era por 
ahi o antigo leito do rio Parakyba; 
depois tor.iou-se em enseada; e esta, 
afinal, foi separada do rio, formando 
lagoa. O nome corresponde á tradição. 

« 

Guaratúbau — Rio que nasce na serra 
marítima, e corre de norte a sudeste, 
para desaguar no oceano: no municipio 
de Santos. 

Segundo Martius e outros deturpa- 
dores da lingua tupi, Guarntúba signi- 
ficaria «abundância de guará». Mas, o 
indígena era muito iutelligente, para que 
cogitasse disso. 

Ha também com o nome Guaratúba, 
no municipio de Iguape, um pequeno 
rio que nasce no morro Caiobá, e des- 
agua no rio Ribeira de Iguape, formando 
á fóz uma lagoa. 

Guaraíúba, corruptela de Ou-ar-aiy- 
bae, «erectas ambas as margens». De 
gn, reciproco, para exprimir as duas 
margens, ar^ «lado», afy, «levantado, 
erecto, a prumo, em montão», bae (breve), 
para formar participio. O som áo y é 
guttural. 

Allusivo a correr entre barrancas ere- 
ctas. 

Guarayúva. — .PeJra superposta ao 
morro Lo]}o, 

(Vide os nomes Guarayúva e Lopo) 

Guarehy. -Affluente do rio Capiva- 
ry, pela margem direita: no municipio 
de (iapivary. 

Affluente do rio Parauapanema, pela 
margem direita: no municipio de Gua- 
rehy. A' margem esquerda deste rio, e 
em uma elevação, está situada a villa 
do mesmo nome. 

Guarehy, corruptela de Gu-arê-i, «tar- 
do perseverantemente». De ^w, reciproco, 
arêj «ser tardo, vagaroso, lento», i, pos- 
posição para exprimir perseverança. 

Com eíTeito, nessa região, «o solo apre- 
senta-se em geral pouco accidentado, 
apenas com as depressões produzidas 
por erosões proporcionaes ao volume 
d'agua dos rios, como sóe acontecer 
n'essas formações de sedimentos hori- 
zontaes», segundo o Relatório da Com- 



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missão geographica e geológica da pro- 
vinda de S, Panlo, 

No rio Ouarehy, em seu leito, têm 
sido encontradas madeiras fosseis e schis- 
tos carbonosos pretos. 

Em um mappa, o rio Guarehy appa- 
rece como affluente do rio de Santo 
Igmieio, no municipio de Tatuhy. Mas, 
é erro. Este rio Santo Ignaro corre 
no municipio de Rio Novo. 

Guaripocába.— Morro, a sete kilo- 
nietrus da cidade de Bragança: no mu- 
nicípio deste nome. 

Alguns escrevem erradamente Oua- 
rapocába, 

Ou-ãn-pó-quâ-baej de que Ouaripo- 
cába é corruptela, significa, «o que é atado 
de alto a baixo». De gu^ reciproco, 
ári^ csobre, cima», p6^ «saltar», empre- 
gado, porém, para formar a locução ou 
adverbio gu-ári-pó, «de alto a baixo», 
quâj «atar, cingir», com a partícula bae 
(breve), para formar participio, signifi- 
cando «o que é». 

Ailusivo á sua inteiriça structura gra- 
nítica. 

Guaripú. — Afiluente do rio Sapucahy, 
peia mai^gem esquerda: no municipio 
de Batataes. 

Ou-ári-pú, «ruidoso de alto a baixo». 
De gu-ári, «de alto a baixo», pi^, «ruido». 

Ailusivo a fazerem barulho as suas 
aguas, quando descem do monte, de salto 
em salto, de cachoeira em cachoeira. 

Guarujáu — Praia, na ilha Giiaimbê 
ou de Santo Amaro: no municipio de 
Santos. 

Ouantjá, corruptela de Ou-ár-yyâ^ 
«abertura de um ao outro lado». De 
gu^ reciproco, ár^ «ladear», yâ, «abrir, 
gretar, rachar», precedido de y, relativo. 

Os verbos ár e j/a, estando no infi- 
nitivo sem casO; significam a acção geral, 
«lado» e «abertura». 

Ailusivo a existir ahi, em um morro, 
que se prolonga até o mar, uma espé- 
cie de gruta, communicada para ambos 
08 lados. 

O morro é denominado Ytapú. De 
yiá^ «pedra, morro», púg, «arrebentar» : 



significando «morro arrebentado ou fu- 
rado», ailusivo á gruta. 

Guarulhos (Conceição dos). — 

Villa próxima da cidade de S. Paulo, 
distando apenas três léguas, mais ou 
menos. 

Foi ahi um aldeamento de indígenas, 
trazidos para aquelle logar em 1560, 
depois da derrota que soffreram em Pi- 
ratininga (S. Paulo). Por isso, foram 
desde então conhecidos por Gn-arú-bo, 
«trazidos». De r/w, reciproco, am, «tra- 
zer», bo (breve), para formar supino e 
ao mesmo tempo exprimir o modo de 
estar. 

Não eram, pois, indígenas cuja nação 
se denominaria Guarulhos; nem em tupi 
ha a lettra / e muito menos Ih. 

Guassahy. — Campo extenso, nos mu- 
nicípios de Cotia e de S. Roque. 

Guassahy, corruptela de Gu-açái-ii, 
«esparzido e duro». De gu, reciproco, 
açaí, «esparzir, estender», ii\ «duro, rijo, 
apertado». 

Ailusivo a ser um vastíssimo campo 
secco e duro. 

Os portuguezes traduziram isso em 
Vargem Grande, São, porém, extensís- 
simas campinas. 

Guataparáu— Afiluente do rio Mogy- 
guassú, pela margem direita: no muni- 
cipio de Ribeirão Preto. 

E' abaixo da barra do ribeirão Mofn- 
búca. 

Guatapará é a denominação de um 
pequeno veado, que habita os cerrados 
de beira-campo. Por ter os cornos assas 
pesados e em desequilíbrio com o ta- 
manho do corpo, o indígena assim o 
nomeou Guatapará, contracção de Guaiá- 
apara, «anda a cahir com o peso». De 
guaiá, «andar», apara, «cahir por causa 
própria, cahir com o próprio peso;». 

Mas o nome desse ribeirão nada tem 
com o pequeno veado. 

Guatapará é corruptela de Gu-ytápá- 
lá, «dique granítico levantado, de uma 
á outra margem». De gu, reciproco, para 
exprimir o facto em relaqão ás duas 



GUA 



104 



GUA 



margens, yiápá, que alguns dizem cor- 
ruptamente itaipdva^ «logar de pedrax>, 
rá^ «levantado». 

Allusivo a ser encachoeirado, e com 
saltos. 

Guatemy.— Morro ou serrote, entre 
08 muuicipios de Jundiahy e Itatiba. 

Ouaiemy, corruptela de Gu-aley-rna-i, 
contrahido em Gn-atey-m^-i^ «perseve- 
rantemente frouxo». De gu,, reciproco, 
para designar as duas faces do morro, 
atey^ ^vser frouxo», com o suffixo ma 
(breve), para formar supino, í, posposi- 
çâo de perseverança, para exprimir que 
o facto se dá em toda a extensão do 
morro. 

Allusivo a ter porosa e desaggregada 
a terra. 

Guatinga.— Lagoas, nos municípios 
de Jacarehy e de Lorena. 

Ouafiuga, corruptela de Ouâá-ty-iiga^ 
«enseada atada». De guáá^ «enseada», 
ty^ «atar», com o suffixo nya (brevo), 
para formar supino. 

Allusivo a serem saccos, onde as aguas 
represadas, no tempo da secca, formam 
lagoas. 

Affluente do ribeirão Taiaçupéva, entre 
os municípios de Mogy das Cruzes, de 
Santa Branca e de Jacarehy. 

(Vide o nome Coatingn), 

Grande várzea, no continente, banhada 
pela maré, por detraz da ilha (hianiqué: 
no município de Santos. 

Serrote, que forma o fundo desta 
várzea, fechando-a. 

Os indígenas davam a legares vários 
na mesma região, nomes idênticos ou 
quasi idênticos no som, mas diferentes 
no significado. 

Guatinga, nome da várzea, é corru- 
ptela de Giiaá-ty-nga, «enseada atada». 
De giiaâ, «enseada», /?/, «atar», com o 
suffixo nga (breve), para formar supino. 

Allusivo a ser como um sacco. 

Guaiinga, nome do serrote, é corru- 
ptela de Gu'haty'7iga, «pontuda»: su- 
pjno de haij/, «ter ponta». 



Guavirotúba,— Affluente do rio Ati- 
baia, pela margem esquerda: no muni- 
cipio de Atibaia. 

Já li Guarirotúba; mas, é erro. 

Segundo o systema de Martius e de 
outros, Guarirotúba significa «abundân- 
cia de guaíriroba» ou «abundância de 
guaLiroba>. 

Gitairiroba é uma palmeira, cujo pal- 
mito é amargo. De airi, «palmeira», 
precedido de gn^ reciproco, irób^ «amar- 
go», completado por um a, por acabar 
em consoante. 

Guabiroba é um arbusto e arvore do 
campo, cujo fructo amarello é saboroso 
quando bem maduro. Ha muitas espé- 
cies. Da familia das Asperífoliceas; e é 
conhecida na sciencia por Cárdia roden- 
difolia. Não deve ser confundida com a 
guabirába, da familia das Myrtaceas; a 
qual pertence ao género Abbevillia: seu 
fructo é superior em gosto á gnabirába: 
além de ser produzido em arvores altas 
e bem copadas, nas provindas septen- 
trionaes do Brazil. 

Nada tem, porém, o nome deste ri- 
beirão com a palmeira, cujo palmito é 
amargo, nem com a saborosa fructa gua- 
biroba, 

Giiavirotúba é simplesmente corru- 
ptela de Gu-abirú'iúi-bae, «o que re- 
ilúe formando em si mesmo barriga». 
De gu^ reciproco, abirú, «barriga, re- 
cheio», tút, «refluir», bae (breve), par- 
tícula de participio. O b foi mudado 
em V pelos portuguezes, por vicio de 
pronuncia. 

Allusivo a ter o leito mais baixo do 
que o nível das aguas do rio Atibaia, 
nas enchentes deste; de sorte que suas 
aguas encontram resistência, e refluem, 
alagando-lhe as margens. 

Guavirutúba.— Morro, ao oeste da 
serra Itaberaba: entre os municípios de 
Nazareth, de Mogy das Cruzes e de 
Conceição dos Guarulhos. 

Figura nas divisas dos municípios su- 
pra referidos como Cabrcúra, 

(Vide o nome CabreiívaJ. 



GUA 



105 



GUA 



Ouarirtitúhay corruptela de Ott-abir- 
yiy-to, «de poma elevada». De gtf, re- 
ciproco, abir, «elevar, levantar, alçar», 
yíy, «ponta», bo (breve), correspondendo 
ao gu, reciproco, para exprimir o modo 
de estar. 

Allusivo á ser grosso na base. t^^ndo 
porém no cimo uma ponta que se aíina 
e se eleva. 

Guaviruúva. — Âffluente do rio A- 
roupava, pela margem direita: no niu- 
nicipio de Iguape. 

Guavirtiúvay corruptela de Gn-abirit- 
ú'bo, «cabelludo e sujo». De gu, reci- 
proco, correspondente ao bo (breve) final, 
para exprimir o modo de estar, abirú, 
«ter cabello, cabelludo», ii, «ser sujo, 
limoso, resvaladiço». O primeiro i de 
tf tem som guttural, segundo a regra 
do padre A. R. de Montota. em sua 
Arte de la lengua guarani. 

Allusivo a ser entupido de eapim- 
gtiassú, cujas pontas apparecem sobre a 
agua; e a ter iundo charcoso. E' con- 
siderado rio morto. 

Morro, no município onde nasce o rio 
Piroupava e o ribeirão Guaviruúva^ seu 
afllaente. 

Os indígenas eram engenhosos nas 
denominações; e, sempre que na mesma 
região podiam empregar nomes cujo som 
fosse. idêntico ou quasi idêntico, embora 
com significações diversas, preferiam taes. 
numes. 

Assim, Guaviruúva, como nome do 
morro, soando embora como o do âf- 
fluente do Piroupava, é corruptela de 
Gu-aOirú-ii-bo, «barrigudo e resvaladi- 
ço-j. De gu, reciproco, correspondendo 
a bo (breve) final, para exprimir o modo 
de estar ou a qualidade, abirú, «ter 
barriga, inchar», n, «resvalar, ser li- 
moso, sujo». O primeiro i de ii tem 
som guttural. 

Allusivo a ser grosso, e escorregadio 
por causa do limo. 

Este morro é também conhecido pelo 
nome Gipuvúra, corruptela de Oy-pi-ii- 
rô, <tào liso que se põe escorregadio». 
De cy, «liso», pi, «pé», ií, «resvalar», 



rd, partícula que significa «põr-se, tor- 
nar-se», exprimindo também a qualidade 
da cousa. 

Guaxatuba.— Pico, ao sul da villa 
Cabreúva, pertencente á cordilheira pa- 
ralella á Japy, á margem direita do rio 
Tietê. 

Guaxatuba, corruptela de Qu-achy- 
ty-bae, «ponteagudo e liso». De gu, 
reciproco, achy, «ser liso, resvaladio», 
fy, «apontar, ter ponta», levado ao par- 
ticipio pelo accrescimo de bae (breve), 
exprimindo «o que». Guttural o y. 

E' granítico este pico; e tem a alti- 
tude de 965 metros. 

Allusivo á sua forma lisa e pontea- 
guda. 

Guaxinduba— Ribeiro, que nasce 
na serra marítima e, correndo na direc- 
ção mais geral de norte a sul, desagua 
no oceano: no município de Caragua- 
tatuba. 

Ribeirão, que nasce no serrote Far- 
tura e, reunido ao do Machado, vão 
desaguar no Rio do Peixe, pela margem 
direita: no município de S. José dos 
Campos. 

Ribeirão, que nasce da serra Japy, 
dando seu nome a esse logar, e desa- 
gua no ribeirão Caruru: nos municí- 
pios de Cabreúva e de Itú. 

Guaxiudúva, corruptela de Gu-achy- 
7idú'bo, «deslisa-se aos saltos». De gu, 
reciproco, achy, o mesmo que ey, «des- 
lisar, resvalar, escorregar», 7uiú, o mes- 
mo que iú, «saltos», mudado o / em 
nd, por causa do som nasai de achy, 
com o suSixo bo, para exprimir o modo 
de estar. 

Allusivo ás lindas cascatas e quedas 
(fagua que esses ribeirões fazem ao ca- 
hirem das serras em que nascem. 

O do município de Caraguatatúba tem 
saltos e cachoeiras. 

O do município de S. José dos Cam- 
pos tem três quedas, de 5 a 6 metros 
de altura cada uma. 

O do município de Cabreúva apre- 
senta uma linda cascata. 



GUA 



106 



GUA 



Morro, entre os miinicipios de Jun* 
diahy e de Parnahyba. 

Guaxiridúba, corruptela de Gu-achy- 
ndií-bOy «sujo e resvaladiço». De gu, re- 
ciproco, achy, «resvalar, escorregar», nd, 
intercalação por causa do som nasal de 
achy, ti, «sujo»^ bo (breve), para expri- 
mir o modo de ser^ qualidade, condição. 
O ii tem som guttural. 

Alhisivo a ser limoso e lamacento, e 
portanto escorregadio. 

Já li Caxinduva; mas é corruptela. 

GuaxingU.— Extensa várzea entre os 
munícipios <le Sorocaba e de Tatuhy. 

Guaxiuyúy corruptela de Guàá-chy- 
ng-ií, «enseada suja e escorregadia». De 
guâdj «enseada», achy, o mesmo que 
cy, «escorregadio, lúbrico, resvaladiu», 
gn, intercalação nasal, n, «sujo, man- 
chado», com pronuncia guttural. 

Allusivo a ser lodosa esta várzea. 

E' várzea do rio Sorocaba. 

Cachoeira no rio Sorocaba: no muni- 
cípio de Tatuhy, e na mesma região da 
várzea supra descripta. 

Giiaxingú, corruptela de Gu-aã-ng-n, 
«atalho em resvaladouro». De gu^ reci- 
proco, para exprimir de uma á outra 
margem, at\ «atalhar, rodear», ng^ in- 
tercalação nasal, n, «resvalar». 

Allusivo a ser ahi um dique com tào 
forte desnivelamento, que, para muitos, 
é mais um salto do que uma cachoeira. 

Lagoa, em um campo, entre os mu- 
nicípios de Sorocaba e de Campo Largo. 

Guazirigú, corruptela de Ga-att-ng-n, 
«resvaladio em seu redor». De gu, re- 
ciproco, aii^ trodeiar, atalhar», yig^ in- 
tercalação nasal, n, «resvalar». 

Allusivo a serem escorregadias as suas 
margens. 

Guáxo. — Affluente do Rio Pardo, 
peia margem direita: entre os municí- 
pios de Santa Barbara e de Santa Cruz 
do Rio Pardo. 

Guáxo, corruptela de Gu-áchy, «res- 
vâJâdJo^. De gu, reciproco, achy, «es- 



corregadio, resvaladio, lúbrico». O // é 
guttural e breve. 

Allusivo a ter lodo e limo no leito. 

Guaybê, ou Guaimbê.— Nome da 

ilha, á que os portuguezes deram o 
nome de Sanio Amaro, a nornoroeste da 
de S, Vicente: no município de Santos. 
Tem a extensão de cinco léguas e a 
largura de três, ou 30 kilometros de 
comprimento e 20 na maior largara, 
mais ou menos. Foi doada pelo Rei de 
Portugal a Pêro Lopes de Souza em 
1534, com o nome Guahybé. 

Nada tem o nome desta ilha com 
qnaí-imbé, por contracção, quaWtnbé, 
«cipó de amarrar». De quai, «cingir, 
amarrar, atar», inibê, «cipó»: arbusto 
da família das Aroideas,- conhecido na 
sciencía por Aram. 

O padre A. R. de Montoya, em seu 
Tesoro de la levgua guarani, escreveu 
Guembé. 

Bem examinando o caso, verifiquei que 
esse nome é corruptela de Quni-i-mb-é, 
«separada por ter sido cortada». De 
qua% «cortar», com 7, por accrescimo, 
para exprimir neste verbo a causa, mb, 
intercalação nasal da pronuncia de quai-i, 
segundo a refira ensinada pelo padre 
A. R. DE MoNTOYA, cui sua Arte de la 
íeugua guarani, é, «á parte, separada í>. 

Allusivo a ter sido cortado do conti- 
nente este pedaço de terra, que forma 
a ilha; e Bertioga, corruptela de Mbiri- 
óc-ó' ga, «furo pequeno ou cava por aííçào 
exterior», corresponde ao nome Quav-l- 
mb'é, dada á ilha pelos indígenas, man- 
tendo a tradição de que o mar em 
tempos antigos, forçara a terra e abrira 
esse canal. 

Guayra. — Nome attribuido a um 
grande salto no rio Paraná, 

Digo —attribuido — porque Giuzyra é 
corruptela de Gu-hair-a, «sígnal de li- 
mites, raia». De gu, reciproco, hair, 
com o accrescimo de a (breve), por aca- 
bar em consoante, «limitar, raiar, raia». 

As reducções de indígenas, formadas 
no século XVII pelos padres da Com- 
panhia de Jesus, e destruídas pelos Pau- 



GUA 



.107 



GUI 



listas em 1628-1634, trazem mal esse 
nome; salvo para assignalar que haviam 
sido estabelecidas dentro dos limites do 
dominio de Portugal, desde a margem 
direita e quasi á fóz do rio PíquirL 

O rio Para?iá, logo que, aguas abaixo, 
é deixada a ilha denominada das Sete 
Quedas, forma o salto, por estreitar ahi 
seu leito a serra Mnrncajú, atravez da 
qual se despenha inimediatamente em 
sete quedas. 

Alguns têm escripto Guoyrà, e outros, 
Guayrá, 

Eu mesmo, em minha obra Algumas 
Notas Genealogiras, nâo podendo expli- 
car tal nome como de reducções ou al- 
deiamentos, soccorri-me ao Guára^ «mo- 
rador», escrevendo ainda erradamente 
Goàra, Despropósito somente justificá- 



vel pela ignorância da lingua tupi, então 
que tal escrevi. 

Guirra.— Afiduente do Rio do Peixe^ 
pela margem direita: no municipio de 
Patrocinio de Santa Izabel. 

Guirra^ corrupção de Gni-ii-ra, «res- 
Viilar, resvaladiço», intercalação ^mgúira^ 
«a parte inferior, o baixo, o fundo». 

Allusivo a ter no leito pedras tão 
lisas e cobertas de limo, que é difl5cil 
andar ahi sem resvalar. 

Tem este ribeirão varias corredeiras; 
e poços, no fim de cada corredeira. 

A intercalação de ura verbo em outro, 
ou de uma palavra em outra, é uma 
das construcçdes mais difficeis da lingua 
tupi, pela necessidade de evitar a syn- 
chyse, isto é, a confusão ou o não senso. 



H 



Hepacaré. — Nome t]i|»i da reíriào, 
que comprehende os inunícipios de Lo- 
rena e de Cruzeiro, marginando o rio 
Parahyba. 

(Vide o nome Lorena). 

Outros dizem que a região com esse 
nome era deste Taubaté até Lorena; 
más não o creio. 

E' simplesmente também um não senso 
dizerem e escreverem que Hepacaré sig- 
nifica «logar das goiabeiras». 

E esta e outras bernardices são attri- 
buidas estupidamente aos indigenas. . . 

Hibapaára.— Logar, á margem di- 
reita do rio Sarapuhy, mencionado em 



um documento de 14 de Julho de IGOl 
como tapera, 

Hibapaára, corruptela de Ib-apá-á^ 
«ramo torcido e quebrado». De í6, «ar- 
vore», apá, «torcer, torcido», eí, «que- 
brar». 

Allusivo ao costume que os indigenas 
têm de assignalar, por meio de ramos 
torcidos e quebrados, a rota que seguem, 
nas mattas, e mesmo nos campos, quando 
ha arvores para isso; a fim de que ou- 
tros os possam seguir ou elles possam 
voltar ao mesmo logar de onde subi- 
ram. 

(Vide o nome Poá). 



I 



lariqué. — Affluente do rio Tietê, pela 
margem direita: no município de Mogy 
das Cruzes. 

lariqué, corruptela dè Yân-iquê, «en- 
trada larga». De yàri, «lar^o», iquê^ 
«entrada». 

AUusivo a alagar-se em sua fóz. 

Ibaté. — Morro, entre os municípios 
de S. Roque e de Araçariguama. 

Ibaié, «alto». Portanto, no nome foi 
supprimida a palavra caá, «monte, mor- 
ro». 

Caá-ibaté, «morro alto». 

Ibiacica. — Nome de logares em vá- 
rios pontos da província. 

Ibiacica significa «terra cortada». De 
íbi, «terra», ari, «cortar^^. com o suf- 
íixo ca (breve), para formar supino. 

Allusivo aos cortes feitos pelas chuvas. 

Nos terrenos baixos e alagadiços esses 
cortes, alargando-se, são denominados 
çayig-a, «esparzido», no infinitivo, com 
o accrescimo de a (breve), por acabar 
em consoante. 

Ibibobócau — Nome de bairros, em 
vários pontos da província. 

Ibibobóca significa <.< terra rachada em 
mais de um logar, gretada, ou mesmo 
simplesmente porosa», por isso que bóg 
está repetido, exprimindo plural. De ibi, 
«terra», bóg, «rachar, fender, gretar», 
levado ao supino pelo accrescimo de ca 



(breve), formando bógca, ou simplesmente 
boca, na repetição. 

Os indígenas denominavam e ainda 
denominam ibibobóg, ou mesmo ibibo- 
bóca^ uma cobra que não mata ou não 
venenosa, de que ha varias espécies no- 
táveis pela belleza de suas escamas. 
Quem affirma qua tal cobra não mata, 
é o padre A. R. de Montoya, em seu 
Tcitoro de la iengua guarafii, onde, com 
referencia á palavra 7nboij menciona va- 
rias qualidades deste reptil, e seus ver- 
dadeiros nomes em tupi. 

Mas, o nome destes bairros da pro- 
víncia nada tem com a cobra Ibibobóca^ 
segundo deixei acima explicado. 

Ibícába. —Logar próximo á cidade 
de Limeira: no município deste nome. 

Ibicába, corruptela de Ibi-quà-ába, 
por contracção, Ihi-quà-ba, «logar de 
buracos, socavões, fojos». De ibi, «terra», 
quâ^ «buraco, socavão, fojo», ába, par- 
tícula para exprimir logar. 

Allusivo a não ser plana essa região. 

lbirapoera« — Aldeiamento dos indí- 
genas, no logar que é hoje villa de 
Santo Amaro. Foi fundada em 1560, 
pouco mais ou menos, pelo padre José 
Anchieta. 

Ibirapoera, corruptela de Ibirá-ptiêra^ 
«páu podre». De ilirá, «arvore, pau, 
madeira», pnêra^ o mesmo (\ue cttêra^ 



IÇA 11 

teral é «o que foi arvore, o que foi 
páu, o que foi niadeira». 

Allusivo a eststir então nesaa regiSo 
muito pâu podre, próprio para leuha. 

Ibitinga.— Serrote, no município de 
Arsraquara. Ha ahi a povoação, hoje 
freguezia deste noitie. 

Ibitingn, «terra funiaceDta>. De ibi, 
(terra>, li, *fumo, vapor», com o sufBxo 
íiga (breve), para formar supino. 

Ibituruna. — Morro, DO municipto de 
Paniahjba; fronteiro aos contrafortes 
orientaes da serra S. Frani-Uio. Tem 
3 fama antiga de ser aurifrro. 

E' o mesmo liolvnina e Votitruna. 

{Vide o nome liohiruun). 

Icanhema. — Pequeno córrego na 
ilha de Santo Amaro: no município de 
Santos. Desagua no canal que de Santos 
vai á Barra Grande. 

Icanhema, corruptela de Ycae-ma, *sec- 
co, enxuto». De y, relativo, caè-m, tsec- 
car, enxugars, com o accrescimo de a 
(breve), por acabar em consoante; ou 
càè-mo, em supino. 

Allusivo a seccar em certas estações 
do anno. 

Icapára.— Enseada ou bnna, que 
commuQica a parte septcotrionai do Mar 
Pequeno com o oceano, em Iguapc. Tam- 
bém alguns escrevem mais incorrecta- 
mente Capara. 

Icapára, corruptela de Y-guáâ-apá- 
ára, por contracção Y-gtiãâ-'pá-'ra, «en- 
seada tortuosa». De y, relativo. ff»âd, 
«enseada», apd, «ser torto, torcer, en- 
tortar, voltear», levado ao participio pelo 
accrescimo do verbal ára. 

Por causa das areias movediças nésia 
enseada, as aguas, no fluxo e rfHuxo das 
marés, formavam um escoadouro de leito 
instável e sempre tortuoso; e, por isso, 
os portuguezes traduziram em «Canal 
Torto» o nome Y-guãa-'pá-'ra. 

Içara.— Afihiente do rio Gnararettia, 
pela margem direita: no município de 
Mog;}- das Cruzes. 



Içara, «pequenino córrego, charro, ou 
rego d'agua». 
Outros escrevem apenas Içd. 

Icaveta. — (Vide o nome Careta). 

Iconha.— Pequeno rio que nasce no 
morro Ararapira e desagua na bahia 
Trapande. 

Iconha, corruptela de Iqnê-o-ã, con- 
trahido em Iqu'-o-ã, «lados empinados» 
De iquè, «lado, costa», o, reciproco, para 
exprimir as duas margens, à, «empinar 

Igreja-Velha. — Barrancas altas, 
margem direita do rio Paranajmucitia, 
entre as cachoeiras Ilaipara e Aparado. 
Ahr o rio se estreita, ficando com a lar- 
gura somente de 25 metros. 

São de barro einarelladu, cortadíis 
quasi a prumo, deixando v8r listas ver- 
ticaes de oxydo e ferro, produzidas pela 
acção das aguas do monte. A mais ele- 
vada é de cerca de 25 melros de al- 
tura. 

Por isso, o indígena assignalou-as com 
o Dome Y-gttâr-tVí-é, «muitas listas dif- 
ferentes». De y, relativo, guâ, listas, 
manchas», cíí, «muitos», é, «differente, 
diverso, distincto». Por excesso de con- 
tracção, Y-gu'-ã\-é, foi operada a cor- 
rupção Igreja-Velha. 

A explicação de apresentar a mais 
alta barranca o aspecto de um antigo 
edifico em ruínas, produzindo na ima- 
ginação religiosa do povo a idéa de uma 
igreja em tal estado, nSo tem razão 
de ser. 

Iguape. — Cidade situada no littoral. 
próximo á fóz do rio Ribeira de Iguape. 

Não tem tal nome a minima referen- 
cia á /^-ii<í/)ê, significando «rio de uápé*, 
de ig, tÚQi.iiápê, arbusto aqiiutico, cujas 
folhas redondas sobrenadam nos rios, ri- 
beiros e lagoas, e cujas flores são bran- 
cas, tocadas da vermelho ou de roxo. 
Naquella região deve existir este ar- 
busto; mas, disso o indígena não cogi- 
tou para denominar aquella região lit- 
toral. 

Muito menos procede a significação 
, que 4e Iguape Aft^i ít«i. Erímgisco dob 



IGU 



111 



IGU 



Prazeres Maranhão, em seu Glossa- 
rio de palavras indígenas^ dizendo ser 
«logar alagadiço»! 

Aquella região littoral era denomi- 
nada Y-guâd-i-pe, «na enseada». De y, 
relativo, guâá, «enseada, barra», í, pos- 
posição qae, para explicar partes de sitio 
ou logar, e significando «em», deve ser 
sempre acompanhada de pe (Í3reve), se- 
gundo o ensina o padre A. R. de Mon- 
to ya, em sua Arte de la lengua guarani, 

^ AUnsivo a ter sido situada a povoa- 
çfio ou aidêa, primitivamente, mesmo em 
frente á barra Y-guâd-^pá^-ra; sendo 
transferido posteriormente para o local 
actual, segundo consta do livro do tombo 
da camará municipal. 

Acerca da cidade de Iguape, então 
ainda villa, o conseliíeiro Martim Fran- 
cisco Ribeiro de Andrada, em seu 
Diário de uma viagem mineralogiia pela 
provinda de S, Paulo no anuo de 1805, 
escreveu: «A villa de Iguape está si- 
tuada em uma planicie, que é continua- 
ção das margens da Ribeira ao sul, e 
está nas margens do chamado Mar pe- 
queno^ que é como um braço de mar 
de outra barra que tem a villa mais ao 
sul: esta é muito baixa, de maneira que 
não podem entrar embarcações, e mesmo 
a da Ribeira não admitte embarcações 
grandes carregadas; e é pena, porque 
as difficuldades são na entrada, e no 
restante da Ribeira ha bom funtlo para 
toda a casta de embarcações. Agora pro- 
jectam encanar a Ribeira com o Mar 
pequeno, a fim de trans[íortar os arro- 
xes até o porto da villa: temo somente 
que a pouca queda das aguas não frus- 
tre esta pretençào, visto a pequeua dif- 
ferença de nirel.,. Antigamente tra- 
balhavam muito na construcção de em- 
barcações, ramo que tem diminuído, talvez 
pela nenhuma bondade das madeiras^^. 

Referindo esta ultima parte do trecho 
transcripto que, no porto de Iguape, 
«antigamente trabalhavam muito na con- 
strucção de embarcações», e sendo corto 
que os portuguezes denominavam ribeira 
«a parte da margem de um rio em que 
66 fabricam navios:^, é licito acreditar 
que o nome do rio não foi corrompido 



senão depois que, pela identidade do 
som da palavra, transportaram para o 
mesmo rio a denominação Ribeira de 
Iguape, dada ao porto. A verdade é 
que, quer nas tradições locaes, quer em 
alguns mappas feitos na província, é 
ouvido e lido o nome Rio da Ribeira 
de Iguape: o que exclúe a idéa de terem 
os portuguezes denominado ribeira um 
tão grande rio, a não ser por corrupção 
do nome em tupi Arêb-tjêrè-iguâá-pe, 
coincidindo no som com o de ^ Ri- 
beira de Iguape, 

(Vide o nome Ribeira de Iguape). 

A cidade de Iguape é notável pela 
romaria ao Senhor Bom Jesus, no mez 
de Agosto de cada anuo. Eis como o 
conselheiro Martim Francisco, em seu 
Diário já citado, descreveu a origem 
desta devoção: «Fui ver uma pequena 
casa de banhos, onde se lavou o Senhor 
Bom Jesus, imagem muito milagrosa, no 
geral entender da plebe, para cuja festa 
concorre immensidade de povo da capi- 
tania e de fora a cumprir promessas, 
ou a pedir o sare de diversas enfermi- 
dades que padece. . . A dita casa é de 
figura octaedrica, e sobre as oito faces 
assenta como um hemispherio: ella está 
próxima a um morro, que fica detraz 
da villa: delle correm por muitas bar- 
rocas regatos de boa agua...: á su- 
perficie deste morro observam-se blocos 
de uma rocha granítica, algum já de- 
composto. . . Fui correr a continuação 
dos morros, que ficam por detraz da 
villa e se prolongam até a barra, e nel- 
les não achei novidade alguma: .«empre 
as grandes massas da mencionada rocha 
granítica, desarrumadas. Esta rocha for- 
ma pelo seu desarrumamento barrocas 
a cada passo, por onde correm regatos 
e cachoeiras abundantes em aguas, das 
quaes tem a geme do paiz sabido tirar 
proveito, estabelecendo engenhos d^agua 
de pilar arroz». 

Segundo consta do livro do tombo da 
matriz velha de Iguape, o reverendo 
Christovão da Costa e Oliveira, vigário 
da vara daquella comarca, em visita por 
ordem do bispo diocesano, ahi escreveu 
em 22 de OwVxifeTQ íi.^ Yl*^^, 'íy.'^ Vi^^v 



IGU 11 

çCes populares acerca desla Imagem, as 
(liiaes, sem as palavras e iiarnu.-òeb imi- 
teis, stlo: «Que, em 1U47, dois imiios 
bo(;aes achanmi. rolando com as ondas, 
na praia do /"//(?, junto ao rio chamado 
I'iissnúna, um viill.o, e, tirando-0, o le- 
varam para o limite da mesma praia, 
onde, em citva, o puzeram de pé cmii u 
rosto para o nascente, e assim o deixa- 
ram ™m um caixão que divisaram ser 
de c6rB do reino e umas botijas de 
azeite doce; ijue, voltando depois ao 
mesmo logar, nutdram rgiie o dtto vulto 
estava oom o rosto para o poente, e 
uAo acliarati) veslígius de que pessoa 
liuniana o pudesse virar; que, sabido o 
yasd por visiiihos, estes resolveram tirar 
K Imagem e conduzil-a au )K>nto mais 
alto du monte Juréa, de onde Jorge 
Serrano e sua mulher Anna de Góes, 
seu lilho Jorge Serrano e sua cunhada 
Oecilia lie (íóes. revesnndo-se. a trans- 
portaram até a barra do rio clianiudo 
Itiheira dir Ignape, onde fôramos mo- 
radores d'aquella villa buscar a Sania 
Imagem, e. trazeudo-a com muito Reata- 
mento, a puxeram no rio a que chamam 
boje. rom muito grande aleí;ria, a Fonta 
do iSfíiAoí', para lhe tirar o salitre e 
íer escarnada de novo. . . e. ronsegiiitido 
u ornato, a coHoairam nVsta igreja da 
Senhora das Neve», «m que está. aos 2 
d« Norembro de 104", conforme as- 
sento de um curioso, tirado de outro 
mais antigo; que também era tradi^9o 
que a Santa Imagem do Senhor Itom 
JeAUS vinha do remo de Portugal, em* 
barcatla para Pernamhtieo, e que, en- 
oonlraado o navio outro de inimigos 
infiéis, lau*;anim «>»: úv navio portuguex 
t S*nia Imagem ao mar para nfto ser 
tomada ..>. 

Kstv doriimeotu foi trans^cripto iul< 
pralmente por Axhveih) Marques, tu 
AfMMlaimenUif llixlorúw. OftH/ntfiMini.*. 
ItH^rtifiiiink-', K-tiitiiítifwi r XatÍrtiva> 
Ja yrorÍ**ria dr .<. /íit/m ciHU «fwçn- 
rà «o Uiin») Igittff. 

O prDjwlo do oanal, a quo o «mis»- 
Ikcint Uartim t'RA!tri!ico »e nferia, 
irau^iyto, fi^ raálbado; «, 
crtu, com CQit* 



1MB 

de três kilometros de ext«nESo, foi 
mada uma povoação, ora denomã« 
Porta dn Ribeira. Ha, porém, reclja 
ções contra lai canal, que a[neai;a ilr 
truir uma ponte lia ciilade, sem liat 
compensação do resultado que era aij 
mento para sua abertura. 



Iguatemy. — Affluente do rit 
Toucinho, pela margem direita, e 
do rio Trernemlié, pela margem esqnui 
no município de íi. Paulo. 

Affluente do rio Atibnta, pela 
gem esquerda: no municipio de 
pinas, J«nta-se ao Jardim. 

Igtialeunj, corruptela de ígaú-dt 
ttia-i, por contracção tgaú-alt^-m':. 
«perseverantemente frouxo e lamaceotl 
De igaú. «lama, resíduos de agnaSi i 
tritos, sujeira», ftfcg. iser frouxo>, 
vado ao supíuo pelo sufliio ma (breu 
í. posposiçSo de perseverança, 

AUusivo a ser muito lento em 
curso, ou pouc^ corrente, e 
de lama e de detritos em sea li 

O primeiro é dos ribeiros ^att, 
tendo da serra Cniitarrira. conal" 
os mananci.ies derivadas para u at 
cimento de a^ua da cidade de S. ' 

O segundo it um dos ribeiros 
vados para u forneciruentu de 
cidade de Campinas. 

Iguatlnga.— Enseada, no raunicipq 
de Igunpe Y,' também conhecida pOI 
/yiyõii dm ltil<Kf. E' i margem direíM 
do rio llitifira dr lijuapt; pruxima 
Dlorru ('nioM. 

iguntinga, corruptela de T-gtiaá-tf 
nga. «eospada de rio. presas. Da 
•rí«>, giêaá. «enseada», /y, «atar, pn 
der>. com o suãixo ttga (breve), pi 
formar snpino. 

AUuaivu a ser uma enseada, por ' 
conimunica^o tvm o rio Rtdeim de fy 
fK. piT um canftl: mas dcvet ser úM 
por uma lagi.°ta. por isso qae (• qiiaáf» 
duda, sendo pusdaâ as aguas, com Ml 



lfnbaiá.~Enseada, oa saeco, oi 
de S. Scl>&^iiio: no inaaicipiu de 
BelU 



í 



IND 



113 



IPA 



O nome vulgar é «Sacco do Imbaiá». 

Imbaiá, corruptela de Y-mbaê-á^ «co- 
Ihedor de cousas». De y, relativo, mbaê^ 
«cousa», á, ^colher». Ò padre A. R. de 
MoNTOYA escreveu Mbatd, 

Os ramos, com que atalhara os rios 
e as enseadas para a pescaria, são caá- 
mbaíá. Portanto, o nome Imbaiá é al- 
lusivo ao facto de presta r-se a esse 
modo do pescar. 

Imbanhy.--E' o mesmo rio Embaú, 
afiluente do rio Parakybn, pela margem 
esquerda: entre os municípios de Bo- 
caina e de Cruzeiro. 

(Vide o nome ErnbaúJ. 

Dizer Martius, em seu (iloss. Ling. 
Brás,, que o nome tupi deste ribeirão 
é «rio de cipó», é simplesmente um não 
senso. E tupi é a mesma palavra cipó, 
que se escreve cy-póy «vara ou caule 
liso», isto é, sem ramos. 

Indaiá. — Affluente do no Parahytinga, 
pela margem esquerda: no municipio de 
Natividade. 

Indaiá, contracção del-nd-aí-á, «altos 
e baixos e arrecifes». De í, «ter em si», 
wd, intercalação por ser nasal o verbo 
anterior, e para ligal-o á at, csaliencia», 
a, «cabeça, pedaços pequenos de qual- 
quer cousa». 

AUusivo a cachoeiras e pontas de pe- 
dra no leito. 

IndaláL —Corredeira, no rio Mogy- 
guassú. 

/-wd-aí-a, taltos e baixos, e torcida». 
De í, «ter em si», wrf, intercalação para 
ligar o verbo á ai, «saliências», d, «tor- 
cer». 

Allusivo a ter saliências e a fazer 
curva. 

Indaiatuba. — Villa, situada em uma 
elevação alguns kilometros distantes da 
margem direita do rio Jundinhy, 

O nome provém da abundância da 
palmeira pequena indaiá. 

Indaiatuba, corruptela de Indaia-tib-a, 
«logar de indaiá^, A palavra tib-a «lo- 
gar natural», é guítural 



Com o nome hidaiaiúba ha também 
um bairro no municipio de Sorocaba. 

Indaiaúba— Praia, na villa de S. 
Sebastião: no municipio de Villa Bella. 

Indaiaúba, corruptela de I-nd-aiúá- 
ii-bae, «escorregadio por ter limo». De 
?, «ter em si», nd, intercalação para 
ligar aquelle verbo á aiúá, «limo», íí, 
«resvalar, escorregar», com a partícula 
bae (breve), para formar participio, si- 
gnificando «o que». 

Inferno. — Affluente do Rio Grande, 
pela margem esquerda: no municipio do 
Carmo da Franca. 

Inferno, corrupção de Y-yérè, «rodo- 
moinhos». De i, «agua», yM^ «volta». 

Allusivo a ter constantes rodomoinhos. 

A razão desta corrupção foi o facto 
de existir, também affluente do Rio 
Grande, outro ribeirão, cujo nome é 
Anhanguêra. 

(Vide o nome Anhanguêra). 

Em summa, este ribeirão nada tem 
com o inferno. 

Ha também no municipio de Santa 
Rita do Passa Quatro um ribeirão, de- 
nominado Inferno, affluente do 
pela margem . Este nome 

é a mesma corrupção do anterior. 

Inhoahyba. — Serra, no municipio de 
Sorocaba. Alguns a suppõem prolonga- 
mento da serra S. Fra7icisco; mas é 
de formação diversa. 

Inhoahyba, corruptela de Y-nhõzaib-a, 
«malmente isolado». De y, relativo, wM, 
«só, isolado», aib-a, «malmente, imper- 
feitamente». 

Allusivo a ser realmente uma serra 
diversa da S. Francisco; e, não obs- 
tante, parecer que é prolongamento desta. 

Esta serra se compõe de um mineral 
raicaseo e unctuoso, em quartzito; ao 
passo que a serra S. Francisco é um 
massiço granítico, como bem o diz seu 
nome, completamente corrompido. 

(Vide o nome S, Francisco). 

Ipanema.— Affluente do rio Soro- 



IPE 



114 



IPI 



municípios de Sorocaba e de Campo 
Largo. 

I'pa7iê'7na, «rio estéril, ou sem pres- 
timo-j. De /, «agua, riu», pane, «ser es- 
téril, sem préstimo», com osuffixo ?)ta 
ou mo (breve), para formar supino. 

Segundo o padre A. R. de Montoya, 
em seu Tesoro de la lengua (jiiarani, 
I'pane significa «rio sem peixe». E este 
significado o deu Martius, em seu Glcss, 
Liug, Brás., e, pois, esta vez acertou. 

Com effeito, a proximidade das minas 
de ferro deve determinar naturalmente 
a esterilidade desse curso d'agua. 

Ipatínga.— Lagoa, cujo maior diâ- 
metro é de 30 metros, formada em ter- 
reno de campo, entre o ribeirão liaji- 
guá e o ribeirão Ipanema. 

Ipatinga^ por outra, I-pá-íy-vga, si- 
gnifica «logar d^agua», pá, o mesmo 
que pába, «logar», ty, «atar, prender», 
com o suflBxo nga (breve), para formar 
supino. 

Não é ítípá, «logar de agua podre». 

Allusivo a ser esse logar um grande 
reservatório de agua. 

Iperó. — AfiQuente do rio Sarapuhy, 
pela margem direita: no municipio de 
Campo Largo de Sorocaba. 

Iperó, corruptela de I-pi-rõ, «rio de 
fundo revolto». De ^^ «rio», pi^ «cen- 
tro, rõ, «revolver». De um rio fundo 
dizem os indigenas ipígttarú, 

A principio suppuz fosse corruptela 
de I-pa-rá, «rio de fundo nao liso^>. De 
i, «rio», pi, «centro», m, «não liso, não 
igual, com altos e baixos». E, então, 
tive occasião de verificar que a pal.ivra 
peráu, con)o designativa de «buracos no 



formacHo geológica é grez, schistos e 
calcareos silicosos carboníferos; e as 
aguas, correndo sobre terrenos dessa 
natureza, abrem cavidades, que sào os 
taes perdas, e sobre essas cavidades as 
mesmas aguas se revolvem em ro<lo- 
moinho. 

I piranga.— Affluente do rio Taman- 
dualchy, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de S. Paulo. Celebre por ter 
sido ás suas margens que o Principe 
Regente D. Pedro, depois Imperador, 
ergueu o grito da independência do Bra- 
zil, em 7 de Setembro de 1822. Era 
o commandante da Guarda de Honra, 
que assistiu a este facto memorável, o 
coronel António Leite Pereira da Gama 
Lobo, avô de mmha mulher. E' um di- 
reito meu recordal-o. 

Affluente do rio Parahybuna, pela 
margem esquerda: no municipio de S. 
Luiz de Parahytinga. 

Affluente do rio Tieié, pela margem 
esquerda : no municipio de Mogy das 
Cruzes. E' um pequeno córrego. 

Affluente do rio Parahyba, {)ela mar- 
gem direita: no municipio de Pinda- 
monhangaba. 

Rio que nasce na serra maritíma e 
desagua no oceano: no municipio de 
Caraguatatuba. 

Rio que nasce na serra marítima e 
desagua no oceano: no municipio de 
Ubatuba. VJ mais conhecido pelo nome 
Ipiranyaiiihn. 

Ipirdmja, corruptela ou antes, con- 
traceno de V-pi-rá-à-aga, ^^ leito desi- 
gual e empinado». De //, relativo, pi, 
<'Centro. íuiuio;., rd, «desigual, nâo ni- 
velado», ^7, <^enipinar», com o suffixo 



fundo dos rios e das lagoas», é de uri- 1 ///yr/ (brevej. i)ara formar supino. O pa- 



gem tupi; e não vem de prrma, em 
francez, como o escreveu Moraes, em 
seu JJiccionario da Ungaa porta(/ar\a. 

Em todo o caso. quer seja J-pi-rõ, 
quer fosse I-pi-rd, o nome exprmiiria u 
mesmo facto; porque os perdas sào a 
causa do fundo revolto, formando alii 
ãs aguas rodowoinhos. 



(ire A. U. DE Montoya, em seu Tesoro 
de la le/ajaa guariDii, dá gaiatna como 
suffixo deste verbo. Erro. 

Nada tem, porto nto, estes ribeirões e 
cónego com «agua vermelha í> ou «rio 
vermelho». O indígena não teria com- 
mettido este não senso. 

Peduo Tx.q.\j¥.^, w'^ Noòi(iarcfeia Pau- 



Com effeito, a zona em que tem seuilistana, retenw^o-^^ ^ ^QçxvK\^\!kVCi'$. vsx- 
cujdo este ribeirão é a de terrenos, cu3a\Ugos, Olqwovwywvi lUjvtrauija v^ ';í^m^\!.\j 



IPO 



IRA 



do ribeiriSn Taiiirniiliintphii : o (jni» ine- 
Ihor coiitirma u significado, giorque iíi 
significa «arrojarí. (*) 



dâBdc de £i. Paulo, Isvmdu vm ^7 de Julho de I7<;U, 
autm HHTlplo: . . .••; para a ti"'' ilo cuininlu) de í^aiitiM 1 



Iporanga.— Afllueuie d» lio liilniiti 
de If/Hfíjie. \w\a, iiiarjíCLii psnuenla: no 
niimid)iíu de Ijioriíti^it. O nome da villu 
Iporaiii/a jirovém do lieste riljeirâo. 

Com este nome iia tanil>eni utn pe- 
queno córrego no uuiiiiciíiio de Santos. 

Ipormtga significaria irio fiirmosu». 
De í, *rio, agua», /lorang, «formoso, 
ornado, agradável», com o accrescimi] 
de a (breve), jior aciíbar em consoanle. 

Mas, não se irala de I-poraiiij-a, «rio 
formoso»; sim de Y-pér-a-ã-iiyii, seni- 
pinado e com saltos*. De y, relativo, 
pór-a, «salto, qiiéda», (7, i-empinar», com 
o suftiico nga (breve), para formar su- 
pino. Contiahido em Y'pór''ã-vga. 

O padre A. R, de JIontoya, em seu 
Tesoro de la Inigna guarani, dá por 
supino deste verbo gniavm. E' mani- 
festo erro: isso poderá ser tudo menos 
sapino. 

Allusivo a descer em forte declive, 
como que empinado, formando saltos, 
cascatas, cachoeiras. Corre mesmo entre 
rochedos caloareos mui altos, empinados 
e lisoij. 

Um riu, assim descendo, deve ser 
realmente «formoso*; mas disto o indí- 
gena não cogitou. 

Um poucu ahiiixo das cabeceiras do 
affiuente do rio Uibcirn tir Iguale exisii' 
uma gruta ou Ui>a denominada de Srinlo 
António. Eis como a descreveu o consp- 
Iheiro Martim Francisco Kibkiro de 
Andrada, no seii lUnrn) dl' itMti ria- 
çem 7iiineralog/ca peíii /nDiii/rifhdr S. 
Paulo no anno de ISO.J, já (vitado : 
«Continuei a minha digressão pelo ri- 
beirão de Yporauga acima até chegar 
á gruta st-aíactilira deiimiiinatla Lti/ia de 
Sa/tto Anioiíio, que fica á direita no 
ribeirão do Sumitloiiro, o qual corre de 



um monte também á direita, onde so- 
mente existem restos de antigas lavras. 
Não só nesta gruta, mas também em 
todos OK morros á esquerda, e mesmo 
cm suas faldas, se acham bancos de 
pedra ealtarea secundaria, cortados por 
veios de spatlio calcareos, dos quaes no 
tempo das grandes chuvas se destacam 
l>orvõ(-s, que vem entulhar então os ri- 
beirões. No veio da agua, porém, só se 
observa a fonnaçSo pondinguica, que 
assenta sobre uma argilla schistosa, cha- 
mada pelos práticos do paiz piçarra fo- 
lliinla. Esta gruta tem quasi a direcção 
de oesnoroeste sudoeste; por baixo delia 
corre o dilo ribeíríío Sumidonro, cujas 
a^uas áHn frigidissioias, minando os ditos 
bancos calcareos, e alguma agua que 
transuila por ellcs, e que forma as bellas 
stalactiies, altt-ndiveis pela sna brancura, 
purfZii, esplendor e fractura spathica. 
Na parte superior da estrada vê-se como 
dous óculos de igreja, e logo no prin- 
cipio um coro rendado e ornado de uma 
série de pyramides stalactiticas: do lado 
esquerdo faz a lapa como um sacco, e 
do direito, mais para o interior, eolum- 
nas entrecortadas, e outras porções como 
de avelhantados edifícios, sobre os quaes 
obrou a mão inexorável do volúvel tempo. 
Do lado esquerdo, em cima, ha peque- 
nas grut-as ou recôncavos, retiro de in- 
felizes, e, em baixo, furnas, aonde talvez 
vem acoiilar-se fracos aniinaes persegui- 
dos de foras. Enifim, aqui tudo é ma- 
gestoso, tudo é grande*. 

Acima de suas cabeceiras, ha minas 
de chumbo, isto é, a cal toma a cõr 
azulada com velos brancos. 

Irãribá. — Uma das cachoeiras que 
formam o rio Ure/ahiniirindú/jã : no 
niunicipiu de Ubaluba. 

Além desta cachoeira, ha as de nome 
I'nitii e J'/aixis. 

(Vide os nomes 1'ratn e Piabas). 

Iniribá. corruptela de Ar-arib'-á, «cor- 
tado de alto a baixo». De ar, «cahir, a 
haixo-, ciribo. «de alto», (composto de 

lOU l(Ú, ■-COVVAt, \.S\\\W». 



IRI 



116 



ITA 



Âllusivo a formar um desnivelamento 
quasi a pique, produzindo grande es- 
trondo a queda das aguas. 

Iriguassú.—Aftluente do rio Para- 
hyba, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Gaçapava. 

Iríguassú ou hii-gtiaçú, «rio que 
inunda». De ím, «rio que baixa», ^rwaç^, 
«largo, grande». 

Âllusivo a alagar -se extraordinaria- 
mente. 

Iríriáía. — Serra, lagoa, ribeirão, braço 
de mar: nos municipios de Gananéa e 
de Iguape. 

(Vide o nome Aríriáia), 

Iríribú. — Serra, no município de Ga- 
nanéa. 

Iriribú, corruptela de Yryr-ibiy, «bai- 
xa e successivamentc cortada». De yr, 
«cortar», repetido para exprimir a suo- 
cessão ou a continuidade do facto, ibiy, 
«baixa, pequena». 

O iy tem som guttural. 

Âllusivo a ser escalvada; e, por baixa, 
muito diversa das outras montanhas pró- 
ximas^ 

Também dizem no legar Yr-yr-iy, 

I ri ri piranga.— E' o nome tupi do 

rio Casqueiro: no município de Santos. 
A' margem daquelle rio ou braço de 
mar, os indígenas formavam aldêa nas 
estações próprias, em que desciam a 
serra Parafiapiacaba, para fazerem as 
provisões de mariscos e de peixes. E 
essa aldêa tirava do rio o nome. 

IHripiranya^ corruptela de Irú-ri- 
pira-nga, «dous juntos, avermelhados». 
De irâ, «companheiros», n, posposiçào 
para significar «simultaneidade, juncção», 
pira, «ser vermelho, avermelhar, colo- 
rado como sangue», com o accrescimo 
nga (breve), para formar supino. 

Não é, portanto, «vespa vermelha», 
como o pretendeu Martius, em seu 
Gloss, Ling, Brás,; mas «ostra verme- 
lha», ou porque as duas conchas sejam 
avermelhadas, ou porque o marisco pro- 
duza a famosa tinta purpura. 



Itá.— Serrote, á margem esquerda do 
rio Bibeira de Tguape, ramificação da 
serra marítima: nos municípios de Iguape 
e de Paranapanema. 

Itá, corruptela de Hetà, «aparado». 

Âllusivo a ser achatado no cimo. Ape- 
nas mostra um morro com ponta, vul- 
garmente denominado Pico; mas é se- 
parado do serrote, e é de terra, sem 
pedras. 

Deste serrote, para o lado do rio Ri- 
beira de Iguape, nasce o ribeirão Ifá, 
cujo nome anda trocado por Elá. 

(Vide o nome Elá), 

Os indígenas usavam dar a vários le- 
gares, na mesma regifio, nomes quasi 
idênticos no sem, significando porém 
diversamente. 

Assim, o serrote é Hetá, e não líá: 
o ribeirão, ao contrario, é Yytáj e não 
Eiá. Na corrupção têm sido trocados. 

Itabaquara.— Affluente do ribeirão 
Embaú, pela margem esquerda: entre 
os municípios de Lorena e de Cruzeiro. 
Nasce na serra Mantiqueira, 

Itabaquara, corruptela de Iletá-ba- 
quara, «muito corrente». De hetá, «mui- 
to», baqiuira, «corredor, corrente». 

Âllusivo a ser veloz em seu curso. 

Antes da sua affluencía, o ribeirão 
Embaú é Piquete. 

(Vide o nome Piquete). 

Itaberába.— Serrote, entre os muni- 
cípios de Nazareth e de Gonceição dos 
Guarulhos. 

Já li escripto Ituveraraf 

Outros escrevem Itaverava. E', porém, 
corrupção portugueza, trocado o 6 em r. 

Itaberába, corruptela de Ytá-berà-bae, 
«pedra que brilha». De ytá, «pedra, pe- 
nha», bera, «brilhar, resplandecer», cora 
bae (breve), para ferroar participío, sig- 
nificando «o que». 

Âllusivo a que, sendo escalvado, deixa 
ver o brilho de micaschistos, áfi crystaes, 
e de quartzos e quartzitos vários que a 
formam; e no alto delia, diorites des- 
pontados. 

Itaberába.— Affluente do rio Ba^^u- 
[rnmt, i^e\a^ m^i%<^m dvx^vta.: entre os 



ITA 



117 



ITA 



municípios do Conceiçtlo dos GuaruUios 
e de Mogy das Cruzes. 

Itaberaba, corruptela de Ild-abi-rá' 
bacj contrabído eui liá-bi-rá-bae, «de- 
sigual^ desDÍvellado^ formando degraus». 
De iúíy «estante, degrau», aW, «desi- 
gual», ra, «sera nivel», />flr^ (breve), para 
formar partícipio. 

Allusivo a ser successivamente enca- 
choeirado, com degraus. 

Itacoéra. — Aftluente do rio TieU\ 
pela margem esquerda: entre os muniei- 
pios de S. Paulo e de Mogy das Cruzes. 

liacoéra não é «buraco de pedra», 
como o escreveu frei Francisco dos 
Prazeres Maranhão, em seu Glossá- 
rio. Para significar «buraco de pedra», 
deveria ser Ytá-quârn. 

Itacoéra, corruptela de Yiá-iqriv-ru^ 
cmargens graníticas». De ytá, «pedra», 
iquêy «lado, costado», rú, «companheiro», 
para assignalar referencia aos dous lados 
ou ás duas margens. 

Allusivo a correr entre morros gra- 
níticos. Seu leito é formado de lages. 

Alguns pronunciam liá-kêr-a; mas é 
a mesma cousa. Os indígenas do rio 
Amaxanas e as nações que delles pro- 
\ieram não usam muito do u em se- 
guida ao g ou ao q. 

Tenho, porém, minhas duvidas se Ifd- 
coéra é o nome desse curso d^agua. 
Considerado relativo o y inicial, resta 
Tacúéra, «aldôa que existiu»: de iáb-a, 
«aldêa», cúéra, partícula de pretérito. 
A palavra iab-a, em certas composições, 
prende sempre a ultima svllaba. Os in- 
digenas do norte do Brazil usavam e 
usam tapera, ou íap-éra, o mesmo que 
tdf-uéra ou contracção de ta-pii/*ra, 
pois que púéra é também partícula de 
pretérito, mudado o r de ctUra em p. 

Sem duvida, nesse logar existiu al- 
guma aldêa; e, entào, a palavra V-tacúéra 
foi applicada ao ribeirão. 

Itacolumé. — E' outro nome dado ao 
Iguaiemy. 

(Vide este nome). 

Itacolumé, corruptela de I-tacú-roi- 
iméf contrabido em I-iacú-roi-' mé, «agua 



nem quente nem fria». De i, «agua», 
tactl, «quente», ror, «frio»,íwíí, negação. 
Allusivo á sua agua tibia. 

Itacolumi.— Murro granítico, no mu- 
nicípio de S. Roque. 

Ilacohnni, corruptela de Ytá-cumbi, 
<? pedras pequenas, cascalho». 

Allusivo a ser predominante na for- 
mação deste morro o cascalho. 

Não haja confusão com montanhas e 
picos nas províncias de Minas Geraes, 
Rio de Janeiro e Maranhão, nem com 
o extenso baixio na província da Bahia, 
cujos nomes andam também corrompi- 
dos em Itucolumi, mas são Y-táquà-a- 
ro-nií, «pontas que se occultam, umas 
ás outras». De y, relativo, iáquâ, «pon- 
tas», anã, «esconder, occultar», com a 
intercalação de ro, para exprimir reci- 
procidade. Por contracção Y-iaqu^-a- 
ro-ml, 

Allusivo a ter vários picos, occultan- 
do-se uns aos outros, nas montanhas; 
e, no baixio, a mesma cousa, sendo de- 
siguaes os rochedos cujas pontas se 
mostram acima da superfície das aguas. 

Itácuá. — Praia marítima, em Ubatuba. 

Yiá'cuá, «cintura de pedra». De ytá, 
«pedras^, cuá, «cintura, meio entre os 
extremos». 

Allusivo a estar essa grande pedra 
no meio da praia, como que cínturan- 
do-a. 

ItacuraçáL— Campos e terras, no mu- 
nicípio de Cunha. 

Ilacuraçá, corruptela de Ytá-curú- 
açáty por contracção Ytá-cur^-açát, «pe- 
dregal esparzido». De yiá-airú, «pedre- 
gal», açài, «estender, esparzir». 

ItaCU russa.— Lagoa, na ilha Car- 
doso: município de Cauanéa. 

Itaciinissd, corruptela de I-tacú-roi- 
çá% «agua quente, no verão». De i, 
«agua», tacú, «quente», roi, «frio», çái, 
«cessar»; sendo que roi-çái, significa 
«cessação do frio» ou «verão». 

Com eifeito, a agua desta lagoa, um 

\ pouco IVXTN^, è \fe^\àa. ^>KWX!\.^ ^ ^^^L^^, 



ITA 



118 



ITA 



Alguns a consideram rio, porque, em 
certas occasiões, rompe os cômoros de 
areia e faz barra para o oceano; e, en- 
tão, esvasia-se tanto, que os pescadores 
apanham á mão os peixes, quasi em 
secco a debaterem-se. 

Itacurutíba.— Planalto, além do ri- 
beirão Tatuapêj ao lado da margem di- 
reita deste: no municipio de S. Paulo. 
E' no caminho da Penha de França. 

Ytá-cum-tib-a, «cascalhai». De yiá- 
eurú, «cascalho», Hb, «logar das cousas 
por natureza», com o accrescimo de a 
(breve), por acabar em consoante. 

Allusivo a ser alli deposito natural 
de cascalho. 

Divide as aguas dos ribeirões Tatuupé 
e Aricanduva. 

Itáguaçába.— Aífluente do rio Para- 
hyba, pela margem direita: entre os 
municípios de Silveiras, de Arêas e de 
Queluz. 

Aftluente do rio Tietê, pela margem 
direita: entre os municípios de Tieté, 
de Capivary e de Piracicaba. 

Outros escrevem Ilagaçaba, 

Ilaguaç/iba, corruptela de Yíá-qúa- 
caba, «pedra lurada». De ytá, «pedra», 
qua, o mesuío que qúa7j «ter buraco», 
mudado o r final em (?, conforme a lição 
do padre Luiz Figueira, em sua Arte de 
gramvmtip.a da língua brasiliea, quando 
ha necessidade de usar do verbal ába, 
para exprimir o instrumento, o modo, a 
causa, o intuito, a occasião, o logar, com 
referencia á acção do verbo, soando caba. 
Do mesmo modo o r final do verbo é 
mudado ein ç, quando para exprimir o 
que faz a cousa, ha necessidade de for- 
mar o participio presente com a partí- 
cula ára^ soando çára. 

Allusivo a terem rompido montes ou 
penedos para desaguarem. Ao principio, 
as aguas teriam furado o monte, sob o 
quaj se escoariam; no decorrer do tempo, 
porém, a parte superior ao furo ter-se- 
hia esboroado, ficando este a céo aberto, 
somente entre altas penedias. 

Itaguapuá. — Pedras ou penhascos 
empinados, entre a estação do Lageado 



e a povoação denominada fíartiel: no 
municipio de Mogy das Cruzes. 

Itaguapuá, corruptela de Ttá-áqúá- 
puã, «penhasco empinado». Deytá-áqúd, 
«penhasco», puã, «empinar, levantar». 

Com eflFeito, ha nesta região n)uitas 
pedras grandes, levantadas ou empinadas. 

Itaguassú. — Affluente do ribeirão 
Po/í, pela margem direita: no municipio 
de Mogy das Cru? es. 

Itaguassú, ou Yta-guaçú, «penedo, 
pedra grande». De ytá, «pedra», jf?mfú, 
«grande, enorme». 

Allusivo a nascer em um penhasco 
cujo nome é mesmo Itaguassú, correndo 
depois sobre pedra de afiar até á fóz. 

Itaguassú. -Praia, na ilha de S. 
Sebastião: no municipio de ViNa Bella. 

Ytá-guaçú, «penedo, pedra grande». 
De ytá, «pedra, ipenh2i», guaç^á, «grande, 
enorme». 

Allusivo a existir ahi uma penedia, 
que se projecta sobre o mar. 

Itaicy.— Morro pedregoso, que força 
o rio Jufuiiahy a mudar bruscamente 
do direcção: entre os municípios de 
Jundiahy e de Indaiatuba. 

Itaicy, corruptela de Yiã-y-ci, «penha 
despedaçada». De ytá, «pedra, penha, 
morro granítico», y, partícula que pre- 
cedida do verbo neutro significa «se». 
Cf, «despedaçar, fazer pedaços»: isto é, 
«penha que se despedaçou», com refe- 
rencia á acção própria da cousa. 

Allusivo a ser uma penha que se 
derrocou, espalhando em redor milha- 
res de pedras de todos os tamanhos e 
formas. 

Itaim.— Afifluente do rio Tieté, pela 
margem direita: no municipio de Itú. 

Affluente do rio Tieté, pela margem 
direita: no municipio de Mogy das Cruzes. 

Affluente do ribeirão Jacuiií^ pela 
margem esquerda: no municipio de S. 
Paulo. 

Affluente do rio Parahytiytga, pela 
margem àix^W.^. ^uU^ q^^ xxvx^sim^vçi^ ^^ 



ITA 



119 



ITA 



Affliiente do rio Juqtnry, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Parna- 
hyba. Em seu i)rincipio tem o nome 
Caju. 

(Vide o nome Cujú). 

Afiluente do rio Unay pela margem 
esquerda: no municipio de Taubaté. Em 
suas cabeceiras o nome é Baracéa, 

(Vide o nome Baracéa), 

E outros. 

Itaim, corruptela de 17á-7, «ter pe- 
dras». De yiá, «pedra*, ?, «ter em si 
alguma cousa:». 

Com effeito, esses três ribeirões são 
pedregosos, isto é, correra sobre pedras, 
e têm vários saltos, em todo o seu |)er- 
curso. O primeiro affluente do rio Tiefé 
tem, próximo á fóz, os principaes saltos. 

Itaipava.— Corredeira, no rio Para- 
napanema^ logo abaixo do salto Ttá- 
pticú. 

(Vide o nome líapucú, salto). 

Itaipava, corruptela de Ytá-paba, «lo- 
gar de pedras, arrecifes, baixios». 

Ha ahi entre os arrecifes, um canal 
único, estreito e Íngreme, com corren- 
teza violenta. A descida é perigosa; 
mas a subida é impossivel para canoas 
carregadas. 

Itaipé. — Legares nas serras, era que 
ha planos superpostos, uns aos outros 
até o cume, formando como escadaria 
em amphitheatro. 

A serra maritima é assim em vários 
logares. 

Iiá'ipê, «muitos planos apoiados uns 
sobre outros». De ttá, «armação, estan- 
tes, pilares, em geral o que se apoia 
em outros», ipê, «muitos». 

Itaípú. — Ponta granitica que fecha a 
barra grande de bantos e de S. Vicente, 
pelo lado do sul. 

liaipú, corruptela de Ytd-apiy, «ponta 
de pedra». De ytáy «pedra», apiy, soando 
apú, «ponta, ponteagudo». 

AlJasIvo ã ser um promontório gra- 
joitíco. 



Itaitúba.— Lngôa, no municipio de 
Iguape. E' á margem esquerda do rio 
Ribeira de Iguape, 

Ilaitúba, corruptela de 17rt-//i-a, «lo- 
gar de conchas». De ytã, «concha», //i, 
para exprimir logar peculiar de cousas, 
com o accrescimo de ^í (breve). O i tem 
som guttural. 

Mas, ytã neste nome não é qualquer 
concha; é a grande, com a côr e o bri- 
lho da madrepérola. Serve de colher; 
por isso os indígenas, ao verem a co- 
lher, disseram logo ytã. 

Com efifeito, nessa lagoa abundam as 
conchas grandes e brilhantes. 

Itajubá. — Afifluente do rio Una da 
Aldêa, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Iguape. 

Não se trata de ytá-yú-hob-á, «pedra 
amarella que dá folhas e grãos», ou 
simplesmente ytá-yú, «pedra amarella», 
como os indígenas nomeiam o ouro. De 
ytá, «pedra», yú, «ser amarello», hob, 
«folhas», a, «grão, cousa corpórea, pe- 
daço de metal, fructo, cabeça, inchação». 
Por contracção, Ytd-yú-^ob-á. 

Itajiíbáy nome deste affluente do rio 
Una da Aldéa, é corruptela de 17á- 
iupá, «pedras e lagoas». De ytáy «pe- 
dra», iupd, «lagoa». 

Allusivo a ter muitas pedras no leito, 
e a formar lagoa em vários logares. 
Corro em terreno charcoso; mas é veloz 
na correnteza. 

Itambé. — Morros da serra Malta- 
Grosso: no municipio de Batataes. 

Morro, entre os municípios de S. Luiz 
de Parahytinga, de Natividade e de Pa- 
rahybuna pela freguezia do Bairro- Alto; 
servindo-lhes de divisa o alto delle. 

Itambéy corruptela de Ytd-mb-Py «pe- 
nha oca». De ytd, «pedra, penha», mb, 
intercalação nasal, ?, «oco, concavo». 

Allusivo a terem grutas e cavernas. 

Itambé.— Cascata lindíssima, no mu- 
nicipio de Cunha, a 3 V2 léguas da ci- 
dade. 

mudado o p ^m b \^x ^'^x^^'^ ^^ ^^"^ 



ITA 



120 



ITÁ 



nasal de am, formando, por contracção, 
HeV-am-hé^ «muitos degraus». De heiá, 
«muitos», ow, «em pé, erecto, perpen- 
dicular», pé^ «esquina de pedra, de ma- 
deira, etc», 

O ribeirão que a forma, traz o mesmo 
nome Itambé. 

E' em linha recta, em degraus ou 
pequenos saltos, na extensão de 200 
metros mais ou menos. O ultimo salto 
tem a altura de mais ou menos 50 me- 
tros. Do primeiro ao nivel do ultimo a 
altura é de 250 metros. 

Itamombúcau— Rio que nasce na 
cordilheira marítima, e desagua no ocea- 
no: no município de Ubatuba. 

Itamombúca, contracção de Ytá-mo- 
mbúgca^ «pedra furada de ambos os 
lados». De yiá^ «pedra», viomlnigca, 
«furar de um ao outro lado, perfurar», 
com o accrescimo de ca (breve), para 
formar supino. 

Allusivo a formar sua fóz, furando 
uma penedia. 

A praia ahi tem o mesmo nome Ita- 
momííúgca. 

Itanguá. — Affluente do rio Parahyba, 
peia margem esquerda: no municipio de 
Mogy das Cruzes. 

Affluente do rio Sorocaba, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Soro- 
caba. 

Yiá-anguá, por contracção Ytá-nguá, 
«pedra cavada». De yiá, «pedra», angtiá, 
«cousa cavada, á semelhança de pilão, 
almofariz, morteiro». 

Allusivo a terem no leito pedras ca- 
vadas, formando poços ou caldeirões. 

Itanhaen. — Rio que, nascendo na 
serra Itatins, escôa-se por aquella serra 
abaixo, a desaguar no oceano. Tem mui- 
tas cachoeiras. 

A' margem esquerda deste rio, pró- 
ximo á fóz, está situada a villa da Con- 
ceição de Itanhaen. 

ItanJuien, segundo Martius, em seu 
Gloss, Ling. Bros., significa «bacia de 
peara», ou 4ípedra que soa»! 
Outros querem dar por origem ao 
nome Ji^a/iZ/ae/i, o morro sobre o qual 



foi edificado naquella região o convento 
da Ordem Franciscana; porque yiá, «pe- 
dra, morro», nhaen, «concavo». 

A verdade, porém, é outra. 

Itanhaen, corruptela de Ytã-nM-e-t 
«conchas amontoadas á fóz». De ytâ, 
«conchas», fiã ou nhã, «agregar, juntar, 
aggiomerar, reunir, amontoar», hê, o 
mesmo que ce, «sabida», e com refe- 
rencia a cursos d'agua, «fóz», i, pospo- 
sição significando «em». 

Allusivo aos baixios de conchas e cô- 
moros de areias movediças que se for- 
mam á sua fóz, permittindo que a pe- 
netrem somente pequenas canoas. 

O celebre chronista franciscano, frei 
António de Santa Maria Jaboatam, 
em seu Novo Orbe Seráfico Brasílico, 
escreveu lianhaem, certamente com mais 
correcção do que os que escrevem Ba- 
nhaeyi. O som de Ytá-iihan-he-í é mes- 
mo Banhuem. 

Itanhaen. — Cachoeira, no rio Tietê, 
entre as de Avarémanduava e de Ti- 
ririca; a quarta abaixo de Porto Feliz. 

Alguns a consideram antes corredeira 
do que propriamente cachoeira. 

Banhacn, corruptela de Etá-nhaen, 
«muitos canaes». De etá ou hetá, «mui- 
tos», ?ihaen ou fíàè, «concavidade, canal». 

Allusivo a dar varias passagens por 
entre as rochas eruptivas que a formam. 

Itáóca.— Morros, entre os municípios 
de Apiahy e de Itapeva da Faxina. 

Morros, onde nasce o rio Pirapóra, a 
cuja margem está situada a villa da 
Piedade: no municipio de Una. Estes 
morros trazem o nome de Casa de pe- 
dras, por conterem grutas ou cavernas, 
algumas das quaes têm espaço para 
abrigar cem a trezentas pessoas. Ha 
ahi aguas virtuosas. 

Não se trata de itá-óca, «casa de pe- 
dra». 

Bdóca, nome desses morros, é cor- 
ruptela de Yíá-óó-qnáy ^(pedras enor- 
mes». De ytá, «pedra», oo, «grande, 
grosso, enorme», ç?/a, particula do plu- 
ral, pronunciado breve e corrido. 



ITA 



121 



ITA 



Com efFeito, segundo informação local, 
já publicada, em relação aos morros 
entre Âpiahy e Faxina, «ahi, enormes 
rochedos erectos apresentam em seu con- 
juncto um aspecto phantastico». E, em 
relação aos morros no município de 
Una, os grandes rochedos formam des- 
filadeiros que se cruzam e conduzem 
ás grutas. 

Itapanhaú. — Ribeirão, no municipio 
de Santos. 

Itapanhaú, corruptela de Y-tã-pã-iíãú, 
«estrondos lunares». De ?/, relativo, tã, 
syncope de iaiãj «forte, duro», pã, «golpe, 
pancada, ruido de golpe»», ííaú, o mesmo 
que aú, «lunar». 

AUusivo a grandes estrondos que ha 
na cachoeira, nos plenilúnios: e, coinci- 
dindo os temporaes com os plenilúnios, 
o povo, ignorando a lingua tupi, acre- 
dita que aquelles estrondos na cachoeira 
procedem das tempestades no oceano. 
Nessas occasiões, o rio avoluma e agita 
suas aguas, e estas derramam -se na 
várzea que o margina. 

Nasce na serra maritima, formando a 
referida cachoeira; tem curso de sete 
léguas mais ou menos; e, desde a barra 
do ribeirão Ituthiga, é navegável para 
embarcações de calado de 15 a 20 pal- 
mos. Desagua no canal Bertioga, um 
quarto de légua distante da barra deste 
canal. 

Itapanhuapindá.— Serrote, no mu- 
nicipio de Cananéa. 

Itapafihnapindd, corruptela de Y-tá- 
pan-hú-apt-nd-d, «picos escalvados vul- 
cânicos». De y, relativo, tó, contracção 
de tatd, «fogo», pan, «golpe, choque», 
M, «revolução interior, esforço por vo- 
mitar», api, «ser escalvado,, descarnado, 
rapado», nd, intercalação por ser nasal 
a pronuncia desse verbo, a, «cabeça, pico, 
ponta elevada, inchação, grão». A tra- 
ducção litteral deve ser «picos escalva- 
dos, em revolução interior, com choques 
e fogo». 

Allusivo a ser de natureza eruptiva, 
bem o mostrando nos picos escalvados, 
no ruído Interior como que esforçan- 
do-se por vomitar, e nas evaporações. 



Deste serrote nasce um ribeirão, que 
tom nome quasi idêntico no som, mas 
muito diverso no significado, segundo o 
systema usado pelos indígenas para as 
denominações de legares na mesma re- 
gião. O ribeirão é conhecido também 
pelo nome Itapanhtiapíndá, corruptela 
de Ytá-apayúá-apl-itd-á, por contracção, 
Yiá-' payúd' 'pi-nd-á, «pedras inteiras e 
quebradas, revolvidas». De yiá, «pedra», 
apayúd, «revolver, enredar, confundir, 
pegar uns com outros», apl, «cortar, 
quebrar, mutilar, britar», nd, interca- 
lação para ligar api, que tem pronun- 
cia nasal, a á, «inteiro, sem partir», 
assim usado em composições. 

Allusivo a ter o leito obstruído com 
pedras inteiras e quebradas, em confu- 
são ou revolvidas. 

Itapebussú.— Logar, em que foi as- 
sentada a extincta villa de S. Felippe, 
1600-1610. Este logar é no território 
que veiu a constituir posteriormente, 
1654, o municipio de Sorocaba: três 
léguas distante da cidade deste nome. 

Hoje é conhecido pelo nome Itavuvú, 
e também Itapuvú. 

(Vide os nomes Itapuvú e Itavutm). 

liapebussú^ corruptela de Ytd-peb- 
uçú, í^planalto grande». De ytá, «pedra, 
morro», peb, «plano, chato», wpw, «gran- 
de, largo, vasto, extenso». 

Allusivo a ser essa região, á margem 
direita do rio Sorocaba, ao norte e nor- 
deste, uma vastíssima planície, embora 
um pouco acima do nível das terras 
próximas. 

Itapecerica. — Região montanhosa, 
em uma de cujas collinas está assentada 
a villa do mesmo nome. 

Itapecerica, corruptela de Ytd-pé-ciri- 
ca, «morro plano escorregadio». De ytd, 
«pedra, morro», pé, «plano, chato», ciri, 
«escorregar, resvalar deslisando», com 
o suffixo ca (breve), para formar supino. 

Allusivo a ser muito lamacenta essa 
região, e por isso resvaladia ou lúbrica. 
Com efe\\.o, c\v3L^t \i^ ^^Wy^-í^ 'ots. ^^^^^ Vsv 



ITA 



122 



ITA 



é tanta que forma extensos pnntannos 
com caldeirões. AflBrmo-o, porque já sof- 
fri os encommodos de uma viagem a 
esses legares, até S. Loiuenço. 

Com csie nome Ilappcerica ha um 
morro no niunicipio de Villa Bella, dando 
o nome a um bairro. 

E' a mesma corruptela supra. 

Itapecirlcuçú.- Morro, na costa ma- 
ritima: no munici])io de Ubatuba. 

Itapeciricnçúj corruptela de Yiá-pi- 
eiri-iqiiê-uçú, eontraliido em Yiá-pí-ciri- 
'qu'-uçú, «morro granítico de encosta 
larga em resvaladouro». De ytú, «pe- 
dra, penha>>, pi, «pé», ciri, «deslisar, 
escorregar», formando piciri, «resvalar», 
iquê, «lado, costado», nçú, «largo, grande». 

Allusivo a ser alcantilado. 

Itapecuá. — Serrote, entre os muni- 
cípios de Nazareth e de Juquery. 

Itapecuá, corruptela de Ylá-pé-cuá, 
«pedras quebradas e cascalho miúdo». 
De ytá, «pedra», pé, «esquina», cuá, 
«cascalho miúdo». 

Allusivo a ter esse serrote, em sua 
formação, abundância de pedras britadas 
e de cascalho miúdo. 

Itapema. — Morro, á margem opposta 
do canal da barra de Santos, em frente 
á cidade. Está isolado en) uma extensa 
várzea, cujo nome corrupto é Píie-cará. 

(Vide o nome Pae-cará), 

Itapema, corruptela de Ytá-pê-via, 
«penha quebrada». De yiá, «pedra, pe- 
nha», jjê, «quebrar, dobrar, torcer», com 
o sufiflxo ma (breve), para formar supino. 

Allusivo a mostrar uma cintura, es- 
treitando-se ao meio, como as duas par- 
tes maiores de uma moeila de ave. 

Itapema.— Duas cachoeiras no rio 
Tietê: uma Itapema -a^sú; outra lia- 
pema-mirim. Ambas um pouco abaixo 
da cidade de Tietê. 

Cachoeira, no rio Parainjba: entre 
os municípios de Mogy das Cruzes e 
àe Jacarehy. 



e a (breve), por accrescimo, visto que 
acaba em consoante, ou mesmo para 
formar supino. 

Allusivo a formar ahi um canal na 
penedia que atravessa o rio. 

Tenho taml)em lido Itupanema, cor- 
ruptela de Itú'pa-)iê'Vià, «volta e re- 
volta no arrecifeí>. De itú-pa, «arrecife, 
baixio?, nemu, «volta e revolta de ca- 
minho». 

Outros escrevem itaipa, «arrecifes, 
baixios». 

ltapetÍnÍnga.~Aftluente do rio Pa- 

ranapanetna, pela margem direita. 

Com o nome Ilapetininga ha a ci- 
dade que, embora não esteja á margera 
deste rio, dista apenas uma légua, mais 
ou menos. 

Itapetininga, segundo Martius, Oloss. 
Ling, Brás., significa «logar de pedra 
sêcca»! Qual o destino que elle daria 
á palavra pe, para assim traduzir esse 
nome? 

liapetiniiiga é corruptela de Yta-api- 
ienjf-nga, por contracção Ita-^pi-teyiy- 
nga, «ladeado de penedos, e sinuoso». 
De ytay «pedra, j)euedo», api, «ladear», 
teuy, «ser sinuoso, enrodilhado», com o 
sutiixo nga (breve), para formar supino. 

Allusivo a correr entre penedias, fa- 
zendo innumeras sinuosidades, algumas 
(ias quaes em esquinas. Segundo uma 
informação scieniirica, este rio «segue 
encaixado entre barrancos altos de 
molle». 



grez 



Itapetinga.— Morro extenso entre os 
municípios de Atibaia e de Nazareth. 

Itapeiiiiga, corruptela de Yta-pe-ty- 
ngúe, «morro granítico cortado a prumo 
e ponteagudo». De yta, «pedra, penha», 
pe, «cortar verticalmente, tronchar», ty, 
«ter ponta», com o accrescimo ngúe, 
partícula de pretérito, por ser nasal a 
pronuncia de ///, «ponta», segundo o 
ensina o padre A. K. de Montoya, em 
seu Tesoro de la lejigua guarani. 

Allusivo a ser um morro formado de 
uma só \iedra, de c\uas\ vuua le^ua de 



y/a-pè/zia, «pedra quebrada». De í/ía, i exlen?>2L0, 'à^tfe?,eT\Vàw^Q ^m ^:^\\^%\^^íl- 
^pedra:í>, ph?i, * quebrar, torcer, dobrar», \res còrVes NetWc^^-à ow v^x^ivírvi^^ ^ >^\w. 



ITA 



123 



ITA 



mo: além de um pico, cuja altitude é 
de 1430 metros. 

Itapety. — Serrote, entre os rios Pa- 
rahyba e Tieié: nos municípios de Mogy 
das Cruzes, de Jacarehj e de Santa 
Izabel. 

« 

liapetij, corruptela de Yia-peíi\ «morro 
granítico carcomido». De i/ta, pedra, 
penha», peti, «carcomido, roído, picado, 
furado de dentro para tora». 

Allusivo á gruta (jue este serrote tem 
no alto. Não me foi possível obter a 
descripçào do interior de^ta lapa. 

Itapéva.— Pedra enorme, que existe 
no município de Nazareth, bairro da Ca- 
pella, perfeitamente chata ou plana, de 
mais de sessenta metros quadrados. 

Itapéva, corruptela de Yta-pé-hae, «pe- 
dra chata». De yta, «pedras, pé, «ser 
chato, plano», bae (breve), para formar 
participio, significando «o que». 

Itapéva. — Morro, em ramificação da 
serra Mantiqueira: no município de S. 
Bento de Sapucahy- mirim. 

Planaltos nos municípios de Jacarehy 
e de Sorocaba, conhecidos por campos, 

Itapéva, corruptela de Yta-pê-hae, 
cmorro plano». De yta, «pedra, penha», 
pé, «plano, chato», com o suffixo bae 
(breve), para formar participio, signifi- 
cando «o que». 

Allusivo a ter no cume uma planura. 

Da planura do morro supra avista-se 
todo o curso do rio Parahyhn, desde a 
cidade de Jacarehv até á vílla de Bo- 
caina. 

Itapéva. — Aftluente do rio l^iracicaba, 
pela margem esquerda: no município de 
Piracicaba. Faz barra próximo ao salto. 

Afiluente do rio Soroaiha, j)ela mar- 
gem esquerda: no município de Soro- 
caba. Faz barra logo al)aixo do salto 
Botnranlitn, ou, cunio outios mais errada- 
mente escrevem, Voluraiitifit: no mesmo 
município de Sorocaba. 

liopèva, nome destes córregos, é cor- 

raptéla de //a-ijje-òo, «logar de muitas 

pedras». De ila, empedra», ipc, «muito, 



muitos», ho (breve), para exprimir sitio 
ou logar, porque não está unido a verbo. 

Allusivo a correrem em região pe- 
dregosa, tendo mesmo o leito formado de 
pedras, na sua maior extensão. 

Com eflFeito, o seu curso é assim; e 
fazem barra, próximo a dous notáveis 
saltos. 

Itapéva da Faxina— Campos, entre 

os rios Taqiianj, margem direita, e Apia- 
hy, margem esquerda, ambos aftluentes 
do rio Paranapanema, pela margem es- 
querda. 

Com este nome é conhecida a povoa- 
ção, hoje cidade, naquella região. 

Ilapera da Faxina, corrupção de Yta- 
pé-bne-chavJii-ita, «morro chato enru- 
gado». De yia, «pedra, penha», pé, «ser 
chato, plano», bae (breve), partícula de 
participio. significando «o que», chaclã, 
«enrugar, franzir», com o sufíixo 7ia 
(breve), para formar supíno. 

Allusivo a serem campos com de- 
pressões ou concavidades continuadas, 
e irregulares muitas delias, semelhando 
rugas. 

Estas depressões ou concavidades são 
denominadas tembé, ou temb-é, «conca- 
vidades ou o que é concavo»: de temi, 
partícula de participio passivo, fazendo 
iemb quando precede vogal, como neste 
caso, e c\ «ser concavo». 

Por ter a forma concava o lábio infe- 
rior do homem, os indígenas o designam 
pela palavra tenib-é. 

Segundo a tradição, um desses temb-é 
serviu de cemitério a indígenas mortos; 
e até ha ahi uma inscrípçào notável que 
ainda pessoa alguma logrou explicar. 
Mas, é duvidoso que seja isso uma ins- 
crípçào, vistu como os indígenas não 
conheciam nem praticavam a lingua es- 
cri|)ta, como é notório. 

Itapirapuan.— Serra, na divisa do 
município de Apiahy com a província 
do Paraná. 

Itapirapuan, corruptela de Yla-pira- 



ITÁ 



124 



ITÁ 



roar», puav, «levantado, em pé, erecto, 
a pique». 

Allusivo a ser erecta ou a prumo, 
deixando ver o derrocamento de pedras 
soltas nas encostas. 

Ha a crença popular de ser diaman- 
tifera esta serra. 

Perto deste morro existe uma caverna 
ou gruta, de mais de 170 palmos de 
comprimento, e 104 de largura, com 
duas entradas naturaes: á altura de 100 
palmos, mais ou menos. Âos lados, ha 
outras grutas menores. 

Mas, com o mesmo nome ha um ri- 
beirão, que ladeia a serra e desagua no 
rio Ribeira de Iguape, pela margem es- 
querda. 

Segundo o costume dos indigenas, 
davam nomes idênticos ou quasi idên- 
ticos no som, mas diversos na signifi- 
cação, a legares na mesma região. Por 
isso, embora sôe identicamente o nome 
liapirapiian, tanto para o morro, como 
para o ribeirão, o significado é diverso. 

Itapirapuany como nome do ribeirão, 
é Yta-á-pira-apuan^ por contracção Yf-á- 
pira-piuin, «lados empinados de pedra». 
De yta^ «pedra», á, «ladear», pira, par- 
tícula de participio passivo presente, fa- 
zendo a-pira, «ladeado», apuaii, «em- 
pinado, a prumo, erecto». 

Allusivo a correr entre altas margens 
graníticas. 

Em alguns mappas, é este ribeirão 
que é indicado como raia divisória nessa 
parte, entre a província de S. Paulo e 
a do Paraná. E, neste caso, o morro 
pertenceria á do Paraná. Mas, morado- 
res de Apiahy impugnam essa divisa, 
que convém rectificar. 

Com efFeito, devendo ser tiraila uma 
linha da serra Çavoca á cabeceira do rio 
Itararé, e contravertendo esta cabeceira, 
em linha recta, com a do ribeirão lia- 
pirapuan, parece que o ribeirão, e não 
o morro, é a divisa. 

Itápyra. — Nome restituído á cidade 

da Penha do Rio do Peixe, por acto do 

Governo, n. 40 de /." íJe Abril de 1890, 

sob o fundamento de que «os indigenas 

âssjw designavam o rio que banha aquella 



povoação, por ser pedregoso e abundante 
de peixe». 

Os indigenas sohiam dar nomes com 
som idêntico, ou quasi idêntico, a lega- 
res vários na mesma região, significando 
porém differentemente. Muito sábios na 
formação dos nomes locaes, . pois que 
estes deveriam designar os característi- 
cos physicos da cousa nomeada, e não 
eram definitivamente acceitos senão após 
deliberação em assembléas nocturnas, 
como bem o expôz o padre Ivo D'EyREUx, 
na obra Viagem ao tiorte do Braxil nos 
annos de 1613 a 1614, faziam os indi- 
genas admiravelmente aquelle jogo lin- 
guistico, quando tinham de dar nomes 
a rios, lagoas, montes e outros logares 
na mesma região. 

O nome Ytapyra está incorrectamente 
escripto. Desarticulado ou desunido, mos- 
tra as duas palavras de que foi composto: 
yía-^pir-a, contracção de yta-apir-a. 

O y em pyra, tendo pronuncia gut- 
tural, não é o mesmo que pira, con- 
tracção de apir-a. 

Os indigenas denominara yta''pir'a 
qualquer morro em forma de penha; e 
o morro, sobre que assenta a cidade, 
cujo nome tupi foi agora restaurado, 
tem aquella forma, com declividade Ín- 
greme para a margem do ribeirão. De 
yta, ou mesmo ita, «pedra, morro», apir, 
«ponta», cora. o accrescirao de a (breve), 
por acabar em consoante, segundo a 
lição dos grammaticos: «ponta de pe- 
dra» ou «pedra ponteaguda», dando a 
idéa de «penha, penhasco», eis o signi- 
ficado exacto do nome Ifa-^pir-a. 

Quanto ao ribeirão, que tem trazido 
o nome injustificável de Penha, era lia- 
pi-rú, «fundo pedregoso e escuro». De 
ifa, «pedra», pi, «centro, fundo», rã, o 
mesmo que lã, o mesmo que hú, «ne- 
gro, preto, escuro . Cora effeito, o fundo 
deste ribeirão é pedregoso e escuro, e 
até as aguas parecem turvas. A palavra 
rú deve ser pronunciada breve e cor- 
rida, por causa do accento predominante 
em pi, segundo a lição do padre Luiz 
FiG\3EiB.x, e;\w 'èvv^i Avíe de i^iammatiea 
da língua brasílica; \vQt vs»'^^^ ^ %vixsv ^ 
c\uas\ vdewVvç-O vv^ vVvb lia- \)lr-a. 



ITA 1! 

E estes nomes nada têm com peixe; 
poÍB que nSo ha, em qualquer delleR, a 
palavra ptrií, que é a que significa *peix8>. 

Mas, mesmo que a palavra pirá esti- 
vesse compondo um ou outro desses 
nomes, nSo se seguiria que o indígena 
quizesse aliudir a peixe; porquanto, pirá 
é também o verbo que sigiiitica '^abrir». 
empregado para exprimir a acçilo de 
entesar o arco, e apirá significa «des- 
atar a ponta, derrocar, cahir de bruços». 
Bú em três casos, o indigena, dizendo 
yla-pirá, ou itá-pirá, ou y-ta-pirá, podia 
referir-se a peixe: no primeiro, yta-pirá, 
significando cpedra peixe» ou tpeixe pe- 
trificadoí, como os ha cm abundância 
na serra Batutilé, em Ceará; no se- 
gundo, ila-pirá, «peixe a nadar>; no 
terceiro, y-ta-pirn, speixe colliido ou 
apanhados. 

Mesmo a palavra Yta-pira, se fôr 
flscrípta e pronunciada y-tá-pira, diverso 
será o significado: <o colhido, o com- 
prado, o vendido»: de y, relativo, íá, o 
mesmo que yã, «colher, comprar», pira. 
partícula de participio passivo, formado 
este da terceira pessoa do presente do 
indicativo, sem o artigo, conforme a lição 
doa grammaticos. A palavra pir-a tam- 
bém significa *crú», isto 6, nao cosido, 
«verde», isto é, nâo maduro: çoó-pir-a, 
■carne cnia>, iba-pir-n, *fructa verde: 

Nestes termos reclamei contra aquelle 
acto do Governo, no jornal O Entutlo 
de S. Paulo, de 8 de Abril de !H!)0. 

Ha próximo á cidade de Piracicaba 
uni córrego aSIuente do rio Piracimha, 
peia margem direita, com o nome Yia- 
pira, em referencia ao morro entre o 
mesmo córrego e o rio, onde foi edifi- 
cada a matriz. 

ItapísantubEL—Attluente do riu r,ia 
da Atdêa, pela margem direita: no niu- 
nicipio de Iguape. 

Itapixanliiba, i nome escripto em 
mappas: mas tenho lido também Siipu' 
lanlúba e iSapula-fidiUa. 

Itapisaniiiba, nome menos incorrecto 
do que aquelles, é corniptéJa de Ylá- 
fi!/íã-n/iiò-a, •^íogar do pedras averme- 
Ihadas*. De ff/d, «pedra ^,jj///â, «averme- 



lhada, colorada 
mesmo que íib, 
pronunciado por 
palavra pyíà. 

Allusivo a ser 
dante de granito 
cuja composição 
assim se mostra 
beirão em grand' 

Suas aguas 



de vermelho», Jidib, o 
clogar natural», e assim 
causa da nasalidade da 

essa regiSo muito abun- 
pórphjTO purpúreo, em 
entra o feldspatho: e 
as margens deste fi- 
es depósitos. 
cõr de café. 



Itapitangui. —Serra, no município de 
Cananéa. 

Com o mesmo nome nasce desta serra 
um ribeirão, que desagua no Mar Pe- 
queno. 

Ilapitanyni, corruptela de Yiá-pitang- 
íí, *morro granítico manchado de ver- 
melho». De ytá, «pedra, penha», jnlang, 
«avermelhado, pardo», ii, »ser manchado, 
sujo». 

Allusivo a ser de saibro, sarapintado 
de ochre amarello e vermelho. 

O ribeirão tem esse mesmo nome, por 
causa das margens e de bancos desse 
barro. O conselheiro Martim Francisco 
Ribeiro de Andbada, em seu Diário 
de uma viagem mineralógica pela pro- 
vinda de S. Paulo no anno de 1803, 
escreveu: «O rio Itapitangui, direcção 
norte-sul, onde achei bancos de argilla 
branca, de ochre amarello e vermelho 
'pulverulento, neste rio desaguam o '/ui- 
7/, a Cachoei ra-grande, Taquavurutuva, 
'*asmado e outros. A formação geral 
destes rios é uma areia grossa, deno- 

inada saibro pelos do paiz>. 



■ (Vide o nome Itape- 



Itapjtinga- 

tinga) . 

ItapixJnga.— Morro granítico, no mu- 
nicípio de Itragança. 

Deste morro nasce um ríbetr&o, que 
traz o nome Tapuxinga; aliás no som 
quusí o mesmo nome do morro, con- 
forme i> systema dos indígenas de darem 
na mesma região a logares diversos 
nomes de som quasí idêntico, mas de 
significado dilTerente. 

Jlapixtngtt, tOT'C\!iç\t\?. ft.i; WwravwjU»^ 
liga, «mono \ift\W\o e í»\q-i.. Xííi yW*., 
c^Vedra, moíio», n», *?.« 



^^ 



ITA 



Vegetação». ^íii, iser sujo», com o suffixo 
7iga (breve), para formar supino. Por 
contracção ytn-'p7-jjlú-vga. 

Allusivo o ser este morro sein vege- 
tação alguma: tcniio apentts parnsitas, 
muijgo e limo nas furnias de sua ex- 
tensa lage. 

Este murro tem a iiltiiu.le de 10J6 
metros, 

Tapuxinga, nome do ribeirão, é cor- 
ruptela de Ytá-pi-jitú-iiga, «fundo de 
pedra sujo». De ytá, «pedra», pi. "cen- 
tro, fundo», ylú, «ser sujo», com o suf- 
íixo liga (brove), para formar supino. 

Allusivo a ter o leito granítico e sujo. 
Com effeito, essa rcRÍao é, em geral, 
granítica ; e o ribeirão, reuebendo do 
morro as aguas, nSo pode deixar de 
recebel-as sujas e limosas. 

A razão da pronuncia de j: é porque 
o l é precedido de i/, que tem pronun- 
cia guttura! e, por isso, o / sôa como 
X para muitos. O soiu gmtural do // 
fere também o w da mesma palavra, de 
modo a parecer i fechado. 

Itapuá.— Corredeira, no rio Tietf logo 
abaixo da Caramhy: entre o Salto de 
Itú e a cidade de 'porto Feliz. 

//dpj/á, corruptela de 17(í-;i((fí, apedra 
redondai. De gtá, «pedra , pnâ, -re- 
donda». 

Allusivo a ser forçada a corredeira 
por uma pedra redunda que ahi existe. 

Itãpucú.— Cachoeira, no rio Paraná- 
pattema, abaixo da fóz do ribeirSo da 
Barreira. 

YtiUpucú, apedra larga». De .<//(í, «pe- 
dra», puni, «larga». 

Allusivo a existir umu larga muralha 
de rocha eruptiva, formando um lageiído 
continuado, sobre o qual as aguas cor- 
rem velozmenie repartidas em vários 
canaes, por espaço de mais de meio ki- 
lometro. O canal principal, encostando-se 
no fim á barranca, pnrece nilo tfr senão 
sabida eslreitissima. K' impraticável esta 
cachoeira. 

ItapucÚ.— Salto, no rio Pnrftiiajtu- 
nema. logo abaixo da cachoeira do mes- 
juo Bomc 



Tiá-pi'cú, pedra larga». De j 
dra, pifcú, «larga». 

Allusivo a ser formado por n 
muralha que atravessa o r" 
seu desnivelamento a queda \et 
aguas de mais de dous metroA.1 

Após a queda, as a:guas foTis( 
larga e profunda bacia com rodi^ 

Mais abaixo, ha uma corredll 
lenta, sob o nome de Itaipan 
canal único, estreito e ingrea( 
pedras. A descida é perigosu 
subida é impraticável para ■ 
regadas. 

Itapucú.— Os indígenas assiil^ 
minavam us campos em cima den 
quando largos. 

Em títulos de terras, ao mtiaici|A 
Atibaia, Ireguezia de Cumpo Lar|l 
este nome dado a campos Bolin- ra« 

Assim. Ytd-piicú significa «morfe- 
go'. De ylfí. «pedra, iiiorro'. j" 
í largo 1 . 

Itapúra. -Ultimo sallo im no 71 
antes de desaguar no rio 1'iimm. I 
mais de nove metros de altura. 

Ha dous: uui, maior, cujo {• o a( 
Itapúra, outro, menor, acima da<l« 
denominado Itajmra-tnirint. 

O rio se despenha daquella iM 
com granile estrondo; ao mesmo id 
quf os peixes, arrastados n envolt 
uaquelle turbilhSo, dão saltos conni 
para não suSrerem ua i^uéila o peso 
aguas. 

Sendo «salto de pedras como stg 
cado de Yla-pár-a. seria um dSii s 
que o indígena não praticaria; pori 
Martius. em seu Oloax. Liag. B 
accrescí-iitou «sallo do peixe», como; 
explicar o anterior sígaiticudo. Q 
porém, está no uuuie Itapúra oa I 
pór-a a palavra pirá, «peixei? E' 
dentomente forçada a expíicaçan. 

A verdade é esla: Itapúm 6 ooi 
(éla de Y(i-pú-rõ, -arrojado de d 
baixo com 'estrondo e rodomuinhui 
ifti. «arrojar de alto a baixo*. ftA, 
troudo», rõ. ercvolver, fazer twrtelUi 

Com o nome Jtapúra exibte, \<aL 
este salto, á margem dirvttB d9V 



ITA 



■ desde 1858, um estabelecimento militar, 
i cnja sorte tem variado concorrentemeiítt; 
{ com a variedade de opÍDÍCíès no governo. 

I ItapuvÚ.— Logar, á margem direita 
do rio Sorocaba, ao norte do município. 

E' o mesmo liapebussú. 

(Vide o nome liapebussú). 

Kapurú, corruptela de Ytá-pé-ibiy, 
cinorro piano, baiso». De yiá, cpedra, 
penha», pé, «plano, chato», ibiy, (baixo*. 

AUusíto a ser um planalto pouco ele- 
vado. 

(Vide o nome Itavttvú). 

Itaquaçába. — Duas cachoeiras no 
rio Tietê: uma, a giiaçú, ímniedinta á 
Ararimanduáva; outra, a mirim, logo 
após a Giiacuritú, no trecho entre os 
saltos Avanhandava e Ilapúra. Alguns 
ainda dividem a primeira, fazendo duas 
successivas. 

Itaquaçába, cotruptéla de Ytá-qiià- 
çaba, (pedra furadai. De yfá, «pedra*, 
quã, o mesmo que quár, «ler buraco, 
furo», mudado o r final em ç, conforme 
a liçflo do padre Luiz Figueira, em 
stia A7-le de graminatica da liiiyim hra- 
sílica, quando ha necessidade de usar 
do verbal ãba, para exprimir o instru- 
mento, o modo, a causa, o intuito, a 
occasiSo, o logar, com referencia á acçSo 
do verbo, soando çába. Do mesmo modo 
o r final do verbo é mudado em c, 
quando, para exprimir o que fez u cousa, 
ha necessidade de furmar o pariicipio pre- 
sente cinn a partícula âra, soanilo çâra. 

Com effeito, ha nesses logares uma 
maralha de pedra, de margem lí mar- 
gem, atravessundo o rio; apenas com 
um furo ou buraco, formando canal. 

Itaquantúba -Praia, na ilha de S. 
Sebasnílo: no municipio do Viila Bella. 

Ilaqtiantúba, corruptela de Ytd-cnu- 
lib-a, (logar de cascalho». De ylá-cuã, 
«cascalho», tib-a, ( logar natural das 
cousas». 

Pódií ser pronunciado Ilaquandiiba. 

Itaquapeninduba. —Logar, na pa- 

rochia da Fenha de França: nnmicipiu 
de S. Paulo. 



Ilaquapenindiiba, corruptela de Ytá- 
ciiã'pini-ndib-a, dogar de cascalho pin- 
tado». De yfá-cvã, «cascalho, pedra miú- 
da», pim, «pintar, manchar», cujo som 
nasal faz mudar o t de iib em nd, ndib, 
«logar natural das cousas», com o ac- 
crescimo de a (breve), por acabar em 
consoante. O i de Hb tem som guttural 
de u (fechado). 

Aliusivo a existir nesse logar abun- 
dância de tal espécie de cascalho. 

Itaquaquecetúba— Afflnente do rio 

Tietê., pela margem esquerda: no muni- 
cipio de Mog^' das Cruzes. 

A' margem esquerda deste ribeirSo 
está a povoaçJto Itaquaquecetuba, que 
(lo mesmo ribeiríio tira o nome. 

Itaquaquecetuba. corruptela de Ytá- 
aq&a-guecè-tíú-bae, «o que boja por causa 
do peuhasco». De yiá, «pedra», aqúa, 
«esquina, ponta», formando ytá-aqúa, 
«penhasco, esquina ou punta de pe- 
dra», gueeè, o mesmo que rehê, «por 
causai, iiú, «bojar, fazer enseada ou 
volta convexa, transbordar», bae (breve), 
para formar partlcipio, significando «o 
que». 

Allusivo a fazer um grande alagadiço 
ou hanliado, porque, tori^do a desaguar 
no rio Tietê, quasi de encontro ao curso 
deste, por causa de um penhasco trian- 
gular que existe próximo a sua foz, ope- 
rando-se assim impedimento ás suas 
aguas, estas s3o detidas e transbordam. 

Este ribeirão tem três cabeceiras ; 
uma das quaes nasce em uma gruta. 

A povoação está mesmo próxima ao 
banhado. 

O ribeirSo é também conhecido pelo 
nome Tipóia, corruptela de Ti-púaí, «em 
forma de rede de dormir». 

Allusivo a esse mesmo bojo ou ba- 
nhado supra mencionado; ennoveladas 
as aguas nesse lugar. 

A rede de dormir 6 io-iy-póoi, i:íit\cv.o 
atado poios dous extremos». De io, re- 
ciproco mutuo, ty, «atar», formando lo-ty, 
«atar os dous extrcmosi', pôiti. -fnzer 
^acco, lioio». 

idtí lo-ly-póoi, ç-Àí. a^í&fe\«às> *»» ■^^"^^ 



ITA 



128 



proco 10, como o asam os iudigeuas. 
Mas, este nome é apenas uma |>hanla- 
sia: o nome verdadeiro, exprímimlo os 
caracteres physicos lio ribeirão, é Ylá- 
aquâ-giiccè-HÚ-bae, por contracção Ylá- 
'q uã-guecè- tiú-bae. 

Com referencia n um taquaral que 
existe entre o banhado e o penhasco, 
margeando o riboiráo, o nome é Y-táquw- 
guecè-tub-a, «logar de taquaras suc- 
cessivas*. De y, relativo, tái/uâ, ^cana 
ôca>, isto é, iá, «espiga», tjiiá, «buraco, 
furo», giieci, (SuccesBÍvamentei, <jf&, «lo- 
gar das cousas», com o accr<!Scimo de 
a (breve), por acabar em consoante. (*) 

Os indígenas soliiam dar a togares 
diversos na mesma região numes idênti- 
cos ou quasi idênticos no som, mas dife- 
rentes nos aiguiãcados, como noiiie caso. 



Cl EtUTii em RTaUo ■ Mgnlota Bolaln 

o p«dn HOHDML OA POHIEFA, HU fida 

- j. „._.._ TbíKsnxílvfia tjjmg 



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'•~S'i 



I Bupprimit por sphíi«>ia o y da ybf. pror 
íb la- Qmuo on çtíoqutâr — ■- — - — 









"igvi çuarani, 'pi 
cãH., pii™~eii>rlra!r ■soli«.. Tia-I- 



Itaquaxiára.— Morro, no munícipio 
de Itapecerica. 

Itaíiuaxiára, corruptela de Yiá-iinntiár- 
a. «pedras pinladas». De i/fd. «pedra >. 
ifuatiár, <pinlar>, com o (breve), por 
accrescimo, visto acabar em consoante. 

Ãllusivo ás pedras manchadas que ahi 
existem em grande quantidade. 

Itaquerê. — AflUienle do rio -Jacaré- 
. plpira-rjiirtasú. pela margem direita: no 
munici|iio de Araraquara. 

Ilaiiurn', corruptela de lii-aqiii-rehé, 
contraindo em ÍC-aqui-rché, «sncctíssi- 
mente frouxo e sujo de detritos vege- 
taes>. De iti, tdetritos vegelaes*,(7i7íf/r, 
«IrouxOí. perdendo o r final por ser 
seguido do rehi^, «snccessívamente». 

Alluâívo a formar margens alagadas, 
por correr em quasi toda a sua exten- 
são, em vuriíedo, no qual a vazante deixa 
detritos. 

Itãquery.—SerTii, iio município de 
S. João do Rio Claro. Nesta serra ha' 
tixieagoa aami 



_ ITA 

à povoação denominada Itaquery, está 
situada nesta serra. 

Serra, no município de Araraqiiara e 
Jaboticabal. 

Ihqiienj. corruptela de Yfá-aqmr-i. 
pedra em geral frouxa». De yiá. «pe- 
dra, morro». (içHíV, «frouxo, quebradiço», 
I, posposiç3o de perseverança. 

Allusivo á formnçAo cnlcarea desta 
serra, em quasi toda a sna extensão. 

Itaqui,— Serra, nos municípios de 6. 
Roque e de Cotia. 

Affluenle do ribeirSo Baruery, pela 
margem esquerda: entre os munjcipios 
de Cotia e de Parnahyba. Nasce na 
íterra acima mencionada. 

Affluente do rio Magy-gxiassú, pela 
margem direita: enlre os municípios de 
Mogj-giiassú e de S. João da Boa Vista. 

Itaqui, seja nome da serra, spja nome 
dos ribeirões, é yí(i-f-»i, e significa 'muita 
]iedra>. De yiá, «.pedra», ciii, «muito 
ou muitos*. 

Com efTeito, os ribeirões tSm os leltoG 
cobertos de pedras, rrystaes e quartzos; 
e a serru contém grande quantidade de 
crystaes de todgs os tamanhos, quartzos 
e pedras de outras qualidades. 

Iláqui é também o nome em tnpí da 
pedra de amolar. Talvez exista iamh«m 
na serra e nos ribeiríes essa pedra. 

Itararé.— Atíl uente do rio Paranapa- 
ntmn, pela margem esquerda. 

Serve de divisa ás províncias de S. | 
Paulo e de Paraná, desde que nasce na 
Serra-Gerol até desaguar naquelle rio. ] 
Refiro-me ao Harare -gunssúi porquanto 
o Itararé- mirím. aftluente deste, corre 
na província do Paraná. 

Ytáran'. - pedra côncava». 

Allusivo aos furos que as agnas do 
rio abriram nos penhnscos, passando al- 
gumas veKPs por baixo destas pontes 
graníticas. 

No Itesiiuio th itinernrin He uma tia- 
gem pelos rios Vertíi; Ilararf, Paraná- 
panema, ele. emprrltrniíifia por ordem 
iln barão de. Antotiina, em 1845, está 



HA 



129 



ITA 



no liareré, reanido já com o Jaguaria- 
hyva 6 Jaguarecatú, de cerca de trinta 
braças de largara, descemos por cachoei- 
ras e baixios perto de seis léguas, onde 
pelo lado esquerdo entra um ribeirão, 
que o chamamos Itareré-mirim, levando 
á mão as canoas vasias na cachoeira 
Tibinia^ d'onde navegámos por baixios, 
corredeiras e itopavas, quatro Icguas 
até a cachoeira da Bocaitia, pela qual 
I levámos as canoas vasias á mão. Daqui, 
I Yoltêa o rio por serranias em uma série 
de corredeiras, itopavas e baixios, en- 
oontrando-se ilhotas até sua desemboca- 
dura no Pananapanemai^, 

Tld-raré não é, portanto, como o es- 
creveu Martius, em Seu Gloss, Lhig, 
Bras^ «pedra levantada» ou «pedra que 
surge d 'agua». 

O rio Ttá-raré passa debaixo de pon- 
tes graníticas, em al^^uns legares acima 
da confluência do ril)eirào Jagnarécalá, 
pela margem esquerda, e portanto do 
território paranaense. Uma destas pontes 
graníticas, que é a principal, serve á 
estrada geral, de Itapeva da Faxina, na 
província de S. Paulo, a Castro, na do 
Paraná; e ha ahi um registro fiscal para 
a cobrança do imposto de transito do 
gado. 

Mas, além do rio, ha ainda com o 
nome Itararé uma serra, ramificação da 
Paranapiacaba, prolongando-se junto á 
margem direita daquelle rio. 

Os indígenas usavam dar nomes idên- 
ticos ou quasi idênticos no som, mas de 
significados diflferentes, a logares vários 
na mesma região. Assim, Itararé^ nomo 
da serra, embora sôe quasi o mesmo 
que Ytararéj nome do rio, é desarticu- 
lado deste modo: Itá-rá-ré, «paredões 
levantados successivamente>. De Há, «pi- 
lares, armação, estantes, cousa em que 
outra se assenta», rá, «levantado, não 
egual», ré, contracção muito usada da 
posposição rehé, syncopadas as duas let- 
tras intermédias, significando, neste caso, 
«successivamente», para exprimir plural 
e continuidade. 

Allusivo a erguerem -se esses morros, 
orà em escarpas e encostas Íngremes,» 
ora em altos paredões, á margem dol 



rio. A altura destes paredões é de 100 
a 200 metros; e taes morros são de 
rocha granulada siliciosa, de mistura ou 
ligada com matérias calcafeas. 

O rio Ytararê, e os outros que cor- 
rem sobre essa formação geológica, a ta- 
lham em alfj:uns logares tão fundamente 
que o leito delles quasi que desapparece, 
por impossível de ser attingido, a mais 
de 100 metros de profundidade. As ca- 
vidades são innumeras, por força das 
águas sobre esse terreno de fácil desa- 
gregação. Toda essa região é diaman- 
tina. 

Itararé.- Serrote, na ilha de 5. Vi- 
cente: faz parte da cordilheira que atra- 
vessa a ilha, desde a villa de b. Vicente 
até á cidade de Santos. 

O nome é dado a esse serrote, por- 
que o mar o escavou, formando uma 
espécie de sacco. Ytcl-raré, «morro gra- 
nítico concavo». Com aphéresis do y, 
soa 'iá-raré: de gtá, «pedra, penha», 
raré, «concavo». 

Mas, segundo o systema dos indíge- 
nas, deram á praia que enfrenta o sacco 
o nome Tararé, soando quasi o mesmo 
que o nome Ytáraré. E' a praia de 5. 
Vicente, im mediata á praia Embaré. 

(Vide o nome Tararé), 

Itariry.— Affluente do rio S. Lourenço, 
pela margem esquerda: no município de 
Iguape. 

Ha também com o mesmo nome a 
serra, sobre a qual desce este ribeirão. 
A encosta oriental cahe sobre o muni- 
cípio de Itanhaen. 

Ribeirão ou serra, liáriry, corruptela 
de Itá-ri-ri, «successívos degráos». De 
itá, «estante, armação, pilares, ou cousa 
que em outra se estriba», li, posposição 
significando, neste caso, «successivamen- 
te», e, repetida, exprimindo o superla- 
tivo do facto. 

Tenho lido e^te nome como Ilarirú; 
mas não me parece correcto, porque, 
significando «o que contém pedra>^ ijtd, 
«pedra», rtrú, «.n^%o, ç.^^Sí^»^, <^ ^^ ^vvív- 
tém», sem ^^w\ *o.\>^\v!Ã.^^ ^ ^^'tí^^ Va- 
gares. 



ITA ]ç 

Escreveu Uartids, em sen Oloss. 
Ling. fíins., que Itariry significa «ca- 
choeira das concluía» ! 

Itdriíi ó allusivo, em relação á serra, 
n BuperposiçILo successiva, em camadas 
horizontues, de rochas ([tie formam a 
mesma serra naquella região; e em re- 
lação ao rio, é allusivo aos saltos, como 
que em degráos, que as aguas sSo for- 
çadas a transpor em successivas quedas, 
por cansa daquella mesma superposição 
das rochas. Ha, além dos saltos, ca- 
choeiras impetuosas, das quaes a prin- 
cipal é a denominada Caracol, em zigs- 
zags. 

ftarirú.— (Vide o nome Ilnrínj). 

Itatiára.— Morro, no municíjilo de 
Santos. E' nu continente, quasj Á mar- 
gem do canal uu furu Berlioga. 

Jtatiám, corruptela de Ytá-nti-Ara, 
contrahido em ytá-'ti-(ira, «morni ma- 
nitioo alto». Da yld, (pedni, |>eiihii>, 
oti, (levantar, amontoar*, com u |ia:ti- 
oala tlm para formar participio activo. 

Allusivo a ser erecto e alto. 

Itatinga.— Morro, no munici|iio do 
Rio Novo. 

Morro, no niunícipío de Xiriricu. K' 
A margem esquerda do rio liihcira lie 
IffHopf, próximo ao ril)eirflo /V/íJc«. 
oouheoitlo pelo nome tradnzido «i^edra 
fimnon». 

Uatin(in, isto í, Ylá^iif-ntjn, «pedra 
bninc». Do ytà. «pedra, morro*, ty. 
«branco*, nya (breve), para formar su- 
ptno. 

Allusivo li sna formação caloarea. 

No enno do primeiro, ha uma lagftn. 
bastante futula, ond« se ibrí^m as antas 
«inandu poratiguidus pelos caçadores. 

DUta da povnaçllo que tomou o nome 
Ilaliiifu uma lc);ua mais ou m«>nos. 

Itatins. linntilicaçAo da serra nian 
tima. t-ntre m rios l\rttk)/hr e t'nr. 
- no iimnieipio de Itauhaen. 
" I a psta sorra maior eMoa- 
I iuternaila uo munla(pii> 
Mjft ,«rv; ó uu 



ITA 

isolada por vnrios rios e cursa 
que a rodeiam. 

llatins, corruptela de Tiá-íg, 
graníticos ponteagudos». De yti 
penha», ly, «poma». 

Allusivo a formar essa reg 
corda de serra aliissima, i 

udos, enire os quaes o Itoi 

(Vide o nome Bolueaiarú). 

Estes morros, em geral, sãd 
chás vivas; algnns são escalva^ 

Martius. em seu Oloss. liit{ 
Ai7. que Itaíins é «cachoeira (' 
brancas»! 

Nem se trata de cachoeira 



ItatÚba. — Morro, entre o 

le Itapecerica e de Cotia; 
morro Chujueiro. 

Murro, no mnnicipio de Araça 

ais conhecido por Itatúrn. 

lialúba, corruptela de Ttd-Hi 
natural de pedras». De ytá, 
iib para exprimir logar natural 
com o accrescimu de tt (blj 
acabar em consoante. 

A corruptela pritveiu de ter i 
turat o t de tib. 

Allusivo a existir nesses nioni 
pedra. 

Itaveráva. -(Vide o i 

Itayassu peva.— Nome tan 

pelos indígenas ao morro OigtA 
ximo á cidade de S. Paalo. 

(Vide o nome Cagiuxssú). 

Ilayasnujifm, corruptela di 
pè-bae, •chapada, chapadiio». 
• pedra, penha», unçú, E^moil 
mando uma só p»Iavra — gUt- 
iíti-guaçú, «penhasco. |>enba . 
(ser chato», com a partícula l 
jMra formar participio e sigi ' 
(|Qe>. 

Itayaõ. -Murm, que mm 
aos mnninpiois tlt s. Laia 
tiapi. *le Natividade e 
pcW lailo lia begucúa 4 



ITl 



131 



ITR 



liayaó, corruptela de Ytá-yàóg^ «morro 
granítico apartado». De ytá, «pedra, pe- 
Dha>f yâóg^ «apartar». 

Ailu8Ívo a ser um morro isolado das 
outras elevações na mesma região. 

ItavÚVÚ.— Logar em que foi edificada 
a extincta villa de S. Felippe, 1600-1610. 
No território que depois constituiu a 
circamscripção municipal de Sorocaba; 
três léguas, mais ou menos, distante da 
sidade deste nome, no norte. 
, E' o mesmo Ilapcbussú e Ilnjmrú, 

(Vide os nomes Itapcbussú e liapuvú). 

Ilavuvú, corruptela de Yíá-hiy-biy^ 
«^morro granítico muitíssimo baixo». De 
yiá, «pedra, penha», fc/y, «baixo, niio 
alto», repetido para exprimir superlativo. 

Allusivo a ser uma planície ou pla- 
nalto, pouco acima do nível das outras 
terras visinhas. 

Itl. — AfiBuentes do rio Una da Aldêa, 
pela margem esquerda: no município 
de Iguape. 

Ha o Itingoçú e o Itimirim. 

It% corruptela de Y-iy, «atado, cin- 
gido». De y, relativo, iy, «atar, cingir, 
apertar». 

Allnsivo a correrem entre margens 
graníticas altas. 

Com eflfeito, esses rios correm entre 
rochas e sobre pedras, passando ás vezes 
por baixo destas. 

O primeiro, isto é, o Itingoçú^ que é 
o maior, é denominado por alguns tam- 
bém Despraiado; mas o Despraiado é 
seu affluente. 

(Vide o nome Des}yraiadó). 

O segando, isto é, o Itiminin, que é 
o menor, é muito velqz na correnteza. 

Nascem no morro Guaciindíiba. 

Itinga. — Affluente do rio Bananal, 
pela margem esquerda: no município de 
Bananal 

I-ty-nga, assim chamado este pequeno 
córrego por descer da serra Bocáina 
sobre leito de pedras brancas, e com 
agua crystalina, formando uma lindíssima 
cascata, que é avistada da cidade do 
Bananal 



I-ty-mja, «agua branca». De t, «agua:», 
ty, «branca», com o suffixo 9^^a (breve), 
para formar supino. 

E «Água Branca» é o nome que o 
povo dá a esse curso d^agua. 

Itinga. — Pequeno ribeirão, de muitas 
voltas e sinuosidades, que, liga a lagoa 
Ariríáia ao rio deste mesmo nome: no 
municipio de Cananéa. 

Ha também nessa mesma região a 
serra Itinga. 

Embora soando quasi identicamente, 
tem significados diversos o nome do ri- 
beirão e o nome da serra. 

Lty-nga, nome do ribeirão, significa 
«agua branca». De ^, «agua», ty, «ser 
branco», formando supino com figa (breve). 

Allusivo a ser crystalina a agua. 
• Itinga, nome da serra, é corruptela 
de Y-ty-ngúe, «pontuda». De y, relativo, 
ty, «ponta», com ngúe, o mesmo que 
cúe, que nem sempre é partícula de 
pretérito, como neste caso. 

Allusivo a ter essa serra alguns picos. 

Itinga. — Lagoa, no município de So- 
rocaba. Redonda e formada em campo. 

Itinga^ isto é, l-iy-nga, significando 
ao mesmo tempo, por gracioso jogo lin- 
guistico, «agua presa» e «agua branca», 
corresponde perfeitamente aos dous ca- 
racterísticos desse logar:— é uma lagoa 
de agua clara. De y, «agua», ty, «atar, 
prender», e ty, «ser branco, claro», com 
o suffixo nga (breve) para formar supino. 

Itituva.— Logar pedregoso, no moni- 
cipio de Araçariguama. 

Itituva, corrupção de Ytá-tib-a, «logar 
de pedras». De yiá, «pedra», tib, «logar 
das cousas», com o accrescimo de a 
(breve) por acabar em consoante. 

O i de tib tem pronuncia guttural. 

Com effeíto, nesse logar ha muitas 
pedras e grandes. 

Itrápuáu — Várzea extensa, á margem 
esquerda do rio Tamanduatehy : no mu- 
nicípio à^ S. ^^XT^atÒL^- 



rru 



132 



rru 



De yiiapii, «detritos vegetaes arrojados», 
á, «colher»* 

Allasivo a amontoarem -se nessa vár- 
zea detritos vegetaes que as aguas do 
rio ahi arrojam e deixam. 

Em alguns títulos de terras dão este 
nome ao ribeirão Cassaquéra; mas é 
confusão. 

Itú. — Cidade situada na planície Pi- 
rapitinguy; e, em um dos lados da po- 
voação está o ribeirão Caracniinga. 

Dista uma légua, mais ou menos, do 
itú-giiaçúj «salto grande». De i-iú, «salto, 
golpe, queda d'agua», guaçú, «grande, 
• largo». 

O salto tem a altura de 9'°,7õ; e as 
aguas despenham-se saturando de eva- 
porações o ar. 

O nome Itú ficou á povoação, sem o 
accrescimo da palavra guaçú, 

O salto é no rio Tietê; e hoje ha 
neste logar uma freguezia com a invo- 
cação de N. S. do Monfserrate, e com 
o nome Salto de Itú, cuja prosperidade 
em fabricas de tecidos e de papel vae 
fazendo sobrepujar a velha cidade, aliás 
muito bem edificada e com boas igrejas. 

Também com o nome de Itú ha um 
curto córrego que aflflúe no ribeirão 
Branco: no município de S. Vicente. 

E' uma simples cachoeira que se der- 
rama naquelle ribeirão. 

r 

Itupéba.— E' o mesmo que Itupéva; 
mas corruptela maior. 
(Vide o nome Itupéva), 

Itupanema.— Cachoeiras no rio Tietê. 
(Vide o nome Itapema). 

Itupema.— São as mesmas cachoei- 
ras no rio Tietê, com o nome Itapema 
ou Itupanema, 

(Vide o nome Itapema), 

F. DE Oliveira Barbosa, nas No- 
ticiai da capitania de S. Paulo, escriptas 
em 1792, escreveu Itapema. 

Itupéva. — ASlaente ào rio Mogy- 
^iiasstt, pela margem direita: entre os 
municipíos de S. João da Boa Vista, de 



Mogy-guassú e de Mogy-mirim. Hoje 6 
mais conhecido pelo nome Rio das Pe- 
dras^ por ser encachoeirado. 

Corredeira, no mesmo rio Mogy-guas- 
sú, á fóz daquelle seu affluente. 

Cachoeira, no rio Tietê, logo abaixo 
da que é nomeada Aracanguassú. 

Cachoeira, no rio Jundiaky, ainda no 
município deste nome^ mais conhecida 
por Itupêba. Neste logar ha uma esta- 
ção da linha férrea ituana. 

Itiipêrn, corrupção de Yly-ipé-bo, 
«logar de muitas pontas». De y, rela- 
tivo, ty, «ponta», ípé, «muitas», com a 
partícula bo (breve) para exprimir logar. 
Por contracção, Y-ty-pê-bo. 

E' este y-ty, com som guttural, que 
significa «arrecife». 

Y-ty-pêb-a, significando «ponta chata», 
seria um não senso. Sõa quasi identi- 
camente como Y-ty''pé'bo; mas não si- 
gnifica o mesmo que este. O indígena 
quiz apenas assignalar' as «pontas» ou 
«arrecifes». 

A corredeira Itupéva^ no rio Mogy- 
guassú^ tem arrecifes. 

Itupirú.— Cachoeiras no rio Tietê. Ha 
a maior, alguns kilometros abaixo do 
saltête Itupanema. Ha a menor^ pouco 
antes do salto Itapúra. 

A primeira é assignalada, comparati- 
vamente á outra, com o superlativo Matu- 
eté'i, «muitíssimo», para exprimir maior 
perigo. Este Matu-eté-i passou a ser 
Matto-secco ! 

A segunda é também perigosa, mas 
não tanto como aquella: é passada a 
meia carga. 

Alguns têm traduzido Itupirú em «Ilha 
secca»! Não ha duvida que pirú signi- 
fica «secco, enxuto» ; mas não se trata 
de pirú. 

Itvpirú, corruptela de Y-tu-pi-ru, 
«arrecifes e rodomoinhos». De y, relati- 
vo, ty, «ponta», pi, «fundo, centro», rã, 
«revolver-se, revolução sobre si mesmo»» 

Não deve ser confundido y-iy com 
i-tó, embora soando (viiasi o mesmo; 
çoiqvie o y \A\xa ^t^xvxsl\írâ^ ^\X>xt^^ ^5«^ 
O som d^ u tecXi^àiO. 



ITU 



133 



IVA 



Do mesmo modo o u de ru tem a 
prouuncia guttural, com o som de u fe- 
chado. 

T-lá significa «pontas», ao passo que 
i'iú significa «qnéda d'agua». 

Ituparananga.— Salto no rio Soro- 

caba^ ao descer a serra S, Francisco. 

Ituparananga^ corruptela de liú-pa- 
ranã-nga^ «estrondosa queda d^agua». 
De ítú, «queda d'agua»; paranã, «fazer 
estrondo, ruido grande», com o suSixo 
figa (breve) para formar supino. 

Alguns escrevem, ainda mais incor- 
rectamente, Tuparananga. 

E já li liuparanga! 

Allusívo ao estrépito que, nessa queda, 
entre medonhos despenhadeiros, as aguas 
fazem, contorcendo-se e deixando esca- 
par evaporações neblinas. 

Itutlnga.— AflQuente do rio Itapa- 
nhaú^ pela margem esquerda: no mu- 
Dicipio de Santos. 

Hutínga, corruptela de Itú-iy-nga, 
cquéda d'agua, atada». De i-tú, «queda 
d'a^a», ty^ «atar», com o suffixo nga 
(breve), para formar supino. 

Allusivo a formar cascata com três 
lindos saltos, que se avistam do oceano. 



Ituti nga.— Cascata que as aguas do 
Rio tias ladras formam na serra Ou- 
baião: municipio de Santos. 

Iluiinga, corruptela de liú-iy-nga, 
«queda d'agua, atada». De i-iú, «queda 
d'agua», ty, «atar», com o suffixo nga 
(breve), para formar supino. 

Allusivo a cahir, apertada entre pe- 
nhascos, formando em apparencia, de 
longe, uma larga fita branca ou uma 
lamina de prata. 

O significado «cachoeira branca» é 
simplesmente um não senso; porquanto 
não ha cascata ou queda em que a 
agua não se mostre branca. 

Ituveráva.— Serrote, nos municípios 
de Conceição doa Guarulhos e de Na- 
zaretb, aos quaes serve de divisa. 

liuveráva é corruptela de Ytá-beráb- 
a. (*) 

(\'ide o nome Itâberába). 



(*) Ultímamente derem nomo semelhante ao municí- 
pio do Carmo da Franca. 



Ivaparanduva — E' o mesmo rio 

Ouapuru7idúba. 
(Vide o nome Ouapurwidúba). 



J 



Jabaquára. — Uma das vertentes do ' empregada na medicina. Mas, o indígena, 
ribeirão Pilões: entre os niunicipios de se disso cogitou para a denominação 
Xiririca e de Apiahj. |dos sobreditos ribeirões, foi somente 

Nome de um córrego no municipio \ como jogo linguistico, 
de Santos. 



Nome de um córrego no municipio 



— Affluente do rio Ufia 



de Yilla Bella: e a praia em que desagua. cTAldêa: no municipio de Iguape. 

Jabaquára, corruptela de Yáfj-a-quár-a^ \ Nada tem este nome com a saborosa 
craxas e buracos». De i/âò. craxa. aber- , fructa preta jaboticaba^ da fámilia das 
tura natural», com a (breve) por acabar Mjrtaceas; sendo, aliás, certo que nessa 
em con&^ante, qúar. «buraco, poço, fojo».! região abunda essa fructa. 
com a (breve) por acabar em consoante. ' Jaboticaba, corruptela de Y-iapó-tèeo- 

Ailnsivo a buracos, no leito de cada ába, por contracção T'iapó-iéc''ába, «lo- 
nm. Correm sobre formações geológicas gar pantanoso». De y, relativo, iapó^ 
frouxas; por exemplo, caícarea. «pântano, charco», teco. «ser», no sen- 

Ao mesmo tempo, por um jogo lin- tido de lei. condição, estado, costume, 
guistico, o indigena assignalou uesses habito, natureza, com o accrescimo ába 
cursos d agua sua grande correnteza : para formar participio. exprimindo logar, 
Y-a-baqua-ara. contrahido em Y-a-baqu'- modo, instrumento, 
ara, & corredor». De j/, relativo, a (breve). ! Com efíeito. o terreno sobre o qual 
para ligar o relativo a baquà. «correr 'corre este ribeirão, é charcoso; e suas 



veloz», ara, particula activa de parti- 
cipio. 



^guas são denegridas, por atravessarem 
pantanaes. No tempo das chuvas, porém, 
é muito corrente. 

Jaborandy. — AflBuente do rio Mogy- Parece que o nome é mais dessa re- 
guaséú pela margem esquerda: no mu- giào. do que propriamente o ribeirão, 
nicipio de Espirito Santo de Barretos. 

AfiBuente do rio Sapucahy. também JaboticabaL — Affluente do rio fb- 
conhecido por Piuheiriuho, pela margem rahyiiuga. pela margem direita: entre 
esquerda: no municipio de Santo Anto- os municípios de Guaratinguetá e de 
nio da Alegria. . Lagoinha. Afflúe ao rio Parakyihiqa^ ji 

Jaborandy. corruptela de Yáb-bora- sob o nome de Bio do Peixe^ depois de 
ndij «muito gretado. De yãb. cgreta>, reunir suas aguas com as-jlo Jabniic^- 
l^'/a, pãTÚculã Je parúcipiOn ?idi. «muito», tuba. 
£' possirel que do legar haja abun-' Jaboticabal, <iarc\i^\^\^ ^^ T-açô-^\- 
daaciã dã arvore /aòorafidtf, táo utilmente cdba-á, ^t cotslU^rsJaí T-a^^\kèK A 



JAB 



135 



JAB 



9i 



*> 

1 






«sinuoso e arrojado aos saltos». De y, 
relativo, apóy «salto», yticaba, de ytig, 
«^arrojar», com o accrescimo dba, e mu- 
dado o ^ em <;, para formar particípio, 
exprimindo logar, modo, etc., á, «torcer 
e fazer voltas». 

Com effeito, este ribeirão nasce no 
alto da serra Quebra-cangalkas; e logo 
que nasce, e á distancia de cerca de kilo- 
metro e meio, precipita-se, formando salto 
encachoeirado de 14 metros de altura; e 
mais abaixo á distancia de cerca de um 
kilometro, precipita-se de novo, formando 
outro salto encachoeirado. de 18 metros 
de altura. 

Antes de fazer juncção com o Jaboti- 
catuba, ha outras cachoeiras e saltos 
menores; mas, 50 metros acima dessa 
barra, ha um de 3 metros de altura, e 
em seguida um poço, e logo após as 
aguas se alargam e espraiam. 

Com o nome Rio do Peixe, afflúera 
os dous ribeirões no rio Parahytivga, 
no logar Jagiiarão. 



Jaboticabal. — Vill<i situada em um 
morro, duas léguas distante da margem 
esquerda do rio Mogy-guasm, 

A serra, que deu o nome á villa, o 
começa próximo a ella, é Yâh-ytica-abâ, 
por contracção Yâb-ytic* -abá, «muitas 
fendas e derrocamentos». De yàb, «greta, 
fendas, rachas», yticaj supino de ytig, 
«derrocar», mudado o g ^m ca (breve), 
abá^ «muitos», posposto e regendo tanto 
yâb como yiica, 

Allusivo a ter derrocados os cimos, 
com grutas ou cavernas na base. 

(Vide o nome Araraqtiara). 

Se ha muitas arvores de jaboticaba 
nessa serra, o nome tupi da serra teria 
sido logo referido a essa fructa. Com 
effeito, yaboiicabá, contracção de yabo- 
ii(f-abáy significa «muita jaboticaba». 

Os indígenas costumavam fazer esse 
jogo linguistico nas denominações, para 
legares, na mesma região, com som idên- 
tico, mas significando differentemente. 

Ainda que existisse nessa região «abun- 

dancia de jaboticaba», significado de ya- 

Miea-tíò-a, o indígena não cogitaria disso 



para denominar o ribeirão. Fez ahi ape- 
nas o costumado jogo linguistico. 

Jaboticabeira. — AfiBuente do rio 
Barreiro, e este do ribeirão Morungava: 
entre os municipios de Santa Barbara 
do Rio Pardo e de Lençóes. 

Jaboticabeira, corruptela de Y-apó- 
yticába-yêrè, «sinuoso e arrojado aos 
saltos». De y, relativo, apó, «salto», 
ytig^ «arrojar», levado ao participio pelo 
accrescimo de áha, mudado o g em c, 
exprimindo logar, modo, etc, yêrè, «vol- 
ta». Por contracção Y-apó-yticaV-yêrè. 

Com effeito, este córrego desce do 
alto da serra dos Agudos fazendo sue- 
cessivas voltas, e aos saltos, de queda 
em queda. 

• 

Jaboticahú. — Várzea, á margem es- 
querda do rio Tietê, no município de S. 
Paulo, freguezia do Senhor Bom Jesus 
do Braz. 

Jaboticahú, corruptela de Y-apotí- 
ig-aú, «suja de detritos vegetaes e ani- 
maes». De y, relativo, apoií, «ser sujo», 
igaú, «detritos ou escumas do mar ou 
de rio». Por contracção Y-apoV-ig-aú, 

Allusivo a ser uma várzea, em que 
após a vazante do rio Tietê, ficam de- 
tritos de toda a espécie, ahi deixada 
pelas aguas formando manchas. 

JabotícatubaL — Confluente do ribei- 
rão Jaboticabal, pela margem esquerda: 
no município de Lagoinha. 

(Vide o nome Jaboticabal, ribeirão). 

Jaboticatúba, corruptela de Y-ibitã- 
catú'bo, «logar de vento forte». De y, 
relativo, ibitú, «vento», calú, para ex- 
primir superlativo, bo, partícula denomi- 
nativa do logar. Não é pois o nome do 
ribeirão, senão do logar em que nasce, 
na serra Quebra- Cangalha. 

Com effeito, esse logar é conhecido 
pelo nome Boqueirão do vento; traduc- 
çào livre de Y-ibitú-catú-bo, 

O ribeirão desce a serra aos saltos e 
com temíveis cachoeiras; e, após um 
percurso, de mais de duas léguas, con- 
flúe com o Jaboticabal^ ^ %.\sA^^% \^n^»x- 
dos tomatcv q u^m^ "R^o ào Pexx^^ ^^ 



JAC 



136 



JAC 



Jacaré.— Aflhiente do ribeirão Cn- 
rurú, ou, anles do ribeirão Ptrahy, pela 
margem direita: no inunicipio de Ca- 
breiiva. 

(Vide o nome Cnrurú). 

Jacarf, corruptela de Y-ái/ún-rf, ^mui- 
to coneute». Da y, relativo, Ugãa, «cor- 
rer», rê, o mesmo que é, «destreza, li- 
geirezai, Este é, em todas hb significa- 
ções varias, sóe ser precedido do r, 
pura bem destacar a proDuucia das pa- 
lavras, evitaudo a contracção. 

Com effeito, é um ribeirão apenas ar- 
queado, mas quasi sem voltas, precipi- 
tando suas aguas por declive na serra, 
até desaguar no Piraky, já mencionado. 

Como se vê, o nome deste ribeirSo é 
inteiramente extranho ao saurio, deno- 
minado yacaré, cujas três espécies bra- 
zilicas sáo: o assú, o tiuga, o eúrtia. 

O ataú é a espécie maior; chega a 
ter 5 '/j metros de comprido. A'8 mar- 
(;ens do rio Amaxonns, no tempo do 
yerão, enipilham-se aos ceutos, uns sobre 
outros, siiiialando madeiras cortadas. Se 
passa por alii homem ou animal, a |>illia 
move-se togo, e o infeliz é devorado. 
O assú é preto, esbranquiçado no dorso 
e branco no ventre. 

O tinga é a espécie menor; nao at- 
tinge mais de 2 metros. £' pardo-es- 
verdeado-claro. 

O cúina. espécie intermediaria entre 
as duas i^upra mencionadas, é esver- 
deado-eseuro, cora escamas ásperas, e 
muito catinguento. 

Jacaré-guassÚ. — Aílluente do rio 
Paranapanema, pela margem direita : 
no manicipio do Rio Novo. 

Desagua em frente ao Sallo- Grande. 

E' hoje conhecido pelo nome Eio Novo, 
á cuja margem esquerda fui fundada a 
povoação, hoje villa de S. José do Rio 
Novo. 

Jacarê-yuassú. por existir outro af- 
tluente do mesmo rio Paranapanema, 
pela mesma margem, e próximo, também 
nomeado Jacaré-jnirim, por ser menor, 

Jíu^ar'^, corruptela de T-áqúa-ré, «naui- 
to corrente». De y, relativo, 4(}fia, tcoi- 



rer», ri, o mesmo que é, «destreza, li- 
geireza». 

Com effeito, esses dous ribeirfles, 
suas quedas e corredeiras, soffrem U 
desnivelamento notável. 

Jacaréguáva.— Pequeno rio, do ob- 
nicipio de Santos. Desagua no laga-mir 
da Beríioga, 

Jacaréguáva, corruptela de T-áqia- 
ycrè-guaá-bo, «enseada e alagadiço». 
De y, relativo, áqua-yérè, «enseada», 
giiáá, «alagadiço, banhado*, ba (brere), 
para designar logar. 

Allusivo ás várzeas que o margioam 
e que no tempo das chuvas são als- 
gadas. 

Jacarehú. — Rio, na ilha Cardoso.ia 
município de Cananéa. 

Sua extensão é de 1 '/i kilometro. 

Jacarehú, corruptela de T-áquã-ám- 
aú, por contracção Y-áqu'-ar'-aú, «pouca 
corrente». De y, relativo, áquâ, «corren 
levado ao participio pela partícula áni, 
e aú, para exprimir defeito na acçflo. 

Allusivo a serem quasi paradas sw 
aguas. 

Seu leito é pantanoso, e algumas n- 
zes se alaga: suas margt-ns sSo bo^d^ 
das de mangue. 

Jacarehy. — Cidade situada a mir- 
gem direita do rio Parafiifba. 

Este nome nada tem também oom 9 
ampbíbio Jacaré, como alguns preteodel 
attribuiodo ao indígena tal disparate oi 
tolice, sob a capa de lenda. 

Jacarehy & corrupção de T-aqúà-ytfi' 
ei, «esquina e volta desnecessária». D> 
y, relativo, áqúá. «esquina, ponta», yvi 
«Tolta», ei, «inútil, ocioso, sem necesa- 
dade, sem fim algum, sem causa, (a* 
coada». Ha mesmo a phrase i-áq6i- 
ger£, «enseada, ou volta de rio». F"' 
contracção Y-aqúá-rc-ei. 

Allusivo á volta desnecessária àa rit 
Parahyba nesse logar : o qual, 
abaixo, faz sacco ou enseada, ea 
reno baixo, simulando uma lagÕa; ÍB 
lAvareliy ou. Xvtrehtj. 



lAC 



137 



JAC 



Ka supra referida primeira volta, ha 

pedra Qissuiiu/iga, quo recebe de en- 
contro 83 aguas do rio, fazendo-as tomar 
nutra direcção; de forma que a pedra 
é o vértice daquelie angulo agudo. 

O indígena entendia que era desne- 
cessário que o rio procurasse aquells 
pedra. 

(Vide o nome Cissuuwiga]. 

Jacarehy.— A.ftliienle do rio Jaguary, 
pela margem esquerda: nos municipios 
de Santo António da Cachoeira e Bra- 
gança. 

Jacarehy, corruptela de Y-aqúd-yerê- 
eh, (muitas esquinas e voltas». De y. 
relativo, áqâá, «esquina», yeiê, 4Volta>, 
*fi, *muítas>. Por contracção Y-áqiiá~ 
V-rfi. 

E' assim realmente este pequeno ri- 
beirão em seu curso: successivas voltas 
esquinadas. 

Jacarépaguá. — Reunião das aguas 

doa rios Branco, Perithibe e outros, for- 

Diandu golfo, após uma vulta esquinada, 

norie da serra liatins: no municipio 

Itanhaeu. 

Jacarépaguá, corruptela de Y-á-úâ- 
i-pi-guâd, por contracção Y-áqúá- 
■pi-gtiãá, <volta esquinada e gnlfoe 
y. relativo, áqúá, tesquinar», yérè, 
)lta>, pi-guãá, <golfo, bahia>. 
AUu&ivo a. formar-se ahi uma volta 
itaale aguda, e bahia ou enseada, em 
Bmunicação com o oceano. 
No município do Rio de Janeiro ha 
lio Jacarépaguá, que de certo ponto 
ra cima é nomeado Agua Branca, 
rnptéla de Áqãa-banca, «esquinado e 
rcÍdo>, de á(j{Ui, (esquinar», banca. 
lino de bang, «torcer», mudado o g 
00 (breve); e ha a serra com o mesmo 



Jacaré-plpira.— Dous affluentes do 
lo Tietê, pela margem direita: nos mu- 
Icipios de Araraquara, S. Carlos do 
ínbsl, Brotas, Dous Córregos e Jahii. 
Hâ doos: Jacaré-pipira-guaçú e Ja- 
^i^pira-tnirim. Este é, nas eabecei- 
B, Feijão; e \ogo quo affliíe o ribeirão 
ê t/úéaré-ptpira. 



' Rm Leis Provinciaes de divisas, está 
escripto, em vez de pipira, popira; mas 
foi erro. 

O Jacarf-pipim-gnafú é conhecido 
\ ulgarmente por » Jacaré-Grande » ; o 
outro, só por «Jacaré*. 

Este nome nada tem com o amphí- 
bio Jacaré. E' corruptela de Y-âqúá- 
yerê-pipira, «com voltas esquinadas e 
apertado». De y, relativo, aqúá, «es- 
quina», ycrê, «volta», formando 8 pala- 
vra i-áiiúâ-ycrt, «enseada ou volta do 
rio>, pi, «apertar, pensar», com a par- 
tícula pira (breve), para formar partici- 
pio passivo. 

Allusivo a terem muitas e successivas 
voltas esquinadas, correndo entre bar- 
reiras altas. 

O guaçú desagua abaixo do mirim: 
isto é, descendo o rio Tieli!, o mirim é 
anterior ao guaçú. 

Ambos tem as cabeceiras nas serras 
entre os rios Tieíé e ilogg-guaçú. 

O significado de Martius, em seu 
Glo-is. Ling. Brás., «río onde os jacurés 
apanham peixe», é simplesmente um não 
senso. 

Já li que a Jncré -pipira significa «Ja- 
rarézinho»! Arrojo da ignorância... 

Jaceguáy.— Afllaente do rio Mboy- 
guassú. pela nurgem direita: entre os 
municipios de Santo Amaro e Itapece- 
ríca. 

Jaceguáy, corruptela de Y-docè-gitâá, 
• muitas enseadas». De y, relativo, ãocè, 
para exprimir abundância e excesso, fruâá, 
«enseada, banhado». 

Allusivo a ser muito sinuoso, e com 
banhados ás margens. 

Jacob. — Cachoeira, no rio Tietê; 
acima da Aiaremandoáva. 

Jacob, corruptela de Haqueàg, «tor- 

la». 

Allusivo a fazer voltas o canal, por 
causa da posição torcida do arrecife. 

Abaixo desta cachoeira, que tem o 
desnivelamento de 1 metro çoc 3QQ 4a 
exlensilo, o iio e?.\ie\Va-íiÇi, ^•i-a.-íÀfi ■ít^M.- 
zido a 20 mÈVro* 4e Vh^míu 



JAC U 

Jacu.— Affluente do rio Farakyba, 
pela tiiargem esquerda: no municipíu 
de Pinheiros. 

Ha dous Jacu: o Jacu e o Jacú- 

Allliiente do rio Santo Ignado, pela 
margem esquerda: no munici|>i(i de Es- 
piíiio Santo da Boa Vista, Servia de 
anti(;u liivisa entre os niiinícipios de 
Itapelininga e de Botucatii. 

Jacii, nome destes ribeirões, nâo tem 
referencia algiinia ao jacu, semelhando 
o faisíib, do qual ha quatro espécies: o 
assú, a tinga, o perna, o cógca, corrom- 
pido com caca. 

O Jtuú-assú, também conhecido por 
jacú-pytt, ou jacú-ipê, sarapintado; o 
jneá-íinga, por predominar nesta espe- 
uje a côr branca nas azas e na poupa, 
ainda que as costas sejam de côr qaasi 
negra cum reflexos nietallicos azues; o 
jacú-phna ou jacú-pêmba, ou jncú-pena, 
terde- bronzeado, rajado de amarello- 
ruivo; e o jaeú-cõgca, corrompido em 
Jnctí-cácH, prelo. Todos, porém, têm nu 
pescoço, peio lado inferior, uma pequena 
inanclia de pennas vermelhas côr de 
sangue. 

O jacu ó maior do que a gallinh». e 
de fácil domeíiticação. Sua carne é ;ii)re- 
ciada. 

Jacu, nome dos ribeirões, é corrup- 
tela de Y-arúi, «cahidii». De y, relativo, 
fl/-ii£, <cubir-se>. 

Os dois primeiros nascem na serra 
Manliiiueira; 8 o terceiro na strra lio- 
tncalú. 

Allusivo a descerem suas aguas aos 
saltos, vindos de logares altos. 

Jacuba.— Atlluente do rio Jayitary, 
pela margem direiU: no município de 
íí. João da Boa Vista. 

Jarúia, corruptela de Y-acú-bae. «o 
que é quente». De g, relativo, acú, 
<(|uente>, com o suRixo òae (breve) para 
formar participiu, significando <o que^ 

Ksto nome nada lem uom jacuba, que 
\} atlribuido exclusivamente a uma pre- 
paração do-aguB, farinha e assucar, para 
beber. Jacuba, com referencia a osta e 
a outras idênticas preparai^Oes, ó cor- 



JAC 

ruptéla de Y-á-eú-hae, *o que se bebe», 
i-to é, «bebida». De y, rduiivu. à. • 
precedendo o verbo neutro cú. <beb4(| 
sorver, tragar», com a partícula 
(breve), para formar participio, sif 
cando «o que». 

Não é, portanto, termo africano, com 
■i pensou José Veríssimo, em sui 
Scenns da vúia ainaionica. 

O ribeirão Jacúbn tem. com effeit^ 
em suas cabeceiras, caldas as agu3l> 
Nasce em ramificaçfto da mesmn svnt, 
onde existem os denominados Poços d 
Caldas. 

Jacuhy. — Affluente do rio Parahf- 
tinga, pela margem direita; nos mn»- 
cipíos de Cunha e Lagoinha. 

Jacuhy, corruptela de Y-á-rnI, larfr 

iso>. De g, relativo, á, tgr&o, g»* 
nulo. cabeça», C7íí, < pó*, formando rf-eui 
•pó granulado ou em grSos». 

Allusivo a ter muita areia no teito- 

Suas aguas s3o frias e ciaras. 

Nasce na serra murítima, a noroeslí, 
no logar Gramma. 

(Vide o nome Graniiiia). 

£' encachoeirado; e tem a famon 
cascata Desterro, cuja queda verticil 
de 25 a 30 metros, mais ou menuí. 

(Vide o nome Desterro). 

Com o mesmo nome Jacuhy, ha um 
affluente no rio Tietê, pela margem 
ijuerda; no município de S. Paul» [tif 
guezia de N. S. da Penha de Franç»). 

Jacupiranga. — AHIucnie do rio ^'■ 
beira ile Iguape, pela margem direiU: 
no muuicipio de Iguape. 

A' margem do rio Jacupiranga eili 
uma povoaçiio que ora traz o meíao 
nome; mas é a antiga Botujurú. 

O conselheiro Martijj Francisco 
BEIRO DE AxDR&DA. RO Diário de x 
viagem mineralógica pela prorintM 
S. Pardo no anno de 1S05. escreved 
Jacajeiranga. Isto prova que Jacupira» 
ga é uma corrupção posterior á tquelll 
data. Nem mesmo o nome podt-ria tct 
referencia á ave jacu, porque aia h* 
espécie de jacu com a deuouiinaçlo jncú- 
[pirã-nga, significando «jacu verioeUiaH 



k-^ 



JAC 

fncupiranga è. portanto, corrupção 
Y-áqúá-yerê-ã-ngile, «voltas esquina- 
I e sltas>. De y, relativo, áqúá, «es- 
na», yerê, (V0ila>, a. «em pé, em- 
kJo>, ngúe. partícula ile preierito, o 
smo que cúe. assim muilaUu em tigúe, 
' cansa da pronuncia nasal do verbo 
CoDtrabido em Y-aqná-yer' -ã-ugúe. 
Ulnsivo ás militas voltns esquinadas 
rio, formando paredfies. Silo jogares 
igosos por causa dos roílo moinhos. 
l's margens deste rio, em quasi toiia 
in extensão, houve exploraçSo ile ouro. 

Jacurij.— AiBuenle do rio 'Bdé, pela 
rgem esquerda: no municipio de S. 
lio. 

\aeuTÚ. corruptela de Y-acnry, «apres- 
0». De y, relativo, acttry, *veloci- 
le, presteza, pressa». 

Allusivo a ser muito correute. 

Jacurupáva. — Corredeira, no riu 
té; ahnixo da cachoeira Avarêvmn- 
•mirim. 

Hii-iifiárn. corruptela de Y-acury- 
«corrciieira». De y, relativo, aeurj/. 
reetezs, velocidade, pressii", pdha, o 
Bmo que ábn, para exprimir logar, 
ío, eausii, instrumento, ele. 

JaCUSinho. - Atlhiente do ribeirão 
ato Igmirio, pela inargeui esquerda: 
mumcipio de Rio Novo. 
foeusiiiho, corrupçiio de y-ncú-ll, 

'tite e vaporoso». 
Vide o m>me Janilini/n). 
JISo é (I mesmo .Iiteiiiinijo ; mas é o 
imo siguiticado. 

Jacutinga.— Aftluento do rio Para- 
viNenm, pela margem direita: no mu- 
ipio de Rio Novo. 

Lffiuenie do rio .Tagiiary-mirim, pela 
tgeni esquerda: no município de S. 
a dft Boa Vistii. E' ongmario de 
tas Gernos. 

lente do ribeirão das Cruies, e 
I do ribeirão Mofjij-giiassú, pela mar- 
I esquerda: nu município de Jaboti- 

^-o-eott-itya. iVOlteadoD. De y, re- 
TOltear, dar 



139 



JAG 



voltas», vga (breve), para formar supino. 
Aquelle o, reciproco, serve para expri- 
mir que as voltas sSo tantas e succea- 
sivas que parecem dnbrarem-se sobre 
ellas mesmas, nada adiantando o via- 
jante. 

Com efTeito. assim silo esses cursos 
d 'agua. 

Ha muitos outros córregos com este 
nome na província, 

Nada teui, portanto, este nome com 
a ea|iecie da ave jucú, denominada jacu- 
tivga. 

Jaguacahen.— Enseada á margem 
esquerda do rio Jíiheira de Igtiape: no 
muoicípio de Iguape. 

Jitgtmcalieii, corruptela de Y-i-guãá- 
caè, «enseada secca». De y, relativo, t, 
*rio». giiãd. «enseada», cnè, tsecco, en- 
xuto», O i »rio», sôa como a fechado. 

Allusivo a ter o rio mudado ahi o 
seu curso, irrompendo ama pequena pe- 
nínsula e deixando entre o leito velho 
e o novo uma ilha- O leito velho ficou 
quasi obstruído; e, em tempos lie falia 
de chuva, sécca. 

Jaguamimbába.— Este nome era o 
da extensão mais elevada dii grande 
serra Aiiià-ti-ijui>-a, corrompiílo em 
M,n,li-iHeim. 

(Vide o nome Mantiqueira). 

Jagitnmitnbãlm, corruptela de Y-ãqná- 
uii-mbába. dogar em que as pontas se 
escondem». De ;', relativo, íír/uá, «ponta», 
íhí, «esconder, occultar», levado ao par- 
lícipÍD peia partícula álxi, precedido de 
mb por ser nasal a pronuncia de mi, 
para exprimir o logar. 

Mais em Minas Geraes do que na 
província de S. Paulo, o nome Jagua- 
iniiitháha é conservado; [lorque, do facto, 
os picos lia grande serra moslrain-se 
alli mais envolvidos em constante ne- 
voeiro liriinco. 

Os portuguezes, entendendo que o 
nome jagiiamimhill/a era corruptela de 
gnnf/lii-áiia ou, melhor, gHiiyhi-íiilj-áÍHt. 
«cabello de velhas», mesmo por cuusu 
do nevoeiro btMXfto, AetMa wi ^cm.'â.'^ 



JAG 1; 

rio que nssce nrssa serra o nome de 
Rio da-s Velhas, Eiibstitajndo o nome 
tupi. 

Jaguaovira.— Affluente do rio Ri- 
beira de Igiiape, peia iimrgem esquerda: 
entre os mutiicipios Ae Apiahy e de Xi- 
ririca. 

Jagimovira, eorruiitéla de Y-ãqúá-o- 
bir-a, (esquinado, e alio de ambos os 
lados». De y, relativo, áqúá. «esquinar, 
esquina», o, reciproco, para exprimir plu- 
ral e coiiimunicação. bir. «levantar*, com 
o accrescimi) de 'i (breve), por acabar 
em consoante. E' o mesmo Taquaro- 
vira. um pouco acinin ila fóz do ribei- 
rão Betary. O nume Taquarovíra é t;or- 
ruptéla de T-nqúA-ro-bir-a, e, pois, é 
ainda o mesmo nome Y-aqúa-o-bir-a, só 
com a dilferen^-a de ter sido substituído 
o relativo y por /. e o reciproco o pela 
partícula ro. para exprimir o exercício 
mutuo da ac^ao do verbo, com referen- 
cia ás duas marf^ens. 

Na substancia, os dou8 nomes são 
idênticos, como toi acima demonstrado; 
e sSo allusivos a formar o rio muitas 
esquinas em seu curso, e^senipre enlre 
margens altas. 

JaguaqLiára.^Morro pitnteagudo no 
município de Calireiiva. 

•fagiinquára, corruptéa de Y-atiãá- 
aquá-rò, por contrac^,'ão Y-agúá-'ijuà-rò, 
«redondo e ponteagudoi. De y, relativo, 
agúà, «redondo», áqiiá, * ponta», rõ, 

• põr-se», 

Jaguára.— Logar no lUo Grande, 
em que se formou a passagem para os 
que iam da região, que depois foi capi- 
tania e província de S. Paulo, á Ube- 
raba e a outros pontos de Minas Geraes 
e da de Gojaz. 

Actualmente, a estrada de ferro Mo- 
gjana construiu ahi uma bella ponte 
com trilhos para seu trem rodante. 

Jagnára, corruptela de Y-aqúá-yeiè, 

• volta esquinada>. De y, relativo, áqúá, 
«esquina, esquinar», ijcrc, «voltií-. 

Com effcito, o Rio Grande forma ahi 
I volta com esquina bem pionaaoiada. 



tO_ JAG \ 

Por causa do accento agado em áqi 
a palavra yerè seria pronunciada brei 
e corrida, quasi fazendo a contracçl 

Y-áqúd-'erè. 

Jaguarahé.— Affluente do rio 7V<* 
pela luargem esquerda; entre os m 
cipioa de Cotia e de Santo Amaro. 

Jaqimrahé, corrupléla de Y-áq»á-ráit 
isucessívamente esquinado». De jj, i* 
lativo, nqúa, «esquina e enseada», «■ 
posposiçâo significando, neste nome, « 
cessivamente». 

Com effeito, este ribeirão forma, 
seu curso, successivos zig-zags. 

A estrada antiga da cidade de S 
Paulo á villa da Cwtia o atravessa 
cabeceiras. 

Jaguareté.— Affluente do rio íVb- 
napanema, pela margem direita- Aifliii 
em sertíies povoados de indigenas. 

Jagunreté, corruptela de Í'-a?"á 
etê, por contracção Y-nqn ■ar' -eté, «mníl» 
corrente». De y, relativo, áquà. <corfef>i 
accrescido com a partícula ara, parafof- 
mar particípio activo, etf, para eiprimif 
superlativo, 

Sem duviila, naquella regiiio hi 
animal feroz jaguareté; mas o indigíBl 
nSo cogitm disso para denominar o ria 

Com effeito, isto curso d'agua d?» 
do espigão bUo dos Agudos, em ' ' " 
Íngreme, com um desnivelamento de 
de utn metro por kilometro. 

Neste ribeirilo, ha um grande siW 
logo que deixa o campo e entr» * 
matta; alóm ile outros menores. 

Jaguary. — Rio que, depois de 
bcr as aguas do rio Camandoe/w, • 

junlando-se oo rio AHbaia, forma - 
Piracicaba: entre os municípios de Brt| 
gançp, .amparo, Itatiba e Campina*. » 
originiirio da Província de Mínis C*- 
raes. 

Afflaente do rio Mngy-gnami. P* 
margem direita: entre os niuniripiO' •* 
S. -íoao da Boa Visla, de Casa-Bni* 
de Pirassununga e de Santa Cnu i» 
Palmeiras. Tem o nume -/ajfuarjr-niífW 
para o distinguirem do rio ■/fiJKWH 



JAG 



141 



JAG 



Afluente do rio Jaguary- mirim, pela 
margem direita ; entre os municipios de 
S. Jofto da Boa Yista e de Casa Branca. 
E' também conhecido por Jaguary do 
Campo, 

Afflaente do rio Ribeira de Igiiape, 
pela margem direita: no municipio de 
Xiriríca. 

Afflaente do rio Parahyba^ pela mar- 
gem esqnerda: entre os munici[)ios de 
Santa Izabel, de Patrocinio^ de S. José 
dos Campos e de Jacareby. 

E' Jaguary-mirim até a sua confluên- 
cia com o Rio do Peixe. Âhi ha um im- 
ponente salto, de três metros de altura. 

Segando Martius, Oloss. Ling. Bros., 
o nome Jaguary significa «rio das on- 
ças»! 

NSo é verdade. 

Antes, porém, de explicar o nome Ja- 
guary, com referencia aos mencionados 
carsos d^agua, devo dizer alguma cousa 
acerca da ouça, animal feroz. 

Os indígenas o nomeavam de dous 
modos, e mesmo para distinguir suas 
espécies: quer como assaltaiite de cima 
ou de logíir superior, oó-ocè, de que a 
palavra «onça» é corrupção (de oó, ter- 
ceira pessoa do indicativo do verbo aó, 
«brigar, assaltar»', ocè, adverbio para 
exprimir posição superior ou de cima), 
quer como agarrador para devorar, yâ- 
guará (de yâ, «colher, agarrar», gíiara, 
participio de ú, «comer, devorar»). Mes- 
mo o participio de aó, «brigar^ assaltar», 
é yagàara, soando quasi o mesmo que 
ya-guára. 

A denominação «onça», como se vê, 
é portanto tupi. Os lexicographos por- 
tuguezes, vendo-se em difficuldades para 
explicar a origem da palavra, perderam- 
86 em conjecturas: Constâncio consi- 
dera «onça> como corrupção do «lynce»; 
Caldas Aulête considera a palavra 
«onça» como de formação italiana — 
Lonxa, 

A yârguára ou ya-gúara, de espécie 

legitima, ou de geração não cruzada, é 

nomeada yâ-guára-été ou yagúara-eié, 

pois que été serve para assignalal-a 

como «verdadeira». 



O padre A. R. de Montota, em seu 
TV^oro de la lengua guarani, na palavra 
yagúar, mencionou o cão, o ieão, a onça, 
o lobo, o zorilho, o tigre e outros ani- 
maes menores. Creio, porém, que é exag- 
gerada essa classificação; se bem que, 
uns como carniceiros, e outros com^ 
simplesmente mordedores, possam ser 
yâ-guára, que é participio de qualquer 
dos verbos irregulares ú, «comer, devo- 
rar», e ^/li, «morder». 

Mas, em summa, a onça não podia 
ter dado o nome a esseb cursos d^agua. 

Desses animaes ferozes ha: a oó-ocè, 
corrompido pelos portuguezes em «onça», 
ou ocè'OÓ, corrompido pelos francezes 
em ocelót, ^6 com a differença de ser 
posposto ou anteposto ao verbo óo, o 
adverbio ocè: e a guárçoó-arã, nome este 
corrompido em guaçú-rã pelo padre A. 
R. DB MoKTOYA, om seu Tesoro de la 
lengua guarani, ou suassú-raruz, ou 
mesmo çuçúarana, como têm escripto 
outros ainda mais incorrectamente. Com 
effeito, o nome guá-çoó-rã ó o verda- 
deiro: é apócope de guá-cod-rama ou 
de guá'Coó-rangúe, figura muito usada 
em tupi, exprimindo habito natural de 
«comer carne», ou a qualidade de «car- 
niceiro»: de guá-rama, futuro do verbo 
u, «comer, devorar», ou de guá-rangúe, 
pretérito e futuro mixto do mesmo verbo, 
intercalada a palavra çoó, «carne», para 
exprimir a intima relação do verbo com 
o caso, formando uma só palavra. 

Tanto a oó-ocè, como a guá-çod-rã, 
tem varias espécies, que se distinguem 
pela côr: pytã, «vermelha», joj^/5/m, «par- 
da-violacea», pinl-ma, «pintada, ou man- 
chada», pi-húú-na^ pronunciado pixuna 
por causa do h aspirado, «preta», tauá, 
«amarella», e diversas outras cores pro- 
duzidas em gerações hybridas. 

Além destas espécies, ha a mlarácâiá, 
que alguns pronunciam maracajá, tam- 
bém conhecida pelo nome yà-gua-tiriri-ca, 
corrompido em jâ-gua-tiri-ca, signifi- 
cando «o que se arrasta para agarrar^/. 
De yâ, «agarrar», (/wá, apócope de gnára, 
partícula de participio activo, /mVi, «ar- 
rastar», com a partícula ca (bre\e), para 
formai ^upitio- 



JAG 



142 



JAM 



E' a espécie gato. 

Allusivo ao movimento rasteiro que 
faz antes de assaltar; ao inverso das 
outras espécies que, ou assaltam de 
cima ou de logar superior, ou erguem-se 
sobre as patas trazeiras, enfrentam a 
victima, e a agarram. 

A mbarácáíá fornece três sub-espe- 
cies; além das hybridas. 

O nome ynbarácáiá é composto de 
mbae-rá-vát-á, «manchas imitando quei- 
mado». De mbqè^ partícula que sóo pre- 
ceder a substfintivos em certos casos, 
rá, «mancha», (áí, «queimar», á, «imi- 
tar». 

A sub-especie mln-rá-çái-yú, significa 
«manchas de amarello queimado». De 
f/í2, «amarello». 

Com eflfeito, nas cores do gato mha- 
racaiú entram o cinzento-amarellado e 
o pardo quasi negro, formando listas e 
manchas no pello. 

Afastada a idéa de onça no nome Ja- 
gtiat-y^ de sorte que os viajantes podem 
transpor sem perigo esses cursos d'agua, 
embora expostos a ser devorados nas 
mattas por esses mesmos aniinaes fero- 
zes, digo que Jagumij é corruptela de 
Y-áqúá-riy «successivamente esquinado». 
De y, relativo, aqua, «esquinar, esquina», 
ri, posposiçâo significando, neste caso, 
«successivamente». Também pôde ser 
Y-aqúa-ara-i, contrahido em Y-aqH*ar*'i, 
«perseverantemente esquinador»; isto é, 
levado o verbo aqúa ao participio pelo 
accrescimo da partícula ára, significando 
«esquinador», e i, posposiçâo de perse- 
verança. Quer um, quer outro modo, 
ambos exprimem o mesmo facto. 

Allusivo ás muitas esquinas ou voltas 
angulares que esses rios e ribeirões 
formam em seu curso, mais ou menos 
accidentado. 

Jaguary. — Ilha, no rio Ribeira de 
Ignape, próximo á villa de Xiririca, com 
o nome Jaguary; mas tira-o da en- 
seada ou sacco que o rio Ribeira de 
hjuape forma nesso logar, i-agnâá-ri, 
<em frente da enseada do rio-i>: de /\ 
«rio», agadáy «enseada, sacco», /v, «em 
frente». 



Jaguary.— Morro, entre o rio TJrva 
do Prelado e Rio Verde: no rounicipío 
de Iguape. 

Jaguary, corruptela de T-aquâ-ri^ 
«com ponta». De y, relativo, aquâ, «pon- 
ta», r/, «com». 

Allusivo a ser ponteagudo. 

Mal e indevidamente tem sido con- 
fundido com o Oaraú. 

(Vide o nome Oaraú), 

Sua base é de pedras nuas. 

Jahú. — Affluente do rio Jacaré-pi- 
pira-mirim, pela margem esquerda: nos 
municípios de Jahú, Brotas e Dous Cór- 
regos. 

Desde o território da freguezia do 
Sapé, subindo até o ponto de denomi- 
nar-se Praia, corru[>çào de Pái-ia, «de- 
pendurado», allusivo a cachoeira e cas- 
catas, é Jahú^ corruptela de Y-ayú^ «o 
que se estreita». De y, relativo, signi- 
ficando «o que se», ayú, verbo neutro, 
«estreitar, ter garganta». 

(Vide o nome Prata), 

Allusivo a estreitar-se em vários to- 
gares, fazendo gargantas, entre montes. 

Nada, pois, tem este nome com o 
peixe jahúj espécie grande de bagre, 
excedendo em comprimento a um me- 
tro, com grossura proporcional. Este 
peixe de couro abunda nos rios maiores 
da província de S. Paulo. 

Jambeiro.— Villa, ás margens do ri- 
beirão Capirary, 

(Vide o nome Capivary), ' 

O nome c do serrote que serve de 
ílivisa entre este município e o de Oa- 
çapnva, e interna-se no de S. José dos 
Campos. Mas, não é conhecido senão 
pelo único nome Seiroie. 

O nome da freguezia era Capií^ary; 
mas com a elevação á villa, foi esta de- 
nominada Jambeiro, O ribeirão Capivary 
a divide em duas partes. 

Jambeiro, corrupção de Y-â-mb-yêrc, 
^<cmpinada e com voltas». Do.y, rela- 
tivo, ã, «empinar, estar em pé», mb, 
intercalação por causa do som nasal de 
ã, que teve de ser ligado á ycrè, «volta». 

Allusivo a ter empinadas as encostas 
e a lormar zig-zags. 



JAP 



143 



JAR 



I 



Nada, pois, tem este nome com a 
myrtacea Jambeiro, cujo fnicto é sabo- 
roso, e é a própria casca, em cujo cen- 
tro está solto o caroço. E' arvore da 
Ásia, transplantada para o Brasil: não 
a mencionou como indígena Gabriel 
Soares, no Roteiro Geral, 1837. 

JapaguarehÚ.— Pequeno rio na ilha 
Qzrdoso, município de Cananéa. Sua ex- 
tensão é de menos de um kilometro. 

Japaguarehú, corruptela de Y-apà- 
aqúâ-ãra-aú, por contracção Y-ajf-aqú*- 
aí^-atí, cpouco corrente». De y, rela- 
tivo, apá, partícula para exprimir o su- 
jeito da cousa, aqúâ, «correr», levado 
ao participio pelo accrescirao de ára, e 
aú, para exprimir o defeito na acção. 

Em verdade, sua correnteza é quasi 
nuUa, por soffrer o eifeito do fluxo e 
refluxo das marés. 

Japy. — Serra com vários morros, en- 
tre os rios Tieié e Jtmdiahy: nos mu- 
nicipios de Jundiahy, Itú, Parnahyba, 
Araçariguama e Cabreúva. 

Nada tem o nome desta serra com o 
pássaro eonirostro conhecido por japi e 
japú^ e também por ché-chfo, japíiri e 
ffuácko. Deste conirosíro ha três espé- 
cies: os que têm cores preta e branca, 
com encontros amarellos, cassicas inte- 
rortotus; os que têm a côr preta, com 
encontros encarnados, vulgarmente de- 
nominados japiins do maito, cassinus 
hoetnorrhous; e os de penacho, com cauda 
aroarella, maiores do que os das duas 
espécies já referidas, cassicus crislatus, 
A terceira e ultima espécie é a do 
yapi; as outras duas, por menores, são 
yapi-i. 

Este pássaro arremeda os outros pas- 
sares. Seus ninhos são suspensos a ga- 
lhos de arvores, e em forma de abóbora 
d'agaa. 

Japy, nome da serra, é corruptela de 

Yâ-pi, «aberturas fundas». De yâ, «abrir, 

rachar», pi, «fundo, vazio». 
iLllusivo a compôr-se a serra de três 

filas de morros parallelos, com ínterval- 

los fundos. E mais ha, em cada tila, 
aâertas ca gargantas numerosas para 
úskvessio fácil. 



Também nesta serra ha grutas pouco 
notáveis. No cume de um de seus picos 
existe uma lagoa; e na vertente Occi- 
dental, ha uma linda cascata. 

JaraguáL— Pico, que se destaca da 
serra Cantareira, e é notável por sua 
altitude, acima do nível do mar, 1100 
metros: no município de S. Paulo, de 
cuja cidade dista cerca de vinte kilome- 
tros. 

Este pico tem escarpada uma das 
faces; e a rocha é inteiramente núa. 

Jaraguá, segundo Martius, em seu 
(jIoss, LÍ7ig. Brás., significa «morros 
que dominam o campo»! e, segundo A. 
DE Saint-Hilaire, «agua que mur- 
mura» ! 

Nada dibso. 

Jaraguá é corruptela de Y-araquái, 
«o roliço». De y, relativo, araquái, «ro- 
liço, cingido, torneado». 

Allusívo a ser cingido fortemente, com 
a forma roliça. 

Jaraguaú.— Áfiluente do rio líeté, 
pela margem direita: no município de 
í5. Paulo, freguezia de N. S. do O'. 

E' também conhecido por Jaravahú; 
mas o significado é o mesmo. 

(Vide o nome Jaravahú). 

Jaragnaú, corruptela de Y-ar-aguâá- 
úú, vcladeado de várzeas lodosas». De 
y, relativo, ar, «ladear», aguâá, ou sim- 
plesmente guâá, «enseada, várzea», ti/ú, 
o mesmo que húú, «lodo, borra, íézes, 
detritos, etc». 

Allusívo a ter ás margens, e na barra, 
várzeas pantanosas. O verbo ar é ahi 
empregado em dous sentidos, «ladear» 
e «rematar», para alludir também á vár- 
zea da barra, hoje quasi deseccada por 
ter sido rasgada. 

Jararahy.— Affluente do rio Cotia, 
pela margem direita: no municipio de 
Cotia. 

Jararahy, corruptela de Y-araá-araá-i, 
contrahido em Y-araá-^raá-i, «perseve- 
rante e superlativamente doentio». De 
y, relativo, arad, «doença», repetido para 
exprimir sv\\ieT\^\\NO, wx ^ ^xxrííã.^'^^ ^^ 



JAT 



144 



JAT 



mesmo facto, i, posposição de perseve- 
rança. 

Com eflfeito, este córrego é quasi todo 
alagadiço; ainda que tem alguma ca- 
choeira^ como a que se vê da antiga 
estrada de rodagem Ituana. 

Jaravahú. — Affluente do rio Tietê, 
pela margem direita: no município de 
S. Paulo. 

Jaravahú, corrupção de T-aroyâ-úú, 
«pantanaes pegados uns aos outros». 
De y, relativo, aroyâ, «pegar-se um ao 
outro», úú, «alagadiço^ lamacento, ato- 
leiro, pantanal». 

Âllusívo a ter várzea ás margens, com 
pântanos e atoleiros. 

Jardim.— Affluente do rio Atibaia, 
pela margem esquerda : no município de 
Campinas. Junta-se ao Iguaierny, for- 
mando um só. 

(Vide o nome Iguaietny). 

Affluente do rio Parahyba, pela mar- 
gem direita: no município de Jacareby. 

Jardim, corruptela de Y-at-nd-l, «tem 
altos e baixos». De y, relativo, aí, «sa- 
liências, altos e baixos», nd, intercalação 
por causa da pronuncia nasal de i, «ter 
em si». 

AUusivo a descer em cachoeira. 

Jardim. — Logar, no município de 
Cunha, onde dous mananciaes nascem 
em duas grutas, os quaes afflúem ao ri- 
beirão Bugio. 

(Vide o nome Bugio), 

Jardim, corrupção de Y-aí-nd-i, «tem 
brenhas». De y, relativo, aí, «brenhas», 
nd, intercalação por causa da pronuncia 
nasal de l, «ter em si». 

AUusivo a ser embrenhado esse logar, 
entre penhas e com grutas. 

Jataliy.— Affluente do rio Ticié, pela 
margem direita: no municipio de Pira- 
cicaba. Pouco acima da sua fóz, ha o 
baixio com o mesmo nome. 

Affluente do rio Mogy-guassú, pela 
margem direita: no municipio de S. 
Simão. 



Affluente do rio Parahyba, pela mar- 
gem direita: entre os municípios de Ja- 
tahy e de Bocaiua. 

O nome Jatahy nada tem com a abe- 
lha vermelha yaicí, que a corruptela diz 
jatahy ou jetahxj, e que produz um mel 
medicinal. 

Nada tem também com o jatahy, cor- 
ruptela de yutaí, da mesma familía do 
yuV-obá, de que ha varias espécies. A 
arvore é classificada entre as legumino- 
sas; excellente para construcções, tam- 
bém é proveitosa por causa da resina 
que exhúda da casca e das raizes, aro- 
mática, amarellada, transparente como 
o âmbar, com applicação a varias in- 
dustrias. Da casca os indígenas faziam 
e ainda fazem ubá ou canoa. 

Jatahy, nome dos ribeirões, é corrup- 
tela de Yo-ytá-í, «perseverantemente pe- 
dregoso». De yo, que aqui não é re- 
ciproco, mas exprime qualidade natural, 
ytá, «pedra», í, posposição de perseve- 
rança. 

AUusivo a serem encachoeirados e 
com pedras no leito, em todo o seu 
curso, esses ribeirões. 

Quanto ao baixio no rio Ti^té com 
esse nome, é, segundo a descripção re- 
cente de um explorador, «uma corre- 
deira formada por arrecifes á margem 
direita, com o canal á margem esquerda». 
E', pois, o mesmo significado «perseve- 
rantemente pedregoso». 

JataJiytuba.— Affluente do rio ife- 

beira de Iguape,^ pela margem direita: 
no municipio de Iguape. 

Jatahytúba, corruptela de Y-atey-itú- 
bae, «o que boja e afrouxa». De y, re- 
lativo, atey, «ser frouxo, afrouxar», tóí, 
«bojar, fazer barriga», com o suffixo bae 
(breve), para formar participio, signifi- 
cando «o que». 

AUusivo a serem reprezadas suas 
aguas; de sorte que formam uma lagoa, 
que traz o mesmo nome; além de es- 
palharem-se tanto e em tal extensão 
que o terreno se encharca. 

E, aliás, pôde haver na região abun- 
dância da abelha e da fructa jatahy: 



JEQ ^ 

so ao jogo linguistico do 



lativúca.— Morro, DO mut)i<^ipío de 
Carlos ilo Pinhal. 

^liftSm, corruptela ile Y-ati-hog-ra, 
orro gretado». De y, relativo, ati, 
ontãu, morro, elevação», bog, «ra- 
r, fender, abrir, grelar», com ca (hre- 
, para formar participio. 
Ulnsivo a ter cavernas. 

Jsyré. — Morro notável á margem es- 
Tda do rio Ribeira de Jguape: entre 
manicipios de Xirirícii e de Iguape, 

uso lias Sete Ilarras. 

Jat/ié, corruptiíla de Vríi-rf, «despe- 

io e á parte». De yai, «despegado», 
mesmo que é, <á |iHrte, retirado». 

Âllusivo a estar separado de outros 

mies e serras naquella região. 

Com effeito, é isolado entre charcos e 
intanaes. 

Jequetibá. — AEflueiite do rio Aíi- 
ia, pela margem direita: entre os mu- 
njiloa de Atibaia, de liragauça e de 
iliba. 

^jlo ha referencia ulgtinia á mugeã- 
^^ arvore, conhecida por jeijiiiiibd, cor- 
ptéla de Yê-vni-ty-bne, to que deixa 
kír a ponta». De yê, reciprouo, para 
[u-iiDir a acção da cuusa sobre si 
wna, cuí, 'cahir», Uj. «ponta», bne 
rete), para formar participio, signifi- 
lifô ío qnes. 

Allusivo ao seu fructo que, depois de 
idurecido, deixa cahir a tampa ou 
Onta, ficando o casulo. Ksta tampa é 
mliecida entre os rústicos por <'isqueiro 
mico». 
Desta magestosa arvore da faniíiiii das 
frtaceas, tem siilo assignaludas duas 
Mcies, a rósea e a vermelha, aquella 
ihecida na sciencia por Couratari le- 
tis, e esta por Cotiratnrí strellemiis ; 
IS, Mabtius especificnu tnmhem uma 
rcetra espw-ie, a Ooin-alari doinesli/:a. 
'casca dá uma qiiulidníle de cmbim: 
toma adstringente, é empregada nas 
rrhéas e nas anginas. 
' Inda uieamo abundando esta arvore 
margens deste aSIuente do rio Ãti- 



tn JER 

baia, ao nome do ribeir5o é completa- 
mente estranha a arvore. 

Jequiiibá, nome do ribeiráo. é corrup- 
tela de Tc-quiti-ltae, «o que se limpa>. 
De yê, reciproco, pani exprimir a acçfio 
da cousa sobre si mesma, qvÍIÍ, «lim- 
par, esfregar», bae (breve), para formar 
participio, significando <o que». 

Allnsivo a correrem suas aguas em 
tal declive, que leram comsigo quaes- 
quer corpos extranlios e sujidades. 

E' pedregoso e encaclioeirado. 

Jerumirim.— Logar, no rio Ribeira 
ãc Jqiiape. em que as aguas são aper- 
tadas ■ entre paredões, fazendo voltas, 
acima da fóz do ribeirão Pilões: no mu- 
nicípio de Yporunga. 

Logar, no rio Pmanapanema, em que 
igualmente as aguas são apertadas entre 
paredões, fazendo voltas e correndo de- 
pois em uma cachoeira, 16 kilometros 
mais ciu menos abaixo da fóz do ribei- 
rão Tnqiiary: no município do Rio Novo. 

Dous logares no rio Sorocaba, um 
em seguida ao outro, com garganta aper- 
tada, entre paredões altos, com saltos, 
um dos qitaes de 2."50, com corredei- 
ras successivas. As aguas descem em 
cascatas formando rodomoinhos. 

Sao mais conhecidos por Jurutnirim. 

Jerumirim é corruptela de Yúr-o- 
l>yi't, «a pique de ambos os lados for- 
mando garganta». De y&r, «garganta*, 
o, reciproco, para exprimir os dous lados, 
pyrl, «a pique». Mas, neste pyri ap- 
parece mudado o p em »», por estar 
precedido de o reciproco; nada tem com 
mirim, «menor, pequeno». 

Com effeito, nesses togares, que tra- 
zem o nome Jtirumirim, o rio se es- 
treita, entre montes alcantilados. 

As aguas ahi correm velozmenipe, pre- 
cipitando-se revoltas em cascata. 

Jerumirim.— Morro, á margem es- 
querda do rio Ribeira de Ignape: no 

uiuuicipio de Yporanga. 

Jirumiriín, corruptela de Yi>cri-i\- 

pyrl, ^escarpado que se chamusca». De 

ye', reciproco, exprimindo a actjSo da 
cousa aobie eVk utovn&i vri.„ 



JOA 



146 



JUÁ 



qae heréj cchamuscar», ti, «resvalar», 
pyri, fSL pique», que, precedido de ti, 
exprime apenas «escarpado, alcantilado». 
O p é madado em m. 

âHusíyo a ser formado em escarpa; 
e contendo abundância do mineral py- 
fites, ser isto causa de sua combustão 
espontânea em varias épocas. Em 1847, 
porém, sahiu do cume do morro uma 
torrente de agua quente, e com sua im- 
petuosidade destruiu tudo por onde pas- 
sou. Essa torrente seccou depois de 
dous dias. 

Jiqueira. — Morro, no município de 
Itapecerica. 

(Vide o nome Chiqueiro). 

Jiqueira, corruptela de Y-it-ctiêra, «o 
resvaladio». De y, relativo, ií, «resvalar», 
cuêra^ partícula de pretérito, mas tomada 
algumas vezes por presente, como neste 
caso, segundo a lição- do padre A. R. 
DE MoNTOYA, em seu Tesmo de la len- 
gtia guarani. 

Ãllusivo a ser muito lamacento, e por 
isso resvaladio. 

A palavra chiqueiro, que figura nos 
diccionarios da língua portugueza, é cor- 
rupção de Y-il-cuêra, por. ser lamacento 
e lúbrico o curral de porcos. 

Jiquitaía. — Cachoeira, no rio Soro- 
caba. 

Jiquiiaia, corruptela de Y-iquê-çái-a, 
«lados estendidos». De y, relativo, iquê, 
«lado», çái, «estender, esparzir», no in- 
finitivo. 

Ãllusivo a que, depois de estreitado 
por uma muralha, o rio alarga-se em 
cerca de lõO metros, com um desnive- 
lamento de 2 metros para 200 metros 
de extensão, e um canal tortuoso e in- 
certo, denominado pelos indígenas ee- 
canal, «sabida sinuosa e movediça». De 
ce, «sabida», canái, «cousa torta que 
não se ajusta». Incerto, por causa da 
areia cuja deslocação é incessante. 

João de Oliveira. -Ribeiro, que com 
outros forma o rio Aptahy-gimssú: no 
municipio de Apiaby. 



(Vide os nomes Campina e Caximba). 

João de Oliveira, corrupção de Nho- 
ã-ndi-yêrè, «muitas voltas seguidas umas 
ás outras». De nho, reciproco, para ex- 
primir communicação de umas com ou- 
tras, ã, dicção que exprime a maior ener- 
gia na acção, ndi, «muitas», ^crè, «volta». 

Ãllusivo a ser muito e muito sinuoso 
este ribeirão; de tal modo que os que 
estão em uma volta avistam os que se 
acham em outras, de tão próximas que 
são umas ás outras. 

João Paulo.— Afiiuente do rio Pa- 
rahyba, pela margem direita: no muni- 
cípio de Arêas. 

João Paulo, corrupção de Y-o-ã-pát' 
rò, «dependurado entre margens empi- 
nadas». De y, relativo, o, reciproco, 5, 
«empinar, elevar perpendicularmente», 
pái, «dependurar», rò, «por». 

Ãllusivo a descer em cascatas, entre 
margens altas. 

^ Este ribeirão recebe o Vermelho, pró- 
ximo á cidade de Arêas, e seguem assim 
reunidos até o Parahyba. 

Joaperié— E' a palavra com que o 
padre Lourenço Craveiro, reitor do 
collegio dos Jesuítas de 8. Paulo, ex- 
plicou em 1674 o nome Oiòapê, dado 
ao campo mencionado no titulo de ses- 
maria de Pedro de Góes, de 10 de Ou- 
tubro de 1õ;í2. 

(Vide o nome Giòapê). 

Joâpen, corruptela de Y-iapè, «o li- 
mite». De y, relativo, iapê, «limite, ex- 
tremo, fim». 

O cerco de qualquer pedaço de terra^ 
para bemfeitorias, ou de um espaço 
rio ou de lagoa para pescar, affirmandf 
domínio, é ynhapê. 

Portanto, esse campo seria o limlt^M 
daquella sesmaria. 



Juá. — Affluente do rio Juquiry, pel 
margem esquerda: no municipio de £ 
Paulo. 

Juá ou Yuá, «limoso». 

limo o \e\\.o. 



JUN U 

mliora lenha algumas Cíichoeiras, enas 
as não t<Mii lUDit-a currenteza, por 
ia (ios po(;os que existem no leito. 
!' um pequeuo ribeirão. 

lubanguá.— Trecho do rio Sorocaba, 
ia Bacaetava até a fúz iJo rio Sa- 



iibanfftiá. corruptela de Yú-bang-o-á, 
rgantas e torcimentos para ambos os 
De yã, «garganta», bauff, «lor- 
, reciproco, lí, «ladear, lado». O 

imtivo, quando ii9o tom caso, exprime 

íOçía do verbo em geral. 

Ulusivo ás muitas sinuosidades e gar- 

itas do rio, nessa extpnsão. 
lôse trecho de rio é, com effeito, aper- 
I entre margens attas; reduziíla a 2') 
20 metros a sna largura: com suc- 

sivas sinuosidades. 

luiry. — Aftluente do rio Itapitangui, 
i margem direita: no ntunicípio de 



fuiry, corruptela de Y-iriè, trio que 
ia>. De y, relativo, mê, «no que 
u>. 

Ulo^vo a baixar muito até o ponto 
ficar qaasi secco. 

Jundiacanga— Lagoa, entre os mu- 

ãpios do Cuu.po Largo de Sorocaba e 
Saríifiuliy. 

Jtutdiacanija, corruptela de Tú^nda 
tg-a-t, «lagoa que nSo sécca>. De 
«lagfia. abgadiço>, nda, pariicula de 

lêaç&o, ocaiig. terceira jiessoa do pre- 

Qte do indicativo do verbo ratiga, «sec 
, etixugar>, com o accrescimo de a 

KTe), por acabar eiu cunsoaute, e mais 

aecrescimo de / paru fecliar a nega<;ão. 

Allusivo a nao seecar em tempo algum, 
■ alimentada por uma vertente. 

Tanto a lagoa como a vertente formam 
i» das divisas dos dous muuicipios 
ira referidos; e a la<;òa é mesn 
rada entre a cidade de Sorocaba e o 

irro de Juudiacanga. 

Jundiahy.— Aflluente do rio Tieié, 
">|2 margem direita: entre os munici- 
|g de Atibaía, de Jundiahy, de Inilaia- 
^~ .A de itó. A' margem esquerda 



JUN 

deste rio eslá situada a cidade de Jun- 
diahy. 

Attluente do rio Jitndiahy. pela mar- 

m direita, conhecido por Jiindiahy- 

irini: no municipio de Juadiahj. 

AEfluente do rio Tietê, pela margem 
esquerda : no município de Mogy das 
Cruzes. Também conhecido -por Jaitdiahy 
ãf Mogy. 

Atiluente do rio Sorocaba, pela mar- 
gem esquerda: no municjpio de Soro- 
caba. 

Jnmliahy, segundo o systema de Mar- 
TIU8, significaria «rio em que abunda o 
peixe yundiát. Este peixe é de escama 
semi-o.-íses, vivendo no lodo do& rios e 
dos lagos. E' do numero dos peixes cha- 
mados do matlo, porque, ao primeiro 
repiíjticte da enchente, sobem com as 
aguus, e descendo estas, ficam sobre fo- 
lhas seceas. no meio dos mattOB qne 
Iiaviam sirlo inundados, e ahi desovam, 
á espera do segundo repiquete para vol- 
tarem ao rio. 

O próprio Martids, em seu Qloss. 
Lfing. Brás., escreveu que Jundiahy é 
irio dos bagres», porém a descripçSo 
de yundiá acima feita, demonstra que 
este peixe não é da familia dos bagres. 

Mas, o indígena nilo cogitou de deno- 
minar esses cursos d'agua com o nome 
de peixe que por ventura ahi abunda- 
ria: era bastante inteliigente, e portanto 
n3o commetteria tal sandice. 

Jundiahy é corruptela de TH-ndi-aí, 
«alagadiços 6 muita folhagem e galhos 
seccos>. De yú, «alagadiço, aguas po- 
dres», 7idi, «muitos, muito*, aí, «folha- 
gem secca, galhos cabidos das arvores, 
bervas rasteiras, detritos vegetaes de 
toda a espécie». 

Allusivo a alagarem-se suas margens, 
em tempo de chuvits. formando aguas 
paradas 6 cobertas de limo: e ao mesmo 
tempo atulhados de folhas e ramos sec- 
cos esses alagadiços, além de outros ve- 
getaes. 

Jundiaquára.— Afllueale <Io ribeirão 
vnrahú: no município de Ubatuba. 
Jundiaquára, corruptela de Yú-7idi- 
t-yu(ír-a, «alagadít^OK e «i\úift% v^Kf% 



JUN 



148 



JUQ 



d^agna». De yú, «alagadiço^ agaa podre», 
ndi, cmuitos», t, «agua», quár^ «poço, 
fojo, buraco», com o accrescimo de a 
(breve), por acabar em consoante. 

AllusÍYO a alagar-se, formando as aguas 
em suas margens, poças onde param e 
apodrecem, cobertas de limo e manchas. 

Jundiaquíra. — Bairro, no município 
de Sorocaba. 

Jundiaquíra, corruptela de Y-i-ndi-o- 
quir-a, «perseverantemente chuvoso». De 
y, relativo, i, «estar», 7id, particula para 
Ugar l que é nasal a t, posposição de 
perseverança, o, artigo de terceira pes- 
soa, precedendo quir, «chover», com o 
accrescimo de a (breve), por acabar em 
r. A traducção litteral seria «o que está 
perseverantemente chuvoso». 

Allusivo á constância das chuvas nesse 
iogar. 

Jundiuvira.— Serrote, no municipio 
de Cabreúva. 

Affluente do rio Tietê, pela margem 
direita: entre os municípios de Parna- 
hyba e de Jundiahy. 

Jundiuvira^ corruptela de To-ndi-y- 
bir-a, «muitas elevações seguidas». De 
yo, reciproco, para exprimir communi- 
cação, ndi, «muitos», y, relativo, bir, 
«levantar, elevar», com o accrescimo de 
a (breve), por acabar em consoante. 
Alguns escrevem Jundiovira, porque o 
y, relativo, tem também o som de a 
francez. 

Allusivo a ter vários picos, communi- 
cados uns com outros. 

Este serrote é ramificação da serra 
Japy. 

Quanto ao nome Jundiavira, que tem 
o ribeirão supra, é corruptela de Tú- 
ndi-ibi-rõ, «muitas gargantas e barri- 
gudo». De yú, «garganta, estreito», ndi, 
«muitos», ibi, «barriga», rõ, «pôr-se». 

Allusivo ás ínnumeras voltas que dá, 
estreitando-se em muitos legares; e á 
represa de suas aguas na barra, alar- 
gando-a. 

Com eflFeito, este ribeirão desce do 



Os indígenas costumavam designar 
com nomes idênticos no som, mas di- 
versos no significado, legares vários, na' 
mesma região. Dahi o nome Jutidiovira, 
dado tanto ao serrote como ao ribeirão. 

JupUYÚra.— Affluente do rio Ribeira 
de Igunpey pela margem esquerda: entre 
08 municípios de Iporanga e de Xiri- 
rica. 

Jwpuvúra, corruptela de T-yf^-pi-bú- 
ru, «rodomoinhos». De j/, reh.tivo, ye, 
reciproco, para exprimir a acção da cousa 
sobre si mesma, pi, «centro», bú, «sa- 
bida d'agua», ru, «revolver». 

Allusivo aos muitos rodomoinhos em 
seu leito. 

Segundo parece-me, é este o mesmo 
ribeirão que traz o nome Pilões, 

(Vide o nome Pilões). 

Juquery. — Affluente do rio Tieíé, 
pela margem direita: entre os municí- 
pios de Atibaia e de Conceição dos Gua- 
rulhos. A' margem esquerda deste rio 
está a povoação do mesmo nome. 

Com o nome Juquery-mirim ha um 
affluente do sobredito rio Juquery^ pela 
margem esquerda. 

Este nome nada tem com o Juqueri, 
arbusto sarmentoso e trepante; caule 
articulado quadrangular, ramoso, com es- 
pinhos recurvados, folhas altemaái ovaes, 
coriáceas, com nervuras longitudinaes ; 
flores em umbella simples, e, quando 
abertas, são de côr verde-esbranquíçada; 
o fructo é uma baga espherica, violá- 
cea, com duas ou três sementes redon- 
das; raiz longa, delgada, enrugada, fle- 
xível, fibrosa, difficil de ser quebrada. 
Esta raiz, que é medicamentosa, é cin- 
zenta ou avermelhada por fora, branca, 
amarellada, ou rósea por dentro ; o me- 
ditullio, branco e mais lenhoso de que 
a casca; sabor mucillaginoso e amargo. 
E' a mesma yapecanga, ou salsa-parri- 
Iha, conhecida na sciencia por smilax, 
com suas variedades. Da família das As- 
paragineâs. Remédio contra a syphilís. 



morro Chà-ffuassúj ladeando a serra Japy, \ Também uada tem com o yuquiri, 
do lado sal, e seguindo seu curso entre \ arbuslo e.viTv\iedào xva. %çà^\3l^\^ ^^"t mvmo^^ 
os serrotes Jaffuaquara e Juríáio\ATa\hxo^\\Ar\Á\^y^^'^s^^ 



JUQ _J; 

e conhecida vulgarmente por herva viva 
00 malícia das mulheres : planta espi- 
nhosa, folha miúda, folioios oppostos que 
se contrahem Jogo que s3o tocados, ve- 
nenosa, medicinal, crlando-se á beira dos 
río3 e de alagadiços. 

Também nada tem com yuqueii, «sal- 
moura, lexia» : de yuqui, csal». Os in- 
dígenas tiram de arvores o sal, quei- 
mando-as, e Lexiviaado as cinzas. 

Juquery, nome do rio, é corruptela de 
Yú-qui-ri, íalagaiiiço por causa de ehu- 

Iva*. De ^, calagaUiço, aguas podres», 
qui, icbuva», ri, posposiçãu significando 
neste caso, *pur causa». 

Com effeito, des<le as proximidades de 
suas cabeceiras no serrote Itaherába^ o 
valle deste rio é uma só várzea, inter- 
rompida ligeiramente eui um ou outro 
logat por morros ás margens. 

A região é mesmo muito attrahente 
de chuvas: e os alagadiços se formam, 
porqne o rio, quando enche, transborda 
concorrendo assim para o alagamento 
- de suas margens e da várzea, em toda 
a sua estensfio. 

Alguns, tomando o effeito pela causa, 
\ traduzem Yuquiri, «turvo, crescido por 
t enchente>, e assim o escrereu o padre 
f A. R. DE MoNTOTA, em seu Tesoro de 
\ la lengua gitarani. Mas a explicação 
do nome é o que acima está. 

Juqueryqueré.— Farte do rio que 
serve de Úmite aos municípios de S. 
Sebostifto e de Caragnatatuba. 

E' a ultima parte antes de Curupacê. 

(Tide 03 nomes Caramurú, Curupacê 
e Jtio Pardo). 

Juqueryqueré é corruptela de Yiiqiti- 
ri-qui-rehé, «fluxo e refluxo da agua sal- 
gada». De yuqui, (Sat, salgado^, repetido 
para exprimir aqnelle fluxo e refluxo; 
tendo o primeiro o accrescimo de ri, e 
D s^undo de rehé, para significarem 
{ mntnalidade. 

£' este uva dos nomes mais engenho- 

Í sãmente formados. À repetição de yuqui- 
ri foi feita s<}mente das duas ultimas syl- 
labjL^ segundo a lição dos grammaticos-, 
mas a palavra ri foi substituída pela 
reAê agniãcaudo a mesma cousa e coq- 



1L_ JUQ 

trahido em r'ê para exprimir o fluxo e 
o refluxo. 

Ailusivo a soffrer essa parte do rio a 
influencia das marés. 

Portanto, o nome Juqueryqueré não 
pôde ser applicado ao rio inteiro. 

Juquiá.— AÊfluente do rio Ribeira de 
Ignape, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Iguape. 

O conselheiro Martih Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, em seu Diário de 
uma riageni mineralógica pela provinda 
de S. Paulo na anno de 1805, referin- 
do-se a este rio, assiifl o descreveu: 
íLnrguei a ribeira, e entrei á direita (elle 
subia a ribeira) pelo rio Juquiá:... a 
este rio, que se prolonga pelo sertSo a 
dentro, e digno de attenção pelas muitas 
madeiras de construcção de que abunda, 
vêm ter ou desaguar differentes rios, á 
esquerda (deve ser direita) o rio do Qui- 
lombo, e á direita (deve ser esquerda) o 
de S. Lourenço, ambos muito piscosos 
e cheios de lagoas igualmente piscosas: 

terreno de suas margens é um barro 
talcoso mais ou menos silicioso, excepto 
Pedrõei, que é um barro vermelho 
carregado, côr proveniente do ferro, Te- 
nho-me espantado da prodigiosa multi- 
dão de pássaros, que sem medo algum 
vêm comnosco confraternisar>. 

Algnns attribuem o nome deste rio a 
um peixe sem escama, cujo nome é 
yuquiá. W semelhante ao mandiú, cu 
mandi armado por ter espinhos com 
que se defende. 

Juquiá, corruptela de T-i-quiá, *rio 
sujo). De y, relativo, i, crio, agua>, qviâ, 
«ser sujo, sujar, sujidade» E' gntturaí 
a pronuncia do i, irio, agU8>. 

Àllusivo aos detritos animaes e vege- 
taes que seus affluentes despejam em 
suas aguas; além dos que elle próprio 
recebe de suas cabeceiras e das lagoas 
e charcos ás suas margens. Também 
concorre para isso, não só a represa de 
suas aguas pela maior velocidade do rio 
Ribeira de ígiiape, çQvati ^to.\í^\si. ^ ^\*íi.- 
veasar este tVo \A«eati'i. ^jAsg^ô^síbí*.. ^ ^ 
com effe\to, tcimã. sxvi\\a «. \sí»».í»í*«s 



JUR 



150 



JUR 



grandes. Da de 1850, aiada hoje, ha 
memoria. 

O rio Juqiiiá^ em sua parte superior, 
tem também, muitas cachoeiras, saltos e 
gargantas. 

Em algumas doscripções de viagem em 
rios, tenho lido a palavra Juquiá empre- 
gada para designar as gargantas ou le- 
gares apertados entre rochedos, ou arre- 
cifes. Mas, essa palavra, assim empre- 
gada, será yú-qudí e nâo yu-quié: 
aquella significando «garganta cingida», 
esta, «lagoa suja». 

Mas o nome verdadeiro deste rio é 7-/- 
quiâ: o fundo de seu leito é cheio de 
detritos de toda a espécie e de lamaçal. 

Sua barra é ladeada de morros gra- 
níticos; e entre as aguas do Juquiá e 
as do rio Ribeira de Iguape ha pedra 
alta, também granítica. 

Juréa.— Promontório notável, ao ex- 
tremo noroeste do município de Iguape, 
entre o rio Una do Prelado e o Rio 
Verde. 

O conselheiro Martim Francisco Ri- 
beiro DE ÂNDRADA, cm scu Dfario de 
U7na viagem mineralógica pela provinda 
de S. Paulo no anno de 1805, descreveu 
assim este morro: «Deixando as difTeren- 
tes cachoeiras que contém este morro, 
direi que este morro é um dos mais 
altos desta costa; que sua direcção é 
quasi nornoreste susueste, e desta mesma 
sorte se prolonga; que está coberto de 
blocos de uma rocha cinzenta- escura e 
avermelhada, a qual entra nas rochas 
empastadas, crystallisadas, que os mine- 
ralogistas denominam pérfido: o cimento 
é de natureza siliciosa com crystaes de 
feldspatho branco ou vermelho, contendo 
de mais mica, schorlnegor e granadas, 
como bem se observa nas faldas do 
mesmo morro junto ao mar». 

Outro viajante, Dr. Carlos Rath, em 
seus Fragmentos geológicos e geographi- 
cos, escreveu: «...a famosa montanha 
da Jureia, mui conhecida dos navegantes, 
a qual, á direita da barra do rio Una, 
lança uma grande cabeça sobre o mar 
em forma de promontório, está inteira- 
mente isolada na planície, e se estende 



do lado (lo rio acompanhando-o por es- 
paço de mais de quatro léguas, lançando 
acima outra cabeça sobre o mar conhe- 
cido pelo nome Carajauna>. 

Ao principio, não podendo atinar com 
a explicação tupi do nome Juréa, sup- 
punha que seria corruptela de Yèrè-yâ, 
«garras retorcidas», ou, como outros es- 
crevem corruptamente, geréua, denomina- 
ção dada á ave de rapina, conhecida vul- 
garmente por urubú-rei, e na ^ âencia, 
catharthes aura; mas, d^epois de melhor 
verificar o systema racional dos povos 
brasílicos, no que era relativo ás deno- 
minações de logares, reconheci que, assim 
explicando o nome Juréa, faria injustiça 
á iutelligencia e á pericia dos indígenas. 

E' certo que o urubu, corruptela de 
Yurúb-ú, «bocca negra», porque assim 
a tem a espécie denominada commum^ 
abunda em toda a costa marítima da 
província de S. Paulo. E, do urubu, a 
sciencía menciona três espécies: o urúbú 
commum ou proprianiente dito, preto, co- 
nhecido na sciencia por catharthes jota, 
o urúbú geréua, conhecido na sciencia 
por catharthes aura, por ter pennas côr 
de ouro na cabeça, e o urubntitiga^ es- 
pécie rara, que tenã na cabeça pennas 
brancas, e só nas províncias do Mara- 
nhão, Pará e Amazonas, apresenta mais 
exemplares. 

O urubu, quando novo, tem a pluma- 
gem branca ou esbranquiçada. 

Tenho para mim que não ha senão o 
urubu commum. O de cabeça bratica e 
o de cabeça áurea, sendo embora ares de 
rapina, só por erro podem ser classiQ- 
cados no género urubu: além de não 
andarem em bandos como este,^n&o têm 
negra a bocca. O indígena classificou-os 
melhor. 

O yêrè-yâ, ou geréua, além do brilho 
e da variedade de cores das pennas, tem 
grandeza e porte altivo, e domina pela 
força o urubu, do qual parece inimigo. 
O urubu, embora em bando numerosís- 
simo, foge logo que avista o geréua. 

O de cabeça branca, maior do que o 
geréua, é considerado a agula do Brazil, 
por sua corpulência e força, bem como 
^pel& altitude de seu vôo. 



I 



JUR 

N.ida, porém, tem o nome Juría com 

jii<>lUi are de rapina, como já disse. 

.^^(■a é corruptela de T-ii-rehê, «com 

Li\íila(louros>. De y. relativo, ("í. • 

Y Viilar>. réhê, posposlijilo. significando ni-ste 

lume «coni>. O som de )í é gutiural. 

O it, verbo qne forma este nome, 

IS, qoe ahi está sem caso, significa 

iresvaludunro, resvalndeiro» ; porque, em 

lí, o verbo, no iiifínítivo sem caso, ex- 

le apenaii a acçSo geral, segundo a 

Içfio do podre I,uiz Ficueira, em sua 

^riê de grantmatica da lingita hrasi- 

AltusiTo a ser esae fragoso morro cer- 
lado de resvaladouros e precipícios, sendo 
[^ecessario o maior cuidadu em através- 
tl-0. 
O já citado consellieiro Martim Fras- 
riírn. referinilo-se á viagem entre Ita- 
iiii.ip^ii e Igunpe, bem o disse: «os ca- 
líiiíilms a niio serem praias, sSo impra- 
liuavfjs ou antes preci/ncios ao que por 
wíUts. E isto, elle o disse exacta- 
beate de]icís de haver transposto o morro 
Juria, 

K propósito, é curiosa a explicação do 
lone Jiiiéa, daiia pelo padre Atres de 
7ABAL, Da sua Corographia Brasílica: 
lO monte Juréa, por corrupí;ao ú&Jndéa, 
10 qual derairi este nome por pnrecei' 
iiar com os caminhantes, que nunca o 
Tinsitam set» trabalho e cansaço grandr, 
i»«sando a estrada peia sua summidaili', 
>or<)iifi o mar sempre bate furioso na 
nu base: é alto e vínIoso: delle descem 
s torrentes, entre as qiiacs se no- 
rio lerfíe, que forma algumas 



Quem judiaria do illustrado padre 
Atres de Casal, dando-lhe a explica- 
ção que elle escreveu naquella sua no- 
»tel obra? 

A descripção do morro e dos traba- 
hos em iranaitaUo, é, porém, verda- 
leira; corresponde perfeitamente ao nome 
npí T-ií-rehê. 

Em algamas proviucías, ha log.ires 
1 o nome Urubu, com referenda a 
ius; mas, nada tem também tal tiome 
Bom essa ave de rapina. E' corruptela 



il JUR 

de Y-iH-bú, trodomoinhos>. O ij tem 
som guttural. 

JurihÚ.— Rio, que, nascendo na serra 
Quitado e ladeando pelo norte a serra 
Pnpitihoacãha, desagua no mar Trafmn' 
'/<-.■ no município de Cananéa. 

JurihÚ, corruptela de Y-i-rÍ-ú, «rio 
de agua escura». De y, reiaiivo, i, <agua>, 
riy o mesmo qno //, «rio», ú, «ser es- 
curo, preto». 

Allusivo a ter iis agnns escuras. Estas 
aguas l^m o sabor de pedra-hume. A' 
semelhança do Rio Negro, affluente do 
rio Amaionas, não se cria peixe neste 
riu, nem ás suas margens pôde existir 
animal algum, seja qual fôr a sua es- 
pécie.. 

E' rio pequeno. 

Jurubatuba. — Rio, que, nascendo na 
vertente interior da serra marítima Cu- 
balão, é nomeado Rio Grande até re- 
ceber u Rio Pequeno: e dflhi até á af- 
fluencia do ribeirão Mòoy-guassú, cujas 
aguas se reúnem a eile peia margem 
esquerda, é Jurubntúba. Desde aquella 
afiluencia tem o nome Pinheiros até 
fazer barra no rio Tietê, peiu margem 
esquerda. 

Só como Jurubalúba e parle de Pi- 
nheiros corre no município de Santo 
Amaro; e passa distante da villa meio 
kilometro. 

(Vide o nome Pinheiros). 

Nada tem de commum este nome com 
Geribatyba. 

Jurubatuba, corruptela de Y-arêb-ytú- 
bae, *Iardo e sujo*. De y, relativo, aréò, 
tardan, yiú, (ser sujo, coin o aceres* 
imo de bae (breve), para formar parti- 
cipio significando «o que é sujo». 

Allusivo á leniídSo de suas aguas e 
aos detritos vegetaes e paus cabidos no 
no, que descem e se accumulam em 
sua fóz. 

Pedbo Taques, na Nubiliarchia Pau- 
listana, escreveu Jaraigbatiba. 

Jurú-mirim— Logares apertados nos 
103 Ribeira de Jguape, Sorocaba e Pa- 
anapanema. 



JUR 



152 



JUR 



Affluente do rio Tietê, pela margem 
direita: no município de Parahyba. 

Corredeira, no rio lieié: no manici- 
pio de Porto Feliz. 

Jwú-mirím, corruptela de Túr-o- 
pyri^ «a pique de ambos os lados, for- 
mando garganta». De yúr, «garganta, 
pescoço», o, reciproco, pyri^ «a pique». 

 pronuncia guttural nasal de pyri, 
precedido de o, reciproco, muda o p em m. 

J uru para.— Affluente do rio Pira- 
porá, pela margem direita: no municí- 
pio de Piedade. 

Jurupará, corruptela de To-ru-pará, 
«variedades de phenomenos que parti- 
cipam da natureza dos rodoinoinbos». 
De yOj que, neste caso, em vez de ser 
reciproco, exprime apenas a natureza da 



cousa, rS, «revolver-se»; para, «varie-' 
dade». 

A palavra para signifícanílo «varie- 
dade», nada tem^ relativamente a este 
a outros nomes, com para, «mar». 

O nome Yo-ru-pará 6 allusivo a de- 
pressões no leito do ribeirão: formando 
as aguas successivos circules, que par- 
ticipam da natureza dos rodomoinbos. 

Este ribeirão Jurupará desce ladeando 
a serra de S, Francisco: — por isso as 
aguas manifestam em redemoinhos e en- 
rugamentos na superfície as depressões 
que existem no leito. 

Juruvaúva. — Affluente do ribeirão 
Jiuidiavira^ pela margem direita: entre 
os municípios de Parnahjba e de Gt- 
breúva. (*) 

(*) Estava em branco o loffu destinado á expUeaflib 




Lage. — Allluente do Ilio Pardo, pela 
■gem direita: entre os municípios de 
ijurú e de Batatues. 
Mos, o nome Lage uâo é propria- 
lOnte desse ribeirão e de outros corrc- 
que. nessa regiSo, trazem-ii'o. Tam- 
o traz a serra que utraveasa o mu- 
ieipio do Cajutã, oaquelia sobredita re- 
O nome é do travessio que ainda 
se vê sobre aquelia serra, e que 
iodigpnas diziam hayè, <?ni contrapo- 
"0 a Taqiteó-7td-ê, ipassagein ou ca- 
bo geral>, e Guã-y-xupé, «passagem 
icuUr». 

(Vide 08 nomes Caconde e Ounzupê). 
Hat/è, que corrompeu-se em Lage, 
causa do h aspirado e do y coiti 
voDuncia de } dada por alguns, signt- 
i «alalhoi ou «travessio», abreviando 
iudigenas por sobre aqiietta serra o 
jecto ou a viagem. 

Ko Itinerário da viagem terrestre da 
de tktnios, na provirteia de S. 
Riuío, a Cuyabá, capital da proinneia 
If Matto Qrosso, pelos engenheiros Mi- 
UXda Reis e Gama Lobo d'Eçã, em 
1857, ha o seguinte trecbo com referen- 
ao dia 3 de Dezembro: «Deixei o 
tso áii 3 horas da manh!!, e segui ao 
10 60." A Ires quartos de légua do 
ISO, passa-se pelo campo chamado da 
iada, e uma légua além da Boiada 
3 togar chamado Ponte Funda. Con- 
tando no mesmo rumo (60.°), che- 
se DO fim de três léguas de marcha 



ao Catingueiro, onde ha pouso e rancho 
á direita da estrada. A' meia légua do 
Catingueiro, passa-se pela poute que 
transpõe o ribeirSo do Cubalão, o qual 
borda o serrote do mesmo nome, e um 
quarto além o ribeirão dou Mortes, que 
corre sobre iage. Deisando o ribeirão 
rias Mortes, cauiinha-se um quarto de 
légua até o arraial do Cajurú, e ]ias!ia-se 
o ribeirão do mesmo nome, correndo 
sobre areia e permittindo passagem a 
váo, e uma légua além o córrego e 
rancho do logar chamado Lage. Cami- 
nhando mais uma légua no mesmo rumo 
(60."), começa a descida da serra co- 
nhecida com o nome Serra da Lage, 
com um quarto de légua de extensão de 
péssimo caminho, a qual finda na ponte 
do ribeirão chamado Pé do morro. Con- 
tinuando mais um quurto de légua, che- 
guei ao pouso Retiro da Lage ás cinco 
horas da tarde, e ahi pernoitei. Junto 
do pouso corre sobre hige o ribeirão do 



Tudo nessa região é lage: e dahi a 
eorrupçilo de hayè. 

Lage.— Ilha granítica, no oceano, ao 
norte da barra de Santos. 

iMge, corrupção de Háyi, «pequenita*. 
O l/l exprime também que, além de pe- 
quena, ó redonda e concava. 

Inhabitada. Ha uella uma fonte cujas 
aguas são proveitosas a certas enfermi- 



LAM 



154 



LAR 



Lageado. — Nome de ribeirões em 
vários municípios: de S. Paulo, Arara- 
quara, Kio Novo, Rio Verde, Santa Bar- 
bara do Rio Pardo, Franca e outros. 

Sorra e ribeirão no município de Ri- 
beirão Preto; mas o nome Lageado, aqui, 
é uma corrupção de kayè-kayè, ttra- 
vessios cruzados», que existiam sobre 
aquella seira, e por ventura ainda exis- 
tem. Não é, portanto, nome da serra e 
do ribeirão. 

Lagoa. —Rios que, nascendo na cor- 
dilheira marítima, correm nos municí- 
pios de Caraguatatuba e Ubatuba, e de- 
saguam no oceano depois de formarem 
sacco ou enseada. 

Sào também nome^ados Alagòa, 

(Vide o nome Alagòa). 

Lagoa Verde. — Lagoa notável no 
município de Cajurú. 

Lagoa Verde^ corrupção de lí-ayúá- 
ei\ «muito limosa». De Ã, relativo, agúá, 
«limo, lodo, lama pegajosa^, eii, «muito, 
muitos». 

Cercada de arvoredo, seu leito con- 
tém limo, lodo, detritos de toda a espécie. 

Lagoinha. — ViUa próxima á margem 
direita do ribeirão Jacuhy, affluente do 
rio Parahytinga, pela margem direita. 

Lagoinha- é corruptela do nome tupi 
daquella região: Yygaú-l-na, «lama- 
centa >. De ^, relativo, ygaú, «lama, 
agua empoçada», i, «conter, ter», com 
o suffixo na (breve), para formar supino. 

Ailusivo á natureza lamaçal dessa re- 
gião ; formando as aguas pequenas poças 
e mesmo lagoinhas. 

Lambary.— «Fonte medicinal» é o 
que significa //-a-mZ/ar"-/, corrompido 
em Lambary. 

De A, relativo, a, intercalação neces- 
sária entre as duas consoantes, mbaraá, 
«doença», í, «agua». 

(Vide o nome Alambary). 

Lambary.— Affluente do rio Para- 
kj/ba, pela margem esquerda: no muni- 
cjp/o de Mogy das Cruzes. 
(Vide o nome Alambary). 



Lapa. — Affluente do ribeírilo Passa- 
cinco, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de S. João do Rio Claro. 

Lapa, corruptela de T-há-pa, «cor- 
tado». De ^, relativo, há, «cortar», cora 
o suffixo pa (breve), para formar supino. 

Ailusivo a sumirem-se suas aguas sob 
pedras, em certo logar, reapparecendo 
immediatamente depois. 

Laranjal. — Affluente do rio Itapeii- 
ninga, pela margem direita: no muni- 
cípio do Espirito Santo da Boa Vista. 

Affluente do rio Mogy-guassú, pela ! 
margem esquerda: no município de S. ! 
Carlos do Pinhal. 

Laranjal, corruptela de h-ar-à-há, 
«margens altas e sinuoso». De h, rela- 
tivo, ar, «lado, ladear», a, «empinar», 
há, «torcer». 

Laranjal. — Cachoeira, no rio Para- 
nnpanerna, um pouco acima do Salto 
das Aratihas: no município de S. Se- 
bastião do Tijuco Preto. 

Laranjal, corrupção de Harú-d-há, 
^^impedimento alto e torcido». De harú, 
«impedimento», ã, «empinar», há, «tor- 
cer». 

Com effeito, ha ahi quasi um salto 
no tempo da vasante com uma queda 
de 1°*,16 em 280 de extensão. Semeada 
de ilhotes, a passagem mesmo em tempo 
de cheia, não é feita senão com canoas 
descarregadas; e é torcida. 

Laranja Azeda.— Cachoeira, no rio 
Tietê: antes do denominado rio morto 
do Avanhandava. 

(Vide o nome Ava?íhandava). 

Affluente do rio Turvo, pela margem 
esquerda: servindo de divisa aos muni- 
cípios de Itapetininga e de Paranapa- 
uema, do lado da serra marítima. 

Affluente do rio Mogy-guassú, pela 
margem esquerda: no município de Pi- 
rassununga. 

Affluente do rio Atibaia, pela margem 
esquerda: no município de Nazareth. 

Laranja Axeda, corrupção de H-ar- 



LAR 



155 



LAR 



ter r o verbo ar^ «ladear, lado», 3, 
«empinar», hecê, posposiçílo, «successi- 
vamente». Segundo o padre A. R. de 
MoNTOYA, em sua Arte de la lengua 
guarani^ o relativo das palavras que 
têm r é o h. 

Com eflFeito, de todos esses ribeirões 
as aguas correm em sulcos profundos, 
entre paredões a pique. 

Ha também no município do Rio Verde 
um cofrego com o nome Laranja Axeda; 
mas, é pequeno o volume de suas aguas. 

Laranja Doce.— Affluente do rio Pa- 

ranapanefna, pela margem direita. Ainda 
em sertões habitados por indigenas. 

Corredeira, em frente á fóz daquélle 
ribeirão ou rio. 

Laranja DocCj corruptela de ILa-ra- 
fla-hôcè^ «extraordinariamente corrente». 
De h, relativo, por causa da particula 
ra intercalada no verbo absoluto ana, 
«correr», para o tornar activo, segundo 
a lição do padre Luiz Figueira, em sua 
Arte de grammaiica da língua brasiiica, 
e do padre A. R. de Monto ya, em sua 
Arte de In lengua guarani, e hôcèy pos- 
posição de superlativo. 

O ribeirão ou rio Laranja Doce desce 
do espigão alto dos Agudos sobre leito 
muito íngreme, com um desnivelamento 
de mais de dous metros por kilometro 
sem muitas sinuosidades. 

A corredeira Laranja Doce não pôde 
deixar de ser considerada também ca- 
choeira, porque ahi, o rio Paranapanema 
forma uma larga bacia com bancos de 
cascalho e areia no centro, e é atraves- 
sado por vários arrecifes, entre os quaes 
vários canaes, sendo o unido á barranca 
da margem esquerda o mais praticável. 
Segando a nota da exploração feita pela 
Commissão Geographica e Geológica da 
província de S. Paulo «este canal, cuja 
profundidade vem decrescendo de cima 
para baixo, de 2"',60 a 0™,60 n'uns bai- 
xios que precedem a entrada da corre- 
deira, tornam a augmentar até o máximo 
de 2™,50 no meio, descendo depois ao 
mínimo de 0"',dO sobre o ultimo traves- 
são e na passagem mais difficil». 



Laranjeira.— Cachoeira difficil no rio 
Paranapanema, um pouco acima da ca- 
choeira Rebojo e famosos rápidos de Santo 
Ignae.h, 

E' precedida de uma corredeira, a 
qual, no tempo da vasante, forma uma 
queda notável: sendo as aguas encami- 
nhadas por um canal estreito e pedre- 
goso unido á margem direita, porque, 
nesse tempo, mais de duas terças partes 
do leito fica em secco. 

Um kilometro, mais ou menos, abaixo, 
começa a terrivel cachoeira, cuja situa- 
ção justifica o nome H-i-ru-afía-yêrè, 
«aguas a correrem revoltas e em rodo; 
moinhos». De A, relativo, í, «agua», com 
pronuncia guttural de a fechado, m, 
«revolver», aãa, «correr», yêrè, «volta». 
Os indígenas dizem mesmo i-yêrè para 
designarem o «rodomoinho das aguas». 

Com effeito, ahi as aguas correm en- 
tre paredes graníticas, formando rede- 
moinhos. Ao lado esquerdo ha um lagedo, 
cuja extensão é calculada em meio ki- 
lometro: um canal o corta bifurcando-se 
na parte inferior com agua insufficiente 
para a navegação de canoas carregadas. 

Laranjeiras. — Affluente do rio Ju- 
quiá, pela margem direita: entre os mu- 
nicípios de Itapecerica e de Una, 

Azevedo Marques errou dizendo-o 
affluente do rio Ribeira de Igiiape, entre 
os municípios de Iguape e de Xirírica. 

Laranjeiras, corrupção de Il-ar-â-ycrè, 
«voltas e margens empinadas». De A, 
relativo, ár, «ladear, lado», 5, «empinar», 
yêrè, «volta». 

Com effeito, este ribeirão corre entre 
margens altas, quasí a prumo, e é muito 
sinuoso. 

A laranjeira não é nativa da America; 
salvo a que é denominada da terra, se 
mesmo esta não fôr uma degeneração 
daquella. O facto da existência agglo- 
merada deste arvoredo em mattas, pôde 
ser explicado pela prolificaçào de semen- 
tes ali deixadas por transeuntes. 

Em lodo ^ c5^^\q^^\ ^'í^^vi^ «í» \!wws\^ ^^ 
ribeirSio Laranseiroà \íVí \k^ \?^^^^ 



LEN 



156 



LIM 



Lava-pés.— Nome de vários córregos 
em diversos mimicipios: como por exem- 
plo no da cidade de S. Paulo, no de S. 
José dos Campos, no da Cotia, de Cajurú 
e outros. 

Em geral, são próximos ás povoações; 
e alguns entendem que o nome lava-pfs 
indica apenas o córrego cujas aguas 
lavam ao viandante os pés, antes de 
entrar elle no povoado. 

Será isso? Ignoro-o. 

Lavrinha.— AflFluente do rio Itape- 
iininga, pela inargein esquerda: no mu- 
nicipio de Ita])etininga. 

Lavrinhas.— Povoação, ou freguezia, 
no município de Itapeva da Faxina. (*) 



(*) Estava ao lado um P. 

Lençóes. — Cidade, sita á margem es- 
querda do ribeirão Lençóes, aflfluente do 
rio Tíeié, pela margem esquerda. 

A primitiva corrupção era La?içóes; 
e assim apparece escripto em velhos tí- 
tulos de propriedade, bem como no Dic- 
donarío Oeographico, Histórico e Des- 
cripiivo do Império do Braxil, por J. O. 
R. MiLLiET DE Saint-Adolphe, tradu- 
zido por Caetano Lopes de Moura. 

LefiçóeSy corrupção de Hè-ynl-og, «bar- 
ra espumosa». De he, «saluda, barra, 
foz», yu%'0g^ «espuma». A pronuncia da 
palavra yui é guttural e difficil. 

Allusivo a formar muita espuma, á 
superfície das aguas que na barra se 
• estende por causa do nível inferior ao 
das aguas do rio Tictc. Ha uma lucta 
entra ellas; de sorte que as do ribei- 
rão, sendo mais fracas, sofFrem retenção, 
e por isso são forçadas a alargarem-se. 

A espuma parece ura lençol super- 
posto ás aguas: — dahi a corrupção. 

Lençol. — Morro no município de Xí- 
riríca. 

Lençol, corrupção Aq Nhe-e-çócè, «con- 
cavo em cima*. De nhe^ reciproco, para 
exprimir a acção da cousa em si mesma, 
4 o^concavo», çócè, significando neste caso 
a parte superior ou de cima. 
Allusivo á sua natureza vulcânica. 



E' da mesma região que o Votupóca, 
o Aboboral e outros. 

(Vide os nomes Aboboral e Voiupóca). 

Esses morros têm elevação ou alti- 
tude superior a 800 metros. 

Llmelra.--Cidade, banhada pelo pe- 
queno ribeirão Tatuhibyy corruptela de 
Ti-ylú-ibiy, por contracção T-yiú-ibiy, 
hoje simplesmente conhecido pelo nome 
Tatu. 

(Vide os nomes Tatu e Tatúhiby). 

A razão do nome Limeira é obscura. 
Alguns attribuem o nome a um sitio 
nesse logar, onde havia grande planta- 
ção desta auraciacea. Todavia, não ac- 
ceito senão com muita reserva uma tal 
explicação. 

Limeiro. — Aflfluente do rio S. Lou- 
renço, pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Iguape. 

LimeirOf corruptela de Hl-m-yèrè^ 
«voltas pequeninas». De Aí, «pequenino, 
pouquito», m, intercalação por ser nasal 
o som de hl, e para ligal-o a yérè, 
«volta». 

Allusivo a fazer successivas voltas, e 
estas pequeninas e breves. Tem a lar- 
gura de quatro metros; e sua extensão 
é de cerca de quarenta kilometros. 

E' navegado por canoas. 

Nasce ao lado esquerdo do morro de- 
nominado da Lagoinha; e ao passo que 
o ribeirão Bigoá, nascendo ao lado di- 
reito daquelle morro, só tem cerca de 
quatro kilometros de extensão, o Li- 
[moeiru^ por suíis inaumeraveis e peque- 
I ninas voltas, faz o percurso de cerca 
de quMrenta kilometros, já referidos. 



Limoeiro. — Corredeira, no rio Tieié. 
entre o salto de Itú e a cidade de 
Porto Feliz. 

Limoeiro, corrupção de Hi-m-yêrè, 
«pequenina volta». De hi, «pequenino, 
pouquito», m, intercalação por causa do 
í^oni nasal da palavra anterior, yêrè, 
«volta». 

íaz o no. 



\ 



LOP 1 

Llmoeiro.—Afflnente do rio Para- 
ba, pela margem esquerda: entre os 
nicipios de Lorena e de Cruzeiro, 
I qaaes serve de dívis». 
Iflluenle fio rio Piracicnha. pela ninr- 
I direita: entre os municípios de Pi- 
ioaba, de S. Pedro e de Betucalú, 
I quaes serve de divisa. 
LSIaente do rio Santo Ignacio, pela 
irgem esquerda: entre os mimicipios 
Bio Bonito e de Botucatú, aos quaes 
Te de divisa. 
Limoeiro, corrupijjlo de Y-mhi-yvrè, 
le se derrama». De y, precedendo o 
rbo neutro mbi-yé,ri\ o mesmo que 
ÍH-yèrè, •derranl3^^ serve para ex- 
mir a acção da pessoa ou da cousa 

íbre si mesma, e ]iortaiito, é traduzido 
O y inicial tem som guttural;-e 
b tem som qunsi imperceptível. 
Allaaivo a serem ribeirões que, cam 

I aguas das cliuvas transbordam, ínun- 

Uldo as margens. 

. Lobo.— Affluente do rio Jacaré-pi- 
tra-miriíii, pela margem esquerda: no 
mmciíiiii de S. ('arlos do Pinhal. 
Lobn, corruptela de fíú-bo, o mesmo 
I Tú-bo, 'aos saltos* ou «de golpe 
1 golpe>. De iú, <golpe>, mudado o 
em A por euphonia, bo (breve), para 
Kprímir o modo de estar. O h tem 
rononcia aspirada. 

AUasivo aos saltos e cachoeiras que 
E' até notabilissima a grande ca- 
poeira dente ribeirão. 
Depois de reunir-se ao ribeirão Fet- 
> é que este toma o nome de Jacaré- 
ípira. 

'.Lopo. — Morro, na extremidade sul- 
KMte da serra Mantiqueira- Está si- 

■do na divisa com a província de 

nas Geraes. 

Eopo, corrupção de Yo-pohii, tcarre- 
i». Da yo, recíproco, mutuo, pohvi, 
{^, pesui, O primeiro i de pohii 
tem pronuncia puttural, e u segundo é 
lireve, conforme o ensina u padre A. 
ft. DE MoNTOTA, no preludio de sua 



i7 LOR 

Arte de la lengita guarani, quando, no 
fim da dicção, ha dois ii. Por isso, 
poki% é pronunciado quasi breve e cor- 
rido, mal percebido o i guttural. 

Aliusivo a ter superposta a famosa 
pedra Gu-an-yúba; formando ambas as 
peças a altitude de 1655 metros. 

(Vide o nome Qarayúrá). 

Lorena." Cidade, situada á margem 
direita do rio Parakybn, em frente a 
nma ilha, formada pela divisão das aguas 
do mesmo rio em dous braços. O mu- 
nicípio conflua ao norte, com a provincia 
de Minas Geraes pelo alto da serra Man- 
tiqueira. 

O nome Lorena foi acto bajulatorío 
para com o capitão general Bernardo José 
de Lorena, que em 1788 elevou á villa 
aqueila povoação. 

Esta povoação era antigamente co- 
nhecida pelo nome Guaipacaré; e pelos 
que navegavam o rio, era dito— o porto 
do Hepacaré. E já li que isto significava, 
em linguagem tupi, «logar das goiabei- 
ras» I 

Ihpacaré é corrupção de I-páu-'qúd~ 
'rê, lenseada da ilha de rio*. De i-páu, 
íiiha de rio», aqúá, «esquina», yêrè, 
4vo!ta>, formando aq&a-yêrè, tenseada, 
on volta qne o rio faz». Era um jogo 
linguistico com o nome Guaipacaré, como 
adiante ac verá. 

Em verdade, nessa região ha uma ilha, 
em forma triaugular, de sorte que, pelo 
braço do rio, á margem esquerda, quem 
navega tem de fazer uma volta; ao passo 
que pelo outro braço, á margem direita, 
é quasi recto o trajecto. 

A povoação, estando á margem di- 
reita, era Guaipacaré, corruptela de Gii- 
i-pán-dqúá-refié, sem frente de ilha es- 
quinada». De gn, reciproco, para expri- 
mir Cúmmunicação, í-pdíi. «ilha de rio», 
ãqúá. ^esquina, ponta», refif, «em frente». 
Por contracção Gu-i~páH''qúá~'rè. O som 
do / é guttural, como o. fechado. 

Com effeilo, a povoação está situada 
em frente da ilha triangular, g portanto 
com esquinas nas eitremidades, tanto 
de cima, como de baiiQ. Vot -Ba», '^^i-, 
V *• - 



MAM 



MAN 



Machado. — Cachoeira pequena no 
rio TieU-: sendo também no canal uma 
corredeira. 

Entre as cidades de Porto Feliz e de 
Tietê. 

MaeJtado, cornipç5o de Ilaçá-bo, riogar 
atravessados. De hnçá, «atravessar, cousa 
atravessada), bo (breve), para exprimir 
logar. 

Allusivo á cachoeira, por cnjo lado ha 
apenas um canal. 

Macúco.— Serra, nos muDicipios de 
Taubaté, de S. Luiz de Parahytinga e 
de Lagoinha. 

DouB aHIuenles do rio Paranapanenia, 
pela margem direita: um, no municipio 
de Santa Barbara do Rio Pardo; outro, 
no de Campos Novos de Paranapanema, 

Macúco, corruptela de Mbo-cúnii, «ca- 
bido». De mbo, partícula activa, cúcuf, 
»cahir>. 

Allusivo, quanto á serra, ao seu der- 
rocamento; e, quanto aos ribeirões, ao 
seu leito em forte declive com quedas. 

M ai catira.— Serra, de que a serra 
Caróea é prolongamento; assifinalando 
esta uma parte dos limites da provinoia 
de S, Paulo com a do Paraná, 

Maieatira, corruptela de Mo-ã-quã 
atir-a, contrnbido em M'-à-quâ-'lir-a, 
«empinada, e pontas altas». De wo, par- 
tícula activa, ã, «empinar», quà, «ponta», 
íiííV, rlevantar, alçar», com o accres- 
cimo de a (breve), por acabar em con- 
soante. 

Allusivo a ser muito alcantilada, e a 
ter muitos picos altissimos. 

Mambucába.— Aílluentedorío Tielê, 
pela iriargcin direita: no municipio de 
Cabreúva. 

Mambucába, contracçflo de Mã-mbucá- 
ába, isto é. Mã-mhtic'-ába, «impedido e 
raido30>. De mõ, «impedir, impediraen- 
to>, mbiiiá, o mesmo que piiM, <fazer 
ruído», mudado o p em mb. por ser 
nasal a palavra anterior, âlxt, partícula 
para exinimir o modo, a causa, o in- 
tento, eic, 

Alluõj''" " eer eiifj>i'.liQOirudo. fazendo 



Mambuhú.— Afflnente do rio | 
7ikam, pela margem direita: 
cipio de Itanhaen. 

Mambuhú. corruptela Je Mo- 
<lodoíO>. De mo, partícula actjn 
por ter som nasal a palavra se^ 
úú, o mesmo que húú, «lodo, 
limo». 

Allusivo a correrem suas 
terreno lodoso. 

Mambural. — Afiluente do rio < 
piranga, pela margem direita: anj 
nicipio de Iguape. 

Mambural, corruptela de Mbaà- 
«manchado de atoleiro>. De 
mesmo que paã, «atolar*, pela mW 
dojjem mb, visto nío ter palan' 
tecedente, rá, «mancha, maucluir>j 
cedido da partícula activa mbo. forn 
mborá, «manchado>. 

Allusivo a ter nos leitos e nas o> 
gens manchas de atoleiro. 

Mamoré.— 'Serra, no niunioipio 

Santos. 

(Vide o nonie Minore). 

Mandaçaia. -Corredeira, no rio fll 
ratfipiiiicmri: um pouco abaixo da bam 
on fóz do rio Itapetininga. 

Mandaçaia, corruptela de Mâ-nd-haçi 
«impedimento atravessado*. De inã, 
pedimento*, rid, interc^laç&o por ser 
o som de wã, e pura ligal-o a Anp 
«atravessar». 

jíJlusivo a existir ahí, 
rio, um largo lagedo de rocha di 
o canal, em diagonal do lado 
para o esquerdo, e pouco 
por seu declive as aguas a uma 
teza correspondente a seis 
por hora. 

M and aqui-— A (fluente do 
pela margem direita: no miiDÍC 
S. Paulo. 

MniiHaqui, ou Mffnd-aqui. <in 
e Irouxoi. De tiià. «impedir, 
mcntot, nd, iniercalação 
«frouxo». 

Allusivo a ter obstruído o )ef 
alugar as margens. 



MAN 



161 



MAN 



Mandíhy. — Afflnente do rio Jacu- 
piranga^ pela margem esquerda: no nm- 
nicipio de Iguape. 

Nada tem este nome com o peixe 
mmidii, 

Maudihijy corruptela de Mà-nd-eví, 
«muitos impedimentos». De mã, «im- 
pedimento», wrf, intercalação por ser nasal 
o som mà, e para ligar a eil, «muitos», 
exprimindo plural. 

Allusivo a ter o leito atravancado 
cora pedras e madeiras podres. 

Mandimbo. — Afíluente do ribeirão 
Gichoeirinha, este do ribeirão Banha- 
rão^ e este do rio Mogu-fiuassú, pela 
margem esquerda; entre os municipios 
de Jaboticabal e de Barretos. 

Ma7uiimbo, corruptela de Mà-nd-ú' 
mbo, «impedido e sujo». De mà, «im- 
pedir», «d, intercalação nasal, il, «sujo», 
w, intercafaçao nasal, bo (breve), para 
formar supino. 

Allusivo a ter o leito obstruído de 
detritos vegetaes; com cachoeiras. 

Mandinga. — Afíluente do rio Para- 
hyiiyiguy pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Cunha. 

Jfandinga, contracção de Mâ-nd-yi- 
ng^ «impedido e gretado». De mã, «im- 
pedir, impedimento», iid, intercalação 
por ser^ nasal o som de mà, o [)ara li- 
gal-o a f/í. «concavar, gretar», com o 
suffixo vga (breve), para formar supino, 
A nasalidade de ma fero também yi^ 
que, sem isso seria guttural. 

Allusivo a saltos, cachoeiras e outros 
obstáculos em seu leito; inclusive con- 
cavidades e gretas. 

A propósito do nome deste ribeirão, 
tenho duvida em admittir a palavra mau- 
dinga como de origem africana. 

Segundo os lexicographos, ter ?wrt/^- 
dinga é «ter difficuldades, contra as quaes 
é necessário luctar». Não é, por ventura, 
o mesmo significado de mandinga, em 
tupi ? 

Mandioca.— Uma das cabeceiras do 
ribeirão Assnngui^ pela margem direita: 
no município de Sarapuhy. 



Mandioca^ isto é, Mã-ndi-ógca^ «muitos 
impedimentos e tapado». De mã^ «impe- 
dimento», ndi^ «muitos», ógca^ de óg^ 
«tapar», com o suffixo ca (breve), para 
formar supino. 

Allusivo aos saltos e cachoeiras; re- 
presado, porém, na barra. 

Mandira.— AflFluente do rio das Mi- 
nas^ pela margem direita: no município 
de Cananéa. 

Mandira^ isto é, ilã-ndir-a, «impedi- 
mentos amontoados». De ma, «impedi- 
mento», ndb'-a, o mesmo que tir-a, «fazer 
montão, amontoar». O / é mudado em 
nd por causa do som nasal de mcL. O 
a (breve) final é exigido por acabar em 
consoante o verbo Ur, segundo a lição 
do padre A. R. de Montoya, em sua 
Arte de la lengua guarani. 

Allusivo a entulhar-se o leito deste 
ribeirão com terras desmoronadas da 
serra, formando elevações. 

O conselheiro Martim Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, em seu Diário de 
uma viagem mineralógica pela provinda 
de S, Paulo 7io anno de 1805, descre- 
vendo os cursos d'agua desta região, es- 
creveu: «Todos estes rios são pouco 
attendiveis pela sua nenhuma largura, 
pela pouca profundidade d'agua e pela 
pequena extensão, o que provém das 
proximidades das serras de onde elles 
nascem : comtudo, no tempo das aguas^ 
são assas caudalosos, e, não ha ímmenso 
tempo, com as grandes chuvas desabaram 
porções das serras, que vieram entu- 
lhar ò rio das Minas e ribeirão do Man- 
dirá, arrastando comsigo enormes ma- 
deiras. . . ».. 

No ribeirão Mandira ha imponentes 
saltos. E, significando tir-a também «le- 
vantado, alto», mã-ndir-a pôde por ven- 
tura ser rofercncia aos sobreditos saltos, 
«impedimentos altos». 

Em summa, a idéa representada pelo 
nome corresponde ao facto. 

Mandissununga.— Affiuente do rio 

Tietê, pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Tietê. 

Mandissununga, corniptéla de JM- 



MAN 



162 



MAN 



ruidoso». De mã, cimpedir, impedimen- 
to», wrfí, cmuítos», çunú, «fazer riiido», 
com o suffixo nga (breve), para formar 
supino. 

Allusivo a saltos e cachoeiras em seu 
curso^ fazendo ruido e estrépito as suas 
aguas, nas successivas quedas. 

MandIÚ.— Affluente do rio Jaguary, 
pela margem direita: no municipio de 
Santa Izabel. E' um córrego. 

Mandiú, corruptela de Mã-nd-yú^ «im- 
pedido e apertado». Do mã, «impedir, 
impedimento», nd^ intercalação por ser 
nasal o som de mã, e para ligal-o a yúy 
«garganta, logar estreito». 

Allusivo a ter o leito atravancado de 
pedras, e a estreitar-se em vários logares. 
Corre entre margens altas. 

Não é exacto que nas cabeceiras deste 
córrego está situada a villa de Santa 
Izabel; sim, á margem direita do ribei- 
rão Araraqtiara, 

Manducáía.— Affluente do Rio Par- 
do^ pela margem direita: no municipio 
de Santa Barbara do Rio Pardo. 

Mandiwáia^ corruptela de Mà-nd-y- 
qtiai-a, «impedimentos e gargantas». De 
mã, «impedimento», 7id, intercalação na- 
sal, ;</, relativo, qiiái, «cingir, fazer gar- 
ganta ou cintura, estreitar», com o ac- 
crescimo de a (breve), para formar infi- 
nitivo, sem caso, e portanto exprimindo 
a acção geral do verbo. 

Allusivo aos saltos, cachoeiras, e gar- 
gantas ou estreitos, no seu curso. 

Mangabahú.— Affluente do rio Jim- 
diahy, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Jundiahy. 

(Vide o nome Anhangabaú), 

Mangabahú^ corruptela de Mong-ába- 
aú, «pantanoso». De mong^ «ser pega- 
joso», ába^ partícula de parti ci pio pre- 
sente para exprimir a causa, o modo, o 
logar, o instrumento, etc., aú, dama, 
mancha, sujidade». Este aú é sempre 
posposto na composição dos nomes. 

Allusivo a ter no leito lama pegajosa. 
Aproveitando esía occasião direi que 
o nome da fructa geralmente conhecida 
/^or M/a/í^aàa é fnofig-ába^ «pegajosa, 



viscosa»; porque verte um leite viscoso, 
emquanto i)ão está bem madura. 

Manquinho. — Affluente do rio Twié, 
pela margem direita: no municipio de 
Juquery. 

ÂIa?iquinho, corruptela de Mã-ngtn-t- 
wa, «leito impedido». De mã, «impedir, 
impedimento», gin, «logar em baixo, ou 
inferior», precedido de n por ser nasal 
o som da palavra antecedente, ?, «estar, 
ser, pôr», com o suffixo na (breve), para 
formar supino. 

Allusivo a ser encachoeirado, e a ter 
alguns saltos. 

Manso.— Affluente do ribeirão Turvo^ 
e este do rio Bananal: no municipio 
de Bananal. 

(Vide os nomes Doce e Piracema), 

Affluente do Ri^ do Peioce, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de S. José 
dos Campos. 

Maiiw^ corruptela de Mã-çú. «impe- 
dimento», çúy «altos e baixos». Estando 
em 7nã o accento predominante, a pa- 
lavra çú é pronunciada quasi breve. 

Allusivo a pedras no kito, e a saltos; 
de sorte que é irregular o nivel do leito. 

Mantiqueira.— Grande, alta e ex- 
tensa serra, que faz a divisa entre as 
províncias de S. Paulo e Minas Geraes, 
internando-se e ramiticando-se nesta ul- 
tima. 

Mantiqueira, corrupção de Mo-ã-ty- 
iquê-ró, por contracção M-ã-iy-què^rò^ 
«encostas e pontas, a pique». De wio, 
partícula activa, 5, «empinar, a prumo, 
a pique», iy, «ponta», iqtcê, «lado, cos- 
tado», rò, «pôr-se». 

Allusivo ás suas encostas muito al- 
cantiladas; e ás muitas elevações pon- 
teagudas que mostra em toda a sua ex- 
tensão. 

Antigamente era mais conhecida pelo 
nome Jaguamim-bába, 

(Vide o nome Jagnamimbába). , 

O significado é o mesmo de um e de 
outro nome. 

Ha na parte da serra, que serve de 

gruVa com Nam% v^\mo^% \\i\fò\v^\^v 



MAR 



MAR 



No município de Parnahyba existe 
também um serrote com o nome Manti- 
queira, sigDJficaiKlo «eucostas alcantila- 
das, e púntas*. 

Mantiqueira.— Affluente do ribeirão 
Tremembé, pela marfjem esquerda: no 
manicipio de S. Paulo. 

A sua fóz fica acima da do ribeirão 
Caelioeira, aSIuente pela m.ir^em direita. 

Mantiqueira, corrup(;ao de Mondi- 
quír-a, ídistilladii, gotojado». De mo, 
partícula activa, ndiqiiir, o mesmo que 
iiqnir, mudado o / em nd por causa da 
oasalidade de mo, cdiãlíliar, gotejan, 
■ com o accmscimo de a ^breve), jior aca- 
bar em coDSoaDte. 

E' um arroio apenas formado por dis- 
tillações da serra na sua cabeceira. 

Maqueroby. — Aflhienle do rio Tietó, 
pela margem esquerd;i: no muntcipio de 
S. Paulo. 

Este é o mesmo rio Pinheiros; porque 
Maqueroby é corruptela de Mo-ti/iié- 
robi, cambas as margens extensamente 
molhadas*. De mo, apócope de tnoró 
para exprimir excesso, superlativo, ex- 
tensão, pecularidade, etc., iquê, <lado>, 

I robi, o mesmo que hobi, tniolhado>. 

I Allusivo aos alaí^adíçus marginaes. 

( Este ribeirão é mencionado pelo padre 
Lourenço Craveiro, em suas Notas 
ao titulo de sesmaria de Pedro de Góes, 
de 10 de Outubro de 1532: «. . o rio 
Maqueroby, que está junto á aldêa da 
Conceição, o qual rio entra no Ânhem- 
by ahi mesmoi. Era a aldêa da Con- 
ceição dos Pinheiros. 

Fedko Taques, na Nobiliarckia Pau- 
listana, com referencia ã «grandiosa fa- 
zenda de terras de cultura*, pertencente 
a João Pires, assim a descreveu: «uma 
légua de testada até o rio Macoroby, 
que lhe foi concedida de sesmaria com 
o seu sertão para a serra de Juquery*. 
E' a Ckintareira. 

Maracanã.— Afnuente do rio Ati- 
baia, pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Atibaia. 
Maraeanã, corruptela àe Mará-âqúâ- 
nAa, por contracção Mor'-aqúá'nhà, «en- 



cerrado em barrancos, e muito esquina- 
do*. De mora, o mesmo que poro, para 
exprimir excesso, superlatÍTO, habito, na- 
tureza, exten.sSo, dqúá, tesquinar», nhã, 
enceslar, encerrar, estar dentro». 

Allusivo a correr entre barrancos, em- 
bora de [lequena altura, por serem em 
campo; fazendo muitas esquinas ou zigs- 
jags, sem, purém, fazer voltas. 

Dista alguns kilometros da povoa<;ao 
Campo Largo de Atibaia. 

Nada tem, portanto, este nome com 
o da ave trepadora, semelhante ao pa- 
pagaio, conhecida por mnracaná, côr cin- 
ta, pé.ã negros, olhos vermelhos, tam- 
bém conhecida por araracã e carauai. 

Maracanã. — Lagoa, no mnnicipio de 

Mogy-guassú. 

Maracanà, corruptela de Mbarad-guà- 
(inâ. por contracção Mbaraá-guá-'nã, 
larga, redonda, doentia*. De inbaraá, 
que se pronuncia mará, tdoença de fe- 
bres», ^'(â, ou mesmo quâ, «redondo, 
anã, «largo, gordo, grosso, espesso*. 

Allusivo a que, embora seja uma grande 
lagoa, suas aguas produzem febres. 

Maranduba.— Ilha, no município de 
Ubatuba. 
(Vide adiante o nome Mirinduba). 

Maranhão. — ASluente do rio TieU, 
pela margem esquerda: no mnnicipio de 
S. Paulo, freguezia do Senhor Bom Jesus 
lio Braz. 

Maranhão, corruptela de Marã-n-aã, 
iruim*. De marã, «ruim*, n, intercala- 
ção nasal, aã, exprimindo a mesma qua- 
lidade «ruim*, para tornar bem certo o 
facto. 

Allusivo a serem pestilencíaes as suas 
aguas. 

Com effeito, nasce em terreno panta- 
noso; e ao descer, forma poços no leito. 

Os que habitam ás suas margens usam 
das suas aguas; mas a verdade é que 
não podem ser sadias, por sua origem. 

Não ha semelhança com o nome Ma- 
ranhão^ da çrovvQWa. ^«i "tofesoiís \iríçc*í, 
, aenlu na toTTM,Y\.tiVa.-, -^oti^^ %. Vi«E>as^'^ 



MAR 



164 



MAR 



Maratan-náu— Rio pequeno que nas- 
ce nos morros da ilha Guaimbé^ ou de 
Santo Amaro: no município de Santos. 

Depois de correr parallello ao rio Ou- 
rumahú, afasta-se para o centro da vár- 
zea, e afinal vae desaguar no mesmo 
Curumahú, próximo á foz deste. 

Maraian-ná, corruptela de Maratan- 
yúá, «endurecido e pegajoso». De mara- 
ian, o mesmo que paratan, mudado o 
p em m por não existir palavra antece- 
dente, «espesso, endurecido, duro^, yúá, 
«pegajoso, visguento». 

Âllusivo a ser seu leito um atoleiro 
duro e pegajoso, quando atravessa a 
várzea. 

Mariano. — AflBuente do rio Parahy- 
ba, pela margem direita: entre os mu- 
nicípios de Taubaté e de Caçapava. 

Mariano^ corrupção de Marã-ni, «ma- 
leitoso». De marã^ «doença enfermidade, 
sezão», m, adverbio, para exprimir a 
certeza do facto ; e a pronuncia de ni é 
usada breve, tanto mais que o accento 
predominante está em rã da palavra an- 
terior, conforme a liçào do padre Luiz 
Figueira, em sua Arte de grammatica 
da litigua brasHica. 

Maribondo. — Cachoeira no Rio Gran- 
de, que serve de divisa entre S. Paulo 
e Minas Geraes, abaixo da fóz do rio 
Sapucahy, alguns kilometros: no mu- 
nicipio de Espirito Santo de Barretes. 

Nada tem o nome desta cachoeira com 
a terrível vespa niaribo7ido, cuja morde- 
dura ou picada é muito dolorosa. 

Maribondo, nome da cachoeira sobre- 
dita, é corruptela de Harú-bó-ndi, «mui- 
tos impedimentos eictraordinarios». De 
harú, «impedimento», bó, para exprimir 
superlativo, 7idi, «muitos»; sendo que é 
pronunciado breve, porque o accento pre- 
dominante está em òd, segundo a liçUo 
do padre Luiz Figueira, em sua Arte 
de grammatica da língua brasíUea. 

Âllusivo a corredeiras, saltos, e outros 
impedimentos nesse trecho do rio. 



Outubro de 1582. E' um dos planos ou 
degraus da serra Cnbatão: no município 
de Santos. 

(Vide o nome Cubatão). 

O padre Lourenço Craveiro, reitor 
do Colle^io dos Padres Jesuítas em S. 
Paulo, annotando em 1674 aquelle titulo 
de sesmaria, escreveu Manioré; mas é 
erro talvez do copista. 

(Vide o nome Mamoré), 

Marorê, corruptela de Mbururé, «tor- 
ta, torcida». O mesmo que puni ré, rfiu- 
dado o p em mb. 

Âllusivo á sua formação em direcção 
inversa á da serra, da qual é contra 
forte. 

E', porém, mais baixa do que a serra 
Cubatão, como acima ficou dito. 

Mar Pequeno.— E' o estreito desde 
a barra Icapára até a de Cananêa: nos 
municípios de Iguape e de Cananéa. Sua 
largura varia de 400 a 1200 metros na 
extensão de 66.*) kilometros. 

(Vide os nomes Cananéa e Candairó). 

Este estreito é formado, desde a barra 
Icapára pela terra firme e pela ilha 
Comprida; e, de certo ponto para o sul 
até á barra de CatuDiéa, pela mesma 
ilha Comprida e pela ilha Ca?ianéa. 

(Vide os nomes Comprida e Conda- 
puhy). 

Mar Pequeno é uma grande corrupção 
de Mo-há-pêpê-mo, «esquinado e si- 
nuoso:». De mo, partícula activa, em vez 
de mbo^ por causa do som nasal de pepe, 
conforme a lição dos grammaticos, Ad, 
«torcer, volver», pepe, «esquinar», com 
o suffixo mo (breve), para formar supino. 

Âllusivo a ter margens successivamente 
esquinadas; e a ter canal muito sinuoso, 
de sorte que a embarcação é forçada a 
successivas voltas e revoltas. 

Marques. — Affluente do rio Pa^a- 
hyba, pela margem direita: no municipio 
de Lorena. 

Marques, corrupção de Mbo-áquà, por 
contracção Mb^-áquâ, «corrente». 



Em algumas regiões, o b é pronun- 
Afaroró* — Serra, mencionada no titulo \ dado c^om ^x^l^x^\i^va., lotm^TÀ^ \)6j(\<a&i\ 
de sesmaria de Pedro Góes, de 10 de\em ouUía fe o m, VixxsvwÀa ^i\Ai«vV^ 



MAT 



165 



MBO 



Mathias Peres.— Corredeira, no rio 
Tietê ^ em seguida á do Oarda: no mu- 
nicipio de Tietê. 

(Vide o nome Oarcia). 

Maihias Peres, corrupçílo de Mbo-ti- 
yo-yérè, «ondas e rodomoinhos». De 
mbo, particula activa, que sôa 7no ou 
io, um e outro breves, como se quizer, 
iij «agua», yo, reciproco, para exprimir 
plural e communicação de uns com ou- 
tros, api^ «ladear», yérè, com referen- 
cia a /^, «rodomoinho». 

Querendo dizer «ondas, aguas viviis», 
a palavra composta ó i-yérè, O i ini- 
cial é o mesmo que ti, «agua, rio». No 
nome Mbo-ii-yo-api-yérè, a palavra ti 
rege conjunctaraente yu-api e yérè, sem 
ser necessário repetil-a em yérè. 

Allusivo a fazer esse córrego rodo- 
moinhos e ondulações. 

No Diário de iiat^cgaçào do rio T/etó, 
escripto em 1769 pelo sargento- mór 
Theotonio José Duarte, o nume Ma- 
thias Peres figura como significando «per- 
deu-se este homem nella» ! 

Matinada. — Serrote da cordilheira 
Mantiqueira: no município de Buquira. 

Matinada, corruptela de Hatl-áí, «erec- 
to, ponteagudo». De /^a/Z, «ponta», ái, 
«erecto, teso». 

Allusivo a se elevar ponteagudo. 

Matto Grosso. — Serra, no municí- 
pio de Batataes. 

Matto Grosso, corrupção de Matú- 
hôcè, «altissimo». De 7naiUj o mesmo 
que catúj «muito», hôcè, «sobrepujar», 
exprimindo superlativo. 

Allusivo á sua altitude de mil metros, 
mais ou menos, acima do nível do mar. 
A extensão é de cerca de sessenta ki- 
lometros, além das ramificações. 

Em alguns logares é Ytá-mb-ê^ «mor- 
ro oco». De ytá, «pedra, morro», mh^ 
intercalação por ter som nasal a palavra 
2, «ôco, concavo». 

Allusivo ás numerosas cavernas e gru- 
tas que ha nella, e que são assim de- 
nominadas ainda hoje pelo povo. 

Não haja confusão com Itambé^ que 
é cousa diversa. 
(Vide o nome Itambé). 



Matto Grosso de Batataes.— Po- 
voação -freguezia, no municipio de Ba- 
tataes. E' situada sobre a serra acima 
descripta. 

Matta-tres.— Corredeira, no rio Mo- 
gy-gnassú. 

Matta-tres^ corruptela de Matú-eté^ 
para exprimir superlativo. 

Allusivo á velocidade das aguas nesse 
logar. 

Matto-sêcco. — Corredeira, no rio 
Tietê. 

Matto-sêcco, corruptela de Matú-etétj 
para exprimir superlativo. 

Allusivo á veloz e impetuosa corren- 
teza das aguas nesse logar. 

E' também cachoeira. 

(Vide o nome Itúpirú). 

Está abaixo, alguns kilometros, do 
saltete Itupanema. 

Mboy. — Affluente do rio Jurubatuba^ 
pela margem esquerda: entre os muni- 
cípios de Santo Amaro e de Itapecerica. 

(Yide o nome Jurubatúba). 

Este é o Mboy-guassú. Ha, porém, o 
Mboy-mirim^ affluente daquelle, pela 
margem esquerda: no municipio de Ita- 
pecerica. 

A' margem esquerda do ribeirão Mboy- 
mirÍ7n está a povoação Mboy (ou me- 
lhor escripto, Mbeíu), antigo aldeamento 
de indígenas domesticados, e hoje pa- 
rochia. 

Mboy^ corruptela de MbAu^ «cousa 
penhascosa, montanhosa, agrupamento de 
montes, cousa em cachos ou cacheada, 
cousas juntas, apinhadas», palavra que, 
como ensina o padre A. R. de Montoya, 
no Tesoro de la lengua guarani^ era em- 
pregada com applicação aos logares aoci- 
dentados por penhascos, montes, ou mat- 
tas com arvores desiguaes na altura e 
mui juntas, apinhadas ou agglomeradas. 

O padre Manoel da Fonseca, na 
Vida do padre Belchior de Pontes, diz: 
«Não se occupava somente em exercí- 
cios espirituaes, mas, attendendo tam- 
bém a algum comm^odo t^w^^^^^t^L ^^% 

\ esta kUfeíL loim^ôA. ^\\i xixsi^íkX^àsèx^ ^^^^ 



MEQ 



166 



MIR 



alcantilada, roas com pouca vista; por- 
que os montes^ de que estava cercada^ 
lh'a impediam, ainda que os pinheiros 
qtie lhe formavam huma como murallia, 
a fizessem vistosa a quem nella entra- 
va.,. Deste logar a mudou para outro 
pouco distante, no qual, ainda que havia 
a mesma inconveniência da vista pela 
visinhança dos montes, ficava comtudo 
assentada em um plano cercado de ri- 
beiras». 

A palavra, no som, não é Embahú, 
como alguns dizem; e, sim, simples- 
mente MbéiUj soando o diphtongo ei 
quasi imperceptivelmente. Por isso, a 
gente do logar pronuncia menos incor- 
rectamente Emhú. 

A corruptela occorreu, portanto, menos 
na pronuncia dos naturaes e dos mora- 
dores, do que na maneira de reproduzir 
na escripta; e explica-se pela dificuldade 
de reproduzir a pronuncia nasal-guttural 
do diphtongo eí e syllaba w, e pela con- 
fusão com a do ^ guttural. 

O Mboy-guassú, em suas cabeceiras, 
e até uma certa extensão, teui o nome 
Ouarapiranga. 

(Vide o nome Ouarapiranga). (*) 

(*) Em nota avulsa : 

Quanto aos ribeirões, Mhoy, corruptí-la de Mbohii, «peso, 
carga». Alhisivo a serem pesados ou pouco correntes esses 
ribeirões. O i sõa gutturulmente, segundo a liçSo do padre 
A. R. DR MoNTOYA, em sua Arte de la lençua gttarani, no 
preludio, a propósito da pronuncia do primeiro, sempre que 
ha dous ii no fim da palavra. 

Meninos. — AflBuente do rio Taman- 
duatehy, pela margem esquerda: entre os 
municípios de S. Paulo e de S. Bernardo. 

MenÍ7ios, corrupção de Mã-^i-l-na, 
cimpedido». De 7nã, «impedimento», w, 
consoante da mesma palavra 7nõ, ligando 
esta a i, «estar, pôr», com a partícula 
7ia (breve) para formar supino. 

AUusivo a ter, na fóz, nivel inferior 
ao das aguas do Tamanduatehy ; de 
sorte que suas aguas, encontrando nas 
do ribeirão Tamanduatehy resistência, 
refluem e alagam as margens. E' esta 
resistência que forma o impedimento, 
que o nome tupi manifesta. 

Mequieiro. — Affluente do ribeirão 
Sapu^/iMba, no raunicipio de Iguape. 
(Vide o nome Maqueira). 



Milha.— Serrote, no município de Pi- 
racicaba. 

Milha, corruptela de Mi-y-à, «empi- 
nada». De nd, partícula passiva, para 
significar a cousa sobre que cahe a acção 
do verbo, anteposta ao infinitivo, a, «em- 
pinar, estar em pé, ser a prumo», pre- 
cedido do y, relativo, por já estar trans- 
formado em passivo o verbo ô, como 
acima se vê. 

Este modo de formar participio pas- 
sivo com a anteposição da syllaba wi-, é 
ensinado pelo padre Luiz Figueira, em 
sua Arte de grammaiica da lingua bra- 
sílica; mas, o padre A. R. de Montoya, 
em sua Arte de la lengua guarani, o 
contesta, dizendo que esta lingua não 
tem para passivo senão a posposição pira. 

Em todo o caso, este parece ser um 
nome formado segundo a lição do padre 
Luiz Figueira. 

Allusivo a ser muito alcantilado o ser- 
rote; seu espigão é alto. 

Mirante.— Bacia notável no rio Pa- 
ranapanema: no município de S. Sebas- 
tião de Tijuco Preto. E' abaixo do salto 
Agua do Padre, 17 kilometros. E' cal- 
culado seu diâmetro em 600 metros. 

Mirante, corruptela de MyrÕ-ti. «aguas 
revoltas», myrõ, «revolver», tó, «agua». 

Por causa do predomínio do accento 
em rõ, a palavra ti soa breve. 

Allusivo a formarem as aguas rodo- 
moinho, depois de descer em desfiladeiro 
estreito, ahi precipitando-se. As aguas, 
nessa bacia ou poço, parecem paradas; 
mas, no fundo, estão revoltas. 

E' este um bellissimo trecho do rio 
Paranapanema; porque, após o desfila- 
deiro, o rio alarga-se em arco de um 
e de outro lado, e mostra um como lago 
no centro formado pela bacia. 

• 

Mirinduba. — Ilha pequena granítica, 
no oceano: no municipio de Ubataba. 
Tem a forma elliptica. 

Está situada em frente á fóz do rio 
Brajaimirinduba. 

Mirinduba^ corruptela de Myrt-nd-ii- 
bac, *\)ftc\v3L^\v^ ^ ^^^\\aÀ».>. \i^ >>[v^'t\> 



r 



MOÇ 



167 MOÉ 



rtada, rija dará», hae, (breve), para 

ir participio. 

tnsivo a ser perjuena. cercada inte- 

leDte de pedra, e ainda com arrtt- 

do lado de leste; sem sacco ou 
8 para abrigo, de sorte que o 

bate rijo de encontro ás rochas. 

isericordia.— Rio, que desagua no 
Jiertioffa: nasce no varzcdo da 
le Santo Amaro, ou OnaimLê: no 
àpio de Santi^s. 

têricordia. corrupção de MiAihè- 
jj^-m, contraliiilo em MiAÍtr'-iqii'-óg- 
írtuoso e derramado». De mlniêrd, 
tmo que piiêrè, cderramar>, iquê- 

itorcer>, com o suãixo ca (breve), 
íorinar supino. 

uaiTO a fazer zígs-zags em seu 
sempre em várzea e alagadiços. 

[tra.— Serra, no municipio de Xi- 

iíra, corruptela de Mho-iiarú, por 
icçao Mb'-itarú, «teso á prumo». 
nbo, partícula activa, ilaru, «teso 
imo*. 

dsíto a ser alcantilada esta serra, 
encostaB empinadas, 
pronuncia é MUaru. com accento 
itnÍDante no i, e o mais sempre 
I e corrido. 

Moçambique. — Attluente do rio /i'f- 
[ de fgnujie, pela margem esquerda: 
nanicipio de Xiririca. 
~ xiifíbique, corrupção de Ilóeè-ambi- 
lor contracção Hõc' -ambi-ca. «muito 
Udo entre duas alturas». De hócè, 
mo que òcè, aócè, çocè, açocè, para 
mir alturas ou cousas que subre- 
ambi, «apertar entre duas cou- 
com o suffixo m (breve), para 
Uir supino. O h tem som aspirado. 
^usivo a correr entre paredões altos. 
effeito. do ribeirSo PílÕes para 
, os ribeirões e córregos cortam ja- 

tde grés branco inferior, formando 
funda.^ entre paredões altíssimos. 
i segitida ao ribeirão Pilões, á mar- 
esquerda do rio Iliheira de Igiiapp, 
o Iporan^a, também entre pare- 



dões allissimos. E o immediato ao Ipõ- 
ranga é o Moçaiiibiiiue. Essa região 
tem abi n mesma formaçiio, 

Mocóca. — Cidade, na proxímiihdc 
da serra Cithatão. E' a antiga parochia 
de S. Sebastião da Boa Visia. 

Mas, o nome Mocóca é do ribeirão, 
que corta a cidade, e vae desaguar no 
Jíiõ Pardo, pela margem direita. 

Mocóca, nome do ribeirSo, corrnptéla 
de Í!bo-iiinc-úg-ca, por conlracç3o Mbo- 
'qu'-ôg-ca, «encerrado dos lados». De 
inbo, partícula activa, cujo b é quasí 
imperceptível na pronuncia quando pre- 
valece o m, conforme a liç5o dos gram- 
maticos, iqiiê, 'lado>, 6g, «encerrar», 
com o sufiixo ca (breve), para formar 
supino. 

Allusivo a correr entre morros. Mesmo 
na cidade assim é; pois que esta é ro- 
deada de quatro morros, e o ribeirão 
passa entre elles. 

Mocóca. — Serra, no municipio de 
Natividade. 

Mocóca, corruptela de Mbo-óg-óg-ca, 
por contracção Mb'-óg-Óg-ra, «successí- 
vamente saccado>. De ii/bo, partícula 
activa, âg, «sacear, arrancar), repetido 
para exprimir a successSo do facto, com 
o suffixo ca (breve), para formar supino. 

Allusivo a se mostrar revolvido, com 
pedras em desordem. 

Mocóca.— (Vule o nome Mncuóca). 

Mocotó. -Nome dado, nos caminhos 
de muitas voltas e encruzilhadas, a estes 
pontos de juncçao. 

Mocotó, corruptela de Mbo-co-tóg, «me- 
neiar-se, fazer voltas». De mbo, partí- 
cula activa, cotóg, «meneiar-se, fazer 
voltas». 

Moela.— II lias, no oeeano. a leste da 
ponta sul da illia de Santo Amaro ou 
Gnaimltè; ponta esta conhecida por Moii- 
dúba. 

(Vide o T\ome ilondubtí^. 



MOG 



168 



MOG 



f 



O nome Moela é corruptela de Mbo- 
ê-yrú, «separadas, porém companheiras». 
De mbo, partícula activa, soando mo 
conforme a lição dos grammaticos, é, <á 
parte, separado», yrú, «companheiro», 
pronunciado breve e corrido, por causa 
do accento preponderante em é. 

Allusivo a parecer uma e serem de 
facto três. 

O nome tupi, pelo som, e também a 
forma desse pequeno archipelago seme- 
lhando, visto de longe, a rnoéla das aves^ 
foram motivo para corruptela. 

Mogy. — Pequeno rio que desagua no 
laga-mar de Santos. 

Mogy, corruptela de Mbo-iigi, «aper- 
tado». De mbo, particula activa, Ugi^ 
«apertado, duro». 

Allusivo a descer da serra entre pe- 
nedias. 

Mogy das Cruzes.— Cidade, com 

estação na linha férrea de S. Paulo e 
Rio de Janeiro. 

O nome primitivo era SanVAiiÂa das 
Crux£s de Boygy-mirim, segundo do- 
cumentos antigos. E, por isso, escre- 
veram alguns que o nome Boygy fui 
corrompido em Mogy. 

E\ porém, o nome Cruzes Bogy, cor- 
rupção de Çurúg-bo-yigi, «atoleiro duro». 
De çurúg, «atolar», io, para exprimir 
logar ou sitio, yigi, «duro, apertado». 

Allusivo á extensissima várzea, onde 
ha successivos atoleiros, ou pantanaes 
de lama visguenta. Os animaes têm dif- 
ficuldade em soerguerem-se para conti- 
nuarem o trajecto. 

A tal historia de cruzes no logar, por 
causa de corpos enterrados, não passa 
de uma invenção. Basta pronunciar cor- 
rido çurúg, para quasi soar cruxes. 

A razão por que passou a ser Mogy^ 

com o accrescimo de mirim, foi porque 

no século XVII, foi descoberto o rio 

Mogy-guassú; sendo que este guassú não 

é o contraposto a mirim, como mal o 

entenderam os portuguezes desse tempo. 

(Vide o nome Mogy-guassú), 

Aquelle accrescimo, porém, não tendo 

razão de ser, acabou por desapparecer, 



quando foi fundada no mesmo século 
XVII, a povoação, hoje cidade de Mogy- 
mirim. Outra incongruência, de que o 
indigena não cogitou. 

(Vide o nome Mogy-mirim). 

A verdade é que até agora era igno- 
rada a origem do tal nome Cruzes, 

Ahi fica a explicação. 

Mogy-guassú.— Vílla, á margem es- 
querda do rio Mogy-guassú, 

Antes de creada a freguezia e villa de 
Mogy-mirim, o arraial de Mogj- guassú 
era sede da freguezia e tinha o nome 
de Mogy do Campo. 

O rio é um dos principaes da pro- 
vincia de S. Paulo: e é affluente do 
Rio Orande, pela margem esquerda. 

Mogy-guassú, corruptela de Mong- 
igaú-uçú, por contracção Mong-igaú-^çú, 
«pantanal pegajoso extenso», De mmig, 
«pegajoso, visguento», igaú, «lama de- 
tritos», uçú, «grande, largo». 

Com effeito, em uma extensão de mais 
de cem kilometros, desde a EscaramiAça 
até á affluència dos ribeirões Bomfim 
e Piauhy, ha os pantanaes famosos que 
deram ao rio o nome Mogy-igaú- çú. 

Vê-se pois, que não havia razão para 
dar á região de Mogy das Cruzes, o 
qualiiicativo de mirim, contraposto de 
guassú. 

(Vide o nome Mogy das Cruzes). 

Nem também o indígena jamais co- 
gitou de dar o nome Mogy-mirim ao 
ribeirão, á cuja margem esquerda está 
a cidade do mesmo nome. 

(Vide o nome Mogy-mirim). 

O rio Mogy-guassú tem innumeras 
cachoeiras, e mais o salto Pirassununga, 
e corredeiras extensíssimas. Seu fundo 
é, geralmente, granítico; mas, na região 
dos pantanaes, é arenoso. 

A cachoeira principal é a iS, Bariho- 
lomeu, 

(Vide o nome S. BartJiolomeu). 

A corredeira mais extensa é a Esca- 
ramuça. 

(Vide o nome Escaramuça)* 

Ambos esses nomes são corruptos. 
As outras cachoeiras e corredeiras, 
cuja meaqão vale a pena, são: Onça^ 



MOG 169 MOL 

Mombúca, BrumadOj Tira-eatlnga, Su- cando «perseverantemente pegajoso», í, 
eury^ Agudo, Figueira, Indaiá, Funil, posposiçào de perseverança, seria isso 
Seie Taipax^as, Itupéva, Tapapuai, Cor- um nSo senso, não coincidindo o nome 
rego Riccf e Cordão. com essa qualidade na agua do ribeirão. 

Mas, com o nome Mogy-guassú ha 
também uma várzea pantanosa, próxima Moinho. -Affluente do ribeirão Ta- 
á villa de Caraguatatuba. Outros a de- mandiiatehy, pela margem esquerda: no 
nominam Boyguassú, município de S. Paulo. 

(Vide o nome Boyguassú), Affluente do rio Tietê, pela margem 

O rio Mogy-giiassú tem suas origens esquerda, entre os municípios de Porto 
na província de Mmas Geraes; e, após Feliz e de Tietê. 

a affluencia do Rio Pardo, pela n)argem Affluente do rio Parahyba, pela mar- 
direita, alguns o denominam /í/o Parrfo, gem direita: no município de Taubaté. 
em vez de Mogy-guassú, Ae sorte que j^^.^^, corruptela de Mbòi^na, «dei- 
este torna-se affluente daquelle, pela g^^^. De mòoí, o mesmo que poT, «adel- 
margem esquerda. gaçar, ser delgado», com o suffixo 7ia 

Finalmente, ha também com o nome «,^\^;) formar supino. Este verbo 

Mogy-guas^ um^ serra entre os mum- J,^- ^ "^^ ^^^ ^J^^^ ^ ^^^ 

cipios de Ytapira e do Espirito Santo s . ^ ^ 

do Pinhal, prolongando-se até além das ,, . * 
divisas com a provinda de Minas Ge- Allusivo a correrem sempre estreitos. 

raes. Sem duvida ha no alto delia pan- ... 

tanaes. Mombaça.— Campo próximo ao logar 

em que o ribeirão Apoiribú faz três saltos 

mi^^w ^iw^;^ r\A .^« ã ^^^n,^^ seguidos, antes de desaguar no rio Tietê, 
Mogy-mirim.~ Cidade, á margem ° ' ^ 

esquerda do ribeirão Mot/i/. Mombaça, corrupção de Nhu-mbáú, 

Os primeiros povoadores da região «campo manchado de montes». De nhit, 

accrescentaram ao nome Mog/f a pala- «campo», fnbáâ, o mesmo que páâ, mas 

vra miritn, para o distinguirem do rio mudado o /? em vib por causa do som 

Mogy-guassú, do qual é affluente, pela "asai de nhu. que o antecede, «ilha, 

margem esquerda, na supposiçao de que cousa intermédia».. Mesmo nhú-páú ou 

a palavra gtiassú no nome daquelle rio nh-mubáú significa «ilhas de monte em 

significava «grande». campo». 

Mas, quer o nome quer as qualidades .- , , ir jl- 

hydrographicas, não são eguaes em um , Moléques.-Arrecifes e parcéis ao 

e em outro. O rio é, como já foi es- l«.^^d^^•^^^ ^'''!^''^ °^ ^^^^°^= ^^- 

cripto, Mo7ig-igaÚ-^çu, por allusão aos ^^^^P'^ ^^ Cananea. 

seus famosos pantanaes ; ao passo que Arrecifes ponteagudos, quasí em frente 

o ribeirão é simplesmente Mbochi, «ruim», á Bma Grande, no municipio de S. Se- 

por allusão á má qualidade da agua e bastião. 

a produzir maleitas e impaludismo, se- Moleques, corrupção de Bur-é-que, 

gundo informaram-me pessoas do logar. «parcéis, arrecifes». De bur, «sahir de 

Vê-se, pois, que a palavra mirim foi baixo d'agua», <í, «á parte, separado», çy^e, 

accrescimo feito ao nome pelos primeiros posposição para assignalar perigo e ex- 

povoadores, por ignorarem a differença primir a necessidade de cuidado na na- 

entre o rio e o ribeirão, quer das qua- vegação. 

lidades hydrographicas de cada um, quer (Vide o nome Cardoso), 

dos nomes respectivos, originados de taes Os ignorantes dizem que sao os mari- 

qualidades, segundo o systema dos in- timos que assim denominam esses arre- 

digenas. cifes e parcéis. Sim, elles pronunciam 

Se o nome fosse o mesmo do «rio corruptamente o nome tupi, assas ex- 

Mong'igaú-'çu, isto é, Mong-i, signifi- pressivo. 



MOM 



170 



MON 



Com efFeito, ao lado da ilha Cardoso, 
ha bancos de areia e um lagedo, que 
se mostram á flor d'agua. 

E, quanto aos arrecifes próximos á 
Praia Grande, no município de S. Se- 
bastião, são duas rochas ponteagudas^ 
que de longe parecem uma só ilhota. 

Mombúca.— Affluentes do rio Ita- 
nhaen, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Itanhaen. 

Ha o açú e o mirim, 

Affluente do rio Mogy-giiassú, pela 
margem direita; no município de Ribei- 
rão Preto. 

Momhúca, «furador». De mo^ partícula 
activa, mbúca, infinitivo de púg, «arre- 
bentar, furar», mudado o j9 em mb, por 
ser este um dos verbos que sofFrem 
essa mudança, e mudado o g em ca 
(breve), segundo. a regra dos gramma- 
ticos. 

AUusivo a descer a serra entre e por 
baixo de pedras e penhascos. 

Mombúca.— Corredeira, no rio Mo- 
gy-guassú, 

Ahi, pela margem direita, afllúe o ri- 
beirão do mesmo nome, e já mencio- 
nado no nome anterior. 

Mombúea, corruptela de Mombi-ca, 
por causa do som guttural do i, «exces- 
sivamente apertado». De mo, ap(5yDope 
de moro, para exprimir excesso, super- 
lativo, etc, mbi, o mesmo que pi, «aper- 
tar, atar», mudado o jo em mb por 
causa do som nasal de mo, com o suf- 
flxo ca (breve), para formar supino. 

Allusivo a estreitar-se ahi tanto o 
rio, entre rochas, que extraordinaria- 
mente velozes se tornam as aguas em 
sua descida. 

Momúna. — Affluente do rio Ribeira 
de Iguape, pela margem direita : no mu- 
nicípio de Iguape. 

Alguns escrevem Camúna; mas é erro. 

(Vide o nome Camúna). 

Momúna, corruptela de Mo-húú-na, 

«lodoso». De mo, partícula activa, húú, 

«ter lodo, borra, fezes», com o suffixo 

na (breve), para formar supino. O h 

aspirado parece um m: dahi Mo-mú-na. 



Mondúba.— Ponta sudeste da ilha 
Quaimbê ou de Santo Amaro, fronteira 
á Yiaipú; e ambas formam a entrada 
das barras de Santos e de S. Vicente. 

Mondúba, corruptela de Mondiú-bo, 
«logar em que faz rebojo». De 7no, par- 
tícula activa, 7idíú, o mesmo que tui, 
«rebojar», bo, posposição ou partícula 
para designar sitio ou logar. 

Allusivo ao entumecimento que ahi 
fa/em as aguas, por causa do encontro 
e lucta das correntes; e, com isso, cres- 
cem as ondas, e vâo quebrar-se alto na 
penedia. 

Com effeito, essa ponta da ilha é dif- 
ficíl de ser transposta ou dobrada peias 
embarcações ou navios que sabem bana 
fora, aproando ao nordeste. 

Mongaguáu— Serra, entre os muni- 
cípios de S. Vicente e de Itanhaen. 

Pequeno rio, que nasce naquella serra 
e desagua no oceano, servindo de divisa 
a aquelles dous municípios. 

Mongaguá, corruptela de Mong-ayúá, 
«lama pegajosas. De mong, «pegajoso, 
visguento», ayúáy «lama, limo». 

Allusivo, quanto á serra, aos panta- 
naes em seu cimo; e, quanto ao rio, ao 
limo espesso em seu leito e barrancas. 

Já li Mouguáguá; mas é erro, se bem 
que o significado seja o mesmo. 

Monos. — Affluente do rio Parahyba, 
pela margem direita: entre os municí- 
pios de Santa Branca, de Jacarehy e 
de Mogy das Cruzes. 

Monos, corrupção de Mo-úú-na, «lo- 
doso». De mo, partícula activa, úú, o 
mesmo que húú, «lodo, limo, lama», 
com o suffixo na (breve), para formar 
supino. 

A syllaba 7ia é pronunciada corrida e 
breve, segundo a regra ensinada pelo 
padre Luiz Figueira, em sua Arte de 
grammatica da lingua brasílica, 

Allusivo a criar muito limo ou lodo 
no leito e nas barrancas. 

Quando ha chuvas, torna-se volumoso. 

Monte-alto.— Serrote, no município 
[de Jaboticabal. E' conhecido no logar 



MOÓ 



171 



MOQ 



pelo nome SerrÍ7iha do Bom Jesus do 
Monte Alto. 

Tradacção do nome Oambá. 

(Vide este nome). 

Monte de trigo.— liba, no oceano: 
pertencente ao município de Santos. 

Monte de trigo, corrupção de Mo-ty- 
aiicui, «ponteagudo e calvo». De mõ, 
particula activa correspondendo a iy, 
«apontar, ponta», aticut, «calvo, pellado 
no alto». 

Âilusivo á sua altura formando ponta: 
sem vegetação alguma no cimo. Por ser 
ilha granítica e fragosa, as encostas su- 
periores são cobertas de capim, que se- 
melha, na côr, o trigo: — dahi a corrupção. 
Na parte superior é arborisada. 

E' fundo o mar em redor delia: e, 
por isso, serve de abrigo a embarcações, 
no caso de necessidade; para o que tem 
boa barra e bom ancoradouro. 

Está situada á meia distancia, mais 
ou menos, entre a barra de Santos e 
a barra-sul de S. Sebastião. 

Monte-mór.— Villa, á margem di- 
reita do rio Capivary. 

Nos tempos primeiros, a povoação era 
conhecida por Capivary de cirna; mais 
tarde por Agua Choca, 

(Vide o nome Agirn Choca). 

Montevideo. — Ilha, no Rio Grande, 
em frente ao logar da antiga povoação 
de Santa Rita do Paraizo. 

Montevideo, corrupção de Mõ-tembei- 
nd'éf «separada da margem do rio». De 
7nõ, particula activa para o verbo é, 
tembei, «margem do rio», wrf, intercala- 
ção para ligar iembei a ^, «á parte, se- 
parar». 

Âilusivo a ser uma ilha formada por 
fendas, ou fundos, que alguma enchente 
fez na margem próxima. 

Moóca.— Aflfluente do rio Taman- 
dtiahy, pela margem direita: no muni- 
cípio de S. Paulo. 

Moóca ou Mo-óg-ca, «tapado». De mo, 
apócope do moro, para exprimir excesso, 
superlativo, extensão, habito, peculiari- 



dade, etc, óg, «tapar», com o suflSxo na 
(breve), para formar supino. 

Âilusivo ao facto de refluírem as suas 
aguas, quando ha enchente no ribeirão 
Tamanduatehy, formando alagamento, com 
agua de outros ribeirões e do mesmo 
Tamanduaiehy^ cujas aguas também re- 
fluem por causa do nivel superior do 
rio Tietê, em tempo de chuva. 

Em um titulo de sesmaria li Móqne; 
mas é corruptela. 

A várzea marginal é também conhe- 
cida por Moóca; mas o nome é do ri- 
beirão. 

Moquem. — Affluente do rio Tietê, 
pela margem direita: entre os municí- 
pios de Piracicaba e de Botucatú. 

Aflfluente do rio Itapetiyiinga, pela 
margem direita: no municipio de Ita- 
petininga. 

Moquem, corruptela de Mo-quê-he, 
«dorme muito a gosto». De mo, apó- 
cope de moro, para exprimir superla- 
tivo, excesso, superlativo, habito, quê, 
«dormir», he, «a gosto, commodamente». 

E' também conhecido por Moquêra. 

(Vide o nome Moqueira). 

Os indígenas assim denominaram al- 
guns ribeirões ou mesmo córregos de 
imperceptível correnteza. 

Moqueira. — Aflfluente do rio Sapu- 
tantúba, no municipio de Iguape. 

Alguns dizem Mequeiro; mas é erro. 

O supra mencionado aftluente do rio 
Tietê, que é também conhecido por Mo- 
quem. 

(Vide o nome Moquem). 

Moqueira, corruptela de Mo-quêr-a, 
«dorminhoco». De mo, apócope de 7noró, 
para exprimir superlativo, habito, pecu- 
liaridade, excesso, qiiêr^ «dormir», com 
o accrescimo de a (breve), por acabar 
em consoante. 

AUusivo a serem quasi mortos, por sua 
lentidão, esses dois ribeirões. 

Moquetá. — Morro, á margem do ri- 
beirão Pirajuçára: no municipio de Ja- 
ca rehy. 

Moqiietá, corruptela de Mbo-iquè-ilá, 
«o que serve de esteio». De mbo^ x^òx.- 



MOR 



172 



MOR 



ticula activa, iqiiê, ciado, costado», itá, 
«pilar, armação, estante, em geral coasa 
em que outra se firma». Por contracção 
3IbO'iqu''ítá. 

Allusivo a ser contraforte da serra. 

O padre A. R. de Montoya, no seu 
Tesoro de la lengua gtiara7ii, escreveu 
íloqnitá, confundindo Og-iiá, «pilar de 
casa». 

Moraes. — Serra, no município de 
Cruzeiro. 

Aftluente do rio Ticlé, pela margem 
esquerda: entre os municípios de Tietê 
e de Tatuhy. 

Moraes, corruptela de Mo-rá, «exces- 
sivamente desigual». De mo, npócope de 
moro, para exprimir superlativo, excesso, 
ráj «desigual, altos e baixosv. E' mo e 
nSo po, por estar o verbo no infinitivo. 

Allusivo, quanto á serra, ás varias 
elevações irregulares que mostra : e, 
quanto ao ribeirão, aos altos e baixos 
em seu leito. 

Moranchy. — Morro, entre os muni- 
cípios de Amparo e de Campinas. 

Moratichy, corruptela de Moró-ã-chy, 
contrahído em Mor^-ã-chy, «muito em- 
pinado e escorregadio». De moro, o 
mesmo que poro, para exprimir super- 
lativo, peculiariílade, costume, excesso, 
extensão, etc, ã, «empinar», chy, «es- 
corregar, resvalar». 

Allusivo a ser muito alcantilado, e ter 
encostas limosas. 

Já li escripto Mormiqui; e assim é 
pronunciado. 

Morpian.— Nome que, segundo al- 
guns chronistas, os indígenas davam á 
ilha de S. Vicente. 

Morpian, corrupção de Moró-puã, «al- 
tíssimo». De 7//oro, o mesmo que j)oró, 
para exprimir superlativo, excesso, ha- 
bito, extensão, pnã, «levantar, elevar, 
erguer» ; verbo este que, por ter rece- 
bido, neste caso, a partícula 7}ior(), se 
faz absoluto, segundo a lição dos gram- 
matícos. Moro, e não poro, porque puà 
está no infinitivo. 

Bem se vê, portanto, que os indige- 
/7âs não podiam referir-se á ilha, senão 



somente ás altíssimas montanhas Chiba- 
tão, ou mesmo talvez só ás altas mon- 
tanhas que existem naquella ilha. 

Morrinhos. — Serra, no município de 
Cajurú : pouco elevada, porém sinuosa e 
escabrosa. 

Morrinhos, corrupção de Moró-yi, por 
contracção Mor^-yi, «exceàsivament^ ôco». 
De moro, o mesmo que poro, ou mboró, 
para exprimir superlativo, excesso, ex- 
tensão, habito, peculiariadade, yí, «ôco, 
concavo, abertura, seio». Este yi é pre- 
cedido do vioró, e não poro ou mboró, 
por estar no infinitivo. 

Allusivo ás grutas que tem. 

Uma é um perfeito timel de estrada 
de ferro; parecendo ser obra de arte. 
Atravessa a montanha de um lado ao 
outro. Mede 176 metros de extensão, 6 
de altura e 4 de largura. 

Outra, distante do tunei três a quatro 
kílometros, tem um pórtico em forma de 
arco de scenario de theatro, com 200 
metros de diâmetro; e por ahi é a en- 
trada para um enorme salão, que pôde 
accommodar, á vontade, mil pessoas mais 
ou menos, e é em semi-circulo. As pa- 
redes são revestidas de camadas, pouco 
salientes, de argilla vermelha, seme- 
lhando tijolos; e o solo é coberto de 
arôa fina, também vermelha. De um dos 
lados do salão, ha uma escavação na 
parede, com a forma de um altar; e 
ao lado do altar uma columna bem mo- 
delada, sobre a qual foi fixada uma cruz 
por algum visitante. 

De.«^te salão i>ara outro compartimento 
interior, ha duas entradas: uma de 10 
a 12 metros de largura, e 6 de altura: 
e outra, de 2 metros de largura, e 5 
de altura. 

Neste compartimento' interior, existe 
uma lagoa profunda, cuja agua é crys- 
tallina e salina, escoando-se constante- 
mente por ura canal. E' conhecida por 
Lagoa dos Morrinhos, 

A um dos lados desta lagoa, ha uma 
galeria estreita e baixa, mas de grande 
extensão, povoada de vampiros, que ahi 
cruzam-se a voarem. Por ser escura, ou 
balda de luz^ só com o auxilio de uma 



MOR 



173 



MOR 



lanterna pôde ser observada; e^ ainda 
assiod, é necessária a maior precaução, 
porque o solo é accidentado, além de 
escavado e com frequentes soluções de 
continuidade. Âs paredes são muito an- 
fractnosas; e o som, que fora dalli, mal 
seria ouvido, tem naquella galeria écho 
extraordinário. 

O amigo, que me remetteu esta des- 
cripção, e a quem aproveito a opportu- 
nidade de agradecer-lh'a, concluiu ex- 
clamando: «E' esta gruta uni verdadeiro 
primor da natureza!». 

Com o nome MorrÍ7iho$, ha um bairro 
no municipio de Botucatú. 

Morro Azul. — Morros, no municipio 
de Patrocínio de Santa Isabel. 

Morros, no municipio de Âtibaia. 

Morros, entre os municípios de Li- 
meira e de S. João do Rio Claro. 

Marro Azul, corruptela de Moró-açú, 
«altos e baixos em grande extensão». 
De worrf, o mesmo que poró^ para ex- 
primir superlativo, excesso, extensão, etc, 
açú^ «levantar e altear». E' 7naró e não 
poróy porque precede o verbo no infi- 
nitivo. 

Allusivo a serem morros seguidos, ou 
mesmo em grupo, formando elevações 
irregulares. 

Morro cavado. — Morro, entre os 
municípios de Sorocaba e de Piedade. 

Morro cavado, corrupção de Moró-qúa- 
abá, «muito esburacado por natureza». 
De moro o mesmo que poro, para ex- 
primir na cousa a acção própria em re- 
lação ao verbo, além de exprimir excesso, 
superlativo, extensão, habito, etc, em ou- 
tros casos, qúa, «esburacar», abá, «mui- 
to», com referencia ao verbo qúa. 

Allusivo a ter cavernas. 

Morro do Ouro.— Morro notabilis- 
simo, no municipio de Apiahy. E' gra- 
nítico e inteiramente pellado. Eleva-se 
200 metros acima do nivel do regato 
que o ladêa. 

Morro do Ouro, corrupção de Moro- 
rõj «revolto interiormente por sua pró- 
pria natureza». De moro, o mesmo que 



poro, para exprimir na cousa a acção 
própria em relação ao verbo, além de 
exprimir excesso, superlativo, extensão, 
habito, etc, em outros casos, rõ, «re- 
volver interiormente». A palavra moro 
é empregada em vez de poró^ i)or an- 
teceder o infinitivo. 

Allusivo á sua natureza mineral. 

Coincidindo esta natureza mineral com 
o som do nome tupi, foi aceita a cor- 
rupção Morro do Ouro; e, de facto, sendo 
explorado, ahi encontraram signaes in- 
dicativos da existência desse precioso 
metal. Um desastre, em que morreram 
mais de uma centena de pessoas, desa- 
nimou os exploradores. 

Morro Grande.— Morro, entre os 
municípios de Atibaia, de Bragança, e 
de Santo António da Cachoeira. 

Morro, no municipio de S. José dos 
Campos. 

Morro, entre os municípios de Naza- 
reth, de Conceição dos Guarulhos e de 
Mogy das Cruzes. 

Morro, no municipio de Apiahy. 

Morro, no municipio de S. João do 
Rio Claro. 

Morro Gravide, corrupção de Moro- 
áquà-ni, «muito alto ou muito extenso». 
Por contracção Moró-quâ-nL De moro, 
para exprimir, neste caso, superlativo, 
excesso, extensão, áquâ, «ponta», ni, 
adverbio affirmativo. O tupi, para dizer 
que uma cousa sobrepuja outra, usa da 
palavra composta áquâ-rà, e por estar 
empregada neste nome e ter som nasal, 
foi usado moro, em vez de poro, que 
tornou absoluto aquelle verbo, segundo 
a lição do padre A. R. de Montoya, 
em sua Arte de la le7igua guarani, e 
a do padre Luiz Figueira, em sua 
Arte de grammatica da língua brasílica. 
Por isso, o nome pôde significar que 
sobrepuja em altura ou em extensão. 

Assim, pois. Morro Grande^ sendo uma 
corruptéia, pôde ser considerado também 
uma traducção, somente quanto á pala- 
vra Grande, 

Morro Pellado. — (Vide o nome 
Saboó). 



MUC 



Morros, nos municipios de S. Ber- 
nardo, de Jundiahy e de S. João do Rio 
Claro. 

Morro Sei lado.— (Vide o nome Sei- 



Morro Vermelho.— Morros e, em 

gerai, espigões em voltas ou zigs-zags, 
nos municípios de S. Paulo, S. Bernardo 
e em muitos outros. 

Morro Vermelho, (iornipçao de Moró- 

yerè, «muito tortuoso». De moto, para 
exprimir superlativo, excesso, extensão, 
peculiaridade, etc. yerè, «TOitear». Mord 
e nío poíó, porque precede o verbo no 
infinitivo. 

Morumby,— Morro, entre os ribei- 
rões lenheiros e Pirajuçára: no muni- 
cípio de Santo Amaro. 

Morumby, corruptela de Morõ-iÍ-bi, 
por contracção Mor'-ii-bi, «resvaladou- 
ros muitos altos». De mord, o mesmo 
que poro, para exprimir superiativo, ex- 
cesso, extensáo, peculiaridade, etc. «, 
«resvalar», bi, «alçar, levantar». Moro, 
e não porá, por estarem no infinitivo os 
verbos. Ambos os verbos, por isso se 
tornaram absolutos. 

Allustvo a serem muito alcantiladas 
suas encostas. E' conhecido também por 
Morro-peilado. 

Morungáva.- Affluente do Rio Par- 
do, pela margem liireita: entre o.s mu- 
nicipios de Santa Barbara do Rio Pardo 
e de Lençóes. 

Moruiigára, corruptela de Mboró-huú- 
ng-ába, por contracção Mbor'-huú-vg- 
ába, «constantemente turvo», De mbord, 
para exprimir peculiaridade, habito, ex- 
cesso, superlativo, etc, Aiíú, «lama, lodo, 
borra, fezes», vg, intercalação por ter 
som nasal a palavra kúú, e para lígal-o 
a ába, partícula para exprimir logar, 
modo, causa, destino, instrumento, etc. 

Com eflfeito, esie ribeirSo tem turvas 
as aguas. 

MospuitO.— Serra, no município de 
■Hanio António da Cachoeira. 



Cabeceira do ribeirSo Jacarehy, af- 
âuente do rio Jaguary, pela margem 
esquerda: no mesmo mnnicipio. 

Mosquito, corrupção de Mo-gm-it'ia, 
«extensas cavernas resvaladiasi. De mo, 
apócope de mor6, para exprimir super- 
lativo, excesso, extensão, peculiaridade, 
etc, tornando absoluto o verbo gui, «ca- 
vernar, ser cavernoso, logar em baixo ou 
inferior», ú, resvalar, escorregar», com 
o suífixo ta (breve), para formar snpino. 
E' mo, e não poro, porque o verbo gui 
está no infinitivo. 

Allusivo a cavernas, na serra. 

Quanto ao córrego qne, com o nome 
Taboão, é uma das cabeceiras do ribei- 
rão Jaearehy, o nome Mosquito é cor- 
rupção de Mo-gui-ii-ta, «leito lodoso». 
De mo, apócope de moro, para exprimir 
superlativo, excesso, peculiaridade, habito, 
etc, gui. «logar inferior em baixo», if, 
«ser sujo, manchado», com o snffixo ta 
(breve), para formar supino. 

Allusivo a ter lodo ou limo no fundo. 

Os indígenas sohíam denominar, na 
mesma região, iogares vários com nomes 
que, ainda que soando identicamente, 
tinham diversa significação. 

corrupção proveíu do facto de se 
reproduzirem muito as moscas e mos- 
quitos, quer no serrote, quer no córrego, 
por causa das lamas e do lodo. 

Este serrote Mosquito é uma rami- 
ficação da serra Mantiqueira. 

Ha também um ribeirão Mosquito, 
aSluente do rio Paranapanema, pela 
margem direita: no município de Campos 
Novos de Paranapanema. Devo ser a 
mesma corruptela. 

Motim. — Affluente do rio Purakyha, 
pela iiiaigem esquerda: entre os munt- 
cipios de Santa Branca, de Jacarehy t 
de Mogy das Cruzes, aos quaes serve de 
divisa com o nome Putehy. 

(Vide o nome Polim). 

Mucuóca. — Pequeno rio, que desa- 
gua no oceano: no municipio de Cara- 
guatatiiba. 

Mucuóca, corruptela de Mbúgcn-f/deú^. 
vM.\^\Àifi em Mbttc'-yócúe, «arreben- 



MUR 



175 



MUR 



tado uma ou outra vez». De mb^ig, o 
mesmo que pw//, «arrebentar»,, com o 
suiSxo ca (breve), para formar supino, 
góHie^ cuma ou outra *vez, de vez em 
qoaodo» . 

Alinsivo a formar uma lagoa, a qual 
quando muito cheia, arrebenta, esva- 
sitndo no oceano as aguas. 

Mursa. — Morro, no município de Jun- 
diahy. 

Mursa^ corrupção de Mo-ôcè, «muito 
alto». De wo, apócope de nioró, para 
exprimir superlativo, excesso, extensão, 
etc, ôei, o mesmo que aôcè, hôcè, çôcè, 
csobrepujar». Em vez de moro, é mo, 
porque ôrè está no infinitivo; e tornou-se 
absoluto, segundo a lição dds gramma- 
tícos. 

AUusivo a ser morro superposto a 
outros, com altitude considerável. 

Está situado quasi na mesma latitude 
do Morro-Agudo da serra Japy, 

E', com efiFeito, um morro grande, não 
somente por sua altura, como também 
pela área ^que occupa. Tem forma de 
pico, sobre larguíssima base circular, for- 
mando a serra denominada das Sete Vol- 



tas, porque a estrada antiga para Jun- 
diahy as faz. 

A serra, bem como o morro, tem a 
formação de schistos argillosos; e, não 
attingindo o morro a mais de 800 me- 
tros, é visto do pico Jaraguá, cuja alti- 
tude é de mais de 1.100 metros. 

Murundú. — Affluente do ribeirão 
Una, pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Una. 

Murundú, corruptela de Myrô-nd-húú, 
«lodo revolto». De mffrõ, o mesmo que 
pyrõy «revolver», 7id, intercalação por 
causa do som nasal de myrõ^ e a fim 
de ligal-o a húú, «lodo, borra, fezes». 

Este' nome Myrõ-nd-húú, ora tradu- 
zido litteralmente «lodo revolto», sohia 
ser applicado pelos indígenas aos rios e 
ribeirões turvos. 

Também quando querem assignalar 
uma grande confusão de pessoas ou de 
cousas, dizem myrõ-ndi, «muita desor- 
dem». O som guttural de y fere igual- 
mente o i final segundo a regra ensi- 
nada pelos grammaticos. Murundú, — 
tal é a pronuncia. 



N 



Nanan. — Affluente do rio JinuHaliy- 
niirim^ pela margem direita: no mu- 
nicipío de Jundiahy. 

Nanan, corruptela de Na-nhõ, «não 
corrente». De ími, partícula de negação 
precedendo verbo, nhã, «correr». 

E' também conhecido pelos moradores 
do logar como Pedrinhas e Argolinhaa, 

Allusivo a ser quasi parado, parecendo 
extenso e comprido alagadiço^ e não pro- 
priamente córrego. 

Natividade.— Villa, situada a três kl- 
lometros da margem direita do rio Pa- 
rahybuna, na região entre rio e o Pa- 
rahyiinga. 

Nazareth.- Villa, á margem esquer- 
da do rio Atibaia, Está situada sobre 
um morro de subida Íngreme. 

Neblina. — Affluente do rio Para- 
napanema, pela margem esquerda: no 



município ^le S. Sebastião do Tijuco 
Preto. 

Neblina, corruptela de Nhe-mbi-na, 
«afundado». De nhe, reciproco, para ex- 
primir a acçáo da cousa sobre si mes- 
ma, mbi, o mesmo que pi, «fundar, bai- 
xar», com o suffixo na (breve), para for- 
mar supino. 

Com effeilo, as aguas desse córrego 
cavaram fundo o leito. 

Na região em que corre este affluente 
do Paranapanema ha a pedra preciosa 
denominada dgatha, 

Nhundiahy.— Affluente do UnaiVal- 
dèa, pela margem esquerda: no muni- 
cípio de Iguape. 

Nhundiahy, corruptela de Yú-ndi-ai, 
«muitos alagadiços, e altos e buixos». 
De yú, «alagadiço», ndi, «muitos», ai, 
«altos e baixos». 

Já li Nhundiahú, 



o 



Cy.— Povoação antiga, desde 1610. A 
;CapelIa data de 1618. Passou depois á 
regaezia; e ainda hoje o é. 

O nome é do orago: Nossa Senhora 
O*. Anteriormente, era Nossa Senhora 
Eir.pectaçfío, ou da Esperança. 

Olaria.— Affluen te do rio Sorocaba, 
^pela margem esquerda: no niunicipio de 
Sorocaba. 

Afflaente do Rio Verde, pehv margem 
iilireita: no município de S. José do Rio 
Pardo. O Bio Verde atflúe no Rio Pardo, 
pela margem esquerda. 

São mais córregos do que ribeirões. 

Olaria, corrupção de Jl-o-rd-ri, «suc- 
eessi vãmente desigual». De //, relativo, 
por haver r no nome, o, reciproco, para 
exprimir plural e communicação de uns 
eom outros, r<í, «desigual, altos e baixos», 
r/, posposiçâo o mesn)o que rehé, signi- 
ficando, neste caso, «successivâuiente». 

Allusivo á descerem as aguas enca- 
cboeiradas, e com successivas quedas. 

Olhos d'Agua (SanfAnna dos).— 
Freguezia^ no municipio de Batataes. 



Onça. — Morro, no municipio do Ipo 
ranga. 

0/i{y7, corrupção de Hôcè, «o mais alto 
De hôcif «sobrepujar». 



», 



Onça. — Corredeira, no rio Mogtj- 
guassú. 



Onça, corrupi^ão de Hôcè, para ex- 
primir superlativo. 

Allusivo a ter ahi o rio muito ín- 
greme o leito; de sorte que as aguas 
descem com extraordinária velocidade. 

Onça.— Aftluente do rio Uiia d'Aldèa, 
pela margem direita: no municipio de 
Iguape. 

Aftluente do rio Paranapanema, pela 
margem direita : no municipio de Cam- 
pos Novos de Paranapanema. 

Aftluente do rio Tatuhy, pela margem 
esquerda: no municipio de Tatuhy. 

Aftluente do rio Tielé, pela margem 
direita: no municipio de Tietê. 

Aftluente do rio Mogtj-guassú, pela 
margem esquerda: no municipio de Es- 
pirito Santo de Barretes. 

Aftluente do rio Mogy-guassú, pela 
margem direita: no municipio de Ribei- 
riío Preto. 

Aftluente do rio Jacaré-pipira'mirÍ7n, 
pela margem direita: no municipio de 
S. Carlos do Pinhal. 

Sempre que o leito do ribeirSo é Ín- 
greme, os indígenas sohem usar, entre 
outros nomes, da palavra hôcc, « sobre- 
pujar ">. 

Todos estes ribeirões têm cachoeiras 
e saltos, assim como voltas e gargantas. 
São muito correntes. 

Nada, pois, tem com o animal feroz, 
cujo nome corivvçto è oii(;a, ^ ^^\jkws\\- 



OUR 



nação dada pelos indígenas 
beirões. 

I o nome Jaguar;/). 



{Vide 



Aftluenie do ribeirão 
m esquenfa : no inu- 



Onça Parda.- 

Pirauya. pela iiiarj; 
nicipio de Iguupe, 

Aquelle Piranga é affluente do rio 
Juquiá. 

Onça Parda, corrupção de Hôrè-paí-ta, 
«excessivamente pendurado*. De hòcè, 
para exprimir superlativo, pai, «depen- 
durar», com o sufBxo ta (breve), para 
formar snpino. 

Allusivo a descerem suas aguas quasi 
em cascata, nos primeiros dez kilouie- 



Orissanga. — Affluente do rio Ja- 
guary-iiiirim, pela margem direita: no 
municipio de S. Joíío da Boa Vista. 

Orissanga, corruptela de Iroiçã-tuia^ 
«agua esfriadas. De t, «agua. rirt>, roi- 
{■((. tesfriar», com o suflixo nga (_ljreve), 
para formar supino. 

Allusivo a nascer quente; e, depois, 
em seu carsu, esfriar-se. 

Com effeito. este ribeirCid vem da serra 
díis ('■aldas, na provincia de Hinas Oe- 
raes; e sem duvida o indígena, assim 
nomeando este ribeinlo, quiz assignalar, 
nas suas cabeceiras, aguas thermaes. 



Ostras (das). — Pequeno rio que ni 
na serra marítima e desagua no oceani 
no município de TJbaiuba. 

Ostras, corrupção de O-tcrÕ, ttopd 
do, torto». De o. reciproco, pam e\pri 
mir plural, /eí'5, «torcido, torto». A 
lavra íerõ é pronunciada breve e cor 
rida, por estar em o, inicial, o acceall 
predominante: — dahi a comipçjio. 

Allusivo ás muitas voltas que di. 

O facto de ter ostras é coinmuin ao 
ontrus rios que desaguam no oceano- 

Ouro.— Affluente do ribeirílo (hibarr^ 
pela margem direita: iio município d) 
Araraquara. 

Ouro. corrupção de Ifúú-rS, 'lami' 
cento, pantanoso». De hthí. íjauia [>«■ 
dre, lodo, fezes, borra», rú, <ter ein si», 

Allusivo a que este ribeinlo tem 
zeas pantanosas, ás suas margens: 
taes várzeas é estrabido o barro 
as olarias. 

Ouro Leve.— Affluente do ríol 
heitn ilf Iguiípc. pela margem din 
no município de Iguape. 

Ouro-Uve, corrupção ile Oií-heeè, j 
cessivamenie sujo». De ti, <kuJO*, 
cedido de o, reciproco, heci o i 
que rehé^ sígniãcando, neste caso, i 
cessívamente>. 

Allusivo a ter liiuoso o leitu. E*J 
, rego. 



p 



Pacaembú.— Affluente do rio Ticté, 
pela margem esquerda: no municipio de 
S. Paulo. E' mesmo nos arredores da 
cidade. 

Pacaembú^ corruptela de Paà-nga-he- 
mb-hâ^ «atoladiço, e barra alagada». De 
paã^ catolar», nga (breve), para formar 
supino, A2, «sabida, barra, fóz>, mb^ in- 
tercalação por ser nasal a palavra he, 
e para ligal-a a M, «alagar». 

Allusivo a ter pântano no leito; e, 
em consequência de refluírem suas aguas, 
alagar na barra as margens. 

E' um córrego. 

Pacáu. — Affluente do rio Jacarf-pi- 
pira-mirim^ pela margem direita: no mu- 
nicipio de S. Carlos do Pinhal. 

Pacãu, corruptela de Po-qúáy, 4 tem 
gargantas». De/?o, «conter», quây^ «gar- 
ganta, pescoço, cintura, em fim a parte 
que se estreita». 

Allusivo a estreitar-se, em muitos lo- 
gares, entre margens altas. 

E' encachoeirado. 

Paciência. — Morro, na ilha Guaimbê 
ou de Sa?ito Amaro, no municipio de 
Santos. E' na extremidade austral da 
ilha. 

Paciência, corrupção de Pé-cy-hecê, 
«frente resvaladia». De pé, «superfície», 
cy, «liso, escorregadio, resvaladio», hecê 
o mesmo que rehé, signifícaudo neste caso, 
«frente», e tendo também o som nasal 
por causa da palavra anterior. 



A palavra hecê é pronunciada cor- 
rida e breve, conforme a lição do padre 
Luiz Figueira, em sua Arte de gram- 
matica da lingna hrasilica, por estar 
em cy o accento predominante. 

Allusivo a ter a face austral em res- 
valadouro: sendo a face sudoeste ligada 
á serra. 

Ha também um morro Pacienda no 
municipio de Ubatuba, com os mesmos 
característicos physicos. 

Paciência.— Pequeno rio que desa- 
gua na enseada Picinguaba: no muni- 
cipio de Ubatuba. 

Paciência, corrupção de Pece-kê-çái, 
«curto e barra esparzida». De pece, 
«pedaço, curto», he, «sabida», çái, «es- 
parzir». A palavra çái é pronunciada 
breve e corrida por causa do accento 
predominante em fie. 

Allusivo a ser curto e a alagar-se na 
foz. 

Nasce no morro Paciência, mencio- 
nado no nome anterior, soando quasi o 
mesmo, mas com significado diverso, 
conforme o jogo linguistico, de que os 
mdigenas faziam uso para -nomear lo- 
gares vários em uma mesma região. 

E' encachoeirado até a várzea. 

Paciência.— Affluente do rio Sapu- 
cahy, pela margem direita: entre os mu- 
nicípios da Franca e do Carmo. 

Pacieyicia, corrupção de Po-haci-ke- 



PAD 



180 



PAL 



po, <conter>, Aact, *d'oençn, dôr», kê, 
«aahida, barra, fózi, çát, <e6|iarzir, es- 
tender*. Ã palavra çát é pronunciada 
breve e corrida por causa do accenio 
predominante em Ac. . 

Contrahído em P'-'aeÍ-hc-çáÍ, porque 
em composição, as palavras cumeçadas 
por h, o podem perder para melhor cu- 
phonia. Sobretudo com a particulii po e 
com a palavra poro, lia quasi sempre 
«on tracção. 

AUnsivo a ter alagada a barra; e a 
ser mnito doentio. 

PacÚ. — Cachoeira, no rio Paranapa- 
nema, abaixo da fóz do rio Tibagy (este 
rio pertence ao território da província 
de Paraná), e entre as cachoeiras Piau 
e Laranjeira. 

PacÚ, corruptela de Pâ-cuè, «torcida». 
De pá. Jatinitivo de apá, «torcer, en- 
tortart, euè, partícula de pretérito. 

Allusivo a fazer o canal uma curva 
eatre o jlhote que ahi existe e a mar- 
gem direita do rio. O canal é estreito, 
e obstruído de pedras: sua profundidade 
é, em geral, de um metro, mais ou me- 
nos; sua extensão, mais de um kilome- 
tro. 

Antes de chegar a um banco de cas- 
calbo, que preceile o ilhote, o rio alar- 
ga-se muito, com baixios em toda a lar- 
gura: e ahi, ao lado direito do banco 
de cascalho, começa verdadeiramente a 
cachoeira, onde as aguas correm ex- 
traordinariamente. 

Não tem, portanto, o nome desta cji- 
choeira relação alguma com o pacú, 
peixe. 

Pacuiba.— Praia, na ilha de S. Se- 
bnslido: no município de Villa Bella. 

Pacuiba, corruptela de Piciá-bo, «re- 
volver», bo (breve), para formar supino, 

Allusivo a ser abí muito forte a ar- 
rebcntação das ondas. 

Padre André.— Affluente do rio Ja- 

cupiranga, pela margem esquerda: no 
município de Iguape. 
Jh/í/é André, corrupção de Pai-ía-ndi- 
S/érê, 'depeadurado, e muitas voltasi. 



De pai, «dependurar», com o snffizo ta 
(breve), para formar supino, ndi, «mui- 
tos», jjérè, «volta». 

Allusivo a ter íngreme o leito, for- 
mando cafcntas e cachoeiras; e a ser 
muito sinuoso. 

Pae-cará.— Kxtrema várzea, ao lado 
do morro Ytapsma: em frente íi cidade 
de Santos e aos OUeruútos, na margem 
opposla do' canal. 

Pae-mrá, corrupção de Po-ncuraá, 
«enseada extensa». De ;m), para expri- 
mir neste caso, superlativo, aenraá, «en- 
seada». 

Allusivo a ser uma várzea qne, ás 
vezes, se alaga. 

Paineiras.— Affluente do rio Juque- 
ry, pela margem esquerda: no municí- 
pio de S. Paulo. 

Paineiras, corrupção de Pdt-Í6-ièiè, 
«dernima-se dependurailo». De pái, «de- 
pendurar», iéíc, «derramar», precedido 
de ie, reciproco, para exprimir a acçflo 
da cousa sobre si mesma. 

Allusivo a ter o leito empinado, e a 
ter, quasi na í^ua fóz, um salto, cuja 
altura é superior a dez metros; e por 
ahi se derrama inteiro. 

Paiolinho.— E' a actual villa da Rf- 
dempção. 

(Vide o nome Redeinpção). 

Paixão. -Lagoa, no município de Es- 
pirito Santo de Barretos. 

Paixão, corrupção de Jupá-caJig, «la- 
goa secca». De iupá, «lagoa», cu/g, 
«secco, enxuto», 

Palhal. — ARluente do rio Uiia do 
Prelado, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Iguape. 

Pcd/uil, corrupção de Pai~ká, «depen- 
durado». De pai, «dependurado», com 
o accrescimo de ha, o mesmo que ába, 
para exprimir logar, modo, instrumento, 
intento, fim, causa, otc. 

Allusivo ao leito íngreme, com ca- 



PAL 



181 



PAL 



Palmeiras.— Affluente do rio Para- 
hybuna^ pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Natividade. 

A povoação, sede da parocbia Bairro 
Alio, 6 á margem direita deste ribeirão. 

Affluente do rio Tieié, pela margem 
direita : logo abaixo da cachoeira Maito- 
secco, no municipio de Araraquara. 

Affluente do rio Tietê, pela margem 
direita: no município de Espirito Santo 
de Barretes. 

A grande lagoa Baciiry é á margeni 
direita deste ribeirão. 

(Vide o nome Bacury), 

Affluente do ribeirão Cocaes, pela mar- 
gem esquerda; e este Cocaes, affluente 
do rio Jaguary, pela margem direita: 
no municipio de Santa Cruz das Pal- 
meiras. A villa deste nome está á mar- 
gem do córrego Palmeiras. 

(Vide o nome Cocaes), 

PabneiraSy corrupção de Paà-viiyêrc^ 
cderramado e atoladiço». De paà^ «ato- 
lar, atoleiro», ^/2/^crè, «derramar», sendo 
para notar que o verbo é piyêrè, e que 
o p é mudado em m por causa do som 
nasal de paã, 

Allusivo a transbordarem-se suas aguas 
no tempo das chuvas; e, cessando estas, 
as margens alagadas formam pântano. 

E' possivel que, nesses legares, exis- 
tam palmeiras; mas disso não cogitou 
o indigena para denominar esses ribei- 
rões e córrego, e palmeira não é palavra 
tupi. 

Palmítal. — Affluente do rio Ribeira 
de Igiiape, pela margem esquerda: nos 
municipios de Apiahy e Xiririca. 

Affluente do rio Paranapanema, pela 
margem direita: um, no municipio de 
Santa Barbara do Rio Pardo; outro, no 
municipio de Campos Novos de Para- 
napanema. 

Affluente do rio TaqKary, pela mar- 
gem direita: entre os municipios de Bom 
Successo e de Itapeva da Faxina. 

Affluente do rio Ilapeiininga, pela 
margem direita: no municipio do Es- 
pirito Santo da Boa Vista. 

Serras, com o mesmo nome, quer no 
municipio de Redempçào, quer no mu- 
nicipio de Espirito Santo da Boa Vista. 



Saltos terríveis no rio Paranapanema : 
municipio de S. Sebastião de Tijuco Preto. 

Pabniial, corrupção de Pó-hatme-iiáj 
por contração Pó-Jiatm^-Hd, «paredes a 
pique, saltos». De pó, «salto», kaime, 
«a pique», Há, «armação, pilar, estante, 
etc». 

Isto quanto aos rios e ribeirões. 

Quanto ás serras, Palmiial é corrup- 
ção de Pó'h(itme4tá, por contracção Pó- 
ha%m^'itá, «paredão excessivamente a pi- 
que». De pó o mesmo que poro, de que 
é apócope, para exprimir superlativo, 
excesso, extensão, habito, etc, haime, 
«a pique», itá, «armação, pilar, estante, 
etc». 

Com efTeito, essas serras são alcan- 
tiladas; e tem altitude superior a 800 
metros. 

Os indígenas sohiam dar a legares 
vários na mesma região nomes idênticos 
no som, mas differentes no significado. 

No affluente do rio Ribeira de Iguape, 
o leito apresenta uma cascata com dez 
quedas successivas: e o desnivelamento 
é tão enorme que a temperatura da pri- 
meira queda é diversa da da ultima, di- 
versa também a flora. 

Os denominados Saltos do Pahnital 
são o maior obstáculo do rio Paraná- 
panena, O rio faz esquinas entre pa- 
redões, cuja altura é de ÕO a 70 metros. 
A margem esquerda do rio pôde ser con- 
siderada de passagem impossivel; mas, 
á margem direita, em canal de largura 
irregular, entre a mesma margem e um 
extenso c largo lageado, é difficil, porém 
não impossivel, a passagem e é por ahi, 
e mediante picadas nas mattas, tanto 
no extremo superior, como no extremo 
inferior, que se faz a baldeação das car- 
gas. 

Os dous saltos principaes têm: o de 
cima, 6°*,16 de altura, e o de baixo, 4",84; 
e são separados por uma bacia ou poço, 
onde as aguas como que permanecem 
em deposito, segundo a apparencia: nesta 
bacia ou poço, fazem rodomoinho, e se- 
guem rio abaixo, até cahirem do ultimo 
salto. 

A extensão da cachoeira é de meio 
kilometro, mais ou menos. 



PAN 



182 



PAN 



Os saltos e paredões nos outros men- 
cionados ribeirões si\o de menor impor- 
tância. 

Vê-se, pois, que nao se trata de pal- 
mares que dão o palmito, e que^ aliás, 
podem ahí existir em abundância. Nem 
palmito é da lingua tupi; nem o indi- 
gena cogitaria disso para denominar esses 
legares. Palmito é tnã. 

Pamoná. — AflQuento do rio Parahy- 
tinga, pela margem direita: no muni- 
cipio de Redempçâo. 

Pamoná, corruptela de Paã-moná «tur- 
vo e atoladiço». De paã, «atolar», mona, 
«mesclar, borrar, turvar». 

AUusivo a ter lamosò o leito, e a 
estar constantemente revolvido; de sorte 
que suas aguas mostram-se turvas. 

Pântano. — Serra, entre os mnnici- 
pios de Bragança e de Amparo. O morro 
CapitãO'7nór pertence a esta serra: e o 
nome é particulado. 

Affluente do rio Jagnary, pela margem 
direita: no município de Bragança. Nasce 
n'aquella serra; e alguns moradores do 
logar querem que, reunido ao córrego 
«do Arraial», forme com este o Passa 
Três, sem uma justificativa para tal enor- 
midade, relativamente á geographia in- 
digena: o Passa Três é o mesmo Pân- 
tano, depois de receber as aguus do so- 
bredito córrego. 

Os indigenas sohiam dar a legares 
diversos na mesma região nomes idên- 
ticos ou quasi idênticos no som, mas dif- 
ferentes no significado. Payitáno, nome 
da serra, é corruptela de Po-atà-na, 
contrahido em R-atã-na, e nasalisado 
o primeiro a, por causa da pronuncia 
nasal do segundo, a qual, segundo a lição 
do padre A. R. de Montoya, em seu 
Tesoro de la lengua guarani, fere todas 
as vogaes da mesma palavra: P^-atã-na, 
«muito erecto». De po, apócope de poro, 
para exprimir superlativo, excesso, ex- 
tensão, habito, etc, atã, «erecto, teso», 
com o suflSxo na (breve), para formar 
supino. 

Paniáno, nome do ribeirão é corrup- 



téJa do /òã'íã'íia^ «atoladiço, duro». De\S. Uo^w^. 



paã, «atolar», tã, apócope de taià, «duro, 
forte», com o suffixo na (breve), para- 
formar supino. . 

Allusivo a ter pantanal em suas mar-' 

gens. 

A margem sobre a qual foi constniida 
a estrada entre Bragança e Amparo, não 
o mostra, porque ahi foi necessário fazer 
aterrado. 



Pântano.— Affluente do rio Mogy- 
gnassú, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio (ie Belém do Descalvado. 

Pântano, corruptela á^Pà-tà-nl, «golpe 
durissiiuo». De pã, «golpe, pancada», tà, 
apócope de tiiUl, «duro, forte», ni, pos- 
poslção atHrmativa, com pronuncia breve. 

Allusivo ao famoso salto que ha neste 
ribeirão. E' a prumo a muralha graní- 
tica, da qual se despenham com estrondo 
medonho as aguas. íSua altura é de mais 
de 40 metros. 

Ao mesmo tempo, este ribeirão desa- 
gua no rio ifo(7/y-í7?/íí.9ti, justamente quan- 
do já tem começado ospantanaes deste 
rio. Esta parte do rio Mogg-gfiassú é 
paãtã'7ia, «atoleiro duro», de sorte que 
o indígena fez assim um gracioso jogo 
linguistico. 

O estudo destas denominações fixou 
em mim a opinião de que a palavra 
pântano, não é portugueza, e sim tupi; 
e deve ser pronunciada pantána, e não 

jyántano, 

O lexicographo Moraes, quando es- 
creveu que deve ser pântano, para me- 
lhor corresponder á pantána, ouviu can- 
tar o gallo sem poder dizer onde. 

O lexicographo Aulete, este agar- 
rou-se com uuhas e dentes á mesma 
palavra na lingua hespanhola, como se 
também os hespanhóes não a houvessem 
levado da America. O padre A. R. de 
Montoya, em seu Tesoro de la lengua 
gnarani, na palavra paà, bem indica 
que na lingua hespanhola, não havia 
pântano. 

Ha um córrego Pântano, affluente do 
Rio Pardo, pela margem esquerda: no 
município de Ribeirão Preto. 

Pantojo. — Morro, no município dej 



PAR 



183 



PAR 



Paniojo^ corruptela de Paã-túyiCy «bar- 
ro atoladiço». De paâ, «atolar», túyicj 
«lama, lodo, barro». E'pronunciada Pan- 
tújú. 

Allusivo a ser pantanoso; sem em- 
bargo de excellente calcareo, especial- 
mente do bello mármore verde que possúe. 

Paquetá. — Subúrbio próximo á ci- 
dade de Santos. 

Paquetá. — E' nm subúrbio da cidade 
de Itapetininga. 

Não é nome dado pelos indígenas. 
Por ser logar de residência ou de pouso 
de morpheticos?, algum individuo lein- 
brou-se de amenisar o facto com o nome 
Paquetá. 

Hoje essa rancharia de morpheticos 
tem o nome — Villa Rio Branco. A razão 
de tal denominação ninguém a dá. Foi 
uma pbantasia como a do nome Paquetá. 

ParáL— Affluento do rio Tteié, pela 
margem esquerda: no municipio de Tietê. 

Paráy corruptela de Pi-rá, «leito de- 
sigual». De pi, «centro, fundo», rá, «de- 
sigual, mal nivelado». 

Allusivo a ser encachoeirado. 

Parador.— Affluente do rio Jagnary, 
pela margem direita: no municipio de 
S. João da Boa Vista. 

Parador, corrupção de Pl-ra-tôrè, «tor- 
tuoso, e com leito desigual». De pi, 
«fundo», 7'á, «desigual, não nivelado», 
tôrê, «tortuoso, torto, torcido». 

Allusivo a ter saltos, cachoeiras, bu- 
racos e gretas no leito, e fazer muitas 
voltas em seu curso. 

Em consequência de sua sinuosidade 
e dos buracos e gretas no leito, a cor- 
rente é qiiasi imperceptivel em vários 
logares: d'ahi a corrupção do nome em 
Parador. 

Parahyba.— Rio importante que, for- 
mado dos rios Parahybuna e Parahy- 
tinga, faz uma volta, em meio circulo, 
mudando sua direcção para sudoesto- 
nordeste, e desce acompanhando e dei- 
xando á margem esquerda as vertentes 



da serra Mantiqueira; e, penetrando na 
província do Rio de Janeiro, banha mui- 
tos de seus mais importantes municipios, 
e desagua no oceano, em S. João da 
Barra. 

Parahyba. corruptela de Poró-aib-a, 
contrahido em Por^-atb-a, «excessiva- 
mente escabroso». Do pw o, para- expri- 
mir superlativo, excesso, extensão, ha- 
bito, ele, aíby «máu», com o accrescimo 
de a (breve), por acabar em consoante, 
segundo a lição dos grammaticos. 

Allusivo a ter no leito muitas obs- 
trucções, bancos de areia, cachoeiras e 
saltos, como o que se vê no municipio 
de Queluz, que tornam impraticável sua 
navegação regular; além dos banhados 
marginaes, produzindo moléstias. São 
turvas as suas aguas. 

Também já escrevi, imitando a outros, 
que Parahyba significava «peixe ruim», 
sendo, aliás, certo que abundam nelle 
boas espécies de peixe do rio, e que, 
para significar «peixe ruim», era pre- 
ciso escrever o nome Pirá-aib-a. 

De peixes não cogitava o indigen.i, 
sem duvida mais sábio do que os seus 
conquistadores, tratando de nomear lo- 
gares e cousas. 

Este rio, desde a confluência dos rios 
Parahybuna e Parahytinga^ banha os 
municipios de Parahybuna, Santa Branca, 
Mogy das Cruzes, Jacarehy, S. José dos 
Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamo- 
nhangaba, Guaratinguetá, Lorena, Bo- 
caina, Cruzeiro, Jatahy, Pinheiros e Queluz. 

Parahybuna.— Cidade, á margem 
esquerda do rio Parahybuna. 

Este rio Parahybuna é o que, com 
o rio Parnhytinga, em confluência, forma 
o rio Parahyba. Nasce na serra Bocaina. 

Parahybuna^ corruptela de Poró-aib- 
húú-na, contrahido em Por' -atb-húú-nay 
«superlativamente máu e turvo». De 
poróy para exprimir superlativo, excesso, 
extensão, habito, etc, a/ft, «máu», húú, 
«turvar, ter lodo, borra, fezes», com o 
suffixo na (breve), para formar supino. 

Allusivo a diversas obstrucções no leito, 
como cachoeiras e saltos; e suas aguas 



PAR 



184 



PAR 



Na confluência com o rio Parahyiinga 
é que bem se Tê a sujidade de suas 
aguas. 

Próximo á barra do ribeirão Lourenço 
Velho, ha uma cachoeira notável no leito 
do rio Parahybuna; além de outras. 

Também o nome deste rio tem sido 
deturpado pelos que, sem conhecerem a 
língua tupi, se arriscam a traduzir e in- 
terpretar nomes. Li o seguinte: pirá, 
«peixe», hybuTiãy «agua escura»! 

Este rio banha os municípios de Cunha, 
S. Luiz de Parahytinga, Natividade e 
Parahybuna. 

Parahytinga. — Rio que, nascendo 

na serra Bocaína, conflúe com o rio 
Parahybuna^ para formarem unidos o 
rio Parahyba. 

Além deste rio Parahytinga ha um 

ribeirão Parahytinga, affluente do rio 

Tieié^ pela margem direita: no munici- 
\)'\o de S. José de Parahytinga. 

E outro ribeirão Parahytinga^ aflluente 
do rio Corumbatehy, pela margem di- 
reita: entre os municípios de S. João 
do Rio Claro, de Belém do Descalvado 
e de Piracicaba. 

Parahytinga, corruptela de Pi-rà-í- 
ty-uga, «fundo desigual e lagoas». De 
pi, «fundo», m, «desigual, não nivelado, 
altos e b.iixos», í, «agua*, ty, «atar, 
pender», com o suffixo nga (breve), para 
formar supino. Assim, lagoa, de agua 
estagnada ou parada, é i-ty-nga^ «agua 
presa». 

AUusivo a serem o rio e ribeirões la- 
deados de' lagoas de todos os tamanhos, 
e de toda a espécie; e a terem obstruído 
com cachoeiras o leito. 

A' margem esquerda do rio Parahy- 
tinga, está a cidade de S. Luiz de Pa- 
rahytinga. A' margem esquerda do pri- 
meiro ribeirão Parahytinga^ está a villa 
de S. José de» Parahytinga. 

Subindo o rio, desde a cidade de S. 

Luiz de Parahytinga, em um logar, a 

dous metros de distancia da barranca, 

ha uma nascente ou fonte de agua mi- 

nera/, que bruta abundante e impetuosa, 

formando espiral. 



O rio Parahytinga nasce mesmo em 
uma pequena lagOa, na serra Bocatna. 

Também este nome tem sido detur- 
pado; pois que já li que é corrupção de 
Pirá, «peixe», hyiinga, «agua clara»! 
Um verdadeiro não senso. 

O rio Parahytinga, confluente do rio 
Parahybuna, banha os municípios de 
Cunha, Lagoinha, S. Luiz de Parahy- 
tinga e Parahybuna. Nasce na fregue- 
zia de N. S. dos Remédios dos Campos 
Novos, município de Cunha. 

Paraíso.— Affluente do ribeirão Len- 
çóes, pela margem direita: no município 
de S. Manoel do Paraiso. A' margem 
esquerda deste ribeirão está a villa de 
Su Manoel. 

Affluente do rio Corumbatehy, pela 
margem direita: no município de S.João 
do Rio Claro. 

Affluente do Rio Orande, pela mar- 
gem e5;querda: no município de Santa 
Rita do Paraiso. E' córrego. 

Paraiso, corruptela de Poró-ai-çú, por 
contracção Por^-af-çú, «excessivamente 
ob-truido com altos e baixos». De poro, 
para exprimir superlativo, excesso, ex- 
tensão, habito, etc, ai, 4 desbaratar, de- 
sordenar, cousa não lisa», çú, «altos e 
baixos». O çú é pronunciado breve e 
corrido, porque o accento predominante 
está em aí, 

AUusivo a pedras e buracos no leito. 

A serra, em que o ribeirão Paraiso, 
affluente do ribeirão Lençôes, tem suas 
cabeceiras, mede a altitude de 870 me- 
tros. 

Paraná.— O segundo rio da America 
Meridional. Nasce no município de S. 
João d'El-Rei, província de Minas Ge- 
raes. Serve de divisa ás provindas de 
Minas Geraes, de S. Paulo, de Goya74, 
do Paraná, e do Rio Grande do Sul com 
a Confederação Argentina; e afinal de- 
sagua no oceano, formando a grande 
bacia denominada Rio da Prata, 

Paraná, corruptela de Poró-aiià, por 
contracção Por' -anã, « excessivamente 
grossoT^. \^ft povo, \)^x^ ^iL\yvvwir super- 
lativo, e^cíi&^o, e^V^Vk^si^ia^ \\a>áv\ft^ ^Vr.,^ 



PAR 



185 



PAR 



Âllusivo a ser um rio muito largo, 
excedendo de duas léguas em alguns 
logares. 

O nome Itio Orande^ que este rio 
tem, até receber a affluencia do rio Par- 
fiahyba, pela margem direita, não é 
senão uma traducçào livre de Por^-anà. 

O que admira mais é ter o padre A. 
R. DE MoNTOYA, em seu Tesoro de la 
lengua guarani, affirmado que o nome 
Paraná, attribuido a alguns rios gran- 
des, significa «parente do mar»! E' um 
nào senso. Nem mar é pain^ senão pe-rá, 
«superficie encrespada» ; pe, «superfí- 
cie», rá, «crespo, nào liso, levantado» : 
allusivo ás ondas. 

Também o padre A. R. de Montoya, 
na obra citada, escreveu que Paraguay 
significa «rio de coroas»: de para, «va- 
riedade», guâg. «coroa do pennas», í, 
«rio». Mas, nào é exacto; nem a pala- 
vra para, significando «variedade», podia 
ser anteposta; nem a palavra /, signi- 
iicando «rio», pociia ser posposta, e com 
accento breve. 

Paraguay é corruptela de Poró-aguâá, 
cextensas Várzeas»: de poro, para ex- 
primir superlativo, excesso, extensão, ha- 
bjto, etc, aguâá, «enseada, várzea», al- 
lusivos aos banhados e várzeas que o 
ladeiam. 

O rio Paraná, quasi igual ao rio 
Ainaxonas, levanta, como este, alterosas 
ondas quando sopra rijo o vento. 

Tem o Paraná vários obstáculos em 
seu curso: — o terrivel salto Uruhúpungá, 
a perigosa corredeira YeiipiM, e o im- 
ponente salto Sete Qtiédas, além de ou- 
tros impedimentos. lia nelle ilhas innu- 
meras, das quaes uma de vinte léguas, 
conhecida pelo nome lUia Orande, e 
outra de quatro léguas, em frente á fóz 
do rio Amambahy. No salto Sete Que- 
das^ as aguas despenham -se atravez da 
serra Maracajá. 

Em geral, sua correnteza é lenta; ape- 
zar de não ser sinuoso. 

Paranapanema. — Villa, á margem 

esquerda do ribeirão Almas, affluente 

do rio Faranapanema, pela margem di- 
reita. 



Esta povoação na occasião em que 
foi elevada á freguezia, antes de 1746, 
era á margem direita daquelle ribeirão 
Almas, próximo ao monte que os indí- 
genas denominaram Caá-^pã-hyí-ta; e 
hoje esse logar é conhecido por Fre- 
giteiia Velha. 

Dahi foi transferida a povoação, com 
o mesmo nome Capão Bonito de Para- 
napanema, para a margem esquerda da- 
quelle ribeirão; distante 20 kilometros 
do Caá''pa''ljyí-ta/ Isto em 22 de 
Agosto de 1«50. 

(Vide o nome Capão Bonito de Pa- 
ranapanema), 

 villa actual nada tem com aquelle 
monte. Por isso, não pôde continuar a 
conservar o nome Capão Bonito. 

Paranapanema.— Rio grande, que, 
após a affluencia do rio Itararé, pela 
margem esquerda, serve de divisa ás 
províncias de S. Paulo e de Paraná. 

Nasce na serra marítima ou Cubatão, 
onde estão situados os Agudos Grandes; 
e vae desaguar no rio Paraná^ pela 
margem esquerda. 

Paranapanema, corruptela de Páí- 
ar-anhãpan-nemà, contrahido em Pái- 
ar-anã-pan-èmã, «dependurado na parte 
superior, corredeiras, quedas estrondo- 
sas, voltas e revoltas». De;;áí, «depen- ' 
durar», ar, «sobre, em cima», anhã, 
«correr», paii, «golpe, pancada», nemà, 
«voltas e revoltas». 

E' este um dos nomes mais comple- 
tos, e por isso mesmo mais engenhosa- 
mente combinado. E' allusivo ao leito 
íngreme, desde a nascente até a barra 
do rio Itapetininga ; ás innumeras e 
terríveis corredeiras; aos saltos, em que 
as aguas se despenham com fragor; ás 
voltas e revoltas, q-ue faz em seu longo 
curso. 

Nasce, na altitude de mais de 800 
metros ; e na barra do rio Itapetininga, 
essa altitude é reduzida a 563 metros. 
Por isso, as aguas descem em fortís- 
simo declive, até aquelle logar, como 
que «^àeçftXiÔAxi^ÔL^^^ . 

deitas mm tloWn^\^ ^^^^.^ ^^^^ ^^^^^ 



^PAR 



186 



PAR 



v 



ser objecto de exame nos respectivos 
nomes; e, tanto quanto o rio Tietê, o 
rio Paranapanema conténi em seu leito 
extraordinária força motriz. 

Desde a nascente até a barra do rio 
líapeiininga, as cachoeiras, os saltos, as 
gargantas, as corredeiras, em um curso 
excessivamente sinuoso, succedem-se sem 
interrupção: a navegação desta parte 
do rio é absolutamente impraticável. 

Da barra do rio Itapeiininga para 
baixo, são innumeras as cachoeiras e as 
corredeiras. As principaes silo: Manda- 
çaia, líapucú, Itaipdva, Aparado, Funil, 
Bufão, Sete Ilhas, Corisco Velho, Jurú- 
mirim, Laranjal, Três Il/ias, Pary, Rio 
Fundo, Bugios, Anhumas, Laranja Doce, 
Capivara^ Piau, Pacú, Laranjeira, Re- 
bojo. Santo Ignacio, Sarau Orande, Pe- 
dregulho, Serra do Diubo, Estreito. Os 
saltos principaes são : Itapucú, Aranhas, 
Pirajú, Agua do Padre, Palmital, Sal- 
tinho. Salto Grande ou dos Dourados, 
Os estreitos, ou gargantas, são muitos; 
mas os principaes, além dos que já vão 
incluidos nas cachoeiras, corredeiras e 
saltos, são : o da Igreja Velha e o Cain- 
pana, á barra do córrego Neblina, Ha, 
além disso, poços, dos quaes o mais 
notável é o Mirante, 

Da barra do rio Ouarehi/, para baixo, 
até ao alto da cachoeira Jurumirim, a 
navegação é fácil; porque o rio é, para 
bem dizer, desimpedido. Daquella ca- 
choeira até ao Salto Grande^ a navega- 
ção é absolutamente impossivel, por causa 
de uma série iniuterrompida de cachoei- 
ras, corredeiras e saltos: — saltos, 7, ca- 
choeiras, 117, innumeras e perigosissi- 
mas: os desnivelamentos são tão succes- 
sivos que o leito do rio tem sido bem 
comparado a uma escadaria. As bar- 
rancas são, nesse trecho, morros cuja 
altura é calculada entre 150 a 200 me- 
tros, com resvaladouros; e muitos em 
alcantil como paredões: e é exactamente 
ahi que as gargantas ou estreitos se mul- 
tiphcam, com tortuosidades ; e por estes 
estreitos ou gargantas, em declive ou 
empinados, as aguas correm impetuosas 
formando rodomoinhos. Da barra do rio 
J^araré, para baixo, é possível a pe- 



quena navegação; mas só essa: — os es- 
tirões entre legares obstruídos são mui- 
tos, extensos e profundos, e mesmo o 
rio tem adquirido maior largura. 

Este rio, desde a affluencia do Ita- 
raré, ainda é dominio dos indígenas, que 
ora estão a soifrer mais continuamente 
os impetuosos assaltos armados da ga- 
nância mascarada em civilisação. 

Assim, pois, não é verdade que o i 
nome Paranapanema signifique, conforme ■ 
Martius e outros, «rio estéril, e sem 
préstimo»;* ao contrario, é abundantís- 
simo de peixe de todas as espécies. O 
padre Manoel da Fonseca, na Vida 
do padre Belchior de Pontes, assigna- 
lando que ^Paraiiampanema . . . era uni 
sertão naquelle tempo (século XVII) tri- 
lhado dos moradores de S. Paulo, e ; 
como estrada para os sertões do sul», 
narra que, «tanto que o padre Pontes 
ouviu nomeal-o, disse que lhe não cha- 
massem Paranampanejna, que vai o mes- 
mo que rio falto ou bromado, mas lhe 
chamassem Parannajuba, que vai o mes- 
mo que rio amarello». Ora, dizendo tal, 
o padre Pontes não quiz traduzir litte- 
ralmente o nome, mas aproveitar a pa- 
lavra para uma allusão: basta ler o 
resto dessa mesma pagina, em que vem 
referida a prophecia da descoberta das 
minas por Domingos Rodrigues. Aliás, 
no jogo linguistico dos indígenas, Para- 
napanema significa também «encachoei- 
rado e sem proveito» : de poro, para 
exprimir na cousa a acção própria em 
relação ao verbo, e habito, extensão, ex- 
cesso em relação ao substantivo e mes- 
mo ao verbo, aúà, «correntes violentas, 
empurrões», pane, «ser de nenhum pro- 
veito», com o suftixo ma (breve), para 
formar supino. AUusivo exactamente ás 
cachoeiras, corredeiras, saltos, gargantas 
e á impraticabilidade da navegação em 
grande parte do rio; e, certamente neste 
sentido, o padre Belchior de Pontes 
disse que esse nome vai o mesmo que 
«rio falto ou bromado». 

Serve aos seguintes municípios da pro- 
víncia de S. Paulo: Capão Bonito, Ita- 
peva da Faxina, Itapetininga, Espirito 



PAR 



PAR 



Noto, Santo António ila Hoa Vista, Ti- 
juco Preto, Santa Cruz do Rio Pardo 
(ioolusive a freguezia de S. Pedro do 
Turvo), e S, José dos Campos Novos. 

Paranapiacaba.— Noinc attribiiido 

á serra marítima, Cnbntão. E alguns o 
limitam á parte mais alta dfssa serra. 

Os (lous documentos, que podiam no- 
mear psta serra, eram os títulos de ses- 
maria de Pudro de Góes e de Ruy Pinto; 
aquelle, de 10 de Outubro de 1532, 
este, de 10 de Fevereiro de 1533. Qual- 
quer destes títulos não menciona o nome 
Paranapiacaba ; e o primeiro límita-se 
a referir-se á «serra que está sobre o 
mar», sem nomeal-a. Só em 1674, o pa- 
dre Lourenço Craveiro, reitor do Col- 
legio dos Jesuítas em S. Paulo, anno- 
tando -o primeiro daquelles títulos, es- 
creveu que aquella «serra que está sobre 
o mar» 6 a Pnranapiacaba. 

Mas, esta nota do padre Lourenço 
Craveiro nSo prova senão que )á na- 
qiielle tempo, ltí74, o nome Parannpia- 
caha era attnbuido á serra Cnbntão. Li 
as duas Informações do padre José de 
Anchieta, 1584-1ÕS6, e nellas não vi 
o nome Paranapiacába. Na primeira, 
elle escreveu: iPara o sertão, caminho 
do Noroeste,, alóm de umas altissimas 
serras que estão sobre o mar, tem a 
villa de Piratiniuga ou de S. Paulo, 14 
oo 15 léguas da villa de S. Vicente. . . ». 
Nb segunda, foi escrípto: «A quarta 
vilia da capitania de S. Vicente é Píra- 
tininga, que está 10 ou 12 léguas pelo 
sertão e terra' a dentro. Vão lá por Jimas 
serras ião alias que difficultosanientç 
podem subir nenhuns animaes, e os ho> 
mens sóbera eom trabalho e ás vezes 
de gatinhas por niio despenharem-se . . . ». 

(Vido o nome Cubatão). 

A verdade é outra. O nome Parana- 
piacába era designativo do raminho entre 
I^ratinim e o porto próximo á fóz do 
rio Mogy. 

(Vide os nomes Mogy e Piaçagocra). 

Paranapiacába, corruptela de Pê-rá 
iídi-jnã~qtiâb-a, «passagem do caminho 
do porto de mar». De pê, «superãcie: 
rá, «encrespada*, formando a palavra 



á «mar», fiái. «porto», piá, seami- 
nho», qtiáb, «passar», que com o accres- 
) de a (breve), forma o inSnítivo, o 
qual, n.lo tendo caso, sigiiitica a acçío 
do verbo em geral, «passagem», segundo 
licito do pailrc Luiz Figueira, cm sua 
Arte de grnmmaiien da língiia brasílica. 

No titulo de sesmaria da Ruy Pinto, 
ha referencia ao porto próximo á fóz 
tio rio Mogij. que foi denominado pelos 
portuguezes Porto das almadias, e tam- 
bém I\}rto de Santa Crnz;'e o nome tnpi 
do porto era Y-piâ-çába, corrompido em 
Apiaçába, «logar do apartamento do ca- 
minho». De y, relativo, ;»3, «apartar ca- 
minhos, çdba, verbal de participio, o 
mesmo que ába, para exprimir logar, 
modo, instrumento, causa, fim, intuito, 
fazendo i-dba, segundo a regra ensinada 
pelo já citado padre Luiz Figueira. 

O porto permaneceu «porto das alma- 
dias», conforme a denotninaçílo dada no 
titulo de sesmaria de Ruy Pinto, ou «porto 
das canoas», conforme a denominaçío 
geral, até que, já neste século, foi feito 
e aterrado com as pontes necessárias. 

Também, nesse título de sesmaria, a 
serra de que se trata nao leve menção 
por seu nome. Eis o que está escrípto: 
«E dahi (o porto referido) subirá direito 
para a serra por um lombo que faz, 
por uma agua branca, que cahe do alto, 
que chamam Yiúlinga, e, para melhor 
se saber este lombo, entre a dita agua 
branca por as ditas terras não se roette 
mais de um só valle, e assim irá pelo 
dito lombo acima, como dito é, até o 
cume do serro alto, que vae sobre o 
mar, e pelo dito cume irá pelos outei- 
ros escalvados que estão no caminho 
que vem de Piratiním». 

Portanto, o nome Paranapiacába (*) 
ficou com a serra, por ter sido abando- 
nado o caminho. 

Este caminho foi exactamente o es- 
colhido para o traçado da estrada de 
ferro, de Cubatao á cidade de S. Paulo. 



Paranapetinga.— (Vide o nome Pa- 

rapeiinga). 



PAR 



188 



PAR 



Paranapitangau— Âffluente do rio 
Paranapanema, pela margem esquerda: 
no municipio de Capão Bonito do Pa- 
ranapanema. 

Paranapitangãy corruptela de Poro- 
anhã'pi'iangè, contrahido em Por^-anhà- 
pi'ia?igêj «margens altas, fundo, e mui- 
tíssimo corrente». Do poró^ para expri- 
mir superlativo, excesso, extensão, ha- 
bito, etc, mihây «encostar, juntar», pi, 
«fundo», tang?^ «pressa, velocidade». 

AUusivo a correr entre montes alcan- 
tilados^ com muita fundura e correnteza 
extraordinária, por ser Íngreme o leito. 

O impagável frei Francisco dos Pra- 
zeres Maranhão, em seu Olossario de 
palavras hidigenas, escreveu quo Para- 
napilangn é corrupção de Pirahfjpi- 
tanga, «rio de peixe vermelho»! 

E ao pobre indígena são attribuidos 
taes disparates . . . 

Pararaca.— Morro, no município de 
Natividade. 

Pararaca, corruptela de Poró-aráquat, 
contrahido em Por^-araquat, «muito cin- 
gido». De poro, para exprimir superla- 
tivo, excesso, extensão, habito, peculiari- 
dade, etc, aráquaí, «cingir, cingulo». 

Allusivo a ter uma cintura entre a 
base e o alto. 

Pararangaba.— Aftluente do rio Pa- 

rahyba, pela margem direita: no muni- 
cipio de S. José dos Campos. 

Já li escripto a corruptela Paranan- 
gaba, «ruidoso». De parará, «ruido», 
ng, intercalação por ser nasal o som de 
parara, e para ligal-o á âba^ partícula 
para exprimir logar, tempo, instrumento, 
causa, modo, etc. 

Allusivo a descer entre e sobre pe- 
dras, fazendo ruido suas aguas. 

Paratehy. -Affluente do rio Jaguary, 
pela margem direita: entro os municí- 
pios de 8anta Izabel, de Jacarehy e de 
S. José dos Campos. 

Vide o nome Paraty), 

Paratihú, — Rio que nasce na serra 
yír/ndia, e desagua no Mar Pequeno: 
no municipio de Cananca. 



Azevedo Marques, era seus Aponta- 
mentos Históricos, Oeographicos, Bio- 
graphicos, Estatísticos e Noticiosos da 
provinda de S. Paulo, menciona um 
affluente do rio Tietê, sem porém deter- 
minar a margem de sua affluencia, nem 
o município por elle banhado. 

Paratihú, corruptela de Poró-álelj, 
contrahido em Por^-atey, «excessivamente 
frouxo». De poro, para exprimir super- 
lativo, excesso, extensão, habito, pecula- 
ríedade, etc, átey, «frouxo». O y final 
tem som guttural. 

Allusivo a desatar-se em banhados. 

Ha o assú e o mi rim; este affluente 
daquelle, pela margem direita. 

Paraty.—Affluente do rio Jagtiary, 
pela margem direita: entre os municí- 
pios de Santa Izabel, de Jacarehy e de 
S. José dos Campos. 

Alguns escrevem Paratehy; e outros, 
Praly. As leis que regularam as divi- 
sas entre os municípios supra referido?, 
usaram do nome Paraty e do nome Pa- 
ratehy, 

Nasce na serra Ytapety, 

O nome Paratehy, embora corruptela, 
é o que mais approxíma da verdade. 

J\iratehy, corruptela de Poró-átey^ 
contrahido em Por' -átey, «excessivamente 
frouxo». De poro, para exprimir super- 
lativo, excesso, extensão, habito, pecu- 
lariedade, etc, atey, «frouxo». O y final 
tem som guttural. 

Allusivo a transbordar, esparzindo-se 
nas várzeas e formando extensos ba- 
nhados. 

Paraty.— Sei rote que divide as aguas 
do ribeirão Paraty ou Paratehy das do 
rio Parahyba: entre os municípios de 
Mogy das Cruzes, de íSanta Izabel e de 
Jacarehy. 

Paraty, corruptela de Paráiti, infini- 
tivo de Aparalti, «derrocar-se», portanto 
«derrocado», por não ter caso esse infi- 
nitivo assim empregado, e, em conse- 
quência, significar a acção do verbo em 
geral. 



PAR 



180 



PAR 



Para o lado do ribeirão PuraUj ou 
Paratchy as encostas são multo empi- 
nadas. 

(Vide os nomes Paratebii e Parati)), 

Pardo (Riu).— Affluente do rio Mo- 
gy-giiassú, pela margem direita. Algnns 
dizem que o rio Mogy-gnasm é que 6 
seu affluente pela margem esquerda: de 
sorte que, segundo estes, 6 o Rio Pardo, 
o não o Mogg-gvassú, que aftlúe no 
Rio Grande, pela margem esquerda. 

Tem ura affluente denominado Pardo- 
pequeno, 

(Vide o nome Mogy-gnassú). 

Affluente do rio Paranapanema, pela 
margem direita : atravessa de leste para 
oeste os municípios de Butuca tií. Santa 
Barbara do Rio Pardo e Santa Cruz 
do Rio Pardo, banhando estas duas 
villas. 

Affluente do rio Ribeira de Ignape, 
pela marg(»m direita: no município de 
Xiririca. 

lia além disso, o trecho do rio Ca- 
rauntrú, que depois de cahír de metade 
da serro, toma o nome de Rio PardOj 
e depois o do Jitqiteryfiuere*, e afinal 
Curifparê. 

(Vide os nomes Cara)nnrú, Ciintpacc 
e Jitqueryqucrê). 

Pardo, corrupção de Pát-ndú, «de- 
pendurado e ruidoso». De pái, «depen- 
durar», ndú, «ruído». O ndu é pronun- 
ciíido breve, porque o accento predomi- 
nante está em páí. 

Todos estes rios e ribeirões Pardo 
têm saltos, cascatas e cachoeiras; o que 
é causa de grande ruído e estrondo, 
porque as aguas se despenham impe- 
tuosas. 

O affluente do rio Mogy-guas^ú nasce 
em altitude superior a 900 metros; e 
desce de queda em queda, formando 
cascatas, cachoeiras e saltos, até desa- 
guar naquellc rio. São notáveis as cas- 
catas e saltos, nos trechos que banham 
os municípios de Caconde, Mocóca e Casa 
Branca: o salto principal, no município 
de Mocóca, tem a altura de 8 metros. 
Além das cascatas e dos saltos, ha in- 
Dumeras cachoeiras que, obstruindo o 



leito, tornam innavegavel esse rio, a 
não ser era legares de menor corren- 
teza, mediante pequenas canoas e balsas. 
A cataracta, denominada Varadouro, no 
município de Caconde, é medonha: o 
rio, cuja largura média é de 60 metros, 
estreita-se até õ metros no máximo, e 
3, no mínimo, e por esse canal, ladeado 
de morros graníticos, as aguas se des- 
penham em terríveis rodomoinhos e com 
pavoroso estrondo. Este estreito está á 
distancia de cinco kilometros da cidade 
de Caconde. Varadouro, corrupção do 
Il-dr-ú-ridúrú, «colhidas em rodomoi- 
nhos, com estrondo» : de h, relativo, por 
existir r na. palavra ár, «colher», u, o 
mesmo que n7, «revolver em si mesmo», 
ndúrú, «estrondo». O ú foi empregado 
em vez de rh, porque existindo r em 
ár, não podia ser repetido. 

O affluente do rio Paranapanema 
nasce na serra Boiucatú, em altitude 
de 8õ0 metros, mais ou menos; e tam- 
bém tem saltos, cascatas, cachoeiras e 
Ciitreitos, com declividade correspondente 
a 1 metro por kílometro, não obstante 
ser muito sinuoso e ter no leito aquelle 
e outros impedimentos, alli denominado 
geralmente itaipába, corrompido em Ha- 
ptiáva. O barulho das aguas é também 
grande neste rio. 

O affluente do rio Ribeira de Igiuipe 
é também de leito íngreme; e suas 
aguas descem de queda em queda, aos 
saltos, em cascatas e sobre cachoeiras, 
com estrondo. Desde a sua origem, na 
altitude de cerca de 800 metros, na 
serra divisória das aguas do rio Jacu- 
piranga e Ribeira de Igiiape, até mais 
de 20 kilometros, seu curso é uma suc- 
cessão de saltos e cascatas; e suas aguas 
também fazem estrondo. 

O nome Pardo não exprime, portanto, 
a cor desses cursos d'agua, E, aliás, é 
possível que em alguns legares, onde 
baixam, os alagadiços sujem as aguas. 

A pronuncia de Pái-ndú é Pdtdo: — 
dahi a corrupção em Pardo, 

Paricoérau— A6lwft.wtft,% vVs^ \\^ ^^.- 

beira de Igtiape^ ^0^^ \s\ax%^\sv ^vl^^^^ 
no mvmvdçYQ ài^ \%>\^^^- 



PAR 



PAR 



Ha PiirícoÔra-asxú e Puricorm-minm. 

Pttrkoéra, corruptela iie Píri-quér-a, 
lUiu pouco (lonninhnco*. De piri, <iiiu 
pouco», í/«t'í', íttorinir>, com o accres- 
ciiuo do a (bri-vu), por ucabar em cun- 
sounte. 

Allusivu á leiuiilão do seu curso. 

Segundo Martius, em seu Gbss. Ling. 
liras., escreveu ijiie Paricoêia signitica 
«jieixe rei»! 

Cacliooira, na b;irra daquelle mesmo 
Pary. 

Pari. — Aftliiente i!o rio I^munpa- 
iiema. pela marsieni direita: nn municí- 
pio de Campos Novos de Parannpníioma. 
Geralmente escrevem Pnry. 

P-iry, corruptela de Pái-n, íSUccos- 
sivamente depenilurado>. De pài, ■de- 
pendurar», ri, o mesmo que rtiif. ^siic- 
cossi vãmente», neste caso, 

Allus-ivo a ler o leito muilo Íngreme; 
em uma ileclividadc de mais de dois 
metros por kílometro, já considerado o 
seu liinuoso cursu. Com seus saltais, cas- 
cutas e cachoeiras, o Pary não tem na- 
vegação possível 

Pary, nome da cachoeira, & uma as- 
similação da cerca de talas para pescar. 
A cachoeira é quasi um salto, sem canal 
praticável; de sorte que iiSo ha meio 
de sahir dalli, seiíiVo arrastiindo as ca- 
noas pela margem, depois de descarre- 
gadas. 

Pari. — Arrabalde da cidade de S. 



leirAo Ta- 



ciija 
pa. ' 



Paulo, na várzea entre o riti 
vinmiualrhy e o rio Tictè, 
Também escrevem Pary. 
Logar antigo de pescaria. 
operação era e é rmpregadii 
dahi o nome do logar. O pari é feito 
de talas ou varas finas, amarradas umas 
ds outras verticalmente; e com isso o 
indígena forma, no rio, ribeirío ou cór- 
rego, o cacári para apanhar o peixe 
que desço de encontro a essa lapngem. 
Era voz de cacári, já li cacitry; mas o 
paAre A. Vi. de Mohtova, em seu Te- 
soro de la Uiigua guarani^ eecte\eft ca- 
ifdrí. 



Parnahyba.— Vill.1, á e 

querda do no Tidé. 

Nao se trata de Paniualiylta: 
com este nome ha alíluentc al^iiinj 
rio Tieié, naquelle munieip 
pretendeu Azevedo Marques, em l 
Apoiítainentos líinloricos, Oeogrof ' 
Uiographicos, Ksiatiatlcos t A"i>íiei 
rtW 'prorinaa de S. Paiilo, á forçftl 
querer explicar o nome Parnahyba. 

ho principio, snppiíz que fosse cr 
ruptíta de Pid-iláí-bo, «logar do purtol 
do caminho^: de pia. ícamiubut, f14Ll 
tportoi, bo (brove), para exprimir hgitW 
Com elTeilo, Tdefrnntc da lianda dn ti 
Jiifjttcnji, como rpzn uni documentoj 
tigu, eiri que M<-Íc)iior da Costa | 
uma sesmaria de terras para guts i 
[ilhas, quiindo já casido com Svi 
Di:ig, ilevia existir um porto: e allt'| 
estabelecida com faxemln a dita ! 
Dias, ao pnsso que o pedido di 
cliior da Costa, em IGIO, foi pad 
logar da actual villn. 

Sem duvida era ahi o logar da 
sagem do rio Tictí', de uma para 
margem. 

Mos, o nome Paninhyha tem 
verdadeira explicaçilo. E' corruptél 
Páu-u-eií-bo, *logar de muitas ill 
De páTi, <ilha>, », por ser nasal i< 
lavra anterior, ei), <muitos>, bo (bl " 
para exprimir logar. 

Âlliisivo a uma cachoeira, exlei 

estrondosa, acima da vilta, do i 
semeada de ilhotas cobertas de maiUi. 

E' mesmo vlsinha da vílla 
chotira. Entre as ilhotas ha vários fi- 
naes, e alguns de díOicil pratiun. .Cenrt 
que para iiiodenir a inipetuustdade dil 
aguas, a natureza collocou mais abaiu 
da cachoeira, uma pedra chata. 
granítica, de certa extensão e lar^un, 
conhecida por Itapéra ou Vlií-y -hai. 
De encontro a essa pedra ou ilha V*" 
nitiliua, as aguas, que descem em t* 
tadupas. qnebram-so espumantes. Tal t 
a origem do nome corrupto Parnnkjlt 
k i:,%aV\u«úa. é a hoje conhecida por Oh 
\('Hoeira do iufcnw. 



PAS 



PAS 



ParurÚ. — Affluente do ribeirão Pira- 
lúba, pela margem esquerda: no muni- 
cipio (ie Piedade. 

Parinii, corruptela de Pari-rn, «pró- 
prio para prtrit. Do pari, «cercía <ie 
talas para apanhar peise>, rií, «pun. 
O ríi tem pronuncia guUural. 

Assim como cm rclaçAo aos pfixcs. 
dizem pai-i-rh, tumhcm do mesmo modo, 
relativamente á caça uu tiiutto, dizem 
) m\iudé-ru, «pôr armadiiliai. 
', Alguns querem que sej^i cabeceira 
f principal do ribeirão Piratúba. e nâo 
I seu affluente. 

{Vide o nome PinUulá). 

Passa-cinco.— Affluente (lo rio Co- 
rumbatchy, nos municípios de rtracíi:nba 
e de 8. Jofio do Rio Claro, 

Foi-mo difficil descobrir o nome Inpi, 
(lo quíj é corruptela Passa-cinco. A pa- 
lavra Passa CKtava achada: Pái-oeè, con- 
Irahido em Pát-\è, "dependurado uo 
alto»: de páí, «dependurar», ocè, «sobre, 
em cimD>. Felizmente, verifiquei que, 
qnerendo o indigena exprimir energia, 
ô nSiiiio cing, conforma o padru Luiz 
Figueira, em sua Arte de gra/mnalica 
da liugiia brasílica, elassificando-o entre 
os advérbios incitativos; e, pois, Passa- 
cinco é corruptela de Pài-ocè-cing-a, 
contraliidii em l^ál-cè-ciug-a. Este cmg, 
Q padre Luiz Figueira o escreveu com 
« e nilo com e. O « foi iieerescenlado, 
por uciibur em consonnte a palavra riitg. 

Allusivo ii ter o leito niuitissiino Ín- 
greme, quando desce do Morro Grande. 

Passa Quatro.— Affluente do nbci- 
ríto Eiiibaú, pela margem esquenia: nu 
município de Cruzeiro. 

AffluentG do rio Mogy-guassú, pela 
margem direita', no [iiunicipio de Santa 
Cruz das Palmeiras. 

Serra, no município de banta Rita de 
Passa Quatro. Sobre esta serra eslá ú- 
tiiuda a vilia deste nome. 

Estes dui» ultimou uiunicipios são vi- 
sinlios, coníritituindo uma mesma região. 

Passa Qtialro, corrupção do Pdi-océ- 
^uãi-ia, tciugido e dependurado, nas ca- 
beeeiras: De pat, «dependurara, ocè, 



tsobre>, quá\, «cingir, lazer cintura», 
eom o suôixo ia (breve), para formar 
supino. 

Allusivo n terem essos ribeirões, quan- 
do ainda na serra, desccodo-a em leito 
Íngreme, muitas gargantas e estreitos. 

Mas, quanto á serrai, o nome é cor- 
ruptela de Pó-aid-qtiâí-la, «encostas mui- 
to talhadas». Do /«, apócope de poro, 
para exprimir superlativo, excesso, ox- 
tensiio, habito, peculiaridade, acei, «cos- 
tas», quái, «cortar, talhar», com o suf- 
fixo la (breve), para formar supino. 

Ailusivo a ler essa serra encostas muito 
infjremes, e conm que talhadas de alto 
a baixo. 

Esta serra é também conhecida por 
Agudo, corruptela de Há-cuê, cujo si- 
gnificado exprime a mesma idéa. 

(Vide o nome Agudo). 

Os indígenas sohiam dar nomes idên- 
ticos ou quasi idênticos no som, mas 
com sigoibcados differentes, a logares 
vários na mesma região. 

Passa-tres.— AQInente do ribeirSo 
IHragtbú, pela margem esquerda: no 
municipio de Sorocaba 

E' também conhecido por Piragi-mirim. 
O Passa-ires nasce na serra Jnhoa- 
hyba, prolongamento da serra São Fran- 
ciseo. 

Piissa-lies, corrupção de Páí-ocè-etA, 
contrahido en Pái-'fè-'iei, «inteiramente 
muito dependurado». De pát, «depen- 
durar», ocè, para exprimir superlativo, 
etet, «inteiramente, de todo o ponto», 
para exprimir a maior acção e a maior 
extensão do verbo. 

Allusivo a ter o leito muitíssimo Ín- 
greme, em todo o seu curso. 
Ha com o nome Passa-lres, dons cor- 
gos, nas mesmas condições,— um uo 
município do IJragunça, outro, no mn- 
nicipio de Taluhj, 

(Vide o nome Pântano). 

Passa-vinte.— Afiluente do ribeirão 
Kmbaú, pela margem esquerda: no am- 
uitiip\o vVo Cí\«.e«(i. 



PAT 



192 



PEC 



pela margem direita; mas os nomes em 
tupi indicam o contrario. 
(Vide o nome Embaú). 

Passa-mnie, corrupção de Pái-ocè-ibyi- 
ta^ «dependurado no alto e concavo». 
De pá%, «dependurar», ocè, «sobre, em 
cima», ibylj «ser concavo, ôco», com o 
suffixo ia (breve), para formar supino. 
O y tem som mixto guttural e nasal. 
 mudança do ò em t; é effeito da pro- 
nuncia dos portuguezes; de sorte que a 
palavra sôa vi-i-ta, produzindo a cor- 
rupção — vinte. 

Âllusivo a que, nascendo na serra 
Mantiqueira^ desce de lá em leito muito 
íngreme; passando por baixo de pene- 
dias, quando ainda sobre as encostas da 
serra. 

A estrada de ferro «Rio Verde» tem 
áquera do ribeirão Passa-vinte um tu7iel: 
tomada como um ponto de partida a 
estação do Cruzeiro. 

Ha também Passa-t^nte, affluente do 
ribeirão Jundiovira^ pela margem di- 
reita: no município de Cabreúra. Nasce 
na altíssima serra Japy. 

Patos.— Affluente do rio Tietê, pela 
margem direita: no município de Len- 
çóes. 

Patos^ corrupção de Pai-ia^ «depen- 
durado». 

Alguns mesmo o dizem Prata, que é 
também corruptela de Páí-ta. 

Âllusivo a descer em leito Íngreme, 
em cascata e encachoeirado. 

Patrocínio das Araras.— Cidade, 

cujo rápido desenvolvimento é explicado 
somente p^íia fertilidade das terras do 
municipio. 

Freguezia— em 1869, villa— em 1871, 
cidade—em 1879. 

Patrocínio de Santa Izabel.— 

Villa, desde 1873. Este municipio é au- 
rífero. 

Patrocínio de Sapucahy.— Villa, 

desde 1886; era freguezia desde 1874, 
^ste muDicipio é diamantino. 



Pátuáhy. —Cachoeira, no rio Tiei^, 
mencionada por Pedro Taques, na No- 
biliarchia Paulistana, com referencia á 
fazenda de cultura de Salvador Pires, 
sogro de Bartholomeu Bueno da Ribeira. 

E' a mesma que traz o nome Atuaky. 

(Vide o nome Atuahy), 

Páu Santo. — Ilhas no rio Tietê: 
abaixo da cidade de Porto Feliz. Alguns 
consideram seus canaes lateraes como 
cachoeiras. 

Páu Santo, corrupção de Páu-çà^ «cor- 
da de ilhas». Dq páu, ilha», çã, «corda». 

Âllusivo a ilhas em fila que ahi exis- 
tem. 

Pavô.— Serra, no municipio de Ita- 
.nhaen. 

Pavô, corrupção de Po-yi, «ôco». De 
po, partícula que compõe poro, para ex- 
primir superlativo, excesso, qualidade na- 
tural, yi, «ser ôco, com cavidade, aber- 
tura, seio». Este yí tem som guttural, e 
de difficil pronuncia:— por isso os por- 
tuguezes disseram pavò, 

Âllusivo a ter grutas. 

Pecê.— Ilhota de areia e mangue, no 
laga-mar de Santos. 

Pecè, «pedaço». 

Âllusivo a ser uma dcsaggregação, que 
ali parou e permanece; não uma ilha 
formada por sublevação geológica. 

Pecegueiro.— Espigão, ou antes um 
serrote, que serve de divisa aos muni- 
cípios de S. Luiz de Parahytinga e de 
Guaratinguetá. 

Peccgueiro, corruptela de Pe-cy-nguc- 
rii, «encosta lisa». De pe, «superfície», 
cy, «lisa», ngue, o mesmo que iquê, 
formando nguê, por ser nasal a palavra 
anterior, «lado, costa», m, «estar, pôr-se». 

Pecery. — Affluente do ribeirão Poti, 
pela margem direita: no município de 
Mogy das Cruzes. 

Peoery, corruptela de Pi-cerí, «pouco 
fundo». Do pi\ «fundo», c^ri, «pouco». 

k\V\xs.vNQ vx ^^kt \ivw çeojieao ribeirão, 



PED 



198 



PED 



Pederneiras.— Villa, á margem es- 
querda do ribeirão do mesmo nome, 
que desagua no rio Tietê, pela margem 
esquerda. Era bairro do antigo nmni- 
cipio de Lençóes, sob o nomo S. Sebas- 
tino da Alegria. 

Pederneiras.— Affluente do rio Tielé, 
pela mar*gem esquerda: no miinicipio de 
Lençóes. 

Affluente do mesmo rio Tiet(\ pela 
margem esquerda: nos municipios do Tie- 
tê e de Tatuhy. 

Cachoeira, no mesmo rio Tieléj pró- 
ximo á fóz deste segundo affluente. 

Pederneiras, nome dos dous ribeirões, 
ou nome da cachoeira, é corruptela de 
Pi-ncii^yêrè, «apertado e sinuosíssimo». 
De pi^ «apertar entre duas cousas», ndi, 
«muitos», yêrè, «voltas». 

Quanto aos ribeirões, é allusivo a cor- 
rerem sempre entre margens alcanti- 
ladas, fazendo innumeras voltas. 

Quanto á cachoeira, é allusivo a um 
canal tortuoso, entre arrecifes. 

Nessa região, não ha propriamente pe- 
derneira: ha uma ferra rei'melha^ pro- 
ducto (la desaggregação alterada de cal- 
careo e schistos carboníferos silicosos; 
ha mesmo camadas de calcareo cinzento 
alternando com schisto argiloso roxo, 

Coincindindo com o som do nome tupi 
a formaçílo geológica dessa região, onde 
correm os dois ribeirões, e onde existe 
a cachoeira, foi fácil a corrupção em 
Pederneiras. 

Segundo Azevedo Marques, em seus 
Apontamentos IliMonvos, Gvographicos, 
Biographicos, Estatísticos e Notidosos 
da jrrovincia de S. Pauto, ha uuí af- 
fluente do rio Coruvibatehy com o nome 
Pvdeimeirns; e, pela direcção que attri- 
búe ao seu curso, deve ser pela margem 
esquerda. Nào consegui, porém, verifi- 
car a existência deste ribeirão ou cór- 
rego. 

Pedra Branca.- Cachoeira, no rio 
Paranapanvnia, acima da cachoeira Ta- 
manduá^ e esta acima do Rio Pardo, 
Serrote, no município de liuquira. 
Pequeno ribeirão, no municipio de 
Santa Barbara do Rio Pardo, 



A cachoeira é uma das mais perigosas 
do rio Paranapanema, por causa dos 
fortes desnivelamentos do leito, formando 
quedas. Uma muralha granítica atravessa 
ahi o rio, deixando um único canal es- 
treito e torcido junto á margem esquerda; 
e, próximo á margem direita, além da- 
quella muralha que ahi tem começo, ha 
arrecifes. O nome tupi é Pe-rá-bang-ca, 
«superfície desigual e torcida»: de jt?^, 
«superfície», rá, «levantado, não nive- 
lado, desigual», baifg, «torcer», com o 
suffixo ca (breve), para foruíar supino. 
O nome Pedra Branca é corrupção da- 
quelíe nome. 

Quanto ao nome do serrote e do pe- 
queno ribeirão, ignoro o nome tupi; e 
mesmo de taes legares não obtive as 
informações precisas. 

Pedra do monge. -E' uma pedra 
colossal, ao lado oriental da serra Ara- 
çoi<il)a: no municipio de Campo Largo 
de Sorocaba. 

Do alto desta pedra a vista alcança 
vastíssima extensão. 

O nome é attribuido ao supposto facto 
de ter habitado um anachoreta. 

Não creio na existência de tal ana- 
choreta. A imaginativa de algum mora- 
dor daquelles arredores teria quiçá fa- 
bricado essa lenda, para crear aquelle 
nome. 

Pedras. —Affluente do rio Ribeira de 
Ignape, \)(iVà margem direita: no muni- 
cipio de Xiririca. 

Affluente do rio Una d'Aldèa, pela 
margem esquerda: no municipio de Igua- 
pe. E' também conhecido por Guapiú, 
seu nome tupi. 

(Vide o nome Guapiú). 

Affluente do rio Jundiahy, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Jundiahy. 

Affluente do rio Mogy-gnassú, pela 
margem direita: nos municípios de Santa 
Cruz das Palmeiras e de Pirassununga, 

Affluente do Rio Pardo, pela margem 
esquerda: entre os municípios de Bo- 

Ha covcv ^ç>\fò wo\\\^ xxX^^w^^'^ ^^^ ^^- 
reaos nos m>\mç;vç\vi^ ^^ '^•l^^^^ ^^^^^ 



PEL 



194 



PEO 



Vista, de Piracicaba, de Santos e ou- 
tros. 

Quanto ao de Santos, vide o nome 
Itutinga. 

Em geral, têm o leito obstruído de 
pedras: dahi a corruptela do nome tupi 
em Pedras, 

Qual, entretanto, o nome tupi, assim 
mudado ou transformado em Pedras^ — 
não o pude descobrir. Pedras, será tra- 
ducçào? Ou, acaso, corrupção de nome 
que sôe assim, mais ou menos? 

Pedregulho.— Corredeira, no rio Pa- 
ranapanema; precede a cachoeira da 
Seira do Diabo. 

Pedregulho j corrupção á^ Pel-ndi-cúry, 
«muitos caminhos e muita velocidade». 
De pei, «caminho», ndi, «muitos», re- 
gendo tanto pèíy como cúry, «pressa, 
velocidade». 

Allusivo a ter varias passagens entre 
os arrecifes, porém sinuosas e atraves- 
sadas formando zig-zag. A passagem 
junto á margem esquerda é a menos 
perigosa. 

Pedra Preta.— Affluente do rio Pa- 

ranapajieniaj pela margem direita: no 
municipio de Rio Novo. 

Também ignoro o nome tupi, de que 
é corrupção Pedra Preta. 

Pedra do Sellado.— (Vide o nome 
Sellado). 

Pedro Cubas.— Affluente do rio Ri- 
beira de Iguape, pela margem esquerda; 
no municipio de Xiririca. 

Pedro Ciibas, corrupção de Pe-ro-húú- 
bae, «superfície, em ambas as margens, 
lodosa». De pe, «superfície», ro, para 
exprimir o exercício com outro, húú, 
«ter lodo, limo, fezes, etc», bae, partí- 
cula de participio. O k é aspirado. 

Allusivo a existir, em suas margens, 
um barro escorregadio, que tem a na- 
tureza saponácea. Ha desse barro gran- 
des extensões; e alli os moradores o 
consideram puro. 



sem duvida, mais se approxima da ver- 
dade. 

Pelouros, corrupção de Pirõ, «rodo- 

moinhos». 

Allusivo a fazerem as aguas ahi fortes 
rodomoinhos. 

Penha de França.— Povoação, sede 

da parochia deste nome: no ihunicipio 
de S. Paulo. 

E' logar de muita devoção; e a festa 
annual, começada annualmente em o 
principio do mez de Setembro, attrahe 
álli pessoas e famílias de outras povoa- 
ções. 

Penha do Rio do Peixe.— Cidade, 

também conhecida por Pentia de Mogy- 
miri?n, 

(Vide o nome Itnpyra), 

Penondúbau— Lpgar, á margem es- 
querda do rio Tieié, entre Itú e Porto 
Feliz. 

Logar, á margem direita do rio Tietê, 
no municipio de Parnahyba. 

E' geralmente escripto Ponundúra. 

Pcno7idúva, corruptela de Penu-nd-yi- 
bo, «logar de elevações e de concavi- 
dades». De penu, «cousa saliente da 
superfície», nd, intercalação por ser nasal 
a pronuncia de penu, e para ligal-o a 
yi, «concavidade, ôco», bo (breve), para 
exprimir logar ou sitio. 

Allusivo a serem sujeitas essas regiões 
a elevações e concavidades que a natu- 
reza, por movimentos subterrâneos, sóe 
formar. 

E isto explica, quanto ao primeiro 
logar, a significação do nome do ribei- 
rão Coyacotinga. 

(Vide o nome Cayacotinga). 

Mesmo o nome Pírapetinguy, quer do 
campo quer do ribeirão, exphca aquelle 
facto. 

(Vide o nome Pirapetinguy). 

Peprapetínga.—Ja li ainda mais cor- 
rompido: Pepreiínga. 

(Vide o nome Pirapetinga), 



Pelouros.— Cachoeira no rio TÍ€íé.\ Pequvàu— ^tivsi, \i^ \^^ ^^^ ^. '^^- 
£!' também conhecida por Pilões; o que\baaW^o: no mxsiXLmvvo ^^^\\\^\í.>ií^\. 



PER 



195 



PER 



Peqiiiá, ou Pr-quiá, «plana e suja>. 
De pé, «plana, chata», qfiid, «suja». 

Allusivo a nâo ter elevações; mas a 
receber do mar detritos de toda a na- 
tureza e espumas. 

Essa praia liga-se a uma extensa pla- 
nície, que também tem o mesmo nome — 
Pé-quiá, 

Pequira. — Lagoa, no município de 
Moíiy-guassú. 

Pequira^ corruptela de Pé-f/tdr-ay «quen- 
te em baixo». De pé, «quente», g/tir, 
«em baixo, a parte inferior», com o 
accrescimo de a (breve), por acabar em 
consoante. 

Allusivo a ter quente o leito ou o 
fundo. 

Abundando também nessa lagoa o pe- 
queno peixe peqnir-a, o indígena, fa- 
zendo o jogo linguistico, preferiu cer- 
tamente aquelle modo de designar o 
«fundo quente» da lagoa; sendo certo 
que poderia usar de outro modo, como 
por exemplo pi-acú, que signiticaria tam- 
bém «fundo quente». 

Assim^ o nome idêntico ou quasi idên- 
tico no som foi adoptado para exprimir 
dous factos na mesma lagoa. 

Peranambucana.— Serrote, ramifi- 
cação (ia serra Bocaina, e córrego, que 
nasce daquelle serrote: no município de 
S. José dos Campos. O córrego é af- 
fluente do ribeirão Potim. 

Peranambucana, corruptela, de Hera- 
ii-ã-mb-áquâ-n-Qy tanto para o serrote, 
como para o córrego. 

Quanto ao serrote, significa «um pouco 
alcantilado e ponteagudo». 

Quanto ao córrego, significa «um pouco 
empinado e muito corrente». 

A differença está somente na palavra 
áquâ, que, no serrote, significa «ponta», 
e no córrego, «correr, corrente»; e, por 
ficarem nasalisadas, em qualquer dos 
nomes, por causa de hera e 5, são fe- 
chadas com o a (breve), precedido de 
w. De herãj «um pouco», 5, «empinar», 
fwôi intercalação por ser nasal a pala- 
vra anterior, aquâ-n-a^ significando pon- 
teagudo» ou acorrente», conforme já ficou 
dito. 



São dous nomes oom som idêntico, 
mas significando diversamente, segundo 
o systcma dos indígenas 

Perapetingau— (Vide o nome Pira- 

pitinga). 

Perdões (Bom Jesus dos). — Pequena 
povoação entre os municípios de Ati- 
baia e de Nazareth, pertencente a este 
ultimo. 

Pereiras.--Povoaçâo, hoje freguezia, 
pertencente ao município de Tatuhy. 

Perequê.— (Vide o nome Piraiquê). 

Peri mirim.— Pequeno rio que desa- 
gua no oceano: no município de Uba- 
tuba. 

Alguns escrevem Promirim. 

(Vide o nome Promiriyn), 

Perimirim^ corruptela de Piri-myri, 
«pouco e pequeno». De pirij «pouco», 
m^n, «pequeno»: formando estas duas 
palavras o significado livre — «raso e 
pouco extenso». 

Com, effeito, tem apenas a extensão 
de um kílometro, quatro metros em sua 
maior largura, e meio metro de pro- 
fundidade. 

Peritúba.— AfHuente do rio Taquary, 
pela margem esquerda: no munícipio 
de Itapeva da Faxina. 

Peritúba, corruptela de Pyri-ty-bo, 
«soterrado a pique». De pyri, «a pi- 
que», ty, «soterrar», com o accrescimo 
de bo (breve), para formar supino, ex- 
primindo ao mesmo tempo o modo de 
estar. 

Allusivo a correr muito profundo, en- 
tre barrancas altíssimas e a pique. 

Com efTeito, a região, em que corre 
o Peritúba, tem uma formação geoló- 
gica de tal natureza que os rios e ri- 
beirões talham na terra profundissimos 
sulcos, ás vezes cem ou mais metros 
abaixo; de sorte que é impossível des- 
cer ao E^xx \tóX.o. 



PER 



196 



PER 



abrirem passagem sob o solo, desappa- 
recendo em um logar para reapparece- 
rem mais abaixo. No rio Itararé é onde 
este phenomeno melhor se mostra. 

(Vide o nome Itararé). 

Não obstante, também esse ribeirão 
Peritúba pôde acaso ter abundância de 
piri ou junco; formando assim o indí- 
gena o seu jogo imguistico, para assig- 
nalar nesse curso d'agua os dous factos. 

Ha outros ribeirões com o nome Pi- 
rítúba, 

(Vide o nome Piritúba). 

Perna de páu.— Pequeno rio que 
desagua no oceano: no município de 
Caraguatatuba. 

Perna de páu^ corruptela de Pena- 
nd'i'páu^ «saliência entre duas aguas». 
De penu, «saliência da superfície», /irf, 
intercalação por ser nasal o som de 
penuj e para ligal-o a í, «agua», pâu^ 
«intermédio entre dous». 

Allusivo a formarem as areias do mar, 
á fóz desse rio, um como isthmo; resul- 
tando disto que as aguas do rio, sof- 
frendo impedimento para a sabida, re- 
fluem ou fazem bojo ou lagoa, atá que, 
em luas determinadas, forçam aquella 
muralha de areia e escoam -se, para ser 
renovado depois o mesmo phenomeno. 

Pero Luiz,— Rio, na ilha Cardoso: 
no município de Cananéa. £' pequeno, 
tanto em extensão, (5omo era profundi- 
dade. 

Pero LniXf corrupção de Piierè-rui, 
«sinuoso e lento». De pilêrè, «volver-se, 
dar voltas», rui, «preguiça, lentidão, bran- 
dura, astúcia, silencio, tento, etc». 

Allusivo a dar voltas successivas, e a 
ser pouco corrente, até ao ponto de pa- 
recer parado. 

Perová. — Affluente do rio Tietê, pela 
margem direita: no município de Mogy 
das Cruzes. 
E' também conhecido pelo nome Í7wa. 
(Vide o nome U?ia). 
Perová, corrupção de Pi-rõ-uá, «fundo 
revojvido e alagado^. De pi, «fundo, 
centro», rô, <rreFo/rer», ná ou í-tí, «a\a- 
gãr, fazer lagôa». 



Allusivo a derramar-se; e, por correr 
cm terreno carbonifero, frouxo por mis- 
tura de areia, forma gretas no fundo, 
sobre as quaes gyram as aguas, revol- 
vendo-lhe o fundo. 

Com effeito, o terreno é negro e em 
várzea, correspondente á formação do 
valle do rio Tiei^, que, desde Mogy das 
Cruzes, desdobra-se em uma immensa 
várzea. 

Perucáiau- Morro, entre os municí- 
pios de Conceição dos Guarulhos e de 
Juquery. 

Não se trata da planta Piruguáia, 
também conhecida por Cipó-suma, da 
fnmilia dos Jonideas, cujo nome na scien- 
cia é ÁJichietea salutaris, e cuja raiz é 
purgativa. O povo diz também piragáia; 
e também anvhicta. E, aliás, essa planta 
pode existir naquelle morro; razão por- 
que o indígena, para fazer o jogo lin- 
guistico, em vez de nomear de outro 
modo ou com outras palavras o morro, 
o nomeou Perucáía, 

Perucáia, corruptela de Piri-quái-a, 
«cortado a pique», quái, «cortar, talhar», 
com a (brevej, i)ara formar o infinitivo. 

Allusivo a ser morro alcantilado, como 
que talhado, a pique. 

Peruhibe.— Morro, rio, e praia: no 
município de Itanhaen. 

O conselheiro Martim Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, em seu Diário de 
uma viagem mineralógica pela proviyi- 
cia de S, Paulo no anno de 1805, assim 
o escreveu: «...metti-me em carros 
para andar a praia de Peruibe, que já 
fíca ao sul da praia, e terá seis léguas 
de comprimento ; do meio para o fim 
está a aldêa d'este nome, e no fim o 
rio. que também atravessei, para no se- 
guinte dia subir o morro de Peruibe*. 

Os indígenas costumavam dar nomes 
a logares vários, na mesma região, com 
o mesmo som, ou com som quasi idên- 
tico, mas com significados diversos. 

Peruibe, nome do morro, é Pir^-it-bo, 
contrahido em Pir^-it-bo, «a pique e em 
resvaladouro». De peW, «a pique», ti, 
cTesva\«ii>, bo ^xes^'^^ ^^\^ «iw^râMCL ^ 
modo d^ ^^Xt^Qii. 



PER 



107 



PIA 



Âllasivo a ser alcantilado nas pontas 
ou cabeços que Innça sobre o oceano; 
e resvaladeiro nas encostas interiores. 

Peruhibe^ nome do rio, é corruptela 
de Pi-rui-bOy «fundo quieto». De pi, 
< fundo», rui, «quietude, preguiça, silen- 
ciar, etc», bo (breve), para formar su- 
pino. 

Allusivo a ser rio 7norto, ou ao menos, 
sem corrente apparente. 

Peruhibe, nome da praia, é corruptela 
de PirúAi'bo, «secca e dura». De piíií, 
«secco», i/, «duro, apertado», bo (breve), 
para significar sitio ou logar. 

Allusivo a formarem alii us arêas um 
solo secco e duro. 

Também a denominam Tapireina, 

(Vide o nome Tapirema). 

Os que costumaín viajar de Santos 
para Iguape, ou vice-versa, fazem o tra- 
jecto dessa praia em carros puxados a 
bois; e sobem o morro conduzidos em 
redes. E' um pouco primitivo esse modo 
de viajar; mas ainda não ba outro mais 
aperfeiçoado: em todo o caso, tenho ou- 
vido aos que já fizeram essa viagem, 
que o transporte em carros sobre aquella 
praia, e em redes sobre o morro, tem 
encantos, cujas recordações sào ura pra- 
zer para toda a vida do transportado. 

Perus. — Affluente do rio Juquery, 
pela margem esquerda: no município 
de S. Paulo. 

Perus, corruptela de Pi-ric, «põe-se 
apertado». De p-i, «apertar», ric, «pôr-se, 
estar». 

Allusivo a correrem entre montes, em 
leito estreito, e ainda mais apertado em 
alguns legares, formando cachoeiras e 
saltos. 

Peruvaú vau— Affluente do ribeirão 
Jundiavira, pela' margem esquerda: nos 
municípios de Jundiahy e de Parnahyba, 
Peruvaúva, corrupção de Pi-rá-ibyi- 
bae, contrahido era Pi-r' -ibyi-bae^ «fundo 
desigual e raso». De pi, «centro, fundo», 
rá, «desigual, não nivelado», ibyi, «baixo, 
pequeno», com a partícula bae (breve), 
para formar participio. 

Âllasivo a ser encachoeirado desde 
qae nasce, e a ter pouca agua. Nos 



logares mais estreitos não excede de 
trcs palmos de fundo; nos mais largos 
terá f)almo e meio. 

Antes de desaguar no Jundiavira, 
200 metros mais ou menos, tem um 
salto de 12 metros de altura, denomi- 
nado Vuturanchim. Até certo ponto, 
desde as cabeceiras, é conhecido por 
Ouapiára, 

Tem no leito buracos ou poços. 

Pescariau —Pequeno rio que desagua 
na enseada Piciíiguaba: no município 
de TJbatuba. 

Pescaria, corrupção de Pi-guára-i, 
contrahido em Pi-guár*-i, «successivas 
tortuosidades». Pi, «centro», guára, «tor- 
cido em zig-zags, retorcido em espiral, 
tortuosidades», i, posposíção de perse- 
verança. 

Allusivo a cahir da serra na extensa 
várzea, onde, como uma serpente, desli- 
sa-se em successivas sinuosidades. 

Tem seis kilometros, mais ou menos, 
de extensão: ao principio com dez me- 
tros de largura e três de profundidade, 
vae-se alargando e aprofundando em seu 
curso. 

A' fóz, alarga-se até cem metros, mas 
diminúe de profundidade, de um a três 
metros, conforme a maré. 

E' também denominado Pieinguába. 

(Vide o nome Pieinguába). 

Pessinguabau— (Vide o nome Pi- 
einguába). 

Embora o nome, começado com pe, 
seja menos incorrecto, julguei conve- 
niente usar de Pieinguába, por ser o 
que vem nos mappas e em documentos. 

Piabas. — Uma das cachoeiras que 
formam o rio Brejahimirindúba, no mu- 
nicípio de TJbatuba. 

Piabas, corruptela de Pihá-bo, «em 
escada». De pihá, «degraus, escada», bo 
(breve), para exprimir o modo de estar. 

Allusivo a formar successivas quedas. 

P\açábo%%vx*— ^x^\v ^^^^ ^ ^^-^^^^ 

que Itaz e^\.Qi xvç>m^ ^ ^ ^^^ ^^ ^^"^^ 



PIA 



198 



PIA 



Piaçãbossú, corru|itíla de l^-açáí-buptt, 
■plana, extensa e 1nr(;a>. De pf. (p]nnn>, 
açâi, «estender, extensa», luiç-ú, o mesmo 
()iie vçú, «largo. Rrande». 

Com eHeilo, essa praia tem cerca ile 
setenta kilomeiros ne extensão; com 
grande largura. 

Mas, segundo n costume dos indíge- 
nas, relativamente a lo^^ures vanos na 
mesma regiSo, aos (jnaes dsvam nomes 
com som idêntico ou quasi idêntico mas 
cora significados diversos, eate mesmo 
nome í' attribuido ao porto, e ao rio quu 
Gommunica o porto com aiiueila praia, 
no município de S. Vicente. 

Quanto ao rio, Piaçáhossú é corrap- 
tóla de Pi-açái-iobú-çúú. pnr contracção 
Pi-nçái-obú-^^úú, (Tundo lodoso que r^- 
hoja esparzÍudo-se>. De ;», «fundo, cen- 
tro», açat, «estender, esparzir», iobú, 
«rebojar, transbordar, sair o liquido fura 
das bordas que o contém>. sendo que 
io é reciproco para compor a palavra 
com aquelie signiticado, cúú, o mesmo 
que húú, «lodo, lamai borra, Kzes, de- 
tritos etc*. por isso que a mudan<;a de 
lottra, em cnmposiçSo de nomes. n;i [in- 
gua tupi, è muito usada, especialmente 
o fi, que é aspirado, em ç, e havendo 
necessidade, como neste caso, para o 
jogo linguistico na nomeação doa lo- 
gares. 

Allusivu a ser lodoso esse rio; e a 
transbordar successi vãmente, á propor- 
(.:ío que a maré cresce, por effeito do 
fluxo e refluxo das aguas maritimns. Sem 
ter crescido a maré, é innavegavel. 

Quanto ao porto, o nome Piaçtíhossú 
(• corruptela de Pè-ftaçáb-nçú, «passagem 
geral do camÍa)io>. De pè, «caminho», 
/ifí^-áb, «passar», e. por níio ter caso. 
significando no ínHuitivo a ac^nu do 
verbo em geral, conforme a lição do 
padre Loiz Figceira, em sua Arle de 
(jramtnalica da Ungita branUica, é, «pas- 
sagem», ííp», também empregado para 
exprimir comparativo, ou ainda mais a 
BPçSo do verbo por muitos. 
Allasjro a ser essa a passagem prin- ,- - f i - i,. 

«y^/í que serve, em geral, aos que porlP^*"^"""' ^ ^''''- ^"^ ^"^ ^"^^^ 



A confirmaçilo de tudo isto, vou 4 
transcrevendo a doscripçflo rieMes ( 
res, feita por pessoas que escrerf 
suas viagens entre a cidade de r ' 
(' a víllu de Itanhaen. 

O conselheiro Martim Frasc:h«xí ^ 
Ribeiro de Andrada, em seu Otário 
de tnnti riaifcm mineraloijirii pela firo- 
rificía de S. Pnnlo no ainin de lf{05, 
assim o escreveu: «Parti df Santoa, rim 
pelo braço de mar que st- dirige pelo 
Cubatao, i' no largo do Caneil tomei á 
esquerda por um rio, que divide n vilU 
(hojo cidade) do Santos da terra firme, 
e ii torna verdadeiramente uma ilhi: 
cheguei ao porto de Piaçabuçú, onde 
tne metti em carros, o andei uma grande 
praia de dez léguas, segunda dixem ao 
sul, até chegar á villa da Conceição de 
Itanhaen». 

Vou, agiira transcrever a descripç3ii 
feita pelo dr. Carlos Iíath. em seus 
PVat/meiíhx ncologinos e gaMjraphieoa, 
vindo da villa de Itanhaen para Sunlos, 
isto é, no senliilo inverso ao do primeiro: 
«Da Conceição em diante tem de pas- 
sar ontra vez em carroças cobertas, pn- 
chadas a bestas ou bois, por fintre D 
mar e os eonibros de arêa, por un» 
praia tesa e plana, até o porto de Pias- 
sáhitt.sâ; dez léguas. Em Piaseáhuitaú, 
deve-se purar e esperar a maré, e enUIO, 
oaminhandu-se da praia para o pttrto do 
embarque do rio Pinsifábitssú um quarto 
de légua mais ou menos, toma-sc este 
lodoso e tortuoso até Santos, ou 
Casqueiro, ou Cubatão, de c a 7 léguas 
a este ultimo». 

Piaçagoéra.— «Antiga passagem ia 
caminho-, é o significado de JV-Aofrf- 
ffnèra: de pê, «caminho», hafâ, «pas- 
sagem >, por ser infinitivo sem caso, 
yriêra, o mesmo que cuíVo, verbal d« 
pretérito, signifiiando lo que foi, o c 
existiu». 

Allusivo a ter sido aiii o porto] 
caminho que existia, ao tempo da l 
gada dii Martim AtTonso de V 



CJvie o 




PIA 



199 



PIA 



Dahi os indígenas seguiam pelo con- 
tinente até Bertioga: e, querendo ir á 
aldêa, onde se fundou a villa de S. Vi- 
cente, atravessavam o braço de mar 
para o porto do Cubatâo. A communi- 
cação entre este porto e a villa de Santos 
era, por canoas, pelo laga-mar Caneú^ 
como se vê da transcripçâo feita, a pro- 
pósito do nome Piaçábossúj de um trecho 
do Diário de uma viagem mineralógica 
pela provinda de S. Paulo no anno de 
1805: «Parti de Santos, vim pelo braço 
de mar que se dirige para o Cubatâo, e 
no largo do Caneú tomei á esquerda por 
um rio, que divide a villa de Santos da 
terra firme, e a torna verdadeiramente 
uma ilha...». Assim ainda era neste 
século; porque o aterrado entre Oubatão 
e Santos ó obra posterior. 

A denominaçilo Cubatâo- Mogy^ que 
se lê em algumas chronicas, não é nome 
de rio algum, senão a designação desse 
porto, que era a communícação com o 
caminho da serra. 

De outro modo, ou se outro fora o 
caminho da serra Cuhaiào, seria sem ex- 
plicação a descida dos indígenas até o 
canal Bertioga, em 1531, sem canoas, 
para verificarem a chegada e estada de 
naus portuguezas allí:— seu trajecto foi 
pelo continente, onde era a tabadcába 
ou a escala de passagem entre as al- 
deãs, a começar, em baixo da serra, pelos 
que estavam á margem dos ribeirões 
Oeribatyba e Ururay. 

E' tão melhor esse caminho dos in- 
dígenas para Piratinim, hoje região e 
cidade de S. Paulo, que em suas explo- 
rações, a companhia ingleza da estrada 
de ferro de Santos a Jundiahy tomou essa 
mesma directriz para a subida da serra 
e mais percurso até aquella região: mais 
ou menos. Os vestígios da villa de Santo 
André, fundada por João Ramalho, con- 
correm para este asserto. 

(Vide o nome Santo André), 

Como se vê do nome Piaçáguera, este 

é apenas designativo de que foi por allí 

o caminho primitivo, para o distinguir 

do qae foi feito, posíeriormente pelos 

portuguezes. 



O nome do caminho primitivo era Pe- 
rá-nái-piâ-quâb-a^' e dahi os portugue- 
zes entenderam que era o nome da serra. 

(Vide o nome Paranapiacaba). 

O do porto era Y-piâ-çába, porque 
ahí é que se dividiam os que iam para 
os lados da região, que depois tomou o 
nome de villa de S. Vicente, e os que 
iam para os lados da Beitioga. 

(Vide o nome Apiaçãba). 

Piaguy. — Affluente do rio Parahyba, 
pela margem esquerda: nos municípios 
de Guaratinguetá e de Lorena. 

Piaguy^ corrruptéla de Pi-aí-gui, «fun- 
do cora saliências, altos e baixos», gui, 
posposição significando, neste caso, «com». 

Allusivo a ter no leito muitos arreci- 
fes; o que não impede que seja muito 
corrente. Ha neste ribeirão lindíssimas 
cachoeiras. 

Azevedo Marques, em seus Apon- 
lamentos Históricos, Geographicos, Bio- 
grapkicos, Estaíisticos e Noticiosos da 
provinda de S. Paulo, escreveu Piauhy, 

Piahy.— Affluente do ribeirão Tre- 
membé, pela margem direita: no muni- 
cípio de S. Paulo. 

Affluente do rio Tamanduatehy^ pela 
margem esquerda: no município de S. 
Bernardo. 

Piahy, corruptela de Piá-i, «aos de- 
graus». De piá, «degrau, escada», í, 
posposição de perseverança, para expri- 
mir successão do facto, isto é, alguns ou 
muitos. 

Allusivo a descerem aos degraus ou 
de degrau em degrau. 

São encachoeirados. 

Pião. — Serra, entre os municípios de 
Jacarehy, de Patrocínio de Santa Izabel, 
de Nazareth e de Santo António da 
Cachoeira. 

Ramificação da serra Mantiqueira. 

Pião, corruptela de Pi-ã, «empinado 
e escalvado». De pi, «raspar, escalvar, 
tirar a cabeai» ^ cl, «.^xk^\w^\^. 



PIC 



200 



PIC 



Piaú.--Cachoeira, abaixo da fóz do 
ribeirão Mosquito, no rio Paranapanema, 
e acima da cachoeira Pacú. 

Pi-aú, «canal defeituoso». De pi, afun- 
do, centro», aú ou aúh^ partícula para 
exprimir defeito na acção ou nó facto, 
segundo a lição da padre Luiz Figueira, 
em sua Arte de gramniaiica da língua 
brasílica. 

Allusívo a ser um canal em diagonal 
da margem esquerda para a direita, por 
causa de arrecifes: as aguas correm 
nesse canal com impetuosidade. 

Piauhy. — Aftluente do rio Mogi/- 
gnasm, pela margem direita: no muni- 
cipio de Ribeirão Preto. Traz hoje o 
nome de S. Luiz. E' córrego. 

Piauhy, corruptela de Pí-ai-i, «leito 
perseverantemente obstruído». De pi, 
«fundo, centro», aí, «saliências, altos e 
baixos», i, posposição de perseverança. 
O i tem som guttural por estar seguido 
de outro i. 

Allusivo a ter no leito, em toda a 
extensão, pedras e cachoeiras. 

Picanço. — Nascente d'agua no alto 
do contra forte ou serrote divisório das 
aguas do rio Tietê,, e do seu affluente 
Cabuçú: no município de Conceição dos 
Guarulhos. 

Alguns a dizem «olho d^agua». 

Picanço, corruptela de Picoè-ocè, con- 
traido em Picoe-'cè, «concavidade alta». 
De picoè, «concavidade, canal, logar con- 
vexo», ocè, «alto, em cima». 

Allusivo a ser um deposito de agua 
no cimo mais alto do serrote. 

Com effeito, na altitude (h 79G me- 
tros. 

■\ 

Pichoáu— Affluente do rio Parahyba, 
pela margem direita: serve de divisa 
aos municípios de Taubaté e de Caça- 
pava. 

Pichoáj corruptela de Pyty-há, «ato- 
ladiço». De pyty, «atolar-se», há, o 
mesmo que ába, para exprimir logar, 
causa, modo, instrumento, fim, intuito, 
etc^ Mas, a palavra pyfy exprime apenas 
o effeito: as aguas desse córrego soi- 



frem represa na barra, e dahi o atola- 
diço como eflFeito dessa represa. 

Por cansa da pronuncia de pyty-há, 
sôa picku'á. 

Allusivo a ter atoleiros no leito. São 
mesmo, em alguns logares, verdadeiros 
tremedaes. E' ladeado de várzeas. 

Picinguábau — Enseada, um pouco 
ao sul do limite da província de S. 
Paulo com a província do Rio de Ja- 
neiro, pelo littoral. 

Rio que desagua naquella enseada. 

Segundo Martius, em seu Ohss. Ling. 
Bros., o nome Pieinguába significa «lo- 
gar onde se cria o peixe do mar»! 

Pieinguába, nome da enseada, é cor- 
ruptela de Pe-cy-guâá-bae, «superfície 
lisa e arredondada». De pe, «superfície», 
cy, «lisa», gud4, «arredondar, fazer bar- 
riga», com a partícula bae (breve), para 
formar partícipio, significando «o que é». 

Pieinguába, nome do rio, é corrup- 
tela de Pé-ce-guâá-bae, «barra chata e 
alargada». De pé, «chata», ce, o mesmo 
que hê, «sabida», giiÂá, «alargar, fazer 
barriga», com a partícula bae (breve), 
para formar partícipio, significando «o 
que é». 

O nome da enseada é allusivo a ser 
sem cômoros de areia, e sem arrecifes; 
e semi-circular. 

O nome do rio é allusivo a ter rasa 
a barra; alargando-se ahi. Com effeito, 
sendo de cincoenta metros mais ou menos 
a largura deste rio, quando desce do 
logar denominado Laranjal, alarga-se, 
em sua íóz, mais de cem. 

O rio é também denominado Pescaria, 

(Vide o nome Pescaria), 

Os indígenas tinham o costume de 
dar nomes com som idêntico ou quasi 
idêntico a logares vários^ na mesma re- 
gião, mas com significado diverso: — 
dahi o nome quasi idêntico da enseada 
e do rio. 

Azevedo Marques, em seus Apon- 
tamentos Históricos, Oeographicos, BiO' 
graphicos, Estatísticos e Noticiosos da 
provineia de S. Paulo^ dá o rio PíssíH' 
guaba como limite da província de S. 
\?avAo com ^ do Rio de Janciiro; e ei^ 



PIL 



201 



PÍN 



creveu, certameote por equivoco, ex- 
irema meridional, em vaz de extrema 
sepUnirionai. Mae, não é exacto. O 
limita é a Cachoeira da Escada. 

(Vide o nome Cachoara da Escada). 

Piedade. — Villa, á margem esquerda 
do ribeirão Hrapóra, aOInente do rio 
Sarapuhy, pela margem direita. 

E' também coDhecida por Piedade de 
Sorocaba. 

Este Dome proveiu da achada de uma 
imagem de N. S. da Piedade por um 
maíteiro, prosimo á margem daquelle 
I ribeir&o. Era consequência foi ahi edi- 
ficada im mediatamente uma capella, na 
qual foi coUocada a veneranda imagem. 

Pilar.— Povoação, hoje freguezia: no 
tDanici|)io do Sarapuhy. 

Cnpella, no município de S. Bernardo. 
Desta capella tirou o nome uma estação 
da estrada de ferro de Santos a Jun- 
ilíahy, entre us de S. Bernardo e* do 
Rio Grande. 

Tanto na freguezia. romo na capella, 
a invocação é do Senhur Bom Jesus do 
Pilar. 

E' denominação portugueza. 

f Pil&es. — Cachoeira, no rio Tietê: 
i no municipio de Tietê. 
k E' também conhecida por Pelouros. 
L (Vide o nome Pelouros). 

Pilões, corruptela de piro, crodomoi- 
nhos>. 

Allnsívo a fazerem as aguas ahi fortes 
rodomoinhos. 

Pilões.— Rio, que desagua no canal 
Btriioga: no municipio de Santos. 

ASInente do rio Parahyba, pela mar- 
gem esqnerda: no municipio de Buquira. 

Afflueote do rio Ribeira de Igaape, 
pela margem direita: serve de divisa aos 
manicipios de Xiririca e de Iporanga. 

Affluente do rio Mogy-guassú, pela 
margem esquerda: no municipio de Àra- 
raquara. 

Affluente do ribeirão Píaguy, pela 
margem direita, já qnasi á fóz deste: 
no municipio de Quaratinguetá. 



Pilões, corruptela de /V-rJ, «fundo 
revolto. Da pi, «fundo, centro», rõ, 
«revolver». 

Allusivo a formarem suas aguas bu- 
racos no fundo ou do leito, a ravolve- 
ram-se para sahirem de taes buracos. 

Espes ribeirões, que trazem corrupta- 
mente o nome Pilões, sSo encachoeira- 
dos; e, porque, nas quedas, as aguas 
formara aqueiles buracos, e logo depois 
os rodomoinhos, foi feita a corrupção 
Pilões, somente com referencia aos taes 
buracos- Ora, o nome pí-i-5- corresponde 
principalmente á acção de rcvolverem-sa 
as aguas para seguirem o impulso da 
descida ou a lei natural da queda, for- 
mando cascatas, algumas das quaes em 
leito Íngreme e recto e, portanto, bellis- 
simas. 

No ribeirão Pilões, afAueute do rio 
Ribeira de Iguape, isto é, em uma de 
suas margens, ha uma gruta notável. 
Eis como o conselheiro Martih Fran- 
cisco Ribeiro de Andrada, em seu 
Diário de uma riagew mineralógica 
pela provinda rie S. Paulo no anno de 
1805. dá noticia delia: «Entrando pela 
barra dos Pilões, e depois indo cos- 
teando o dito ribeirão por um carreiro 
praticado em suas margens, vae ter-se 
a uma gruta semelhante á de Santo 
António». 

(Vide o nome Iporanga). 

PJndaÚva.— Affluente do rio Jacu- 
piranga, pela margem direita: nos mu- 
nicípios de Cananéa e de Iguape. 

Ha dous: maior e menor. 

Pindaúra, eoiTuptéla de Pi-nda-ibif/-í, 
«apertado, mas não pequeno». De pi, 
«apertar», nda, partícula de negação, 
ibiy, «pequeno, baixo», i, para fechar a 
negação. 

E' também pronunciado, menos incor- 
rectamente, Pindahyba. 

Allusivo a ser esguio: isto é, com- 
prido e estreito 

O som da pronuncia tupi deve ser 
Pind^ibiâ; breve a ultima syilaba. 

Estes dons ribeirões nascem no mu- 
nicipio de Cananéa, e desaguam no de 
Iguape. 



PIN 



202 



PIN 



Pindahyfibau— Morro, no município 
de Guaratinguetá. 

Pindahyiiba, corruptela de PiiViidae- 
ieí'bae, «o que é muito escorregadio». 
De pUij «escorregar, resvalar o pé», 
ndaetei, «muito, demasiadamente, exces- 
sivamente», bae, particula de participio. 

Allusivo a fazer muita lama lodosa 
em tempo de chuvas, tornando-se de- 
masiadamente escorregadio. 

Pindamonhangaba. — Cidade, á 

margem direita do rio Parnhyba^ sobre 
uma collina. 

O nome é tirado do logar. Não se 
trata de Pindá-monhangába «fabrica de* 
anzóes» ; o indigena não cogitava de es- 
tabelecimentos industriaes de taes ar- 
tefactos; nem o seu pindá precisava de 
fabrica. Dous são os instrumentos de 
pesca, denominados pindd: — o pindá-ciri' 
ri'Ca 6 o pindá-0'há'O-áquâ. O primeiro 
é qualquer cousa que possa engasgar 
ou fisgar o peixe, occulto entre pennas 
encarnadas, ou objecto da mesma cor, 
a correr sobre a agua; o peixe, illudin- 
do-se por ver o movimento e a côr dus 
peixinhos de que sóe alimentar-se, traga 
o objecto e engole-o, ficando preso pela 
haste flexível, a cuja ponta tem sido 
atado por um cordel: — de ciri, «desli- 
sar», repetido na ultima syliaba, para 
assignalar a successâo do movimento, 
com o suffixo ca (breve), para formar 
supino. O segundo é o mesmo objecto; 
somente com a diflFerença de não ter 
haste, e de ser o cordel amarrado á 
popa da canoa, a qual, em seus movi- 
mentos, imprime ao cordel, e este ao 
objecto, a acção do peixinho a correr 
sobre a agua: do o, reciproco, ^, «tor- 
cer», o, reciproco, áquà, «correr», signi- 
ficando «corre, torcendo-se». 

Piíidá foi applicado ao anzol de ferro, 
usado e introduzido pelos europeus, por- 
que produz o mesmo eff'eito. Pindá é 
pyi-nd-áj «objecto escondido»: de plfl, 
«esconder, occultar», que alguns escre- 
yem jty/wi, 7id, intercalação por ser nasal 
a palavra anterior, e para ligal-a a á, 
< objecto, cousa corpórea, entidade, pedaço 
de ferro, grão, etc.». 



Allusivo a ser escondido entre pen- 
nas encarnadas o objecto que deve ser 
tragado e engolido pelo peixe. A? pa- 
lavras dri-rica e o-á-o-áquâ designam 
o modo do uso daquelle instrumento 
de pesca, segundo é preso á haste fle- 
xível, ou á canoa em movimento. Por- 
tanto, pindá é propriamente o objecto 
occulto na isca. 

Os indígenas tinham ainda outros mo- 
dos de pescar: pari, cerca de talas ou 
de varas, para formar o cacári ou ta- 
pagem nos ribeirões e mais cursos d'agua; 
yequeá, ou, como dizem no Amazonas, 
jequi^ cesto afunilado, para ser deixado 
á flor d'agua, onde o peixe entra, mas 
donde não pôde sahir; yiá-púâ, pedra 
aguçada, que faz o serviço e tem a uti- 
lidade do harpão curto, para fisgar o 
peixe na superficie das aguas; y-aiicá, 
pedra aguçada, porém mais comprida do 
que a ytá-púâ, para fisgar o peixe no 
fui^io, guiando-se o pescador pelas bor- 
bulhas que a respiração do animal faz 
subir á tona da agua; çá-ra-rá-quâ, ou 
sararaca, flecha especial, cujo heym-a, 
que é pronunciado corruptamente huúfna 
ou sHumba, e é o fuso, traz enrolado nm 
fio fino e tem á ponta, fortemente se- 
guro, um pedaço de pedra, bem aguça- 
do: disparada a flecha, não directamente, 
mas por inclinação, sobe ao ar, e cer- 
teira de lá desce para deixar no cos- 
tado do peixe a fisga; e é então que, 
mergdlhando este, o fio desenrola-se e 
o logar, em que o fuso está á super- 
ficie das aguas, revela a parada do fis- 
gado; ça-rá-rá-qnâ, «corda cuja ponta 
se desata»: de çá, o mesmo que çà, 
«corda», rá, «desatar», repetido para ex- 
primir a successâo do facto, qiiâ, «ponta». 
Esta flecha de fisgas ou harpões é de- 
nominada hui-iy-eym-a, E mais outros 
processos, inclusive a piçá, que é a rede, 
cada qual o mais engenhoso para o fim, 
a que é destinado. 

Yê-se, portanto, que o significado que 
Martius e outros têm dado ao nome 
Pindamonhangaba é simplesmente um í 
erro, | 

Pindamonhangaba fe ^tro.^fvKv'^ \^Yv \ 
nd-rO-nio-nhang-ába^ *\ô%i^ ^'to^>^:h^^vss^ 



PIN 



L^n8 



PIN 



que se junta». De pi, «estreitar, aper- 
tar», wd, por ficar nasalisado o nome 
inteiro em virtude de nhang, c para 
ligãl-o a o, reciproco, servindo também 
de nota de terceira pessoa, viOy partícula 
activa, e não 7/iio, por ter som nasal o 
verbo tihmíg^ «juntar, encestar», levado 
ao participio pelo accrescimo de ába^ 
exprimindo logar, modo, instrumento, cau- 
sa, intuito, fim, etc. 

Allusivo a correr ahi estreitado o rio 
Parahyba, entre margens altas e em 
leito fundo; differcntemente do curso 
antecedente e subsequente, em que o 
rio se alaga formando banhados. 

Pihdú. — Regatos que correm dos mor- 
ros de Iguape. 

Ha, além de outros, dous principaes: 
o Pindú-assú e o Pindú-mirim, 

Pindú, «leito ruidoso». De pi\ «cen- 
tro, fundo», 7idú, «ruido, ruidoso». 

Allusivo a correrem encachoeirados. 

O conselheiro Martim Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, em seu Diário de 
uma viagem nmieralogica pela proviíida 
de S. Paulo iio anno de 1805, assim 
descreve eâsa região: « . . .ficam (os mor- 
ros) por detraz da villa e se prolongam 
até a barra: sempre as grandes massas 
de rocha granitica, desarrumadas. Esta 
rocha forma pelo seu desarrumamento 
barrocas a cada passo, por onde cor- 
rem regatos o cachoeiras abundantes em 
aguas. . .». 

Azevedo Marques, em seus Apon- 
tametitos Históricos^ Geographicos, Bio- 
graphicos, Estntisticos e Noticiosos da 
provinda de S. Pardo, escreveu Pinduá- 
mirim e Pinduássú. Mas é erro. O 
verdadeiro nome é Pindú, 

Pinhal. — Encosta da serra Japy: 
no município de Cabreúva. 

Pinhal, corrupréla de Pi-yâb, «gretas 
vazias». De pi, «centro, vazio, fundo», 
y&b, «gretar, receber, abrir naturalmente». 

Allusivo ás grutas e cavernas que ha 
nessa encosta. 

O verbo yâb exprime o facto natural^ 
e não por obra humana. 



Pinhal.— Cabeceira do rio Itapeti- 
ninga: no município de Sarapuhy. 

Áftluente do rio Itapetininga^ pela 
margem direita: no município de Itape- 
tininga. 

Affluente do rio Sorocaba, pela mar- 
gem direita: no município de Piedade. 

Affluente do rio Jundiahyy pela mar- 
gem esquerda: no município de Iiú. 
Também conhecido por Pirahy. 

(Vide o nome Pirahy), 

Affluente do rio Apiahy, pela mar- 
gem esquerda: entre os municípios de 
Bom Successo e de Itapeva da Faxina. 

Affluente do rio Jaguary, pela margem 
direita: entre os municípios de Santa 
Izabel e Jacarehy. 

Pinhal, corruptela de Pi-yâb, «fundo 
gretado». De pi, «fundo, centro», yâb, 
«gretar, rachar, abrir por acção natural». 

Allusivo ás depressões e cavidades 
que as aguas fazem no leito, descendo 
em rodomoinhos. 

Pinhal. — Legares vários na provín- 
cia, com este nome em portuguez, por 
abundância da arvore pinho ou pinheiro. 

Nos municípios de S. Carlos do Pi- 
nhal, de Espirito Santo do Pinhal, de 
S. Bento de Sapucahy-mirim (Santo An- 
tónio do Pinhal), de Itatiba, de Apiahy 
e outros. 

Pinheirinho.— Affluente do rio Sa- 
pucahy, pela margem Cí^querda: no mu- 
nicípio de Santo António da Alegria. 

(Vide o nome Pinheirinhos, que tem 
igual explicação). 

Pinheirinhos.— Affluenie de rio Tie- 
tê, pela margem direita: entre os mu- 
nicípios de Conceição dos Guarulhos e 
de Juquery. Mas, a sua nascente é nO 
município de Nazareth. 

Affluente do rio Atibaia. pel« mar- 
gem esquerda: no município de Atibaia. 

Uma das cabeceiras do ribeirão Po- 
tribú: no município de S. Roque. A' 
sua maigçiwv àÀT^\\í\ \\a. x^xw^ò. ^^'^^^ícín. 
povoa(;ào com o lioxcv^ ^t^[\^\,e^Tm^vo^^^^^- 



PIN 



204 



PIR 



Pinheirinhos, corruptela de Pi-iêre- 
?-na, contrahido em Pi'iêr*'Í'na, «der- 
ramado». De pi'ierê, «derramar, ?, «es- 
tar, pôr-se», com o suflSxo na (breve), 
para formar supino. 

Allusivo a abrirem-se om várzea, cons- 
tantemente derramados, ou transborda- 
dos de seus leitos. 

Pinheiros.— Affluente do rio Tietê, 
pela margem esquerda: no município de 
S. Paulo. E' o mesmo Junibaiuba, de- 
pois da affluencia do Mboy-guassú. 

(Vide o nome Jtinibaiuba). 

Affluente do rio Atibaiu, pela margem 
esquerda: no mUnicipio de Itatiba. 

Cabeceira do ribeirão Tahyassuiéba: 
no município de Mogy das Cruzes. 

Affluente do ribeirão Lourenço Velho, 
pela margem direita: no município de 
Parahybuna, nascendo porém nas divi- 
sas com o município de Ubatuba. Corre 
na parocbia de Bairro Alto. 

PinheiroSj corrui)çãO de Pi-iêrè, «der- 
ramado». 

Allusivo a transbordarem, fazendo ala- 
gadiço nas margens. 

Não é, portanto, exacto que o nome 
do affluente do rio Tieí^ proviesse de 
abí existir um pinhal, segundo a nota 
quarta do padro Lourenço Craveiro 
ao titulo de sesmaria de Pedro de Góes, 
de 10 de Outubro de 1Õ32. 

O padre Lourenço Craveiro era 
reitor do Collegio dos Jesuítas em S. 
Paulo, em 1G74. 

Mesmo existindo pinheiros nesses le- 
gares, o nome tuj)! é Pi-iêrè; servindo 
a existência de pinheiros só para ope- 
rar mais facilmente a corruptela. 

A várzea do ribeirão Pinheiros, af- 
fluente do rio Tietê, tem a extensão de 
cerca de 20 kilometros e a largura de 
2 a 4. 

Pinheiros. — VíUa, á margem es- 
querda do rio Parahyba; não mirando- 
se sobre as aguas, mas a alguma dís- 
tanciu, em logar eJevado. 
O nome Pinheiros, desta villa, é que 
parece provir de pinhal que teria em- 



tindo naquella região e que o fogo das 
derrubadas terá destruído. 

E' ainda hoje conhecida a villa pelo 
nome da parochia: S. Francisco de Paula 
dos Pinheiros. 

Piquete. — Povoação, no município de 
Lorena, á margem esquerda do ribeirão 
Embaú; o qual, e até a affluencia do 
Itabaquára, e Piquete. 

Piquete, corruptela de Pi-iquê-eteí, 
contrahido era Pi-^quê-téí, «totalmente 
lados apertados». De pi, «apertar», iquê^ 
«lado, costa», etA, «totalmente, de todo 
o ponto, etc», exprimindo também su- 
perlativo. 

Allusivo a correr entre montes, e mar- 
gens altas, em toda a sua extensão, até 
a affluencia do ribeirão Itaba^uára. 

Piracema. — Affluente do ribeirão 
TurvOy e este do rio Batiafial: no mu- 
nicipio de Bananal. 

Em suas cabeceiras tem o nome Doce; 
no meio, o nome Manso; e até á barra, 
o nome Piracema. 

(Vide os nomes Doce e Manso). 

Com este nome Piracema, o indígena 
quiz assignalar dous factos nesse mesmo 
curso d'agua: a abundância de peixe que 
é ahi produzido nas desovas, de tal modo 
que sabem aos cardumes, pirá, «peixe», 
cêm-a, «sabida», isto é, «sabida de peixe»; 
e outrosim, o alargamento de sua barra^ 
pirá, «abrir», cêm-a. «sabida», isto é, 
«sabida alargada» Cê on kè, é o mesmo. 

Piracicaba.— Cidade, á margem es- 
querda do rio Piracicaba, sobre uma 
collina. 

Durante certo tempo teve o nome Cons- 
iituiçôo; mas só officialmente, porque o 
povo não deixou de usar do nome Pi- 
racicaba. 

O rio Piracicaba, que deu á cidade 
o nome^ não é senão a reunião das aguns 
dos rios Atibaia e Jaguar y: desde a con- 
fluência destes é que existe o rio Pim- 
cicuba. Afflúe no rio Tietê pela margem 

Sôgwwào "^Ksctwi^^ OU)%^. "Làu^. 'Bt^^ 
o liom^ Piracicaba à^tívSjl^'». Así^x ^^^^ 



PIR 



205 



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se junta o peixe*! O verbo d não ex- 
prime a reunião de muitos; portanto, é 
sem procedência aquelle significalo de 
Martius, o de outros que, sem critério 
algum, o têm seguido. Mais se approxi- 
maria da verdade o dr. Francisco José 
DE Lacerda e Almeida, no seu Diá- 
rio de viagem pelas rapilanius do Pará, 
Rio Negro, Matio Grosso. Ciujabá e S. 
PaidOy nos annos de 1780 a 1790, 
quando diz que «o nome Piracicaba é 
(lado ao salto em razão de nelle para- 
rem e chegarem os peixes, porque pirá 
é peixe, cicaba, quer dizer chegam». Oi- 
caba não quer dizer «chegam»; significa 
chegada e passagem, porque os verbos 
ci, «chegar» e quab, «passar», com o 
accrescimo de a (breve), ficam formados 
no infinitivo, o qual, não tendo caso, si- 
gnifica a acção do verbo em geral, se- 
gundo a lição do padre Luiz Figueira, 
em sua Arte de grammatica da língua 
brasilica. Isto teria feito o indígena 
simplesmente por jogo linguistico. 

Mas, não é aquiilo de admirar em Mar- 
Tius, pois que o cónego João Pedro 
Gray, na Historia Jesuítica do Para- 
guay, capitulo 23, escreveu que Piraci- 
caba significa «tem pena do peixe»! Sim- 
plesmente um não senso. 

Este logar é um dos que mereceram 
aos indígenas maior sciencia e esforço 
para a denominação; e esta serviu tam- 
bém para o rio inteiro, porque o salto 
é realmente caracteristico. Sim, o nome 
é do salto; porque esta obra da natu- 
reza assignala o rio, dividindo-lhe o curso. 

Piracicaba, corruptela de Pifiá-ci-quà- 
bo, «de degráo em degráo, aos golpes». 
De piliá, «degráo, escada», ci, partícula 
distributiva, quâ, «golpe», bo (breve), 
para exprimir o modo de estar. E' pro- 
nunciado Pihá-ci'Ca-bo, 

AUusivo a cahirem as aguas ahi de 
degráo em degráo, e ás quedas, espu- 
^ mando. 

Os indígenas quizeram assignalar a 
forma do salto, mais uma série de cas- 
catas em escadaria, do que propriamente 
um despenhadeiro de aguas. 

Não se trata, portanto, de peixes em 
a/uníamenlo; ainda que, como em ou- 



tros saltos, ahi os peixes, no tempo pró- 
prio, saltem aos cardumes, não podendo 
resistir ao impulso das aguas. 

O A de pihd 6 aspirado; e a corrup- 
tela em pirá foi fácil. 

Já li também que Piracicaba signi- 
fica «logar em que se acaba o peixe» ! 
Que grande disparate! 

O rio Piracicaba tem um affluente 
pela margem esquerda, com o nomo 
Piracicá-minm, 

Píracinunga. — Aftluente do rio Ju- 

query-querê^ pela margem direita: no 
município de S. Sebastião.' 

Piracinnnga, corruptela de Pi-rá- 
çunú-nga, «fundo desigual e ruidoso». 
De pi, «centro, fundo», rd, «desigual, 
não nivelado», çunú, «fazer ruído», com 
o sufflxo nga (breve), para formar su- 
pino. 

AUusivo «i ter saltos e cachoeiras, com 
estrondo das aguas. 

Piraciúnna. — Affluente do rio Pa- 
rahyba^ pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de S. José dos Campos. 

Piraciúnna, corruptela de Pi-rá-q/- 
húú-mo, «fundo desigual, lodoso a fazer 
escorregar». De pi, «centro, fundo», rá, 
«desigual, não nivelado», cy, «resvalar, 
escorregar», kúúy «lodo, fezes, borra», 
com o sufBxo wo (breve), para dar a 
forma de supino. 

AUusivo a ser encachoeirado, e a ter 
tanto lodo no leito que este se torna 
escorregadio. 

PíragibÚ. — Aftluente do rio Soro- ' 
caba, pela margem direita: nos muníci- 
pios tle S. Roque e de Sorocaba. 

Piragibú, corruptela de Pi-rá-igi-ilny, 
«leito desigual, granítico, gretado». De 
pi, «centro, fundo», rá, «desigual, não 
nivelado», igi. «duro, forte», ibiy, «con- 
cavidade, abertura, preta, oco». Con- 
trahido em Pi-rá-ig^-ibiy, • 

AUusivo a ter saltos, cascatas, ca- 
choeiras, poíjos e caldeirões. 

este TV\>^\t^Q ^\.t^N^"à%"5i. ^'í^ ^^v^v^'^'^- 



PIR 



PIR 



dos, e grandes manclias de granito, prés- 
ta-sp a essas depressões e poçoa no 
leito, formando as aguas ahi fortes 
dnmoiíilius, ou voltas espiraes. 

Pirahanyra.— Morro, no nnini(;i]iio 
de ItaiiliabD. 

Virahaifjni, curnijiliíla de Pn-ha-ii 
rò, fijouta cortada, o ejn resvaladouro: 
De pir, infinitivo do verbo apir, tfazer 
ponta>, exprimindo, por nSo ter caso, 
aei^ao iJo verbo, «ponta», bã, *corIar! 
("í, tresvalari, rò (breve), ipôr-se». O 
primeiro í de íÍ tem som guHural. 

Allusivo a nào ter ponta, mas a ser 
em resraladouro, sem chapada. 

Pirahy.— Affiuente do rio Jnndiahij, 
pela margem estiinTíla: nos municípios 
de Cabreúva e de Itú. Antes de fazer 
barra naquelle rio, é conhecido por Pt- 
tihaf. 

Affiuente do no Purahyiinga, pela 
margem direita: no municipio de Re- 
de nipçiío. 

Affiuente do rio Juiiuiá, pela margem 
direita: entre os niunicipios de Igiiape 
V de Itapecerica. 

Não se trata, ainda, neste nome, de 
liirá, *peixe». O indigcna não cogitava 
de peixe para cieuomÍuai;iÍo de rios e 
ribeirões, visto que seria uma espécie 
de perissologia, vicio ejii que, por siui 
sciencia na maneira de nomear, n3o ea- 
hiria. Dizendo *rio de peixe», seria o 
mesmo (jue dizer «rio de agua»; ainda 
que é certo que ha rios escassos, ou 
mesmo baldos de peixe, e rios que, eni 
certa estação do anno, seccam comple- 
tamente, formanilo, uns e ontròs, casos 
anonnues, e portanto exigindo nomes es- 
peciaes^ correspondentes a taes extraor- 
dinários caraeteristicos pliysicos. Quando 
o rio nu ribeirilo abnndava de peixe, o 
indígena usava da plirase pirá-ri; mas 
ufto em jiropriamente nome, senão sil- 
mente rlesignaçíto da qualidade piscosa 
desse curso d'agua. A palavra ;■( é pos- 
imsiçiio, aqui bigniHcando tcom», e ne- 
nhum; 



Pirahy, tomaram era portoguez o i 
Rio do Peixe, no prcsupjiosto 
essa a traducçSo de Pi-ra-i! M|l 
tupi, as palavras í, /■/, ou U. signifl 
lagua» 011 <rio>. e entrando na| 
posiç&o de nomes, sempre os 
dem; salvo casos raríssimos * 
antepostas, degeneraria em &ync| 
synizése, como por exemplo 
pyíú-i, (tempestade d'agna>, ou,J 
liiteralmente traduzido. >nuvein 
de agua», em amã-mi-i, fsgua i 
di(;a», etc. 

Cora effeito, Pi-ra-i significa < 
perseierauteniente desigual». D' 
• centro, fundo», rd. «desigual, niio i 
veiado, alto e baixo», i, P'>sposiç'io f 
exprimir perseveran^-a do facto, 

Allusivo a altos e baixos no Iclt^ f 
causa de pedras, uu arpia, on mca 
buracas. 

Pírahitinga. — E' o mesmo rio, 
também os ribeirões, que trazem o noi 
Paralii/liitga. 

O nome PiraUipiga é o verJadell 
(Vido o nomo Parahyliuga). 

Piraiquê.— Pequenos cursoií tl's| 
em que ha tluxo p refluxo do mar, 
é, enchente e vasanie. 

Ha em todo o liltoral desde o mi 
cipio de TJbaluba, no extremo- nort«, 
o de Cananéa, no extreino-sul. 

Em alguns desses município», o( 
Santos, Ilanhaen, Iguape e Cananél,. 
corrupréla usada é Perc</Hé. líiii outM 

o Ubatuba. Caraginilafuba. S. 
bastião, e Villa Belbi é Piraqué. 

Pitaií/fié, isto é, Pi-in-iqnf, tej 
do [leixe*. De pirá, «peixe», iVy»^, ti4 
trada». 

Um dos meios de pet<car, usados ^fétf 
ndigenas, eia o encári, tapiigem feiti 
com o pari. Ao encher a maré, os yésii 
sobem os rios e .ribeirões; tuas, n-n v»- 
sante, o mcári, impedindo-03 de iloscft. 
realiza o fim de sua applicai^ão. 

(Vide o nome I^ari). 



relaffio l«ra com «rio» ou « ^ 
Em t^erai, os rios ou ribeirões. deQu-\ P\Ta\\i.— K svWa. wV* nome era /V^ 
oiinados p/^rá-i, escfipto corruptaniente\jtico Prelo. "™ 



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207 



PIR 



(Vide o nome Tejuco Preto). 
 mudança não tem justificativa na 
tradição. 

Pi rajú,— Estreito e salto no rio Pa- 
ranapanema: um kilometro abaixo da 
villa Tijuco Preto, hoje Pirajú. 

Pirajú^ ou Pi-ra-yà, «fundo nivelado, 
estreitado». De pi, «centro, fundo», rá, 
cdesiguni, não nivelado», yú^ «garganta, 
estreito». 

Âliusivo a estreitar-se excessivamente 
ahi o rio, entre paredões a pique; e, 
nesse estreito, desnivelar-se o leito, para 
formar um salto de dous metros de 
altura, além da cachoeira. 

Pirajuçára.— Affluente do rio Pi- 
nheiros, pela margem esquerda: entre os 
municipios de Santo Amaro e de Cotia. 

Affluente do rio Parahyba^ pela mar- 
gem direita: no município de Jacarehy. 

Pirajuçára^ ou Pi-rá-yú-çára^ «fundo 
desigual, formando gargantas». De pi, 
coentro, fundo», rá, «desigual, não nive- 
lado», yúr, «fazer garganta, estreitar-se »; 
levado ao participio pelo accrescimo de 
çára, por acabar em r, conforme a lição 
do padre Luiz Figueira, em sua Arte 
de grammatica da lingua brasílica. 

O significado de Pirajuçára, que dá 
Martius, Oloss, Ling. Brás., «peixe que 
causa comichões», é simplesmente uma 
invenção. 

O nome Pi-rá-yú-çára, que têm esse 
e outros ribeirões, é allusivo a terem 
cachoeiras, e estreitarem-se ontre mar- 
gens altas em vários legares 

Pirambóia. —Affluente do Rio do 
Peixe, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Botucatú. 

Por atravessar este pequeno curso 
d'agua, a estrada de ferro Sorocabana 
tem ahi uma estação com o nome P/- 
rambóia. 

Pirambóia, corruptela de Pi-rõ-mbohit, 
«fundo revolto, e pouco corrente». De pi, 
«centro, fundo», rõ, «revolver», mbohii, 
«pesado, tardo por ter carga>. 

AUusivo á sua leDtid&o no curso, e aos 
rodomoinbos no leito. 



Piranga.— Affluente do ribeirão Qui- 
lombo, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Iguape. A afiQuencia é 600 
metros, mais ou menos, antes que o 
Quilombo faça barra no rio Jnquid. 

Affluente do rio Ribeira de Iguape, 
pela margem direita: no municipio de 
Iguape. E' mesmo próximo á cidade. 

Rio, que desagua no braço de mar 
por detraz da villa de Cananéa, depois 
de reunir-se com o Piranguinha, fazendo 
uma só barra. 

O nome Pirangtmifia é ura diminu- 
tivo aportuguezado. 

Piranga,, contracção de Pi-rá-ã-nga, 
«leito desigual e empinado». De pi, «cen- 
tro, fundo», rá, «desigual, desnivelado», 
à, «empinar», com o suffixo nga (breve), 
para formar supino. 

Allusivo a saltos e cachoeiras, e a 
ser Íngreme ou empinado. 

O affluente do Quilombo, cuja exten- 
são é de mais de cem kilometros, é en- 
cachoeirado e tem saltos notabilissimos 
nos primeiros setenta kilometros. Va- 
riam muito, quer a largura, quer a fun- 
dura deste ribeirão. São ahi os saltos 
sobre os quaes se despenham os affluen- 
tes Temível e Travessão; bem como 
uma cascata extensa e lindíssima, que 
acaba em um salto a prumo, cuja al- 
tura é de cerca de 40 metros. 

Os saltos de Piranguinha são tam- 
bém notabilissimos; e os ha de 3 a 10 
metros de altura. 

O Piranga, companheiro do Piran- 
guinha, é mais encachoeirado, porém 
poucos e pequenos são os saltos. 

O Piranga, próximo á cidade de Iguape, 
nasce dos morros que ficam por detraz 
desta; desce por barrocas, formando ca- 
choeiras. 

Piraipitanguy.— -Affluente do rio Pa- 
rahyba, pela margem direita: entre os 
municipios de Pindamonhangaba e de 
Guaratiuguetá. 

Affluente do rio Jaguary, pela mar- 
gem direita: no municipio de Mogy-mi- 
rim. 

Pirapclingiii. 



1 



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PIR 



HrapHanguy, corruptela de Pi-rá~ 
''-ng-i, *leíto desigual, e perseve- 
rantemeate apertado». De pi, <centro, 
fundo», rá, «desigual, não nivelador, 
pyt^, «apertar», com o suffixo ug (breve), 
para formar supino, i, pospoãiçAo àe 
perseverança. 

Allusivo a ter saltos e cachoeiras no 
leito, e a correr perseverantemente aper- 
tado, entre margens altas. 

NSo é, pois, «rio de peixe vermelho>, 
como o escreveu Martius, em seu Gloss. 
Ling. Brás. 

Pirapitinga. -Affluento do rio Pa- 
rahijba, pela margem direita: no muni- 
cípio de Dananal. 

(Vide o nome Peprapcti mjo). 

Affluento do ribeirio J'nr>j, pela mar- 
gem direita: no municipio de Campos 
Novos de Paranapanema. 

Pirapitinga, corruptela de PÍ-rd-pT/tJ/- 
7iga, «leito desigual e npertndu'. De 
pi, *centro, fundo», rá. <desi;;ii;il, niio 
nivelado», pgíg, «apertar, afogar», com 
o suBixo nga (brere), para furmiir sn- 
pino. 

Allusivo a saltos e Ciiiilioeiras, cor- 
rendo sempre entre barrancas ulras, 

Piratini nga.— Nome antigo da po- 
voação, que depois foi mudado em .?. 
Paulo, e é hoje a cidade -capital deste 
nome. 

O nome Pimlininga é derivado do 
do affluente do rio Tietê, pela margem 
esquerda: também conhecido pelo nome 
Tainniidimlrby. 

(Vide o nome TuMandiialehy). 

Com efTeito, em escripturas antigus é 
mencionado o rio Piratininga; e em 
outras, do mesmo tempo, o rio Tuman- 
dualehy. 

O rio, portanto, tinha esses doua no- 
mes; e é facii explicar esse facto, sendo 
Sabido que esta região foi disputada por 
tuais do uma nação indígena, e cada 
qual, para exprimir o signal da con- 
quista, mudava aos lugares os nomes 
anteriormente dados pela nação vencida, 

} que todavia a esta deixassem ào 



quista, mudava 
^L . anteriormente 
^■riÚM/B que tudav 



Quando Martlm Affonso de 
aportou á Berlroga, era 1531, enconl 
no litloral até Ararapira a nação f 
a qual sem duvida havia vencido a I 
yuayanát ou goiá-iià, que ahi ( 
serra acima dominava. È, se em 1 
níio fossem da nação tupi os doi 
dores de Piratininga, os de 
não lhes teriam mandada aviso i 
que acudissem com as precisas pi9 
denctas; e de Piratininga, desceram I 
biriçá 6 João Ramalho, acompanhado! 
de centenas de indígenas, para faicrtr 
o reconhecimento. 

Em uma Informação, existente l 
bibliotheca de Évora, em Purtii( 
altribuida ao padre JosÊ de Anohi 
que então era o provincial áo 
foi escripla a seguinte noiicia: ■* 
pitania) de S. Vicente, que é de ! 
AffoDBo de Souza, á qual elle 
foi ter com a armada, depois de I 
nella alguns poucos e antigos mon4| 
e accresceniou muito, houve capitS 
din^iriamente, assim como nas mais! 
tan ias, postos pelos senhores; nanoafl 
houve guerras com os índios Dâ^ 
que se chamam Tupix, que sempttl 
amigos dos portugueses, salvo uol 
I.Õ62, que uns poucos do sertfto l 
maldade (ticando a maior parte i 
como d'ante3) deram guerra 
ninga, villa de S. Paulo. . . ». Nest| 
formação sito declaradas as 
ÍTidigenas, predominantes em cada C 
tania. 

Era l.'i59, escrevia a Thomé de Sonrf 
governador da Bahia, o padre MakOH 
DA Nóbrega: tO anno passado m« *^ 
creveram que vieram os CastelhaDM * 
vingar a morte de alguns Christâos i 
Índios Carijós, que os Tupis de S, Vi- 
cente haviam morto, havendo o capittt 
do Paraguay feito pazes entre os Tujál 
e Carijós, que não lhe cumpriram, pdí 
qual vieram Castelhanos e Carijós a va- 
gar isto e foi a mortandade tanu (^ 
fizeram nos Tupis que drgpoioaram * 
rio Grande, e vinham fugindo pant 
mar de S. Vicente, com mcilo dos Ctf 
l.e\\\MiOí^■^ , í\«te «rio Qrande» é o ift 
Tietê, ca\a út^^&SA&d ^ « 



PIR 



209 



PIR 



A villa Piratininga não estava ainda 
então installada/ pois qne só foi em 
1560. E, a este respeito, vale a pena 
transcrever o que, na mesma já citada 
Informação, o padre José de Anchieta 
dizia: <No anno de 1554, mudou o padre 
Manoel da Nóbrega os filhos dos índios 
ao campo, a uma povoação nova cha- 
mada Piratininga, que os índios faziam, 
por ordem do mesmo Padre, para rece- 
berem a fé». 

Tudo isso prova quão falsa á a nar- 
ração que, sob a data de 32 de Janeiro 
de 1552, foi enxertada no Diário de 
Navegação de Pêro Lopes de Bouza, 
com referencia á fundação da villa Pi- 
ratininga em tal época (lõ32), como 
demonstrei, por outras razões, no folheto 
— cA Capitania de S. Vicente»— S. Paulo, 
1887. 

A primeira missa foi dita na igreja 
do Gollegio dos Padres da Companhia 
de Jesus, em 25 de Janeiro de 1554. 

Assim demonstrado que, não os gunga- 
naxes, mas os tupis, eram os domina- 
dores em Piratininga, e que portanto 
Piqueroby e Tíbíriçá eram desta nação, 
e não daquella, ao inverso do que tem 
sido escripto e que eu mesmo repro- 
duzi na obra Algumas Notas Oenealo- 
gicas, peio que ouvira e lera, volto á 
questão do rio Piratininga, 

Frei Gaspar da Madre de Deus, 
nas Memorias para a historia da capi- 
tania de S. Vicente, affirma que o Ta- 
manduatehy é o Piratininga dos antigos. 

Em documento de 1560-1570, foi es- 
cripto indifiFerentemente Pyratyrty e Pi- 
ratininga. 

Os campos de Piratininga se enten- 
dem os que estão ao longo da margem 
esquerda desse rio; e a villa de S. Paulo 
foi fundada na extremidade fechada pelo 
rio Tietê e sua várzea. 

Piratininga, corruptela de Pi-ra-tiny- 
nga, «sinuoso e leito desigual». De pi, 
coentro, fundo», rá, «desigual, não ni- 
velado», tiny, ou mesmo teny, «fazer 
voltas, enrodilhar, ser sinuoso», com a 
partícula nga (breve), para formar su- 
pino. 



Allusivo a ter o leito com altos e bai- 
xos, buracos e poços, derramando-se tam- 
bém, ora á direita, ora á esquerda; e 
a fazer innumeras voltas em seu curso. 

Não se trata, portanto, de pirá-tynl- 
nga, «peixe secco»; embora o som seja 
qnasi idêntico. O indígena era muito 
intelligente, para não cogitar de tal de- 
nominação para rio ou para campo. Mas 
a verdade é que, quando ignorava a 
língua tupi, também acreditei nessa e 
em outras tolices attribuidas aos indí- 
genas. 

Pirapóra.-— Nome antigo da actual 
cidade do Tietê. Mas, tinha um accres- 
cimo, Pirapéra de Ouruçá. 

(Vide o nome Curuçá). 

Pírapóra.— Cachoeira e salto no rio 
Tielé: no município de Pamahyba. 

Affluente do rio Tietê, pela margem 
esquerda: no municipio de Tietê. 

Affluente do rio Sarapuhy, pela mar- 
gem direita: no municipio de Piedade, 
e entre os de Sorocaba e de Campo 
Largo. A' margem deste ribeirão está a 
villa da Piedade. 

(Vide o nome Piedade), 

Pi-rá-pór-a, «fundo desigual, e salto». 
De pi, «fundo, centro», rá, «desigual, 
desnivelado», por, «salto», com o accres- 
cimo de a (breve), por acabar em con- 
soante. 

Ailusivo á cachoeira precedendo salto, 
naquelle logar do rio Tietê, Com ef- 
feito, na cachoeira, ha um simples des- 
nivelamento de cerca de 0°,60 para a 
extensão de 100°; e é o que denominam 
abusivamente hoje Pirapóra-mirim. O 
salto, porém, é de 3" para 400"*, em 
varias quedas; e a principal: tem 1°',60 
para 60"". E' imponente. 

Já se vê, pois, que não se trata de 
«salto de peixe», que seria um dislate, 
no systema de denominação adoptado 
pelos indígenas. Não ha cachoeira e 
salto, em que, no tempo próprio, os 
peixes, descendo os rios e ribeirões, não 
saltem. 

Pi-rá-pó-ra^ \iO\tv^ ^^^ '^SísíkçíXsír. ^^^f^ 
\ rica Tietê e SaTaipuVi\jn ^ \3KaSta<5c^ ^í^^^^- 



PIR 



PIR 



5ivu a cachoeiras e saltoi; naqiiellcs ri- 
beirões, cujas barrancas os lêiii como 
eu cachados. 

No logar supra mpncionmio, Ciinhoeírii 
e snltii. Do mUnicipio ile Piírriiiliyli:!, ha 
uma capella do Senhor Bom Jesus, cuja 
imagem tem a devoção du toda a \)vq- 
Tincia de S. Paulo, c de localidades de 
outras. A festa é nos primsiros dias de 
Agosto; e para alli afflúem indivíduos f. 
familias, que v3m de longe. 

Ha, outroaim. um aíBiiente do rio Ha- 
ciiriivú. pela margem direita: dos mu- 
nicípios de Conceii;!lo dgs Guaruítios e 
de Mogy das Cruzes. 

Ha também um pequpuo ribeiro, nf- 
fluente do ribeirão dos Meninos, pela 
margem çsfjnerda: no raunicipio de S. 
Paulo. E' conhecido |ior Piraitnrinha. 

Pirapóra.— Morro, entre oa inunici- 
pios de Campinas e de Itatíba. 

MoiTo, entre oh municijiios de Con- 
ceição dos Guarulhos e de Nazareih. 

Pirapóra, isto é, Pi-rá-pór-u, *ceatri) 
alto», pór-a, para eiprimir «conter», 

E' traduzido litteralment« « contém 
centro levantado». 

Allusivo a serem morros ci>m um pico 
no centro. 

Piraquama.— Afflueute do rio l^ 

rahijba, pela margem esquerda: entre os 
municípios de Píndamouhangaba e de 
Taubaté. 

O nome deste ribeirão apparece es- 
cripto nas leis de divisas duquelles dous 
municípios Piracoama. 

Já li também Pamquaiiia. 

Seja como for, qualquer desses modos 
de escrever o nome do ribeirão é cor- 
ruptela de Pí-rá-âqúá-mã, conlrahido em 
Pi-rá-quá-mà, «leito desigual, e voltas 
esquinadas*. Úe /»'. «centro, fundo», rrf. 
«desigual, não nireIado>, áqúd. «eíjqui- 
nar». ii)à. ^voltas», com pronuncia breve 
e corrida esta ultima palavra, por pre- 
valecer o accento de (í em rá e em 
áqúá. 

Hasce Ba serra Mantiqueira; e dahi 
desce com saltos e cachoeiras, e fazendo 
ya/íns esquinadas. 



Pirassununga. — Cidade, distante 
nove kiloiiietros da margem esquerda do 
rio Mogij-gnassú. 

Tirou o nome da grande e extensa 
cachoeira naqiiellu rio, apczar dnquella 
referida distiiuciM. Esta cachoeira tem 
qiiéda ou salto. 

E' engraçado o significado que Ao 
nome Pirussiininiija deu Frei Francisco 
DOS Prazeres MaranhXo, em seu Olos- 
nario: *prise que morde»! Simplesmente 
uma tolice, attribuida ao sábio indígena. 

Tenho uuvido a muitos que significa 
• barulho de peixe» ; porque, na cachoeira, 
os peixes, quando descem da desova, 
agglomeram-se e brigam disputando-se 
uns aos outros o mnal. e soltando pe- 
quenos grilos, cujo som geral ou reu- 
nido é realmente um barulho. Mas, 
isso níio tem explica(;ão com referencia 
á cachoeira: e o significado «barulho Je 
peixe» corresponderia somente & pirá- 
çnnu, permanecendo no infinitivo aem 
caso esie verbo çttiiú. Ora, çunti-nga 
é supino. 

Pirassununga ê corruptela de Pi-rá- 
CNHU-nga, «leito designai, e ruidoso». 
De pi, «centro, fundo», rá, «desigual, 
uao nivelado», çimn, «fazer ruído», com 
o sitffixo nga (breve), para formar sn- 
pino. 

Allusivo a ser esse um logar enca- 
choeírado e com qu^da ou salto; fazenda 
as aguas, ao descerem, grande ruído. 

Nada tem esse nome com peixe; ainda 
que é certo abundar muito a pescaria 
nessa cachoeira. O indígena não cogitOB 
disso. 

Com o nome Piracinnnga ha um af- 
flueute do riu Jitqueruquert, no muni- 
cípio de S. Sebastião. 

(Vide o nome Piracintinga). 

Pirátaráca.— Cachoeira, no rio So- 
roí-aba. ao atravessar este rio o intw- 
vallo existente na serra S. Fratiàwo: 
entre os municípios de Sorocaba e de 
Piedade. 

Precede ao grande salto Itiíparananyi. 

Pirálaráca, corruptíla de Pi-rA-aU- 
l uráqiuxí, w>\iVttó\i« íto IH-t' -at' -urdw^unl 



pi, <cpnirn, fundo», rd, «(Ifuitiual, 
nivehnlii.. nii, imontão, cousa le- 
lada*, aráíjiiai, «estreitnr, fazer cin- 

Ulasivo a estreitar-sf abi o rio entro 
«does a pique, logo abnixo da ca- 
oeira. depois iie ter esta fuiiiiado uiu 

BiB granilico. 
á li que este nome significa «estalo 
|)Wxã>, Qne (lospropo^itul 



■atiruca- Ciichoeir,n, no rio Tici'': 
Exo do saltete Ylúpaiiv.ina. 
Hratirúca. corruptela lie Pi-iá-ti-nig- 
«leito designai e apertado, ruiilosu*. 
pi, «centro, liiníto», rá, de.->if;iiiil, 
I nivelado*, ti, «apertar», rúg, ifa/er 
trondoí, com o suffixo ca (breve), pura 
rmar supino. 

AUosíva ao desnivciarnento do leito 
ise logar, entre paredCes riue eslrei- 
1 o rio, e fazendo estrondo m aguas 
JTOltas, ao descerem solire as pedras. 

Pirayquê. — Affluenle do rio Paraná, 
margem esquerda; acima da fóz 
I rio Paranapaneniii, 
KaBce na Serra do Diabo, na face norte. 
,J¥rayçííé, corruptela de Pi/ry-iquê, ila- 
1 a piqne*. De pi/r^, *a pique», íV/ífê, 
ido». 

Allosívo ás su<is margens ern forma 
paredões a pique. 

Pires. — Aftluente do Ribeiriio Qraiidr, 
L raargenr direita, e este— allhioiite 
Rio Grande, pela margem direita, no 
lOnicipio de S. Paulo. 
E' assim denominarlo, [lorque abi es- 
"releceu-se Salvador I'íres. o portuguez. 
informe narra Pedro Tjiques, este 
Ivador Pires, pae do outro, de égua! 
me, mas já nascido no Brasil, fez es- 
nleciíneslo no districto da villa de 
Dto André da Borda do Campo, fun 
■ 1 por Jo5o Kamallio, onde obtivera 
na légua de terras, 
(Vide o nome Santo André). 
O pae de Salvador Pires foi juiz or^ 
nario deiita villa em 1dõ3 e lõõ4. Era 
DSú Pires— o yago. 
l)68te ribeirão Pires tiraram o nome 
a estação da eatradade íetqf^^tlÇ, 



R do Pilar e a do Rio Qrande, na linha 
de iS. Paulo a Santoti. 

Piripiri.— Confluente do ribeir,1o Pi- 

riri{-ára; os qnaes, reunindo-se, afllúem 
no rio dos Ptnbelros, pela margem es- 
querda: no inunidpio de Cotia 

''iri-piri, «ambas as margens a piquf>. 
De ]>iri, »a pique, a prumo», repetido 
para 'e.\priiiiir o facto em ambas as mar- 



Allusivo a correr entre bai 
a prumo. 



altas 



PiririCól.— Corredeira, no rio Ribeira 
de Igiiape. 

Jf/r7jri-ca, «ligeiro». De pyryri, «ser 
ligeiro, ligeireza», com o suffixo ca (breve), 
para formar supino. 

Piririçara.— Confluente do ribeirão 
Piripiri; os quaes, reunÍndo-se, aSIiíem 
no rio dos Pinheiros, jiela margem es- 
querda : no município de Cotia. 

TJ/íí/rí-fáro, «ligeiro». \)e pyryri, «ser 
ligeiro, ligeireza», çára, o uie^mo que 
ára, partícula de participio formado com ç 
por acabar em vogal o verbo, segundo 

lição do padre Luiz FtoUEiitA., em 
sna Arte de grammalica da littgua bra- 
sílica. 

Pirituba. — AtDuente do rio Tietê, pela 
margem direita: no município de S. 

PilUlO. 

Niu é II mesmo nome do Periiúba, 
adiuente do rio Taqnary. 

(Vide o nume Periiúba). 

Pirituba é corruptela de Piri-túi-bae, 
«um puucu alagado». De piri, «um pouco, 
pouco», lúi, «fazer bojo, derramar-se», 
com a partícula bae (breve), para for- 
mar participio. 

Allusivo a soffrer a resistência das 
aguas do rio Tietê: peio que suas agnas 
retiúem, e derramam-se, transbordando, 
e formando banhado. 

Neste logar, ha granito, de aspecto 
porphyroide, com grandes crystaes de fel- 
dspatho de 2 a 3 centímetros de com- 
primento: com abundância de magnelita 
e epidolo. íio ç,'['a.MtocQ, «si ^^aa 'a ^-áv- 



PIT 



212 



POM 



sua decomposiçSo produz um barro branco 
on kaolim. 

Píroupáva.— Âffluente do rio Ribeira 
de Iguape, pela margem esquerda: no 
município de Iguape. 

Piroupáva, corruptela Pi-rúú-inpábay 
«leito encharcado e lodoso». De />/, «cen- 
tro^ fundo», rtíti, o mesmo que húú^ 
«lodO; lama, borra, fézes^ detritos, etc», 
inpaba, «alagado, encharcado, lagoa». 

Allusivo a correr em terra baixa e 
charcosa, com o leito accumulado de 
detritos vegetaes, formando lodo espesso. 

E' navegável mesmo por pequenos va- 
pores. 

Pirucáia. — (Vide o nome Perucáia). 

Piruleíras. — Um dos morros que for- 
mam os contrafortes da serra Bocaina: 
no município de Jacarehy. 

Piruleiras, corrupção de fí/ri-kêrà, 
«um pouco a pique». De pyrí, «a pique, 
a prumo», hêrà, «um pouco». 

Allusivo a ser alcantilado, porém em 
resvaladouro. 

PÍSSarrão. — Affluente do rio Ja- 
guary^niirim^ pela margem direita: nos 
municípios de Casa Branca e de Santa 
Cruz das Palmeiras. 

Pissarrão, corruptela de Pi-çát-rõ, «lei- 
to esparzido». De p», «centro, fundo», 
páí, «esparzir, estender», rô, partícula 
que significa «pôr-se, estar». 

Allusivo a correr era valle sem bar- 
rancas ; de sorte que, com as enchentes, 
as aguas alagam as margens. 

Pitangueiras.— Affluente do rio Mo- 

gy-gtiassú, pela margem esquerda: no 
município de Espirito Santo de Barretos. 
Pitangueiras^ corruptela de Pyty-nguê- 
ra^ «apertado». De pyty^ «apertar, afo- 
gar», nguêra, o mesmo que cuêra, par- 
tícula de particípio passado, em forma 
nasal por cansa do y do verbo. 

Allusivo a correr entre montes, e sem 
valle. 
Nada tem com pitanga, fructa indi- 
^ena, conhecida Da sciencia pelo nome 
j^/múz ruâra, da família das Myrtaceas. 



Piú.— Morro, no munidpio de Ignape : 
próximo á cidade do mesmo nome. 

Piú corruptela de Pi-it, «escorrega- 
dio». De pi, «pé», ff, «resvalar». 

O primeiro i de i{, tem o som gnt- 
tural, segundo a liçfto dos grammatioos. 

Allusivo a ser limoso. 

Poá. — Logar de apartamento de ca- 
minhos; servindo agora de estação da 
estrada de ferro «S&o Paulo e Rio de 
Janeiro», pela qual se faz a exportação 
e importação da freguezia de Itaquaque- 
cetuba: no munícipio de Mogy das Cruzes. 

Poá, corruptela de Píâ, «apartamento 
de caminho». O i tem som gnttural. 

Os indígenas, para designarem «en- 
cruzilhada», dizem pe-a-^i-|)d; mas, sendo 
simples desvio ou galhos de caminho, 
como era esse da estrada de Mogy das 
Cruzes para Itaquaquecetuba ou para 
Ouayaó, a palavra é piâ. 

Em falta de caminho aberto, não é 
essa a palavra; mas ib-apârá, «ramo 
torcido e quebrado», correspondente ao 
costume de, quando atravessam mattos e 
montes, torcerem e quebrarem ramos de 
arvores, a fim de deixarem sígnaes para 
a volta, ou para que outros mais atra- 
zados saibam a direcção tomada. Aquella 
phrase ib-apá-á é usada em abreviatura : 
pá-á. Também dizem api-á, «torcer e 
quebrar». 

Pocinho.— Logar do rio Parahyba, 
no município de Lorena. 

Pocinho, corruptela de Po-cy, «resva- 
loso». De po, para exprimir habito ou 
qualidade natural, c^, «resvalar». 

A partícula po é apócope de porá. 

Allusivo a ter o rio, nessa região, 
margens lamacentas e o leito lodoso. 

Pombéva. — Ilhas, pertencentes uma 
ao município de Iguape, e outra ao de 
Santos. 

Pombéva, corruptela de Piu-mbé^bae, 
«ilha chata». De páu, «ilha», mbé, o 
mesmo que pé, «chata, plana», bae (breve), 
para formar particípio, significando «o 

max&%. 



POR 2] 

*ombo. — Affluente do ribeirão M- 
irOf pela margem esijuerda: eclre os 
DÍcipios de Jahú e de Duiis Córregos. 
I^fTnbo, corruptela de Pómbó, «arro- 
, E' o verbo mombó. cujo m é mu- 
lo em p, por Dão ser antecedido de 
i palavra. Sôa pombo, porque o 
»Dto do primeiro o torna quasi cor- 
io o &om do segundo o. 
Allusivo a ser despenhado da serra. 

Ponte do Tíeté (Nossa Seubora dus 
médios da). — Fregiifzia perleucente 
mniiicipio de Botucatú; á margem 
toita do rio Tieíé. 

PonundÚ vau— (Vide o nome reniin- 



PorCOS. — Ilha no oceano: perteii- 
Bte ao município de Ubatuba. 
E' grande: constilúe urna freguezia, 
ida porém nSo provida canonicamente. 
J^eos, corrupçSo de Pó-iinã, <pon- 
De pô, apócope de porá. para 
prímir que contém o que o verbo in- 
H, quã, infinitivo de áqnã, sem raso, 
portanto signiâcando a acção geral do 
rbo <ponta>. 

Allusivo a ter dous morros altos, uni 
lior, outro menor, em cada uma das 
tremidades; isto é, um morro em cada 
tremidade. 

Porcos — Affluente do rio Mogy- 
ii, pela margem esquerda : no niu- 
BJpio de Jaboticabal. 
Affluente do rio Jaffuary, pela mar- 
I esquerda: entre os municípios de 
Jo5o de Boa Vista, de Espirito Santo 
> Pinhal e de Mogy-mirim. 
Porcos, corrupção de Pà-i/uã, «empo- 
do>. De ptS, apócope de porá, para ex- 
imir peculiaridade da acção do verbo, 
também excesso, superlativo, habito, 
Ltensão, qiiâ, «empoçar, formar poços, 
los, buracos». 

Allusivo á natureza geológica do ter- 
DO em que corre, formando poços. 

Portão. — Lagda, ao município de Mo- 



_ POR 

Portão, corruptela de Paã-atfl, «ato- 
leiro duro». De paã, «atoleiro», n/ã, 

aphiVesis de taíã, «duro, espesso». 
Allusivo a ter no leito lodaçal pegajoso. 

Porto Feliz.— Cidade, á margem di- 
reita do rio Tietê. 

Os indígenas, ÍDContestavelmeute mais 

telligentes do que os seus suppostos 

civilisadores, denominaram esse logar, com 

a sciencia que elles possuíam, Arart/ia- 

gi/aba. (Vide o nome Ararytaguaba). 

PorÚbíL— Serra e rio, no município 
de Ubatuba. 

Segundo o costume dos indígenas, 
davam a logares vários na mesma re- 
gião nomes com som idêntico ou quasí 
Ídentii:o. mas com significados diversos. 

Porúba, nome da serra, é Poró-Íib-a, 
contrahido em Por'-iib-a, «arrimo ou 
contra- forte*. De porá, para exprimir 
como particularidade o que o verbo in- 
dica, iib, «arrimar, sustentar, especar, 
haste, mastro, cabo de ferramenta, en- 
cabeçar» com a (breve), por acabar em 
consoante. Quando ha dous ii no fim da 
palavra, o primeiro é guttural. 

Pomba, nome do rio, é Pó-rúb-a, 
•tem saltos». De pór, «salto», perdendo 
o r por causa da palavra que se segue, 
e que por r começa, rub, «conter em 
si», com o accrescímo de a (breve), por 
acabar em consoante. 

o nome da serra é allusivo a ser um 
dos eontra-fortes da serra geral, ou ma- 
rítima, por aquelle lado. 

O nome do rio é allusivo ás grandes 
cachoeiras, que o formam naqnella serra, 
com quedas ou saltos. 

Este rio é muito corrente; e, quando 
ha grandes chuvas, transborda no logar 
denominado Pedras-aiúes, e esse excesso 
de agua, cahindo da serra, forma o rio 
Quiriri, «rio de chuva», o qual é muito 
profundo, mas sem correnteza alguma, 
salvo naquella occasi^o de chuvas, e 
mais em baixo por eíTeito do fluxo e 
reiluxo da maré: por não ter nascente 
e correnteza é considerado rio-morto. 

O Quiriri eutra no Paniba, próximo 
& íóz deale-, àa sotW <¥«• '^'Sl ■woa. ■s.';! 



POT 2_ 

Poruty. — Rio, qae natiue na serra 
Ctibalão e desagtia no laga-mar de San- 
tos: no município de Santos. 

1'onity, corruptela de Pór-ili, »arro- 
jadi) aos sbUos». De pór, «salto», ili, 
c arrojar», 

Potim. — Affluente do rio Parakijha, 
pela margem esquerda: entre os muni- 
cípios de Santa Branca, de Jacareliy e 
de Mogy das Cruzes, aos quaes serve 
de divisa. 

As Leis que regulam essas divisas 
trazem o nome Pufeky. 

Pfitim, ou Piílehy, sSo corruptelas de 
Poli, «sujo». 

Allusivo a ter no leito muito capim 
caá-aruçú-hób-tt, contrahido em eaá-'nic'- 
hêb-a, e corrompido em caroçúm, «herva 
de folha larga*; e este capim vive sub- 
mergido na agua, 

A razão da corruptela em Potim, foi 
porque ha neste ribeirão muito camarão, 
poR. 

E' notável o modo como os indíge- 
nas colhem neste ribeirão o camarão : 
correm a peneira sobre aquelle capim, 
ialtani dentro desta, 



PotribÚ.- Affluente do rio Tielé, pela 
margem esquerda; no município de S. 
Roque. 

Alguns dSo lambem este nome a um 
murro escalvado no cume, ladeado por 
aquelle ribeirão. (Vide o nome ApotrilÁi). 

Potundúva.— Cachoeira, no rio Tietê: 
abaixo da foz do ribeirão Leiíçóes. 

Já li também Poletuiuva. 

Potundúva, corruptela de Po-ty-ndu- 
bae, »salto, arrecife, ruidoso». De pó, 
«saltoi, ty, tarrecifes», ttdú, «fazer ruí- 
do, estrondar», bae (breve), partícula de 
participio, signlGcando «o que é*. (*) 

Allusivo a ter o rio nesse logar ar- 
recifes e salto, fazendo as aguas na queda 
grande estrondo. 



. . . t>M. llpil- 




Potuverá.— (Vide o nome Botutm 

Pouso Alto. — Serra, no maoí^ 
de Iguape. K' divisória das aguas qi 
vertem para o rio S. Lourenço e pa 
o rio Una d'Alrlêa. 

Pouso Alio, corrupção de Hocè-h&4 
«altíssima, e dentada». De /tod*, csobrt 
pujar, ser altíssima», kái, «dentar, dentei 
com o suíTíxo ta (breve), para fon 
supinn. 

Allusivo a sobrepujar em altnn 
serras em redor; e a ser formuda pK 
nma série de morros, ponteagudos, 
melhando cousa dentada. 

Essa serra tem paredões a pique par 
encostas; e destas encostas nascem rio 
B ribeirões caudalosos, com saltos, caii 
catas e cataractas. 

Prainha.— Povoaçao-fregnezia, no m» 
nicipio de Iguape. 

Conlina com a freguezia de Joqoí& 

Prata.— Affluente do no Mogif-gnaai, 
pela margem esquerda : no muaid^ 
de Belém do Desciílvado. A' mai^M 
direita deste córrego está a cidade de 
Belém do Descalvado. 

Affluente do ríbeírílo Oocaes, e MB 
do rio Jaguar ij -mirim ^ pela margem i^ 
reita: nos municípios de S. João da Bu 
Vista e de Casa Branca. 

Affluente do ribeirão Bala/aa. pdi 
margem esquerda: no município d« Bi- 
tataes. 

Affluente do rio Turro, pela margM 
direita: no município de Barretos. 

Affluente do ribeirão Cubaíão. peli 
margem esquerda: no município de Ho* 
coca. 

Affluente do Rio Pardo, pela margc* 
direita: entre os municípios de Moõia 
e de Cajurú. 

Affluente do Rio Pardo, pela margas 
esquerda: no município de S. Simio. 

Affluente do rio Ticté, pela margem 
esquerda: no município de LeuçÓes. ^ 
também conhecido por Paios. 

(Vide o nome Paios). 

Affluente do rio Tietê, pela marge* 
i4\Te\\a-. no ■ftvoQMÃYva de Baryrv, aiil*- 
\i\OTia%iiV% Sapt do JaKú. ^ 



PRE 2; 

pequeno rio que, nascendo na serra 
kado, reune-se ao ilenominado díis 
tas, e deEagna no Mar Pequeno: no 
Dicipio de Cananéa. 
limeira parte do rio Jaini, quando 
I atravessa o município de Dons Cor- 

^e o nome Jaiiú). 

íegnnda cachoeira, das que formam 

io Brajahiiiiirindúba : . no municipio 

Ubatuba. 

Libeirão, que do lado occidental da 
lade de Bananal, precipita -se do alto 

serra, mais ou menos 200 metros, 

lendo em cascata. 
Prata, corruptela de Páí-ta, *depen- 
►. De pá% ídepeiiduradoe, com 
Buffixo la (breve, para formar supino. 
&llusivo a correrem suas aguas em 

Data e em cachoeiras como que. de- 

lâuradas. O leito é íngreme ou em- 
lado. 



PrejÚ.— ABluente do rio Tietê, pela 
-■gem esquerda: no municipio deMogy 
Cruzes. 

\ejú, corrupção de Piieré-yii, «der- 
lo e resvaladío». De piieré, «der- 
», j/íi, soando jú, e que iiSo é 
do que o verbo ii, »resvalar, es- 
Brregar*, precedido de y, relativo. 
Allusivo a fazer bojo, por não ter 
ffça bastante para penetrar no rio Tieié; 
I surte qne, quasi paradas as aguas, o 
lo torna escorregadio o leito. 

Preto (Rio).— Uma das cabeceiras do 

) Boíoroca: no municipio de S. Vi- 
BDte. 

Bio que nasce na serra Ilariry, e, 

Ipois de passar pelo Porto Grande, 
BBagua no oceano: no municipio de 
tinhaen. Tem, ao descer a serra, enor- 
les 6 bellissimas cachoeiras. 

ASIuente do rio Perubybe. pela mar- 
eai direita: no municipio de Itanhaeo. 

Cabeceira do rio Piroiipava: no mu- 
Tiicipio de Iguape. Forma uma forquilha 
com o Branco, que é a outra cabec)' 

ÃfflueDte do rio Una d'Atdéa, peia 
aargem eagaerdã: ao município delguapç. 



_ PRT 

Affluente do ribeirão Piranga, pela 
margciu esquerda: no município de Igua- 
Nasce nas serras divisórias com o 
municipio de Itdpetininga. E' este que 
alguns, por erro, dSo como aíHueute do 
rio Jiiqniá. 

ABluente do rio Ticrro, pela margem 
esquerda: no municipio de Jaboticabal. 
E' á margem esquerda deste Preto que 
está situada a povoaç2o-freguezia de S. 
José do Rio Preto, pertencente ao mu- 
nicipio de Jaboticabal. 

Affluente do ribeirão Sapucaky-miritn, 

:1a margem direita: no municipio de 
S, Bento de Sapucahy-mirim. 

Affluente do Rio Pardo, pela margem 
esquerda : no município de Kibeirflo Preto. 
A cidade de Ribeirão Preto foi denomi- 
nada Entre Rios, por estar situada entre 
este ribeiriío e o denominado Retiro; mas 
voltou a ter a verdadeira denominação, 
que é a actual. 

AHluente do rio Piirahylta, pela mar- 
gem direita: entre os municípios de 
Taubaté e de Caçapava, E' um cór- 
rego; mas, quando chove, alaga tanto 
que nao dá passagem. 

Affluente do ribeirão Verde, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de S. João 
da Boa Vista. Este nbeiráo Verde corre, 
em sua mór parte, na província de Miuas 
Geraes. 

Preto, corrupção de Pi-iêrè-etei, con- 
trahido em Piiérè-'tei, imuito derrama- 
do. De piiérè, «derramar», eteí, para 
exprimir superlativo. 

AUusivo a transbordar, formando ala- 
gailiços, no tempo das chuvas. 

A pronuncia de puéré, sendo breve e 
corrida nas duas primeiras syllabas, e 
Suando imperfeitamente ao ouvido dos 
portugueses, produz p"'ré-'tei; — dahi a 
corrupção. Corrupçtto esta mais justifi- 
cada i^uanto o fundo dos rios, ribeirões 
e córregos, que alagam as margens, é 
sempre sujo de lodo, borra e fezes. 

Pricoapé-— Affluente do rio Tietd, 
pela matgttm eç,t\\ie,xè5V. "ti<i v&viàxvàsiíva 
de M-Ogy àaa CiMxe*, 



PUL 



216 



PUS 



Prícoapéj oorrnpçlo de Piri-gu-apé^] 
<am pouco plano». De pirif «um poaco», 
apé cplano», precedido de gu^ recíproco. 

Allusívo a correr em terra baixa: e, 
por isso, o escoamento é lento, e o leito 
é limoso. 

Pucuy. — Rio, que nasce na serra 
marítima e desagua no braço de mar 
Beriioga: no município de Santos. 

Pucuy, corruptela de Po-cui^ «are- 
noso». De po, apócope de poro, para 
exprimir que contém o que a palavra 
seguinte designa, cuí, «arêa, pó, farinha». 

Pulador.— Affluente do Rio Pardo, 
pela margem direita: no município de 
Botucatú. 

Affluente do río Mogy-guassú, pela 
margem direita: no município de S. 
Simão. 

Pulador, corruptela de Pór-a-tóre, «sal- 
tos e tortuosidades». De pór, «salto», 
com o accrescimo de a (breve), por aca- 
bar em consoante, tórê, «tortuosidade, 
volta e revolta, sinuosidade». A ultima 
syllaba de idrê é pronunciada breve, por- 
que o accento predominante está em tó. 



Allusívo a descer aos saltos, pois que 
sua altitude nas cabeceiras é de 720 
metros; mas não é muito corrente, como 
deveria ser, por causa de ser muito si- 
nuoso, atravessando os campos altos que 
o marginam em grande extensão. 

Este pequeno ribeirão corre entre os 
ribeirões Turvinho, á direita, e Bosque 
ou Ourujinhaj á esquerda. 

PussaúnSL— Rio, que desagua no 
oceano, na praia de Una : no municipio 
de Iguape. 

Este rio é celebre, porque, junto a 
elle, foi encontrada a imagem do Senhor 
Bom Jesus de Iguape. 

(Vide o nome Iguape). 

Pussaúna, corruptela de Pi-çát-húú' 
n-a, «leito esparzido e lodoso». De pi, 
«centro, fundo», çdt, «esparzir, estender», 
húú-na, «lodo, lama, borra, fezes, de- 
tritos, etc», com o accrescimo de a 
(breve), por acabar em consoante. 

Allusivo a derramar-se em alagadiço; 
e formar limo ou lodo nessas aguas 
quasi paradas, quer no leito, quer ás 
margens. 



Q 



Quatinga. — Afflnente do rio AgiM- 
pehú^ pela margem direita: no munici- 
pio de Itanhaen. 

Quaiinga, corruptela de Quyti-nga, 
ccortado». E' o supino do verbo quyíi, 
«cortar», com o suffixo nga (breve). O 
y tem som guttural. 

Allusivo a passar em certa extensão 
sob pedras. 

Quebra-canélla.— Affluente do rio 
Jcuxiré-pipira-gtuissúf pela margem es- 
querda: no monicipio de S. Carlos do 
Pinhal. 

Quebra-canélla^ corrupção de Iqm-bir- 
áquârné, t margens altas e muito cor- 
rente». De iquê^ «lado, costado», bir, 
«levantar, alto», áqtiâ, «correr» né, ad- 
verbio afiirmativo; exprimindo também 
superlativo. Este né pôde ser também 
breve, conforme o caso. 

Allusivo a correr veloz, entre barran- 
cas a prumo. 

Por correr veloz, foi acceita a cor- 
rupção Quebra-tumélla. 

Quebra-cangalha.— Serra, que di- 
vide as aguas do rio Parahyba e as do 
Parahytinga e dos seus affluentes: ao 
sul dos municípios de Taubaié, Piuda- 
monhangaba, Ouaratinguetá e Lorena e 
ao norte dos municípios de S. Luiz de 
Parahytinga, Lagoinha e Cunha. 

Quebra-cangalhaj corrupção de Iquê- 
biraqú'-drng-ába^ «encostas tesas e em- 
pinadas». De iquè, «costado, lado», &í- 



raqúâ, «teso», à^ «empinar», ng^ inter- 
calação por ser nasal a pronuncia de 
à, para formar com ába participio. 

Allusivo a ser altíssima e muito al- 
cantilada. 

Na corrupção houve a aphéresis do i 
de iquJê; e mesmo os indígenas usam 
muito iquê sem o i inicial. 

Neste nome, a corrupção é evidentís- 
sima: Quê-hiraqú^-à-ng-ába. Do som da 
palavra, e do facto de ser penoso para 
os animaes carregados a subida e a 
descida de tal serra, foi formado o nome 
Quebra-cafigalha. 

Quebra-cuia. — Serra, no municipío 
de Casa Branca. 

Quebra-cúiaj corrupçJo de Iquê-biraqúa, 
«encostas erectas». De iquê, «lado, cos- 
tado», biraqúa, «teso, erecto». 

Allusivo a ter Íngremes as encostas. 

Segundo o costume dos indígenas, — 
de darem a legares vários na mesma 
região nomes idênticos no som, mas dif- 
ferentes no significado, o ribeirão, que 
nasce naquella serra e desagua no Rio 
Pardo^ pela margem esquerda, traz tam- 
bém o nome Quebrorcúia. 

O nome do ribeirão, porém, é cor- 
ruptela de Iquê-bir-a-cúia, f margens 
altas, e quedas». De iquê^ «lado, cos- 
tado», bir, «levantado, alto», com o 
accrescimo de a (breve), por acabar em 
consoante, cúi, «cahir», com o accrescimo 
de a (breve), para formar o infinitivo, 
, cúi-a. 



QUI 



QUI 



Allusivo a descer encachoeirado, e de 
(|uvda em quâdo, eatre barrancas altas. 

Queluz.— Ctilude, cortada cm diiaíi 
l>arti's iielo rio Parahyba: isto í'. edíli- 
i^aila nas duas margens deste rio. 

O Dome Qiiehix é portuguez: puro 
acto de bajulaçilo para com o marquez 
de Quelu/., de Portugal. 

No valle do rio Fiirahyba, é o ultimo 
munidpio visinhando cora a província 
do Rio de Janeiro. 

Junto á ponte da estrada de ferro, 
Tê-se um salto que ahi faz o rio Para- 

Quilombo.— Praia, no municipio de 
S. SebastiilD. 

Quilombo, corruptela de Oni-rfí-mb-yi, 
tconcavo, e fundo revolto». De gui, 
'para exprimir a parte inferior, rõ, «re- 
volver», ntb, intercalação por ser nasal 
a pronuncia da palavra anterior, yi, 
«concavidade, Õco, abertuni, seio». Este 
^i é guttural ; e pronunciado breve e 
corrido, porque em rÕ eslá o accento 
predominante. 

Allusivo a formar um sacco ou en- 
seada, mas onde o mar revolve o fundo. 

Quilombo.— Morro, no rauuicipio de 
Naziiretli. 

Morro, no município de Cananéa. 

Morro, no município de Santos. 

Contra-forte da serra Mantiqueira, no 
município de S. Bento de Sapucahy-mirim. 

Contra-forle da serra Quebra-cangalha, 
Dú município de Taubaté. 

Serra, no município de Iguape. 

Quilombo, corruptela de Qni-rõ->nb-yi. 
«parte inferior revolvida e ôcu». De yui, 
«parte inferior», rõ, «revolver», mb, in- 
tercalação por ser nasal a pronuncia de 
ri>, e para lígal-o a yi, «6co, concavo, 
abertura, seÍo>. Este yi é guttural, e 
tem pronuncia breve e corrida, por pre- 
dominar o acdento em rõ. 

Allusivo a grutas e cavernas na parte 
inferior dessas montanhas. 

O mono, no município de Nazarath, 
iem uiBã grata gue pôde reunir mais 



de trinta pr-ssoas. Mas, nos de Iguape e 
de Cananca, as grutaG s9o muit^o exten- 

s e com compartimentos. 

O do município de Santos é sóuienie 
cavernoso. 

Sendo escondrijoE essas grutas, o nome 
tupi é a etymologia da palavra corrupta 
Quilombo, cuja origem Moraes e outros 
lexicographos não explicaram. 

Quilombo. — Aflluente do rio Jaquiá, 
pela margem direita: no município de 
Iguape. Nasce na serra Quilomlto. 

Afluente do no Jacu piranga, pela 
margem esquerda: entre os municípios 
de Iguape e de Xiririca. 

ABluente do rio Parahytinga, pela 
margem esquerda: no município de S. 
Luiz de Parahytíngs. 

AfTiuenle do rio Sorocaba, pela mar- 
gem esquerda: nos municípios de Soro- 
caba e de Tatuhy. 

ASluente do rio Jundiahy, pela mar- 
gem esquerda; no município de Jundíaby. 

Aliluenle do rio Ãtibaia. pela margem 
esquerda: no município de Santa Bar- 
bara. 

Affluente do rio Mogy-guasiní, pela 
margem esquerda : nos muuicípios de 
S. Cariou do Pinhal e de Belém do Des- 
oalvado. 

Pequeno rio que nasce na serra Ch- 
Imlão e desagua no laga-mar de Santos. 

Quilombo, corruptela tie Oiti-rõ-mb-it, 
«fundo revolvido e sujo». De gui. íparte 
inferiort, râ, .revolver», mb, intercala- 
ção por causa da nasalídade da pronun> 
cia de riJ e para ligal-o a lí, «sujo». 
Este it é guttural, e pronunciado brovt 
e corrido, por ser predominante rõ. 

Allusivo a cachoeiras no leito; ea 
terem no fundo arvores, e detritos ve- 
getaes, meio-carbonisados. de cur parda 
denegrida, —detritos estes que a sciencia 
denomina lignítes. e que os indígenas 
denominam tepati, «sujidade, de qualquer 
espécie». 

Quiri ri.- Affluente do rio Parahyba, 
pela margem direita ; no município 
\Taa\)R\fe. 



ío de I 



QUI 



219 



QUI 



Pequeno braço do rio Porúba, no mu- 

ipio de Ubatuba, 

Quir^iri, «rio de chuva». De quir^ 

mva»^ iri «rio». 

Ailnsivo a serem formados e alimen- 
idos somente por chuva. 
[' (Vide o nome Parúba). 

Nfto se trata, portanto, de qviriri^ pa- 

onomatopaica, correspondente ao 

icerto em surdina de milhões de mos- 

litos; nem mesmo se refere o nome 

córrego, no município do Taubaté, 

le alguns dizem Quiririm, á palavra 

iWri, «silencio, quietude, socego, paz, 

[estia». 

L Quitóca.-— Affluente do rio Ribeira 

Er Ignape, pe]a margem esquerda: no 
anieipio de Xiririca. 



E' o mesmo rio Sete-bflrras. 

Quitóca, corruptela de Ou-yi^ta-ógca, 
contrahido em Ou-yi-Vógca «fiiros aber- 
tos naturalmente em communicaçào». De 
flfw, reciproco, exprimindo communicaçâo, 
yí, «abrir naturalmente», com o suffixo 
ta (breve), para formar supino, ógca, 
infinitivo de òígr, «furar», que, por não 
ter caso, significa a acção do verbo em 
geral, isto é, significa «furo». 

Âllusivo ás sete barras que este ri- 
beirão tem no rio Ribeira de Iguape. 

Já li este nome ainda mais incorrec- 
tamente escripto: Quitóquo, 

E este ribeirão também é conhecido 
por Forquilhas, mas sem explicação pos- 
sivel em tupi. 







Rápidos de Santo Ignacio.— Cor- 
redeira, no rio Parnnapnnemn , acima (ia 
corredeira Si ran- Grande. 

E" da extensão de 21 kilometros: co- 
meça acima da barra do ribeiráo Simlo 
Iijiincio, duus a três kiloineiros. e acaba 
UDi pouco abaixo <ia barra do ribeirão 
PIrapó, um a douíj kilometros: ambos 
esles ribeirões sSo na provincia do Pa- 
raná, porque affliiem no rio Paranapa- 
nema pela margem esquerda, já quusi á 
sua fóz. 

A |)a!avra Rápidos é também parte 
do nome corrupto. 

Os Rápidos de Sant' Ignacio, é nome 
corrompido dessa extensíssima parte do 
rio: O-rá-páú-iidi-fiíi-ndáhocc, «desigual, 
de margem á margem, muitas ilhas, pon- 
tas. Íngreme». De o. reciproco, para ex- 
primir que os impedimentos sâo de uma 
á outra margem, rá. «desigual, não ni- 
velados, pátt, íilha», tidi. «muitas», Aaíi, 
cponta>, tífiocè, o mesmo que doce, çocè, 
orè, «sobrepujar». O /* aspirado de lm(l-n 
sõa ç. 

ãIIusÍto ao forte declive que ahi existe, 
arrecifes e pontas graníticas no leito, 
lagedos que obstruem o rio. de uma á 
outra margem, formando verdadeiros di- 
ques ou travessões, e tornando por isso 
desigual o fundo em que as aguas cor- 
rem em vertiginosa impetuosidade, dando 
quedas nos 24 successivos diques ou 
travessões que encontram, numerosas 
Jibãs de todos os tamanhos, pois i^ue 
aòl o rio se aíarga muito até maia 



mil metros: e de tudo isto resalta qi 
o canal é lortuosiasimo, conforme 
aberturas e as profundidades nos diqi 
ou travessões, e entre as ílbas e os i* 
chedos; accrescondo a velocidade • i 
rodomoinho das aguas. 

Rebojo. — Cachoeira, 00 rio Fttnaá 
panema, acima dos Rápidos de Sant 
Ignacio. 

Rebojo, corrupção de Yérè-ibyi, 

cavidades e rodomoinhos». Deytrí, («t- 
ta», ibyi, «concavidade, abertura 
ral, seio, Õco>. 

AUusivo a caldeirões ou buracos n» 
leito do rio, dando causa aos rodomot- 
nhos. 

lia muitas pedras nesta cachoetn; 
mas o canal é fundo: e desde a 
superior da cachoeira, apertadn entrt 
rochas, as aguas entram e desoeni ri* 
voltas nessas gargantas; e, em todas 
exteosão da cachoeira, ha três qotiM 
ou saltos, dos quaes o maior £ coab^ 
eido por Tombo do Meio. 

Acima da primeira queda é i, 
aguas como que ficam represadas *■ 
um enorme e profundissímo poço, for 
mando rodomninhos e rebojo. 

E' e^aihoeira perigosíssima. 

Redempção.— Villa; antiga tepw 
.•VA iiR Svivvti Cruz do Paiolinho, par* 



RES 



RES 



Remédios (N. S. dos) da Ponte 

do Tietó.— PovoaçUo-freguezia, no ma- 
Qicipio de Botncatn. 

(Vide o Dome Ponie do TielS). 

Remédios (N. S. dos).— Capella, 
DO municipio de Jacarehy. 

Remédios. — Affluente do ribeirfio 
Paraiy, pela margem direita: do muni- 
dpio de Jacarehy. 

NSo é nome tupi. E' o Oambará. 

(Vide o nome Cambará). 

E' este ribeirão assim denominado boje 
por cansa da Capella acima referida. 
Sem duvida a Capella foi fundada alli, 
por causa das febres palustres que as- 
solam o logar. 

E' mais córrego que propriamente ri- 
beirSo. 

Resgate.— Affluente do rio Birahyba, 
pela margem direita: no municipio de 
Bananal. 

Resgate, oorrupç&o de RUquái-ta, trio 
eortado». De ri, <agua, rio», judí, «cor- 
tai», com o sufflxo ta (breve), para for- 
mar SQpillO. 

AUusivo a ser cortado por salto. (*) 



> CcDtatl de E 



O Klo Kiá iqul ■ Ul I 
i Mg. IMO do It«l»toiki da < 
tialkar 



Ressaca. — Logares, em vários mu- 
oicipios. 

Ressaca, corruptela de Ri-çá-quà, «po- 
ço, olho d'agaa». De ri, «agua*, çd, 
<oIho>, quci, <poço, fojo, buracoi. 

Âllnsivo a serem logares esses, em 
que os viajantes tSm a certeza de encon- 
trar agua potável, em fontes ou brotas. 

A traduoçfio «poço, olho d'agua> é 
Utteral; mas, o povo tem a traducg&o 
livre «OlhoB d'agua>, nome pelo qual 
sfio conhecidos vários desses logares. 

Ressaca.— Affluente do rio Cotia, 
pela margem direita: entre os manici- 
píos de Cotia e de Itapecerica. 

Afflaente do rio Mogy-mirim, pela 
margem esquerda: no muaicipio de Mo- 
^-mirím. 



Affioente de um ribeirão, denominado 
Bio do CoUegio, pela margem direita; e 
oqaelle ribeirão é afflaente do rio So- 
roet^M, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Una. 

Ressaca, corruptela da Iriçá-quã «pe- 
quenino córrego». De iriçá. «ribeiro, cór- 
rego», quâ, «pequeno, couBÍnha*. Aapbé- 
resis do t, para ficar simplesmente ri, 
é muito usada: Riça-qttâ. 

Allusivo a serem córregos muito ez- 
treitos e baixos. 

Retiro. — Morro, no municipio de Ba- 
nanal. Pertence á serra Bocditta. 

Morro, no manicipio de Iguape. Per- 
tence á serra líatins. 

Horro, entre os municípios de Gua- 
ratingnetá e de Cunha. 

Morro, entre os manidpios de Mogy 
das Cruzes e de Santa Izabel. W iso- 
lado. 

Morro, entre os municípios de Arara- 
quara e de Brotas. 

Morro, no municipio de Ribeirão Preto. 
Delle nasce um córrego, ao qual puze- 
ram este nome e que afflúe no Ribeirão 
Preto, pela margem direita. 

Retiro, corruptela de He-ly-ru, «por 
accrescimo — ponta». De ke, relativo, por 
começar por i a palavra iy, «ponta», ru, 
«pôr, accrescentar*. A palavra ru é 
pronunciada breve e corrida. O A é as- 
pirado. 

Allusivo a mostrarem uma ponta, a 
qnal se ergue sobre um planalto, que 
bem poderia ser o cume do morro. 

Riacho-fundo.— Affluente do rio ?b- 
quary, pela margem direita: no munici- 
pio de Itapeva da Faxina. 

Riacho-fundo, corrupção de Ri-báty- 
yt-ndi, «a pique ambas as margens, e 
muitas concavidades». De ri, o mesmo 
que reké, para significar, neste caso, facto 
mutuo, «em frente um do outro», e 
portanto transformado de posposiçSo em 
adverbio, o qual pôde ser on não ante- 
posto, hdty, «erecto, a pique, a pruino», 
yi, (concavidade, abertura natural, seio, 
3co», ndi, «muitQSi, ijrQnuoavi.da 'it»** 
por çieiomiaM o iiRKfctósi wa. >jN-> ^"«i 



RIB 



RIB 



Allusívo a ser ladeado por paredOes 
a prumo, e a ter no leito concavidades, 
denominadas caldeirSes. 

A corrupção proveiu do facto de se 
mostrar muito profundo pela altitude 
das barrancas. 

A formação geológica dessa regiSo é 
a causa disso : as aguas dos rios e ri- 
beirões talham no solo profundíssimos 
sulcos, de sorte que o leito está a mais 
de cem metrus abaixo, e as aguas abrem 
nella fójos de toda a espécie. E' a mesma 
formação geológica do ribeirão Pcrituba. 

(Vide o nome Perilúba). 

Não 66 trata, portanto, de um riacho. 

Ribeira. — Capella, no município de 
Apíahy. 

Ainda não foi canonicameate provida 
como freguezia. 

Ribeira de Iguape.— Kio grande 

e navegável.' Nasce na província de Pa- 
raná, em urna serra próxima á cidade 
de Castro; e desagua no oceano, depois 
de banhar os municípios de Apíahj. Ipo- 
ranga, Xíririca e Iguape, na província 
de S. Paulo. 

AquelJa serra é considerada ramifi- 
cação da extensa cordilheira Graciosa, 
corrupção de Oii-hayíi-óeè, «muitos picos, 
em communicação uns com outros*. De 
gu, reciproco, para exprimir communi- 
cação, kayti, cmuitos*, ócè, <altissimo, 
o que sobrepuja». 

Ribeira de Iguape é corrupção de 
Aréb-yêrè-iguáá'pe, «lento, com voltas 
e enseadas*. De on^i, «tardo, demorado, 
lento», yêrè, «volta», i-guâÁ, «enseada 
de rio», pe (breve), posposição signifi- 
cando «com». 

Ouvindo os portuguezeg este nome 
tupi, entenderam ser A Ribeira de Igua- 
pe; e assim flcou até hoje. 

Tudo isto eetá discutido e examinado 
por mim no nome Iguape; e, por isso, 
os documentos antigos dizem Rio Ri- 
beira de Iguape. 

(Vide o nome Iguape). 

Com effeito, o nome tupi corresponde 
ao que é este rio; e, embora de aua 
uascente até á villã de Xiririca soffra 



os embarnços de saltos, cascatas, ca- | 
choeiraa, estreitos, é certo que de Xiri- 1 
rica para baixo corre manso e leoto, 
com successivas voltas, e, desde a fóz 
do rio Jnquiá, as enseadas, em ama e 
t>m outra margem, s!lo o seu principal 
característico. 

Ka parte que atravessa o município 
de Apiahy, ha o famoso Varadouro, que 
não é senão o estreitamento do rio a 
cinco metros somente, na extensão de 
cincuenia metros, pouco mais ou menos. 
Ahí, as aguas, penetrando o estreito, 
descem com velocidade estupenda. 

O nome Varadouro é também uma 
corrupção de H-ár-u-ndúrà, «colhidas, 
em rodomoinho, com estrondo», refe- 
rindo ás aguas do rio. De k, relativo, 
por existir r na palavra ar, «colher», ú, 
o mesmo qne rã, porque, existindo r 
era ar não podia ser repetido. 

Ribeirão Bonito.~Povoaçflo-fregne- 
zia, no municipio de Brotas. 

Quanto ao ribeirão, o nome Bonito 
já está explicado. 

(Vide o nome Bonito). 

Ribeirão Grande.— Afflaente do rio 

Gaareky, pela margem esquerda. E' á 
margem esquerda deste ribeirão, mas 
em um planalto muito elevado, que está 
ãituada a villa de Espirito Santo da 
Boa Vista. 

A serra Palmitat, onde nasce este ri- 
beirão, também é conhecida vulgarmente 
por serra Ribeirão Orande; mas é sim- 
plesmente um disparate. 

(Vide o nome Palmiial). 

Affluente do rio Ribeira de Iguape, 
l>ela margem direita: no municipio de 
Apiahy. 

Aãluente do rio Parahybuna, pela mar- 
gem esquerda : no municipio de Nati- 
vidade. 

Affluente do Rio Orande, pela mar- 
gem direita: do municipio de S. Paulo. 
Este Rio Grande é o que, com o Bio 
Pequeno, forma o Jurubatuba. 

O Ribeirão Grande, de que trata Aza- 
VÍ.Y10 'NÍ.k».(i\ií.a, uti^ A-pwaViTtventos His- 1 
.loncos, Geograp^iicos, B\ogta-pKv»a,"ÍJs- 1 



RIO 2í 

- 1 • ■- ■' I ^'js, e Xoliriosos da provinda de 

/'.vi/rt. coino «affluente da marí-eiii 

i-:.'iM <le Capirary>, n3o exisif ; ou, 

■ 'iiente, é o primeiro, porque na- 

j'j I <ij)iica pertencia ao terrilorio Uo 

1 ; i|iio de Itapetininga, e quasi pa- 

': :io rio Qitarehy corre o ribeirão 

I <i'-\j, aRluente do riu Santa íijna- 

i ■ lii margem esquerda. Houve, pois, 

il)tlidl eiplicftr a razão do oonie 
'(lí» Grande; mas, com certeza, é 
i: ij i;;lo do nome lupi : tanto mais 
■vi'1 slo quasi córregos, e, pois, o nome 
ti.íu í-ftrrespoude ao logar denominado. 
Tt-iilii) para mira que, posia á margem 
a jialjvra Ribeirão, aõ se refere á pa- 
lii-. r,i 'íí-n)jrfe a corrnpçílo: (Jiiâ-ne, «ve- 
Imulaúe, eieessiva correuteza» : de ãiiuâ. 
«coner>, formando o infinitivo (/í(á, sem 
'Tiio. lie (breve), adverbio affirmativo, 
\:\\;% exprimir excesso ou superlativo. Com 
etfeito, tanto um como outro, nascem 
111) serras altíssimas, ou em altitude sii- 
lerior a 800 metros; e datii descem em 
declive muito pronunciado, com cachoei- 
ras, saltos e cascatas. 

Ribeirão Preto.— Cidade; em certo 
tempo, seu nome foi Enlre-Rios. 
(Vide u nome Preto). 

Rifaina.— PoToaçao-freguezia, uo mu- 
nicipío de Santa Rita do Pitraizo. 

Bifaínn, corrupção de Iti-jiiá-Haí, < por- 
D do caniinlio do rio>. De et, <rio>, 
fiâ, «caminho», iuâ, <porto>. 

Allusivú a ser alii um porto no Rio 
Oramle, ou Pnrnná 

Os que ignoruvain a lirigua tupi, des- 
wnbecendo também por isso a corrup- 
{So do nome, diziam 'Porto da Kífiiina), 
eomo se em Hifaina já não estivesse 
inclTudo fíai, «purtoi. 

A palavra fint é pronunciada corrida 
I breve, porque o accento predominante 
está em piâ. 

Rio Bonito.— E' a antiga Capella de 
U. y. da Piedade de Samninliãm. H-jjl' 
Vílta. 

Qtmntu ao nome Bonito, é du nboiíào. 
YiClià» « oom» Hcmiie). 



3 RIO 

Rio Claro (S. João do).— Cidade. 

liatíinte ti kilomiílros, mais ou menos, 
da margem tlireita do nbeirSo Ckiro, 
aflluente do rio Conint/atcliy. 
(Vide o nomo Clnro). 

Rio Doce.— (Vide o nome Doce). 

Rio do Peixe. — Aftluente do rio 
Mogy-gtMssv, |iela margem esquerda: 
nos municípios de Soccnrro. de Serra 
Negr», de Mogy-mirini e de Iiapyra 
(outrora Penha do Rio do Peixe), A" 
gem esquerda deste Rio do Peixe 
está a cidade de Soccorro. 

(Vide o nome Itapyrá). 

Alllueute do Rio Pardo, pela margem 

querda: nos municípios de S. José do 
Rio Pardo, de Casa branca e de Ca- 
conde. A' margem rloste Rio do Peixe 
está a povoaçao-fregnczia de Espírita 
canto do Rio do Peixe. 

Aftluente do rio TipI^, pela margem 
esquerda: entre os inunicipios de Ta- 
tuhy e de Rio Bonito. liste Rio iionilo, 
que d)Í o nome á viUa, á sua margem 
"ireita, é uma lias cabeceiras deste Rio 
do Peixe; u oulra vem do morro Bofete. 

Afiluenle do rio Pamhijlinga, pela 
margem direita: enire os municípios de 
Giiaratinguetá, Lsgoinlia e Cunha, aos 
quaes serve de divisa. 

Aftluente do rio .lagiutrij, pela mar- 
gem esquerda; nos municipios de Pa- 
trocínio de Santa Izubel e de 6. José 
dos Campos. 

Este Rio do Peixe aHlúe no rio Ja- 
guanj só depois de formar o grande 
poço, conhecido pelo nome Poi;o de Ouro. 

Aftluente Ao no Atibaia, pela margem 
esquerda: no município de Ãtibaia. 

Vê-se bem que estes Rio do Peixe 
são Pi-iA-i; nome este traduzido na- 
queile, como se se tratasse de pirá. O 
nome venladeíro /*i-íá-í signiHca «fundo 
desigual, perseverantemente». De pi, 
centro, fundot, rá. «desigual, nilo ni- 
velado», (', pospof^içAo de perseverança. 

Allusivo a terem cachoeiras, ou sultus, 
ou poços, formando leito desnivelado. 

Nem o indigenn, tJn sahia nas iaaft- 
niinaijíies, 4«\o. PixàrV; -^ 



RIO 



RIO 



a) Porque rio do peixe,' applioado a 
rioB. ribeirões e córregos, é nm nilo 
senso : e, se algum ha sem peixe, é ox- 
cepçSo rara que o indígena assignalaría 
oomo tal. 

b) Porque, quando por excepção á 
regra da anteposíç&o, ou por necessidade 
da composição da palavra, o indígena 
reíere-se á «agua» ou a «rio», não diz /, 
mas ri, salvo quando já existe r linal 
na palavra anterior que entra na for- 
mação do nome: em geral, o í. signifi- 
cando <agua, ou rio>, é anteposto, a 
não ser que sirva de nominativo, pre- 
cedido, conforme a natureza da língua 
tupi, do genitivo, oii pela já referida 
rara excepção; e, nestes casos, é sempre 
ri, como acima ficou dito. 

No nome líapt/ra foi isso amplamente 
discutido e explicado; e, pois, nilo ha 
necessidade de repetir o que alli foi 
escripio. 

{Vide o nomn Itapijra). 

Rio Feio.— Aftlu ente do Rio do Pcixp.. 
pela margem direita: no município de 
Tatnhy, 

Rio Feio, Gorrupçilo de Ri^e^, =sem 
agua». De ri, «agua», e'j, partícula de 
negação. 

Ãllusivo a seccarem suas poucas aguas 
turvas, quando ha falta de chuva. 

E' um pequeno córrego. 

A povoação, que ahi existe, e era a 
Capella de Santo António do Rio Feio. 
í hoje a freguezia de Santo António da 
Boa Vista. 

(Vide o nome Sa>ilo António da Boa 
Vista). 

Rio Fundo (do).— Cachoeira grande, 
no rio Paranapaiienia, abaixo da barra 
do rio Cinxiis. 

1)0 Rio Fundo, corrupção de Ndúrii- 
yi-nd-ú, *resvaljideiro, concavidades, e 
estrondo>. De jirfiíríi, «estrondo, estré- 
pito*, ^I, «concavidade, abertura, seio, 
õco>, nd, intercalação nasal. //, «resva- 
lar, descer em forte declive». E' um 
nome inteiramente de som guttural; 
por diffícH, produziu a corrupçSo Do 



Ãllusivo a descerem as aguaa 
muita velocidade, por entre ilbotssi 
baixios, de encontro aos diques graoM 
cos, formando grande estroodo, 

Ahi o rio se alarga até 500 metr 

lis ou menos; e, porque o lcit'j é o 
cupado por ilhotas, as aguas impciao-l 
38S cavam fundo, forniando púçoi^ oi\Í«M 
volvera-se em rodonioinhos. São de iro-I 
possível pratica, por muito encachoeirti 
dos os canaes formados pelas ilhotas. 

Esta cachoeira tem a e.ttensSo de maif \ 
de cinco kiiomelros. 

Rio Grande.— E' o mesmo I\iraui, 
ité a confluência do rio Paraiiakgba. 

(A'ide o nome Paraná). 

E' o mesmo Jurúbatúba e Pinkeirat, 
até á confluência do Rio Pequeno: no 
município du S. Bernardo. 

(Vide os nomes Jurúbatúba e /V- 
nkciros). 

E' nome porluguez. 

Affluente do rio TicU-, pela margem 

querda: no município de Boluc«tú. 

Affluente do rio Parahyba, pela mu- 
gem esquerda: no município de Pmila* 
monliangaba. 

Este c também conhecido pelo nome 
Ribeirão Grande. 

Creio que estes dous ultímot; sfio (tnuito 
correntes»: por isso, Quà-ne. 

Rio Negro. — AITluente do ríbníit 
Lourenço I 'elho, pela margem esquerda: 
no município de ParabybuDa. 

O nome é Negro, corruptela de A<- 
ciíí, «successivas quedas». De m. «I* 
veriúo aflirmativo, exprimindo c.\ce£s« B 
superlativo, cuí, «cahir». Os adverbias 
podem ser antepostos ou pospostos. 

Ãllusivo a descer da aitissíma sem 
maritima em leíto muilo íngreme, e de 
queda em quéda. 

Nâo se trata, portanto, de affua ihjw- 

Rio Novo.— Villa, situad* sobr» * 

serra Botm-alú. 

(Vide o nome seguinte). 
Foi recentemente elevada á údi>U> 
com o nome Avarê. 
\ t^\à% o utima AumrtV - ^m 



RIO 



22Õ 



RIO 



í 



Novo.— Affluente do Rio Pardo, 
pela margem esquerda: do muDicipio de 
Rio Novo. A alguns kilometros da mar- 
gem esquerda deste ribeirão no alto da 
chapada, está a villa Rio Novo, hoje ci- 
dade Avaré. 

Affluente do rio Paranapanema, pela 
margem direita: no município de Cam- 
pos Novos de Paranapanema. Desagua 
acima do Salto O r ande. A' margem es- 
querda deste rio está a villa de S. José 
de Campos Novos. 

O nome Novo, que tra/em, não só o 
ribeirão como também o rio, é corrup- 
ção de Nho-yi, «concavidades». De nko, 
reciproco, para exprimir plural, e com- 
municaçAo de uns com outros, yi, «con- 
cavidade, abertura, seio, sacco, õcu». O 
S(im de yi é guttural. 

Allusivo a formarem as aguas, no leito, 
cavidades mais ou menos fundas; por 
correrem sobre terreno frouxo e arenoso 
alternando com o que apresenta diques 
de rocha eruptiva e schistos argíllosos. 

A explicação de que o nome Novo ex- 
prime descoberta de taes cursos d'agua 
não satisfaz, nem se ajusta aos factos; 
porque esses sertões, embora ainda oc- 
cupados por indigenas, uão eram des- 
conhecidos. 

O ribeirão é de pequena importância. 
O rio, porém, merece especial menç5o; 
porque naquellas regiões, é o mais veloz 
no curso. Nasce na serra Agudos, em 
altitude superior a 650 metros; e, cal- 
culado o seu curso em linha rccia, desce 
seis metros por kilometro. 

Rio Pardo. —(Vide o nome Pardo). 

Rio Pequeno.— E' o mesmo Juru- 
batuba e Pinheiros, até a confluência 
do Rio Qrande: no município de S. 
Bernardo. 

Isto é, o Rio Pequeno e o Rio Grande^ 
confluindo; formam o Jurubatúha, que, 
depois, toma o nome Pinheiros. 

(Vide os nomes Rio Grande, Jumba- 
iliba e Pinheiros). 

Bio Pequeno, assim como Rio Grande, 
6 denominação portugueza. 
ijão pequenos ribeirões. 



Rio Preto.— (Vide o nome Preto). 

Ha a povoaçSo-frcguezia de S. José 
do Rio Preto, no município de Jaboti- 
cabal. 

Rio Verde. — Affluente do rio Itararé, 
pela margem direita: no municipio de 
S. João Baptista do Rio Verde. 

Affluente do Rio Pardo, pela margem 
esquerda: no municipio de S. João da 
Boa Vista. 

Rio que nasce dos morros Juréa, e 
desagua no oceano: no municipio de 
Iguape. 

Cabeceira do rio Assunguy: no mu- 
nicipio de Iguape. 

O nome é simplesmente Verde. 

Verde, corrupção de Y-yê-yt, «o que 
se concava». De y, que, por se tratar 
de um verbo apassivado, corresponde a 
«o que é», yé, aqui empregado, não 
como precisamente reciproco, mas como 
pasvsivo, segundo a lição do padre A. R. 
DE MoNTOYA. cui sua Arte de la lengua 
guarani, exprimindo ao mesmo tempo 
a acção da cousa sobre si mesma, yí, 
«Concavar, fazer ôco, abertura natural, 
seio». O som guttural de yi torna dif- 
ficil a pronuncia do nome: os portu- 
guezes entenderam que era Verde, Mais 
ou menos o som é Jé-tiií; pronunciada 
breve e corrida a ultima palavra. 

Allusivo a concavidades no leito ; pas- 
sando, algumas vezes, as aguas por baixo 
de pedras. 

O affluente do rio Itararé corre em 
uma região, cuja formação geológica é 
de camadas horisontaes; e corta-a pro- 
fundamente, ao mesmo tempo que, quando 
encontra alguma resistência, desapparece 
sob o solo para surgir mais adiante, for- 
mando pontes naturaes. Este phenomeno 
é .observado na cabeceira do ribeirão ; 
coincidindo com o rio Itararé, cujo nome 
corresponde ao facto. Acima de sua foz, 
o Rio Verde forma uma linda cascata, 
e immediatamente um salto, cuja altura 
de alguns metros o torna imponente. 
Entre este Rio Verde e o rio Itarari^j 
ha grutas ; e mesmo pruximo á villa, na 
distancia ía xxm \íÂ\^^^iVí^»t^i^ V^ ^^^saa. ^a^^ 



RIO 



22G 



RON 



é notabilissima por sna profandidade e 
pela agna crjstalIÍDa que verte em funte. 
O affluente do Rio Pardo desce en- 
cachoeirado a serra, abrindo passagem 
por meio de rochas e fragas, sob muitas 
das quaes escõa-se, aqui e alli. 

O rio, que nasce dos morros Juréa, 
mostra também o mesmo phenomeno, 
' escôando-se suas aguas encachoeiradas 
por baixa de rochedoB, que sfto como 
pontes naturaed, O conselheiro Martiu 
Francisco Ribeiro de Andrada, em 
sea Diário de uma viagem mineraló- 
gica pela provinda de S. Paulo no armo 
de 1805, referindo~se a este Rio Verde, 
escreveu : * . . . para a parte do rio Verde, 
que fica ao norte da Juréa nas faldas 
lateraes d'elle, a pasta do porfido parece 
ser srgillosa, como o indica a natureza 
fissU dos scbístoa que D'elle se observa 
estas massaa porfidicas sfio cortadas poi 
veios de quartzo branco em diversas 
direcções. Descido o morro, fui examinar 
o rio Verde, onde vi e colhi algumas 
granadas vermelhas, qne os naturaes 
chamam nibins, as quaes se achavam 
nas itaípavas entre a arSa : a formação 
podinguica d'eBtas itaipavas promette 
ouro com conta». Portanto, aluda é a 
formação geológica do terreno, sobre a 
qual corre este Rio Verde, que obriga 
as aguas a formarem concavidades e a 
fazerem ôco. 

A cabeceira do rio Asaunguy está 
DO mesmo caso. Também a formação 
geológica da região, em que nasce e 
corre, é cansa do phenomeno de passa- i 
rem suas aguas sob rochedos, sumindo-se 
para reapparecerem além. Tanto este ; 
Rio Veide, como o Corujas, affluentes 
do rio Asminguy, manifestam a mesma 
particularidade; e até o próprio Assun- 

(Vide os nomes Corujas e Assungny). 

Todos estes Rio Verde tem cachoei- 
ras e saltos. E de verde nada têm, a 
nãu serem as mattas marginaes, aliás 
n;io uiuiti) bastas. 

Rio ^erme/ho.— Aftluente do rio 



Affluente do Rio Verde, pela margem 
esquerda: no município do Bio Verde. 
Affluente do rio Piroupara, pela mar- 
gem direita: no municipio de Iguape. 
O nome é Vermelho. 
Vermelho, corrupção de Yê-mUiêrè, 
<o que se derramai. De yê, reciproco, 
para a acção da cousa sobre si mesma, 
e ao mesmo tempo servindo para apas- 
sivar o verbo mbiiêrè, tderramar», tendo 
por contracção em pronuncia corrida o 
som de m"'êrè. 

Allusivo a derramarem-se, quando, no 
tempo de chuva, crescem e enchem, até 
o ponto de transbordarem as aguas re- 
cebidas. 

Fora do tempo chuvoso, sfio ribeirões 
de pouca profundidade. 

A cOr vermelha resulta da passagem 
das aguas, ao descerem os montes, por 
terreno dessa côr. O dr. FrakciscO 
José DE Lacerda e Almeida, no seu 
Diário de vingeni nos annos de 1780 
\a 1790, attrihuindo o nome a essa cflr 
da agua, diz: »As nguas do Rio Ver- 
melho, assim chamado porque as suas 
ciibeceiraa estão em um monte de ocre 
rcnnelho, que do Rio Pardo se vê, to- 
mam tanto esta cór, que não diSerem 
do sangue*. Não é impossível; e, mesmo, 
creio que isso teria facilitado a corrap- 
çSo do nome tupi. 

O afflnente do Piroupara é, além de 
tudo, cheio de capim no leito. 



Ronco. — Affluente do rio Parahyba, 
pela margem esquerda: no municipio de 
Lorena. 

Roíico, corruptela de H-ang-ca, *im- 
j'edido>. De h, relativo, substituindo o 
n de nong, «impedir>, com ca (breve), 
para formar supino. O som do A é as- 
pirado. 

Allusivo a ter mais baixa a sna iàt 
do que o nivel das aguas do rio í\ifr- 
hyba, no tempo das chuvas. As aeuis 
do ribeirão refluem, e produzem ala- 
gamentos e banhndds. 
10 i 5ot Aftàcw di serra Mantiqueira con 
lòrak^lia, pela margem direita: no mvi-\íraç,ot 4íi% a%\i»a «áo^ç. wt "ÇRà.T'*a,,W- 
ajcjpio de Âráas. \inou-se «àsa. ii«tia'í\íiVi- 



ROS 



227 



RUB 



Rosário. — Affluente do Rio Xovo, 
pela margem direita: entre os municí- 
pios de Santa Cruz do Rio Pardo e de 
Santa Barbara do Rio Pardo. 

Rosário j corrupção de Fo-fdl-rd, «es- 
parzido». De yo, reciproco, para expri- 
mir as duas margens, çái, «esparzir, es- 
palhar, estender», rò, particula para ex- 
primir o modo de ser ou de estar. 

Allusivo a alagar -se. 

Roseira.— Parte do rio Aptahif-guas- 
sú, antes de tomar este nome. 

(Vide o nome Apiaky). 

Roseira^ corrupção de Ri-yêrè^ «ro- 
domoínhos». De W, «agua», yerè. «volt*, 
torvellinho». E' pronunciado Iti-jérè, dan- 
do a n som guitural. 

Allusivo a fazer muitos rodomoinhos, 
por causa das concavidades no leito, 
provenientes da formação geológica dessa 
região. 

Com o nome Roseira ha uma pe- 
quena povoação no municipio de Uua- 
ratinguetá. 

Sem duvida o rio Parahyba^ nessa 
partO; entre os municípios de Piudamo- 
nhangaba e de Guaratinguetá, faz mui- 
tos rodomoinhos. E dahi o nome para 
esse povoado. 



Rubuquára.— Logar notável, á mar- 
gem esquerda do rio Ribeira de Iguape: 
no municipio de Iporanga. 

Rubuquára^ corruptela de Robiâ" 
quâr-a, «buraco de respeito». De roWÔ, 
«respeito, veneração, obediência, honra, 
estima, credito, confiança, fixidez, tena- 
cidade, autoridade», quâr^ «buraco, fojo, 
poço», com o accrescimo do a (breve), 
por acabar em consoante. 

Allusivo a uma semelhança de nicho 
que se vê no alto do paredão, que forma 
a barranca elevada e a pique, da refe- 
rida margem esquerda. 

Fé ou simples crendice^ o certo é que 
os que por alli passam em canoas ou 
embarcações de qualquer espécie, des- 
cobrem a cabeça em signal de respeito. 

Entre este logar e a corredeira Pyryri- 
ca, está o morro que sofire annualmente 
combustão natural: vinte kiiometros, mais 
ou menos, abaixo da villa Iporanga. Em 
1847, desciam do alto do morro verda- 
deiras lavas, pois que era um liquido, 
resultado da combustão. 

E' toda essa uma região notabilissíma 
pela superabundante o variada riqueza 
mineral. 



s 



Sabão. — Morro, no município da 
Conceição dos Guarulhos. 

Sabão, corruptela de (Jíô-rfo, «pellado». 
(Vide o nome Saboó). 

Sabaúma. — Âffluente do ribeirão 
Guararema^ pela margem esquerda: no 
municipio de Mogy das Cruzes. 

Rio que nasce no morro Sabaúma e 
desagua no Mar Pequeno: entre os mu- 
nicípios de Iguape e de Cananéa, aos 
quaes serve de divisa. 

Sabaúma^ corruptela de Çab-a-húú- 
m-a, «desatado e lodoso». De çáb^ o 
mesmo que rãb^ «desatar», com o ac- 
crescimo de a (breve), por acabar em 
consoante, kúúm, «ter lodo, atolar, borra, 
fezes, detritos^ etc.», com o accrescimo 
de a (breve), por acabar em consoante. 

Isto quanto aos dous pequenos rios 
Sabaúma. 

Âllusivo a se alagarem nas margens, 
6 a terem lodoso e atoladiço o leito. 

Quanto ao morro, Sabaúma é corrup- 
tela de Çkb-ó-húú-m-a, «pellado e lo- 
doso». De çab, o mesmo que hab, «pello, 
penna, cabello», óg, «tirar, arrancar», 
Mú-m, «ter lodo, atolar», borra, fezes, 
detritos, etc», com o accrescimo de a 
(breve), por acabar em consoante. 

Âllusivo a não ter na parte superior 
vegetação alguma, com as encostas co- 
bertas de lodo ou limo. 

A razão por que, em vez de rdô, é 
páà. quanto ao nome dos pequenos rios, 
osta na roy;ra í^iaiijuiatical que o r m\- 



cial de qualquer verbo, tendo de ser 
precedido do relativo competente, que é 
Â, é eliminado, fazendo háb; e, soando 
ç o h aspirado, forma çáb. 

 ultima parte desta explicação serve 
também para a do nome do morro, cujo 
háb foi substituído por çáb. A este çáb, 
ou Mb, é accrescentado a (breve), por 
acabar em consoante. 

Sabaú na.— Cachoeira, no rio Tieii, 
abaixo da cidade de Porto Feliz. 

Sabaúna, corruptela de H-âb-át-u-^ia, 
«gretado, não liso, revolto». De A, rela- 
tivo, que corresponde ao verbo yâb^ «gre- 
tar, rachar, abrir-se naturalmente», ái, 
«não liso, desigual», ti, o mesmo que 
hu, «revolver», com o sufBxo na (breve), 
para formar supino. 

O h aspirado tem o som de ç. 

Âllusivo a existir no leito, nesse logar, 
gretas e buracos, pontas e arrecifes, ro- 
domoinhos feitos pelas aguas por causa 
daquellas gretas. 

Saboó. — Morro granítico, no maui- 
cipio de S. Roque. Altitude superior a 
mil metros. 

Morro granitico, no municipio de Santos. 

Morro, no municipio de Conceição dos 
Guarulhos. E' conhecido por Sabão. 

Em geral, o nome Morro Pellado in- 
dica traducção de Saboó. 

Saboó^ corruptela de Çáb^Og^ cpel- 



SAL 



háb, «pello, cabello, petina», óg, 

m.T, arrancar», [ircceditio de o, como 

nproco, para exprimir que é aci;ão da 

1 eii) si meania, e não porque a xc- 

_ tl^ tenha eido arrancada artificial- 

■ttte on por mão lio homem. 

Com o nome Morro Pellado. certa- 
Qienle traducção de çáb-oág, ha os se- 
;utntes, na província de S. Paulo : 
Morro Pellado, donde nasce o ribeirão 
ricandúra: entre as freguezias de S. 
íemardo (hoje villa) e de N. ^^. da 
fesba de Fiança. 

Morro PdUido. no logar Louieira: 
Buo municipin de Jundialiy. 

Morro Pelhio. na fregiiezia de Ita- 
I mimicipio de tí. Joilo do Hio 

^'oQtros. 

Saboó. — Rio rjiie desagua no mar: 
I municipio de tantos. 

Sahy.— Rio i^ue nasce na serra ma- 
rilima, e desagua nu occatiu: servo de 
ãima aos municípios de Hantos e de 
B. Sebssuilo. 

Sahy, corruptela de (>íí-í, iperseve- 
iSDlemente esparzido». De çái, cespar- 
" ■», i, posposjçâo de perseverança. 

Allusivo a alagar as margens, desde 
que começa a correr na várzea. 

Saltador.— Afflueute do ribeirão iía- 
bttaes, pela margom es()uei'da: no mu- 
nicipio de Balataes. 

E' ara pequeno córrego, que desagua 
no ribeirão Praia: mas é tido como af- 
fluente do ríbeirSo fíatataes. por dize- 
rem qne o Prata, quando o recebe, deixa 
do ser Prata para sar Saltador. 

Por isso, o conservo coiuo aflluento do 
ribeirSo Baialaes; e lambem o Praia, 
.que é o verdadeiro aflUiente. 

Por condlia<;ào, deixo-os reunidos fá- 
indo uma barra única no ribeirão lia- 
íaiaes. 

Tem cachoeiras, saltos e corredeiras. 

Saltinho.— Cachoeira, no rio Para- 

mtipanciin, nb:iÍ?:o di fóz do ribeirão 



Embora diminutivo o nome portugnez 
Siillinho, ó certo rjue 6 uma cachoeira 
dílticil, por formar o rio uma esquina. 

Salto.— Affluente do rio Parahyba, 
pela margem direita: no muaicipjo de 
Queluz. 

E' denominação portuguesa: o nome 
tujii desappareceu ; e ficou talvez a tra- 
ducção, por causa de um salto nesse 
ribcitâo. 

Salto do Itú. — Povoaçao-freguezia, 

no municipio de Itú. 
(Vide o nome Itú). 

Salto Grande.— Salto, ao rio Pa- 
ranapai tenta, seis kilometros abaixo da 
barra do Rio Pardo. 

E' também conhecido pelo nome Dou- 
rados. 

(Vide o nome Dourados). 

Samambaia.— Murros : 

No município de S. Paulo (freguezia 
de N. y. do O'). 

No municipio de Rio Bonito. 

No municipio de Campinas. 

Entre os municipios de Monte-mór e 
de Capivary. 

Entre os municípios de Itapéva da 
Faxina e de Iporanga. 

Entre os municípios de Jambeiro e 
de Parahybuna. 

Entre os municípios de Santa Izabel 
e de Patrocínio. 

E outros. 

Samambaia, corruptela de çâi-m-ã- 
tith-ái, *altos e baixos, empinado e es- 
tendido». De t'«í, «estender, esparzir», 
m, intercalação por ficar ferido do som 
naí^al o verbo çái, por causa de à, cem- 
piuar», mb, íntercala^'!lo nasal, ííi, «altos 
e baí.Kos». 

Allusivo a formarem collina extensa 
em di^clíve, com fragas e salieucias. 

O indígena, fazendo o costumado jogo 
linguístico, assim denominou essfs mor- 
ros, por vel-os cobertos do feto- macho, 
conhecido pelo nome tupi çá-amambái; 
de snrte que, danfli^ «ot TWftwí. ■ws^s^^ 
com soía \4euNÃca om. '^'ws». 'v^a-síiK.^ ■»! 



SAN 



230 



SAN 



do feto, mas com significados diversos, 
assignalou ao mesmo tempo & forma 
physiea delles e a existência natural da- 
gueile feto nas encostas. Este feto do 
firazil é uma pequenina arvore sem ga- 
lhos; njlo podendo ser considerados taes 
as delgadas hastes, ás quaes estão pre- 
sas as pequeninas fulhas: por isso, o 
nome começa por çâ. O padro A. R. 
DE MoNTOYA, no seu Tesoro de la leu- 
gua guarany, escreveu apenas umaiti-bãi. 

SanfAnna.— Morro, entre os muni- 
cípios de Arêas e de S. José do Bar- 
reiro. 

Deste morro nasce um ribeirão Satif 
Antia, afiluente do rio rarahybu, pela 
margem direita: no municipto de Arêas. 

Affluente do rio Jaguary-miiim, pela 
margem direita: no municipio de Casa 
Branca. Tem uma cachoeira notabilie- 
siuia. E' conbeeido por SanVAnna da 
Hvrra. 

Afiluente no Rio Fardo, pela margem 
direita: no municipio de Batataes. 

A denominação é religiosa; talvez por 
eiistireui nesses loj^ares capellas com 
essa invocação. 

Sanf Annafdos Olhos dAgua).— 

PovoaçSo-freguezia, do iiiimÍL-jpiu tiv- Ba- 
tataes. 

Esta povoação também é conhecida 
por SanfAnna do Sen-ado; e com este 
nome foi instituida capella. 

Santa Barbara.— Affluente do rio 

Paraiiayanenia. pela margem direita: 
entre os municípios de Santa Barbara 
do Rio Pardo e do Rio Novo. 

Afluente do Itio Pardo, pela margem 
direita: no municipio de Batataes. 

Affluente do rio Sapucahy, jiela mar- 
gem direita: no municipio de Patrocinio 
de Sapucahj. 

Affluente do Rio do Pfize, \>qí& mar- 
gem direita : no municipio do S. José 
dos Campos. 

E' denominaçiio religiosa. 

Santa Sarbara-— Villa, distante a.\- 



de ferro Paulista (entre Campinas < 

meira). 

Neste municipio, ha uma extensa gd 
cuja altura é de mais de oito meti 
E' no sopÓ de um monte: e da | 
deste monte precipitam-se na gruta ( 
egos. com grande fragor, revoli^ 
do-se as aguas em rodomoinbo oaa g 
des bacias de pedra que ellas propí 
têm cavado na rooha, para derramarem-B 
e seguirem além. de queda pin qoéd^ 

E' um líndissimo quadro d:i nalurcutl 
esse que oiferece a gruta. 

Santa Barbara de Macahubas- 

E' lioje a Tilla Pntrocinio (íe Sapucaluj.{*) 



> da Ottliiçtlo tltt e&traiVa\^\\%nv\Q vcu\ o i 



Santa Barbara do Rio Parda— 

Villa. ás margens do llio Pardo, afflnenls 
do rio Paranapauema. 

Quando ainda freguezia, a sede era . 
na povoação <S'. Domingos, á margem | 
direita do rio Turvo. 1 

Santa Branca.— Villa, i mtrpa * 
esquerda do rio Parabifba: distante dl ■ 
cidade de Jacarehy pouco msis de U ' 

kilometros. 

Santa Cruz.— Innumeros logares na , 
província de S. Paulo : patenteando o 
espirito religioso da população. 

E é rara a cidade, villa, ou povoaçitt. i 
que não teuha nos subúrbios uma pe- 
quena capella dedicada á Santa CnX. | 

Santa Cruz do Rio Pardo.— VU 

á marinem direita do ribeirão >!). i 
gon, affluente do Rio Pardo, 
tluente do rio Paranapanenia .• pfllci 

gem direita. 

Santa Izabet.- Vdia, á margenl 
reita do ribeirilo Araraqmira, afllog 
do rio Jagtiary-mirim, pela marg 
reita. 

(\'ide os nomes Araraquara, Jag^ 
e Mandiú). 

Santa Rita do Paraisa— Vi^ 

mat^ftíH eí,(\tteT(la. do rio I^raná, i 



SAN 



231 



SAN 



Santa Rita de Passa Quatro.— 

Villa, no alto da serra Passa Quatro. 
(Vide o nome Passa Quatro). 

Santo Agostinho. — Affluente do 

rio Atibaia^ pela margem direita: entre 
os municípios de Atibaia, de Itatiba e 
de Bragança. 

E' denominação religiosa. 

Santo Amaro.— Villa, que teve ori- 
gem em uma aldêa, cujo nome era Ibirá- 
puêra, €páu podre». E' á margem di- 
reita do rio Pinheiros, que é o mesmo 
rio Jurubatúba antes da affluencia do 
rio Mboy^guassú. E', portanto, erro o 
que outros escreveram, dizendo estar 
situada á margem direita do rio Oeri' 
baiyba. 

E' uma das povoações mais antigas 
da provinda de S. Paulo: 1560. 

Santo André.— Villa, fundada por 
João Ramalho; e creada em 1553 pelo 
capitão-mór, que então governava a ca- 
pitania de S. Vicente. 

Era á margem direita do ribeirão 
Ouapituba. 

(Vide o nome Ouapituba). 

Foi demolida, a fim de não prejudi- 
car a nova villa de S. Paulo: 1560. 

Foi esta uma luta fortissima entre 
João Ramalho e os padres da Companhia 
de Jesus. Mas, afinal triumphou a ver- 
dadeira conveniência publica, por ordem 
do então governador Mem de Sá. 

Santo António. -Affluente do rio 
Mogy-mirim, pela margem esquerda: no 
munícipio de Mogy-mirim. 

AfiSuente do rio Parahybuna, pela 
margem esquerda : ^no município de Pa- 
rahybuna. 

E* denominação religiosa ; sem duvida 
por devoção dos donos do logar. 



Cruz tem a forma de um cuscuzeiro, e 
dahi o nome, é simplesmente um dis- 
parate. 
(Vide o nome Ouscuxeiró), 

Santo António da Boa Vista.— 

Povoação-freguezia, no municipio de Ta- 
tuhy. 

E' a antiga Gapella de Sapito Antó- 
nio do Rio. Feio. 

(Vide o nome Rio Feio). 

Santo António da Cachoeira— 

CidadOf á margem esquerda do ribeirão 
Cachoeira, affluente do rio Atibaia, pela 
margem direita. 
(Vide o nome Cachoeira). 

Próximo a esta cidade, o ribeirão 
mostra uma cachoeira, composta de gran- 
des blocos de rocha, sobre e de encon- 
tro aos quaes as aguas arremeçam-se 
com enorme fragor, e deslisam-se depois 
formando espuma em grande extensão. 

Este mesmo rio, á distancia de 26 
kilometros acima da cidade, tem um 
salto, de alguns metros de altura. Tam- 
bém o fragor das aguas ahi é enorme. 

Santo António da Rifaína.— Po- 
voação-freguezia, no municipio de Santa 
Rita do Paraizo. 

(Vide o nome Rifaína). 

Santo Estavam.— Cachoeira, no Rio 
Orande, ou Para7iá. 

Santo Estevam, corrupção de Hatã- 
éteí, «muito rija». De hatã, «duro^ forte, 
rijo, teso», sendo que o h, como rela- 
tivo, substituiu o ^ de tatd, soando ç, 
por ser aspirado, étã, para exprimir su- 
perlativo. 

AUusivo a ser uma cachoeira formada 
de rochedos e lages, com diques, e canal 
sinuoso, pelo qual precipitam-se as aguas 
revoltas. 



Santo Ignacio.— Affluente do rio Pa- 

ranapanema, pela margem direita: no 
municipio do Rio Bonito. 
Ha outro affluente do meç^Kxva ^\ss Pa- 



Santo António da Alegria.— Po- 
voação-freguezia, no municipio de Ca- 

jurú. 

Era a antiga capella do Cuscuzeiro. 

A explicação de que o monte sobre \ ranapaneinu, ^^^ x^^^^^^ks. ^'^^^^^^A^- 

o qual foi edifícadã a capella de Santa \zen4o baxtíi tvo^ Rapxd»^ ^e, ^a^x\.^ v^tx».- 



sAo 



232 



SAO 



do; mas pertence á provinda de Pa- 
raná. 

Santo Igiiaeio, corrupção de Il-a-ty- 
n-ákocè, «atado altíssimo». De A, rela- 
tivoy com o accrescimo de a (breve), 
para ligar as duas consoantes, iy, «ata- 
do», n, intercalaçfto nasal^ áhoâ, «so- 
brepujar. 

AUusivo a correr entre paredões al- 
tíssimos. 

O h aspirado sôa (;/ e o a (breve), 
que o accrescenta, é ferido de nasalisa- 
ção, porque ty é nasal-guttural. 

Santos.— Principal porto da provín- 
cia de S. Paulo ; e grande cidade com- 
mercíal. 

E' na ilha Guaiahó, cognominada pelos 
conquistadores — S. Vicente. 

Nenhuma veracidade tem o asserto 
de frei Oaspar da Madre de Deus, 
nas Memorias para a historia da Ca- 
pitania de S. Vicente, — de que o nome 
tupi da ilha era Engaguassú, Este nome 
era o da barra-grande: Hè-u-guâá-giiaçúj 
«enseada maior da sabida». 

(Vide o nome Engaguassú), 

Ha outra sabida, que é o canal Ber- 
tioga, 

(Vide o nome Bertioga). 

São Bartholomeu.— Cachoeira, no 

rio Mogy-guassú, logo abaixo da fóz do 
Rio Pardo. 

Sua extensão é de 600 metros, mais 
ou menos. 

São BartholomeUj corrupção de Çã- 
mbái-ta-rõ-yn-eit^ «estirado em forte de- 
clive, com muitas ondulações». De çã^ 
«ser estirado, corda», mbái o mesmo 
que pái^ «dependurar», mudado o p em 
ml) por causa do som nasal da palavra 
anterior, e levado ao supino pela partí- 
cula ta (breve), r^, «revolver-se», w, in- 
tercalação nasal, para ligar rõ a m, 
«muitos». 

Âllusivo a que, sendo ahi apertado o 

rio entre rochas e penhascos, as aguas 

dependaram-se estiradas, e revoltas em 

ondas por effeito de vertiginosa ve\oc\- 

dade. 



São Bartholomeu.— Affluente do 

rio Paranapanema, pela margem direita: 
no niunicipio de Rio Novo. 

São Bartholomeu, corrupção Y-ã-mbae- 
torè-m-eii, «empinado, e muitas tortuosi- 
dades». De y, relativo, a, «empinado», 
formantio participio com a partícula bae 
(breve), iore^ «tortuosidade», wi, inter- 
calação nasal para ligar torê a eit, «moi- 
tas». 

Âllusivo a ter íngreme o leito, e a 
fazer innumeras turtuosidades e voltas. 

Com effeito, depois de nascer com 
duas cabeceiras, faz um semí-circulo de 
oeste para sudeste; e dahi desce em 
forte declive, com muitas sinuosidades, 
até desaguar no rio Paranapanema. 

Acreditei, ao principio, que era uma 
denominação religiosa: tanto mais que 
a estrada da vilia de Rio Novo á de 
S. Sebastião de Tijuco Preto faz escala 
por um pequeno povoado, que tem o 
nome São Bartholomeu: mas esta invo- 
cação teve por motivo o nome corrupto 
do ribeirão, e assim tem permanecido. 

Em tode o caso, o nome tupi do ri- 
beirão coincide com a corrupção indi- 
cada. 

São Bento. —Morro, no município 
de Apiahy. 

Parece denominação religiosa dada pe- 
los antigos exploradores do ouro. 

São Bento de Araraquara.— Ci- 
dade. 

(Vide o nome Araraquara). 



São Bento de Sapucahy- mirim. 

— Villa, á margem direita do ribeirão 
Sapucahy-mirim, que tem apenas na 
província de S. Paulo as cabeceiras, e 
corre na província ãe Minas Geraes. 

No município desta villa é que existe 
a pedra denominada Bahá, na serra 
ManÉiqtieira. 

(Vide os nomes Bahú e Sapuctdiy). 



c 

\ 






São Bernardo.— Villa, distante da 
cidade de S. Paulo 19 kílometros, na 



SAO 



233 



SAO 



São Carlos.— 'Nome antigo da cí- 
(fade de Campinas, desde 1797. 

O logar já era Campinas; mas foi 
então mudado esse nome, para ser S. 
Carlos. 

A primitiva denominação, Campinas, 
foi-lhe restituída em 1842. 

(Vide o nome Campinas). 

São Carlos do Pinhal.— Cidade, 

á margem esquerda do ribeirão Monjo- 
linho. 

(Vide o nome Morijolinhó). 

E' denominação religiosa. 

São Domingos.— Antiga povoação- 
freguezia, á margem direita do rio Turvo: 
no municipio de Santa Barbara do Rio 
Pardo. 

E* denominação religiosa. 

São Francisco. --Bairro, no muni- 
cipio de S. betoastião: ao norte. 

Ha alli um convento, sob a invocação 
de N. S. do Amparo, quasi em ruinas. 
Fundado em 1659. 

São {Francisco. -Grande serra, en- 
tre os municipios de Piedade e de So- 
rocaba. 

São Francisco^ corrupção de Çà-çã- 
ci-ca, «cordilheira cortada». De p5, «cor- 
da», repetida para significar «cordilhei- 
ra», d^ «cortar», com o suflSxo ca (breve), 
para formar supino. 

Allusivo a ser talhada pelo rio Soro- 
caba, que a divide em duas partes, pas- 
sando entre estas, por uma abertura es- 
treita e profundíssima, na qual forma 
os saltos Piraiaráca^ Ituparanga e Vo- 
iurantim. 

(Vide os nomes Pirataráca^ Itupa- 
ranga e Voiuraniim). 

Não consta que esta extensa e pro- 
fundíssima garganta tenha sido obser- 
vada por homens da sciencia. 

E sel-o-ha algum dia? 

O facto de existir, na base da en- 
costa noroeste da serra, uma capella 
com a invocação de S. Francisco, não 



nome corrupto da mesma serra, algum 
devuto lembrára-se de erigir a S. Fran- 
cisco a referida capella. 

E coroo admittir em serra tão no- 
tável, a falta de denominação tupi? 

O indígena disse bem: Çã-çã-ci-ca. 

São Gonçalo.— Affluente do rio Pa- 

rahyba^ pela margem direita: no muni- 
cipio de Guaratinguetá. 
E' denominação religiosa. 

São João. — Rio, que desagua no 
canal Beriioga: no municipio de Santos. 

AfiQuente do rio Jaguary-mirim^ pela 
margem direita: no municipio de S. João 
da Boa Vista. 

Confluente do ribeirão S. Pedro, os 
quaes, reunidos, afflúem no rio Turvo, 
pela margem direita. 

A' sua margem direita está a villa 
de S. Pedro do Turvo. 

São João Baptista do Rio Verde. 

— Villa, á margem esquerda do Rio Verde. 
E' denominação religiosa. 

São João da Boa Vista.— Cidade, 

situada á margem direita do rio Jaguary- 
mirim, entre os ribeirões S. João e 
Praia. 

O nome antigo era S. João do Ja- 
guary. 

Dista dos Poços de Caldas 47 kilo- 
metros. 

São José. — Nomes de vários cór- 
regos e baixios. 
Denominação religiosa. 

São José do Barreiro.— Cidade, á 

margem esquerda do ribeirão Barreiro, 
afiQuente do rio Parahyba, pela margem 
direita. 

São José dos Campos.— Cidade, 
á margem direita do rio Parahyba; 
mas distante três kiloujetros. 

No porto daquelle rio, ha uma ca- 
pella da Santa Cruz. 



prova que dessa capeJIa tirasse a serrai E? a «ixíWçíi ^'^\a. ^^"$^."5^^^^ ^^n\^X 
o nome, porém que, em consequência ào\taY\jW\ ma&, \«Afôs» ^v*.vi^ \à\^^^^ '^ 



SAO 



234 



SAO 



S. José do Sul,* e anteriormente, Vil la 
Nova de S. José, porque a Villa Velha 
era o logar do aldeamento fundado pelos 
padres da Companhia de Jesus, no meado 
do século XVI, distante da actuai ci- 
dade dez kilometros, nas cabeceiras do 
ribeirão Comprido, 

São José do Morro Agudo.— 

Capella, na freguezia de Sant'Anna dos 
Olhos d'Âgna. 

São José do Rio Novo.— Villa, 

hoje conhecida somente peio nome Cam- 
pos Novos do Paraimpanema. 

São José do Parahytinga.— Villa, 

á margem esquerda do ribeirão Parahy- 
iinga^ affluente do rio Tieiéi pela mar- 
gem direita. 

São José do Rio Pardo.— Villa, 

á margem esquerda do Rio Pardo, na 
encosta de um contra-forte da serra di- 
visória daquelle e do ribeirão Fartura, 
Este Rio Pardo é o affluente do rio 
Mogy-giuissú. 

São José do Rio Preto.— Povoa- 
ção-freguezia, no município de Jaboti- 
cabal. 

São Lourenço.— Affluente do rio 

Juquiá, pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Iguape. 

Nasce no municipio de Itapecerica: e 
alguns kilometros abaixo, ha uma ca- 
pella com a invocação de S. Lourenço. 

Mas, o nome S, Lourenço, do affluente 
do rio Jttquiáy é corrupção de Çã-i- 
nhoyrê, «uns atraz dos outros, em cor- 
da». De çãj «corda», e, posposiçào si- 
gnificando «em», nhoyrcj «uns atraz dos 
outros». 

Allusivo a despenharem-se as aguas 
em grande numero de cascatas, segui- 
das, e formando sete quedas ou degraus. 

Neste trecho do rio S. Lourenço, é 

imponente o espectáculo dessas casca- 

tas e quedas successivas, isto é, con- 

forme a pbrase simples e clara dos in- 

digenas, € unias atraz das outras». 



Soando S. Lourenço o nome tupi 
deste rio, os portuguezes entenderam 
que o indigena referia-se ao martyr da 
fé, cujo é aquelle nome. Ã capella, 
acima mencionada, não tem outra origem. 

São Luiz de Parahy ti nga— Ci- 
dade, á margem esquerda do no Para- 
hytinga, antes de confluir com o rio 
Pafahybuna. 

(Vide o nome Paráhytinga). 

São Manoel do Paraiso.- Villa, 

na encosta de uma collina, á margem , 
esquerda do ribeirão Paraiso, affluente 
do ribeirão Lençóes, 
(Vide o nome Paraiso). 

São Miguel.— Capella, na freguezia 
de N. S. da Penha de França: no mu- 
nicipio de S. Paulo. 

Foi um aldeamento formado pelos pa- 
dres da Companhia de Jesus no secnlo 
XVI. 

Por esse povoado passa um córrego, 
affluente do rio Tietê, pela margem es- 
querda; e a esse córrego foi dado o 
nome S. Miguel. O nome tupi foi olvi- 
dado e perdido. 

São Paulo.— Cidade^ fundada pelos 
padres da Companhia de Jesus, em 1554, 
á 'margem esquerda do rio Piratininga 
ou Tamanduatehy, no planalto fechado 
pelo rio Tietê, cujo é aquelle affluente 
pela margem esquerda. 

 primeira missa foi dita na igreja 
do Collegio daquelles padres, aos 25 de 
Janeiro de 1554. 

No conflicto com João Ramalho, o 
qual fundara á margem do ribeirão Otia- 
pètuba a villa de Santo André^ e que, 
por isso, impedia por todos os modos a 
installação da villa de S. Paulo, vence- 
ram afinal os padres da Companhia; e 
a villa de Santo André foi demolida e 
arrasada. 

(Vide o nome Piratininga). 

A respeito desta villa Piratininga, 
escreveu o padre José de Anchieta, 
na sua primeira Informação ao Geral 



SAO 



SÃO 



SaDto André e estava três legaaa mais 
para o mar, na borda e eatrnda do 
campo, e do aDQO de 60 (1560) por man- 
dado do governador Men de Sá se nuidou 
a Piratininga. . . onde temos casa e 
igreja da cooTersão de S. Paulo, porqae 
em tal dia se disse a primeira missa 
naqimlla terra numa pobre casinha, e 
em Piratininga, como acima se disse, se 
começoa de propósito a cnnversAo do 
Brazil, sendo esta a primeira igreja que 
se fez entre o gentiot. E mais adiante: 
cA casa de S. Paulo de Piratininga, 
como foi principio de conversão, assim 
também o foi dos coilegios do Brazil». 
E mais adiante: <0 primeiro Provincial 
foi o padre Manoel da Kobrega, no anno 
(ie 1655. . . O sexto Provincial o padre 
José de Apcliieta, Biscainho, no anno 
de 1Õ77 e ainda tem o cargo neste pre- 
sente de 158i>. 

Essa villa é hoje esta grande cidade, 
cujo progresso cresce mais e mais. 

Tendo sido declarada capital da Ca- 
pitania, por provisfio de 22 de Feve- 
reiro de 1681, sen nome — São Paulo — 
passou a ser o da mesma Capitania; e 
assim tem ])ermanecido, sem interrnpç&o 
alguma. 

São Paulo.— A91u ente do rio Mogy- 
gttassú, peia margem direita: entre os 
municípios de Idogy-guassú e Itapyra, 
segundo o affirma Azevedo Marques. 
em seus Apontamentos Históricos, Oeo- 
grapkieos, Biológicos, Esíalisticos e No- 
tidosos da província de S. Paulo. 

Não consegui verificar a existência 
deste ribeirSo. 

São Pedro.— Villa, á margem direita 
do rio Piracicaba, na distancia de al- 
guns kilometros, na encosta da serra 
que traz o mesmo nome S. Pedro. 

Denominação religiosa. 

São Pedro do Itararé.— Villa, á 

margem direita do rio Itararé. 

São Pedro do Turvo.- Villa, á 

margem direita do ribeirão São João, 
coBânente do oatro ribeir&o S. Pedro. 



03 qaaes, reunidos, desaguam no rio 
Turvo, pela margem direita. 

E' a povoaçao-^eguezia, que fazia parte 
Ao município de Santa Cruz do Rio 
Pardo. 

O nome S. Pedro é denominaçSo re- 
ligiosa. 

São Roque. — Cidade, i mai^m es- 
querda do ribeirão Âracaky, e á barra 
(lo córrego Corambehy, que afflúe na- 
({uelle pela mesma margem. 

Sua denominação primitiva era Ca- 
pella de S. Roque de Carambehy. 

O nome S. Roqtte é denominação re- 
ligiosa. 

Vi em nm mappa da Commíssfio Geo- 
graphica de 8. Paulo o nome S. Roque 
dado ao ribeirão Potribú. Mas, é erro. 

São Sebastião.— Cidade, no litto- 
ral, ao sul do rio Ourupacê cerca de 
vinte kilometros. 

E' uma das mais antigas povoaçOes. 
Data do século XVI. 

à denominação é religiosa, vem da 
ilha, que está na frente, e qne recebeu 
de Martim Affonso de Souza, em 1531, 
esse nome, por ter sido avistada no dia 
20 de Janeiro. 

O nome tupi da ilha é Ciri-bae, capar- 
tada, separada». De ciri, «apartar, se- 
parar*, com bae (breve), pára formar par- 
ticipio. 

{Vide o nome Ciriba). 

E* a cidade de S. Sebastião um porto 
abrigado; e, oatr'ora, foi defendido por 
quatro fortes, cujos vestígios estão quasi 
desapparecidos. 

São Sebastião da Boa Vista— 

(Vide o nome Mocóca). 

São Sebastião da Ponte Nova. 

- PovoaçSo-lreguezia, no município da 
Franca. 

São Sebastião do Ribeirão Pre- 
to. — Cidade, cntte o Rí1jw,tõ» Çt»*.*! ^ 
o T\\ae\t&o RcliTo. 



SAO 



SAP 



São Sebastião do Tijuco Preto. 

— Villa, á iiíargeiíi esqiierdH do rio /''i- 
rnnapattf.ma, na encosta de um pequeno 
morro. 
(Vide o nome Tijwco Prelo). 

São Simão.— Villa, á margem es- 
giienlii do Rio Pmd<\ íiffluente do rio 
Mogij-i/iiassú: mas, na distancia de al- 
guns kilomelros. 

E' denúmina(;3o religiosa. 

Junto á villa, corre e aí!1iie nu llío 
Pardo, pela margem esquerda, um ri- 
beirrio que também traz o nome .S'. Simão. 



ati dá o som de yxambaxi. De 
isto se formou a corruptela sam' 

Essas oslreiras existem na costa oiitl 
tinia da província de S. Panio, 
geral no firazil. do norte ao sul. 

No norte do Brazil sSo denominai! 
aeniamhiliba, corrupção de cin 
lib-a, «logar natural de cascas de ustrttJ 
De ciri, «apartar, separar» ambil, *\tii 
costado», tiò, para exprimir logar i 
ral das cousas, com o accrescimo de i 
(breve), por acabar em consoante. 

Aliusivo ás cascas da ostra: 
a|iartados>, 



São Vicente. — A povoação mais an- 
liga da província de S. Paulo; fundada 
por Martim AlTonso de Souza em 1532. 
no liltoral ao sul da cidade de Santos. 

Alé líifil, esia villa foi a capital da 
Capitania. 

A ilha QvaiahÕ foi também denomi- 
nada \ Virnilc, pelo mesmo Martim 
Affonso dv. Soiizfl. 

(Viúe os nomes Oiiaía/iú & Etigagnassú). 

E relativamente a esle ultimo nome, 
Kngagiiussú, tem passado sem contesta- 
<;3o que eru o nome daquella ilha. Erro. 

(Vide o nomo Santos). 

A propósito deste logar .?. Vicenlc, 
lievo observar que os denominados sam- 
baqui nAo têm a importância dada por 
estrangeiros, viajantes e exploradores da 
nossa costa máritima. De laes depositus 
de ostras, ou oatmras, OMUparain-se 
frei Gaspar da Madre de Deus. Var- 
MBAOEK. e outros, de modo sufHciente. 

O indígena denomina tambá-iqué, a 
«casca da ostra» ; — de tttmbá, »ostra, me- 
silhiLo, marisco de qualidade inferior*, 
iqué, (lado, costado». Segundo n liçfto 
do podre Lciz Figueira, em sua Arte 
f/c gravimalica da língua brasílica, o 
nome i^omeçado por /, tendo necessi- 
dade de relativo, muda esse í em ç: 
por ISSO, {■flíH&rf-íV/MP. 

Também a <ostrciru> & denominada 
fjtã-mb-ntí, (mmitSo de conclias» : de 
yiõ, <conulia>. »ib. intercaluçílo nasal, 
n/l. «montão*. A palavra ytà é com^ 
pogta do !/, idespegar* M, «metade •,\s 
q * proaimda aaáai-guuural de gia-mb-\ 



Sapé.— Affluente do rio 
pela margem direita: no luanid] 
S. José dos Campos, 

O nome não é do ribeirão. Sendo' 
abi «o caminhos, embora alraressan* _ 
ribeirão, o indígena dizia ííapé. O k ia- 
pirado parece soar ç: dahi a corrupteU. 

Mas, ao inverso do padre A. R. DC 
MoNTOVA, o p;idre Luiz Figueira, «■■' 
Arte de graitnnalica da Utigua bn-' 
sílica, nSo menciona o it como relstiVA. 
O ç é directamente o relativo. Por ÍíA 
mesmo com referencia a «caminho», • 
padre Luiz Figueira, usando do rela- 
tivo, escreveu lapé. 

Este caminho existiu sempre, e jí 
neste século, foi feito ahi um aterrado, 
por causa da várzea e alagadi^-os d» ri- 
beirão. 

Com o mesmo nome, e nas meenu 
condições, ha uma praia, nu munidpH * 
de Ubutuba. 

Com o mesmo nome e nas uie^intt I 
condições, ha um afliuente du nbeirio 1 
Cnpirara. peta margem direita: no m*- * 
nicipio de Campos Novos de Parnoaix- I 
nema. 



Sapé. — Povoaçâo-fregucíia, no rnsii- 
cipio lie Silveiras; hoje villa, coro o noow 
JoMiy. 

(Vide o nome Jatahij). 

O nome Sn/ff nada tem com a piBii i 
sttpé, com que são cobertas rasas, á Utt 
de telhas, no sul úu Urazil; n» oMl* 
scTNft çatís. v«^»a wl^rturas a paloia i* 
púidõba. -J 



SAP 



237 



SAR 



Sapé é corruptela de Hapé, ccami- 
nho>. O h aspirado parece soar ç: dahi 
a corruptela. 

Esse legar Sapé designava aos indí- 
genas o «caminho», ao passo que Areias 
designava o «atalho», haiê. 

(Vide o nome Areias). 

Sapé. — Povoação-freguezia, no mu- 
flicipio de Jahú: hoje villa, com o nome 
Baryry. 

-(Vide o nome Baryry), 

O nome Sapé nada tem com a palha 
^apé com que são cobertas as casas, á 
Falta de telhas, no sul do Brazil: no 
lorte, serve para essas coberturas, a 
palma da pindóba. 

Sapé é corruptela de Hapé^ «cami- 
nho». O h aspirado parece soar ç: dahi 
1 corruptela. 

Esse logar designava aos indígenas o 
«caminho» para o porto no rio Tieté^ 
onde poderia ser este atravessado eom 
mais facilidade e menos perigo, commu- 
nicando os que habitavam á margem 
direita do rio Piracicaba com os da 
margem esquerda do rio Tietê. 

Os portuguezes continuaram a seguir 
esse mesmo caminho, reconhecendo- o 
como o melhor para aquella communi- 
cação. 

Sapetúba.— Logar, próximo á mar- 
gem direita do rio Sarapuhy, já depois 
de fazer barra o ribeirão Iperó: no mu- 
nicípio de Campo Largo de Sorocaba. 

Sapetúba^ corruptela de Çapé-tib-a, 
«logar de çapé^. De çapé, «planta de 
palha para cobertura de casas», tib, «lo- 
gar natural», com o accrescimo de "a 
(breve), por acabar em consoante. O i 
é guttural. 

Sapucahetába.— Morro, no muni- 
cípio de Itanhaen. 

Sapucahetába, corruptela de Çapucai- 
tdbaj «logar de écho». De çápucat, «gri- 
tar, vozear, echoar», formando participio 
com iába, por acabar em á% a fim de 
exprimir logar. 

ADvsivo a echoar gritos ou vozes, por 
aa formação encantoada. 



Sapucahy.— Affluente do Rio Oran- 
de ou Pararia^ pela margem esquerda: 
entre os municípios da Franca e de 
Batataes, aos quaes serve de divisa. 

Ha o ribeirão Sapucahy-mirim, af- 
íluente daquelle pela margem direita: 
no munícipio de Patrocínio de Sapucahy. 
A' margem esquerda deste ribeirão está 
a villa de Patrocínio de Sapucahy. 

Ha também o ribeirão Sapucahy-mi- 
rim, que tem na província de S. Paulo 
somente as cabeceiras, e corre na pro- 
víncia de Minas Geraes. 

Sapucahy, corruptela de Ha-pug-quai- 
e, «successívos cortes, furos, e cinturas». 
De ha, «cortar, talhar», pug, «furar, ar- 
rebentar», qtiat, «fazer cintura, estrei- 
tar», i, posposição de perseverança. O 
h aspirado parece soar ç. 

Allusivo a ter saltos e cachoeiras, 
bem como gargantas como que por furos 
feitos nas rochas. 

Saputá.— Affluente do ribeirão Ita- 
pisantuba. 

(Vide o nome Itapú<antuba). 

E' um pequeno ribeirão, que aSlúe 
naquelle pela margem esquerda: no mu- 
nicípio de Iguape. 

Accrescentaram-lhe mirim, sem uma 
razão de ser; sígnal certo de que este 
accrescimo foi obra dos conquistadores. 
E' mesmo conhecido somente pelo nome 
Mirim, 

Saputá é corruptela de Hapi-ytá, 
«pedra que se abraza». De hapi, «abra- 
zar, queimar», ytâ, «pedra». O h aspi- 
rado parece soar ç. O i final de hapi 
tem som guttural. 

Allusivo a existir em suas margens 
grandes depósitos de granito pórphyro, 
no qual entra maior quantidade de fel- 
dspatho, tornando-se assim rocha ígnea. 

Com eflFeito, esse granito contém sí- 
lica, alumina, cal, oxido de ferro e ou- 
tros elementos de natureza ígnea. 



1 



Saputantuba.— E' o mesmo lu^^i- 
santuba. 

(Vide o liotci^ lUxTplsanixAJaíiS- 






SAR 



Sará-sará.— Uma parte da várzea 
Giiasnahif, no município de Cotia. 

Áará'sará, corrujiléla de Ç-arad-c-tiraá, 
muitisBima iloeniioi. De !". relatiro, por 
ter r o verbo arná, <enferinar. ser doen- 
tio», repetido para exprimir superlativo. 

Ãllusivo a produzir muitas doenças 
essa região. 

Saracura. — Affluente do ribeirão 
Anhmífjabahú, pela margem esquerda: 
no municipio de S. Paulo. 

E' um pequeno córrego. 

Saracura, corruptela de Cr-rá-cúnj, 
(desatado e muito oorrente». De o», re- 
lativo, por causa do verbo rá, <desatar», 
cury, «pressa, velocidade», A ultima syl- 
lada de cúry sõa breve, 

Ãllusivo a formar alagadiços; e, q3o 
obstante, ser muito veloz no curso. 

Nada tem, portanto, este nome cou^a 
alguma, nem com a ave saracura, nem 
com os arbuRtos assim denominados da 
família das Biguouiaceas e da familia 
das Onagrarias. 

Sarandy,— Lagoa, á margem direita 
do rio Taquary, no municipio de Ita- 
péva da Faxina. 

Saratidy. corruptela de Çaramii, o 
mesmo que çarangi. «ramos de peque- 
nas arvores que com a corrente se do- 
bram D8 agua». 

Com effeito, esta lagoa tem as bar- 
rancas cheias de pequenos arbustos, cujos 
ramos Sexivels estão sob as aguas, á 
mercC da corrente. 

Saran Grande.— Corredeira, no rio 
1'iirauaj'aiietiia, logo abaixo da foz do 
ribeirítu Pirapó, da provinda do Paraná. 

Saran Oraniir, corruptela de Çfyrãrã- 
aqtiâ-ne, «resvaladeiro muitíssimo cor- 
rente». De çaràrã, •resvaladeiro, desli- 
sadeiro». áquâ, «correr», ne, (breve), ad- 
verbio aflirmativo, para exprimir super- 
lativo. 

AUusivo a concentrarem -se todas as 
aguas no cunai, qnc existe encostado á 
barrani^a da margem tlireita do rio; 

r ser de muito dei>iiivoliimon(o, e pouco 
, 0'",riO, a correnteza adtiuiTC v*- 




Sarapuhy.— Villa, á 

lo rio Sarapiiky, afiluente d 

-oi:aba. 

Sarapuhy.— Affluente do 

caba. pela margem esquerda* 
municípios de Sarapuhy, de 
de Campo Largo de Sorocaba 

Sarapuhy, corruptela de 
(perseverantemente desnivelai 
saltos». De ce. relativo, ní, 
gual, desnivelar», pô, *salto», 
sição de perseverança. 

Nos documentos antigos ( 
Çarapoy. 

Ãllusivo a ser successivami 
clioeirado; e, descendo da ser 
pita-se aos saltos, 

Com effeito, o seu leito í 

O significado «rio de caraq 
simplesmente um disparate. 

Sei lado.— Morro, a leste 
no municipio de S. José dos] 

Morro, no municipio dft 
serra divisória com Minas G< 

Morro, entre os municípios 
de Parahytiiiga e de Parahyl 

Sellado, corrup^So de O-n 
De ce, relativo, por causa do 
«levantado, elevado», bo 
formar supino. 

Ãllusivo a serem pontoa 
das serras. 



Sem canal.— Cachoeira, 

rocaba: no município de Tiet 

Sí>wi canal, corruplíla do 

«sabida ondeada». Der«,«: 

«cousa que se meneia». 

Ãllusivo a espraiar-se abi < 
mando a largura de mais c* 
tros, com um dt-snívelameiíUi^ 
e, por isso, as aguas deeceni 
sas. com graode velocidade. < 
e saltando por sobre o diqM 

Sepitúba.— Losar, ao na 

dude de S. Sobasiião, oode i 
construído um forte. 

fLíitWç\TH. wo rio Tietê. Al| 
\YLomwvm. Sa^ yA vsxiv 



i de 



SER 



239 



SER 



Sepituba, corruptela de Yê-pi-tib-a, 
«logar natural de rodomoinhos». De yê, 
reciproco, para exprimir a acção da cousa 
sobre si mesma, pi, «centro», formando 
yê-pi, «rodomoinhos», o mesmo que yê-bi^ 
e mais exacto do que este, tib, «Togar 
natural*, com o accrescimo de a (breve), 
por acabar em consoante. 

Âllusivo quanto ao primeiro logar, a 
encontrarem-se as correntes do mar for- 
mando rodomoinhos; e, quanto á ca- 
choeira, a correrem as aguas sobre leito 
gretado. 

Serembura.— Aflfhicnte do rio Pa- 

rahyba, pela margem direita: entre os 
municípios de Santa Izabel, de Jacarehy 
e de S. José dos Campos. 

Serembura, corrupção de Cen-mbilêrè, 
«um pouco derramado». De cen, «um 
pouco», ynbitêrè, o mesmo que pilèrè^ 
«derramar». O primeiro i deste verbo 
tem som guttural. 

Âllusivo a transbordarem um pouco 
as aguas, formando alagadiço em suas 
margens. 

E' um pequeno ribeirão. 

Sernamby. — Porto, na ilha com- 
prida: no município de Iguape. 

Sernamby, corruptela de Cin-nmbit, 
«cascas de ostras». De cirl, «apartar, 
separar», ambil, «lado, costado». 

Âllusivo a ser ahi um logar de os- 
treira. 

(Vide o nome S. Vicente), 

Serra.— Logar, no município de Cunha; 
notável por ter uma fonte de agua vir- 
tuosa^ cujos elementos principaes são 
magnesia, enxofre, cal, etc, e cujo uso 
já tem sido de muito proveito em mo- 
léstias cutâneas e intestinaes. 

Serra, corrupção, de Ce-rii, «purgativa, 
vomitiva». De ce, relativo, por se tratar 
de verbo começado por r, conforme a 
lição dos grammatícos, ru, «revolver o 
estômago, causar enjoo». 

Âllusivo ás suas qualidades medici- 
naes. 

Serra Azul.— Serra, no município de 
S. Simão. 



\ 



Serra Axul, corruptela de Cérà-cy, 
«um pouco escorregadio». De cérà, «um 
pouco, assim, assim», cy, «resvaladío, 
escorregadio». O y é guttural. 

Serra do Diabo. — Cachoeira, no 

rio Paranapanema : é a ultima das mais 
difficeis. Antecede a corredeira Estreito, 

Serra, á margem direita do mesmo 
rio e daquella cachoeira. 

Os indígenas sohiam denominar de 
modo quasi idêntico no som legares vá- 
rios na mesma região; mas significando 
diversamente os nomes. 

Serra do Diabo, nome da cachoeira, 
é corrupção de Ce-j-á-ti-âb-a, «canal 
apertado, com altos e baixos» De ce, 
relativo, por causa do r de rá, «desi- 
gual, desnivelado, altos e baixos», ti, 
«apertado», âb, «abrir, raxar, gretar», 
com o accrescimo de a (breve), por aca- 
bar em consoante, e significando «aber- 
tura, raxa, greta», por causa do relativo 
e por não ter caso. 

Âllusivo a que, nessa cachoeira, ha 
apenas um canal, junto á margem di- 
reita, estreito e semeado de arrecifes, 
com desnivelamento irregular. 

Serra do Diabo, nome da serra, é 
corrupção de Ce-rá-ty-âb-a, «gretado, 
pontas altas e baixas». De ce, relativo, 
rd, «desigual, altos e baixos», ty, «pon- 
ta», âb, «abrir, raxar, gretar», com o 
accrescimo de a (breve), por acabar em 
consoante e significando «abertura, raxa, 
greta», por não ter caso. 

Âllusivo á desigualdade de sua parte 
superior, e ás grutas na parte inferior. 

Serra Negra.-- Cidade, na fraldada 
Serra Negra; serra esta divisória das 
aguas dos rios Camayiducáia e Mogy- 
mirim. 

Serra Negra.— A que divide as aguas 

dos dous rios Cumnnducdla e Mogy- 
7niHm: no município de Serra Negra. 

A que divide as aguas dos rios Tteté 
e Piracicaba, próximo á fóz deste: no 
município de Piracicaba. 

A que divide as aguas dos rios lia- 
peliiiinga ^ Assunguxj : ^'^'^ \s5nc«ns^nw^ 



SET 



240 



SIL 



Serra Negra^ corrupção de Hérã-n- 
yêrè, «um pouco volteadora». De hcrã, 
adverbio, «um pouco>, w, complemento 
nasal de hérã^ para ligar esse adverbio 
á yêrè, «voltear». O nome contrahido e 
sendo aspirado o A, sôa Cérà-ii-êrè. 

Âllusivo ás curvas que cada uma dessas 
serras faz, parecendo mais um grupo de 
montanhas, mais ou menos alcantiladas, 
do que uma só serra. 

Sesmarias.— Affluente do rio Para- 
hyba, pela margem direita: nos muni- 
cipios de Arêas e de Barreiro. 

Sesmarias, corrupção de Nhémã-ri, 
«successivas voltas e revoltas». Benhémã, 
«volta e revolta», ri, posposição, signi- 
ficando «successivamente». 

Âllusivo á sua extraordinária sinuosi- 
dade. 

Sete Barras. — Povoação-freguezia, 
no município de Iguape. 

Está situada em uma das barnis do 
affluente do rio Ribeira de Igitape, que 
traz o nome Sete Barras; que é o já 
descripto Quitóquo. 

(Vide o nome Quitóquo), 

Sete ilhas.— Cachoeira, no rio Pa- 
ranapanema, acima da barra Otiarehy, 

Sete Ilhas, corrupção de H-e-teit-yi, 
«successivas concavidades. De h, rela- 
tivo, e, intercalação necessária para li- 
gal-o á tei% «muitos, manada, compa- 
nhia, conectividade», yí, «concavidade, 
abertura natural, seio, ôco». 

Embora existam ahi varias ilhas, u 
nome da cachoeira é âllusivo aos poços 
profundíssimos que ha no canal, á mar- 
gem esquerda, menos impraticável, de 
16 metros de largura, por onde as aguas 
se precipitam em cascata e vão cahir 
em uma larga bacia. 

Antes de penetrarem as aguas nesse 

canal, e em uma volta esquinada do rio, 

ha uma como muralha trancando-o quasi 

Inteiramente; e, atravessada a passagem 



ços, obstruídos. E' o da margem es- 
querda que dá o nome á cachoeira. 

Sete Peccados.— Extensa cachoeira 
com vários diques graníticos, no rio Ri- 
beira de Iguape, 

Sete Receados, corrupção de Teit-eté- 
pi-há'bo, «logar de muitos degraus». De 
teii-eté, «muitos», pi-há, «degrau», 6o, 
(breve), para exprimir «logar». 

Âllusivo ás successivas quedas que 
ha nessa extensão do rio; são, porém, 
pequenas quedas, e por isso o indigena 
disse~j9Í-Âíí, «degrau». 

Sete Taipavas.— Cachoeira, no rio 
Mogy-guAissú; acima da corredeira Es- 
caramuça. 

Sete Taipavas, corrupção de H-e-tefír 
ytá-ii-pába, «successivas muralhas de 
pedra». De h, relativo, e, intercalação 
necessária para ligal-o á teii, «muitos, 
manada, companhia, successâo», ytá, «pe- 
dra», ii, «rijo, forte, duro», pába, par- 
tícula de participio para exprimir logar, 
modo, instrumento, etc. 

Âllusivo a uma successâo de diques 
graníticos no leito do rio. 

O rio, nessa extensão da cachoeira, 
desce em escadaria. 



Setúbal. — Affluente do rio Sorocaba, 
pela margem direita: no município de 
Una. 

Setúbal, corruptela de Ce-lút-bae, «o 
que faz bojo». De ce, relativo, túi, «fazer 
bojo», com a partícula bae (breve), para 
formar participio. 

Âllusivo a^ depois de ladear a serra 
S. Francisco, encosta sudoeste, derra- 
mar-se em alagadiço, porque suas aguas 
encontram resistência, qo entrarem no 
rio Sorocaba, por causa da diflFerença do 
nível, e refluem. 

Silveiras. — Cidade, entre as serras 
Aíaniiqneira e Bocaxna, porém do lado 
da margem esquerda do rio Parahyba, 
no qual afflúe o Itáguaçába, e neste o 



gue lia nesta muralha, um ilhote grani- \ n\)e\i^o Queàes i^^\x^^^^ \i\sc^ ^^\s!w>5êa^^ 
íieo no centro do leito forma doua bra-\e tie^V^ o i\!cirà^Q SíU^xtoã V^^\síl^ ^^ 



SOR 



241 



SUÁ 



outra família). O ribeirão Silveiras corta 
a cidade em duas partes. 

(Vide o nome Itágtiaçába). 

O nome Itágtiaçába, pronunciado Ha- 
caçaba, deveria ser o desta cidade. 

O indígena era mais sábio do que os 
seus conquistadores, porquanto não ad- 
mittia para denominação de togares o 
nome de quem quer que fosse, familia 
ou individuo. 

Aquelles dous ribeirões Silveiras e 
Guedes, quando se reúnem, próximo á 
cidade, formam uma linda e grande cas- 
cata, e dahi em diante seguem juntos 
em leito pedregoso. 

Soccorro. — Cidade, á margem es- 
querda do Rio do Peixe, afflucnte do 
rio Mogy-guassú, 

(Vide o nome Rio do Peixe), 
O nome procede da invocação da an- 
tiga freguezia: Nossa Senhora do Soc- 
corro. 

Sorocaba. — Cidade situada em uma 
collina, na altitude de cerca de 40 me- 
tros sobre o nivel do rio Sorocaba, á 
cuja margem esquerda está, e na alti- 
tude de cerca do 540 metros sobre o 
nivel do mar. 

O nome é do rio. 

Sorocaba. — Rio formado por duas 
cabeceiras: o Sorocabussú e o Sorocá- 
mirim. 

O primeiro nasce nos morros liaiúba 
e Chiqueiro. 

O segundo, no morro Cahucáia. Af- 
flúe no rio Tietê, pela margem esquerda. 

Estas duas cabeceiras, depois de reu- 
nirem-se, recebem pela margem esquerda 
o ribeirão TJjia, á cuja margem direita 
está a villa deste nome. 

Sorocaba, corruptela de Çorógc-ába, 
clogar rasgado». De çoróg, crasgar, rom- 
per», mudado o g em c, ou accrescen- 
tado este a aquelle, para formar o par- 
ticipio com caba, segundo a lição do 
padre Luiz Figueira, em sua Arte de 
grammatica da lingua brasili^a. 

Allasjro a correr do logar rasgado por 
saas aguas, na serra S. Fra7icisco. 



E^ um rio muito encachoeirado e si- 
nuoso, com innumeros saltos. 

Os nomes das cachoeiras e dos saltos, 
em tupi, têm sido substituídos pelos dos 
donos das terras respectivas. Ha, toda- 
via, ainda alguns nomes: Jurú-mirim, 
Jiquitáia, Sem-catial, ainda que um 
pouco corrompidos: e outros. 

As corredeiras abundam também, em 
todo o seu curso. 

Por causa das cachoeiras, e dos sal- 
tos, sua navegação é impossível. 

Banha os municipios de S. Roque, 
Una, Piedade, Campo Largo de Soro- 
caba, Tatuhy e Sorocaba. 

Sorocaba. — Pequeno rio que desa- 
gua no Mar Pequeno: no municipio de 
Iguape. 

Este nome Sorocaba é corruptela de 
Çiirúgc-ába, «pantanoso». DQçurúg, «ato- 
lar, esparzir, derramar, sorver», mudado 
o g em c, ou accrescentado este ou 
aquelle, para formar participio com caba, 
segundo a lição do padre Luiz Figueira, 
em sua Arte de grainmatica da lingua 
brasilica, 

Allusivo a correr em extensíssima 
várzea, derramando-se e formando ato- 
leiros e pantanaes. 

A corruptela é somente no som; e, 
sem duvida, existindo Sorocaba, em serra 
acima, os portuguezes en^nderam ser 
o mesmo nome também na várzea. 

A corruptela deveria ser Surucába. 

Com eífeito, ao sul da cidade de Iguape, 
littoral do Mar Pequeno, estende-se uma 
várzea immensa, cortada por vários rios, 
ribeirões, córregos e sangas. 

Suá- mirim.— Enseada formada pelo 
rio Ribeira de Iguape, á margem direita : 
no municipio de Iguape. E' um verda- 
deiro sacco, de quasi uma legua^ com 
agua morta. 

Suáy corrupção de Ouád, «enseada, 
bahia, golfo»: mirim, para distinguil-a 
da enseada maior, que é a fóz do rio 
líibeira de Iguape, 






sue 



242 



SUP 



Em Suá-mirim ha um porto; e para 
este porto ha a communicaçâo com o 
rio Una (V Aldeã, por um furado de seis 
a oito metros de largura. As viagens 
entre a Tilla de Itanhaen e a cidade de 
Iguape têm por escala esse porto. 

Sucury,— Corredeira, no rio Mngy- 
guassú. 

Sticury não tem relação alguma com 
a grande cobra aquática, que traz esse 
nome. (*) 

Sueury é corruptela de Çii-cury, «ve- 
locidade, altos e baixos>. De çú, «altos 
e baixos», cury^ «velocidade, presteza, 
pressa». 

ÂUusivo a ser uma corredeira, com 
arrecifes no leito do rio. 



í' 



{^) Em nota aTulsa : 

dr. Lacbrda k Almkida, no acu Diário de viagem 
nos annoê de 1780 a 1790^ rcíerc-so a um ribeirSo Su- 



euirUf affiuente do Tieii, em legoida á corre d c li » A 
gva-guaaeú, E, enUk), explica assim o nome : c . . .pot 
de ama cobra deste nome de ezbmordinaria gnnd 
EBcrayos que Tinham em oomitlTa, julgando ser um 1 
quizeram lhe deitar fogo paia se aquentarem s é 
toda a noite: com o calor se moveu o supposto tra 
cheios de admiração todos se tirsram do engsno e 
estavam.» Ora, quem tem viajado sabe quanto é i 
inventiva dos companheiros, principalmente qusnd 
caçadores. Ainda assim, o illustre dr. Lackbda k Al 
aocrescenta : «Esta é a tradiçfto, e muito verosímil p 
que tem viajado por este novo mundo, onde a cads 
estio encontrando cousas que teriam por fabulosas, i 
tivessem sido testemunhas oculares.» 



Suplriry.— AflQuente do rio Soroc 
pela margem esquerda : no municipii 
Sorocaba. 

E' um córrego que banha a cii 
de Sorocaba pela face-norte. 

■ 

Snpiriry, corruptela de Çú-pyryri, 
loz, altos e baixos». De çú, «alU 
baixos», pyryrL «ligeiro, veloz». 

Allusivo á sua extraordinária coi 
teza, sobre leito irregular. 



Tabatinga.— Rio, que, nascendo na 
serra marítima, desagua no ocenno: serve 
de divisa aos mnnicipios de Curnguata- 
tnba e de Ubatuba. 

Tabatinga, corruptela de Ti-byCi-ngn, 
«agua turva». De íí, «agua, rio», byã, 
o mesmo que pyit, «turvar», como o suf- 
fixo nga (breve), para formar supino. O 
som do i de ti é gultural, como a fe- 
chado; e, por egual, u som do y. Dabi 
a pronuncia — Tabatinga. 

E, segundo o sjstema dos indígenas, 
de assignalar com nomes de som idên- 
tico OD quasi idêntico legares vários na 
mesma região, mas com signiScados di- 
versos, é certo que aquelle rin corre em 
terreno cuja formação geológica é de 
grés, schistos argilosos e calcareog, pro- 
duzindo o «barro branco», denominado 
pelos indígenas — tabaty-nga. 

Denominando Ti-bytt-nga o rio, as- 
signalaram que, ao me^mo tempo que a 
região era de tabaty-nga, turva era a 
agua do rio. 

Tabatinguára.— Lagoa, e rio: no 
manicipio de Cananéa. 

Tabaiinguára, corruptela de Ti-byft- 
nyuára, «agua turra». De ii, «agua, 
rio», byti, «turvar», guâra, precedido 
do n por ser nasal a palavra anterior, 
para exprimir qualidade natural. O i de 
íi, e o y de byCi, têm pronuncia gattoral, 
Bendo que aquelle i de H sõa como a 
ferhadt. 

Com pffcito essa lagoa, e o rio em 
gae ella despeja suas aguas por um pe- 



queno ribeiro de mnitaa curvas, tnos- 
tram-se turvos. 

A rasfto disso é a tabaít-nga, «barro 
branco», de que é formada essa regiSo. 
O indígena, denominando assim a lagoa 
e o rio, assignaloo ao mesmo tempo a 
natureza do terreno, segundo o seu sjs- 
tema na sciencia das denominaçQes. 

O conselheiro Martih Francisco Ri- 
beiro DE Andrada, no Diário de uma 
viagem mineralógica pela proviítda de 
S. Paulo TIO anno de 1805, escreven 
Tabatingura como o nome do rio, mas 
com erro evidente. Nesse rio, escreveu 
elle ter achado «bancos de uma argílla 
branca» ; e Isso mostra a natureza do 
terreno naqnella região. 

Tabatinguôra.— Encosta, leste do 
morro em que está situada á cidade de 
S. Paulo: acompanhando a margem es- 
querda do ribeirão Tamanduaiehy. 

Tabatitiguêra, corruptela de tabaíy- 
nguê-ru, «encostas de barro branco, como 
por accrescimo». De labaly, «barro bran- 
co», ngxiê, forma nasal de iquê, «lado, 
encosta», e ru, «accrescentar, accrescer, 
accrescimo». 

Allusivo a que o morro nSo é dessa 
formação geológica; mas tem nesta en- 
costa «barro branco», como que accres- 
centado. ^*) 






TAC 



244 



TAM 



Taboão. — Affluente do rio Parahyba, 
pela margem direita: no municipio de 
Lorena. A' sua fóz está assentada a ci- 
dade de Lorena. 

Affluente do rio Parahytinga, pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Cunha. 
Ha ahi um registro para os direitos de 
sahida dos productos que descem a serra, 
transpondo os limites para a provincia 
do Rio de Janeiro. 

Affluente do rio Parahyba^ pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Mogy 
das Cruzes. 

Affluente do ribeirão Tapuxinga^ pela 
margem esquerda: no municipio de Bra- 
gança. E' o mesmo Lavapés, que banha 
a cidade de Bragança: em sua cabeceira 
é Taboão. 

Cabeceira, com o ribeirão Mosquito, 
do ribeirão Jacarehy: no municipio de 
Santo António da Cachoeira. 

Affluente do ribeirão Poiribú, pela 
margem direita: no municipio de S. Ro- 
que. 

Affluente do rio Sorocaba^ pela mar- 
gem esquerda: no municipio de Piedade. 

Taboão, corruptela de Ta-puã, «em- 
pinado». De /, relativo, apiiã, «levantar, 
empinar». 

Allusivo a terem leito Íngreme, cor- 
rendo em cascata, em vários togares. 

São notáveis as cascatas do Taboão, 
de Cunha. 

Tabúna. — Serra, no municipio de Ca- 
jurú. 

Tabúfia, corrupção de Ttá-ibyi-fia, 
«morro ôco». De ytá, «pedra, morro, 
monte», ibyt, «ser ôco, concavo, caver- 
noso, gretado», com o suffixo na (breve), 
para formar supino. O yt tem pronuncia 
guttural: dahi o som de Ti, formando a 
palavra Tiá-ibu-na. 

Allusivo a ser cavernoso, com grutas. 

Em ytá, significando «morro, monte», 
usam fazer a aphéresis do y inicial. 

Tachínho. — Morro, no serrote da 
ilha S. Vicenie. TachinJio, corrupção de 
Tac/i^, ^escorregadio:^. De t, relativo, 
a/://^, o mesmo que eljf, «escorregadio, 
resvalãdío, lúbrico». 



Neste morro, ha uma cachoeira que 
desagua para as duas encostas, — a do 
mar e a do caminho entre a cidade de 
Santos e a villa de S. Vicente. 

Taquaré. — Rio, que nasce na serra 
marítima e desagua no oceano: no mu- 
nicipio de Santos. 

Taquaré, corruptela de T-aquá-rè «suc- 
cessivamente esquinado». De i, relativo, 
aqúá, «esquinar», rehé, posposição signi- 
ficando, neste caso, «successi vi mente». 

Allusivo a ser muito sinuoso, for- 
mando voltas agudas. 



Taiassupéba. — Affluente do rio Tietê, 
pela margem esquerda: no municipio de 
Mogy das Cruzes. 

Não se trata de porco-chato, tayaçú- 
pé'bae; o ribeirão nada tem com porcos, 
a não ser que, por alagadiço, esses ani- 
maes o apreciariam para revolverem-se 
no lodo. 

Taiassupéba, corruptela de Tayuá- 
húú-pé-bae, «plano, alagadiço, pegajoso». 
De t, relativo, ayúá, «pegajoso, limo, 
lodo», húú, «atolar em lodo, borra, fezes, 
detritos, etc», pé, «ser plano, chato», 
com a partícula bae (breve), para dar a 
forma de participio. 

Allusivo a ser quasi parado, e pan- 
tanoso. 

Com effeito, é pegajosa a lama que 
esse ribeirão forma em seus alagadiços; 
e não tem declive algum notável o seu 
curso. 

Talm.— (Vide o nome Itaim). 
Taipú.— (Vide o nome Itaipú). 

Tamanduá.— Affluente do ribeirão 
Piranga, pela margem esquerda: no mu- 
nicipio de Iguape. 

Affluente do rio Paranapanema, pela 
margem direita: no municipio de Rio 
Novo. 

Dous affluentes do rio Mogy-gtuissú, 
pela margem direita: no mnnidpio de 
S. Simão. O menor é Tamanduasihho. 

Tamandwá, corruptela de T-ã-mã- 
iidu-á, <t^vcv^\\ivi^Q, *\\\\^^^\\v\^vv\fò^^ T\!íàa^ ^ 



TAM 



245 



TAM 



pinar», mõ, «impedimento», ndú, «ruido, 
estrépito», á, «volver, dar voltas», se- 
gundo a lição do padre A. R. de Mon- 
TOYA, em seu Tesoro de la lengua gua- 
ranL 

Allusivò a ser sinuoso, encachoeirado, 
com successivos saltos, formando per- 
manente ruido ou estrépito em todo o 
seu curso; porque, sendo íngreme o seu 
leito, as aguas precipitam-se de cachoeira 
em cachoeira, de salto em salto. 

Tem o primeiro apenas vinte kilome- 
tros de extensão; e sua largura regula 
de dous a quatro metros. 

Pôde abundar ahi o tamanduá, pe- 
queno quadrúpede, comedor de formigas: 
da ordem dos desdentados, conhecido 
na sciencia por Myrmeeophaga, O ta- 
manduá-uçú, também conhecido por ban- 
deira, á cuja semelhança fluctiía a cauda 
coberta de longos pellos brancos e negros, 
é a espécie maior; medindo um metro, 
mais ou menos, sem o comprimento da 
cauda, cuja extensão é egual á do corpo. 
Tem o pescoço curto; e a cabeça, desde 
o alto até ao extremo do focinho, é com- 
prida. A, cor é cinzenta-parda, com uma 
lista preta de cada lado do peito, unindo- 
se uma e outra nas costas. Olfacto fino. 
As unhas são as suas terríveis armas. A 
onça não lhes resiste, seja qual for a sua 
corpulência; e não larga a presa senão 
depois de reconhecel-a morta: por isso, 
na luta com a onça, quasi sempre mor- 
rem 08 dous animaes, abraçados um ao 
outro. O couro é bastante duro e re- 
sistente. Alimenta-se de formigas e de 
capim: estende a língua no formigueiro, 
ou dentro do montículo do capim, em 
algum furo, e esses anímalculos, furiosos, 
agarram-se a ella; quando bem repleta 
e carregada, recolhe-a á bocca, e sorve 
tudo aquillo de uma vez. 

As outras duas espécies menores usam 
do mesmo alimento, e do mesmo pro- 
cesso para recolhel-o : variam, porém, na 
cõr, e no tamanho, bem como na cauda, 
cuja extremidade é pellada e agarradora, 
diversamente da do tamnndffd-bandríra. 
A cõr é amarellada; e as duas licitas 
negras partem obliquamente as espáduas 
e unem-se na anca, acima da cauda. 



Todas estas espécies têm quatro unhas 
dianteiras e cinco trazeiras. 

Ha, porém, ainda uma espécie menor, 
conhecida por tamanduá da varxea, que 
não tem as listas negras lateraes; ape- 
nas manchas dessa cor, triangulares. O 
amarello é a sua cõr geral; especial- 
mente no pescoço e na cabeça. O pello 
do dorso, amarello-pardo-escuro. 

Finalmente mais uma espécie, menor 
de todas; pois que o quadrúpede tem 
apenas o tamanho de trinta centímetros; 
duas unhas dianteiras, e quatro trazei- 
ras; pello compacto, sedoso, brilhante; 
pelle do corpo, e as extremidades, cõr 
de rosa. A cõr geral do pello é, em uma 
dessas sub-especíes, amarello cõr de 
ganga, e na outra, pardo-escuro. Ambas 
tè:n no dorso as listas quasi negras. 

Mas, voltando ao tanianduá-bandeira^ 
accrescentarei que elle não foge ao ini- 
migo; ao contrario, espera-o, erguendo-se 
sobre as patas trazeiras e ficando de pé, 
a fim de abraçar quadrúpede ou pessoa 
que se lhe approximar. Por causa disso, 
é narrada a anedocta de um estrangeiro 
que, ao vêr o tamandtiá-batideira tão 
risonho e de braços abertos, foi ao seu 
encontro, e, tão apertado abraço recebeu, 
que morreu nos braços daquelle que 
se lhe afigurava um amigo. Ha uma 
phrase notável: «tão desleal como o ta- 
manduá-bandeira com seus abraços». 

Tamanduá. — Serra, no município da 

Franca. 

Tamanduá, corrupção de T-ã-fna-ty-át^ 
que, por causa do som nasal de ã, na- 
salisa também ty, mudando o ^ em nd, 
e, portanto, soando T-ã-ma-ndy-ái, «em- 
pinado, com pontas erectas». De í, re- 
lativo, a-ma, supino de 5, «empinar», 
ty, «ponta», ái, «erecta». 

O y áe ty tem som guttural. • 

Allusivò ás suas encostas alcantiladas, 
e aos seus picos. 






Tamanduá. — Cachoeira, no rio Pa- 
ranapanemay acima do S<ilío Gramlc. 

T-a-ma-ndú-d, <c^\xv^\^'^.^'^;\\\\Nn'^^\^^ 



TAM 



246 



TAP 



5, «empinar», mã, «impedimento», wdii, 
«estrépito, ruido», á «torcer». 

ÂUusivo a ser Íngreme, tortuosa, com 
arrecifes, fazendo as aguas grande es- 
trépito. 

Com effeito, é esta uma das cachoei- 
ras de mais difficii pratica, por causa 
de forte desnivelamento do leito, que a 
torna quasi um despenhadeiro, sinuoso 
e semeado de arrecifes. 

Tamanduá.— Affluente do rio Santo 
Ignacio, pela margem direita: entre os 
municípios de Rio Novo e de Botucatú. 

Affluente do ribeirão Banharão^ pela 
margem direita: no município de São 
Manoel do Paraiso. 

Tanmnduá, corruptela de T-am-am- 
ndirá^ «muitas quedas, successivamente 
empinado». De ^, relativo, am, «empi- 
nar», repetido, para exprimir a succes- 
são do mesmo facto, ndi^ «muitos», ti, 
«cahir». 

Tamanduatehy.—Affluente do rio 

Tieté^ pela margem esquerda. Banha a 
cidade de S. Paulo pela face leste; e 
separa as duas freguezias da Sé e do 
Braz. 

E' o mesmo rio Píralininga, 

(Vide o nome Piratininga). 

Tamandiiatehy, corruptela de T-amã- 
ndaeteí, «muitos rodeios». De ^, rela- 
tivo, amã^ «rodeio, volta», ndaeteí^ «mui- 
tos». 

Allusivo a ser muito sinuoso este ri- 
beirão. 

No significado é quasi o mesmo do 
nome Piratininga. 

Tambahú. — Affluente do ribeirão 
Trememy^ pela margem direita: no mu- 
nicípio de S. Paulo. 

E' o mesmo significado do nome se- 
guinte — Tambahy. 

Corre Íngreme e apertado entre os 
montes divisórios das suas aguas com 
as de Piahpj á direita, e com as do 
Cachoeira, á esquerda. 

Tambahy.— Affluente do Rio Pardo, 

pela margem esquerda: no municipio de 
Casã Branca. 



Tamhahy, corruptela de T-ã-mb-yt, 
«concavo e empinado». De i, relativo, ã, 
«empinar», 7nb, partícula de intercalação 
nasal, yt, «concavo, ôco, abertura, seio». 
O nome é pronunciado como Tambahú. 
Já li Tombahú, 

Allusivo a ter Íngreme o leito, e a 
correr apertado entre montes. 

De facto, este ribeirão corta a serra 
Quebra-cúia. 

Tambaré- piracá. — Cacloeira, no 
rio TieU: entre os municípios de Par- 
nahyba e de S. Paulo. 

Ha ahí próximo um porto, para com- 
municação dos moradores de uma e de 
outra margem do rio. 

Ta?nbaré'piracá, corruptela de T-aw- 
bára-hf-pi-rá-aqúá, «sabida empinada, 
fundo desigual, esquinada». De /, rela- 
tivo, ambára^ participio do verbo a, «em- 
pinar, em pé», A?, «sabida», pt, «fundo, 
centro», rdí, «desigual, não nivelado», 
aqúá, «esquinar». 

Allusivo a ser uma cachoeira empi- 
nada e esquinada, acabando em um di- 
que, sobre o qual saltam as aguas para 
seguirem o seu curso. 

Este dique granítico, que atravessa o 
rio, de uma a outra margem, é de pouca 
altura ou de pequeno desnivelamento. 

Tanquinho. — Affluente do rio Para- 
hyba^ pela margem direita: no municí- 
pio de Jacarehy. 

Tanquinho, corruptela de T-ã-ng-yi-na, 
«empinado e cavernoso». De i, relativo, 
ã, «empinar», ng, intercalação nasal, yt, 
«concavar, ter gretas, cavernas, ôco», 
com o sufiixo 7ia (breve), para formar 
supíno. 

Allusivo a ter íngreme o leito, e neste 
concavidades e gretas, pelas quaes pas- 
sam as aguas. 

Tapanhoã.— Affluente do rio Para- 

hyba, pela margem esquerda: entre os 
municípios de Santa Izabel, de Jacarehy 
e de S. José dos Campos, aos quaes, 
em parte, serve de divisa. 

Outros escrevem Tapanfion; e já li, 
. Tapinhoã^ que é o exacto e verdadeiro. 



TAP 



247 



TAQ 



Tapinhoã, ou T-a-pi-nho-ã, «empina- 
do, e ladeador». De /, relativo, api, «la- 
dear», n/k), reciproco, a, «empinar». 

Allusivo a ser muito sinuoso, ladeando 
morros, em leito Íngreme. 

Nasce na serra MayUiqueira. 

Tapera Grande.— Serra, entre os 
municipios de Mogy das Cruzes, de Con- 
ceição dos Guarulhos e de Narareth. 
Âo oeste da serra Itaberába; porém 
muito menos elevada. 

Não se trata de iapér-a, «logar que 
foi povoado e está abandonado»; impro- 
priamente applicado a terreno outr'ora 
cultivado e ora coberto de matto fino, 
que era e é tiguêra, «logar largado, não 
perseverado, deixado, acabado». 

Tapera Orande é corrupção de Tlá- 
pâ'rognámbi, «fralda do morro brilhan- 
te». De ytn, «pedra, morro grani tico, 
pedra», pé, «brilhar, resplandescer», ro- 
yuámbi, «fralda de serra». 

Allusivo a ser a fralda da serra Ita- 
berába, «penha que brilha». 

(Vide o nome Itaberába), 

Com effeito, a serra Itaberába tem 
por fralda a Tapera Oraiuie, pelo su- 
doeste. . 

Taperovira. — Serra, mencionada no 
titulo de sesmaria de Pedro de Góes, 
de 10 de Outubro de 1532: « . . .a serra 
de Taperovira, que está da banda d onde 
nasce o sol, com aguas vertentes com o 
rio Jarabatyba^ o qual rio e terras estão 
defronte da ilha de S, Vicente^ d 'onde 
chamam Oohayó. . . ». 

Taperovira, corruptela de T-apir-o- 
bir-a, «ponta alta». De /, relativo, apír, 
«ponta», o, reciproco, bir, «altear, le- 
vantar, elevar», com o accrescimo de a 
(breve), por acabar em consoante. 

Quer pela descripção su[)ra, quer pelo 
significado, é o mesmo Tapuribetéra. 

(Vide o nome Tapuribetéra). 
O nome Jarabaiyba é o mesmo Oe- 
rybatyba. 

TapIpuaL— Cachoeira, no rio Mogy- 
guassú. 



Tapiptiai, corruptela de T-apipi-ai, 
«muito apertada». De /, relativo, apipi, 
«apertar», ai, para exprimir excesso. 

Allusivo a estreitar-se ahi muito o rio. 

Tapirema. — E' a mesma praia Pe- 
ruibe. 

(Vide o nome Peruibe), 

Tapirema, corruptela de T-apir-eym-a, 
«sem fim». De t, relativo, apir, «prin- 
cipio e fim da cousa», eyyn, partícula de 
negação, com o accrescimo de a (breve), 
por acabar em consoante. 

Sua extensão é de mais de quarenta 
kilometros. 

Tapuribetéra. — Serra, mencionada 
no instrumento de posse da sesmaria 
de Pedro de Góes, de 15 de Outubro de 
1532, servindo de testemunhas João Ra- 
malho e António Rodrigues: « . . .a serra 
Tapuribetéra que está da banda d'onde 
nasce o sol, aguas vertentes com o rio 
de Oerybatyba, o qual rio e terras estão 
defronte da ilha de S. Vicente...». 

(Vide o nome Taperovira), 

Tapuribetéra, corruptela de T-apir- 
ibaté-rò, «ponta alta». De U relativo, 
apir, «ponta», ibaté, «alto, elevado», rò, 
«pôr -se, estar». 

Allusivo a ser uma serra com pico 
alto. 

E^ a mesma serra, que traz indevida- 
mente o nome Jurubatuba, por obra e 
arte dos portuguezes. 

O nome Jurubatuba é por causa de 
nascer nessa serra o rio Oerybatyba, 
Não podendo reter o nome T-apir-ibaté- 
rò, denominaram a serra com o nome 
do rio, e, ainda assim, estragado em 
Jurubatuba, 

Tapuxinga.— (Vide os nomes Bra- 
gança, Canivete e Itapiocinga). 

Taquamvira.— Affluente do rio Ri- 
beira de IgiMpe, pela margem esquerda: 
no município de Iporanga. 

Taqtmmvira, corruptela de T-acang- 
inbira, «o seccado». De t,rQ\^W\o,acang, 
«seccar, enxugar», que, por ter som na- 



TAQ 



248 



TAQ 



sal, faz mudar pira, partícula passiva, em 
mhira, 

Allusivo a ficar secco, quando não ha 
chuvas. 

Já li escripto assim o nome deste ri- 
beirão: Taquunrovira, que é a mesma 
corruptela. 

Taquandúba— Praia, na ilha de S. 
Sebastião. 
(Vide o nome Itaquantúba). 

Taquanrovira.-— Affluente do rio Ri- 
beira de Iguape, pela margem esquerda: 
no municipio de Iporanga. 
E' o mesmo Taquamvira, 
(Vide o nome Taquamríra). 

Taquaral. — Nome que tem o ribei- 
rão Ouaratinguetá quando desce da serra 
Mantiqueira. 

(Vide o nome Ouaraiingtteiá). 

Affluente do Rio dos Veados, pela 
margem direita, e este — affluente do rio 
Pirapitinga, pela margem esquerda: no 
municipio de Campos Novos de Para- 
napanema. 

Taquaral, corruptela de T-áquà-ára-á, 
«muito corredor>. De i, relativo, áquâ, 
ccorrer», levado ao participio activo pela 
particula ára, e á, «muito». 

Allusivo a ter grande correnteza, por 
causa de ter íngreme o leito. 

Taquarantan.— Affluente do rio Mo- 

gy-guassú, pela margem esquerda: no 
municipio de S. João da Boa Vista. 

Taquarantan, corruptela de Táquâ- 
ára-atã, contrahido em T-áqu^-ár^-aiã, 
«corre estirado». De t, relativo, aquâ, 
«correr», levado ao participio pela par- 
tícula ára, que exprime acção de agente, 
ata, «estirado, teso, direito». 

Allusivo a correr muito, e sem voltas, 
mas em linha recta. 

E' um pequeno ribeiro. 

Taquararíra. — Morro, mencionado 
no titulo de sesmaria de Pedro de Góes, 
de 10 de Outubro de 1532: no muni- 
cipio de Santos. 

Taquararíra, corruptela de T-áquâ-ár- 
dri-râ, fpoata altissiinsi:^. De t, relativo, 



aquâ, «ponta», ár, «muito», ári, «sobre», 
rõ, «pôr-se». Por contracção T-áqu^-ár- 
ári-rõ. 

Allusivo a ser o morro mais alto na- 
quella região. 

No instrumento de posse dado a Pedro 
de Qoes o nome Taquararíra foi mudado 
em Tecoapára. 

(Vide o nome Tecoapára). 

Ignoro se será o mesmo morro. 

No titulo de sesmaria está escripto: 
«as terras de Taquararíra:^ . 

No instrumento de posse foi escripto: 
«as quaes terras se chamam Tecoapára^. 

Taquaravary.— Affluente do rio So- 
rocaba, pela margem direita: no muni* 
cipio de Sorocaba. 

Taquaravary, corruptela de Ti-aú- 
qúar-aib-a-ri, «máu por causa de poços 
de agua suja». De ti, «agua»,aâ, «suja, 
sujidade», qúar. «poço, fojo, buraco», aiô, 
«níáu», com o accrescimo de a (breve), 
por acabar em consoante, W, posposição 
significando, neste caso, «por causa». A 
palavra aú é sempre posposta ao ob- 
jecto ou cousa, em que está a sujidade. 

Allusivo a ser pestilento, por causa 
das aguas paradas e apodrecidas em 
poços ou buracos. 

Ainda é a mesma formação geológica 
do leito do ribeirão Piragibú. 

(Vide o nome Piragibú). 

A dififerença única é que o ribeirão 
Piragibú tem maior volume de agua e 
correnteza mais forte para revolver e 
lavar os seus poços. 

Taquarussú. — Serra, no municipio 
de Apiahy. 

Taqtuirussú, corruptela de T-áquâ- 
an^pú, contrahido em T-áqu^-aruçú, «mui- 
to pontuda». De t, relativo, áqtiâ, «ponta, 
ser pontudo», aruçú, «muito», segundo 
a lição do padre A. R. de Montota, 
em seu Tesoro de la le7igua guarani. 

Allusivo a ter picos muito altos. 

Taquary.— Serra, no municipio de 
Buquira. 

Morro^ no municipio de Cananéa. 



TAR 



249 



TAT 



Rio, que nasce deste morro, e desagua 
na bahia Trapandê. 

Affluente do rio Ribeira de Iguape, 
pela margem esquerda: no município de 
Xiririca. 

Affluente do rio Paranapanema^ pela 
margem esquerda: entre os municipios 
de Apiahy, S. João Baptista do Rio Verde, 
S. Sebastião do Tijuco Preto, e de Ita- 
peva da Faxina, servindo de divisa a 
estes três últimos. A' margem direita 
deste ribeirão está a lagoa Sarandy: no 
municipio de Faxina. 

(Vide o nome Sarandy). 

Taquary, escreveu frei Francisco dos 
Prazeres MaranhIo, no seu Glossário 
de palavras indígenas, que significa «rio 
das taquaras, ou canna brava» I 

E' provável que, nesses logares, exista 
a taquara; fazendo o indigena com isso 
o jogo linguistico. 

Taquary, nome da serra e do morro, 
significa «pontuda, ou pontudo», de t^ 
relativo, áqnâ, «ponta», W, posposi^ão 
significando, neste caso, «com». 

Taquary, nome dos ribeirões, significa 
«perseverantemente corrente». De /, re- 
lativo, áquâ, «correr», levado ao parti- 
cipio activo pelo accrescimo da particula 
ára, «corrente, corredor», i, posposição 
de perseverança: T-áquâ-ára-i, contra- 
hido em T-áqu^-ár-i. 

Taquatira.— Serrote, no municipio de 
S. Paulo. E' visto na estrada que com- 
munica a freguezia de N. S. da Penha 
de França com a villa da Conceição dos 
Guarulhos. 

T-áquâ-atir-a, «montão pontudo». De 
t, relativo, áquâ, «ponta», aiir, «montão, 
elevação», com o accrescimo de a (breve), 
por acabar em consoante. Por contracção 
T'áqu''atir-a. 

Allusivo a ter esse serrote uma ponta 
de pedra que parece quasi a despenhar-se 
no córrego, e na lagoa em que este 
nasce. 

Tarapandé. — (Vide o nome Tra- 
pandê). 

Tararé.— Nome com que é conhecida 
a praia de S. Vicente. 



(Vide o nome Itararé). 

Ahi foi fundada por Martim AfiTonso de 
Souza a primitiva villa de S. Vicente, 
em 1532; e dahi foi removida para o 
local actual, afim de que a povoação 
ficasse resguardada das grandes marés. 

Tararé, corruptela de T-araá-ré, «apta 
para enfermidades». De t, relativo, araá, 
«enfermidade, doença», ré, o mesmo que 
ê, «apto, apropriado». 

Allusivo a curar enfermidade o banho 
nessa praia. 

Tatetúba.— Affluente do rio Para- 
hyba, pela margem direita: no munici- 
pio de S. José dos Campos. 

Tatetúba, corruptela de T-atey-út-bae, 
«o que reflúe e torna-se frouxo». De 
t, relativo, atey, «frouxo», tút, «refluir, 
rebojar, fazer bojo», com a particula 
bae (breve), para formar participio, si- 
gnificando «o que». 

Allusivo a encontrar difficuldade e 
resistência no desaguar no rio Parahyba, 
formando por isso alagadiços, com o re- 
fluxo das aguas. 

Tatú.— Morro, no municipio de Ipo- 
ranga. 

Tatu, «pequeno». De t, relativo, atú, 
icurto, pequenO; baixo». 

Tatu. — Affluente do rio Piracicaba, 
pela margem direita: no municipio de 
Limeira. A' sua margem esquerda está a 
cidade de Limeira, em uma collina. 

Tatu, corruptela de T-ytú, «sujo». De 
t, relativo, ytú, «sujo». O y tem som 
guttural. 

Allusivo a ter turvas as aguas. 

Penso, porém, que o nome Tatu, dado 
a esse ribeirão, é uma abreviatura de 
tatuhiby. 

(Vide o nome Tatuhiby). 

Não tem, portanto, referencia alguma 
ao animal tatu, conhecido na sciencia 
por Dasypu^, do qual ha varias espé- 
cies: — o tatú-assú, conhecido por ca- 
nastra, e na sciencia Dasypus gigas 
(espécie pouco numerosa); o tatú-pébae^ 
na sciencia Dasypus giíripes, ou o Da- 
sypus sexcintus de Linneo^ que Buf- 



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FON havia denominado encouberi; o iaiú- 
été, não considerado Dasyptis, na sei- 
encia, por causa do systema dentário; 
o tatú-apáraj conhecido por iaiú-bóla, 
e na sciencia Dasyptis triciuctus; o tatu 
aiba, conhecido por iatú do rabo molle 
e na sciencia Dasipus ufiicinctiís. 

As differenças entre estas espécies só 
existem, além do tamanho e da cõr, no 
numero dos dentes e na forma e nu- 
mero das cintas. Quanto ao mais, cinco 
dedoS; armados de unhas irregulares, 
compridas e curvas, alimentação de in- 
sectos e de carnes apodrecidas, costu- 
mes, entre os quaes o de viver em bu- 
racos ou t-ógca^ etc, demonstram a uni- 
dade do género. 

O tatiÍHissú, que é o maior, mais de 
um metro de comprimento, tem a den- 
tadura composta de ^, quando de idade 
completa. O corpo é defendido por doze 
cintas ósseas movediças; e também o é 
a cauda, cujo comprimento é metade do 
corpo. O pelio na barriga é esbranqui- 
çado. 

O tatú-pé'bae^ corrompido em tatu- 
peba, tem a dentadura composta de ^. 
O corpo defendido por sete cintas ós- 
seas movediças; e igual defeza tein na 
cauda. A côr do pello na barriga, e 
nos elos brancos da parte trazeira do 
casco, é amarello-esbranquiçado. O casco 
é cachatado» ; e, por isso, pé-bae. O ta- 
manho do corpo é de 0°*,5 de compri- 
mento; e pouco menos de metade tem 
a cauda. Focinho comprido ; orelhas gran- 
des, semi-circulares, e quasi sempre erec- 
tas; olhos pequenos e vivos. E' apre- 
ciado como alimento. 

O tatú-été, que pelo nome indica ser 
€ legitimo e bom», été, tem a dentadura 

de i|; e a fêmea em vez de duas ma- 
mas como as outras espécies, tem qua- 
tro. Também só tem quatro dedos nas 
extremidades dianteiras. São nove as 
cintas ósseas movediças que defendem-lhe 
o corpo; e egual defeza tem a cauda, 
bem como o pescoço e os pés, embora 
as escamas ou ciatas do pescoço e dos 
pés sejam meãos duras. A barriga é 
igualmente escamosaf porém de escamas 



menos duras. Esbranquiçada é a côr do 
pello. £' a espécie mais procurada para 
alimento ; mesmo porque é tida como não 
apreciadora de carnes apodrecidas. 

O tatú-apára tem o systema dentário 
como o anterior. Seu comprimento não 
excede a 0°',38, afora a cauda, que tem 
0°»,7. E' denominado apá-ára^ ou apá- 
Wa, €0 que se encolhe» : allusivo a en- 
colher-se, formando uma bóia; para o 
que, tem o casco com bordas salientes, 
e as cintas com a forma e a contracti- 
bilidade precisas, a fim de que o ani- 
mal possa encolher-se inteiro, inclusive 
cabeça e extremidades dianteiras e tra- 
zeíras, dentro daquelle casco. As cintas 
do corpo são somente três; e também 
escamosa é a cauda. A côr é amarella- 
cinzenta. A barriga é lisa; e apenas 
com alguns pellos. 

O tatú-aiba é a peior qualidade, como 
o nome o designa, aiba^ cruim, máu». 
E' também o menor. Aprecia muito os 
cemitérios. 

A força muscular de todas essas es- 
pécies é enorme; e não ha força humana 
capaz de abrir um tatú-apára, quando 
se encolhe. 

Da cauda do tatú-assú, descarnada 
e sêcca, os indigenas fazem uma espé- 
cie de buzina, ou mburé, usada em suas 
festas e dansas. 

Do casco do tatú-apara, por sua forma 
e contractibilidade, elles fazem cestas, 
denominadas yríii- 

Mas, em summa, o indígena não co- 
gitou do tatu para nomear o morro 
acima descripto. 

Tatuapé. — Affluente do rio Tietê, 
pela margem esquerda: no município de 
S. Paulo. 

Tatuapé, corrutéla de Tytti-apé, craso 
e sujo». De t, relativo, ytú, csujo», apé, 
«superfície, plano, chato». 

Allusivo a ter turvas as aguas ; e cor- 
rer na superfície, sem fundo notável. 

Ao mesmo tempo, o indigena, usando 
do nome Tattifrp^, fez um jogo linguis- 
tico; ÇOTC\\\^ «k-à^X^XvAwi ^ífò\X^\ ^^iSfc <y^\- 



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TAU 



também designam por atuapê^ precedido 
do /, relativo. 

Tatuhiby.— Era o nome inteiro do 
ribeirão Tatú^ que banha a cidaile da 
Limeira. 

(Vide o nome Tatu). 

Tatuhiby, corruptela de T-ytú-ibiy, 
csujo e raso». De /, relativo, ytú, «sujo>, 
ibiy, cbaixo, pequeno». O y primeiro 
tem som guttural; e o ultimo tem o 
mesmo som, porém breve e quasi im- 
perceptivel. 

Tatuhiby era o nome primitivo da 
povoação, hoje cidade de Limeira. 

Tatuhy. — Cidade, á margem esquerda 
do ribeirão Tatuhy, 

Este ribeirão Tatuhy é affluente do 
rio Sorocaba^ pela margem esquerda. 

Tatuhy^ corruptela de T-ytú-i, «per- 
severantemente sujo». Do t, relativo, 
yiú, «sujo», í, posposição de perseve- 
rança. O y tem pronuncia guttural. 

Com effeito, este ribeirão corre sobre 
terreno, cuja formação é carbonifera, e 
na qual se encontram calcareos silicosos 
e fossiliferos. Na serra, que divide as 
aguas do ribeirão Tatuhy das do rio 
Oiuxrehy, altitude de cerca de 710 me- 
tros, «apparecem pouco abaixo de uma 
delgada camada de calcareo silicose ró- 
seo, alguns fosseis silificados, como ma- 
deiras de Coníferas, folhas de Lepido- 
drendons, e conchas mal conservadas», 
segundo os estudos e exames da Com- 
missâo Geographica e Geológica da pro- 
víncia de S. Paulo. 

O nome do ribeirão Tatuhy, T-ytúi, 
corresponde perfeitamente á formação 
geológica daquella região. 

Tatupéva— Affluente do rio Ribeira 
de Iffuape, pela margem direita: no mu- 
nicipio de Iporanga. 

Tatupèva, corruptela de T-ytú-pê-bae, 
«sujo e raso». De <, relativo, ytú, «siijo», 
pé, «chato, plano», bae (breve), para dar 
a forma de participio, significando «o 
que é». 

Tem pouca correnteza, visto que tem 
pouco declive. 



Tau bate. — Cidade, situada em um 
planalto, á margem direita do rio Para- 
hyba, distante deste 6 kilometros. 

Foi primitivamente uma aldêa de» in- 
dígenas goiú-ná, ou gtiayanaxes, vencidos 
em Piratinijiga, e para lá fugidos. 

(Vide o nome Piratiuingá). 

O nome desta povoação tem sido de- 
turpado: Itaboaté, Taboaté, Tahubaté, Ta- 
bate, e ora Taubaté. 

Dispersados os goia-ná vencidos em 
Piratifiinga, muito antes da vinda de 
Martim Affonso de Souza, tomaram, em 
grupos numerosos, direcções varias. A 
mór parte foi fazer taba no lugar, em 
que é hoje a cidade de Taubaté. E, porque 
alguns daquelles grupos se deixaram es- 
cravisar pelos vencedores, e outros se- 
guiram para os sertões do rio Para7Ui' 
panema e da serra Apucarana, aquella 
taba foi denominada pelos goiá-ná, que 
fundaram-n'a, Tab-a-été, «taba legitima»: 
de táb-a, «povoação, aldeia», été, «legi- 
tima, verdadeira, antiga, superior». Allu- 
sivo a ser essa a taba principal e legi- 
tima. 

Portanto, o nome Taubaté é corruptela 
de Tab-a-été. 

Os goiá-ná, desta taba, estiveram em 
correspondência de alliança e amizade 
com os indígenas da bahia do Rio de 
Janeiro (*), designados corruptamente 
tamoyos, por serem inimigos dos t-ypi 
ou tupi, dominadores em Piratiniuga e 
no respectivo littoral. 



(*) Aproveito a opportanidade para asaiçialar os no- 
mes corruptos Ptio dt assucar^ Ntetheroy^ uuanabdra e 
Orgaõê, ylsto que referi-me á bahia do Rio de Janeiro. 

Pio dó tusueaft corrupção de Páú-nd-açú-quâ, cilhas, 
altos e baixos pontudos». De Pau, «ilhas*, ruí, intercalação 
nasal, açú^ «altos « baixos», quâ, «pontudos». Este quâ 
é pronunciado breve, porque o accento predominante está 
em açú: por apháresis penieu o á que o deveria preceder, 
áquá, e que também em sua f(Srma primitiva o tomava breve. 
Sôa ga ou ea (breve). Allusivo ás ilhas numerosas dentro 
da bania, e aos montes latentes, uns mais altos que ou- 
tros, formando a perspectiva de altos e baixori pontudos, 
niegitimamentc, portanto traria esse nome tupi o pico, 
que está & entrada da bahia, ao sul. Por isso, cogitei de 
Pào dt assucar como sendo a mesma comipçiio, mas signi- 
ficando rúú, «monte insulado», yuf, interealaçfto nasal, oçtí, 
«grande», qud, «pontudo». Allusivo a sor um pico bom 
distincto dos outros niont<>s latvraes da iahia, não só por 
sua sitnação c grandeza, como pela forma pontuda. 

NieUierolnj, tíomiittSfi de Nda-y-tarò~i, perdendo a par- 
tícula negativa a, por exiidir adianto a vogal y, c soando 
portanto ^''tj-Unrn-l, «sem tortuosidade». íhy nda^ partícula 
de negação cuio d nã<» sôa, y, relativo, tcrõ^ «tortuosidade», 
i, para fechar u negação. Allusivo a ser uout bahia franca 
para «^ n&N<^\5Mc;^o . 



TEJ 



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TEM 



r, ««1 .«-«wr».. hiãt. do Rio dê Janeiro, e ontrot, 
dlsendo uns «agua etoondida», disrado ootrM, «mar morto», 
aSo erros palmares, senSo Terdadelroa disparates. 

Ouane^ra, corruptela de Otidá-anã-mb-ár-at «enseada 
muito grande». De gudá, «enseada», anã